Conselho: Leiam o capitulo anterior antes de começar esse! (ou, pelo menos, partes dele)
Não preciso pedir desculpas, não é? - Leva pedradas - Eu sei que demorou, mas se serve de consolo, eu continuo sem namorado, estudando de manhã e trabalhando a tarde como uma condenada, não existe mais vida social, e nos domingos (único dia livre) eu me dedico inteiramente em escrever. (Mesmo que as vezes não sejam Fanfics xD)
Dedicada á Lell Ly novamente, dessa vez por ela ser uma leitora tão legal ^^ E por escrever Bad Boy, uma fanfic que eu leio e que não sabia que era dela.
Dedicada também aos que lêem e não mandam reviews (Sim, isso é um incentivo para Reviews. Por favor, me digam que funcionou!)
6° Capitulo – Apaixonados!
Seus olhos pareciam tempestuosos. O azul e o vermelho se misturavam transformando a mágoa e a dor em um olhar conflitante, prestes a chorar de novo. Droga, quando aquilo acabaria? Parecia que nunca chorava o bastante. Quando achava que finalmente havia esquecido a voz de Neji soava em sua mente. De novo e de novo e de novo.
"Mas a consciência de Gaara não era que nem a minha."
- Cale a boca. – Ela murmurou, seguindo os cabelos vermelhos na multidão.
"Ele se sentiu mal com o que fazia e terminou com a Hanabi achando que ela se importava. E sabe o que ele fez depois Ino? Terminou com você. Alguma coisa estúpida sobre não querer te magoar."
- Não.
Era ele. Era Gaara. Seu rosto sério e seus olhos verdes sem emoção alguma. Ele segurava a mão delicada de uma garota dois anos mais nova. Era Matsuri. Cabelos e olhos castanhos, sem nada que a diferenciasse de todo o resto do mundo. Uma garota nem um pouco interessante, que só sabia sorrir e se vangloriar como se tivesse ganhado na loteria. Só Ino sabia que Matsuri realmente havia ganhado.
"Ele é um imbecil Ino. Que nem você e a trouxa da irmã dele. E sabe o que mais?... Nenhum de vocês vale a pena."
Eles estavam tão próximos. Ino podia sentir seu cheiro, a textura de sua pele, podia até sentir o gosto dele em sua boca, mas era tudo imaginação, porque quem provava de Gaara agora era aquela morena Matsuri. Nova namorada. Todos sussurravam a mesma coisa e olhavam para Ino procurando uma reação que nunca vinha.
Já fazia duas semanas. Duas semanas de tortura psicológica, escondendo os sentimentos por trás de quilos de maquiagem. Ela só estava tão cansada de ser boa. De dar espaço pra ele e tentar esquecê-lo. De tentar rir quando na verdade preferia sentir uma navalha abrindo seus pulsos. Tão cansada. Cansada demais.
- Hei Gaara? – Todos no corredor se calaram ao ouvir Ino chamar por ele. Os olhos verdes não demoraram a se encontrarem com os azuis. Parecia que os dele também estavam cansados. – Eu ainda te amo.
O silêncio foi opressor. Os rostos pareciam vítreos de tanta incredulidade. O cenário só voltou a ter vida quando Ino levou as mãos á boca, atordoada consigo mesma, os olhos azuis não demoraram a derramar lagrimas novamente. O que ela fizera?
Matsuri olhou para Gaara, a mão dele apertava a sua com força. Os olhos verdes dele estavam perdidos nos cabelos loiros de Ino que corriam para longe dali. Completamente estático. A morena sorriu sentindo os olhos pinicarem. Sabia o que fazer, e o faria, mesmo que isso custasse sua própria felicidade. Afinal, ela era comum demais para alguém como ele.
- Gaara-kun. – Sussurrou quando os comentários e fofocas inundaram o corredor novamente. Ele não a olhou. – Você pertence à Yamanaka-san. – Ele virou a cabeça tão rápido que podia ter quebrado o pescoço. – E ela a você. Por favor, Gaara-kun, dê mais uma chance á ela.
O ruivo pareceu perceber a morena pela primeira vez naquelas duas semanas e, por Kami-sama, como ela era bonita e brilhante. Demorou um tempo até encontrar as palavras novamente.
- Arigatou Matsuri. – E depois de um beijo rápido nos lábios dela, Gaara correu. Correu sentindo o coração doer de saudades. Ino o amava. Ele era um idiota traidor, mas ela o amava. E ele não precisava de nada mais para ser feliz.
(...)
Duas malditas semanas. Hinata lembrou no meio da aula, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha enquanto observava o desenho palito de duas garotas rindo no final de seu caderno. Fora Tenten quem fizera e embaixo dele, Hinata podia ler perfeitamente a palavra Sempre, desenhada num kanji caprichoso.
Como sentia falta da amiga. De conversar com ela e de ouvi-la falar mal de Naruto. De conversarem sobre a escola e rirem das piadas de Lee. A primeira amiga de verdade que fez. A melhor amiga que podia esperar. Claro que ultimamente também vinha conversando com Temari, e Temari também era uma ótima pessoa. Mas não era uma substituta. Era uma nova amiga. Outro tipo de amiga.
O sinal tocou e, como esperado, em menos de cinco minutos, a sala já estava vazia. Hinata percorreu o corredor na direção contrária do refeitório, ouvindo as conversas banais e fúteis das garotas e as risadas escandalosas de alguns rapazes. Nada disso era interessante.
Chegou à sala que procurava, olhou pelo vidro da porta e logo encontrou os cabelos castanhos amarrados de costas pra ela. Lee lhe contara que Tenten era sempre a ultima a sair do laboratório, desde o dia em que xingara Hanabi no meio do refeitório, limpar os béquers e pias dali era seu castigo. Fazia isso em todas as terças feiras.
Hinata observou enquanto Tenten terminava de lavar um béquer particularmente nojento e colocava-o para escorrer. Respirou fundo antes de entrar. Vinha planejando aquilo á dias.
- Tenten? – Sua voz quebrou a sincronia dos movimentos da morena que começara a lavar outro béquer. A garota se virou espantada, olhando Hinata como se ela fosse um tipo de aberração. – Precisamos conversar.
Tenten não disse nada, virou-se novamente e continuou seus afazeres, como se Hinata não estivesse ali. Mas não pôde evitar sorrir com a sua sorte. Assim que terminasse aquilo, iria procurar Hinata, seguindo o conselho de Lee para que ela conversasse com a morena. Para que as duas voltassem a ser amigas. Se havia uma coisa de que Tenten sentira falta, essa coisa era Hinata. Quer dizer, uma das coisas.
- Me escute, por favor. – A Hyuuga se aproximou ficando ao lado da morena na pia, tirando o béquer de suas mãos, empurrando-a para o lado, e começando a lavá-lo ela mesma. A Mitisashi pareceu confusa, mas continuou calada. – Eu... Eu não sei o que aconteceu Tenten... Mas... – Hinata colocou o béquer para escorrer e olhou nos olhos chocolates á sua frente. – Gomen ne.
E fez uma mesura profunda na direção da amiga. Ficou naquela posição por longos segundos até que ouviu claro como a água, um soluço baixo e reprimido. Levantou a cabeça um pouco chocada e encontrou o rosto de Tenten completamente banhado em lágrimas. Ela parecia tão inconsolável que Hinata a abraçou instantaneamente, como uma irmã mais velha.
- Me desculpe Hina-chan... – Tenten soltou em um suspiro, ainda chorando. Sua voz estava embargada e o ombro de Hinata já estava molhado. – Eu fui uma idiota... Eu... Não devia ter ficado como fiquei... É só que... Quando eu vi vocês dois se abraçando...
Os olhos perolados se arregalaram. Ela só poderia estar falando de... Então era isso que Tenten andava pensando? Que Hinata e Naruto estavam juntos? Ela provavelmente deveria ter presenciado aquele único abraço que ocorrera entre os dois. Enquanto eles falavam sobre ela. Sobre Naruto gostar dela. A Hyuuga mal pôde se conter ao ouvir aquilo, riu como se Tenten fosse uma criança que entendera errado a história da cegonha. Riu como nunca havia rido antes e a Mitisashi olhou pra ela, parando de chorar para presenciar o rosto alegre da melhor amiga.
- Tenten... – Hinata riu um pouco mais. – Naruto e eu? Por favor... – Tenten cruzou os braços, agora mais irritada do que triste. – Se você soubesse sobre o que a gente estava conversando quando nos abraçamos. – E gargalhou dessa vez sentindo lágrimas imaginárias se formar nos cantos de seus olhos.
- Olha Hinata, eu estava muito disposta a te perdoar, mas se você continuar rindo de mim desse jeito eu...
- Naruto-kun estava com medo de não ser o cara perfeito pra você. – Ok, isso com certeza fez Tenten se calar. Ela olhou Hinata por um instante, não havia vestigio nenhum de mentiras por ali. Seu rosto avermelhado pelas lágrimas ficou ainda mais vermelho quando a Hyuuga completou: - Porque ele já sabia que você era apaixonada por ele. E ele por você.
Houve um minuto constrangedor em que Tenten imaginou possíveis formas de enfiar a cabeça na terra e sumir. Ele gostava dela. Hinata e Naruto estavam conversando sobre ela e, sabe-se Kami-sama como, ele havia dito que gostava dela. E ela acreditava em Hinata, acreditava naquele sorriso bondoso e feliz que Hinata lhe enviava agora que Tenten sabia que estava errada.
- Ah, Hina-chan... – E voltou a abraçar a melhor amiga, apertando-a com força e com saudades. – Eu fiquei tão confusa. Eu... Droga... Eu pensei tanta besteira de vocês, principalmente depois de Neji me dizer para esquecer Naruto eu...
- Neji fez o que? – Hinata se separou de Tenten novamente, olhando-a com incredulidade.
E Tenten contou o episódio, lembrando-se exatamente das palavras que Neji usara para descrever Naruto. "Naruto só fica, transa e já era. Ele não se interessa por garota nenhuma por mais de uma noite." E conforme a Mitisashi contava era a vez dos olhos perolados se arregalarem. O que aquilo significava?
Neji era amigo de Naruto, deveria estar disposto a ajudar. Por Kami-sama, Neji não era cego a ponto de não perceber que Tenten e Naruto se gostavam. Então porque ele fizera aquilo? Tudo bem, ele era um cara frio e fechado, mas Hinata nunca duvidara da bondade dele até agora. Nunca imaginou que ele poderia ter sido a causa dos pensamentos ruins de Tenten. A pior parte era que ele sabia o que havia acontecido e não falara pra ninguém, não desfizera o mal entendido. Era o culpado da separação, não só da Mitisashi com Naruto, mas com Hinata também.
- Hina-chan? – Tenten chamou, tirando a Hyuuga de seus devaneios. – Tudo bem com você?
Não, não estava nada bem.
- Eu preciso ter uma conversinha com meu primo. – E estava quase saindo da sala á passos furiosos, mas se virou antes de atingir a porta. – E você precisa falar com Naruto.
- Mas...
- Sem 'mas' nenhum Tenten. Vocês já passaram tempo demais brigando pra, justo agora que descobriram que gostam um do outro, se ignorarem. – E saiu do laboratório sem dar espaço para que Tenten respondesse.
Mas o que ela poderia responder? Hinata estava certa, como sempre. Suspirou frustrada e olhou os béqueres ainda sujos sobre a bancada. Droga. Hinata poderia, pelo menos, ter lavado todos.
(...)
Certo, mas o que diria? Uma coisa era admitir o erro, outra, completamente diferente, era tentar concertá-lo.
Tenten sabia que não iria atrás de Naruto, esperaria a melhor oportunidade para conversar civilizadamente com ele. Bom, até a própria Tenten riu de sua escolha de palavras. Por favor, 'civilizadamente'? Ela e Naruto nunca tiveram uma conversa nem perto de civilizada, geralmente as conversas entre os dois eram de brincadeiras maliciosas, um tentando atingir o outro, como falaria com ele com seriedade assim?
Reprimiu um suspiro clichê quando o viu se aproximar dela, no corredor deserto, á essa hora todos estavam terminando o intervalo, andando com passos largos e um semblante tão determinado que chegava a dar medo. Ele não a olhava, ignorava completamente sua existência, o que só a fazia pensar que aquilo seria mais difícil do que parecia.
Tenten fechou os olhos esperando sentir o ar perfumado que passaria por ela junto com ele, mas não sentiu. Quando abriu os olhos novamente encontrou um par de olhos azuis a poucos centímetros dela, analisando-a com um sorriso perverso no rosto. Nada poderia tê-la deixado mais... Brava.
- O que foi babaca? Perdeu alguma coisa na minha cara? – Ela perguntou, empurrando-o e sentindo um formigamento gostoso na barriga ao perceber que a pele dele era firme e quente sob o uniforme.
- Talvez. – Ele respondeu e continuou sorrindo. Tenten revirou os olhos e ergueu uma sobrancelha, colocando as mãos na cintura esperando por uma resposta melhor. – Só fiquei me perguntando por que exatamente você fechou os olhos quando eu ia passar.
- Achei que estava obvio Uzumaki. – Ela respondeu sorrindo maliciosamente. – É pra não ver sua cara feia.
Foi a vez dele de revirar os olhos.
- Sei, sei. – Ele respondeu dando um passo na direção dela. – Tenten, você sinceramente precisa de algumas aulas sobre "Como mentir para o cara másculo por quem estou apaixonada".
- Você me chamou de Tenten. – Ela respondeu inebriada demais com a proximidade dos dois para negar o que ele havia dito.
- É o seu nome, não é? – Naruto respondeu, sorrindo de lado, passando as mãos delicadamente pela cintura dela para que pudesse trazê-la mais pra perto. Aproveitando a distração e o fato dela nem sequer tentar repeli-lo. Agora suas bocas estavam a centímetros uma da outra. As respirações se mesclavam, e os braços da garota já haviam subido sem permissão para a nuca masculina, acariciando os fios loiros do cabelo curto dele. – Ou você prefere Mitisashi?
- Não. – Ela sorriu recuperando o suficiente de razão para, pelo menos, parecer sarcástica. – Eu prefiro 'amor da minha vida'.
- Que brega!
- Ou 'rainha', quem sabe 'linda', ou talvez 'perfeita', ou até...
- Cala a boca Tenten.
E se beijaram. Primeiro um toque cálido de lábios, ainda com os olhos abertos, felizes demais para se fecharem e descobrirem que estavam sonhando. Mas depois do selinho de reconhecimento Naruto já estava certo que aquilo era realmente real, e vice e versa, por isso apertou o abraço em volta da garota, beijando com sofreguidão.
Suas bocas dançavam uma sobre a outra, ganhando espaço. As línguas pediam passagem enquanto as mãos se reconheciam. Ele já havia soltado os cabelos castanhos dela e jogado o lassinho longe. Naruto agora brincava com a boca delicada, sentindo a maciez dos fios chocolate sob seus dedos loucos para sentir muito mais.
- O que você acha... – Ele começou entre os beijos, tentando falar e beijar ao mesmo tempo. Sentia que precisava mais de Tenten a cada segundo que as unhas dela deslizavam pelo seu pescoço, deliciosamente tentador. – De eu te chamar de 'namorada' de agora em diante.
Ele preferiu ter ficado quieto, já que no segundo seguinte a boca de Tenten havia se afastado da dele, junto com todo o resto de seu corpo.
- Esta falando sério? – Ela perguntou, olhando Naruto como se ele tivesse acabado de dizer que era a favor de chutar crianças em berçários.
Ele tentou se aproximar novamente, sorrindo tranqüilizador, mas Tenten se afastou de novo, querendo uma resposta melhor do que os beijos alucinados dele.
- Está falando sério Naruto? – A Mitisashi perguntou de novo, pronta para bater nele caso ele tentasse brincar com aquilo. – Porque se você estiver mentindo eu corto seu pênis fora...
- Com os dentes?
Mas a brincadeira não foi levada na boa, antes que Naruto pudesse se retratar a morena já havia chutado uma parte sensível dele – aliás, a parte em questão -, deixando-o, literalmente de joelhos.
- Maldição! – Ele gritou num sussurro tentando evitar chorar de dor na frente dela e, com isso, parecer mais másculo. – Que droga você tem na cabeça Mitisashi? É sério, é claro que é sério. Não precisava ter me chutado pra que eu dissesse isso. Eu te amo sua desmiolada imbecil!
Por sorte, Tenten já havia parado de escutar na parte do 'É sério', e não ouviu o xingamento final. Por isso sorriu emocionada, com os olhos pinicando de lágrimas que não queria chorar. Jogou-se em cima dele, beijando-o ainda mais fervorosamente do que antes e Naruto até pareceu esquecer a dor, retribuindo o beijo com tanto carinho e devoção que o chão duro e frio do colégio fora completamente ignorado.
Tenten não podia ter imaginado maneira melhor de começar um namoro. No final, não havia sido preciso ensaio nenhum, aconteceu tão certo como geralmente era com eles. E agora lá estava ela e Naruto, aos beijos no meio do corredor. Sem se importarem com mais nada a não ser eles mesmos.
- Espera um pouco. – Tenten se afastou mais uma vez. – Você me chamou de quê?
- Droga.
Tão entretidos em serem eles mesmos que nem notaram a figura familiar no final do corredor. Sorrindo.
(...)
- Maldição.
Era a décima quarta vez que repetia aquilo, enquanto sua cabeça batia na parede do banheiro na farmácia. Seus olhos verdes se voltaram mais uma vez para a caixinha em cima da pia. Rosa é positivo e azul, negativo.
Ela suspirou. Fora burra, inconseqüente e, que droga, não conseguia nem sentir pena de si mesma. Sentou no vaso sanitário mais uma vez. O que faria agora?
- Sabaku No Temari é uma idiota! – Disse na terceira pessoa, na esperança de ter a ilusão de não ser com ela. Mas era. E foi nisso que ela pensou quando se levantou e saiu dali, esquecendo o palito com a ponta rosada caído no chão. Não era de seu feitio esperar milagres. E já havia chorado demais. Tinha que admitir: Aquilo acontecera com ela. E ela daria um jeito. Sozinha.
(...)
Certo, mas o que diria? Havia dado a dica para Tenten e não sabia como aplicá-la em si própria. Mas que droga. Sabia que estava brava. Que tinha que gritar com Neji. Ótimo, mas o que diria á ele? O que exatamente ele havia feito? Sido um péssimo amigo? Aquilo não era motivo para uma bronca. Muito menos uma bronca dela.
Hinata suspirou outra vez, percebendo que vinha fazendo muito daquilo ultimamente. Suas têmporas estavam doloridas, e ela teve que fechar os olhos quando o sinal tocou novamente, avisando que era hora de voltar para sala. Agora parecia ótimo não ter encontrado Neji. O sinal era a desculpa perfeita.
Ela só não deveria ter ficado tanto tempo de olhos fechados, já que acabou dando de cara com o peito de alguém mais alto que ela e acabando por ser amparada pelos braços de seja lá quem fosse antes de levar uma queda feia.
- Cuidado aí.
Seu coração gelou. Conhecia aquela voz. Aquele cheiro. Não precisou nem abrir os olhos para saber que estava em um corredor vazio nos braços de seu pior pesadelo. Em pensar que não havia visto Neji o dia inteiro e agora precisava desesperadamente dele. Nem se lembrava mais do porque estava brava.
- Sas... Sasuke-kun. – Gaguejou completamente indefesa, se encolhendo ao toque dele, olhando para tudo, menos para o rosto apático e sério que ele ostentava. Droga. Se ele ao menos soltasse seu braço, talvez o pavor fosse menor. – Eu... Preciso ir.
Mas ele não soltou seu braço, pelo contrario, apertou ainda mais a mão. Os olhos negros dele carregavam um sentimento que ela não reconhecia. Um sentimento que nunca esperou ver naqueles olhos sérios.
- Hinata. Nós precisamos conversar. - Droga. Droga. Agora ele a prensaria nos armários e iniciariam o 'quase estupro' e a pior parte é que o primo não dera sinal de vida o dia todo. Lembrou de novo. Estava ferrada. Morta. Desvirginada. – Eu queria te pedir desculpas.
E ela soltou o ar que nem percebera que havia prendido. Ele o quê?
- Você o quê? – A incredulidade foi tanta que a garota nem fugiu quando ele a soltou.
- Vim pedir desculpas. – Ele repetiu, colocando as mãos nos bolsos da calça e corando levemente, evitando olhá-la. Estava claro que o poderoso Uchiha Sasuke não tinha o costume de pedir perdão. – O jeito que te tratei aquele dia... Eu merecia muito mais do que o empurrão de Neji. – Ele estralou as costas sem perceber, como ainda pudesse sentir o baque no chão duro do vestiário. – Eu fui um idiota. Interpretei errada a situação. Desculpe.
- Eu não entendo. – Hinata negou com a cabeça, ainda chocada com tudo. O que Sasuke dizia não fazia sentido, mas pelo menos agora ela sabia qual era o sentimento escondido nas íris negras. Culpa. – Num dia você me empurra em um armário e quer tirar a minha calcinha e no outro você, simplesmente...
Cale a boca Hinata. Só perdoe e vá embora antes que ele resolva mudar de idéia. Mas sua razão acabou virando segundo plano quando Sasuke sorriu de lado, malicioso, erguendo a sobrancelha para a expressão que ela usara ao descrever o que ele havia feito. Ela corou ao notar o que havia dito também. 'Calcinha' não era o tipo de palavra que ela gostava de dizer em voz alta, mas na afobação do momento...
- Olha Hyuuga. – Ele começou, se apoiando no armário, coçando o queixo. – Sem querer ser chato, mas... Bom... Você não faz meu tipo.
- O que? – Cale a boca de uma vez Hinata!
- Eu pensei sobre o beijo que você me deu...
- Que eu te dei?
- E senti como se estivesse beijando uma irmã. Sabe? Meio nojento e estranho. – E ele fez uma careta de nojo tão fofa que Hinata sorriu mesmo sem querer, apesar de ainda estar visivelmente abalada com aquilo. – Eu sei que você sabe sobre o casamento arranjado... – E o sorriso dos dois sumiu. – Meu pai estava colocando pressão em cima de mim, pra que eu te pedisse em namoro. Naquele dia eu não estava bem então, bom, eu fiz. – Sasuke pareceu constrangido em admitir aquilo. - Eu ainda não sei o que aconteceu, mas semana passada ele mudou de idéia sobre aquela idiotice de casamento arranjado.
Eles ficaram se encarando por longos minutos. Hinata estava pensando onde o verdadeiro Sasuke poderia ter parado, porque aquele com certeza não era ele. E Sasuke, olhando o semblante confuso da garota, pensava que não seria tão ruim ser obrigado a casar com ela, mas não queria que ela lhe odiasse. Na verdade, iria pedir desculpas, mesmo que Naruto não houvesse lhe procurado e dito que deveria fazer aquilo. Aliás, como Naruto descobrira aquilo mesmo?
Sasuke sorriu ladino ao vê-la coçar o queixo como ele havia feito. Geralmente seu charme e popularidade atraiam garotas instintivamente. Nenhuma delas chegava a conhecê-lo, e nenhuma delas gostava dele pelo que ele realmente era. Elas mal o entendiam. Mas Hinata fora diferente, ele se sentiu atraído por ela, e ela parecia ter medo dele. No começo foi engraçado bancar o cara mal. Até seu pai começar a exigir que ele se aproximasse mais da garota.
Para piorar sua situação ainda tinha Sakura, que chorava e entrava em seu quarto no meio da noite só para brigar. Acordando a casa inteira com seu escândalo bizarro sobre como eles nasceram um para o outro. Por coincidência aqueles foram os dias em que Naruto começou a ficar anti-social. Somente hoje ele havia mostrado um sorriso de verdade para Sasuke. Sabe-se lá por que. Ou seja: estava em crise psicológica, com raiva, frustrado e sem amigo nenhum para que o fizesse pensar sobre o assunto.
Obviamente isso não justificava a maneira como havia tratado Hinata. Mas agora iria fazer as coisas certas. Decidira mostrar para ela quem realmente era. Um cara 'legal' e malicioso, com brincadeiras sarcásticas e ainda assim divertido. Era isso que ele queria que ela visse. Era um lado dele que somente Naruto conhecia e que ele estava disposto a compartilhar com a Hyuuga. Para o bem ou para o mal, se não ganhasse uma namorada, pelo menos faria uma nova amizade.
- Quer dizer que eu não beijo bem? – Ela perguntou depois do longo silencio, sorrindo alegremente. Era a primeira vez que não parecia apreensiva com a presença dele e era assim que Sasuke queria que ela ficasse.
- Eu não disse que você não beija bem. – Ele se retratou fingindo seriedade. – Eu disse que foi como beijar uma irmã.
- Nojento e estranho você falou. Isso pra mim é beijar mal. – Hinata afirmou com sua imensa capacidade de acreditar no lado bom das pessoas. – Mas se quer saber, foi como beijar um irmão para mim também.
- Um irmão muito forte e gostoso, não acha? – Sasuke sorriu de novo, tirando o fôlego dela com uma rapidez abrasadora.
- Um irmão 'modesto' eu diria.
Que droga era aquela? Eles estavam flertando? Como se Sasuke nunca houvesse tentado estuprá-lo no vestiário feminino.
- Está desculpado. – Ela riu de outra careta fofa dele, colocando uma mecha azulada atrás da orelha. – Me deve uma.
E antes que ela pudesse perceber o que estavam fazendo, ele já havia passado os braços em volta de sua cintura, trazendo-a para um abraço apertado e aconchegante. Sasuke ainda não conseguia acreditar naquilo. No poder incomum que Hinata tinha em não se restringir. Em esquecer os erros das pessoas, das dores e simplesmente perdoá-las como se fossem velhos amigos. Ele adorou aquilo. Aquela ingenuidade boa que poderia trazer tantos problemas. Por sorte, agora ele estaria ali para ela.
O abraço, porém, não teve chance de se tornar recíproco, pois no segundo em que Hinata sorriu sonhadora e começou a envolver o pescoço de Sasuke, uma mão forte, acompanhada de um Neji furioso, praticamente jogou Sasuke de encontro os armários. Apertando-o pela gola da camisa, quase o suficiente para fazê-lo deixar de tocar o chão. Os olhos perolados faiscavam.
- O que você pensa que esta fazendo Uchiha? – A voz soou baixa e ameaçadora. Hinata tremeu ligeiramente ao escutá-lo usar aquele tom, porém Sasuke sorriu de lado, empurrando Neji, fazendo-o soltá-lo. Olhando para ele com um desafio mudo brilhando nos olhos negros.
- O que você acha que eu estou fazendo Hyuuga?
E um segundo depois Neji reagiu, acertou um soco tão forte em Sasuke que ele cambaleou para o armário. E então foi a vez de Sasuke ir para cima. Socos, chutes e gritos raivosos. Obviamente não precisou de muito mais para que o corredor inteiro lotasse. Alguns gritavam 'Briga, briga, briga' enquanto outros ficavam apavorados e corriam chamar alguém da direção, um funcionário, qualquer pessoa que pudesse parar os dois caras mais populares do colégio. Os mais influentes.
Depois do choque inicial, Hinata havia tentado separá-los, com cautela, para não ser atingida, mas ainda assim preocupada. Quando previu um soco, particularmente forte, que Neji daria no adversário, seu corpo se moveu por instinto. Ela entrou na frente de Sasuke, em posição para que levasse o soco por ele, Neji se movia rápido demais para que conseguisse desviar.
- Garoto estúpido. – Anko cuspiu depois de empurrar Neji, no ultimo minuto. Á centímetros de encostar a mão em Hinata. Ele nunca ficou tão feliz em ver a professora de matemática na vida.
O corredor caiu num silêncio profundo. Anko mantinha uma pose ainda pior do que a que possuía em sala de aula. Sua aura negra estava evidentemente deixando tudo mais frio á sua volta. Seus olhos clínicos perceberam o sangue na boca de Neji, junto com alguns roxos nas maças do rosto. Sasuke também não estava muito melhor, tinha um corte sangrento ao lado do olho, e sua boca estava começando a inchar. Hinata respirava com dificuldade, mas parecia inteira.
- Os três... – Ela decretou. – Para a diretoria. AGORA!
Nenhum deles ousou contestar. Seguiram calados, Hinata no meio de Sasuke e Neji, o caminho inteiro até a diretoria. Com Anko atrás deles, de braços cruzados, resmungando alguma coisa sobre 'crianças idiotas' e 'exterminar aqueles lixos com vermífugos potentes'.
Eles entraram pela porta de carvalho do diretor um pouco apreensivos, encontraram o velho Sarutobi em sua cadeira, analisando alguns pergaminhos e papéis, rabiscando anotações e carimbando alguns okays. Ele não ergueu os olhos quando Anko começou a falar.
- Brigando diretor. – Começou ela, dando uma entonação três vezes mais grave para o que aconteceu. – Os dois 'garotinhos' aqui, e a donzelinha no meio. Provavelmente ela estava saindo com os dois ao mesmo tempo e eles resolveram se socar pra ver quem ficava com o premio no final. – Hinata se encolheu corando furiosamente, enquanto Neji e Sasuke, inconscientemente, fechavam as mãos em punhos apertados. – As garotas andam tão fáceis hoje em dia...
- Pode sair Anko. – O diretor interrompeu pela primeira vez, ainda não desviara os olhos do pergaminho.
A mulher pareceu hesitar por um segundo, depois bufou contrariada e saiu da sala. Então mais alguns segundos de silêncio tenso se passaram até que Sarutobi levantasse a cabeça, cruzasse os dedos com os cotovelos apoiados na mesa, e interpelasse os adolescentes em pé.
- Eu não quero saber o motivo da briga. – Ele iniciou com sua voz rouca e cansada. Parecia mais velho quando não estava exibindo seu sorriso carismático de avô bonzinho. – Perdi um filho. Um dos professores dessa escola. – Hinata engoliu em seco, havia ficado sabendo da morte precoce do professor Asuma, mas nunca ligara o diretor á ele. Aquela havia sido a fofoca da semana. – Não estou com vontade e nem com paciência para ouvir ladainhas adolescentes. Por isso, suspensão para os três. Vão para casa e depois conversaremos sobre isso.
E ao terminar, voltou a escrever em seus papeis. Os três hesitaram por um instante e depois se voltaram para a porta e saíram tão silenciosos como quando haviam entrado. Anko esperava por eles, encostada na parede do corredor com os braços cruzados. Parecia saber exatamente o que acontecera, seus olhos estavam meio avermelhados, indicando que provavelmente escutara a conversa.
- Seus pais já foram informados. O animal Uchiha irá esperar o irmão mais velho vir lhe buscar, enquanto os vermes Hyuuga podem sair, Hiashi-sama mandou um chofer particular.
Hinata engoliu em seco, justamente agora que as coisas com o pai haviam se normalizado aquilo acontecia. Droga. Em pensar que quando acordara sua maior preocupação fora saber se Tenten a perdoaria.
Olhou o primo de soslaio enquanto seguiam calados pelo corredor em direção á saída. Agora que toda a adrenalina se fora ela conseguiu perceber o verdadeiro estrago que acontecera nele. Neji estava com um risco avermelhado sobre a sobrancelha, uma das maças do rosto completamente roxa, sangue seco vertia de seu nariz e do canto de sua boca, também havia pingado sobre a camisa branca criando manchas enormes e um rastro que desaparecia sob o primeiro botão.
Observando aquilo, tudo o que Hinata conseguia pensar era: Bem feito.
A viagem de carro também ocorreu em completo silêncio, Neji percebera que a prima o analisara incontáveis vezes, sempre virando o rosto em seguida e murmurando coisas inaudíveis. Estava visivelmente irritada, de um jeito que ele nunca vira antes. Seus braços estavam cruzados e sua boca descrevia uma linha fina de insatisfação. Fosse por ele quase ter batido nela, ou por Sasuke ter tentado agarrá-la de novo, nada explicava o silêncio da garota. Para ele, o mínimo que Hinata deveria fazer era agradecê-lo por salvá-la mais uma vez. Aquilo parecia até rotina.
Ela saltou do carro antes mesmo dele estacionar e depois de um suspiro frustrado de Neji, ele a seguiu. Entrou na casa e, cruzando a sala de estar, entrou pela porta que conduzia a outra saleta, onde um sofá com estampas florais de três lugares se encontrava, abandonado, virado de frente para as portas de vidro que davam para o jardim colorido. A única parte colorida da casa antes de Hinata chegar. Ele se jogou no sofá sem animo nenhum, tentando formular desculpas convincentes para dar a Hiashi quando esse voltasse da empresa. Fechou os olhos sentindo uma dor lancinante no rosto inteiro. Maldito Uchiha, só acertara pontos sensíveis. Olhando o lado bom, Neji fizera o mesmo.
Um barulho baixo de passos o alcançou e logo o perfume cítrico de Hinata se fez sentir pelo ambiente. Ele não abriu os olhos para ver o que ela fazia, provavelmente queria lhe pedir desculpas pela grosseria e agradecê-lo, e depois chorar desamparada nos braços dele, como sempre. Mas não houve palavra nenhuma somente barulhos contínuos de coisas sendo abertas e molhadas.
Neji só abriu os olhos quando sentiu um pano úmido passar por sua testa, limpando o sangue seco. Hinata estava sentada á seu lado, completamente séria, manuseando o pano com delicadeza e firmeza ao mesmo tempo.
Ele observou-a morder a língua levemente enquanto fazia um curativo na testa para depois limpar o sangue de seu nariz. Neji notou como ela ficava linda concentrada e em como, naquela proximidade, ele podia ver a curvatura sinuosa dos seios dela por trás da camisa social branca do colégio. Engoliu em seco desviando o olhar. Obviamente sempre a achara bonita, mesmo que nunca admitisse, mas desejá-la era algo que ele experimentava pela primeira vez.
- Hinata... – Ele disse baixo, quase num sussurro, mas ela continuou a limpá-lo como se não escutasse. – Você está brava? – Neji se amaldiçoou por ter soado tão infantil. Era obvio que ela estava brava. Mas queria ouvi-la confirmar aquilo.
Hinata não respondeu, apenas apertou o pano em sua testa, fazendo doer. Bom, podia-se dizer que ele recebeu uma resposta, apesar de tudo. Os olhos perolados dela o observaram de soslaio novamente, estava tão brava por tudo, mas ainda assim, sabia que ele não havia feito por mal, Neji havia achado que Sasuke iria tentar abusar dela novamente, como ela mesma achou no começo. Ele só queria protegê-la, como veio fazendo desde que ela voltara a morar ali. Suspirou resignadamente ao vê-lo olhar para o outro lado, mal humorado, pela grosseria dela.
- Neji... – Hinata começou, limpando agora o lábio dele, sentindo os dedos formigarem em cima do pano úmido. – Eu queria...
- Se desculpar? Agradecer? – Ele cortou visivelmente irritado com tudo aquilo. – É o mínimo que você pode fazer por me tratar assim depois de ter salvado sua vida. – Cruzou os braços. – De novo.
Hinata estacou um segundo, incrédula. Ele estava fazendo birra? Era isso mesmo? O grande e malvado Hyuuga Neji estava agindo como uma criança mimada por causa dela? Bom, aquilo era no mínimo chocante. Seria até engraçado se ela não se lembrasse de que estava brava com ele.
- Como você é prepotente Neji. – Hinata soltou, se levantando e colocando as mãos na cintura, encarando-o em uma pose superior. – Eu não pedi pra você me salvar, pedi?
- E precisava pedir Hinata? – Ele se levantou também, olhando nos olhos dela com uma firmeza avassaladora. – Se eu não tivesse chegado á tempo Sasuke já teria feito um filho com a futura esposa. Ele estava te AGARRANDO Hinata!
- Ele estava me ABRAÇANDO!
- O que? – Neji perguntou incrédulo. Completamente pasmado com aquela revelação. – Você está defendendo aquele idiota?
- Ele não é mal Neji. – O Hyuuga bufou descrente. – Ele me pediu desculpas e...
- E VOCÊ ACEITOU? - Quando Hinata não respondeu, apenas abaixou a cabeça e olhou os próprios pés, Neji entendeu tudo. – Impressionante. – Ele sussurrou colocando as mãos na cabeça e se jogando no sofá de novo. Agora a dor estava completamente esquecida por trás da sua irritação inconformada. – Me diz só uma coisa Hinata... – Ele olhou para ela por entre os dedos. – Você é ingênua mesmo ou é burra? Porque eu realmente não entendo como...
- CALE A BOCA NEJI. – E ele se calou, olhando-a como se a visse pela primeira vez. E realmente, nunca a vira daquela maneira antes. Os olhos perolados dela estavam coléricos, e a sua postura parecia de uma líder brigando com um subordinado. Hinata exalava poder naquele momento. Tinha uma voz de comando tão ativa que Neji voltou a achá-la atraente, de uma maneira que Hanabi nunca pareceu para ele. Era a primeira vez que uma garota o mandava calar a boca. Era a primeira vez que alguém o tratava daquela maneira, o confrontava. E a sensação era... Estranhamente boa. – Escute aqui Hyuuga... – Ela lhe apontou o dedo, sua voz era ameaçadora e baixa. Incrivelmente sexy. – Estou cansada disso. Cansada de você. Cansada da sua maldita arrogância, e desse seu péssimo humor. Tudo que eu tenho feito desde que cheguei é chorar e agradecer você, praticamente implorar para o priminho bonzinho mudar seu jeito. Tenho novidades pra você, Neji. EU cansei de ser boazinha. De me segurar enquanto você machuca as pessoas e brinca com as vidas delas, fingindo que não se importa com nada além do seu maldito nariz.
- Hinata, eu...
- NÃO ME INTERROMPA. – Ela gritou exaltada e ele se encolheu. – Quando a Tenten me disse que você era o maioral da escola eu realmente pensei que aquilo era uma coisa boa. Mas depois... Droga. Olha o jeito como você trata o Lee. Ele te considera um irmão, e por causa de uma briga qualquer, você nunca mais fala com ele. Finge que não sente nem falta. E claro, também tem o Naruto, você praticamente foi o pior amigo com ele. Apunhalou o romance dele com a Tenten sem piedade nenhuma. E não é só isso. O jeito que você trata os mais novos, e as garotas... Como se fosse o rei da escola e merecesse respeito, sem fazer nada para realmente merecê-lo.
Ela começou a andar de um lado para o outro na frente dele, com as mãos na cintura, e tudo o que ele conseguia pensar era em como as pernas dela pareciam macias por baixo da saia do uniforme.
- E também tem a mim Neji. – Hinata adquiriu um tom mais magoado e ele se obrigou a prestar atenção. – Eu sei que tenho sido um fardo pra você. Eu sei que tudo o que você quer desde que eu cheguei é que eu vá embora. Você já me deu várias dicas disso. – E ela riu amargurada, lembrando-se do primeiro dia de aula. – Me desculpe se eu te desagrado tanto. Se eu fico no seu caminho e se, às vezes, você é obrigado a agir como um irmão mais velho por ordens do meu pai. – Ela se abraçou um momento, evitando cair no choro, e aquilo doeu em Neji mais do que os socos de Sasuke. – Eu sinto muito se eu atrapalho a sua vida. – Ela suspirou mais calma, porém ainda tentando segurar as lágrimas. – Eu não queria estar aqui Neji. Não queria ter vindo para Tóquio e criado tantos problemas pra você. Mas agora eu não posso mais voltar. – Uma lágrima escorreu traiçoeira pela sua bochecha. – Mas eu te prometo, vou tentar me manter afastada até o final do ano. E assim que conseguir convencer meu pai, eu vou embora de novo. Mesmo que doa ficar longe de você.
O coração de Neji parou por um segundo ao perceber que o rosto de Hinata estava igual aquele dia, do cemitério, naquela tristeza mórbida e ainda assim, irrevogavelmente linda. Ela virou o rosto para ele, respirando fundo duas vezes, contendo as lágrimas que já não agüentavam mais ficar dentro de seus olhos. Hinata parecia tão infeliz, tão chateada com tudo e consigo mesma que Neji quis abraçá-la de novo, pedir desculpas. Quis chorar junto com ela.
- Eu perdoei o Sasuke, Neji, porque eu não gostava dele o suficiente para ficar brava. Pra me importar com o que aconteceu. Se eu sentisse... – Ela soluçou, colocando uma mecha azulada atrás da orelha, contando até três para continuar. – Se eu sentisse alguma coisa mais forte por ele... Eu nunca teria perdoado. – Hinata sentiu o gosto salgado de uma lágrima. Os olhos de Neji eram somente dela naquela hora. Seu coração estava quase na boca. Tinha que dizer e correr, e depois convencer seu pai a mandá-la embora pra Roma de novo, não conseguiria conviver com o primo depois do que colocaria em jogo. – Você acha que eu sou ingênua e burra, mas eu simplesmente defino as pessoas com o grau do que eu sinto por elas. – Ela respirou fundo. – Se você tivesse feito o que o Sasuke fez, teria doido mais e eu nunca te perdoaria Neji. – Ela desviou o olhar e andou na direção da porta, deixando-o para trás, estático, completamente sem fala. – Porque é por você que eu estou apaixonada.
Houve apenas um segundo de hesitação, e Hinata nunca chegou a sair da sala. Neji se levantou tão rápido que ela se assustou ao ver a porta se fechar a sua frente. Ao sentir o braço forte e quente dele se enroscar em sua cintura. Ao sentir o corpo másculo prensá-la contra a madeira da porta, apertando-o com um vigor irreparável.
Ela demorou em compreender que os lábios dele eram aquela carne macia que machucava os dela. Seus olhos estavam arregalados em descrença enquanto Neji a comprimia mais, implorando mais daquele beijo. Aquele encostar de bocas, avassalador, que a tirou do chão e a levou para o céu.
Descargas elétricas descontroladas atravessaram o corpo dos dois. Neji percebeu o quanto esperara por aquilo, toda a tensão que estava dentro dele e que culminava para aquele ato impensado e incrivelmente delicioso. Que tudo fosse para o inferno. Todas as suas promessas de não se interessar por ela, que tudo explodisse, ele não queria saber. Só queria sentir aquele gosto salgado e doce de beijo e lágrimas. Neji não tinha duvidas de que morreria ali mesmo, sentindo sua barriga repuxar e congelar e formigar e...
Quando os dedos masculinos escorregaram até as pontas dos cabelos dela, deslizando pelas costas esguias, a garota finalmente reagiu. Seus braços subiram vagarosos pelos braços de Neji, sentindo os músculos e a pele quente sob os dedos. Alcançando a nuca máscula e se prendendo aos cabelos lisos e finos. Hinata fechou os olhos, completamente entregue. Entreabriu os lábios. Agora não tinha mais volta. Estava nas mãos dele.
Neji passou a língua levemente sobre os lábios da prima. Não tinha mais consciência nenhuma do que estava fazendo. Queria senti-la, fundi-la a ele, mas não queria que ela se afastasse, não queria ir longe demais e perdê-la. Nunca havia ficado inseguro na vida, mas também seu coração nunca havia reagido á uma garota daquela maneira. Ela era única, especial, tudo de que ele precisava. Ele sentiu Hinata estremecer no segundo em que mordeu levemente o lábio inferior dela, delicadamente, sem querer machucá-la, provando o sabor incomum, sugando levemente em seguida, adorando tudo que era capaz de fazê-la sentir.
Desceu os beijos pelo pescoço alvo, cheirando-o e lambendo-o, ouvindo Hinata suspirar de prazer, trazendo-o mais para perto, com as mãos emaranhadas em seu cabelo. As pernas entrelaçadas se roçando sem qualquer pudor. Deixou marcas avermelhadas ali, mas pouco ligou, enquanto mordia levemente o queixo dela fazendo-a se arrepiar enquanto deslizava os lábios sobre sua mandíbula, com a respiração fazendo cócegas ao chegar em sua orelha.
- Não podemos continuar Hinata. – A voz dele era firme, porém pouco decidida.
Ela demorou alguns segundos para compreender as palavras de Neji. E quando finalmente conseguiu, sentiu o coração vacilar. A sensação de ter o primo sobre ela era impressionante. Era ótima. Os beijos dele e as caricias na cintura, tudo fazia com que os sentimentos explodissem. Não foi nem um pouco chocante perceber que era aquilo que queria. Que na verdade não havia lugar melhor para se estar do que nos braços dele. Ela estava pronta. Estava preparada. Aquele era o momento errado e Neji talvez não fosse a pessoa certa, mas era exatamente isso que Hinata imaginara para sua primeira vez. A primeira de muitas.
Estava pouco ligando. E daí que eram primos? E daí que Hiashi pudesse chegar á qualquer segundo? E daí que depois daquilo Neji provavelmente nunca mais falasse com ela? Talvez se arrependesse e sofresse com tudo depois, mas ela sempre fora o tipo de garota que pensava demais antes de fazer e pela primeira vez estava cansada de agir assim.
- Eu quero Neji. – As mãos dela saíram da nuca dele para sua face. Acariciando-o enquanto o olhava nos olhos. A decisão estampada nos perolados brilhantes de desejo. – Agora!
Hehehehe... Picante, eu sei xD
Juro pra vocês que a descrição deste capitulo estava assim:
6° Capitulo – Apaixonados! (clima de dia dos namorados!)
Ino vê Gaara e Matsuri juntos e acaba armando um barraco no meio da escola, grita que o ama na frente de todos e sai chorando. Hinata conversa com Tenten e descobre que foi Neji que falou para a Mitisashi esquecer de Naruto, ela muda as opiniões da morena e esta vai falar com o loiro, os dois acabam se beijando. Temari descobre que está grávida. Hinata não encontra Neji para poder brigar com ele, mas nisso esbarra em Sasuke que tenta agarrá-la de novo, mas Neji aparece e acaba numa briga com o Uchiha (AGAIN!). Os dois se socam e vão para a diretoria, suspensão para ambos e para Hinata que estava no meio. Os dois chegam em casa em completo silêncio e a menina vai pegar algumas coisas para limpar as feridas de Neji, tudo calada, ele pergunta se ela está brava com ele. Sim. Os dois conversam e brigam. Hinata diz estar apaixonada. PRELIMINARES DAS PRELIMINARES!
Viram? Nada de Sasuke e Hinata virando amiguinhos... Agora me digam: O QUE ME ACONTECEU? Por que eu ainda não descobri... Estou tão confusa quanto vocês, provavelmente. Talvez seja porque cansei de vê-lo como um Bad Guy no anime... É só uma suposição.
Beijos e Reviews!
