Nenhum personagem da Saga me pertence.
AVISO: Esse capítulo consiste apenas no ponto de vista da Bella.
Quando a Noite Reina
Encarei Edward andar para longe de mim. Ele andava com passos desanimados e a cabeça estava baixa. Eu não entendia o que se passava na cabeça daquele homem porque a impressão que sua tristeza dava era de que ele podia sentir alguma coisa por mim.
Mas eu sabia que ele não sentia.
Ele não podia sentir, afinal de contas. Eu gostava muito dele, mas eu tinha certeza de que nossos sentimentos não eram recíprocos. Ele já havia encontrado a diversão que queria em Forks e, palavras dele, também já tinha se apaixonado por apenas um olhar.
Vendo o porte altivo de Edward, suas maneiras, sua educação e sua beleza, conclui que ele merecia nada mais e nada menos que uma garota da classe de Rosalie Hale cruzasse seu caminho porque ela era educada, muito rica e linda demais. As outras, como eu, eram apenas outras que nunca se encaixariam ao lado do famoso Edward Cullen.
Levantei-me do balanço em silêncio assim que o vi sumir dentro da casa, caminhei me concentrando em não deixar as lágrimas chegarem aos olhos e foquei também no chão à minha frente: eu não teria mais Edward para amparar minhas infelizes quedas. Subi até meu quarto e tranquei a porta.
Pensei em berrar e fazer um escândalo, mas... Para quê? Para um homem perfeito como aquele saber que havia conquistado mais uma? Não, ele não pensava dessa maneira e era isso que me dava mais raiva. Eu não conseguia colocar um único defeito nele! Isso o tornava ainda mais irreal e me deixava ainda mais infeliz.
Chorei todas as minhas lágrimas: chorei por ser deixada para trás, chorei por ter de me casar com quem eu não amava, chorei por perder Edward, chorei por saber que não gostava dele apenas como um amigo, chorei por ele ser perfeito e eu não; e chorei pelo fato de que minhas emoções estavam desastrosamente ligadas aos meus canais lacrimais, o que me fazia chorar por tudo em quase todo o tempo.
Mas quando saí do quarto, horas depois, ninguém podia ver a destruição que eu estava por dentro, ninguém podia ver que eu estava irreversivelmente quebrada.
- Bells, a janta está pronta. - papai chamou com um sorriso sincero quando eu não fui capaz de fazer o mesmo; sorri amarelo e nem me importei.
- Foi uma pena que o senhor Cullen não tenha aceitado jantar conosco...
Apenas de ouvir aquele nome, eu já sentia um bolo se formar na boca do meu estômago, mas eu não iria demonstrar reação nenhuma.
- Ele devia estar com medo de você, Renée! - Charlie riu e ela o acompanhou. - Você não o deixava em paz um instante sequer...
- E isso era a desculpa perfeita para ele escapar para o quintal pra ver Bella!
- Sendo desculpa ou não, acho que foi bom ele ter-se ido. Não o quero como pretendente de Bella.
- Por quê? - minha mãe fez a pergunta que eu tive vontade de gritar.
- Ele é conhecido por trabalhar demais para poder se sustentar. Ele não poderia dar uma vida digna da minha filha. - Charlie deu de ombros.
- Ao menos ele é trabalhador... - murmurei sem emoção na voz.
- Chega. Eu já disse que ele não é bom o suficiente para você! - Charlie deu um tapa na mesa e eu continuei encarando-o nos olhos castanhos.
- E quem é bom? - minha voz tinha uma dose extra de veneno e senti minha fria máscara ir se desmoronando aos poucos, dando espaço à raiva e angústia que eu sentia - James Hastings, o mulherengo? Mike Newton que não tem a maturidade correspondente à sua idade? Billy Black?
Eu não tinha nada para falar mal de Billy, então me calei.
- E qual é o defeito do Black? - papai revidou, não respondi de imediato. - Então me parece que será com ele que você se casará!
- Nem morta. - não alterei minha voz e nem fiz alarido algum, apenas me levantei, encarei meus pais nos olhos e voltei para o meu quarto, onde permaneci por mais de uma semana.
Renée já estava a ponto de me internar em algum hospital para que me dessem comida. Eu havia emagrecido muito, chorava o dia todo e não deixava que abrissem as cortinas de meu quarto. Parecia uma fera selvagem em sua toca.
Sabia que era infantilidade minha fazer todo aquele tipo de drama, mas quem eram eles para decidir o que eu deveria fazer com a minha vida? Como eles podiam me obrigar a fazer o que acreditavam ser certo para mim?
Pais deviam mostrar o melhor caminho para os filhos, não obrigá-los a seguir um caminho no qual eles mesmos eram infelizes. Sim, Charlie e Renée nem se amavam mais. O termo certo para eles era de que apenas aturavam um ao outro. Nada mais.
Casaram-se por interesse no dinheiro um do outro, achando que isso seria o suficiente para mantê-los unidos pelo resto de suas vidas... Estavam enganados.
Por anos, tive de conviver com as briguinhas irritantes que viravam brigas feias, provocações, insultos, com a discórdia e com a falta de afinidade de ambos e isso tudo realmente me encheu durante minha infância; eu me via desejando que eles se separassem de uma vez por todas e que tentassem ser feliz longe um do outro. Mas um coisa eu podia dizer que aprendi: eu não iria desejar aquela vida para mim mesma. Eu não ia me casar por interesse.
Eu queria me casar por amor.
Mas, como uma pessoa que não acredita no amor pode se casar por ele? Como, céus, essa pessoa poderia ser feliz ao lado de alguém sabendo que não a ama?
Eu era incapaz de amar, havia aceitado aquele fato. E quando Edward aparecera, eu realmente tive esperanças de que isso pudesse mudar, porém ele foi embora cedo demais para que eu pudesse descobrir se teria sucesso.
Depois de uma semana e meia, eu me vi querendo deixar minha toca. Eu precisava de ar puro e sabia que de nada iria adiantar ficar lá escondida. Eu sabia que de uma maneira ou de outra, eu seria obrigada a me casar com Billy Black.
- A senhorita me parece muito abatida... - legal, em meu primeiro passeio pela cidade, encontro com o idiota do Mike acompanhado por ninguém menos que James.
- Eu estou muito bem. - fechei a cara quando notei que James descia os olhos para meu decote.
- Isabella, por que não nos acompanha em uma caminhada pelo parque?
James não perdia tempo em me ter por perto e aquilo me irritava cada vez mais.
- Eu já estou indo embora para minha casa, obrigada.
Com um aceno de cabeça, me retirei. Duas quadras depois senti alguém segurar meu braço.
- Me solta! - grunhi.
- Sabe Isabella... Você ainda subirá ao altar para dizer sim para mim. - James murmurou próximo ao meu ouvido.
- E o que te faz pensar nessa ideia absurdamente ridícula?
- Eu sei que você sente uma grande atração por mim. Fato.
Rolei os olhos e continuei meu caminho.
- Sei também que seu pai está de olho em minha conta bancária e devo dizer que ela é bem extensa... - ele sorriu triunfante.
- Pegue todo o seu maldito dinheiro e enfie ele no...
Não terminei a frase imprópria de uma mulher educada porque James me calou com um beijo. Quando senti seus lábios nos meus, senti repulsa e uma felicidade insana se apossou de mim: naquele momento eu havia notado um pouco da extensão do meu sentimento por Edward Cullen.
Bati nos ombros de James, mas ele não me largou. Então, assim que tive a chance, agarrei a língua dele e cravei meus dentes nela. Ele deu um grito que foi abafado pela minha própria boca e eu apenas continuei apertando minha mordida até que senti um líquido quente começar aflorar.
Finalmente soltei sua língua e avaliei os estragos: James tinha a boca ensanguentada e eu mesma estava sentindo o gosto de seu sangue nojento e impuro. O gosto e o cheiro fizeram minha cabeça rodar, mas o que me fez desmaiar não foi aquela quantidade espantosa de sangue ou o cheiro que dava náuseas e sim o tapa violento desferido por James.
Apenas me lembro vagamente de estar sendo carregada enquanto quem me carregava corria.
- Bella... Minha filha, acorda.
Era Renée. Resmunguei sentindo o lado do meu rosto dolorido. Assim que abri os olhos e vi James ao lado de minha mãe, pensei em gritar-lhe as poucas injúrias que meu limitado vocabulário permitia.
- Se não se importa senhora Swan, eu gostaria de falar um pouco a sós com Isabella. - seu tom gentil não me enganava e pude ver que seus olhos estavam claramente me ameaçando.
Mamãe sorriu e saiu do quarto sem nem me perguntar se eu mesma estava disposta a ter uma conversa em particular com meu agressor.
- Saia daqui James. - fechei os olhos para não ter que continuar olhando o sorriso zombeteiro que não chegava aos olhos maldosos.
- Se eu fosse você, não sairia espalhando por aí que eu te bati, Isabella...
- Mas como não é...
- Você estava andando pela rua sozinha no fim da tarde, uma jovem dama e bela demais para andar desacompanhada... - levei um tempo para entender onde ele queria chegar - Um homem estranho cruzou seu caminho e mandou que você lhe passasse as poucas joias que você carrega...
- Não!
- Você tenta escapar dos dedos ligeiros do estranho, mas ele lhe dá um tapa forte o suficiente para fazê-la desacordar. Eu, que estava passando distraidamente pela rua, vejo a cena e corro em seu socorro e acabo tendo uma briga com o ladrão, mas garanto que nada que lhe pertença seja furtado. Carrego-a em meu colo e a trago desesperado até aqui, porque tenho uma grande estima pela bela dama e quero apenas o melhor para ela.
Quando ele terminou, olhou para mim e sorriu. Fiquei enojada com sua naturalidade.
- Foi isso o que aconteceu, não é, Bella?
- Você sabe tão bem quanto eu que isso jamais aconteceu! - rosnei e notei que sua boca já estava limpa, nenhum sinal de minha mordida. Lamentei não ter agarrado-lhe o lábio inferior, ao menos teria alguma evidência de que tentei resistir à ele.
- Se você não souber contar a verdade, irá se arrepender. - continuei encarando James em desafio. - Sabe que tenho homens muito maus à minha disposição, não? Sabe que seu papaizinho não está em condições de entrar em choque por sua mãezinha, certo?
- Isso é uma ameaça, Hastings?
- Isso é a realidade, Swan. - ele devolveu no mesmo tom frio. - E quando eu digo-lhe que um dia se casará comigo, não quero que discuta. Entendeste?
Não respondi, a fúria que havia se apossado de minha mente não me deixava pensar com coerência.
- Perguntei se tu entendeste. - ele apertou meu braço esquerdo enquanto aproximava aquelas orbes azuis do meu rosto.
Precisei reunir todas as forças do meu ser para que não cuspisse na cara dele, estávamos perto o suficiente para tanto, mesmo com minha falha pontaria. Pensei em Charlie e Renée; eu não poderia fazer nada de errado por eles.
- Sim.
James soltou meu braço e sorriu angelicalmente. Tinha certeza de que a marca de seus dedos ficaria impressa em minha pele, mas claro, aquilo seria também obra do ladrão de joias.
- Virei amanhar para ver como está tua recuperação... Não deve ser fácil resistir à um assalto... - ele zombou antes de fechar a porta e me livrar de sua repugnante presença.
Chorei silenciosamente enquanto o quarto ia ficando escuro conforme a noite tecia suas garras no céu de outono. Chorei porque em breve seria obrigada a me casar com um homem que não amava. Afinal de contas, eu amava Edward Cullen, e isso era o mais próximo que eu conhecia do amor.
Sim, apenas ao cair da noite eu pude afirmar que meu coração de pedra havia encontrado em Edward uma fraqueza.
Mas me lembrei de James e de tudo o que ele me dissera. Depois de seu ato heroico, papai com certeza o escalaria para o topo da lista de pretendentes. E eu provavelmente teria minha mão entregue ao homem que hoje me agredira e me ameaçara. Suspirei sonolenta enquanto tinha um último pensamento:
"Até onde um homem iria apenas para satisfazer seus desejos?"
Ah.. A Bella tem que sofrer um pouquinho por ter deixado o Edward ir embora! Então, por favor, não descontem em mim! ^^
Talie: Obrigada, você não sabe como foi bom ler isso! ^^
Camilla052: Acho que temos uma certa tendência a escrever fics onde a Bella é sempre meio 'lerdinha' kk. Mas isso foi necessário, é para um 'bem maior' ;D
swan's: Sabe que isso eu ainda não consegui decidir? lol
Lyka: Sim, sim... Com prazer!
Criis: Pois é... É o que eu mais estou tentando fazer!
Até domingo... POV especial do tio Eddie =D
Beijos!
