Esta história é uma adaptação, por isso Naruto e seus personagens não me pertence e sim a Masashi Kishimoto. Assim como O Preço da Paixão tb não me pertence.
O PREÇO DA PAIXÃO
CAPÍTULO SEIS
Naruto caminhava de um lado para o outro na sala. Não conseguia comer, sentar, ver televisão, trabalhar ou fazer qualquer outra coisa que normalmente preenchia seu tempo.
O relógio redondo de moldura em prata pendura do na parede anunciava que eram quase oito e meia. Tinha deixado Tsunade em casa, em Rose Bay, há uma hora. Gastou mais tempo na volta. Entraram no engarrafamento de sábado à noite, perto de Harbour Bridge.
— Não vou ter saudade disso quando me mudar para o interior — disse Tsunade impaciente, o que divertia Naruto. Ela devia ver nos dias de semana, na hora do rush. Se houvesse algum acidente no túnel ou na ponte, o trânsito realmente parava.
Mas era assim a vida na cidade.
Naruto recusara o convite de Tsunade para comer, e aqui estava: com fome e inquieto, cada vez mais agitado e zangado consigo mesmo.
Tinha feito tudo errado com Hinata hoje. Brusco e rápido demais. Podia funcionar com gatinhas em bares sábado à noite, mas não com moças como Hinata. Nem com 15 anos ela tinha sido fácil. Teve que gastar muita conversa naquele verão, esperar muito até que ela concordasse em ficar a sós com ele.
Agora, ele podia ver que não bastava a atração para deixar o atual namorado e sair com ele. Dizia ser uma mulher moderna, mas suspeitava, assim como Tsunade, que não era tão sofisticada como se achava. Tinha algo de antiquado.
Ela diria não quando ele ligasse. Sem dúvida. E a possibilidade era angustiante.
Tinha que mudar a tática. Droga, era um homem inteligente, não era? Um advogado. Mudar de tática no meio do caminho era natural para ele.
Volte ao princípio, Naruto. Converse mais com ela. Mostre seu lado sensível e afetuoso. Você deve ter um. Jiraya dizia que você tinha. Então, há chances de ganhar, se não for o coração, com certeza o seu corpo.
E não espere até amanhã à noite para ligar. Faça isso agora. Agora mesmo, camarada, enquanto ela ainda se lembra da sensação de suas mãos, seu olhar e seus planos de um fim de semana inteiro juntos.
Se ela sentir o mínimo do que você sentiu — do que ainda está sentindo —, ficará tentada.
Com as mãos inseguras, ele tirou da carteira o cartão em que ela anotara seus telefones. Fazia tempo que não se sentia tão desesperado por uma mulher. Droga! Na verdade, nunca se sentira assim antes!
Apenas talvez naquele verão, há dezesseis anos. Estava louco por Hinata naquela época também. Não é de se admirar que tenha ficado tão desespera do quando estivera com ela.
Naruto ansiava pela oportunidade de mostrar que não era mais um amante irresponsável.
Mas primeiro ela teria que aceitar vê-lo de novo, mesmo que fosse para almoçar. Ela disse que almoçaríamos juntos. Não era exatamente o que planeja va, mas seria um ponto de partida.
Ele respirou fundo várias vezes enquanto caminhava até o telefone. Suas mãos tremiam ao ligar, mas ele se consolou com o fato de que ela não poderia vê-lo.
Tinha que parecer calmo. E sincero. Era isso que importava.
Hinata estava pintando as unhas dos pés, sentada no sofá com o pé direito apoiado na mesinha de centro, quando o telefone tocou. Ela imediatamente fez um longo traço de esmalte cor de ameixa na pele.
Pronunciou um palavrão que não diria diante de Hiroshi ou do pai, se estivesse vivo.
Ela pôs o pincel de volta no vidro de esmalte, e limpou o dedo com algodão e removedor antes de se inclinar para pegar o telefone, que ficou tocando por algum tempo na mesa lateral.
— Sim? — respondeu, rudemente. Que não fosse Sakura com mais conselhos. Já estava farta de conselhos. E depois, já sabia o que dizer quando Naruto finalmente ligasse.
— Hinata? É o Naruto. Liguei em má hora? Naruto. Era o Naruto!
— Você ficou de ligar lá pelo final da semana — disse, odiando o que sentia no estômago ao ouvir sua voz.
— Não podia esperar para me desculpar — disse. — Não conseguiria dormir hoje à noite.
— Desculpar-se pelo quê? — A voz ainda era rude.
Mas a dele era suave e sedutora.
— Saí da linha hoje.
— É mesmo? — Seu tom era agora seco e sarcástico.
Não ia mesmo ser meiga e suave. Ainda estava aborrecida por ele ter aparecido em sua vida a esta altura, e a obrigado a tomar decisões difíceis.
— Fui insistente e presunçoso, como disse. E minha única desculpa é que não quis deixá-la escapar de mim pela segunda vez. Gostava mesmo de você há dezesseis anos, Hinata, mas gosto ainda mais da mulher que se tornou.
Ela riu.
— Uau! Virou o mestre da bajulação, hein? Mas deixe os elogios para outra ocasião, Naruto. Já decidi almoçar no sábado com você, em Tokyo.
O silêncio mortal no outro lado da linha deu a Hinata muita satisfação. Infelizmente, ela mesma ficou trêmula ao perceber que tinha externado sua decisão.
Não havia mais volta.
— Ótimo! — ele disse, parecendo feliz demais para seu gosto. — Já estou ansioso para isso. Mas... Hiroshi sabe?
— Conversei com ele mais cedo. Falamos de você.
— Falou o quê? Aposto que não contou como nos conhecemos.
— Hiroshi já sabe tudo sobre você, Naruto. Não temos segredos.
— E ele aceita que você almoce comigo?
— E por que seria contra um almoço platônico entre velhos amigos?
— Velhas paixões, Hinata. Não velhos amigos.
— Que seja. Muitas coisas já aconteceram, Naruto.
— Aposto que não contou a ele tudo o que eu disse hoje.
O que ela podia responder?
— Não contou, contou? — Naruto continuou, diante do silêncio dela. — Nenhum homem, nem mesmo seu patético Hiroshi, deixaria a namorada almoçar com alguém que declarasse seu desejo de fazê-la sua mulher.
Hinata não podia acreditar na paixão das palavras de Naruto. E no poder. Seria fácil esquecer o bom senso e dizer a ele que mudara de idéia, que no sábado não só almoçaria com ele como passaria a noite em sua casa.
Oh Céus! Bancaria a boba outra vez. Ou poderia deixar as coisas como estavam. Se podia envolvê-la tanto pelo telefone, imagine estando sozinha com ele na cidade grande?
Tinha que contar sobre Hiroshi. Imediatamente. Era o único meio de se proteger conta ele.
— Naruto, tenho que contar uma coisa — começou, logo interrompendo, em busca das palavras certas. Ele ficaria chocado. E furioso com ela por fazer jogos. Como poderia explicar suas razões para jogar assim? Ia parecer uma boba, de qualquer maneira.
— Hiroshi não sabe que vai almoçar comigo, não é? — Naruto perguntou.
— É... Não, não sabe.
— Você entende o que isso significa, Hinata. Terminou com ele, mesmo que não admita. Você não é do tipo de mulher de fazer esse jogo.
— Não considero almoçar um jogo duplo. — argumentou, em pânico. Afundava cada vez mais na mentira.
— É que o sujeito com quem vai almoçar quer mais que isso — falou Naruto, arrependido.
— Mas o que você quer não é necessariamente o mesmo que eu quero — reagiu, ofendida com a pre sunção dele.
— Não foi o que pareceu hoje. Ainda havia algo especial entre nós, Hinata. Ainda existe. O brilho. A química.
— Homens como você misturam a química com muitas mulheres, Naruto. Não há nada de especial. E falando nisso, existe alguma namorada que devesse saber de seu convite a outra mulher para almoçar?
— Não.
— Por que não?
— Estou sem namorada no momento. Ela riu.
— É para acreditar?
— Com certeza. Sou tudo, menos mentiroso.
— O que, por exemplo? O que você é, Naruto Uzumaki, para me prevenir antes de sair para um almoço?
— Você não vai me humilhar, não é? Não sou santo, mas também não sou bandido. Não minto e não faço trapaça. Não há outra mulher em minha vida. Sou solteirão assumido e pretendo continuar assim. E você, que não é de casamentos e bebês, deveria gostar. Ou me enganei?
— Não. Não se enganou.
Se não posso casar com você, então não quero casar com ninguém.
O pensamento explodiu em sua mente. Foi chocante. Acabou com ela. Não era possível. Era injusto e louco. Fazia poucas horas que entrara em sua vida desta vez.
Não podia estar apaixonada por ele novamente. Não mesmo. Devia estar confusa pelo romantismo da situação e pelo desejo. De ambos. Nem sabia qual era o mais forte. Ser desejada ou desejar.
Hinata mal podia acreditar nas emoções ao simples toque das mãos dele.
Sakura estava certa. Era mulher de um homem apenas.
E era Naruto. Impossível resistir. Podia ir almoçar no sábado, fingindo que estaria em uma missão para descobrir que tipo de homem ele era. Mas seria apenas isso. Um fingimento.
— Fale-me de seu trabalho — ela disse, tentando um diálogo mais platônico. — Que tipo de advoga do você é?
— Um danado de bom.
— Não, quero dizer, que tipo de pessoas você representa?
— Pessoas que precisam de um bom advogado para lutar por elas. Pessoas que derrotam e são der rotadas no mundo das empresas. Empregados demitidos injustamente, ou sexualmente assediados, ou submetidos a más condições de trabalho. Tenho uma cliente que está processando seu patrão. Trabalhou com ele como assistente em um escritório sem ar condicionado enquanto ele fumava sem parar. Pediu repetidamente para ficar em um escritório separado, mas ele não permitiu. Ele era muito rico. Agora ela é doente terminal com câncer pulmão aos 42 anos. Estamos pedindo milhões. E vamos ganhar também.
— Mas não ela — falou Hinata. — Ela vai morrer.
— É, vai morrer. Mas os filhos adolescentes, não. Ela me disse que morre feliz se puder protegê-los financeiramente até que cresçam. O marido também é inválido. Por isso, ela tinha que trabalhar para aquele bastardo naquelas condições. O trabalho era próximo de casa e ela não podia comprar um carro.
— Que triste! Odeio ouvir tais histórias. Não me conte mais, Naruto.
— Está bem — ele falou, gentilmente. — Você sempre teve coração delicado, Hinata. Lembro do dia em que encontramos aquele pássaro de asa quebrada entre as parreiras. Você chorou até que seu pai prometeu levá-lo a um veterinário.
Ele estava se aproximando dela novamente.
— Só tenho coração delicado para pobres pássaros de asas quebradas — ela falou, rispidamente. — E pobres pessoas morrendo por erros que não cometeram. Mas não para advogados de fala macia que ficam dando voltas, tentando acender velhas chamas só para perturbar.
— E o que pensa de mim?
Ora, Naruto, você me encontrou casualmente. Nem lembrou de mim esses anos todos. — O oposto dela. Como poderia esquecer os olhos dele a fitando todos os dias por anos? — Sua querida amiga Tsunade está comprando uma casa aqui — ela continuou. — Você me encontrou outra vez hoje, gostou do que viu, e pensou que teria uma transa conveniente nos fins de semana no campo.
— É um julgamento bastante severo.
— Acho que é bastante honesto. Não tente me enganar, Naruto. Não vou gostar. Seja correto comigo.
— Está bem, você está certa e errada. Admito que não pensei em você durante anos. Mas não quer dizer que havia esquecido você. Quando percebi onde almoçaria hoje, tudo veio à tona. O modo como me fez sentir naquele verão. Tudo que aconteceu. Quis mesmo ver você outra vez. Disse a mim mesmo que era apenas curiosidade, ou o desejo de pedir desculpas por ter sido apenas um idiota na época. Mas quando vi você, Hinata...quando vi você eu...
— Por favor, não diga que o mundo parou — ela interrompeu, secamente. Ele riu.
— Não direi. Na verdade, acelerou. Minha pulsação, pelo menos. Você sabia o quanto está linda? — disse, baixando a voz outra vez. — Como está sexy?
Não caia nessa. Fique firme, querida.
Hinata quase podia ouvir aquelas mesmas pa lavras vindas de Sakura.
— Você não é o primeiro a me dizer isso, Naruto.— disse com voz dura.
— Não duvido.
— Homens da cidade são muito inventivos, especialmente quando estão longe de casa. A Ambrosia Estate tornou-se um local procurado para conferências — disse. — Muitos homens passam por aqui.
— Você parece ter aproveitado algumas vezes.
— Quem não aproveita nos dias de hoje? — veio a resposta pronta. E bom ele pensar que foi para a cama com eles. De modo algum, queria que pensasse ter sido o único homem na vida dela.
— Desculpe, mas tenho mesmo que ir Naruto. Estava muito ocupada quando você ligou. Vejo você sábado, na feira. Com certeza você encontra o estande certo. Pode ser às doze e trinta?
— Meio-dia seria melhor.
— Meio dia, então. Até lá. — E desligou.
Naruto sorria ironicamente quando desligou o tele fone.
Hiroshi, meu velho, — pensou — semana que vem, você está acabado!
Olá mina! Mais um cap. para vcs.
Ja ne
