Nota: Saint Seiya não me pertence
Amor e Guerra
By Rafael1977born
Capítulo 7. Intermezzo
Cantata Prima- Dea della Saggezza
-Seiya Ogawara, quem é você na verdade? – Perdida em seus pensamentos, Saori nem nota o seu nome sendo chamado de forma insistente. Apenas na terceira vez, e quando é tocada pela pessoa, que ela desperta do seu transe. Seiya estava realmente dominando seus pensamentos.
-Ah, me desculpe...eu estava distr...JULIAN!
Saori abraça o homem que a estava chamando insistentemente com muito carinho. Julian Solo era um conhecido de longa data, uma vez que seus falecidos pais eram amigos da família Kido. Sempre o teve como amigo e confidente; talvez um dos poucos homens em que ela conseguia se relacionar. Inteligente, rico e muito bonito. Qualidades que fariam qualquer mulher se apaixonar perdidamente. Mas para ela, Julian era apenas um quase irmão. Infelizmente, o jovem não gostava muito dessa tratativa, pois seus desejos eram menos fraternais para com a jovem.
- A festa deve estar bem "interessante", uma vez que você estava praticamente fora de estação. Estava quase tendo que gritar seu nome bella mia. –Julian era italiano, e mesmo falando um japonês impecável, gostava de intercalar palavras e gracejos em sua língua nativa, especialmente com Saori. Até um cego poderia ver sua paixão pela jovem. Já a tinha pedido em namoro algumas vezes, e para infelicidade dele (e da mãe dela) ela sempre recusou, alegando serem apenas bons amigos. Gentilmente acatou o desejo da jovem, mas nunca se manteve distante.
-Estava pensando que não viria. Minha mãe havia perguntado por você, e ficaria arrasada se não aparecesse.
-Claro que jamais faria tal desfeita a ela. E muito menos a você. Cruzaria os sete mares para vê-las felizes. – respondeu, dando suas alfinetadas de sempre. Julian era adepto da filosofia da "água mole em pedra dura", e nunca perdia uma oportunidade de mostrar a Saori que ele era diferente dos demais homens, e que podia sempre contar com ele.
-Fico feliz em saber disso. É sempre bom contar com um verdadeiro amigo.
Foi um corte seco. Saori não gostava de agir assim com Julian, mas às vezes era necessário. Antes que a linha imaginária fosse cruzada.
Julian franziu a testa e não escondeu que sentiu o duro golpe. Providencialmente, um garçom se aproximou oferecendo uma bebida a ambos, que ele de pronto aceitou. Bebeu em um único gole, e depois fez uma expressão de quem não gostou.
-Blerg...o que é isso?
-Sake senhor. – respondeu o atendente de maneira cordial.
-Tenho cara de quem gosta de sake? Traga-me um vinho! – ordenou furiosamente.
-Mil perdões meu senhor. Irei buscar seu vinho de imediato.
Após a ordem do riquinho, o funcionário se retirou de cabeça baixa. Saori se sentiu indignada com a atitude do amigo. Às vezes Julian sabia ser um verdadeiro crápula. Havia sido criado entre a aristocracia européia, e na mente dele estavam enraizados os valores de que os que servem devem ser tratados como inferiores. Essa era uma das características dele que fazia Saori não se interessar pelo jovem de forma romântica.
-Julian! Não precisava ser tão ríspido com o garçom. Ele só estava fazendo o trabalho dele.
-O trabalho dele é me oferecer uma bebida de gosto assaz intragável? – respondeu, ainda mal humorado. Só conseguiu fazer com que Saori também o ficasse.
- Pois saiba que essa bebida "assaz intragável" é uma iguaria tradicional do meu país. Seria o mesmo que alguém insultar o vinho na sua casa. Se acalme e pare de destratar meus funcionários. E com licença, pois minha secretária está me procurando. Por favor, procure os meus pais. Eles irão adorar lhe ver. Conversaremos depois.
Saori foi ao encontro de June, que lhe gesticulava insistentemente. Enquanto ela se retirava, o olhar de Julian se fixou em sua direção. O que sentia pela jovem era mais que paixão. Era uma obsessão.
- Você pode fugir, mas não pode se esconder Saori Kido. Logo, você, e todo o seu reinado serão meus.
...
Saori se aproximou da amiga, e reparou que ela estava acompanhada de um homem, de cabelos loiros e encaracolados. Tinha um porte esbelto, grandes olhos verdes e segurava um gravador digital em sua mão.
-Saori Kido, quero lhe apresentar Aio...Alhori...hihihi..mil desculpas. Como é seu nome mesmo? – Se dirigiu a Saori, extendendo sua mão de forma cordial, enquanto sorria da confusão de June.
-Aioria senhorita Kido. Aioria Aupiotavis. Revista Cosmos. Somos uma editoria digital, que faz entrevistas com pessoas proeminentes nos campos de educação, artes e assistencialismo. Gostaria de fazer algumas perguntas sobre sua obra, a Palaestra, e sua assistente gentilmente se ofereceu para nos apresentar.
Saori confiava plenamente em June. Ela tinha um faro para boa publicidade. Por isso que era sua secretária executiva.
-Claro, vamos nos sentar ali naquela mesa, por favor.
Aioria começou a entrevistar a jovem, que relatou sobre a Palaestra, uma iniciativa da Fundação Graad de subsidiar bolsas de estudo para pessoas carentes, além de estimular a criação de institutos de ensino privados que se comprometessem em levar ensino de qualidade a baixos custos. Era um projeto audacioso, partindo da premissa que o saber era um direito universal. Nenhum ser humano deveria ser privado do direito de obter conhecimento.
Depois de algumas perguntas sobre o instituto, Saori é interrompida por Seiya, que se aproximou discretamente.
-Me desculpe Senhorita Kido, mas seus pais me pediram para lhe avisar que a esperam na Sala de Jantar.
-Claro Seiya. Obrigada. – disse de forma cordial, e com um sorriso bem gentil. Seiya se espantou com a atitude diferente da jovem, e retribuiu de maneira equivalente, lhe dando a mão para que pudesse se levantar. Por um instante, seus olhos se cruzaram. O castanho infinito com o verde cristalino. Ambos ficaram estáticos, olhando sem parar, um para o outro. Segundos preciosos se passaram, então Saori ruborizou. Largou a mão de Seiya e seguiu, se despedindo do entrevistador. Enquanto saia, Seiya não deixou de lhe acompanhar com os olhos.
Vendo a cena a sua frente, Aioria apenas sorriu e se dirigiu ao jovem segurança.
-Ela é de parar o trânsito não é mesmo? Como uma Helena de Troia. Aquele tipo de mulher pelo qual homens começam guerras. Morrem e matam...
-É verdade. - concordou sem tirar os olhos dela, e depois se virou para o repórter- E quanto a você? Consegui sua "entrevista"?
-Sim. As informações foram elucidativas e muito mais. Não só dela, mas de outros convidados. Acho que poderei traçar um perfil bem mais rápido. E pelo que estou vendo, você também conseguiu bem mais do que queria, não é mesmo "pégasus"?
-Seiya apenas sorriu, de forma cordial. –Às vezes, a vida nos surpreende, nos dando mais do que estávamos esperando. Certo "Leo"?
-Certo! – disse isso e depois seguiram cada uma para um rumo diferente, Seiya na direção de Saori, e o "entrevistador" para a saída da festa.
Cantata Secunda- Imperatore dei Mari
-18 horas antes da festa-
Julian Solo era um homem impaciente. Impaciente e exigente. Desde pequeno teve a melhor educação que o dinheiro poderia comprar. Mas instrução não tem nada a ver com caráter. Seu caráter tinha sido forjado com exemplos bem pouco louváveis. Diferente do que os livros de história contam, a aristocracia européia ainda era bem real. Não existiam mais imperadores e cavaleiros, mas o dinheiro continuava sendo o divisor de águas entre as pessoas.
Depois de alguns minutos na alfândega de Kyoto, dirigiu a sua limusine particular. Na porta, seu mordomo, Sorento, lhe aguardava placidamente.
Bom dia meu senhor. –Entrou sem cumprimentar o empregado. E porque deveria? Afinal ele era um empregado. Não precisava lhe dirigir a palavra. Dentro do veículo uma bela mulher lhe aguardava. Vestida de maneira elegante, longos cabelos encaracolados, olhos verdes escondidos atrás de um par óculos escuros.
-Meu senhor. – respondeu a bela mulher. Téllica Tissinos era secretária particular de Julian ha dois anos. Sua devoção para com ele era quase que a de uma fiel pára com seu deus. – Aqui estão os dados que desejou sobre os processos de incorporação dos estaleiros em Kyoto e Tókio. As informação adquiridas recentemente sobre os pacotes de ações estão corretas. E se algum infeliz "incidente" ocorrer, as cotas irão baixar muito no mercado, fazendo com que uma compra massiva seja possível com bons dividendos.
-Julian olha para sua bela secretária. Qualquer homem em sã consciência iria desejar ter aquela mulher. Sua beleza era como a das lendárias sereias, capazes de atrair os homens para sua perdição. Mas nesse caso, ela era quem estava encantada, enquanto o único descendente da linhagem Solo se mostrava frio como uma pedra de gelo. Seu interesse era outro.
A razão pelo qual veio ao Japão. A razão pelo qual vendeu sua alma para o demônio.
-Ótimo. Isso vai fazer com que minha viagem a esse país esquisito seja menos desgastante. Alguma notícia de Kannon?
-Não senhor. Desde Istambul, ele se encontra indisponível.
-Cancele os créditos dele. Como todo bom rato, ele vai sair de sua toca quando sentir fome. Quando seus recursos findarem, ele aparecerá.
No mundo dos negócios, informação era tudo. E nunca tinha encontrado alguém com informações tão boas como Kannon. Precisava dos serviços daquele homem misterioso, mas tinha em mente que era sábio não confiar nele. Suas característica e habilidades eram a demonstração cabal que não passava de um duas caras.
Julian chegou ao seu condomínio privado em Tókio, algumas horas depois. Tinha vindo ao Japão para fazer uma visita a família Kido, antigos amigos e sócios de seus pais. Detestava aquela família, aquele pais. Estava ali apenas para compor sua imagem. Uma vez que era o dono da Atlântida Corporation, uma das maiores empresas de navegação comercial do mundo, precisava de eventos assim para fazer negócios e descobrir intrigas. Nada como uma festa regada a bajuladores fracos a álcool, e filhas carentes de pessoas poderosas, para descobrir quem esta fazendo o que. Mas seu motivo em Tókio não era outro senão, Saori Kido. A beleza dela sempre lhe cativou, e ainda não consegue entender o porquê da rejeição dela a todos os seus predicados. Isso iria mudar. Ele faria isso mudar.
Depois de se instalar foi para o banheiro, uma longa piscina de águas aquecidas lhe aguardava. No meio de seu relaxamento, ouviu o barulho do vento sacudindo as cortinas do ambiente, algo que não deveria ocorrer pois as janelas estavam fechadas quando entrou.
Olhou para a porta de vidro que separava o ambiente da sacada e viu através dela um homem parado. Era alto e esguio. Estava com um terno risca de giz extremamente elegante, e estava olhando fixamente para Solo.
-Buonanotte Imperatore
O homem se levantou e se dirigiu para onde Julian estava. Ele se sentou mais próximo, onde seu rosto estava a mostra. Um rosto esguio, com olhos como lâminas. Esperou Julian sair da água e colocar um roupão. Secou seus cabelos negros e sentou ao lado do estranho.
- Espero que não tenha matado nenhum dos meus seguranças. Eles são caros.
- Não me julgue errado Imperatore. Aquilo foi apenas um teste.
- Um teste? Você falhou Mascara da Morte! Já era para os Kido estarem mortos.
- O jogo mudou. A menina, ela é bem interessante. Se a quer viva, vai ter que pagar uma adicional.
-Não estava no nosso acordo!- esbraveja com o homem. Tudo que ele faz é olhar para Julian de forma ameaçadora e se inclina direção do empresário. Solo se sente intimidado pela presença a sua frente e se contém.
- Agora teremos um novo acordo Imperattore! Eu me detive porque a menina seria um empecilho. Ela estava na sala com os país, quando eu entrei! Como você me disse que queria ela viva, não pude fazer o meu melhor. Isso deu tempo para a equipe de segurança dos Kido agir. Agora, você me pagara pela compensação de ter matado duas pessoas amais, e pelo infortúnio de não ter me deixado matar a senhorita Kido. Meus serviços são excelentes Signori. E aprendi desde cedo que se você é bom em algo, você não deve fazê-lo de graça!
-Julian engoliu a seco.A fama de Máscara da Morte era lendária. Não era uma decisão sábia contrariar esse homem. Já tinha entrado em um caminho sem volta. Não podia deixar pontas soltas.
-Está bem. Faça seu preço. Mas lembre-se: você não é o único assassino no mundo! Se acontecer alguma coisa com Saori Kido, o próximo que vai ter a cabeça a prêmio é você!
-Hahaaha. Muito boa Signore. É sempre bom fazer negócios para o grande Julian Solo, futuro "imperador dos sete mares".
Fez uma reverencia cheia de sarcasmo, e depois saiu pela sacada de onde tinha entrado.
-Arrriverdeci.
Enquanto assistia ao assassino desaparecer nas sombras, Julian só pensava em Saori. Era tudo por ela. Por ela iniciaria uma guerra. Por ela, destruiria qualquer um em seu caminho!
Cantata Terza - Cavalieri del Sagittario
Seiya acompanhou Saori a distancia segura, enquanto ela se dirigia para o salão de jantar. A festa já estava para acabar, e alguns convidados já haviam se retirado. O Salão central era um refúgio para se poder conversar assuntos de família. Geralmente era lá que a mãe dela apresentava algum novo pretendente a sua mão. O simples fato de caminhar até essa sala já alterava seu humor. E com Seiya atrás dela, ficava um pouco mais apreensiva. Não sabia como ele conseguia tira-la do seu normal. Sempre foi assim no passado, mas antes agora ele era um homem feito, e ela uma mulher mais sábia. Como esses sentimentos tão antigos ainda existiam? – E porque ele teve que ficar tão lindo?- pensou suspirando.
Chegou à grande sala, e lá estavam seus pais e um grupo de pessoas. Aproximou-se deles, enquanto Seiya ficava ao longe, em uma posição que lembrava um segurança de filmes de cinema, como "O guarda Costas". Riu levemente pela analogia. Até se lembrar que era um filme de romance. Calou o sorriso levando à mão a boca, como se estivesse recriminando a si mesma por ter dito algo que não devia.
-Venha minha princesa. - Chamou seu pai. Às vezes ele a tratava como criança, ainda mais na frente de todos. Não reclamava disso, pois era exatamente o que sempre desejou. Quando criança, ele era ausente, sempre em reuniões e viagens. Mas há três anos isso mudou. Após o acidente nos Alpes Suíços, ele se tornou um homem diferente. Melhor. Mais atencioso com ela e com mãe. Alguns males que vem para o bem.
Foi apresentada a alguns jovens empresários e a seus respectivos pais. Era mais uma daquelas sessões chatas de tentativa de relacionamento entre famílias. Um costume da mãe, de sempre "filtrar" possíveis candidatos a mão da filha. Era muito interessada nisso, pois Mitsumasa já era idoso, e não tinha um descendente masculino. Casar Saori com um bom partido era fundamental para manter a respeitabilidade da família.
Horas se seguiram, e a festa se encerrou. Seiya já fazia preparativos para voltar à área dos seguranças, quando foi interpelado por Tatsumi.
-Ogawara, o senhor Kido quer ter um particular com você. Venha.
Seguiu o carrancudo mordomo até a ala oeste, onde ficavam as dependências particulares. Numa grande sala, estava toda a família Kido, de maneira menos formal, sentados no sofá, conversando sobre amenidades e ocorrências da festa. Em outro canto, Saori e June conversavam descontraidamente.
-Eu o trouxe senhor.
-Por favor, sente-se meu jovem. Seyia acena dizendo que estava bem de pé. Na verdade estava fazendo uma varredura. Toda vez que entra em algum lugar procura todas as possibilidades de fuga, pontos de maior e menor perigo e analisa o lugar, tentando decorar onde se encontra cada mobiliário. Precisava estar atento a todos os detalhes. Via aquela casa como uma grande armadilha.
- Queria apenas lhe elogiar pela sua postura durante a noite. Não só da equipe de segurança, mas de muitos convidados. Disseram que você foi cortês e prestativo. Isso faz muita diferença
- Muito obrigado senhor. Estava apenas fazendo o meu trabalho.
-Sei que gostaria de se retirar para descansar, mas tenho um último pedido a fazer. Quero que proteja essa ala da casa durante a noite. Os seguranças estarão ocupados protegendo o exterior da mansão durante a madrugada enquanto os funcionários limpam a casa. Sua presença aqui, será tranqüilizadora. Poderia me fazer esse favor?
Tatsumi, June e Saori estranharam o pedido. Normalmente era Jabu que fazia esse serviço. Para Tatsumi então, era algo quase que surreal. Mas Saori estranhou especialmente a reação da mãe. Ela deveria ser a primeira a reagir de forma indignada. Não falou nada. Parecia até mesmo estar de acordo com a decisão.
-Papai, poderia falar com o senhor a sós? – Saori se levantou e foi com o pai até o grande piano de cauda que enfeitava ainda mais a bela sala. Longe o suficiente para poder conversar, na frente de uma grande janela com visão completa para o belo pomar, iluminado pela luz da lua.
Saori e Mistumasa começam a argumentar de maneira a principio amistosa, e depois ela começa a elevar o tom da voz. Yuki se levanta e caminha na direção dos dois. Nessa hora os sentidos de Seiya despertam. Sua intuição diz que algo estava errado. Começou andando levemente na direção da família, em seguida apressou-se em uma meia-corrida. Saori que o viu se aproximar esbravejou.
-Ei! Seu idiota! Não sabe que essa é uma conversa de família!? Ponha-se no seu...
Foi interrompida pelo segurança, que em um movimento rápido se atirou no ar, derrubando as três pessoas no solo ao mesmo tempo. Seguiu-se a seu movimento o som de janelas quebrando e um ruído similar a lâminas rasgando tecido.
Ficou sobre os três, enquanto a rajada de disparos seguia sem cessar. Mandou que engatinhassem para longe da janela. Ajudou Mistumasa primeiro, depois Yuki e Saori, que a essa altura estava quase histérica.
No outro lado da sala Tastumi fez menção de se aproximar, mas Seiya mandou ele se deter, e ao mesmo tempo proteger June. Nesse instante, puxa sua arma e a destrava. Esperou o fim dos disparos, e depois se posicionou na janela. Rapidamente identificou o possível ponto de onde os tiros vieram e respondeu de forma precisa na mesma direção. Durante alguns segundos se seguiu a sessão de disparos, entre Seiya e o franco atirador misterioso. Alguns momentos depois, o resto da equipe de segurança entra na sala, e os disparos cessam.
Seiya avistou o atirador correndo do pomar, para outro ponto da propriedade. Provavelmente notou que os alvos estavam protegidos, devia então fugir. Se dependesse de Seiya isso não ia acontecer.
Jabu entra na sala junto com outros seguranças, nesse momento Seiya grita para ele –Proteja-os! – E corre na direção da sacada pulando para o pomar, para surpresa de todos. Era um salto de quase seis metros. Qualquer pessoa normal teria fraturado os joelhos, mas em um movimento rápido de rolamento, o agente secreto se levanta e corre na direção do assassino.
O pomar formava um labirinto noturno, iluminado pela luz da lua. Tentou se colocar em um lugar defensivo, mas logo ouviu os zumbidos dos disparos em sua direção. Escondeu-se atrás de uma macieira, e esperou os disparos terminarem. O criminoso estava protegido pelo manto da noite, e tinha a escuridão como cobertura. Seiya então se lembrou de suas "flechas", a maneira como kiki chamava as munições especiais que havia lhe dado. Carregou a munição incendiária e esperou a nova rajada de disparos. Mas ela não veio.
Tudo estava em silêncio, exceto pela movimentação de seguranças na casa. O bandido iria escapar se ele não pensasse rápido. Percebeu que teria que agir agora. Correu de maneira transversal na direção da ultima posição que se lembrava do atirador. Logo os disparos recomeçaram. A única forma de fazer ele se mostrar era servindo como isca. Uma raja percorre o ar ao seu lado, e um dos disparos atinge seu ombro esquerdo. Ele rola no chão, e ao mesmo tempo dispara na direção da origem do disparo. Seu tiro é certeiro, atingindo uma arvore que irrompe em chamas, jogando o criminoso longe. Nesse instante, ignora a dor e corre na direção dele. Não podia mais disparar, a munição incendiária precisava de um tempo para "esfriar" a arma, então teria que encurtar a distância.
Agora seria corpo a corpo. Rapidamente se atira em cima seu adversário, que estava retirando a parte superior de sua roupa, em chamas. Ambos acabam rolando para fora do pomar, no início do jardim principal, chamado de Campos Elíseos.
Os dois travam uma batalha de golpes duros e precisos. Chutes, socos, apressamentos e tentativas de fratura. É uma batalha brutal e sem piedade entre os dois oponentes.
A equipe de segurança liderada por Shura e Jabu se aproxima apenas para testemunhar o fim da luta. O assassino puxa uma faca e tentar apunhalar Seiya, atingindo apenas seu peito, nessa hora o cavaleiro o desarma rapidamente, e inicia o combate de volta ao mano a mano. Em um movimento oportunista, o assassino coloca seu dedo indicador dentro do ferimento a bala, tentando desarmar Seiya através da dor. O estratagema funciona, e em seguida ele tenta dar uma chave de pescoço em Seiya. Aproveitando que estavam perto de um pilar, Seiya o usa como apoio, e num movimento acrobático, da uma cambalhota sobre ao adversário, se colocando na posição de aplicar a chave. Seus instintos são imediatos: quebra o pescoço do oponente, fazendo um ruído, que ecoa pelo jardim com o som de galho estalando.
Todos param ao ver a cena. foi realmente uma sequência cinematográfica, com um final não menos dramático.
Seiya recupera seu fôlego, e depois se ajoelha sobre o corpo inerte, tentando reconhecer o assassino. Era um homem de aparência árabe, com um rosto esguio e aparência desagradável. Não havia documentos, apenas um mapa da propriedade com algumas anotações em árabe e uma carta no seu bolso. Uma carta da morte. Além da carta possuía também um broche com o símbolo de um corvo. O mesmo símbolo estava gravado na guarda da lâmina.
A equipe se aproxima de Seiya, que leva a mão ao ombro, tapando o ferimento e escondendo o cordão. Todos olham para ela atônitos. Ele simplesmente pulou uma altura de seis metros, correu meio kilômetro, e conseguiu matar um assassino em combate corporal mesmo tendo sido alvejado por um tiro. Realmente, ele não era um segurança normal.
Você está bem? – pergunta Shura. Jabu apenas acena com a cabeça em sinal de aprovação, como se dissesse "Muito bem", enquanto coordena as equipes para vasculharem a propriedade.
-Sim, estou. Obrigado por se importar. E os Kido?
-Aldebaram está com eles. Estão seguros agora. Graças a você.
Seiya apenas sorri. Caminha em direção de sua arma e a coloca no seu coldre. Olha em volta e tem uma sensação nítida de estar sendo observado.
...
A longa distância, um homem de terno risca de giz observava a cena com um par de binóculos de observação noturna. Coloca-o dentro de seu porsche, e acende um cigarro. Seu comparsa estava morto, mas serviu a seu propósito. Tudo seguia conforme o que ele desejava, como um pastor levando suas ovelhas. Mas agora tudo parecia mais "divertido". Um novo elemento foi adicionado ao cenário.
Entra no veículo, e enquanto vira as chaves, dirige seu olhar para o céu. Dá uma tragada profunda, seguida de um sorriso largo e sádico.
-Ma que bella luna del cacciatore.
Fim do capitulo sete
