Capítulo 7
Depois de passar um bom tempo correndo atrás de Matsuri, Sora e Sunao estavam realmente cansados. Naquele dia não haveria mais nenhuma atividade escolar, de modo que os dois foram para a área externa, descobrindo as piscinas que havia no hotel. Muitos alunos se divertiam, espalhando água para todos os lados e fazendo barulho, mas os dois que tinham acabado de chegar optaram simplesmente por sentar-se nas cadeiras ao lado dos guarda-sóis. Passaram um bom tempo sem dizer nada, apenas observando a bagunça protagonizada por seus colegas de classe dentro da piscina, porém, após uma meia hora, Sora, não agüentando mais o silêncio que se tornara sufocante, arranja um pretexto qualquer para quebrá-lo.
"Fujimori... huh... seu tornozelo está doendo? Afinal, acho que caminhamos bastante" - diz, lembrando-se do fato e ficando preocupado -
"Não, não está... obrigado" - responde o garoto, olhando-o rapidamente -
"Que bom"
Após esse breve diálogo, os dois mergulharam novamente no silêncio, com Sora cada vez mais incomodado com a situação. Repentinamente, um pensamento diferente lhe vem à cabeça, fazendo-o pensar no assunto por algum tempo, até que decide que não sabe a resposta para sua pergunta, de modo que resolve questionar o outro, sentado a seu lado.
"Eu... posso te fazer uma pergunta, Fujimori?"
"Não, não pode!" - responde o outro, sendo sarcástico -
"Ah, então está bem..."
"Baka... pergunte logo!"
"Tá..." - diz Hashiba, mas sem continuar -
"Fale de uma vez"
"Hum... nós... nós somos alguma coisa?"
"Hããã?" - diz Sunao, atônito, sem compreender o que o outro queria dizer com aquilo -
"... nós somos... Ah, deixa pra lá" - Sora estava extremamente sem graça e Sunao, por sua vez, extremamente confuso -
Uma idéia do que ele estava querendo perguntar começava a invadir sua mente, deixando-o mais perplexo ainda. Sunao olha para ele, com sua expressão demonstrando completamente sua surpresa, ao mesmo tempo em que ruboriza, assim como Sora.
"Ha-Hashiba... o que exatamente você quer me perguntar?" - Sunao estava curioso, apesar de tentar manter sua face inexpressiva -
"Euiaperguntarseagoranóssomosnamorados!" - diz Sora, muito rapidamente e um pouco baixo, mas do mesmo modo Sunao entendeu, ambos agora ficando furiosamente corados -
"Eu... eu acho que podemos ser..." - responde Sunao em um sussurro, depois de pensar por um momento -
Sora não poderia estar mais feliz, ainda mais do que quando seu amado garoto aceitou "sair" com ele. Tanto, que inclinou-se na direção dele, fazendo menção de beijá-lo. Sunao afastou-se um pouco, impedindo o gesto do mesmo.
"Aqui não, Hashiba!" - ao ver a expressão triste que se formou na face de Sora, o garoto menor arrependeu-se um pouco, e, levantando-se, segurou o braço dele, puxando-o -
"Fujimori, o que está fazendo?" - questiona-o Sora, sem receber resposta, mas continuando a seguí-lo -
Sunao foi arrastando o outro até chegarem ao dormitório, entrando nele junto com seu agora namorado. Surpreendendo Sora, o chibi aproximou-se e encostou sua boca rapidamente na dele, afastando-se novamente em seguida.
"Satisfeito agora?" - diz Sunao, com o rosto virado, sem coragem de encará-lo - "Mas não espere isso frequentemente"
Sora, com o sorriso enorme, abraça-o, levantando seu rosto delicadamente, e beijando-o, dessa vez mais profundamente, ao sentir os lábios do mesmo se abrirem em muda autorização para tal ato. A urgência de ambos ficava mais evidente, mas de modo repentino Sunao interrompeu o beijo, seus olhos parecendo anuviados e expressando seu temor em relação a algo ainda desconhecido de Sora.
"Hashiba... por favor...salve-me" - disse em um sussurro, caindo desacordado nos braços dele, que ficou paralisado por um momento, e então se dirigiu à cama, colocando Sunao nela -
Chacoalhando levemente o ombro do garoto e chamando seu nome, com sua preocupação crescente, Sora pensava no que poderia fazer, quando lhe ocorreu que deveria avisar a Nanami. Estava quase passando pela porta do quarto, quando ouviu-o chamar seu nome baixinho, voltando imediatamente.
"Fujimori! Você está bem?" - disse, esperançoso, mas sem receber resposta -
Sunao, desacordado, parecia debater-se contra um inimigo inexistente, e Sora, pensando que ele poderia se ferir, aproximou-se, colocando-o sentado e abraçando-o com força, sendo empurrado na mesma medida.
"Fujimori... calma, está tudo bem, sou eu..." - murmurou no ouvido dele -
Sunao, por sua vez, pareceu despertar, e abraçou Sora de volta, de modo desesperado, molhando a camisa do mesmo com a grande quantidade de lágrimas que ainda escorriam por seu rosto e soluçando. O garoto maior sabia que isso tinha a ver com o acontecido no outro dia, e que ele talvez tivesse lembrado de suas memórias, ou parte delas. Para afetá-lo dessa maneira, realmente deveria ser algo sério, e com esse pensamento ficou ainda mais preocupado. Acariciando a cabeça de Sunao, fazendo com que este se remexesse um pouco, e logo em seguida desperta.
Sunao estava olhando de Sora, que continuava com uma expressão preocupada, para a cama, onde agora estava, sem entender por que foi parar ali. Sora, vendo a interrogação em sua face, responde-lhe que havia desmaiado novamente.
"Ah... desculpe-me, Hashiba..."
"Fujimori, não se preocupe..." - disse Sora, colocando a mão levemente na cabeça do menor e acariciando-a ternamente - "O que aconteceu com você? São as suas... memórias?"
"Acho que sim... mas não se preocupe com isso, estou bem..." - tenta tranqüilizá-lo, sorrindo -
"Nao..." - Sora abraçou-o, fazendo com que ficasse parcialmente deitado em cima do outro; além disso, o uso do apelido com o nome dele mostrava a preocupação que sentia nesse momento -
Sunao, extremamente corado pela posição em que se encontrava -embaixo de Sora- e também pelo uso de seu apelido pelo outro, o abraçou atrapalhadamente de volta, sentindo a calidez que o corpo do mesmo emanava, fazendo-o sentir-se bem, apesar da vergonha.
"E-eu estou bem, de verdade... não se preocupe com isso..."
"Como você pode me pedir uma coisa dessas?" - questiona, ainda por cima dele, com o rosto escondido na junção entre ombro e pescoço, e por isso, com a voz abafada -
"Hã? Como assim, Hashiba?"
"Não me peça para não me preocupar com você, Fujimori, por favor" - explica o outro, retomando o uso da jeito de chamá-lo formal, sem perceber -
"Oka..." - Sunao ainda se encontrava envergonhado, ainda mais por agora Sora estar a milímetros de beijar seu pescoço, e, por mais que tivesse se dado conta desse fato, não estava preparado para o que aconteceu em seguida -
Sora, antes que perdesse a coragem de realizar a idéia que aquela posição lhe dera, encostou os lábios levemente na suave curva do pescoço do outro, afastando-se em seguida, também ruborizado. Fujimori, totalmente surpreso, vira-se para Sora com insegurança presente em seu olhar.
"Desculpe-me... prometo que não farei de novo" - diz-lhe Sora, ao ver sua expressão insegura, ele próprio com uma mirada de arrependimento -
"T-tudo bem..." - Sunao, desvia o olhar, com vergonha de encará-lo, mas um instante depois, puxa-lhe ,e o beija, mantendo uma das mãos em sua bochecha e outra na nuca, provocando-lhe arrepios -
Ao se separem, Sora encara o outro garoto abaixo de si com seriedade, mas a gentileza ainda presente em seu rosto.
"Fujimori... me promete?"
"O...o quê?"
"Quando você lembrar o que aconteceu, me conte, pra que eu possa fazer alguma coisa..."
"Hashiba... não precisa, isso não é nada..." - Sora, sem falar nada, continuava olhando-o seriamente, esperando que parasse de contestá-lo, e Sunao, ao perceber tal ato, simplesmente assentiu - "Oka, então..."
Sunao, apesar de temer o que suas memórias poderiam lhe mostrar, ainda mais pelo fato de que iria contar a Sora, tinha uma razoável certeza de que não iria lembrar, de qualquer jeito, de modo que concordou com o pedido. Essa certeza de Sunao iria mostrar-se um belo engano, apesar das circunstâncias.
"Fujimori... você não quer entrar na piscina?"
"Mas..." - Sora lembrou-se então do medo de água de Sunao -
"Ah, esqueça, me desculpe..."
"Não, tudo bem... vamos lá, hoje está fazendo calor, mesmo..." - Sunao sorri discretamente para o outro, que não deixa de perceber -
"Sério? Então, vamos nos trocar" - Sora, ao contrário de Sunao, abre um largo sorriso -
Depois de colocarem suas respectivas roupas de banho, que o menor só havia levado por pura insistência do outro, entre outros 'preparativos', saíram finalmente do quarto, encaminhando-se à piscina. Ao chegarem mais perto, Sora viu o garoto ao seu lado tremer visivelmente, ainda que de modo discreto.
"Tem certeza, Fujimori? Você não precisa entrar, não é?"
"Não... eu vou entrar, mas não se preocupe" - Sunao, sério, apenas olhava na direção na grande piscina daquele hotel, onde alguns dos outros alunos ainda espirravam água, animados -
Sora colocou a mão no ombro de Sunao, olhando-o significativamente, ao que o outro apenas assentiu novamente. Foram então até uma das cadeiras, deixando as toalhas e chinelos ali, seguindo novamente para mais perto da piscina. Sora pulou, porém sem deixar que muita água respingasse, em respeito ao outro que estava perto e, ao emergir novamente, olhou em sua direção. Sunao agachou-se na borda, olhando para Sora, e sem seguida tocou a água hesitantemente com uma das mãos.
"A água está quente..." - diz em tom baixo, chamando a atenção daquele que o olhava preocupadamente -
"Sim, mas está boa... quer que eu segure você?" - oferece inocentemente sua ajuda para que ele entrasse na água -
"Ah..." - Sunao, apesar de envergonhar-se com a sugestão de Sora, estava inseguro demais para apenas segurar-se nas bordas da piscina, e achou que talvez lhe trouxesse mais segurança apoiar-se no 'amigo', assentindo ruborizado para o mesmo -
"Então... você pode se sentar na borda, Fujimori?" - questiona Sora, ao ver a resposta positiva -
"T-tá..." - Sunao, lentamente, faz aquilo pedido por Sora, colocando os pés dentro da água -
Sora, ao ver que o garoto já estava meio acostumado com a sensação que aquilo trazia, coloca hesitantemente as mãos em sua cintura, olhando-o então para ver se aquilo não o desagradava, se deparando apenas com um olhar surpreso por parte dele. Com isso, o levanta, trazendo-o para mais perto de si, consequentemente afundando o garoto um pouco. Sunao levou novamente um susto ao sentir-se afundar mais, apoiando as mãos por impulso nos ombros de Sora.
"Você está bem?" - olha-o preocupado -
"Sim..." - o maior afundou-o lentamente, atento às suas reações, terminando por ficar meio abraçado com ele, ao sentir que o mesmo havia tocado o 'chão' -
Sunao nem havia percebido a posição insinuante em que ele e Sora se encontravam, para os outros, que felizmente estavam muito ocupados em jogar água uns nos outros para prestar atenção nos dois em um canto da piscina.
"Quer que eu te levante mais?"
"N-não, tudo bem..." - Sunao olhava ao redor, começando a se soltar de Sora -
O garoto, apesar de ficar perto de Sora, já não se segurava neste, tentando se acalmar o suficiente para pelo menos andar pela piscina. Repentinamente, porém, Sunao afundou inteiramente na água, assustando imensamente Sora, que imediatamente mergulhou e puxou-o, segurando o corpo leve com facilidade contra o seu próprio. Olhou para sua volta, procurando o infeliz que provavelmente tinha puxado um dos pés do pequeno, ou coisa do gênero, para afundá-lo. Deparou-se com um garoto olhando para eles com um sorriso bobo no rosto, dedicando-lhe um olhar furioso, que o fez afastar-se, indo para o outro lado da piscina.
Sora, ao olhar para o rosto de Sunao, encontrou-o inexpressivo, mas com lágrimas brilhando em seus olhos. O mais estranho, todavia, não era essa combinação incomum na expressão de alguém, e sim o fato de que o corpo do menor, apesar de este estar consciente, não aparentava vontade própria, ficando como uma boneca, nos braços de Sora. Este, surpreso, carregou Sunao para fora da piscina, sob os olhares de espanto/reprovação/felicidade dos outros alunos ao presenciar a cena um tanto sugestiva, no entanto o garoto nem os percebeu. Enrolando uma das toalhas que haviam levado em Sunao, foi rapidamente para o quarto que dividiam.
Ao chegar em seu destino, Sora colocou a toalha sobre a cama, forrando-a, e sentou sobre a mesma, com o pequeno ainda em seu colo. Com a voz baixa, começou a chamá-lo, limpando as lágrimas que a essa altura já escorriam pelo rosto dele. Sunao continuava do mesmo modo, mas após um certo tempo, para angústia de Sora, começa a tremer incontrolavelmente, murmurando frases desconexas. Com isso, o maior assusta-se, abraçando então o outro com força.A surpresa de Sora apenas aumentou, quando sentiu os braços finos de Sunao empurrando-o desesperadamente.
"Não... por favor, não faça isso... afaste-se..." – Sora, surpreso demais para expressar qualquer reação, deixou-se ser empurrado, ficando então sentado em uma ponta da cama, enquanto Nao havia se afastado o máximo possível, abraçando a si mesmo –
Sora, apesar dessas ações e palavras, percebeu que o outro ainda não se encontrava totalmente consciente, de modo que entendeu que provavelmente aquilo não se dirigia realmente a ele. Com essa conclusão, decidiu que seria melhor que ele o 'acordasse' logo, aproximando-se então de Sunao, hesitantemente.
"Fujimori..." – murmura, com seus lábios próximos à sua orelha – "Sou eu..."
Abraçou-o fracamente, dando espaço para que se ele quisesse, se afastasse. Porém, contrariando o que havia feito até agora, Sunao abraçou-o fortemente de volta, parecendo voltar a si.
N/A: Gomen pela demora...
Yoru e Tsubame
