Capítulo 7 – Definições

Brennan entrou para o banho enquanto Booth trocava de roupa. O sabonete traçava círculos incertos na pele alva de Brennan enquanto Booth ajeitava o laço do moletom preto que ele usava para cobri-lhe as pernas. A água morna escorria pelos cabelos escuros da antropóloga enquanto Booth terminava de vestir a regata preta bem justa ao corpo. Brennan sentiu o peito queimar enquanto pensava nela e Booth juntos. Booth sentiu sede. Ela desligou o chuveiro e passou a mão no roupão pendurado ao lado do Box. Ele levantou-se da cama e dirigiu-se à cozinha. Brennan abriu a porta do banheiro e deu de cara com o parceiro, que passava alienado.

- Eu sempre soube manter a realidade em minhas mãos. Talvez eu tenha guardado, bem no fundo da minha consciência, a certeza de que o amor não pode durar e isso fez com que eu concretizasse esse pensamento com palavras. Eu mantive minha cabeça erguida, achei uma forma de suprir a necessidade do amor e segui meu caminho sozinha. Eu vivi assim toda a minha vida. Mantive uma distância tão grande e confortável dos meus sentimentos que me vi feliz com a solidão; era o bastante pra mim. Eu sempre soube que os sentimentos nunca, realmente, valeram o risco de perder tudo o que construí concretamente.

Brennan chegou muito perto de Booth. Ela pingava, de seu cabelo escorriam filetes d'água. Apoiando-se no braço imóvel do parceiro, enquanto colocava tudo para fora, Brennan não foi capaz de quebrar o contato visual um só segundo. A viagem que fez indo fundo aos olhos do parceiro foi inegável. Ao mesmo tempo viu incompreensão, medo, tristeza e alegria, seu reflexo... Era tudo tão perfeitamente paradoxal que em alguma outra realidade era claro como a luz do sol. Quando voltou a tomar consciência do seu corpo, sentiu que ela o observava como que olha debaixo para cima. Não fez questão de ficar na ponta dos pés para olhar-lo num mesmo patamar; era assim que eles eram.

- Eu não sei o que vai acontecer amanha ou depois, nem mesmo daqui a duas horas. Mas eu sei o quanto eu te desejo, Booth. E pelo que aprendi hoje, tenho que deixar meus sentimentos livres, para que eles possam fluir no curso certo.

Booth não movia uma só parte do corpo. Seu cérebro assimilava as informações de forma desconexa. As informações entravam por seus ouvidos e congestionavam sua mente. Era ela, linda, molhada, desesperada na sua frente, dizendo a ele o quanto ela o queria, qual era sua percepção do que estava acontecendo. Ficar estático era sua única reação plausível. Não tinha mais nada a sua frente a não ser sua parceira.

Brennan tremeu de medo. Numa fração de segundo, enquanto teve certeza de que fizera a coisa errada, enquanto fez menção de soltar o braço de Booth e prender-se no banheiro o resto da noite até que Booth fosse embora, sentiu que as mãos dele prendiam-na pela cintura e então soube. Soube quando os lábios dele conectaram-se aos dela e formaram o encaixe perfeito uma vez mais... Dessa vez, sem resistência. Mil coisas se passavam na mente de Brennan enquanto Booth fazia questão de colocar seu cérebro em ponto morto e deixar que seu coração comandasse seu corpo. Booth apertou um pouco mais seu abraço e tirou Brennan do chão. O beijo não terminaria nunca. Deslocou-se de volta ao quarto dela com a parceira nos braços, enquanto Brennan ocupava-se em prender os braços enlaçados no pescoço dele.

Já no quarto, Booth pousou Brennan no chão e descolou os lábios. Brennan ficou quieta, esperando o próximo movimento. Booth havia tomado as rédeas da situação – por enquanto. Eles se olharam por segundos que pareceram anos. Ele tinha olhos tão cheios de sonhos e possibilidades que Brennan hesitou milésimos de segundo até render-se a não quebrar aquela corrente novamente. Ela tinha olhos tão assustados e tão serenos... Quase ao mesmo tempo. O azul dos olhos dela estava pronto para puxar-lo para a imensidão clara e calma. O castanho dos olhos dele era convidativos, cheio de desejo, carregado de desejo.

Ele levantou a mão e deixou que esta pousasse sobre o rosto dela. O toque foi tão delicado, mas tão carregado que Brennan fechou os olhos instantaneamente. Ela queria continuar a olhar-lo, mas era uma força maior. Todo seu corpo pulsava. Seu sangue fervia na mesma proporção em que adentrava cada pequena caverna dentro de seu corpo. Teve a impressão de que se Booth não a segurasse em segundos, ela desmoronaria.

As ondas de eletricidade que percorriam o corpo de Booth sem que Brennan nem ao menos o tocasse eram estonteantes. Ele sentiu que cairia a qualquer momento. Por sorte, os dois conduziram um ao outro até a cama. Mas, antes, Booth abriu o roupão de Brennan e surpreendeu-se ao ver que a parceira estava totalmente nua... E literalmente toda molhada. Brennan deixou que suas mãos escapassem até o laço da calça dele e o desfizesse. A atmosfera estava tão carregada de sensualidade que talvez fosse possível detectar algumas faíscas.

Os dois caíram na cama e ninguém disse nada. Booth preocupou-se em registrar cada pequena parte desnuda de sua parceira. Se aquela fosse a última vez, ele teria que se lembrar de tudo detalhadamente. Com as mãos apoiando-se pela lateral do corpo de Brennan, Booth beijava, lambia e mordiscava tudo o que via pela frente. Brennan era incapaz de dizer o que sentia; sabia, ao certo, o quanto aquilo tudo era bom. Sem abrir os olhos, deixou que todos os outros sentidos participassem do momento. Sentia sua pele queimar a cada toque do parceiro. Era capaz de sentir, distinguidamente, onde a língua quente de Booth encontrava-se com as gotículas, agora geladas, do seu corpo molhado.

Nenhuma preliminar erótica seria necessária. Cada partícula no quarto pedia para que Booth introduzisse sua rigidez no interior de Brennan. Antes disso, ele a pegou pelas costas, juntou as mãos e a trouxe com ele. Booth sentou-se na cama e Brennan sentou-se por cima dele, ainda sem consumar o ato. As mãos de Booth percorrendo a maciez da pele de Brennan, os lábios sorvendo beijos selados de desejo e delicadeza, o calor emanado pela pele dele e tudo mais perceptível aos sentidos fizeram a antropóloga gemer baixinho próximo ao ouvido do agente. Foi demais. Ele conduziu a parceira até que essa sentisse toda excitação dele preenchê-la por completo. Foi uma dança que nenhum dos dois precisou aprender. Como em qualquer outra dança, como em uma real parceria, um conduziu o outro e eles foram ritmados. Brennan não perdia um só movimento de Booth. Não perdia uma só oportunidade de ouvir o amante gemer baixo e rouco próximo ao seu ouvido, deixando que seu hálito quente fizesse os pêlos de sua nuca e de todo o resto do corpo se eriçassem em resposta. Era tão intenso, tão quente e tão suave. Brennan quis deixar sua consciência de fora da jogada pela primeira vez. Quando deixou que sua consciência esvaísse, Booth provou que podia, pela primeira vez, ser superior. Não era uma disputa, mas Booth soube o que devia fazer quando Brennan largou-se em seus braços. Tão próximo do paraíso, ele quis que a parceira também conhecesse além do limite. Aumentando a intensidade, as investidas ficaram mais falhas a cada segundo e nenhum dos dois sabiam mais onde estava ou o que os esperava antes do território além. Entregues a um torpor eletrizante, sentiram tudo enrijecer. Tremeram juntos, braços enlaçados, lábios unidos. Deixaram que, lentamente, suas cabeças encaixassem-se nos lugares que lhes eram de direito. Nenhum dos dois queria mover-se e isso não foi necessário por um tempo que as palavras não descrevem.