Eu fiquei com cara de tacho olhando para porta até que Jakotsu me tirasse dos meus devaneios.

- Meu bem essa é uma sogra que vale a pena ter. Olhar para eles me faz pensar que riqueza e beleza são TÃO mal distribuídos no mundo, imagino como deve ser o pai deles.

- Concordo com o Jakotsu. Kagome pelo visto você tem um almoço para ir no domingo, já sabe o que vai vestir?

- Oh Sango, é claro que eu não sei, não consegui nem digerir a ideia ainda.

- Então benzinho vamos aproveitar que estamos aqui e comprar algo.

E com isso fomos, agora sim, zerar minha conta bancária. Eu comprei um vestido de renda na cor creme, ele ia até o meu joelho, tinha uma saia meio rodada com forro marrom claro que fazia com que a saia ficasse um pouco armada e na cintura tinha um cinto da mesma cor que o forro, suas mangas iam um pouco acima dos meus cotovelos e tinha um decote em V. Ele era simples, mas acho que era ideal para a ocasião.

Depois do shopping Sango me deixou em casa e eu pude finalmente ficar sozinha para processar o ocorrido no shopping. Izayoi parecia ser uma pessoa realmente encantadora, vejo a quem Rin e Inuyasha puxaram, apesar de que esteticamente apenas Rin era parecida com ela. Deixando isso de lado, não foi assim que eu imaginei meu encontro com Sesshomaru depois do sábado passado. Ele agiu normalmente, como se sábado não tivesse existido, acho que é melhor isso do que ele tentar me envergonhar pelo modo como agi com ele. Mas isso também significa dizer que mesmo me esforçando para ficar bonita e tentando despertar seu interesse, não consegui.

Pelo menos ele me cumprimentou. Para depois ficar totalmente ausente na conversa e fissurado em minhas lingeries. Que vergonha! Agora preciso me preparar psicologicamente pra domingo, melhor eu ir dormir que ainda tenho que trabalhar sexta e sábado de manhã.

No dia seguinte, já na livraria, Rin e Inuyasha falaram pelo dia todo o quanto estavam felizes por eu ir no aniversário de Izayoi e também por conhecer a casa deles. O dia para mim passou como um borrão, assim como o sábado. Eu estava muito ansiosa pelo domingo, ansiosa para estar perto de Sesshomaru, mesmo que ele fosse indiferente comigo. Sesshomaru não apareceu na livraria nenhum dia dessa semana, será que está me evitando? Começo a pensar que toda a gentileza disfarçada que eu vi no sábado foi apenas uma ilusão, talvez seja melhor eu esquecer esse dia.

Finalmente já é domingo, acordo as 9 horas, tomo café, pois não sabia que horas ia sair o almoço na casa dos Taisho, melhor prevenir do que todos ouvirem minha barriga roncando. Tomo banho e me arrumo, passo uma maquiagem leve, uma sombra pérola nas pálpebras, lápis apenas na linha d'água superior, máscara para os cílios e um brilho labial na boca. Como complemento ao vestido coloco uma tiara de pérolas nos cabelos para segurar minha franja, um casaco creme e nos pés estou usando uma sapatilha marrom, uso uma bolsa de couro falso também marrom.

Como resolvi me arrumar com calma olho no relógio e já são 11 horas. Pego meu celular para ligar para um táxi, mas nesse momento ele toca, era Rin.

- Bom dia Kagome, tudo bem?

- Bom dia Rin, tudo e com você?

- Tudo bem também, você já está pronta?

- Sim Rin, na verdade eu ia chamar um táxi para ir aí quando você me ligou.

- Táxi? Nem pensar Kagome, eu já falei com o Sesshomaru e ele vai passar aí daqui 5 minutos.

- Mas Rin...

- Sem "mas" Kagome, nossa casa é muito longe e você iria gastar uma fortuna no táxi, sem falar que Sesshomaru de qualquer forma teria que passar por esse lado pra vir para cá.

- Ué, mas ele não mora ai?

- Não Kagome, ele mora sozinho, agora eu tenho que desligar pra terminar de me arrumar, até daqui a pouco, beijos.

- Ok, tchau Rin.

Que ótimo, será que isso é um deja vú? De novo me vejo nessa situação, não me resta fazer nada a não ser TENTAR agir naturalmente. Desço as escadas do meu prédio e vejo que Sesshomaru já está estacionado ali na frente. Felizmente hoje a porta do carro estava destrancada e não fiz papel de idiota novamente. Entro no carro, sento e olho para ele. Como está bonito vestido informalmente, seu cabelo que é curto está levemente bagunçado, está vestindo uma camiseta gola polo vinho, uma calça caqui e mocassins na cor marrom. Fico sem fôlego mas tento disfarçar.

- Obrigada pela carona Sesshomaru, é muito gentil da sua parte. Espero que não tenha sido um incômodo.

- Não é incômodo.

Só isso, como esperado de Sesshomaru. Me calo pelo resto do caminho, presto apenas atenção na paisagem. Estamos nos distanciando um pouco da cidade e minha atenção é totalmente capturada ao deparar-me com muros altos de pedra e um grande portão chumbo. Sem nem ao menos Sesshomaru apertar o interfone ou até mesmo algum controle que estivesse com ele, o portão se abre. Consigo ver então uma estrada de pedras na mesma cor do muro, que passava através de um lindo jardim. Mais a frente pude ver a mansão Taisho, que devo dizer, era mais incrível do que qualquer casa ou mansão que eu já tivesse chegado perto.

A mansão tinha dois pisos, mas era muito larga, era branca e ficava numa espécie de colina, tinha uma escadaria para subir até sua larga porta, também havia colunas redondas e brancas para sustentação na varanda e sacadas, todas as janelas eram grandes, dando a impressão de uma casa iluminada e arejada. O segundo andar era todo envolvido por uma ampla sacada. Era realmente linda.

Sesshomaru estacionou o carro na frente e logo se dirigiu para a porta da casa comigo em seu encalço. Antes que ele abrisse a porta um senhor, vestido de mordomo, aparentando ter 60 anos a abriu.

- Seja bem vindo Senhor Sesshomaru, todos lhe esperam na sala. Creio que seja a Senhorita Kagome, seja bem vinda.

- Obrigada.

- Obrigada Myouga.

O hall de entrada era muito bonito e tinha um lindo lustre no teto, não pude reparar em muita coisa pois tive que seguir o Sesshomaru até a sala. Ao entrarmos nela vi Inuyasha e Kikyou, assim como Rin, Izayoi e um belo homem sentado em seu lado, como o braço circulando sua cintura. Todos estavam sentados nos sofás espalhados pela sala, tudo era muito bem decorado e a sala passava uma sensação de conforto. Sesshomaru se dirigiu a Izayoi e lhe deu um beijo na face, enquanto trocou tapinhas no ombro com o homem que abraçava Izayoi, pela semelhança entre eles tive certeza que era seu pai. Aos demais limitou-se a dizer apenas olá.

Eu estava me sentindo um pouco acanhada, mas logo me lembrei de como todos ali que eu conhecia tinham sido gentis comigo e logo relaxei. Cumprimentei todos os presentes dando atenção especial a Izayoi.

- Feliz aniversário Izayoi, fico muito feliz em estar aqui.

- Obrigada Kagome querida, que bom que você veio. Deixe-me apresentar meu marido, Inutaisho.

- Olá Senhor, muito prazer.

- Olá Kagome o prazer é todo meu, fico feliz que tenha vindo, estava louco para lhe conhecer, todos falam muito bem de você. Por favor, me chame de Inutaisho.

- Obrigada Inutaisho. Izayoi eu trouxe um presente para você, espero que goste.

Nisso eu tiro de dentro da minha bolsa uma caixinha embalada em papel de presente. Na quinta-feira quando eu estava no shopping com Sango e Jakotsu acabei comprando um presente para Izayoi, não queria chegar de mãos vazias em seu aniversário. Fiquei em dúvida no que comprar, ela devia ter tudo o que uma pessoa poderia querer e meu dinheiro era escasso, logo, não tinha muitas opções. Mas quando eu passei em frente a uma loja e vi na vitrine uma corrente dourada com um pingente de pérola, não resisti, então usei meu cartão de crédito e comprei, nem que eu passasse alguns meses pagando, não conseguia imaginar presente mais adequado para dar para ela.

Ao abrir o pacote seu rosto se iluminou e seus olhos encheram-se de lágrimas de felicidade. Ela não precisava ter dito nada para eu saber que ela gostou do presente, seus sentimentos estavam estampados em sua cara. Me surpreendi quando ela me deu um abraço tão caloroso que fez com que os MEUS olhos se enchessem de lágrimas. Eu não sei qual era daquele momento super emotivo, afinal eu só tinha dado um presente de aniversário para ela, mas ela estava feliz e o abraço afetuoso dela fez com que eu ficasse feliz também, parecia que eu estava abraçando minha própria mãe.

- Obrigada Kagome, é lindo. Eu realmente amei.

Após isso eu me sentei e todos começamos a conversar, até que Myouga nos chamasse para comer. A mesa era enorme e estava cheia de delícias, sentei ao lado de Rin e do meu outro lado sentou-se Kikyou. A refeição estava deliciosa, a sobremesa também. Após, fomos até os fundos da casa, que também tinha uma varanda, assim como na frente, com dois sofás, algumas poltronas e uma mesa redonda de centro, lá seria servido um chá. Sentei ao lado de Rin e corei quando ela sussurrou em meu ouvido o quanto eu estava linda.

Sesshomaru não falou diretamente comigo, só nos falávamos quando estávamos participando da mesma conversa em grupo. Eu já tinha me conformado que ele estava muito distante do meu alcance e que só me restava apreciá-lo de longe. Não sei como em algum momento eu pensei que poderia fazer Sesshomaru Taisho sentir algo por mim. Talvez algum dia pelo menos pudéssemos nos tornarmos amigos.

O celular de Sesshomaru toca e ele retira-se para atender. Passados 10 minutos ele ainda não tinha voltado. Sinto vontade de ir no banheiro e peço para Rin onde é.

- Vá até a sala e entre no corredor que tem próximo a escada, é a segunda porta a direita.

Eu sei que é ridículo, mas espero não me perder. Acho o corredor que é bem largo por sinal, e fico distraída olhando os quadros pendurados na parede enquanto caminho, ao passar pela primeira porta a esquerda sinto-me ser puxada para dentro da mesma e prensada na parede do que aparentemente era uma sala de filmes. Assustada olho para quem me puxou e me deparo com um par de olhos âmbar me encarando.

Por que será que ele me puxou? Será que eu fiz alguma coisa errada? Nesse momento ele apoia a mão na parede ao lado da minha cabeça, consigo sentir o cheiro do seu perfume e começo a hiperventilar, céus, o que ele está fazendo? Que cheiro bom. Não bastasse consigo ver nitidamente os músculos do seu braço, mesmo com apenas a claridade da porta entrando. Então ele aproxima seu rosto do meu, chega tão perto que eu consigo sentir seu hálito fresco tocando a minha pele. Minhas pernas amolecem, eles está muito perto e eu não consigo reagir, abro levemente a minha boca. Peraí, porque eu abri a boca, eu sou tão ridícula, é só ele chegar perto de mim e eu já ajo assim? Parei com os xingamentos mentais, quando senti que ele olhava profundamente eu meus olhos, parecia que conseguia ver minha alma. Então com seu outro braço ele enlaça minha cintura e me puxa para ele, selando nossos lábios. E assim, fazendo com que eu me derretesse em suas mãos.


Olá pessoaaaaaaal, gostaria de agradecer as reviews do capítulo anterior e pedir POR FAVOR, para que vocês deixem reviews falando o que acharam da fic.

Nutellinha! s2 obrigada de novo pela correção, você é demais!

Espero que tenham gostado do capítulo e o quanto antes eu conseguir posto o próximo :)

Beijooooos