Nota: Naruto não me pertence, e sim a Masashi Kishimoto, porém o enredo dessa fanfic é de minha total autoria.
Espero que vocês curtam o capítulo. Uma boa leitura a todos;*
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Dormindo com o inimigo
Por Fleur D'Hiver
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O silêncio e a calmaria já tinham sido de muito apreço para Kakashi. Desejados outrora por uma versão sua que felizmente tinha se perdido em meio as adversidades. Agora só serviam para fermentar velhas dores e cutucar antigas e novas feridas.
O som que tinha retornado a sua vida e sido tão bem aceito cessara outra vez, a voz que ele acreditou nunca se apagar estava agora calada e seu dono inerte por lutar com todas as forças pelo que acreditava.
E ele um homem da quietude, talvez tivesse aprendido a gostar por demais da agitação e agora não tinha mais como voltar para a solidão.
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O Plano
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— E então o que você acha? — perguntou o Hatake dando mais uma golada em seu saquê.
— Acho que está certo, eu mesmo já tinha começado a investigar por esse viés, mas você sabe não tenho mais muito espaço para tomar decisões, ou participação nas investigações do gabinete do Hokage. — Shikamaru deu mais uma tragada em seu cigarro. Ele e Kakashi estavam sentados lado a lado em um canto vazio de um bar no centro da Vila — Sem Tsunade minha posição ficou comprometida. Danzou não me deixa por dentro das missões e estratégias, não sei muito mais do que você. — tudo estava muito complicado em Konoha, muito sombrio para o gosto de ambos. Tempos que ele, Shikamaru, não gostava — Mas de qualquer maneira eu não sei se você é a pessoa ideal para essa empreitada.
Kakashi se virou para o mais jovem, pegou a garrafa de saquê em cima da bancada e encheu mais uma vez o seu copo. O estabelecimento não estava cheio, exatamente por isso ele tinha chamado Shikamaru até ali, era cedo demais para se começar a beber. Talvez fosse isso a denunciar sua pequena instabilidade, mas o Hatake não estava se importando muito com esse detalhe.
— Eu sei que acha que eu posso me levar pelas emoções — disse voltando a olhar para frente. —, mas eu sei muito bem quando e como devo agir. Serei imparcial se for preciso. Essa não é a primeira equipe a desafiar minhas emoções, Shikamaru e talvez não seja a última.
— Ainda assim, você é ligado demais a situação para ser colocado nessa missão. — Shikamaru se levantou dando uma última tragada. — Para tratar ou trabalhar nesse assunto com você eu teria que te pôr a par de tudo que eu acredito que esteja ocorrendo — apagou a guimba no cinzeiro próximo a eles, limpando as mãos em seguida — e não me leve a mal, Kakashi, pois eu o respeito por demais, mas quando se trata de Sasuke você não é tão melhor que o Naruto, só esconde melhor. Só que agora a situação é completamente diferente e você sabe bem disso. — Shikamaru pôs as mãos no bolso preparando-se para sair do local, porém o copy-ninja o segurou pelo braço antes que se afastasse.
— Eu sei que pensa, que Sasuke pode estar envolvido no suposto sequestro ou talvez assassinato de Sakura, mesmo que indiretamente. — Kakashi fitou o tampão do bar — Eu também cogito essa possibilidade e tenha certeza que se for real, eu serei o primeiro a caça-lo.
— E se ele for o mandante? E se ele tomou todas as decisões? E se você tiver que mata-lo ou saber que essa possibilidade está na mesa? — Kakashi se sobressaltou com aquele questionamento. — Ele sabe muita coisa sobre as pessoas do nosso interesse, provavelmente vão prendê-lo para interrogatório, mas depois de tudo e com Danzou a frente, duvido muito que ele seja até mesmo trazido a Konoha. Não haverá um julgamento, nem possibilidade de soltura, só vejo um fim para o Uchiha caso seja pego — Shikamaru fitou o mais velho, enquanto Kakashi parecia absorver as palavras que acabou de ouvir.
— Por isso que pergunto: Você está pronto para ouvir tudo o que ele possa vir a dizer? Está pronto mesmo para o que essa investigação implica? — o silêncio se instalou entre os dois. Kakashi nem sequer levantava a cabeça para olhar Shikamaru e o aperto no braço do mais jovem tinha se tornado bem mais brando, quase inexistente — Foque em Naruto, em como vai prepara-lo para tudo isso, deixe o resto como está. Você não quer saber se o Sasuke fez algo a Sakura, não quer se envolver nisso e eu o entendo. Não o julgo por isso, é uma situação difícil para todos nós.
Kakashi pela primeira vez sentiu algo gelar em seu estômago. Não, Sasuke não poderia machucar Sakura, poderia? Não acreditava que o tratamento para com ela seria justo de alguma forma e ele poderia ter conhecimento disso, mas participar? Ser aquele que infligia gratuitamente dor a ela? Não, isso não. Era um rapto, para ter o Naruto e só.
Porém ter Naruto a que custo?
O silêncio se fez presente no aposento. O ar bolorento e úmido nunca tinha incomodado tanto Sakura como naquele instante, queria se mexer, coçar o nariz, queria gritar, correr, fugir. Mas estava estática, parada na mesma posição há quase cinco minutos a espera de uma resposta que parecia que jamais viria.
A adrenalina inicial foi passando e enquanto o observava podia sentir o torpor de mais uma plano fracassado se instalar. Seus ombros caíram e agora ela só queria que ele saísse da cela dela para que pudesse ficar em paz com seus próprios tormentos. Como Sasuke disse era patético, absurdo. Por que ela tinha pensado que poderia ser diferente de alguma maneira? Ergueu a cabeça fitando os olhos negros e profundos de Sasuke que não tinham saído de cima dela ainda. Remexeu-se incomodada.
— E então? Se não vai dizer nada o que ainda quer aqui? — o encarou com a mesma intensidade que recebia, apertando ambos os braços entorno do próprio corpo.
— Não posso ir para Konoha. — Sakura franziu o cenho, sem entender o que ele queria dizer. — Você é muito ingênua se realmente pensa que nas atuais circunstâncias eles me abrigariam de alguma forma, ou que algo que você tenha a dizer tem alguma importância.
— Não é assim. Claro que teria. O Naruto... — Sasuke soltou um som semelhante a uma risada abafada e a cortou na mesma hora.
— Não teria. Ainda quer fugir? — a respiração dela se agitou, Sasuke tinha dado um passo para frente e ela deu um para trás.
— Isso não muda...
— Ainda quer fugir comigo? — ela parou de falar, nem piscava, mal respirava.
O que?
— Para outro lugar que não seja Konoha? Deixar Naruto para trás... — as palavras de Sasuke não se formaram, mas ela ouviu, de alguma forma ela ouviu e algo estremeceu dentro dela. Mas Sasuke deu um meio sorriso abanando a cabeça.
— Não pense que consegue me usar para conseguir o que quer, Sakura. Sou um jogador melhor do que você. — as paredes vibraram com a batida forte da porta, ela escorregou pela parede enquanto o ouvia trancar a porta — Eu poderia voltar com você para sua bela Konoha... para destruí-la. Conseguiria assistir isso? — não respondeu, continuou parada como estava ouvindo-o se afastar.
Ela não dormiu aquela noite, sua mente maquinava uma forma, uma justificativa, uma desculpa para manter seu plano. Quer dizer tinha que ter um jeito de escapar, esse lugar não era a prova de fugas, não podia ser, só não o conhecia direito. Imaginar-se conhecendo melhor um esconderijo do Orochimaru não era seu grande objetivo de vida, mas ainda assim era algo a se agarrar.
E focar em tentar conhecer os corredores daquele labirinto a mantinham concentrada, longe de inquietações e ideias que não lhe cabiam mais, que não pertenciam a sua realidade. Não desde que foi presa, desde que acordou naquela cela escura e fria.
Não podia perder tempo com um sentimento que pertencia a uma Sakura muito diferente da atual, poderia até mesmo dizer que a uma Sakura de outros tempos, de outra vida. Porque a impressão que tinha presa naquele buraco era que tudo que viveu fora dali não referia-se a ela, era mais como uma lembrança longínqua de uma realidade distante demais para ser datada, quase um sonho. E estava certa de que quando saísse dessa prisão reveria muito dos seus próprios conceitos, daria mais importância as pequenas coisas que atualmente ela sentia tanta falta, mas que antes nem se quer ligava, porque sempre estiveram lá.
Sakura não tentou fugir no dia seguinte; quando a porta foi aberta a noite – ou o que ela definia como noite –, ela se empertigou e se sentou ereta. Não se incomodou, não resistiu, só notou que Karin parecia ainda mais irritada do que das outras vezes. Quando era levada a sala de banhos tentava fazer tudo o mais depressa possível para poder investigar a parede na outra extremidade, a procura de um buraco, uma pequena fissura que fosse. Qualquer coisa que indicasse uma possível passagem.
Poderia ter sido uma ilusão, nunca ter existido, mas ela duvidava muito, Sasuke a arrastou por ela, eles saíram dali na sala de banho, isso não era algo imaginado. O sharingan dele não brilhava na hora, era real, tinha que ser real. Só precisava descobrir uma maneira de ativa-la. Talvez fosse com chakra, ou sangue, vai saber.
Seu cabelo parecia maior, podia senti-lo arrastando-se pelos seus ombros e pelo começo das costas. Estava crescendo não tinha como negar. Tocou a própria face, via seu reflexo todos os dias enquanto tomava banho, refletido na água da banheira de barro. Mas aquela às vezes parecia ser outra pessoa, não ela, mais dura, mais sisuda e ao mesmo tempo eram seus traços claros como nunca.
Tinha começado a marcar na parede um tracinho por dia e já tinham três dezenas deles. Um mês desde que iniciou a contagem, o que não era desde que foi presa, então estava a bem mais tempo ali. Tocou as marcas lascadas na parede fria, talvez estivesse há dois meses, o que dava a ela mais um mês para escapar e ainda achar alguém que estivesse procurando por ela. Não bem por ela, era provável que estivessem atrás de um corpo, mas servia.
Torcia para que Tsunade já tenha acordado do coma, pois ela poderia prolongar um pouco mais as buscas e teria mais tempo. Sem ela por perto só poderia pensar em Naruto esbravejando, mas não existia uma certeza de que seria ouvido. Era mais provável que seguissem o tempo padrão para qualquer outro ninja desaparecido: três meses. Se não fosse achada seria declarada como morta em missão, seu nome seria marcado na pedra do centro de treinamento e fariam um funeral simbólico. Estaria morta para Konoha, para Shizune, Ino, Kakashi, Naruto... fechou o punho.
Morta. Ironicamente enterrada viva, literalmente. Não conseguia pensar em Naruto a esquecendo, mesmo que a Vila dissesse não, ele ainda acreditaria que ela estava viva. Ainda viria atrás dela. Sakura secou o canto dos olhos, se encolhendo em seu canto. Não queria isso para ele, mais um fantasma para perseguir.
O tempo não trazia apenas mudanças nela, mas no quadro em geral. Os guardas estavam relaxando de novo, poderiam estar acreditando que ela tinha levado uma bronca de Sasuke e que isso tenha quebrado a sua resistência, sua vontade de fugir. Poderia pega-los de surpresa outra vez, eles apareciam com a guarda totalmente abaixada; mas a que fim isso levaria? Ela correria por alguns corredores vazios, a esmo, em busca de um caminho que não conhecia apenas para ser arrastada de novo para aquele buraco. E ai eles ficariam em alerta, as chances acabariam outra vez, até relaxarem e esse ciclo continuar e a enlouquecer no final.
Precisava de um plano melhor, precisava de uma perspectiva. Algo que lhe desse uma luz, uma brecha, um entendimento de como aquele lugar funcionava. Se conseguisse se passar por um guarda talvez arranjasse um jeito de conseguir um mapa. Tinha certeza que em algum lugar, em uma das mil salas tinha um mapinha tosco que fosse para ela se guiar. Ou mesmo que não tivesse, se conseguisse se passar por um guarda poderia seguir outro guarda para fora dali, fingir que tinha esquecido qual era a saída mais próxima.
Os passos no corredor a alertaram de que alguém estava se aproximando, ouviu uma imprecação dita pela pessoa, era uma voz feminina quem estava bravejando. Tempo era algo que tinha se alterado para ela, sua percepção se baseava nas suas necessidades e no intervalo entre elas e por essa razão a aparição de Karin lhe pareceu errada. Cedo demais.
A porta foi escancarada, Karin veio aplicar o remédio, mas o que atraiu o olhar de Sakura não foram os utensílios usais, mas a capa. Ela usava a capa da Akatsuki. Ela já tinha descoberto a participação deles na organização, mas aquela era a primeira vez que ela a visitava usando a roupa da organização
Karin sorriu ao aplicar o remédio. Felicidade não era um sentimento que ela costumava transparecer perto de Sakura e isso foi uma coisa a mais a acrescentar na lista de estranhezas.
— Sabe, talvez esse seja o nosso último encontro — ela deu uma risada anasalada, se deliciando com a expressão confusa e preocupada de Sakura — e, a propósito, foi um desprazer conhece-la. — disse antes de bater à porta.
— O que? O que isso significa? O que vão fazer comigo? Karin! — pode ouvir os passos dela e uma risada ecoar.
Um frio lhe subiu a espinha, solta-la estava fora de cogitação, Karin tão pouco ficaria feliz assim se fosse solta. Não, outra pessoa poderia até pensar apenas na função que não seria mais feita, mas ela sentia que tinha uma hostilidade a mais rolando ali. Se fosse solta ela poderia estar aliviada, mas ainda seria azeda. A risada, as palavras, significavam outra coisa.
Mas o que significava a descartarem desse jeito?
Naruto... morto? Preso?
Sakura afundou o rosto nas próprias mãos, a respiração descompassada, o coração aos saltos. Não queria morrer, não poderia morrer assim.
— Nossos planos para a captura da kyuubi sofreram sérias alterações. — Tobi disse sentado na cabeceira da mesa, com todos os atuais Akatsukis reunidos a sua volta — Aparentemente o garoto está sendo mantido dopado dentro dos portões da Vila, sem chances de ser atraído como planejávamos. — ele apoiou uma das mãos na mesa de mármore — Não queria fazer isso agora, mas vamos ter que nos dividir em mais um grupo, tendo invista que Sasuke não conseguiu pegar a bijuu de oito caudas como achava. — Sasuke fechou o punho embaixo da mesa respirando fundo, sem encarar Tobi — Ainda pretendo fazer com que nosso avanço para o país do Ferro ocorra sem muito alarde, quero pegar os kages de surpresa em sua reunião besta. Afinal se somos o tópico da conversa deveríamos estar mais que presentes nela. — Tobi deu uma meia risada que foi acompanhado pela maioria dos presentes. Suigetsu mantinha seu olhar de Sasuke, a Tobi, enquanto Juugo mantinha a cabeça abaixa. Apenas Karin encarava apenas Tobi, bastante a vontade.
— Precisamos agir rápido meu espião em Konoha acredita que Naruto será transferido, talvez para outra Vila, eles ainda não se recuperaram totalmente do ataque de Pain e com a reunião dos Kages exigindo parte de seu poderio militar, a kyuubi ficaria desprotegida, precisamos agir antes que essa transferência ocorra. — Karin se empertigou em seu acento, chamando atenção dos presentes.
— E a garota lá embaixo? O que faremos com ela? — Sasuke a fitou com intensidade e depois voltou sua atenção para Tobi, que estranhamente já o encarava.
— Eu ainda não decidi. — Karin que até aquele momento estava toda animada, murchou. Não era essa a resposta que esperava ouvir.
— Mas se o garoto da kyuubi está dopado, quer dizer... — ela tossiu, ao perceber que sua voz tinha subido alguns tons, respirando fundo para se acalmar — não tem como atrai-lo. Ela é inútil!
— Acredito já ter dito que ainda não decidi, não é mesmo? — o tom dele era leve, mas ela entendeu muito bem a nota de repreensão presente, se encolheu em seu lugar, com os punhos cerrados sobre colo, frustrada.
— Eu pensei em enviar Sasuke para Konoha e... — Sasuke se desencostou do encosto da cadeira, apoiando ambos os braços sobre a mesa.
— Prefiro ir atrás da oito caudas outra vez. — os presentes fitaram de um ao outro. Não poder ver a expressão de Tobi o deixava agoniado, difícil de ler a expressão daquele ser, mas Sasuke não transparecia.
— Você já falhou uma vez. — o time Hebi engoliu em seco, os três encarando a Sasuke por cima, com as cabeças abaixadas.
— Eu quase o capturei, foi apenas um engano e isso não vai acontecer outra vez. — Tobi deixou que o silêncio caísse sobre a roda, saboreando a apreensão e ansiedade dos presentes.
— Eu vou atrás da nove caudas — disse Kisame, dando de ombros logo em seguida —, Itachi nunca gostou que eu tocasse em alguém de Konoha, isso não tem mais importância, não é? — a risada dele soou, mas não foi acompanhada por ninguém.
— Ok. Sasuke vai atrás do Killer B. e Kisame atrás de Naruto. Então estão todos dispensados. — Sasuke se levantou com agilidade, deu a volta na mesa para que pudesse se posicionar atrás de Karin quando o grupo começou a se locomover para fora da sala de reuniões.
Assim que passaram pela porta, ele a segurou pelo braço discretamente. Não queria chamar nenhuma atenção. Fez sinal com a cabeça para que Juugo e Suigetsu continuassem sem eles e retardo o máximo que podia seus passos. Forçando Karin a ficar para trás junto com ele. Caminharam juntos por um tempo até o resto do pessoal estar muito a frente deles. Puxou-a para dentro de uma das várias bifurcações, batendo as costas dela na parede, o sharingan brilhando perigosamente.
— O que andou falando para ele? — questionou com o seu timbre baixo, quase um rosnado irritado. Ela exclamou exaltada ao ouvir a pergunta, soltando-se do agarre dele.
— O obvio!
— Que obvio? — Karin estava claramente testando a pouca paciência dele.
— Que aquela garota lá embaixo deveria morrer! Porque ela tem um estranho e desconhecido poder de influência sobre você! — Sasuke se avultou ao redor dela, mas Karin se arrastou para longe dele. — E não adianta negar, eu vi! Eu sei! — ele fez sinal para que ela diminuísse o tom, ela precisou respirar fundo antes de prosseguir. — Ela é um risco e não precisamos mais dela de qualquer forma. Tobi me agradeceria se eu... — com agilidade Sasuke voltou a pôr fim no espaço entre eles.
— Não ouse!
— Por que não? Por que se importa? — Karin balançou a cabeça, fitando-o com exasperação — Você não vê? Não enxerga o que ela faz com você? — os olhos vermelhos de Karin queimavam de aflição. Sasuke deu um passo para trás.
Se você está fazendo tanto para me manter viva é porque tem uma razão, não é?
— Eu não me importo! Eu não dou a mínima, mas você não vê? — esbravejou, abrindo os braços e apontando para o redor deles — Ninguém aqui é confiável, não pode e não deve falar sobre o que acha em relação a mim, para ele! É você quem está paranoica com a Sakura! É você que está procurando onde não tem nada e nos colocando sobre a mira dele. — Karin engoliu em seco, cruzando os braços em frente ao corpo, sem querer dar o braço a torcer — Ou você acha que o Tobi vai acatar o seu pedido e pôr um fim nela, só porque você fez algumas insinuações? — abriu aboca para protestar, mas Sasuke a silenciou com um único olhar — Por sua causa é muito provável que ela a mantenha viva para me alcançar; você não pensa antes de fazer as coisas? Só confie na sua equipe! Isso — ele segurou o manto negro da Akatsuki que ela usava, sacudindo-o de leve, o asco e desagrado claros em seu tom — não significa nada. Não somos eles, não somos parte dessa equipe, eles só são um desvio, um atalho. Então não de armas contra nós.
— Ela só poderia ser uma arma se eu realmente estivesse certa, não? — Sasuke a encarou, irritado e por fim se virou sem responde-la. Dando aquela discussão por encerrado e profundamente enraivecido de Karin ter falando qualquer coisa sobre ele a Tobi. Sasuke fechou os olhos, a cabeça cheia, latejando.
O obvio!
Obvio, não havia um obvio. Ela não fazia ideia do que estava falando.
— Por que não os matou? — perguntou Orochimaru aparecendo no campo de treinamento, observando todos os adversários que Sasuke tinha derrotado.
— Porque eu não quis. — mesmo com o tempo, ficar perto do antigo sennin ainda lhe causava arrepios.
— Eles não importam, não significam nada para mim e não deveriam significar para você. São só criaturas insignificantes. — Sasuke deu de ombros, não via razão para estar tendo essa discussão.
— Se são tão insignificantes por que eu deveria me dar ao trabalho? — se virou para Orochimaru que mantinha seu sorrisinho ardiloso nos lábios, os braços cruzados em frente o corpo. O olhar dele o enervava, sempre parecia estar enxergando algo nele. E Sasuke se perguntava o que seria isso?
— Você ainda não está pronto, não está pronto para encarar o seu irmão. Ainda a algo dentro de você que precisa morrer primeiro. — Orochimaru se virou para sair do local, ignorando o apelo de dor dos soldados caídos. Deixando Sasuke inconformado em ouvir aquelas palavras — Eu tenho uma missão para você, quero que faça uma entrega de material genético para mim no esconderijo próximo a ponte Tenchi*. Não me decepcione.
Orochimaru estava errado. Ele estava pronto, pronto para matar o sennin, matar seu irmão, pronto para passar por cima de qualquer obstáculo, assim como passou. Karin também estava errada agora. Se Kakashi um dia não tivesse se enfiado entre ele e Sakura não haveria nem mesmo hipótese desse reencontro. Eles não sabiam o que falavam, não existia poder de influência, não existia fraqueza. Ele só era meticuloso.
(...) é porque tem uma razão, não é? – a imagem dela surgiu, forte, viva, aquelas palavras...Não, não tem. Não tem razão.
Então por que Sasuke? Por que está tentando mantê-la viva?
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Ponte Tenchi para quem não lembraé o local onde o rola aquele primeiro encontro entre o Sasuke, o Naruto e a Sakura na fase shippuden.
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Nota: Totalmente liberado ficar puto com a Karin, mas do que liberado. A desgrama quer porque quer por um fim na Sakura, mas não vai acontecer, miga. !
Sasuke está todo trabalhado no disfarçar as evidências, mas quem vê sabe bem o que tá rolando. Mas Tobi não é nada confiável e se ele realmente pensar em usar Sakura não só para manipular Naruto, não vai prestar. E pro ultimo #NaBadPeloKakashi coitado, não está sendo fácil para ele.
Espero que tenham gostado do capítulo e não deixem de me dizer o que acharam;*
