Capitulo 7: capítulo sete
Avisos: O capitulo anterior tomou rumos inesperados para mim, mas o enredo continua no mesmo sentido, menos algumas alterações, que não são relevantes, por isso nem vou mencionar quais são elas. Inazuma Eleven não me pertence, se fosse, seria um mangá yaoi completamente. Gostaram do ponto de vista novo que coloquei, talvez eu coloque outro nesse ou no próximo capitulo. As partes de limão podem demorar um pouco ( ou não, imagino que quando me vir a inspiração para uma cena legal eu escrevo ) e peço que tenham paciência em qualquer um dos casos. Gostaria de pedir desculpas pelos muitos erros ortográficos, eu estava lendo anteriormente e encontrei tantos que fiquei muito envergonhada mesmo. Vou corrigir com mais atenção a partir de agora.
Eu acordei no dia do jogo com o telefone tocando, devia ser cinco horas da manhã e eu não me deixei mover para atender até depois da décima ligação.
Assim que vi o identificador, hesitei antes de atender, respirando fundo, coloquei a voz que me parecia mais educada e atendi.
" Otou-san."- falei, havia muito ruido do outro lado da linha e fortes risadas grossas.
" Seu garoto imundo, por que não atendeu a droga do telefone? Estava transando com o merdinha que vem saindo as minhas costas. Isso mesmo, achou mesmo que ia deixa-lo sozinho sem nenhuma supervisão. Quando voltarmos vou te ensinar a ser um bicha maldita seu pirralho. Vou tirar toda essa esquisitice de você e depois vou atrás desse safado aproveitador e vou..."- seja o que for que ele falou eu nunca soube, pois bati o telefone no gancho com força.
Meus ouvidos estavam tinindo de raiva, eu podia sentir as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Quem teria falado para meu pai sobre Shindou e eu. Eu sei que nenhum dos meus amigos e todos os seus parceiros de bebida moravam muito longe de casa para manter um olho em mim.
De qualquer forma, ele voltaria ainda pior do que antes. Sua ameaça era clara para mim, ele se esforçaria na próxima surra, por que estava me fazendo um favor.
Eu pensaria nisso quando chegasse a hora, eu tinha um jogo importante hoje, as treze horas eu estaria entrando no campo e oficialmente indo contra as ordens do Quinto Setor. Eu ainda tinha que falar com Ichido-sama sobre minhas decisões. Minha mãe conseguiria o dinheiro para fazer a cirurgia de nii-san e eu estaria totalmente livre.
Vestindo minha roupas de costume, segui o caminho para a Raimon, acabei topando com Tenma no caminho, ele era seu auto alegre normal. Sorrindo e falando sobre a partida que estaríamos tendo hoje. Ele, além de Shindou e Kirino, eram os únicos que tinham aceitado que eu estava no time mesmo, Sangoko e Shinsuke eram um pouco hesitantes, mas eu poderia compreende-los.
Ele estava falando sobre um jogada que vira Shindou fazer, as vezes sua aparente adoração ao capitão do time da Raimon me aborrecia, atiçando meu senso possessivo, isso só piorava quando o garoto conversava e tocava Shindou livremente durante os treinos quando eu não poderia me deixar fazer nada.
Assim que entramos no vestiário o castanho se aproximou de Aoi e Shinsuke, me deixando para seguir caminho até meu próprio armário. Abrindo-o, observei enquanto uma carta caia no chão. O envelope era branco puro e não tinha remetente, confuso, estava pronto para abri-lo quando o técnico tinha entrado no vestiário, apressado, peguei meu uniforme e guardei a carta para ler depois, após o discurso curto, mais inspirador do técnico Endou e uma declaração aquecida de quase metade do time de que não estariam indo contra a ordem do Quinto Setor, acabei esquecendo do envelope.
Fomos levados para o ônibus, e seguimos caminho para a escola Mannouzaka, o que só demorou meia hora para chegar. Foi declarado que teríamos meia hora livre, antes de poder aquecer no campo da escola, para nos acostumar com tudo.
Sem que eu percebesse, estava dentro de um dos vestiários com Shindou. O menino mais velho me sorriu predatório e logo atacou meus lábios com mais violência do que já tinha feito antes. Um pouco irritado com isso, segurei seu cabelos, fazendo-o gemer baixinho enquanto desacelera seus movimentos frenéticos. Logo ele está me dando selinhos carinhosos, que eu retribuo de boa vontade. Agora o beijo começava se desenvolver com paixão, ele pede passagem com a língua e eu permito rapidamente, apreciando o leve gosto de maçã e menta entrando em minha boca.
Uma das mãos de Shindou desce de minha cintura e se posiciona em minhas nádegas delgadas, tendo nunca sido feito antes, a sensação me aqueceu e eu comecei a soltar pequenas lamúrias quando a mão não fez nada. Me sentindo um pouco ousado, empurrei o menino menor contra a parede e logo me pressionei contra seu corpo, sentindo sua excitação pressionada contra meu quadril.
Shindou, parecendo ter sido encorajado por isso, colocou ambas as mãos nas minhas nadegas e pressionou com firmeza, isso me deixou imediatamente duro e ereto, senti ele puxando minhas coxas e logo estava sendo içado. Um pouco surpreso, agarrei sua cintura com minhas pernas com muita força, pressionando nossos membros com muita firmeza.
Shindou sentou sobre a tampa do sanitário, puxando a gola da minha camisa e beijando a pele do meu ombro exposto, era tudo pálido e sedoso naquela área, e logo descobri, muito sensível.
Com minha mente livre agora, percebi que Shindou fazia leves movimentos circulares contra meu traseiro, pressionando levemente seu membro contra minhas nadegas. Curioso, comecei rebolar de volta, apreciando a sensação do corpo quente de Takuto contra o meu.
Shindou derrepente se tornou frenético em seus movimentos, pressionando com força, perdido no meio do prazer fornecido, me deixei levar pela sensação também, sentindo um nó se apertar em meu estomago, eu mordi meu lábio com força para evitar um grito quando cheguei ao ápice e senti Shindou mordendo meu ombro dois segundos depois.
Meu corpo ficou mole e me deixei cair sobre o corpo firme de Takuto, lentamente tudo que nós haviamos feito nesse vestiário entrou na minha mente meio nublada e senti minhas bochechas se tornando coradas. Sabendo que esses banheiros foram projetados para impedir que sons sairem para o resto dos vestiários, sussurrei para meu namorado.
" Isso foi inclivel."- minha voz soou mais profunda do que normalmente faria.
" Sim."- disse ele, então segurou meu rosto entre suas mãos e sorriu de modo gentil.-" Você foi inclivel."- falou me dando um selinho demorado.-" Vamos, temos que encontrar os outros logo no campo."- disse me ajudando a desembaralhar de seu colo.
Eu alinhei seu uniforme, ele pegou um pedaço de papel e me estendeu e indicou minhas calças, eu como já estava me acostumando, corei e me limpei, enquanto ele fazia o mesmo, virado de costas para me dar um pouco de privacidade. Ele voltou a gola do meu uniforme, inspecionou a mordida que tinha em meu ombro e garantindo que ela não iria aparecer enquanto eu jogava. Eu lhe dei o menor dos olhares, vendo que a marca ficava roxa contra minha pele muito pálida. Havia ali umas marcas finas brancas, que teria que se esforçar muito para ver, eram pequenas e arredondadas e muito escondidas.
Eram queimaduras de cigarro feitas por Dousan.
O jogo contra Mannouzaka foi realmente tenso, foi combinado de que Shindou, Tenma, Kirino, Shinsuke e Sangoko estariam jogando para medir a força da equipe adversária, somente quando fosse muito necessário, eu estaria entrando no jogo.
Deu certo no primeiro tempo, sofremos um gol, feito por Isozaki, que me lembro sempre ter sido muito irritante para mim, nos encontramos para o treinamento Nivel D do Quinto Setor. Ou seja o de aprendizado.
Muitos não sabia, mas havia quatro niveis para SEEDs, A, B, C e D. Começamos a treinar o nivel d ou com uma escola de futebol ou na Ilha Éden. Muitos são levados para lá contra a sua vontade e o lugar é bem conhecido a partir de qualquer nivel c, de modo que a maioria lá são niveis d, que estão aprendendo a convocar a Incorporação.
Eu tinha entrado em uma escola de futebol do Quinto Setor primeiro, foram dois meses em que Isozaki não me deixava em paz. O garoto mais velho vivia me perseguindo, o que me deixava por demais irritado. Quando fui para Ilha Éden acabei esquecendo-o.
Niveis c eram jogadores que conseguiam jogar bem, mas não conjurava Incorporações ou que a conseguiam, mas eram considerados medianos. Era o caso de Isozaki.
Niveis b eram jogadores de habilidade, e que tinham muitas técnicas desenvolvidas. Como era a maioria dos jogadores dentro do Quinto Setor, como os da Kidokawa Seishuu, que também tinha alguns jogadores considerados nivel A, estes eram todos aqueles com Incorporações com extrema força e que sempre aumenta seu poder, tem muita abilidade, tanto treinada como as naturais ou que fazem parte de algum projeto do Quinto Setor. Hakuryuu era um, assim como eu e Arume somos. Eu sabia que Mannouzaka recorreria a truques sujos para tentar vencer e eu faria de tudo para impedir.
Foi no fim do primeiro tempo, que Isozaki tentou atingir a perna de Matsukaze de forma que lhe causaria uma lesão permanente, que decidi era hora de deixar de observar.
Roubei a bola de Isozaki, fazendo-o exclamar surpreso, então quando consegui um ângulo, eu lancei a Death Sword, que facilmente entrou. O apito para o final do primeiro tempo logo tocou e fomos nos sentar para esperar o segundo tempo.
Assim que começou, Mannouzaka atacou de modo implacável. Então do nada o outro atacante se viu de frente ao gol e conjurou sua Incorporação, fazendo mais um gol na Raimon.
Os jogadores resolveram tanto broquear a mim e a Shindou, eles tinham jogadores o suficiente para fazer isso. Irritado com toda aquela marcação, consegui uma brecha e tentei marcar um outro gol com a Espada da Morte. Para minha surpresa, o goleiro também tinha uma Incorporação que facilmente defendeu meu chute.
O goleiro parecia muito convencido e jogou a bola para frente, eu imediatamente fui broqueado por três jogadores, dois foram para Tenma. Kirino, que tinha machucado o pé no primeiro tempo estava aflito no banco, pois logo Shindou também foi broqueado e Shinsuke.
Os três jogadores da Mannouzaka que restaram estavam na frente do gol e começaram chutar rumo ao gol, atingindo Sangoko-sempai várias vezes. Foi durante esses golpes, que Midori havia se levantado e começou a gritar com os outros jogadores.
O primeiro a reagir foi Kurumada, roubando a bola no momento que Sangoko outra vez seria atacado com a Incorporação. Depois disso o jogo começou a transcorrer mais favorável, com mais um chute, agora com a minha Incorporação, um gol foi feito empatando, o gol da virada foi feito por Shindou, que usou o Fortissimo para atingir a meta.
O final do jogo finalmente chegou e me permiti suspirar de alivio. Estava feito, não tinha mais o retorno a partir desse ponto. Olhando em volta com minha costumeira mascara de indiferença, observei enquanto Shindou comemorando com os outros, ele tinha um dos braços em torno dos ombros de Kirino, que também sorria. Logo fomos para o ônibus, para retornar para a Raimon.
Foi somente quando abri meu armário que lembrei da carta que tinha recebido, colocando-a no bolso da calça resolvi abrir quando estivesse em casa. Eu tinha duas ligações perdidas no celular que percebi ser da minha mãe e um número desconhecido.
Andando devagar, esperei até que Shindou e Kirino sairem de dentro do vestiário, assim que eles o fizeram, percebi que eramos acompanhados por Tenma, Shinsuke e Sangoko.
Não vendo nada de mau, já que Takuto e eu tinhamos combinado de deixar os membros do time saber sobre nós, peguei a mão de Shindou, Kirino tomou meu outro braço, tagarelando sobre uma técnica que queria inventar, uma que impediria qualquer um de se aproximar da bola, ou algo para diminuir a velocidade de um chute com a Incorporação, eu só lhe respondi que um chute forte poderia fazer isso, se pegado impulso, ou uma barreira com mais de um jogador. Eu resolvi para lhe lembrar da famosa Torre Tripla, feita pelos lendários super onze. Ou Cova da Morte, feita pelo jogador Tobitaka.
O rosto de Kirino se iluminou e ele então perguntou por que não uma mistura dos dois?
O rosado então começou a murmurar sem sentido, falando alguns tipos de jogadas malucas que poderia tentar, eu acho que ele não conseguiria algo tão complicado, mas ainda assim poderia se tornar útil futuramente.
Chegando no lugar, nos sentamos em frente do banco. Primeiro sentou Shinsuke no banco com o Tenma ao seu lado e Kirino aos seus pés. Sangoko sentou ao lado do menino de cabelo rosa, nos deixando um espaço no banco e um no chão.
Shindou sentou sobre o assento de madeira e sem opção me sentei entre suas pernas fortes, ele logo tomou como tarefa enfiar os dedos em meu cabelo, retirando nós que tinha se formado. Eu já podia sentir o olhar surpreso de três certos jogadores sobre nós dois e o riso baixinho, como se tentasse ser contido, de Kirino. Foi quando os lábios de Takuto juntaram meu pescoço que a voz de Tenma tomou o lugar muito silencioso.
" AH... Eu sabia, eu sabia."- disse ele levantando com um sorriso bobo no rosto.- " Eu havia dito a você, Shinsuke, Capitão tinha algo com Tsurugi."- falou e o menino pequeno começou a acenar com a cabeça confirmando.- " Oh, vocês são tão fofos juntos."- falou ele e então iniciou a mais longa lista de perguntas inúteis que já ouvi.
" Calma, Matsukaze. Não vamos fugir, sabe."- falei, me sentindo mais confortável com a reação positiva do menino mais jovem.
" Vocês ficam bem juntos."- falou Sangoko avaliativo.-" Você sendo o mais velho, deve mostrar muito respeito por seu namorado, Shindou."- falou o goleiro e se virou para Kirino, iniciando uma conversa sobre sua nova jogada.
" Ah, eu estou tão animado."- disse o meio-campista.-" Eu percebi que o capitão gostava de você quando ele ficava observando-o depois do jogo contra Eito, eu não acho que ele tinha realmente percebido ainda, mas dava para ver no seu olhar, capitão."- disse rapido quando Shindou foi para interrompe-lo.-" Aoi e Midori perceberam algum tempo depois do jogo contra Tengawara, mas foi a Akane que realmente notou primeiro das meninas."
" Elas sabem?"- perguntei horrorizado de que tivesse sido muito óbvil.
" Não, elas desconfiam."- falou Shinsuke.
" Sim, estou traumatizado pelo resto da vida pelas coisas pervertidas que Midori pode inventar, ela deve ter algum problema."- falou o castanho.
Os integrantes mais antigos do time riram ruidosos, compartilhando alguma piada antiga.
Era quase nove da noite quando cheguei em casa. Depois que tinhamos conversado debaixo da Torre de Metal, tinhamos ido para a casa de Matsukaze, onde comemos a deliciosa refeição que Aki-san tinha preparado. Eu a reconheci como uma das antigas assistentes do time de futebol da Raimon. Shindou tinha ido embora quando seus pais ligaram, falando que alguns parentes eram de visita em sua casa.
Tomei um banho e fui ouvir para qualquer mensagem da caixa eletronica, não encontrando nada vesti meu pijama e peguei a carta misteriosa. Abrindo o envelope, havia somente uma linha nele.
" Virei para você, pequeno brinquedo."
Eu não consegui dormir durante aquela noite. Fiquei revirando na cama com pequenos tremores e com o coração acelerado. Eu não sabia o que fazer, deveria avisar o detetive que estava com a investigação? Onegawa-sama havia sido muito prestativo e era ansioso para prender o homem que faria mal a tantas crianças. Eu devia falar com Arume e meu nii-san sobre isso.
Fiquei muito distraido durante o dia, algo que Shindou facilmente notou, depois de ver seu rosto cheio de preocupação, eu juntei ele e Kirino e falei sobre a investigação que estava ocorrendo contra Dousan, eu não contei sobre seu tratamento comigo, somente sobre o projeto que causou vários SEEDs morrerem e que estão tentando liga-lo a reinicio do Programa RH pelo homem de nome Eyke Yasu, eles questionaram o envolvimento do Quinto Setor e eu lhe disse que havia sido Shuuji Ichido que tinha iniciado a investigação e feito a denúncia.
Eu lhes mostrei a carta e imediatamente Shindou me disse que seria melhor falar para nii-san e para Arume, assim como para o Investigador.
Naquela tarde eu reuni os três em uma sala e mostrei a carta. É claro que Arume sabendo mais vivamente a situação ficou muito mais preocupada, ela saiu da sala correndo, eu sabia que ela era a caminho do prédio do Quinto Setor.
O Investigador disse que isso era um indicio que poderia me oferecer uma guarda por 48 horas, já que eles não poderiam provar o envolvimento de Eyke e não tinham qualquer prova além dos testemunhos contra Dousan.
No dia seguinte eu acordei com o telefone tocando, quando atendi tudo o que se ouvia eram os gritos de dor de alguém. Eu sabia que era os berros de alguém morrendo pelo Projeto Pandora, agonizando no chão enquanto os nano chips corrói cada uma das articulações dessas pessoas.
Eu não fui para a escola, muito em choque para isso, Shindou me ligou e perguntou se estava tudo bem, eu não queria preocupa-lo ainda mais do que já fiz. Era cerca da hora do almoço quando a campainha tocou, hesitante abri a porta encontrando dois homens de terno preto.
O primeiro era loiro, com olhos cinzentos e lábios finos, tinha um bigode grosso, amarelado com o fumo, as sobrancelhas grossas e uma barriga pronunciada de chop. O outro tinha uma grande corpulencia, sendo três vezes maior do que eu, seu rosto era quadrado e cheio de manchas, os olhos negros eram estranhos, o cabelo escuro estava lanzudo para trás.
" Somos os detetives que o Investigador enviou, encontramos algumas figuras suspeitas fazendo ronda na casa, temos que sair agora, para que o levemos em um lugar seguro."- falou pegando no meu braço com um pouco de força.
Fazendo uma careta, facilmente obedeci seguindo caminho para uma van preta de vidros escuros com um simbolo de rádio na lateral.
" O Investigador os enviou?"- disse estranhando.
O homem tinha me dito que sempre que precisasse de escolta ele mesmo viria, como uma medida de segurança extra.
" Sim. Ele queria que ficasse totalmente seguro."- falou o loiro num tom malicioso abrindo ambas as portas traseiras da van.
" Espera..."- disse olhando mais atentamente para os homens, em seguida tentei virar e correr.
O homem de cabelo escuro me segurou por trás e tapou minha boca com um pano umedecido, eu sabia que algo foi embebido no pano, pois sentia a ardência familiar de algum tipo de droga ou tranquilizante. Eles entraram na van.
" Nada disso, pequeno brinquedo, vamos só dar um curto passeio."- falou o homem em meu ouvido e tudo se tornou escuro.
Eu devo ter retornado da inconciencia alguns minutos depois, pois os homens estavam falando em voz normal, obviamente esperando que eu continue desmaiado por algumas horas. Era tanto uma das coisas boas e ruins que envolviam ser drogado constantemente por Dousan. Eu tinha alguma resistencia contra drogas.
" ... Eyke é maluco de se envolver com os japoneses, seu nome vem sendo caçado por cada policial do pais pelos últimos doze anos, e ainda envolve nós na jogada. Se não fosse pelo dinheiro, nunca que eu teria aceitado voltar."- falou o homem que estava mais perto.
" Eu sei Henry."- falou o outro, reconheci como sendo a voz do de cabelos escuros.- " Temos esse garoto, tanto Eyke como o chefia disse que podemos brincar com ele, vai ser divertido."- disse e senti um arrepio de medo na coluna. Eu tinha alguma idéia do que poderia ser essa brincadeira.
" Sim, o último que transei era só um garoto de programa sem reação nenhuma."- falou o loiro rindo de forma asquerosa.-" Não é a mesma coisa quando eles não se contorcem de dor pedindo para mata-los no lugar."- completou rindo.- " Quando você acha que ele vai acordar?"- disse com uma voz ansiosa.
" Não menos que daqui umas duas horas, e além disso temos que chegar ao primeiro ponto seguro e trocar de carro, isso será em Otaka, três horas de distância."- falou o moreno.
" Chey e Antelle vão gostar do garoto, vamos ter uma bela festa a cinco essa tarde."- falou.
Eu me mantive o mais quieto possivel. Quatro capangas? Se eles chegaram a me levar ao lugar seguro, eu estaria perdido. Não havia nada pior do que o estrupo. Eu precisava pensar num plano de fuga. Eu tinha três horas livres, avaliei tudo com cuidado. Minhas mãos estavam com algemas e meus pés com algum tipo de corrente com cadeado. Meu pijama tinha os botões presos com os alfinetes azuis que minha mãe decorou quando tinha quinze anos.
Eu não poderia me mexer agora, eles veriam e podiam querer adiantar sua brincadeira. Havia se passado uma hora e meia em silencio tranquilo.
" Droga, tem uma brits mais a frente."- falou o loiro e senti o carro desacelerar.-" O que vamos fazer Kevin?"- perguntou Henry.
" Estou pensando."- disse o moreno.-" Esconde o garoto e coloque fita na boca também, se eles pedirem abrimos a parte de trás. Rápido, no alçapão."- falou.
Ouvi algo de metal sendo erguido, em seguida algo foi colocado com força sobre minha boca e eu fui içado sobre um ombro forte e depois jogado com força no chão, senti algo de metal se fechar sobre mim e abri os olhos.
O lugar era escuro, minhas pernas estavam encolhidas contra meu peito, algo pegajoso escorria da minha orelha, que devia ter se ferido com a queda.
As vozes entravam abafadas dentro do alçapão, de forma que sabia que não seria ouvido caso eu tentasse gritar, principalmente por causa da fita. Decidindo manter minha segurança, fiquei em silencio quando paramos novamente na brits. Um policial fez alguma perguntas e pediu para ver a parte do fundo do furgão.
" Eu poderia saber o motivo para isso?"- perguntou Henry.
" Tivemos uma denúncia de sequestro na cidade de Inazuma. Um jovem de quinze anos, a foto do menino tem sido passada para todos os policiais e noticiarios na última hora. Ele sumiu dentro de sua casa cerca de duas horas atrás. Estamos parando todas as vans, já que é o mais provável de ter sido usado no sequestro."- falou o guarda, eu podia sentir sua voz bem acima de onde eu era escondido.-" Está tudo certo aqui, podem ir."- falou o guarda saindo.
Foram dez minutos em silencio antes que o homem loiro começasse a rir.
" Essa foi por pouco."- falou.
" Eu sei. Eles descobriram e se mobilizaram muito rápido. Eu vou ligar para Chey e pedir para ele preparar o carro, não vamos poder ficar mais do que cinco minutos no esconderijo antes de ir leva-lo ao chefe."- falou Kevin.
" Isso quer dizer que a festinha babou?"- gemeu o loiro.-" Eu vou leva-lo agora mesmo. Queria que ele tivesse conciente. Eu já disse o quanto odeio quando eles não gritam?"- continuou e ouvi passos, meu coração se acelerou.
Eu sabia o que iria acontecer agora e desejava quase que eu estivesse realmente na inconciência.
-atenção, eu tive que cortar essa cena por que achei muito forte, as regras do site não iriam permitir, mas é só essa que será cortada, provavelmente. Eu não pretendo deixar de fora a primeira vez de Tsurugi e Shindou de jeito nenhum.
Eu acordei ouvindo um bipe continuo a minha volta, havia vozes e outros tipos de coisas que eu tinha certeza serem aparelhos. Alguém estava segurando minha mão e acariciando meu cabelo com gentileza, eu queria me mexer e olhar para quem era, mas meu corpo não obedecia.
" Qual é o diagnóstico real, dr.?"- perguntou uma voz que reconheci imediatamente.
" Temos um de seus pulmões perfurados por uma das costelas. Nós a retiramos e operamos seu pulmão, está perfeitamente em recuperação. Ele deve sentir falta de ar por umas duas semanas. Há várias escoriações e infecções pequenas, a mais grave em seu fundo, por conta do estrupo. O que me preocupa será seu estado mental, a pancada na cabeça foi em uma área da memória e na parte responsável por seus movimentos. Ele pode tanto sofrer de amnésia quando de distúrbios musculares, pequenos, médios e graves."- falou.
" Isso é terrivel."- falou okaa-san.-" Acha que ele vai jogar futebol novamente? Ele seria muito arrasado se não puder entrar na partida em quatro semanas. É a semifinal."
" Ele deve se recuperar de todas as lesões em duas semanas, saberemos mais quando ele acordar do coma. Isso poderá ser a qualquer momento."- falou o médico.- " Os investigadores vão querer seu depoimento sobre o que aconteceu, mas não tenho certeza que é o mais indicado."- falou.
" Não ajuda que seus amigos todos já sabem o que aconteceu. Pelo menos o estrupo não foi nas noticias, somente seu time sabe sobre isso."- falou a mulher.-" Eu tenho muitas coisas pra fazer ainda. Temos que colher seu depoimento sobre meu marido, não posso deixa-lo mais um segundo perto de Hirashi. Eu já consegui vencer a competição solo e com o dinheiro posso terminar de pagar a cirurgia de meu filho mais velho. Eu encontrei um emprego como professora em uma das escolas de patinação em Inazuma, de modo que posso cuidar sozinha de nós três."- falou minha mãe. Eu não entendia nada do que estava acontecendo além de três fatos.
Eu tinha sido violentado.
Minha mãe tinha denunciado meu pai por abuso.
Yuuichi finalmente poderia voltar a andar.
Tentei me lembrar do que havia acontecido, mas tudo o que me veio a memória foi aquela ligação com gritos e ir dormir na noite anterior. Eu tinha dormido quanto tempo? Eu estava em coma? Era por isso que não conseguia me mover, mas conseguia ouvir o que eles estavam conversando?
" Os dois homens que o levaram. Já estão concientes?"- perguntou minha mãe em uma voz muito fria que nunca tinha ouvido.
" O que o estuprou sim, sua lesões foram menores. O motorista precisa de mais tempo para sair do efeito das anestesias. Os insvestigadores vão leva-los assim que obterem alta. Devemos estar transferindo seu filho para o Hospital Inazuma amanhã."- falou o médico.
" Obrigado."- falou minha mãe.
Houve um silencio extensivo, então senti algo se pressionar contra minha camisa, que logo estava ficando molhada junto com soluços que encheram o lugar.
" Oh, Kyou, me desculpe."- falou minha mãe chorando sobre minha camisa.-" Eu nunca estive lá para você, não é? Mas isso vai mudar, eu vou ama-lo tanto a partir de agora que ficará enjoado dessa velha."- falou e senti seus dedos traçando meu rosto.-" Seu irmão me contou sobre Dousan e o que aconteceu, eu acabei lhe dizendo sobre seu pai. Eu espero que nos perdoe por quebrar a sua confiança dessa maneira, mas era necessário."- continuou.-" Vocês dois tem tanto de mim em vocês dois e eu os amo tanto, você não tem idéia."- houve mais alguns soluços.- " Seus avós vem para o aniversário de Yuuichi, eu lhes informei do que aconteceu, eles são realmente preocupado com você."- agora havia beijos macios sobre minha testa e cabelo, senti meu peito se aquecer por suas palavras.
Houve um momento de silêncio.
" Eu denúnciei seu pai por violência doméstica, eles já o prenderam."- continuou e senti todo meu corpo ficar um pouco tenso.-" Será que você me ouve, Tsu? Você ouve a mamãe?"- quando não me vi conseguindo movimentar, ouvi seu suspiro desanimado.- " Tem sido três dias que está em coma, seu Técnico veio aqui ontem. Estava realmente preocupado com você."- continuou. Parecia que eu finalmente tinha a resposta para uma das minhas perguntas.-" Eu vou vender a casa em que nós moramos, muitas lembranças ruins. Seus avós já nos deixaram hospedar na casa que era minha no centro de Inazuma. Vou trabalhar como professora de Patinação na Academia Arcada, eles só tem meninas lá por ser um colégio privado. Aparentemente eu terei alunas para a Competição de Patinação sub 12, sub 15 e sub 17 de intercolegial, também haverá a competição nacional e com duplas, além da competição oficial, mas esta haverá somente na Primavera, em Fevereiro."
" Seu técnico, Endo-san veio até aqui. Estamos no hospital de Otaka, era o mais próximo do local do acidente. Ele era muito preocupado com você. Disse que todo o time queria vir para cá hoje, mas como vamos estar transferindo-o amanhã para casa, achei melhor dize-los para não vir."- sua voz tremeu um pouco.-" Seu próximo jogo foi marcado para a primeira semana de agosto, em exatos vinte e três dias, Yuuichi me disse que vai cair um dia antes do aniversário de um mês de namoro seu com o menino de nome Takuto."- ela riu baixinho.-" Seu irmão disse que eu devo ser a mãe durona, já que ele foi gentil com o menino e ele deve saber que alguém não confia totalmente em suas intenções. Você gostaria que eu fizesse isso?"
" De acordo com o Investigador Onegawa eu sou a primeira, sem ser diretamente envolvida, que sabe sobre o problema com o Quinto Setor. Ele também me informou sobre o seu informante, o que você já sabe. Isso me lembra que eles mudaram o adversário da Raimon do próximo jogo, é o Instituto Imperial seu adversário agora. Falam que será um grande desafio para vocês..."
Eu devia ter adormecido em algum momento durante seu discurso, quando acordei não havia mais a voz calmante de minha mãe, ou sua presença suave. Eu tinha uma mascara no rosto, e todas as minhas respirações saiam erráticas. Parecia que algo tinha sido pressionado contra meus pulmões e depois eles foram triturados.
Eu poderia sentir algumas outras dores, tinha uma ardencia irritante tanto nas minhas pernas e no meu fundo. Me perguntando o por que, finalmente as memórias entraram em minha mente. Do sequestro repentino, a brits, o estrupo e o acidente.
Havia sido um caminhão, bateu na lateral da van fazendo-a capotar. A porta tinha aberto e meu corpo rolou para fora, caindo com força no asfalto, dor na costela, uma batida no rosto. Houve os paramédicos. Eles demoraram para me encontrar, eu tinha rolado a encosta do lado oposto da van. Foi um jovem enfermeiro que me viu, Kyerio, sim, esse foi seu nome.
Eu devo ter entrado em pânico. Havia vozes urgentes acima de mim, alguém me tocou e encolhi o meu corpo, preparando para um impacto psicológico.
" Coloque um analgésico com calmante, Jeremy."- falou uma voz feminina.
Logo senti algo sendo enfiado com força no meu braço. Uma agulha? Estavam me dopando? Não, eu precisava lutar contra, ninguém poderia me tocar de novo, eu não deixaria.
" Ei, se acalme. Eu sou a enfermeira Zaure, estamos levando-o para do hospital de Otaka para o hospital de Inazuma."- ela continuou falando palavras calmantes, e logo senti minha respiração se igualar. Mais conciente, fiquei envergonhado com meu ataque de pânico, eu não era este fraco.-" Será que poderia abrir os olhos para mim?"- pediu a mulher.
Coordenando minhas funções dormentes, minhas palpebras tremeram antes de abrir lentamente. A mulher olhando para meu rosto devia ter em torno dos cinquenta anos, seus cabelos cinzentos eram penteados para trás, seu uniforme médico consistia em um jaleco branco com uma camisa dourada. Mais longe, me dando algum espaço era um jovem de talvez vinte anos, seus cabelos era de tom cinza, os olhos verdes vibrantes. Era Kyerio. Por que a mulher o chamou de Jeremy? Ele teria mentindo para mim?
" Olá de novo, azulzinho."- falou com a voz amigável que tinha falado comigo pela primeira vez. Me lembrei que naquele momento eu deveria estar coberto de suor, semem, sangue e para piorar as coisas, estava totalmente nu.- " Não fique envergonhado, eu vejo pessoas nuas todos os dias."
Impedido pela mascara de ar, simplesmente balancei as sobrancelhas de modo que deveria ser um pouco malicioso. Kyerio sorriu com todos os dentes.
" Bom senso de humor o seu. Já estava ficando entediado aqui, com a velha Murie."
" Jeremy Kyerio meça suas palavras rapaz, não me force traze-lo sob meu joelho para algumas palmadas merecidas."- eu acabei rindo da cena formando em minha mente, isso infelizmente se provou má idéia como eu engasguei e comecei a tossir. A enfermeira içou meu corpo e esfregou as minhas costas com gentileza.
Ela me deitou de volta e pegou uma pequena lampada.
" Mantenha os olhos abertos, querido."- ela colocou a luz contra cada um dos meus olhos e então se afastou satisfeita.- " Seus reflexos estão ok. Agora eu preciso lhe fazer algumas perguntas sobre como chegou aqui, tudo bem?"- perguntou.
Eu assenti com a cabeça.
" Coisas simples. Você sabe o que aconteceu a você quatro dias atrás?"- eu confirmei.- " Você já tinha despertado antes, mas não conseguiu se mexer?"- outra concordância.-" Isso é comum se você fica em coma. No momento se lembrava do que aconteceu?"- eu neguei levemente.- " Isso é o suficiente. Feche os olhos e durma um pouco, sim?"
Resolvendo obedece-la, fechei meus olhos e logo adormeci.
