Doce Lar
-
No capítulo anterior:
-Eu realmente não sei o que Sirius pretendia. Quer dizer, ele provavelmente só quis tirar proveito da situação, que era quando ela estava se sentindo fragilizada, e se divertir. Eu entendo, perfeitamente. Você não precisa se justificar. - James podia ter impedido a avalanche de livros, mas não conseguira impedir minha avalanche de palavras. Acho que ninguém poderia tê-lo feito. Nem mesmo eu consegui. - E, bem, ela não quer nada com ele, sabe? Ela só quer que ninguém fique sabendo. Ele não precisa se sentir responsável nem nada, não que eu ache que o Sirius sequer tenha indícios do que significa se sentir responsável.
-Eu entendo, senhor. Transmitir-lhe-ei a mensagem. - disse James.
-
-Você sabe, a outra menina. A dos cabelos avermelhados.
-Lily? - James perguntou, quase rindo. Eu não consegui ver a graça. Principalmente no tom dele.
Judith riu também.
-Não seja bobo, não a nerd. - disse ela, cuspindo a última palavra com desprezo. - Sei que ela não representa ameaça alguma. A outra. A que veio te ver ontem. A alta, magra, dos cabelos castanhos, ainda assim, um pouco avermelhados. E um pouco mais velha... - cada palavra usada para descrever a outra garota veio como se fosse uma facada em meu peito. Alta, magra e dos cabelos bons, provavelmente na faculdade. Que ótimo. Como se a Judith não existisse, aparece outra pra complicar a minha vida. - Eu não me importo se vocês têm algum lance, ou já tiveram, sabe. Estou ok com isso.
-
-Se eu tivesse sentimentos por ele, por que acharia que é um erro?
-Por que sua melhor amiga também tem sentimentos por ele. - Duh. Acho que o raciocínio dela também havia ficado mais desacelerado. Precisava das minhas melhores amigas de volta. E ambas haviam sido roubadas pelo terrível e maléfico Sirius Black. E eu o odiava por isso.
-Ah. - soltou Marlene.
-
-Por que é óbvio que não existe ninguém melhor do que você no mundo, doçurinha da mamãe. - eu odiava esses apelidos carinhosos e melosos. Retorci a cara quando ela utilizou-se dele, mas ela simplesmente me ignorou. - E certamente não existe ninguém melhor do que você para o James. Iriam formar um casalzinho lindo.
Eu bufei.
-Você tem noção do ridículo que está falando? - perguntei, irritada. - Eu e James? Nojento.
-
-Lily... - ele falou, em um tom mais baixo que o seu original. Ai. Meu. Deus. Ele vai me beijar!
Ele ajeitou uma mecha do meu cabelo para trás da minha orelha e olhou para baixo. Para minha boca? Ai. Meu. Deus! Ele vai me beijar! Tal pensamento feliz ecoava em meu cérebro, fritando todo e qualquer neurônio que ainda habitasse tal local.
James sorriu. Por que ele está demorando tanto?
-Eu acho que o seu celular tá vibrando.
-
Capitulo seis: Reaparecido.
-Você 'tá calada. 'Tá brava comigo?
Eu suspirei profundamente antes de virar preguiçosamente a cabeça pra fitar os olhos curiosos de James, que revezavam sua atenção entre eu e a estrada que se estendia a nossa frente. A cena embaraçosa do dia anterior ainda se repetia em minha cabeça. E eu me perguntava: como eu podia ter delirado ao ponto de pensar que ele ia me beijar? Quer dizer, lembrando agora, realmente parecia que ele ia me beijar. Mas se ele realmente quisesse tê-lo feito, ele o teria.
-Por que eu estaria brava com você, James? - perguntei eu. - Só estou um pouco cansada.
Ele assentiu.
-'Tá bom então. - foi tudo o que James disse e então ficamos em silêncio novamente. Ele se concentrou em estacionar com todo o cuidado do mundo o carro no estacionamento da escola enquanto eu me perdia em meus pensamentos.
Quando James puxou o freio-de-mão e tirou as chaves da ignição eu abri a porta do carro e fiz menção de sair, sabendo que só o veria novamente na hora da saída. No máximo. Depois que havia voltado com a Judith, ele começara a almoçar comigo cada dia menos. Na verdade, ele não almoçara mais comigo na escola exceto por uma vez.
-Hm, Lily? - James me chamou quando eu já havia saído do carro. - Você vai voltar como pra casa hoje?
Eu me voltei para ele e respondi:
-Se você não tiver como me levar eu dou um jeito.
Ele assentiu, pensativo.
-Se você quiser eu posso te levar, mas...
-Não se incomode, James. Sempre posso contar com o bom e velho ônibus.
James me olhou com um quê de culpa no olhar e pediu desculpas.
-Não é nada. Você vai estar ocupado?
-É. Mais ou menos. - disse ele, esquivo.
Eu assenti e nós dois ficamos ali parados, sem assunto. James saiu do carro e fechou a sua porta e eu percebi que aquela era minha deixa para ir embora. Antes de ir, no entanto, James decidiu começar a puxar assunto:
-Nós conseguimos um lugar pra tocar esse fim-de-semana. - comentou ele, soando animado.
Bem, talvez ele não fosse se encontrar com a Judith, no final das contas. Talvez ele fosse apenas ver os detalhes do show.
-Que legal, James! - exclamei, realmente feliz por ele.
-É. Não sei se você percebeu, mas eu estou te convidando pra ir.
Confesso que fiquei um pouco surpresa, mas sorri.
-Então eu estarei lá.
À medida que fomos nos aproximando do portão de entrada outros alunos iam passando por nós e a maioria deles cumprimentava James. Eu me senti um pouco excluída e decidi apressar o passo deixando que ele ficasse pra trás pra conversar com algum dos amigos dele se quisesse, mas James apenas acompanhou o ritmo de meus passos. Em seguida, vimos a figura alta e esguia de Sirius, uma mão jogando os cabelos para trás de um modo elegante e displicente e a outra segurando frouxamente um cigarro. Marlene estava a seu lado. Aquela cena me deu um embrulho no estômago. Mas apenas até eu ouvir a voz de Marlene dizendo:
-Você é um idiota, Black.
Em seguida ela se virou para ir embora, e sobressaltou-se ao avistar a mim e a James. Sorriu beatificamente para nós e disse:
-Lily! Vamos indo?
Eu olhei rapidamente para Sirius para ver a sua reação ao que Marlene havia dito mas sua expressão era a mesma de sempre: arrogante e auto-confiante. Eu suspirei e dei um tchauzinho com uma das minhas mãos para Sirius e para James enquanto Marlene me puxava pela outra mão.
-Que cena foi essa? - eu perguntei, curiosa.
-Qual cena? - perguntou Marlene, fingindo-se de desentendida.
-A cena a qual você falou que o cara que você gosta é um idiota. - eu respondi, reagindo ao cinismo dela.
Marlene olhou assustada para todos os lados ao nosso redor para se certificar que ninguém havia escutado o que eu tinha dito.
-Não é o cara que eu gosto. É um imbecil qualquer.
Eu olhei-a com incredulidade. Agora atravessávamos o pátio da escola e íamos em direção ao prédio com as salas do segundo ano, e algumas pessoas passavam e nos cumprimentavam.
-E por que você está falando assim? Até onde eu sabia, era o cara que você estava meio que gostando.
Marlene bufou, e revirou os olhos, com um pouco de desprezo.
-É um idiota. Fumando na porta da escola, achando que isso é o máximo, dando piscadinhas idiotas e dando em cima de qualquer garota que passa, ficando com o ego todo inflado quando elas comentam sobre ele e dão risadinhas. E falando comigo como se nada tivesse acontecido. E eu achando que ia precisar dar o fora nele. Ele me dispensou antes que eu pudesse fazer alguma coisa. - ela despejou tudo rapidamente e raivosamente, praticamente cuspindo as palavras.
Ouvimos uma risada conhecida e em seguida uma voz feminina conhecida:
-De quem vocês estão falando? Parece realmente horrível. - Mary nos alcançou no corredor das salas do segundo ano e nós olhamos para ela em espanto.
Torcendo para que ela não tivesse ouvido o comentário sobre alguém fumando na porta da escola e o associado a Sirius, eu me apressei a responder:
-O Justin.
-Ah! - Mary exclamou, em sensação de reconhecimento. - Você nunca contou os detalhes sobre como foi com ele na festa, Lene.
Marlene deu um sorrisinho de desprezo.
-Horrível. Fico surpresa com o meu mau gosto. - respondeu ela, amarga.
-É uma pena que não tenha dado certo. - disse Mary. - Mas agora eu posso admitir que nunca gostei muito dele.
-E se eu e a Lily admitirmos que não gostamos do Sirius? Você esquece ele? - pediu Marlene, quase em tom de súplica.
Mary riu, achando graça e tomando o comentário dela mais como algo cômico do que como uma advertência.
-Por falar nele, eu o vi no portão. Estavam Sirius, James e Remus. Pareciam estar falando um assunto sério. Eu passei e eles pararam com o assunto, e nós conversamos por um tempo. Foi horrivel nenhuma de vocês ter estado lá, eu me senti meio desconfortável. Sem assunto, sabem? - falou ela, com um brilho sonhador nos olhos.
-Aposto que o babaca do Sirius estava no terceiro maço dele só hoje. - comentou Marlene, entredentes.
Eu olhei-a um pouco assustada. Toda aquela amargura seria logo estranhada por Mary. Se ela estivesse em seu estado natural e se o assunto não fosse o Sirius, obviamente.
-Não é como se ele estivesse nessa sozinho. - falou Mary, meio que na defensiva.
-Do que você está falando? - eu perguntei, curiosa.
-Bem, o único que não estava fumando era o Remus. - respondeu ela, se sentindo meio culpada por ter denunciado alguém.
Senti uma pontada de decepção no peito. Além de toda a minha visão politicamente correta sobre esse tipo de coisa eu ainda odiava cheiro de cigarro. Se eu tivesse algo com James algum dia, será que ia conseguir aturar cheiro de cigarro? Eu sabia que James raramente fumava, mas mesmo assim... Eu gostaria que ele parasse por completo.
-Ouvi dizer que a Judith não tolera cheiro de cigarro. - comentou a Marlene, com um ar pensativo.
E o que que o cú tem a ver com as calças?
-E daí? - perguntei eu, irritada por ouvir aquele nome tão cedo pela manhã.
-E por que o James iria querer ficar cheirando que nem uma chaminé ambulante se a namorada dele não gosta disso? - perguntou Marlene, como se estivesse perguntando algo para um deficiente mental. - Por que ele enjoou dela, eu digo.
Eu ri, de tão ridícula que a teoria dela me pareceu. Pelo menos à princípio.
-Isso é ridiculo, Lene. Por que ele não termina com ela de vez, então? - eu disse.
-Por que, como eu já disse antes, meninos pensam com seus órgãos genitais. - respondeu ela, revirando os olhos.
Mary suspirou.
-Isso é tão verdade. - ela disse.
Eu apenas assenti, pensativa. Na verdade, James terminar ou não com Judith realmente não contava muito, pois ele terminar com ela não significava ele querer alguma coisa comigo.
Estávamos atravessando o estacionamento da escola Mary, Marlene e eu, Mary nos acompanhando até o ponto de ônibus. Tudo parecia estar, aos poucos, voltando ao normal. O fato de Marlene ter voltado a enxergar que Sirius era, de fato, um idiota, contribuia para isso. E tudo o que acontecera na festa da Judith ficaria no passado. Menos o fato de eu ter demarcado a sala dela com meu vômito. Que vexame. E, ok, o fato de James quase ter me beijado ou de eu ter achado que ele ia me beijar quase nem passava pela minha cabeça. Só a cada meio segundo. E era isso que eu estava contando para as meninas naquele momento.
-Quer dizer, se ele não fosse me beijar, o que mais ele iria estar querendo fazer? - eu perguntei, confusa.
-É por isso que ele queria ficar fedido pra namorada dele! - exclamou Mary, excitada.
Marlene estava com uma expressão intrigada, considerando o que eu havia contado.
-Você tem que ver se o que ele sente por você é meramente fraternal ou se tem algo a mais, Lily. Se não vocês vão ficar nesse chove e não molha pro resto das suas vidas. - disse ela.
Eu ri.
-Eu sei disso, mas como eu posso ver isso?
Marlene já estava com as palavras na sua boca quando algo que ela viu a fez parar.
-Hm, aquele ali não é o James? Achei que você tinha dito que ele ia resolver detalhes do show agora na hora da saída.
Eu olhei para a direção que Marlene indicava, ao fim do estacionamento, e vi James em pé, ao lado de um carro vermelho. Conversando e rindo. Com uma moça. Alta. Magra. Dos cabelos castanho-avermelhados. Uma espécie de alarme apitou na minha cabeça. Eu quis fugir instantaneamente, mas quando eu vi, Marlene e Mary já estavam andando na direção dele, indo cumprimentá-lo.
-James! - chamou Marlene.
James olhou para nós três, surpreso.
-Hey! - disse ele, sorrindo.
A moça que estava com ele nos olhou, intrigada.
-Oi, Lily. - ele disse, quando eu me aproximei mais.
-Oi.
A moça pareceu mais interessada agora do que nunca, e deu alguns passos na minha direção.
-Então você que é a Lily Evans? - perguntou ela, simpática.
Eu assenti, meio desconfiada. Ok. E quem diabos é você, querida?
-Ah! Muito prazer, então, Lily! - exclamou ela, sorrindo animada. - Lorraine. - ela me estendeu a mão e eu a apertei. - Lorraine Potter.
Potter?
Eu olhei para James, surpresa. Mas James estava ocupado olhando para Lorraine com uma expressão de quem estava levemente curioso, e divertido. Enquanto Marlene e Mary me olhavam, em busca de alguma explicação.
-Potter? - Marlene perguntou, sem conseguir conter a curiosidade.
Lorraine riu.
-Sim, James e eu somos casados.
Foi a vez de James rir.
-Lorraine...
Alguém vai me explicar quem diabos é essa?
-Ah, vai me dizer que você não se lembra, Jamie! - ela disse, esquecendo-se totalmente de nossa presença e tocando demoradamente no ombro de James.
Jamie?
James pareceu esquecer-se de nós também.
-Tenho umas vagas memórias. - ele respondeu, rindo.
Em seguida os dois se olharam com um olhar cúmplice. Aquele olhar cúmplice que eu achava que era só meu e de James. Lorraine se voltou para nós:
-James e eu nos casamos quando ele tinha catorze anos e eu dezessete. - explicou ela. Ah. Mel. Dels. Eu sei quem ela é. - Ele era uma gracinha naquela época. Colheu algumas flores do quintal, comprou um anel - ela levantou a mão esquerda e eu pude ver no dedo anular um anel transparente e de plástico, daqueles que se compra na esquina por duas libras. - Agora não passa de um conquistador barato. - ela bagunçou os cabelos dele e em seguida os puxou, carinhosamente.
Eu não ia aguentar por muito mais tempo. Ela era pior do que a Judith.
-Então você é a filha da Emily Lloyd? A ex-mulher do Sr. Potter? - eu perguntei, sem precisar ouvir resposta. Era ela.
Lorraine sorriu.
-Sim, Lloyd era meu sobrenome de solteira. - respondeu ela, rindo.
James olhou para ela, divertido.
-Você não sai por aí se apresentando como Lorraine Potter, minha mulher não, né? - perguntou ele, sorrindo.
Lorraine sorriu.
-Não seja bobo, Jamie. Os nossos segredos são os que eu melhor guardei ao longo dos anos. Mas eu sei que a Lily não vai contar pro tio Eddie. Nem pra ninguém. Não é, Lily?
Eu forcei um sorriso.
-Claro que não.
Um sorriso se abriu nos lábios brilhantes de gloss dela.
-Você é uma fofa, Lily. - disse ela. - James tem sorte de ter uma irmã como você. Tomara que você consiga pôr um pouco de juízo nessa cabecinha oca que ele tem. - Ele não é meu irmão!, foi o que tive vontade de gritar.
-Eles não são irmãos. - Mary veio ao meu socorro e eu senti um assomo de gratidão por ela.
Lorraine deu uma risadinha.
-Foi bom te conhecer. - ela disse, dando-me um beijo na bochecha. - Mas James e eu já deveríamos ter ido. Não é, James?
James olhou no seu relógio de pulso, distraidamente.
-Acho que sim. Nós vamos em carros separados? Acho que dá pra te deixar em casa, Lily.
-Ah! - Lorraine exclamou, animada. - Seria demais! Parece que faz séculos que eu não vou na nossa casa, James. Posso te deixar em casa, Lily? O tio Eddie está lá a essa hora?
-Não, obrigada. - eu respondi, quase que imediatamente. - Eu vou para a casa da Mary. - inventei - Não se incomodem, se divirtam. Tchau. - forcei um sorriso e antes de dar as costas a eles acrescentei: - Também adorei te conhecer, Lorraine. Você é uma gracinha. Depois tenho que pedir os detalhes do casamento de vocês. Nós também temos que ir.
James me lançou um olhar intrigado e Lorraine sorriu. E eu me virei para ir embora. Era só o que me faltava. Mais uma. E pior que a anterior.
No final das contas, Marlene, Mary e eu acabamos por resolver ir no shopping, assistir a alguma comédia romântica que estivesse em cartaz e tentarmos nos animar. Ou pelo menos elas tentavam me animar dizendo volta e meia o quanto aquela Lorraine era uma vaca e que nada de real devia ter acontecido entre James e ela, já que a diferença de idade era tão grande. A idade. Grande coisa. Meninos adoram quando meninas mais velhas dão bola pra eles, e Lorraine com certeza dava bola para James. E apesar de James não corresponder explicitamente, eu seria capaz de apostar um rim na afirmação de que muito provavelmente ela foi algo como seu primeiro amor.
Não consegui me conter e liguei para James para ver se ele podia me buscar no shopping. Afinal, estava escuro e minha mãe havia me ligado dizendo que não gostaria que eu fosse de ônibus para casa e que ela iria ligar para James obrigando-o a ir me buscar se eu não ligasse para ele. Então lá estava eu entrando no carro dele, mau-humorada.
-Você não vai me contar com quem estava no cinema, não é mesmo? - perguntou James, curioso, assim que eu me sentei ao seu lado, dentro de seu carro.
-Você não vai me contar o que você e Lorraine foram fazer, não é mesmo?
James riu.
-Sério, com quem você estava?
-Com Marlene e Mary.
Ele riu.
-Eu não acredito em você. Você está de namoradinho, Lily? - acrescentou a última frase de maneira provocante.
Eu revirei os olhos, mas, em seguida, decidi entrar no jogo dele.
-E se eu estiver? Não é só você que tem o direito de ter namoradas por aí.
Ele riu.
-Claro que não. É alguém que eu conheça?
Eu já estava formando o 'NÃO' em minha boca, quando respondi, irônica:
-É. - e me arrependi logo em seguida.
Ele olhou-me, surpreso. Obviamente não havia captado a ironia em meu tom de voz.
-Volte a sua atenção para a estrada! - exclamei, exasperada, quando um carro o cortou pela frente, e passou a poucos milimetros do seu retrovisor.
Ele riu, descontraído.
-Era de se esperar que um namorado melhorasse o seu humor, Lily.
Senti o ódio se afluir em meu corpo, apenas com aquele comentário.
-Cale a boca, James! Eu te odeio! - eu gritei, irritada.
James apenas riu, novamente.
-Achei que já tivéssemos superado essa fase.
Eu lhe lancei um olhar assassino e calei a boca. Virei o pescoço uns 180 graus, de modo a evitar seu olhar zombeteiro, e fiquei em silêncio durante todo o trajeto. Desci do carro sem ao menos agradecê-lo, e ainda bati a porta com toda a força que fui capaz.
Entrei na sala-de-estar apenas para presenciar a cena mais bizarra daquele dia incomum. Mamãe, Sr. P e Sirius estavam sentados no sofá, tomando chá, e conversando calmamente. O chão ao redor de Sirius estava enfeitado com inúmeras malas grandes e cheias.
-Lily! - exclamou a minha mãe, sorrindo. - James! - ela acrescentou, quando James surgiu, atrás de mim.
Eu apenas continuei fitando Sirius, todo bem acomodado e largado no sofá, sem entender.
-O que você está fazendo ? - perguntei, sem me preocupar com os meus modos.
Sirius sorriu.
-Tomando chá.
James abriu caminho em meio às malas e sentou-se ao lado dele.
-Eu acho que ela quis dizer "O que você está fazendo aqui" - disse James, também sorrindo.
-Ah. - Sirius disse, esclarecido. - Bem, colocando desta maneira... Eu vou morar aqui com vocês, à partir de agora. - e abriu um sorriso angelical.
Eu senti um embrulho no estômago. Aquilo definitivamente não cheirava bem. E observar Sirius e James sentados ali no sofá, sorrindo inocentemente para mim, não ajudava em nada.
N/A: Pois é gente. Aqui estoy moi de novo. Não tenho muita coisa pra dizer hoje, eu acho. Tenho que responder as reviews correndo e depois voltar a estudar, por que amanhã é prova de maths e a geometria espacial e eu não nos damos muito bem. Apesar de eu gostar de trigonometria e porcentagem. Geometria simplesmente me afunda. Mas voltemos. No capítulo passado o engoliu uma parte do login do e-mail comunitário da JA. Na verdade, o login é livrosUNDERLINEarquivos, mas o não tava a fim de deixar o underline lá. Então alguns de vocês devem ter tido dificuldades para entrar no e-mail. Sobre os pedidos que vocês estão fazendo, um namorado pra Lily, um cara novo pra Mary ou pra Marlene, caras novos pra vocês, alguém pro Remus, Mary não ficar com Remus, James dar o pé na Judith, afogar o Justin, afogar a Mary... Bem. Alguns deles serão realizados. Outros não. Mas eu não vou acabar com o suspense, não é mesmo? Então, aguardem e verão. Os próximos capítulos estão escritos, de modo que eu meio que não me influenciei muito pelos pedidos de vocês, e sim vocês pediram coisas que eu já havia escrito. Mas bem, a minha mente é muito fértil, como vocês bem sabem, e prometo tentar não desapontá-los. Estava até pensando em realmente fazer um afogamento, depois da sugestão. Pra dar mais drama, sabe? Mas isso ainda veremos. A fic ainda tem muita estrada pela frente e muitos personagens novos aparecerão. Aliás, eu diria que o próximo capítulo é o capitulo para personagens novos. O que não significa que não surgirão mais personagens depois dele. E eu disse que não tinha muita coisa pra dizer e acabei me demorando aqui. Bem, as reviews me esperam, e depois a matemática. Obrigada por tudo gente. Continuem comentando e eu continuarei a postar em uma frequência agradável para vocês (sim, isso é uma ameaça, hahaha). E, sim, como vocês andam bonzinhos, vou deixar um trecho do próximo capitulo aqui:
-Ok, o seu desafio de hoje é arranjar algum louco capaz de ter alguma coisa comigo hoje à noite. - eu respondi, ligeiramente animada. James estaria ocupado ou tocando ou babando pela Lorraine. E eu decidi que não ia ser a otária que ia ficar sofrendo por causa disso.
-É um desafio, então.
Por hoje é só, crianças. Até mais ver ! Beigoz!
