DDT5: NOSSAS VIDAS NA OUTRA VIDA

Capítulo 7

AUTORAS: Lady K & TowandaBR

DISCLAIMER: Todos os personagens da série "Sir Arthur Conan Doyle's The Lost World" são propriedade de John Landis, Telescene, Coote/Hayes, DirecTV, New Line Television, Space, Action Adventure Network, Goodman/Rosen Productions, e Richmel Productions (não venham nos pentelhar).

GÊNERO: Aventura, romance, mistério, terror, intrigas, comédia, drama e umas cenas calientes (quem sabe?). Eu sei q ninguém liga p/ esses avisos, MAS, fiquem fora desta fic, crianças! Não nos responsabilizamos por qqr dano psicológico ou moral. lol.

AVISO IMPORTATÍSSIMO: Essa fic é parte da série Depois da Tempestade, composta de DDT1: Páginas Perdidas, DDT2: Desvendando o Passado, DDT3: O Retorno de um Velho Amigo e DDT4: Segredos e Verdades.

COMMENTS: (por Lady K)

Mamma Corleone: Não ajuda mto, a Towanda mora em Brasília! Será que podemos mandá-la praí por Sedex? rs...

AmandaBBC: Que susto, pensamos que tivéssemos feito vc passar mal, aí teríamos que cancelar a fic para não te prejudicar! rs...(tudo bem que as outras meninas iam te achar e te linxar né?)

Jessica: Calma, ninguém morreu (neste capítulo! ha ha ha)

Luanaa: O Guilherme é um amor, né? Até a mim ele já conquistou, eu quero um desses pra mim tbm :)

Marguerrite: Towanda pediu pra te dizer o seguinte sobre o versinho: "Você que não entende de poesia retrô impressionista concreta abstrata."

Towanda tbm disse (para todas): Falaram que o Erick nao está com nada. Ele está com tudo em cima. Mais fofo, mais gato mais sarado...

Ah e a capa de DDT está no meu orkut, dêem uma olhadinha ;)

DE NOVO AVISO IMPORTATÍSSIMO: Já avisamos antes e sabemos que vocês nem ligaram. Mas pra ninguém reclamar, vamos reforçar: Aventura, romance, mistério, terror, intrigas, comédia, drama e umas cenas calientes.Eu sei q ninguém liga p/ esses avisos, MAS, fiquem fora desta fic, crianças! Não nos responsabilizamos por qualquer dano psicológico ou moral. lol.


Verônica

O cavalo ia mais e mais rápido, desviando dos arbustos e saltando sobre os diferentes obstáculos, como se conhecesse cada centímetro daquele lugar.

Notei um ponto iluminado no horizonte, tão oposto a toda aquela escuridão e sombras. Era para lá que eu estava sendo levada.

Estávamos nos aproximando, mas eu ainda não entendia qual a origem de todo aquele brilho. Logo, entrávamos naquela luminosidade, já não enxergava mais nada, tudo era a luz.

Quando finalmente consegui abrir meus olhos, já não havia mais luz, havíamos passado por ela até uma floresta. O cheiro da mata, o som dos animais e das águas... tudo era normal, colorido, cheio de vida, diferente de onde eu estava há pouco tempo. Estranhamente, sentia já ter estado ali. Mas quando?

O cavalo começou a galopar tranquilamente e, não fosse pela estranheza de tudo aqui, eu até apreciaria o passeio.

Seu passo foi diminuindo, até chegarmos a uma clareira. Abaixando as patas dianteiras, entendi a deixa, ele queria que eu descesse.

Olhei ao redor, mas parecia não haver nada além da mata.

"O que devo procurar?" - tolamente perguntei, como se o cavalo pudesse me responder.

"Está olhando para o que procura." - uma voz masculina respondeu atrás de mim. De onde havia saído?

Quem falava era um ancião de longos cabelos e barba, brancos como algodão. Usava uma túnica simples de algodão cru.

"Não entendo." - E era verdade.

"Você está em outra dimensão ou outro plano de existência, como queira chamar. Mas quando voltar à sua realidade, voltará a este local."

"Se estamos em outra dimensão, como voltarei?"

"Tal como é acima, é abaixo. O infinitamente grande está contido no infinitamente pequeno." - ele sorriu - "Significa que assim como existe aqui, também existe na sua realidade."

"O que devo procurar? Não vejo nada além de uma clareira" - Já começava a me cansar daquela conversa enigmática. Talvez Bochra ou Morrighan até se sentissem bem com isso, mas isso não era da minha natureza.

Então, com o cajado em que se apoiava, deu três batidas no chão fazendo com que oito pequenas pedras de forma triangular, propositalmente alinhadas em um círculo perfeito, tendo uma marcando o centro exato do círculo, emergissem do chão.

Intrigada, notei que em todas elas havia um desenho que me era muito familiar e que me causara impacto quando o vi pela primeira vez: o trion de Morrighan.

"Verônica, as rochas apontam para o centro exato do platô. Onde flui toda a energia que dá origem à própria vida. Existem forças que estão obstinadas a utilizarem isso para o mal, e estão muito próximas a você..."

Eu estava atenta a tudo que ele dizia, mas ainda não fazia sentido. Eu era uma mulher comum, não tinha nada de especial ou sobrenatural como Morrighan. Não seria algum engano?

Assustei-me quando ele continuou como se tivesse ouvido o que eu pensava.

"Não há qualquer engano. Seu encontro com Morrighan foi premeditado, vocês precisavam estar juntas para aprenderem e para ajudarem-se na batalha, mas cada uma tem sua função. Enquanto ela pode escolher entre o bem e o mal, seu caminho já foi traçado para o bem. É seu dever cuidar para que jamais alguém utilize a energia do platô para o mal... seria o início de um mundo de trevas, guiado pelo ódio e pela perversidade."

O que tudo aquilo significava? Era muito confuso. Em toda minha vida, jamais havia ouvido falar de algo assim.

"Deve cuidar para que este lugar esteja a salvo. Fique atenta, o inimigo fará tudo silenciosamente e no escuro, como as serpentes. O caminho está escrito, mas não o seu final. Não posso garantir que terá êxito, mas precisa cumprir sua missão."

"Como farei isso? E como voltarei aqui?"

O homem moveu o cajado, como se desenhasse uma meia lua no ar. Uma imagem se formou translúcida mostrando o caminho.

"Siga os seus instintos."

Assim como veio, a imagem também se foi. Caminhei até o círculo de pedras, mas antes que eu chegasse ao centro, uma coluna de luz, extremamente brilhante, de cor amarela, saiu de cada pedra, formando uma pirâmide.

Sua luminosidade me cegava, minha pele ardia.

"Verônica!?!?!"

Tive a impressão de ouvir a voz de Morrighan. De onde ela havia saído? A luz cessou de uma vez, permitindo que eu abrisse meus olhos novamente.

Meu corpo inteiro doía, principalmente meu estômago.

"Morrighan... de onde você saiu?" - Perguntei meio zonza.

Ela começou a gargalhar, chorar e me abraçar. Ouvi outras risadas, e logo estava cercada por meu pai, Bochra, Belenos, e meu guerreiro... Erick.

E momentos depois, eu não mais me lembrava do sonho.


Morringhan

Verônica dormiu um dia inteiro. Exausto Erick a aconchegou junto a si e os dois descansaram abraçados. Quando acordou ainda muito fraca, o marido a alimentou. Em seguida ela adormeceu por mais algumas horas. Ao acordar pela segunda vez, pediu que me chamassem. Obviamente a pedido dela, Erick saiu assim que entrei.

"Ela quer falar com você a sós." – meu primo deu um sorriso tranquilo.

Minha amiga estava recostada nas peles e sentei a seu lado.

"Se queria ainda mais atenção, poderia ter me dito." – rindo, eu a cutuquei, ela retribuiu e eu continuei – "Teríamos pensado em outra coisa."

Ficamos ali paradas, em companhia uma da outra.

"Está com fome?"

"Não."

"Sede?"

"Não. Estou bem, Morrighan."

"Neste caso posso, ir embora." - brinquei.

"Não! Por favor, fique. Preciso falar com você."

Eu a olhei, prestando atenção.

"Morrighan, eu não faço idéia do que aconteceu aqui. Estou feliz por estar viva, mas também estou muito confusa e assustada. Alguma coisa mudou e eu tenho que saber o que é." – minha amiga ficou pensativa e eu segurei sua mão.

"Tem razão. Mas, por favor, tente não se preocupar com isso agora. Está fraca e deve descansar. Você precisa de tempo."

"Não!" – ela inquietou-se e me assustei com sua reação.

"Há algo que tenho que fazer, Morringhan. E preciso de sua ajuda." – ela tinha urgência na voz.

"O que é?"

"Devo ir a um lugar. É muito importante."

"Acalme-se. E me diga o que há. Que lugar é esse?"

"Não sei. Só tenho que seguir viagem, na direção que meus instintos mandarem."

"Você mal aguenta ficar em pé."

"Por favor..."

Pensei um pouco. Quando se tratava de teimosia, ninguém era páreo para ela. Se me recusasse, não me surpreenderia que, de alguma forma, resolvesse ir sozinha. E, por algum motivo, algo me dizia que, seja lá o que fosse, não se tratava apenas dela.

"Está bem. Mas vamos fazer do meu jeito e você vai me obedecer. E para começar, vai comer um pouco."

Ela me abraçou feliz.

"Morringhan?"

"O que?"

"Só mais uma coisa. Quanto menos pessoas souberem o que vamos fazer, melhor."

"Você não facilita as coisas, não é?" – aquilo estava me irritando.

Saí da cabana, deixando Verônica aos cuidados do pai.

"Droga, Verônica." – resmunguei. Andei por alguns quilômetros pensando no que fazer. Atravessei a aldeia, encontrando Guilherme rachando lenha com alguns outros homens – "Venha comigo." – ordenei sem sequer cumprimentar alguém. Surpreso, ele pegou a toga largada no chão e a vestiu ao mesmo tempo em que me seguia. Eu tinha pressa.

"O que foi?"

"Traga Erick aqui." – o romano obedeceu imediatamente. Alguns minutos depois, retornava apressado com meu primo andando a seu lado.

"Morrighan, o que houve?"

"Verônica me chamou para conversar. Quer ir a um lugar que nem ela mesma sabe onde é e nem o que tem lá. E antes que você diga que a levará quando estiver bem, esqueça. Ela deixou bem claro que quer ir o mais rápido possível. Hoje, talvez amanhã."

"É impossível." – o comandante da guarda protestou – "Não permitirei que isso aconteça."

"Erick, me escute. Eu falei com ela, olhei dentro de seus olhos. Algo me diz que é importante."

"Não mais do que sua saúde."

"Pense bem, primo. Você a conhece tão bem quanto eu. Se não a ajudarmos, vai tentar fazê-lo sozinha e acabar se machucando."

O comandante da guarda pensou um pouco. Sabia que o que eu dizia era verdade.

"Droga!" – resmungou – "Está bem, mas vamos fazer do meu jeito."

Não pude deixar de rir quando ele disse as mesmas palavras que eu havia dito a Verônica.

"Por que me chamou, Morringhan?" – Guilherme quis saber.

"Eu e Verônica não podemos ir sozinhas e Erick é a escolha óbvia para nos acompanhar, mas preciso de mais alguém. É forte e não conheço pessoas mais preparadas para nos escoltar do que você e meu primo. Além disso, mostrou-se disposto a arriscar sua vida para salvar Verônica. Quanto menos pessoas souberem disso, melhor. Se quiser recusar, eu vou entender. Você é um soldado e vou confiar nisso para pedir que mantenha sigilo."

"Irei com vocês."

"Erick? Está de acordo?"

O rapaz olhou para o romano.

"Sim... Amanhã, bem cedo."

Guilherme e Erick passaram o restante do dia empenhados em coletar suprimentos e outras coisas que viéssemos a precisar. Avisamos Belfort, Vivian, Belenos e Bochra que partiríamos pela manhã para um ritual de fortalecimento de Verônica. Bochra me olhou de modo estranho. Sabia que tal coisa não existia, mas, felizmente, não me contradisse e nem perguntou nada.

Antes que o sol nascesse, Guilherme colocou os mantimentos na carroça simples e descoberta, enquanto eu ajeitava com cuidado uma pequena muda de planta que Verônica insistira que levássemos conosco. Erick a levou no colo, instalando-a confortavelmente sobre as peles macias na parte traseira e a cobriu dando-lhe um doce beijo.

"Para onde?"

"Norte." – ela sorriu.

E assim, com os dois soldados, celta e romano, nos escoltando, seguimos viagem.


Verônica

Não sei o que queria. A única coisa era seguir em frente até que dissesse que parassem. Eu não me sentia nada bem naquele dia e dormi o máximo que pude, aproveitando o balanço da carroça. Os três insistiram para que fizéssemos curtas paradas para que todos, principalmente eu, pudessem descansar, comer alguma coisa e relaxar. Ao escurecer, acenderam a fogueira e passamos nossa primeira noite na mata.

Pela manhã eu me sentia melhor, e, surpreendentemente, conforme avançávamos, meu corpo parecia se recuperar a olhos vistos. Após algumas poucas horas sentei para o lado de Morringhan que conduzia a carroça. Ela segurou minha mão e abriu um imenso sorriso. Enquanto Erick, que ia à frente, retornou e passou a cavalgar a nosso lado. Tinha uma expressão feliz e sempre me olhava, incrédulo.

No começo da tarde, algo pareceu mudar.

"Parem." – disse eu. Meus amigos obedeceram. Era uma área de vegetação baixa com algumas árvores em volta. Desci da carroça e olhei ao redor. Desmontados, meus amigos me observavam curiosos. Peguei a bolsa de peles e do fundo retirei o trion.

"Fiquem aqui." – orientei.


Morringhan

Devagar, Verônica começou a caminhar para longe de nós, abrindo espaço pela vegetação. Às vezes parecia procurar alguma coisa e mudava de direção. Foi então que ela parou. Ergueu a mão diante do rosto e a abriu, expondo o trion. Por alguns segundos, nada aconteceu, e ela apenas ficou ali esperando.

O que houve em seguida, foi inacreditável.

Primeiro, uma luz dourada, e outra, e mais outra até chegar a oito ao todo. No alto, elas convergiam para um único ponto e Verônica estava no centro dele. Parecia paralisada.

Erick ameaçou correr para ajudá-la, mas Guilherme o segurou.

"Deixe, Erick!" – não podia acreditar em minhas palavras. Minha amiga podia estar em perigo e eu, não só ficava ali parada, como impedia que meu primo fizesse o que devia.

O que nos pareceu uma eternidade, e que na verdade durou apenas alguns instantes, finalmente acabou. Vimos as luzes se apagarem tão rápido como tinham surgido e minha amiga desabar no chão. Corremos.

"Verônica!" – Erick voou para o lado dela e mais uma vez foi surpreendido.

Deitada de costas no chão, tentando tomar fôlego ela gargalhava.

"Você está bem?"

"Estou ótima." – ela pareceu ignorar a mim e Guilherme – "Vem cá!" – puxou Erick pelo pescoço e o premiou com um longo beijo.


Verônica

Morringhan havia comentado a respeito da lenda que envolvia o trion e era assim que todos o viam. Como uma lenda. Algo que mantivesse o equilíbrio entre duas forças.

Quando cheguei àquele ponto exato, tudo pareceu mudar. Aquela energia queimava minha mão e meus olhos, mas me senti mais forte do que nunca.

Naquele momento, eu entendi. O trion era o equilíbrio; eu, a pessoa que devia protegê-lo e exatamente aquele local, o centro do platô... o centro de tudo.

Era importante que eu marcasse o lugar de forma a, ao mesmo tempo, em que assegurasse de saber onde era, garantir que não fosse encontrada por pessoas que representassem perigo.

Com a ajuda de meus amigos, plantei a muda de árvore que pedira a Morringhan. Uma árvore que fosse muito rara na região e que se tornasse bem alta e frondosa.

Naquele dia, eu me tornei a protetora.


Morringhan

Abrimos uma pequena clareira e organizamos o acampamento naquele local. Não havia mais motivo para pressa. Havíamos trazido duas barracas que foram montadas ao redor da fogueira. Estávamos muito animados.

Com seus afazeres já concluídos, Guilherme e Verônica sentaram em um tronco observando a mim e a Erick, que havíamos decidido cozinhar naquela noite.

"O que você acha?" – escutei o romano perguntar para a protetora – "Que tipo de jantar teremos hoje?"

"Depende, se não resolverem inventar alguma coisa diferente, talvez sobrevivamos." – riu Verônica.

"Morrighan é boa cozinheira?"

"Ahn? Tão boa quanto Erick. E os dois são péssimos. Até o chá de Morringhan é ruim. Ainda bem que é medicinal."

Eu queria matar a ambos por aquela conversa que pensavam que eu não estava escutando.

"Agora você realmente me assustou." – continuou o irritante homem.

"Pense positivo." – continuou aquela que deveria ser minha melhor amiga – "Por via das dúvidas, salvei um pouco de carne seca."


Verônica

Erick fez a seguinte divisão: ele e Guilherme partilhariam uma das barracas enquanto eu me acomodaria com Morringhan na outra. Estava esfriando e tínhamos abrigo suficiente para todos.

"Agradeço, mas eu vou dormir aqui fora." - Guilherme recusou a oferta – "Erick e Verônica dormem em uma das barracas e Morringhan, na outra."

"Está muito frio." – retruquei.

"Desde que vocês se casaram, ainda não puderam ficar a sós. Como não tenho dinheiro e nem bens, considere isso o meu presente. Estou acostumado a dormir ao relento. Tenho tudo o que preciso. Uma boa fogueira, algumas peles e vou me ajeitar bem embaixo da carroça.

"Posso tentar fazê-lo mudar de idéia?" – Erick se aproximou apertando-lhe a mão.

"Só se quiser perder seu tempo." - Guilherme retribuiu o aperto de mão, sorrindo.


Morringhan

Mais uma vez, Guilherme me surpreendeu, recusando a oferta de Erick de dividir a barraca com ele, enquanto Verônica e eu ficaríamos na outra. Ele preferiu deixar o casal junto, restando a outra barraca apenas para mim, enquanto ele dormiria ao relento.

Admirei seu gesto, foi muito delicado de sua parte. Mas, de fato, nada prático. A temperatura havia caído muito após o pôr do sol, trazendo um vento gelado. O céu estava branco, indicando que a temperatura iria baixar mais ainda.

Ciente disso, separei a pele mais pesada para ele, que se acomodou perto da fogueira. Tratei também de entrar na barraca, eu mesma começava a ficar com frio.

Passou-se tempo suficiente para que eu ficasse aquecida, acomodada no interior da barraca e coberta com uma pele de animal. Entretanto, isso não aconteceu.

Sentia meus pés e mãos gelados, não havia maneira de que se aquecessem. Adotei uma posição fetal, tentando reter o calor ao máximo. Além de não funcionar, meus músculos se contraíam, fazendo com que minhas costas doessem. Quando um dos lados do meu corpo se cansava, eu virava para o outro lado. Estava ficando impossível permanecer assim. Finalmente resolvi pegar outra pele a alguns metros distante de mim. Só então me aqueci. Mas, a essa altura, meu sono, já havia indo embora.

Totalmente desperta, também tinha consciência de que o mesmo se passava com Guilherme, ou pior, já que ele estava ao relento e exposto ao vento.

Sem fazer qualquer barulho, coloquei a cabeça na abertura da barraca. Tive que me segurar para conter o riso.

Apesar de eu ter lhe dado a pele mais grossa, ela também era mais curta e, claro, o tamanho do romano não ajudava. Quando puxava a pele para cobrir a cabeça, os pés ficavam desprotegidos. Cobria os pés e descobria os braços. Também tentou se encolher sem muito resultado.

Fiquei sensibilizada. Ele abriu mão de seu conforto pelo bem estar de Erick e Verônica, sem que ninguém lhe pedisse. Me aproximei e toquei em seu ombro falando baixinho.

"Guilherme!"

"O que?" – ele se virou me olhando surpreso.

"Entre na barraca. Tem espaço para nós dois."

Ele se sentou, erguendo a sobrancelha e me olhando desconfiado.

"Está me chamando para dormir com você?"

"Não, seu idiota. A lógica é clara. Você congela aqui, fica doente e eu vou ter o trabalho de te curar novamente. Para o meu bem, entre naquela barraca agora!"

Fiz meia volta e entrei. Não demorou muito para que ele, muito acanhado, segurando sua pele, fizesse o mesmo.

"Preste atenção." – expliquei – "Ambos estamos com frio. Juntos, podemos nos aquecer e dividir nossos recursos, ou seja, as peles e a barraca. Ou, ficamos separados e congelados. Entendeu? E não se atreva a tentar nada."

Deitamos de costas um para o outro, mantendo uma boa distância entre nós, o que permitiam as peles, já que havíamos colocado umas em cima da outras.

"Maldito frio!" - resmunguei. Não havia sido uma boa idéia eu ter ido lá fora. Agora estava gelada.

"É." - ele respondeu desconfortável com nossa proximidade.

Tentando não puxar de mim as peles, virou-se de barriga para cima. Eu o observava de soslaio, ainda de costas para ele.

Percebendo que eu o olhava, fixou os olhos em mim. Levantou um pedacinho da pele que nos cobria, me convidando.

"Calor corporal?"

"O conceito não me é estranho." - respondi na defensiva.

"Quer testá-lo? Sem segundas intenções, é claro. Como você disse, não é uma boa idéia pegarmos uma pneumonia." - ele insistiu.

Virei de barriga para cima, ficando lado a lado com ele. O calor começou a se espalhar sob as cobertas, mas ainda assim não era suficiente. Pelo menos, o lado do meu corpo que tocava o dele, estava começando a se aquecer.

Ficamos durante alguns minutos olhando para cima, sem falar nada. Nenhum dos dois estava muito à vontade com aquilo.

"Isso é a sua perna?" - senti o peso sobre a minha.

"É. Desculpe, vou..." - ele fez menção de retirar, mas eu o detive.

"Não, não, até que ficou melhor assim. Estou começando a me sentir mais quente." – ainda continuávamos olhando para o teto. Ele fechou olhos, pareceu que ia tentar dormir. Fiquei olhando-o - "E você?"

"Sim, sim, para mim está bom. Mas, sabe..." - ele foi se virando de lado, de frente para mim - "Talvez se eu mudar deste jeito."

Fiz o mesmo que ele, ambos com as mãos encolhidas no peito, mas agora, bastante próximos. Sorri, sem jeito. Como eu podia ficar tão desconcertada pela proximidade daquele homem? Agora entendia como Verônica se sentia perto de Erick.

"Acho que agora melhorou." - consegui dizer.

Ficamos nos olhando. Nunca tivemos a oportunidade de fazermos isso durante tanto tempo e tão próximos. Eu não tinha vontade de tirar meus olhos dele.

"Que sabe se eu... colocar o meu braço assim..." - levantei minha cabeça para que ele esticasse seu braço, onde me apoiei.

Tinha de haver algo errado comigo. De onde surgiu aquela sensação maravilhosa só por estar em seus braços. Um romano? No entanto, não desejava que esse momento acabasse. Como pude resistir durante tanto tempo? Eu estava confusa.

Não podia ser. Eu o odiava. Ele representava um povo dominador, que estava disposto a tudo para conquistar e explorar, uma ameaça ao meu mundo. Não, mas ele não era assim, outra parte de mim intercedia. Na verdade, eu não o odiava, e sim o efeito que ele causava em mim. Odiava não ter mais controle sobre o que sentia.

Mas eu o havia humilhado de todas as formas possíveis. Por que ele se manteve do jeito que era? E por que estava fazendo isso? Será que pretendia despertar meus sentimentos como forma de vingança?

Não pude pensar em mais nada.

Ficamos nos olhando, enquanto nossos lábios foram se aproximando. Ele era transparente como um cristal: seus olhos me diziam que ele também estava em conflito com seus sentimentos, mas me desejava tanto quanto eu a ele. Como não poderia me entregar? Me entregar aos seus beijos, que me aprisionariam eternamente.


Verônica

Desde o casamento eu e Erick ainda não havíamos estado sozinhos e eu estava insegura sobre o que fazer e esperei que ele tomasse a iniciativa.

De frente para mim, tocava meus cabelos. Permaneceu assim por alguns segundos, me olhando fundo nos olhos.

"Há anos espero por esse momento, Verônica. Eu a amo, sempre a amei e sempre a amarei. Sou seu marido, mas não farei nada que você não queira."

Eu me aproximei acariciando seu rosto de feições juvenis. Beijei sua testa, seus olhos, seu queixo até chegar a sua boca de lábios macios.


Morrighan / Verônica

Ele soltou delicadamente os cordões do manto que eu usava, fazendo com que escorregasse para o chão. Minhas mãos soltaram a corda que prendia sua toga e ele a tirou pela cabeça. Soltou os cordões laterais de sua calça e a despiu. Seu tórax macio e firme exibia algumas cicatrizes de batalha. Seu desejo revelando-se por inteiro. Acariciou meu pescoço examinando-me da cabeça aos pés. Sorria. Um sorriso doce e terno. Sem nenhuma ponta de malícia. Apenas carinho e amor.

Senti seus lábios massagearem lenta e delicadamente meu mamilo direito. Não ofereci resistência. Ele prosseguiu acariciando meu seio esquerdo ao mesmo tempo em que sua língua contornava a aureola.

Subiu o rosto por meu pescoço até chegar a orelha cujo lóbulo mordiscou levemente. Senti um arrepio me invadir ainda mais forte. Beijou-me os lábios e eu sorri. Não parecia ter pressa. Eu não tinha pressa. Enterrou o rosto em meu colo sentindo a textura e o aroma. Ao mesmo tempo acariciava-me o corpo com total liberdade. Deliciou-se com cada parte dele, descendo até o interior de minhas coxas. Suspirei e ele deu um sorriso lindo. Naquele momento qualquer tensão ou medo, se é que ainda existiam, desapareceram por completo. O que mais ele queria era sentir meu sabor e me dar prazer.

Abriu minhas pernas e colocou o rosto entre elas. Sugou-me com delicadeza e arqueei o corpo, invadida pela deliciosa tortura. Colocou minhas pernas sobre seus ombros, abrindo ainda mais o caminho a sua frente. Sentiu o prazer da abertura molhada e prosseguiu. Suspirei fundo ao mesmo tempo em que mordia os lábios. Invadiu sem receio meu centro de prazer enquanto me puxava ainda mais para si. Aumentou a pressão e continuou até que eu chegasse ao ápice.

Ele ergueu o rosto e me olhou. Meu amor sorriu e se inclinou beijando-me apaixonadamente os lábios, uma, duas, três vezes. Ajoelhou-se diante de mim. Acariciei seu peito descendo até seu sexo, agora completamente ereto. Ele me segurou os braços e os ergueu acima de minha cabeça, em uma clara indicação de que, naquele instante, ele era o amo e senhor. Beijou-me uma vez mais.

Roçou o membro em minha barriga descendo de forma deliberadamente lenta. Descansou-o em meu púbis.

Colocou as mãos sob minhas nádegas e a ergueu, abrindo-me ainda mais as pernas. Escorregou até a entrada molhada e massageou mais uma vez o centro de prazer. Ele não foi ao meu encontro. Ao contrário me puxou para si, penetrando-me tão lentamente quanto possível, sentindo aquele delicioso calor que aos poucos o envolvia. De joelhos, firmemente encaixado, me olhava de cima, ali, deitada. Meus cabelos, olhos, boca, os mamilos eretos, meu ventre, coxas. Meu sexo. Com as mãos firmes pressionou sensualmente os meus seios. Eu arqueei o corpo. Segurou-me os quadris expondo o membro. Investiu mais uma vez, e mais outra. Movimentava-se cada vez mais fundo e mais rápido. Eu o sentia invadir-me e cruzei as pernas sobre suas costas puxando-o ainda mais. Peguei uma de suas mãos indicando-lhe o caminho e (se é que isso era possível) enlouqueci ainda mais. Meu agora senhor pressionou fundo e gemi alto, assim como ele. Como em um balé nossos corpos dançaram harmoniosamente até cairmos um sobre o outro, relaxados, exaustos e felizes.

Finalmente puxou uma pele sobre nós, beijou suavemente meu ventre apoiando a cabeça sobre ele enquanto eu acariciava-lhe os cabelos até que dormisse. Com ele me abraçando confortavelmente, não demorei seguir-lhe o exemplo.


CONTINUA...

Fala sério. Merecemos review ou não?