Capítulo 7Severo não conseguia dormir, com tudo o que tinha na cabeça. Decidiu então ir para o laboratório fazer poções. Enquanto cortava ingredientes e mexia caldeirões Severo pensava sobre a conversa que teve com Sirius. O homem tinha praticamente admitido que sentia algo por ele. Mas Black passou doze anos em Azkaban, e está foragido desde então. Severo é o primeiro homem que ele tem contato além do melhor amigo Lupin. Com esse pensamento, Severo se desanima 'É claro, ele está solitário. Esses sentimentos que pensa ter por mim é só solidão após anos sem contato com outra pessoa.'
Distraído sentindo pena de si mesmo, Severo não percebe o caldeirão ao seu lado borbulhando até que este explode e Severo desmaia.
"Almofadinhas, você viu o Severo hoje?" – perguntou Lupin, quando Sirius entrou na biblioteca após o almoço.
"Não vi não Aluado. Deve estar no quarto de ressaca. Ele bebeu bastante ontem." – respondeu Sirius, não importando muito.
"Nós bebemos muito ontem e estamos bem. Se ele estivesse de ressaca, essa hora já era para estar melhor. E outra, Snape é mestre de poção, aposto que ele tem poções contra a ressaca." – disse Lupin, se levantando preocupado.
Sirius decidiu seguir o amigo em direção ao quarto de Snape e bateram na porta. Nada. Bateram de novo, mas ninguém respondeu.
"Viu Aluado, ele está dormindo, vamos voltar." – disse Sirius, mas ele também estava começando a se preocupar. E se o homem tivesse tentando pular a janela novamente e caído e se machucado?
"Snape nunca dorme até tarde." – respondeu Remo, pegando sua varinha e abrindo a porta do quarto com Alohomora. O quarto estava vazio, a cama arrumada indicando que ninguém havia passado a noite ali.
"Droga Snape. Onde você está?" – perguntava Sirius para ninguém enquanto saia correndo de quarto em quarto atrás de Snape.
"Sirius, Sirius, corre aqui. Eu achei ele. No laboratório." – gritou Lupin ao encontrar Snape desmaiado no laboratório.
Eles estavam procurando a quase meia hora, quando Remo lembrou que Snape poderia simplesmente ter acordado cedo e ido trabalhar no laboratório. Mas chegando lá, encontrou o homem desmaiado ao lado de um caldeirão explodido, a sala toda coberta por um líquido verde com mau cheiro.
"O que aconteceu aqui? Que merda de cheiro é esse? Remo, você sabe que poção é essa que explodiu?" – perguntou Sirius, olhando para o laboratório e Snape desesperado.
"Não sei Sirius, se você esqueceu, eu não era exatamente o melhor aluno de poções. Mas o que quer que for isso, não deve ser coisa boa, precisamos tirar Snape daqui. Me ajuda a levantar ele." – respondeu Lupin, levantando Snape com ajuda de Sirius e levando ele para o quarto dele.
"Ãhh, o que faremos agora?" – pergunta Sirius, olhando entre Snape desmaiado e o amigo.
"Em primeiro lugar, acho que devemos tirar a roupa dele, a poção parece estar corroendo o tecido e queimando a pele dele." – Lupin diz e Sirius o olha espantado.
"Tirar a roupa dele? Mas...mas..." – Sirius começa, mas olha para Severo e percebe que o amigo tem razão.
Assim que Snape está só de cueca, Lupin vai até o armário de poções e pega uma pomada contra queimadura que passa em todo o corpo de Snape que está queimado com a ajuda de Sirius.
"O que aconteceu?" – pergunta Snape, acordando atordoado.
"Uma poção explodiu. Encontramos você desmaiado no chão do laboratório com queimaduras por todo o corpo." – respondeu Sirius, de onde estava sentado em uma poltrona ao lado da cama de Snape.
Desde que terminaram de passar a poção em Snape, Sirius e Remo combinaram em fazer turnos sentados ao lado da cama do homem para quando ele acordar. Remo havia acabado de sair para ir dormir a alguns minutos atrás quando Snape acordou. Já era madrugada e Sirius estava quase pegando no sono sentado ali quando ouviu a voz do homem.
"Porque eu estou sem roupa? E o que raio é essa coisa em mim?" – perguntou Snape, tentando olhar para Sirius bravo, mas sem sucesso, pois parecia estar com dor.
"Nós tivemos que tirar a sua roupa, estava encharcada com a poção. E isso em você é uma poção para cuidar das queimaduras, então pare de mexer." – respondeu Sirius, batendo na mão de Snape tentando limpar seu corpo.
"Você está sentindo dor?" – perguntou Sirius preocupado.
"Não." – respondeu Severo, olhando para o outro lado, tentando segurar um gemido de dor.
"Você está mentindo. Aqui, tome essa poção, vai ajudar." – disse Sirius, levando o cálice da poção a boca de Severo e fazendo-o beber.
"Porque você está aqui?" – perguntou Severo, tossindo por causa do gosto ruim da poção.
"Alguém tinha que estar aqui para responder suas perguntas quando você acordasse. Remo e eu estamos trocando turnos. Ele estava aqui até alguns minutos atrás, mas foi embora pouco antes de você acordar." – responde Sirius, dando um copo de água para Snape, para ajudar com o gosto ruim da poção.
"Entendo." – diz Snape, parecendo desapontado com a resposta do outro.
"O que você está fazendo Black?" – pergunta Snape ao ver o outro homem levantar da poltrona e se deitar na cama de casal ao lado dele.
"Eu estou com sono Snape, e aquela poltrona é muito desconfortável." – respondeu Sirius, se ajeitando embaixo do cobertor.
"Aposto que já dormiu em um lugar muito pior que uma poltrona em Azkaban Black. Mais uma noite não fará a diferença." – disse Snape tentando convencer o outro a sair da cama.
"Sou um homem livre agora, e se você esqueceu, essa é minha casa, portanto se eu quiser dormir na cama, eu durmo na cama." – retruca Sirius, se virando do outro lado para dormir.
"Então vai dormir na sua cama, e não na minha."
"Os incomodados que se mudem Snape." – diz Sirius.
"Eu sou o doente aqui. Então é você que tem que me mudar." – tenta novamente Severo.
"Estou muito cansado para sair daqui." – conclui Sirius, bocejando.
'Bom, não é a primeira vez que durmo ao lado desse vira-lata e não peguei pulgas até agora, mas uma vez não vai me matar.' Pensa Severo, se virando para dormir. 'Mas essa é a última vez.'Quando Snape acorda novamente, o lugar na cama ao seu lado está vazio e Lupin está sentado na poltrona onde Black estava na noite passada, lendo um livro.
"Que horas são?" – pergunta Severo, sentando na cama e distraindo Lupin que não tinha percebido que ele havia acordado.
"Quase meio dia. A poção para a dor que Sirius te deu ontem faz você dormir bastante." – Lupin fala.
"Eu sei Lobo inútil, eu sou um mestre de poções. Agora cadê minha varinha?" – pergunta.
Lupin entrega a varinha de Severo e pergunta como ele está.
"Estou bem Lupin. Nenhuma dor. Não preciso de uma babá na ponta da minha cama tomando conta de mim. Agora saia daqui que eu preciso tomar um banho para tirar essa pomada do meu corpo." – respondeu Severo, empurrando Lupin em direção a porta.
"Severo, nós devíamos conversar." – fala Lupin quando Severo entra na biblioteca após seu banho.
"Desde quando nós temos algum assunto para conversar lobo?" – pergunta Severo com sarcasmo, se sentando em uma poltrona e pegando seu livro na mesa de centro.
"É sobre o Sirius." – diz Lupin, conseguindo a atenção de Snape.
"O que tem Black? E cadê ele?" – pergunta Snape, procurando pela biblioteca, mas não achando ninguém.
"Ele está alimentando o hipogrifo. E você sabe muito bem sobre o que estou falando Severo, não se faça de desentendido. Já percebi o jeito que você olha para ele." – diz Lupin.
"Você não sabe nada Lupin. Black é um imbecil e eu o odeio..." – começa Snape.
"Calado Severo. Eu estou ao seu lado. Sirius é meu amigo e eu desejo que ele seja feliz. Sei que está muito infeliz no momento, após ficar anos em Azkaban e agora trancado nessa casa sozinho. Se ele gosta de você, então..." – diz Lupin e é interrompido por Severo.
"Gosta de mim? Black gosta de mim? Você está delirando Lupin. Black me odeia desde que nos conhecemos no Expresso de Hogwarts. Se ele quer alguma coisa comigo, o que eu duvido muito, é só alguém para confortá-lo, pois como você mesmo disse, ele está muito sozinho. E se ele quer somente alguém para saciar seus desejos, ele está procurando no lugar errado." – diz Snape irritado.
"Eu conheço Sirius muito melhor que você Severo. Acredite em mim quando digo que Sirius não está atrás de alguém só por sexo, nem que ele esteja afim de você somente por ser o único homem disponível." – retruca Lupin. "Dê uma chance a ele."
Com isso Lupin se levanta e sai da sala.
"Cadê o Remo?" – pergunta Sirius ao entrar na biblioteca após ter acabado de alimentar seu hipogrifo.
"Não sei." – responde Severo, se distraindo de seus pensamentos.
"Bom, a reunião da ordem é em algumas horas, caso você tenha esquecido." – lembrou Sirius.
"Eu sei, eu sei. Ei Black, ontem, quando você disse que pensou que eu sentisse o mesmo, o que você quis dizer com isso?" – pergunta Snape, olhando diretamente para Sirius, que cora com a lembrança.
"Eu estava bêbado Snape, esquece." – Sirius fala.
"E se eu não quiser esquecer? E se você tivesse certo, Black?" – pergunta Snape de novo, se lembrando do que Lupin havia dito 'Dê uma chance a ele.'- . "E se eu sentir o mesmo?"
TBC...
