Edward, Emmet e Jasper já estavam em Forks há um mês, e a nossa vida não podia ser mais perfeita: acordar tarde, namorar, sair, namorar, se divertir, namorar...

Logo as férias terminariam, e a faculdade estava à nossa espera. Era a última noite deles aqui, e eu havia decidido fazer uma surpresa a Edward, já que não nos veríamos por alguns meses – eu me entregaria a ele completamente, pela primeira vez. Foi com esse pensamento que chamei Rose e Lice para irem comigo ao shopping de Port Angeles, comprar lingeries.

- Eu ainda não me conformo que vocês não transaram até agora! – Rosalie dizia pela milésima vez (eu juro que ela está passando tempo demais com Emmet), enquanto Alice tentava controlar um ataque de riso, digo, tosse.

- E daí, Rose? Eu não estava pronta... – Comecei meu discurso pronto, mas ela me interrompeu:

- E você está pronta agora, Bella? – Estremeci e ela continuou: - Pois eu acho que você só está fazendo isso porque não quer perdê-lo para alguma vaca qualquer lá de Oxford. – Eu tentei revidar, mas Alice não permitiu, dizendo:

- Ela tem razão, Bella. Você não deve fazer nada se não estiver pronta. – Ela piscou para mim e eu disse:

- Só porque você está deixando o pobre coitado do Jasper na seca, não quer dizer que eu tenha que fazer o mesmo com o Edward. – Ela me mostrou a língua irritada e Rose ria, enquanto eu continuei: - E, além disso, eu estou pronta. – Disse mordendo meu lábio inferior. Bem, pelo menos eu acho que estou pronta...

Entramos em uma loja, a primeira que encontramos (e a única do tipo do shopping). Rose foi direto para a seção de fantasias (estou concentrando todas as minhas forças em não imaginar o que ela e Emmet fariam), e Lice se divertia me ajudando com camisolas e outras peças nada conservadoras. Ela separou metade da loja – o que me faz pensar que Edward não seria o único a se dar bem hoje à noite.

- Bella, estou indecisa. Leve os dois de uma vez, na hora você decide se usa o vermelho ou o azul escuro, dependendo do clima. – Se referia às mínimas peças que eu gostei, não sei como. Não me agüentando, disse:

- É, pode ser. Você podia levar aquela camisola rosa, que tal? Jasper iria adorar... – Eu sou má, eu sei. Ela corou violentamente (o que era uma raridade), e respondeu:

- Bella, você sabe que a gente não vai...

- Eu sei! – A interrompi. – Mas isso não significa que não pode ficar bonita para ele na hora de dormir. – Assim como eu e Edward, eles dormiam junto sempre que podiam.

- É...Talvez você tenha razão. – Ela sorriu e fomos procurar Rosalie, para finalmente pagarmos e irmos embora. Assim que a achamos a perguntei:

- Achou alguma coisa, Rose? – Me arrependi no mesmo instante, dado o olhar pervertido que ela nos lançou:

- Sim...Hoje à noite o meu ursinho se transformará em um lobo muito, muito mau...

- Eca! Rose, por favor! Ele é meu primo e a gente não tem que ouvir os seus planos... – Alice reclamou (ainda bem, porque eu corria o risco de vomitar).

- Ah, tá...Esqueci que vocês são virgens. – Ela ria enquanto eu e Lice revirávamos os olhos. Pagamos e fomos para a praça de alimentação...Bem, eu tentava enquanto elas cismavam em empacar a cada vitrine nova em que a gente passava.

- Alice, você já tem uma jaqueta igual a essa, só que preta. – Disse de novo. Era a terceira vez que ela queria comprar alguma coisa repetida hoje.

- Por isso mesmo! É preta, não rosa! – Disse como se eu fosse algum tipo de deficiente mental que não entendia que uma cor era diferente da outra. Humf.

- Tá, Alice...Compra de uma vez, assim você me deixa em paz! – Ela começou a me responder, mas Rose nos interrompeu:

- Ai. Meu. Deus. Das. Peruas. – Hã? De onde ela me tirou essa agora? Eu não sou perua! É bom ela estar se referindo a si mesma, e talvez Alice...

- O quê que você achou, Rose? – Alice perguntou ansiosa, se colocando nas pontas dos pezinhos para enxergar mais longe.

- Simplesmente os brincos perfeitos. – Ela correu ao outro lado do corredor, com os olhos na vitrine de uma joalheria, com Alice a seguindo com os olhinhos focados em um colar. Mas os meus olhos foram parar em uma coisa bem melhor: Edward estava na loja. Eu reconheceria aqueles cabelos cor de bronze e aquela bundinha perfeita em qualquer lugar.

Corri para dentro da loja, tentando surpreendê-lo, e, quando eu estava há cinco passos de distância, ele se mexeu e eu vi a pessoa para quem ele estava virado: era uma loira oxigenada, da marca "vadia barata de esquina", que foi treinada como uma cadelinha adestrada a responder ao nome de "Lauren".

Ela me viu e sorriu, e se dirigindo a Edward, disse:

- Esse é perfeito, querido...Eu adorei. – Puxou-o mais perto pelos cabelos (como eu fazia... – VACA! É bom as mãos sujas dela saírem do meu Edward agora!) e o beijou na boca. Puta! Cachorro! Meu mundo desmoronava na minha frente: o homem que eu sempre amei me traía. E, para coroar, ainda comprava presentes para ela. Isso não vai ficar assim...Ele não vai sair impune dessa. Ignorando que eu ia armar um barraco, elevei a minha voz um pouco e disse:

- Edward Cullen! – Ele se virou para mim, abobalhado.

- Melhor a gente sair, Alice. – Rose disse. Eu nem havia percebido que elas tinham entrado na loja.

- Bell, eu... – Ele começou. Não! Chega de mentiras, eu não ouviria mais nenhuma falsidade vinda dele:

- Eu vi, Edward! Por que você não me deixa em paz e fica com ela de uma vez? Qual é o prazer que você sente em me machucar?

- Não é a minha culpa, ela me beijou...

- Você bem que parecia estar gostando, querido... – Por mais que eu soubesse que era a vadia que estava falando, e aquilo era só para me irritar, o fato dele poder ter gostado foi uma das coisas que mais doeram.

- Não me chame de querido! Saia daqui, Lauren! – Meus olhos, involuntariamente, se encheram de lágrimas:

- Por que, Edward? – Eu tinha que saber...Ou aquela dúvida me consumiria para sempre. – Por que você se encontrou com ela, para começar?

- Eu precisava de ajuda...

- Lógico que precisava. – Desdenhei, magoada. – Afinal, já que não conseguia sexo com a sua namorada, por que não conseguir com a primeira vadia que encontrar por aí?

- Vadia não! – Lauren gritou, e Edward brigou com ela:

- Saia já daqui, Lauren! Ou eu juro que faço você ir à força! – Ela lhe lançou um olhar de escárnio, mas saiu da joalheria. Edward se voltou para mim e disse quase em um sussurro: – Eu te amo, Bell...

- Duvido muito, ou não se agarraria com qualquer uma por aí.

- Amo sim! Amo tanto que estava comprando um anel de noivado para você! – Como é que é? Pára tudo! Ele ia me pedir em casamento? Meu coração começou a se amolecer, mas eu não podia. Eu tinha que fazer o que decidi assim que o vi com Lauren, ou meu sofrimento nunca teria fim. – Pergunte à vendedora! – Apontou para uma mulher atrás do balcão que se encolheu ao ver que ele se dirigia a ela.

- Por favor, senhor. Não me meta nessa história. – Ela olhou assustada para mim. Nossa, eu devia estar com uma expressão de quem mataria qualquer um que passasse no caminho. Ela praticamente o implorou para deixá-la em paz, e eu interviria por ela, mas o meu estado atual só me permitia deixar a mente clara para um assunto.

- Diga se é verdade ou não! – Ele quase gritava agora, estava desesperado.

- S-sim...Era um anel de noivado. Este aqui. – Ela o entregou o anel, tremendo e ele arrancou de sua mão bruscamente. Com uma expressão mais contida, e calmamente, ele se ajoelhou na minha frente, brandindo o anel.

- Isabella Swan: eu sei que esse não é o melhor momento, que eu deveria ter feito as coisas da melhor maneira possível, mas dadas as atuais circunstâncias, eu imagino que seja agora ou nunca. Eu te amo acima de tudo, e quero ter você do meu lado todos os dias do resto da minha vida. Entenda que você é a coisa mais importante do meu mundo, você é o meu mundo. Quer se casar comigo? – Ele estava lindo fazendo aquela declaração, e eu engoli em seco: não podia me deixar levar, eu sabia o que tinha que ser feito. Arranjando forças não sei de onde, o respondi:

- Não. – Disse secamente, agradecida pela minha voz não ter se quebrado, denunciando que eu queria mesmo era gritar "sim".

- Como? – Ele quase chorava, e eu mesma me esforçava para conter as minhas.

- Não, Edward. Eu não posso.

- Mas...Por quê? – Ele estava desconsolado. – Eu juro que nunca a traí com a Lauren!

- Eu sei que não. Mas e com a Victoria? – Dei um risinho sem humor, havia passado tanto do limite da tristeza que não conseguia produzir lágrimas. Elas seriam insuficientes: eu estava histérica, o meu riso era sem vida, era triste. – Tudo sempre deu tão errado para a gente, não? Às vezes eu imagino que, se há o destino, ele realmente gosta de brincar com as nossas vidas, como se fossemos marionetes. Ele deve realmente apreciar em ver a nossa tristeza...De outra maneira, eu teria respondido outra coisa à sua pergunta.

- Então responda, Bell! – Ele tentou. E o fato de me chamar pelo apelido carinhoso que só ele usava não ajudava nada na resposta que eu sabia ter que dar:

- Eu não posso e não vou, Edward. Deixe-me explicar, por favor. – Ele acenou com a cabeça, ainda ajoelhado no chão com lágrimas escorrendo de seus olhos. – Por favor, não me interrompa. – Ele acenou novamente e eu continuei:

"Eu te conheço a minha vida inteira. Desde que a gente usava fraldas. Quando tínhamos apenas dez anos de idade, você disse que eu seria sua esposa. Você tem alguma noção da felicidade que eu senti? Eu o amava tanto...Mas aí aconteceu Victoria, e eu fiquei por um bom tempo sem te ver. Mais precisamente oito longos anos, nos quais eu me acostumei a não receber mais suas ligações e sonhar com você. Por mais que eu negasse a Alice ou qualquer outra pessoa, eu repetia para mim mesma que você seria o meu homem. Mas acho que eu estava apaixonada pela sua lembrança...

Então, depois desses oito anos, você me ganhou novamente, depois daquela briga causada por quem? Lauren. Mas tudo bem, eu podia sentir como se segurasse o mundo inteiro nos meus ombros, mas eu ignorei: eu o tinha para mim. Eu sei que eu prometi que não o deixaria...Eu ainda me lembro das suas palavras 'Eu te amo, Bell. Para sempre.', e isso valia para mim também: era para sempre dessa vez. Eu queria poder não te causar dor por causa disso, mas é inevitável: as coisas não vão voltar a como elas eram quando éramos crianças. Desculpe-me, Edward...Eu não posso ser o seu mundo, o seu futuro, porque o nosso passado sempre voltará para nos atormentar.

Você sabe que eu te amo, eu realmente amo. Mas eu não posso lutar mais por você, eu não tenho mais forças: eu não tenho como agüentar mais alguma Lauren. Eu não sei, talvez a gente possa ficar junto de novo...Em outra vida.".

Ele se levantou e me abraçou e sussurrou:

- Não, Bell. Por favor. – Eu não o respondi, simplesmente me virei e tentei partir. – NÃO! POR FAVOR! – Ele chorava muito, e eu não consegui mais segurar o meu choro. Olhando para o meu braço que ele apertava, eu disse:

- Edward...O jeito que você me segura, querendo me manter por perto, me dá a impressão de que eu não posso mais respirar. Na verdade, você é o meu ar...Eu nunca mais vou respirar. Mas eu sei o que é necessário para mim. Por favor, me deixe ir. – Ele não me soltou. – ME DEIXE IR! – Ele fez negou com a cabeça e eu respirei fundo, tentando me controlar para não aceitar o seu pedido de casamento. – Eu não vou me sentir bem comigo mesma se você não me deixar ir, Edward. Eu tentei, eu juro. Eu te amo...Eu tenho que me agarrar à esperança de que em alguma vida próxima a gente possa ficar junto. É a única coisa que vai me manter sã. Talvez você devesse fazer o mesmo. – Ele me largou e despencou no chão, com as mãos cobrindo o rosto:

- Bell, não... – Sua voz saiu abafada.

- Desculpe-me, Edward. – Eu me virei e saí correndo do shopping, queria sair dali mais do que tudo. Ignorei os gritos de Alice e Rose me chamando e corri para a minha Chevy (ainda bem que eu havia marcado de me encontrar com elas lá). Chegando em casa, fui direto para o meu quarto e comecei a arrumar as minhas malas – eu iria mais cedo para a universidade: Yale me esperava.

N/A: Vocês devem estar querendo me matar agora. *Treme de medo*

Bem, talvez eu poste mais alguns capítulos hoje... Até chegar na "real" história. Sinceramente? Eu tô ficando maluca sem comentários! Então, pela minha sanidade mental... Comentem!

- xoxo

Pâm P. =]