CAPITULO V
Rin esperou até que o garçom anotasse o pedido e se afastasse para retorna com a conversa.
- Presumo que tenha condições a impor?
- Algumas.
Apesar da natureza volátil da conversa, essa era uma parte da discussão com a qual se sentia a vontade. Tratar de negócios era algo que a agradava. Acertar condições contratuais e condições de um acordo era algo que fazia parte de sua rotina diária. Qualquer coisa que a livrasse de discutir os aspectos emocionais do casamento era bem-vinda. Alem do mais, depois de ter descoberto os problemas de Sesshoumaru com relação a confiança, evitar esses aspectos era uma atitude sensata.
- Quais são?
- A primeira e principal condição é que a Janus Corporation passe a pertencer aos Taishou, conforme você propôs quando me procurou em meu escritório.
- Condição aceita.
- você irá morar em minha casa durante o casamento.
Oh-oh. Não gostava do som disso. O garçom chegou com a garrafa de vinho, e ela esperou o termino do ritual de degustação antes de perguntar.
- Por quê?
- Experimente o vinho.
- Deve ser bom – disse, levando a taça aos lábios para um pequeno gole. O sabor explodiu em sua boca, causando uma surpresa que ela nem tentou disfarçar. – É incrível! E... único.
- Importamos à safra da Itália.
- Sou capaz de entender por que. Nunca bebo na hora do almoço, mas o vinho é digno de exceção.
- É do tipo que nunca mistura álcool e negócios?
- Exatamente.
- Eu já imaginava.
- Oh, não, você não imagina. Também fui treinada para ignorar os prazeres físicos, uma vez que também podem prejudicar a concentração. – brincou.
O humor iluminou os olhos de Sesshoumaru, misturado a uma boa dose de determinação. Rin compreendeu que ele pretendia mudar seu ponto de vista no futuro próximo.
- Tem razão. Não podemos nos deixar distrair por impulsos tão perturbadores.
- É verdade. Sabe como funciona... a comida alimenta o corpo, a bebida aplaca a sede, as roupas protegem e aquecem...
Sesshoumaru riu.
- Bem, pelo menos é o que tenho repetido para mim mesmo. Aprendi que a emoção não deve jamais superar a razão. Tremo só de pensar nas conseqüências... - e bebeu mais um pouco do vinho. – Por outro lado, talvez tenha sido pratica demais.
- talvez. Quanto ao vinho... admito que minha opinião não é imparcial. O vinhedo pertence a parentes dos Taishou. Meu pai esta visitando essas pessoas neste momento.
- Entendo – era hora de retomar o assunto que os levara ate ali, ou acabariam falando sobre amigos, os familiares... preferia evitar intimidades.
– Quanto ao nosso acordo...
- Quero que viva comigo Rin. – ele murmurou, segurando sua mão sobre a mesa. – E pretendo fazer nosso casamento parecer normal. Não será por muito tempo lembra?- Bem,... nesse caso, acho que posso aceitar a condição. Prossiga.
- Considerando que tudo vai acontecer muito depressa, os comentários serão inevitáveis. Prefiro não dar mais motivos para fofocas.
- Fofocas. – por que não pensara nisso antes? Sem duvida sua ações seriam comentadas. Eram pessoas conhecida no mundo dos negócios, e o incidente envolvendo a reputação do poderoso Taishou alimentaria os boatos. – Não creio que possamos evitar os comentários, mas eles logo desaparecerão.
- Especialmente quando ficar evidente que você não esta grávida.
- Grávida?
- Essa é sempre a primeira suspeita. Quer adivinhar qual é a segunda?
Rin serviu-se de mais vinho.
- As pessoas vão dizer que estamos apaixonados?
Não sabia de onde viera a idéia, mas pressentia que o pensamento brotara de alguma parte muito profunda de seu ser. Pior ainda, seria capaz de apostar que era mais um desejo latente invadindo a consciência debilitada pelo vinho.
- Bem, as pessoas podem acreditar que estamos apaixonados, mas isso vai depender de nosso comportamento. Na. A segunda hipótese será levantada quando descobrirem que você é a dona da Crabbe e Associados. As condições do testamento de seus pais são de domínio publico?
- Não.
- Assim que assumir o controle, as pessoas começarão a dizer que só se casou com esse propósito, particularmente quando souberem que os Taishou compraram a Janus Corporation. E esta é a verdade, não?
- Sim. Existem razoes...
- Ainda não revelei minha terceira condição.
Sabia o que ele exigiria: uma explicação para suas ações.
- Por favor, Sesshoumaru, não tente me pressionar. Não posso dizer nada enquanto não estivermos casados.
- Por quê?
- É confidencial. Uma palavra em falso e a Crabbe e Associados passará a correr riscos.
- Prefere dar a impressão de que não confia na competência de seu tio?
- O que? Isso é absurdo!
O garçom chegou com a comida. A salada com peito de frango não parecia tão apetitosa quanto o camarão que Sesshoumaru escolhera. Interpretando seu olhar, ele colocou parte de seu pedido no prato dela.
- O que esta fazendo?
- Dando aquilo que você realmente quer.
- Se quisesse camarão, eu teria pedido.
- Duvido. você faz suas escolhas tendo em vista todo que não seja o desejo pessoal. Relaxe e viva um pouco, cara.
Ceder a tentação seria abrir um precedente perigoso, especialmente quando era Sesshoumaru quem a tentava. Mas o aromado camarão era irresistível, e ela levou um pequeno pedaço à boca, fechando os olhos para saboreá-lo melhor. Depois bebeu um pouco de vinho.
- Vinho tinto não deve acompanhar frutos do mar – disse
- Gostou do vinho?
- Sim.
-E do camarão?
- Muito.
- Então não perca tempo analisando o que deve ser feito ou o que manda a etiqueta. Apenas aprecie o prazer inesperado.
Continuaram comendo, e Sesshoumaru só retomou a conversa ao final da refeição.
- Sobre seu tio...
Ela o encarou sentindo-se culpada. Como pudera esquecer o assunto? Isso jamais havia acontecido antes. Mas, com ele, a ocorrência era quase regular.
- Sim, é claro. Ia me dizer como nosso casamento pode afetar meu tio.
- Se houver a menor suspeita de que esta se casando para assumir o controle da Crabbe, seu tio ficara numa posição muito delicada. Os acionistas e o publico em geral interpretarão sua atitude como prova de desconfiança.
- Eu não permitiria que nada prejudicasse meu tio.
- você vai prejudicá-lo. Já falou com ele sobre seus planos de casamento?
Como poderia? Não que pudesse explicar a Sesshoumaru.
-Não
- Já pensou na humilhação que vai causar quando entrar na próxima reunião de acionistas e assumir o controle?
Não havia pensado. Mas era uma progressão lógica. Nunca tivera a intenção de fazer a mudança diante dos acionistas e diretores, mas o resultado seria o mesmo. Por que tudo tinha que ser tão complicado? Por que fora forçada a tomar uma decisão sem planejar uma estratégia.
- O que sugere?
- Bem, não temos muito tempo a perder por causa de Narak, mas sugiro que utilizemos as próximas semanas para a construção de um romance intenso. Faremos com que todos pensem que estamos apaixonados.
- Isso é mesmo necessário?
- Não estou pensando apenas em Jenine. Tenho de considerar meu pai também. Ele aceitara o casamento se acreditar que é motivado pelo amor, mas se souber que uma transação comercial... de acordo com meu detetive, você fará aniversaria daqui a algumas semanas. Aproveitaremos a data para uma viagem a Las Vegas ou Reno, onde nos casaremos. É claro que não evitaremos os comentários, mas ninguém desconfiará de seus motivos ou das habilidades de seu tio.
Fazia sentido. Odiava a idéia de perder tanto tempo fingindo um romance, mas se era para salvar reputação de tio Loren e convencer o pai de Sesshoumaru, não se oporia.
- Tudo bem, concordo com as condições impostas ate aqui. Mais alguma coisa?
- É melhor determinarmos o período de duração do casamento.
- Não precisa ser muito longo.
- Discordo.
- Sesshoumaru...
- Se houver um divorcio poucos meses depois do casamento, nós dois faremos papel de idiotas. E nossas carreiras serão prejudicadas. Há alguma razão pela qual nosso casamento não possa durar mais?
- E se conhecermos outras pessoas?
- Isso é provável?
- Como posso saber? – mentiu – Posso conhecer alguém amanhã!
- Nesse caso, sugiro que desista de se casar comigo e espere por essa outra pessoa.
- Droga Sesshoumaru! Sabe que não tenho o menor interesse de casar-me com você ou outro homem. Não fosse por... –parou, consciente de quase ter revelado o segredo. Empurrou o copo de vinho para longe, desejando poder fazer o mesmo com Sesshoumaru. Ambos causavam um perigoso descontrole, algo que não podia permitir nesse momento. – Não fosse por certos imprevistos, eu nem estaria me casando.
- Estou lisonjeado.
- Peço desculpas. Reconheço que fui rude. – se não desse continuidade á conversa, não haveria casamento a negociar. Se o insultasse mais uma vez, ele se levantaria e iria embora para sempre. – Acha que devemos morar na mesma casa? Certo. Acredita que devemos prolongar o casamento? Concordo com isso também. Só tenho uma pergunta a fazer. Teremos de passar todo esse tempo juntos?
-Não sei. Vamos deixar a decisão para mais tarde. – ele sorriu. – Acha que pode ser flexível?
- Vou tentar. - o garçom removeu os pratos. Antes que Rin pudesse protestar, ele colocou um pedaço de bolo de chocolate e cerejas diante dela. – Não posso comer tudo isso!
- Por quê? Não faz parte do planejamento alimentar de hoje?
Ela pegou o garfo e começou a comer. Sesshoumaru sabia como convencê-la a fazer aquilo que considerava conveniente ou oportuno.
- Também tenho uma condição a colocar. – anunciou.
- Qual?
Ela ajustou os óculos com ar determinado.
- Quero deixar bem claro que estarei no comando do nosso casamento. Eu tomarei as decisões. Eu escolherei o que faremos e quando faremos.
- E o meu papel?
- você deve obedecer.
- E o que acontecerá se eu não concordar com esse termo do acordo?
- Irei visitar o Sr.Narak.
Era o blefe mais desonesto que já tentara, e suspeitava de que Sesshoumaru sabia disso. Mesmo assim, recusava-se a recuar, como também se recusava a passar os próximos meses sendo manobrada pelo Sr.Taishou. Não conquistaria a independência em uma frente para perdê-la em outra.
Um sorriso estranho distendeu seus lábios.
- você propôs uma condição interessante, cara. Tem certeza absoluta de que é isso que quer?
- Absoluta.
- Então esta acertado. – debruçou-se sobre a mesa e selou o acordo com um beijo rápido.
Tinha de controlar-se. Sesshoumaru decidiu ao entrar no táxi. Não queria um envolvimento com Rin. Desde o rompimento com Kagura Bennett, prometera a si mesmo que evitaria compromissos com o sexo oposto. Bem, pelo menos até encontrar a mulher ideal.
Mas essa mulher não era Rin Ozawa.
Prosseguir com o tipo de jogo que fizera durante o almoço só o levaria ao desastre. E, se começasse a gostar dela? E se ela gostasse dele? Um dos dois acabaria sofrendo. Era capaz de suportar mais uma desilusão, mas... e ela?
Oh, encontraria um jeito de racionalizar a dor. Usaria uma explicação lógica para justificar o fim do relacionamento. Mas, no fundo, naquele recanto mais oculto onde a lógica e o bom senso não exerciam menor influencia, certamente mudaria. E não seria para melhor.
Não. Se tivesse juízo, manteria a associação livre de qualquer envolvimento emocional. O casamento era apenas um negocio. Assim estariam seguros.
Tinha de controlar-se, Rin decidiu ao saltar do táxi na frente da Crabbe e Associados. Não queria um relacionamento com Sessounaru, nem o tipo de casamento que ele estava tentando criar. Era arriscado demais. Um dia talvez. Quando encontrasse o homem ideal.
Mas esse homem não era Sesshoumaru Taishou.
Prosseguir com o tipo de jogo que fizera durante o almoço só a levaria ao desastre. E se começasse a gostar dele? E se ele gostasse dela? Um dos dois acabaria sofrendo. Era capaz de suportar mais uma desilusão, mas... e ele?
Oh, saberia lidar com a dor. Sobrevivera a Kagura Bennett. Mas o sofrimento consumiria o brilho apaixonado que iluminava sua alma. Devoraria o charme, a graça e a generosidade protetora que considerava tão atraente. Sesshoumaru mudaria. E não seria para melhor.
Não. Se tivesse juízo, manteria a associação livre de qualquer envolvimento emocional. O casamento era apenas um negocio. Assim estariam seguros.
Sesshoumaru mantinha o fone colado ao ouvido e olhava pela janela do escritório.
- Não entendo qual é o problema. – disse, reclinando-se na cadeira sem desviar os olhos do prédio da frente. – você concordou com a sugestão de criarmos a idéia de um romance.
- Um romance envolve flores e bombons, um jantar ocasional. Não existe a menor necessidade de... você sabe o que!
- Entendo. Havia alguém por perto quando você abriu a caixa, não é?
- Exatamente. Eu estava reunida com três presidentes de três empresas diferentes quando seu presente chegou. Pelo formato da caixa imaginei que fossem bombons. Decidi abrir o presente para começar a criar a impressão de um romance.
- Não notou que a caixa era leve demais para conter chocolates?
- Não.
- Por quê? Nunca recebeu uma caixa de bombons?
-Estamos nos desviando do assunto.
- Não. Estamos tratando do ponto chave da questão. Todos os homens que conheceu até agora eram cegos? Ou estúpidos?
- Não telefonei para discutir meus relacionamentos passados. Tem idéia da reação causada por aquele presente?
- Sei como eu teria reagido. Mas as pessoas que estavam com você... como se comportaram?
- Não importa! Tenho certeza que conseguiu provocar o impacto que desejava. Ninguém mais tem duvidas de que estamos vivendo um romance tórrido.
- Ótimo.
- Não é ótimo, lembra-se que acertamos sobre eu estar no comando da situação?
- Não.
- O que quer dizer com não? Minha única condição foi...
- Estar no comando do nosso casamento. Mas ainda não estamos casados.
- Sesshoumaru... esta sentado na frente da janela de seu escritório?
- Sim, estou. por que?
- Não se mova. Não saia daí enquanto eu não chegar.
- Ora, uma visita! Maravilhoso... amore mio.
Rin bateu o telefone sem dizer mais nada.
Sorrindo, ele desligou o celular e deixou-o sobre a mesa. Interessante. Tivera a impressão e que sua noiva estava agitada, nervosa... mal podia esperar para conhecer essa nova faceta de sua personalidade. Isto é, se ela não conseguisse controlar-se antes de chegar.
Ansiosa, levantou-se e foi até o elevador. Ainda estava no meio do caminho, quando ouviu o sinal sonoro que indicava a chegada de um das cabines. Era Rin.
- Sesshoumaru Taishou, eu disse que devia ficar onde estava.
Ouviu a voz antes mesmo de vê-la
- Olá, Rin.
Droga. Se não podia vê-la, mas ela já estava falando, então havia mais alguém no elevador. E seria capaz de apostar todas as ações da companhia como sabia quem era.
Aproximou-se a tempo devê-la agarrando a lapela de Inuyasha e brandindo o indicador diante do nariz dele. Do outro lado do corredor, Kagome caminhava na direção dos dois com ar serio. Sesshoumaru correu. A colisão seria inevitável.
- Não se atreva a falar comigo nesse tom! Quero saber por que me mandou aquela roupa intima! Que idéia foi essa?
- Eu...
Kagome chegou primeiro. Segurando o braço de Inuyasha, removeu a mão de Rin e alisou a lapela amarrotada.
- Sim, explique-se Inuyasha – pediu com doçura. – Também quero saber por que meu marido esta enviando presentes íntimos a uma mulher que não é a sua esposa.
- Inuyasha? – ela repetiu corada. – você é... Inuyasha?
- Receio que sim. Meu irmão esta bem ali. – e apontou para Sesshoumaru. – E parece furioso.
- Oh-oh.
Era hora de interceder.
- Eu cuido disso. – Sesshoumaru anunciou, segurando o braço da futura esposa.
- Eu posso explicar...
- Imagino que sim. No entanto, não estou interessado em ouvi-la. Suas justificativas já me cansaram, especialmente por que lança mão delas sempre que esta errada.
- Sesshooumaru...
- Agora não.
No momento em que entraram na sala, ele fechou a porta e sentou-se. Era difícil manter o controle. Por isso manteve-se em silencio, temendo explodir.
Rin começou hesitante.
- Nas atuais circunstancias, creio que censurá-lo pela infeliz escolha do presente perdeu o sentido.
- Pensou que Inuyasha fosse eu.
- Bem, sim...
-Outra vez.
- Esta agindo como se eu fizesse de propósito. Caso tenha esquecido, vocês são idênticos! É difícil distingui-los.
- Se continuar me confundindo com meu irmão, não vai conseguir convencer ninguém de que estamos apaixonados.
- Porque não usam crachás?
- Se esta tentando fazer piada...
- Oh, não! Esta falando com aquele acento novamente...
- E isso a deixa nervosa?
- Muito. Sei que o sotaque indica que está aborrecido.
- É uma possibilidade.
- Bem, vamos voltar ao presente...
- Ainda não.
Ela suspirou.
- Sesshoumaru, vai ficar mais calmo se eu pedir desculpas? Pensei que Inuyasha fosse você, mas...
- Já disse que um pedido de desculpas não serve para acalmar-me. Não vi conseguir convencer as pessoas de que estamos envolvidos se continuar promovendo cenas como a que vi no elevador.
- Tem alguma sugestão?
- Uma - e aproximou-se devagar, notando que ela o encarava com firmeza. Rin não era do tipo de mulher que se deixava intimidar, nem mesmo quando era forçada a enfrentar um futuro marido furioso. Retirando os óculos de seu nariz, ele os jogou sobre o sofá. - Sugiro que encontre outra forma de nos distinguir sem necessidade de crachás.
Ela ergueu o queixo com ar de desafio.
- Vou repetir a pergunta. Tem alguma sugestão?
- Que tal essa? – e tomou-a nos braços para um beijo ardente. O contato provocou uma fagulha poderosa.
E depois da fagulha aconteceu
Então estão gostando, muitos beijos e abraços para todos que deixaram suas reviews fico muito feliz que estejam gostando muitos beijos e até o próximo capitulo.
Um super beijos muito especial para Ritagatita
