N.A.: Ok, eu sei que as reviews estão baixas e algumas pessoas vão se perguntar pq eu ainda posto essa fic, bom pelo simples fato de que eu amo essa trilogia e não vou parar de postar.

Como prometido, o Pinhão propriamente dito começou, então se você não gosta de pegação entre homens, pule esse capítulo. Ele é única e exclusiavamente feito de Pinhão, com direito a uma longa NC. *-*

Agradecendo: Samara e M. Cherry, amo vocês pelas reviews. *-*

Sem betagem, sorry!

Boa Leitura!


Capítulo 6 – Two Become Nothing

"What I've felt, what I've known, never shined through in what I've shown. Never free, never me, so I dub the unforgiven."¹

Harry ouviu. Baixo, como um sussurro. Apoiou-se no batente. Ele estava de olhos fechados, cabeça inclinada, braços cruzados. A boca dele movia-se. Harry fechou os olhos. Nunca em toda sua vida pensara isso. Nunca pensara que talvez encontrasse o vazio tão desejado dentro de alguém que tanto odiava.

"Conhece uma banda chamada... Metallica?"

Harry abriu os olhos. Malfoy estava na mesma posição, mas os olhos tempestade miravam-no sérios. O mundo abria-se um pouco para engoli-lo agora quando via aqueles olhos. Suspirou cansado. Assentiu. Não conhecia tanto, mas já ouvira algumas vezes músicas deles. Sabia que era uma banda muggle. A questão, principal, era como Malfoy conhecia. Entrou no quarto, sentando-se longe do loiro.

"Alex disse-me que é uma banda famosa." Comentou como se apenas estivessem falando sobre o tempo, e como se fossem velhos amigos.

Entretanto, Draco havia desistido de lutar. De algum modo o que vira atrás da íris verdes de Potter, cravara em sua mente. Queria. Queria aquilo como queria ser dele. Era impossível. Era absurdo, nojento. Mas queria. Sua mente lembrava-o o quanto sofrera por causa do moreno. O que passara na escola quando ele lhe rejeitara aos onze anos de idade. Lembrava-se de todas as coisas que ele lhe dissera, das vezes que seu pai o repreendera por não conseguir algo de Harry Potter. Por ver e sentir raiva todas as vezes que o Trio de Ouro passava por ele. Odiava Potter.

Mas Draco sabia, aquele ódio fora colocado lado a lado com a vontade. Vontade de ver aqueles olhos pegando fogo por si outra vez. A vontade de descobrir. Vontade de ser e ter. Vontade de poder fazer tantas coisas. Vontade de esquecer que logo tudo acabaria e todos morreriam. O loiro sorriu de seu próprio pensamento. Onde estava Draco Lucius Malfoy, o puro-sangue, o quase Death Eater, o quase assassino de Dumbledore? Onde estava aquele garoto superior que sempre estaria a frente de Harry Potter? Sorriu mais ao perceber que ele ainda era o mesmo, apenas acrescentara uma insanidade em sua lista. E já não tinha certeza se essa insanidade era temporária.

"Eles tem duas músicas com o mesmo nome." Pensou um pouco, agora com os olhos cinza fixados em Potter no chão. "The Unfogiven I e II, acho." Viu Potter assentir, provavelmente conhecia a música. "Acho que combinam com o momento que essa merda de mundo está."

Harry deu de ombros. Não lembrava-se da letra, muito menos da música, mas lembrava-se de que eram canções tristes. Observou Malfoy. Tudo resumia-se ao que ele poderia lembrar da vida que vivia antes. Tudo resumia-se a vida que ele queria. Os cabelos caiam pelos ombros, a falta de camisa estava incomodando Harry. Nunca pensara que Malfoy poderia incomodá-lo de uma outra maneira. Porém, lá estava ele. Lá estava um garoto que sentia-se superior, e que agora, parecia impelido a tê-lo. Assim como Harry parecia impelido a tê-lo também. De onde vinha tal vontade? De onde vinha tal desejo?

Pensou em Hermione. Ela lhe contara. Ela lhe descrevera como ocorrera seu ataque. Harry quis matar. Harry quis caçar, correr atrás de Greyback, destruí-lo, despedaça-lo com as próprias mãos. Mas Lupin dissera que era exatamente o que o homem queria. Queria que Harry sentisse. Que ele visse. Que ele se mostrasse. Todos sabiam o quanto ele amava Hermione. Todos sabiam que ele vingaria o que fora feito com ela. E era exatamente por isso que ele não podia sair. Ele não poderia matar Greyback. Ainda não.

Vira as marcas no corpo dela. A pele vermelha. A pele machucada. A pele profanada. Como algo puro tornara-se tão machucado? Como algo seu, perdera-se? Olhou para Malfoy. O loiro voltara a cantar a música, baixo. Sussurros dentro do quarto. Sussurros em sua mente. Malfoy simplesmente desistira. Harry lembrava-se, ele não tinha nada a perder. O que Harry, agora, tinha a perder? Pensou em seus amigos, família, inimigos. Qual desses realmente importava a ponto de não poder desistir? Malfoy olhou-o de canto de olho. Porque Malfoy tornara-se a vontade?

"Onde estão Lupin e Granger?"

"Foram abrir caminho e proteger o próximo esconderijo."

Viu-o assentir. Viu-o mover-se. Viu-o sorrir. Harry observou-o. Vontade. Malfoy era movido de vontades. Vontades sujas. Vontades temporárias. Harry não sabia se suas vontades eram temporárias, mas sua vida era. Simplesmente temporária. Viu-o ajoelhar-se entre seus joelhos levantados. Viu-o sorrir. Aquele sorriso vitorioso. Aquele sorriso superior. Ele não era mais nada disso, mas ainda assim sorria daquele modo. Ainda assim via-o fazer isso.

"Por quanto tempo eles ficarão fora?"

Baixa. Rouca. Sussurrada. Malfoy não tinha ideia de como sua voz poderia mudar tanto. Viu-o mover os ombros devagar. Sua mão segurou o queixo dele. Sua boca colou-se a dele. Sua mente nublou-se. Onde estava? Quem era aquele a sua frente? Como ele se chamava? Nada importava. Nada precisava importar. Beijou-o. Sua língua brigou com a dele, devagar, sem pressa. Sem mandar. Ambos ditavam as regras. Potter apenas não sabia que poderia fazer isso ainda.

Abaixou-se mais, seu corpo querendo sentir o dele, como da última vez. Sua mente precisando nublar-se mais. Respirou fundo. Ele movera-se. Ajoelhara-se também. Sentia-o. Malfoy conseguia sentir cada parte do corpo de Potter que poderia sentir naquela posição, e isso o animava. Isso o deixava sedento. O fazia desejar algo. Uma coisa que a muito perdera a vontade.

Seus lábios se deslocaram da boca do moreno, apenas para escorrerem por seu pescoço. Apenas para seguirem pelo maxilar dele, morder o lóbulo da orelha, ouvi-lo gemer baixo contra si. Draco queria ouvi-lo gemer. Draco queria ouvir algo natural e real sair da garganta de Potter.

Afastou seu rosto do dele. Olhava-o nos olhos de tempestade. A boca desejava a dele, o corpo desejava o dele. A mente nublava-se. Queria Malfoy, apenas por não poder pensar direito. Seu corpo apenas reagia. Harry o queria.

Viu Malfoy afastar-se apenas o suficiente para que ambas as mãos deslizassem por seus ombros. Mirou-o. Os dedos dele seguraram o cós de sua camiseta, puxaram-na para cima. Frio. Calor. Vergonha. Vontade. Tudo misturava-se em um misto de sentimentos que Harry não sentia a tempos. Tudo misturava-se em Malfoy. Aproximou seu corpo do dele, suas mãos trilhando os ombros claros demais e marcados de Malfoy, seus dedos embrenhando-se nos fios claros demais e finos demais. Algo delicado e belo estavam começando a tornara-se algo perdido e seu.

Draco viu como Potter olhava-o. Era desejo escondido atrás de dor. Precisava de mais. Precisava de todos os sentimentos que Potter pudesse sentir, isso faria-o sentir. Isso faria com que fosse real. E isso faria-o esquecer. Levantou-se, puxando Potter consigo, empurrando-o contra a parede, tocando a boca dele novamente. O gosto de algo que ele não sabia identificar preso a língua dele. O loiro queria mais. Suas mãos deslizavam devagar pela pele do moreno, descobrindo, querendo. Harry gemia baixo dentro da boca de Malfoy, e tudo que Malfoy fazia era empurrar o corpo ainda mais contra o de Potter. Porque ali eles sentiam. Ali eles tinham plena ideia de como seus corpos apenas traduziam palavras que nunca seriam ditas. Essas palavras nunca poderiam ser ditas.

Sua mão abriu sua própria calça, o barulho alertando Potter. Sorriu. Ele temia-o. Ele queria-o, mas temia-o. Afastou-se totalmente dele, vendo-o olha-lo sério. Andou de costas até o meio do quarto. Não era nenhum mistério, Potter já o tinha visto sem roupa alguma. Potter já o vira no auge de sua excitação. Abriu a calça. Deixou-a deslizar por sua cintura, suas coxas, empoçar-se em seus tornozelos. Saiu dela, chutando-a para o lado. Sem roupa de baixo. Sem pudor. Potter olhava-o com certo medo.

Harry mirava Malfoy sem roupa alguma e seus olhos desciam e subiam pelo corpo dele. Devagar. Sensações convergiam dentro de si. Sentimentos brigavam em sua mente. Seu corpo reagia apenas de uma maneira. Sentia seu próprio membro duro e doloroso dentro da calça. Sentia a vontade de libertar-se. Sentia que suas mãos precisavam da pele do outro por debaixo. Queria Malfoy. Queria o corpo dele. Queria a mente vazia dele.

Seus dedos tremiam quando abaixou a calça de moleton que vestia. Seus olhos fecharam-se quando viu os olhos tempestade mirando a pele que começava a ser revelada. Como Malfoy conseguia carregar tanto desejo nas orbes cinza? Como Malfoy conseguia carregar tanto desejo por alguém que odiava? Como ele, Harry Potter, conseguia desejar tanto o ódio? Sua língua passou pelos próprios lábios. Estavam secos. Sua respiração era rápida. Seu corpo precisava do outro.

Moveu-se. Potter acabara de chutar a calça para o lado. Ambos estavam nus. Precisava do corpo dele contra o seu. Precisava de Potter. Suas mãos juntaram-se as dele. Seus dedos se entrelaçaram. Colou a boca a dele enquanto empurrava seu corpo junto do dele. Ambos gemeram. Alto. Perigoso. Eram gemidos satisfeitos. Como se por anos esperassem por aquilo e somente agora, com os corpos juntos, estivessem finalmente em um lugar seguro. Um lugar comum.

Beijou-o, seu quadril colado ao dele. Sentindo o quão excitado Potter estava. Precisava daquilo. Precisava do fim daquela vontade. Virou-o devagar, uma de suas mãos escorrendo pela barriga de Potter, descobrindo o moreno. Segurou-o por entre os dedos, apertando-o contra a palma. Potter gemera e Draco quase o apertara ainda com mais força. Estavam no mesmo estágio. A excitação era dolorosa. Beijou os ombros dele, sua língua trilhando a nuca do moreno. Precisava daquilo como o ar que entrava e saia de seus pulmões.

Uma de suas mãos ainda estava com os dedos entrelaçados com os de Malfoy. Seus olhos estavam fechados com força. Seu óculos tinha caído há alguns minutos. Os dedos dele segurando-o pareciam queimar. Queria um fim para aquilo. Queria parar de sentir tudo. Queria apenas sentir o vazio. O escape. A língua de Malfoy em sua nuca fazia arrepios perigosos descerem sua espinha. Não tinha ideia do que fariam, mas precisava de mais.

"Malfoy…"

"Eu sei."

Ouvi-lo dizer que sabia não ajudava Harry. Ouvi-lo dizer que entendia o que estava passando não fazia-o ir mais rápido. Porém, ele começara. Ele o apertou mais contra a palma da mão, seus olhos fecharam-se com força, um gemido de dor e prazer escapou sua garganta. E ele soltou sua mão. Malfoy começara a empurrar-se para dentro de si, guiado pela mão que antes estava com a sua. Bateu devagar a testa na parede. A dor era grande. Mas Harry conhecia a dor, aquilo não era dor, era apenas descoberta.

Lambeu os ombros dele. Voltou a entrelaçar seus dedos aos dedos dele. Moveu a mão que segurava-o enquanto estava parado. Potter o recebera por inteiro apenas gemendo baixo. E seu corpo queria mais. Era como se seu corpo não entendesse o limite. Já não havia modo, mas seu corpo queria estar por inteiro dentro de Harry. Como se quisesse possuí-lo e nunca mais abandoná-lo.

"Malfoy…"

Ouviu-o dizer de novo. Moveu-se. Ambos gemeram. Apertou sua mão contra o membro dele, seus dedos entrelaçaram-se com mais força. Sentia-o apertar sua mão. Beijou seus ombros, moveu seu quadril. Entrava e saia de Potter com certa facilidade agora, mas queria mais. Queria muito mais. Precisava de um fim, assim como sabia, por fato, que Potter também. Enterrou-se nele com mais força. Gemiam palavras desconexas, gemiam ameaças. Draco mordeu-o no ombro, tirando-lhe sangue. Ouviu Potter gemer seu nome, baixo, tremendo, e sentiu-o vir em seus dedos. Esse também fora seu fim.

Harry sentia os movimentos de Malfoy dentro de si mais fortes, firmes, rápidos. Ele estava em seu fim. Esperou. A testa apoiada na parede, os dedos apertando a mão do loiro, o sour escorrendo de sua testa.

"Potter."

O gemido de Malfoy quando veio dentro de si, foi um indício para Harry que ali iniciava-se algo. Talvez o começo daquele fim que ele sabia por fato que chegaria. E que chegaria logo.

Sentiu as pernas fraquejarem, mas firmou-se contra o corpo do moreno, usando-o como apoio. Há tempos não tinha um clímax tão forte. Afastou-se dele, devagar, saindo de seu corpo sem machuca-lo. Viu Potter virar, olhando-o. O fogo ardia brandamente nas íris verdes. Sorriu. Sentou-se no chão sujo e jogou o corpo para trás, deitando. Fechou os olhos. Não tinha forças, não tinha vontade de mover-se. Letras flutuaram em sua mente, Draco as disse.

"Lay beside me, tell me what I´ve done. The door is closed, so are your eyes. But now I see the sun, now I see the sun. Yes, now I see it."²

Harry parou no batente da porta quando ouviu a voz de Malfoy a cantar. Virou-se, as roupas na mão. O fim ainda demoraria para chegar.

"Banho, Malfoy."

O loiro inclinou a cabeça, os olhos tempestade observando-o. Abaixou a cabeça.

"Se você for tomar banho, aceito."

Harry saiu do quarto sem dizer nada, mas ouviu Malfoy vir atrás de si. Sim, o fim estava próximo, mas por enquanto ele poderia mantar-se no vazio que ambos acabavam de se tornar.


Tradução:

¹: The Unforgiven – Metallica

O que eu senti, o que eu soube, nunca apareceram no que eu mostrei. Nunca livre, nunca eu mesmo, então eu os nomeio imperdoáveis.

²: The Unforgiven II – Metallica

Deite ao meu lado, diga-me o que eu fiz. A porta está fechada, como estão seus olhos. Mas agora eu vejo o sol, agora eu vejo o sol. Sim, agora eu o vejo.