SETE


Ela decididamente não queria falar. Talvez não confiasse mais nele, ou talvez não tivesse o que dizer de bom então preferisse ficar calada...

Ele negou aquilo dentro de si fortemente, não podia ser aquilo, não, ela tinha uma explicação, apenas não queria lhe dizer.

-Tudo bem, Sely, se não quer falar, tudo bem. Mas me prometa que não vai demorar a vir falar comigo quando se decidir.

Ela não respondeu.

O jantar começou e prosseguiu silencioso por um bom tempo. Se Riker bem se lembrava, sua irmã demorava a se acalmar, por isso ele decidiu esperar um pouco para recomeçar o assunto.

-O nome Tabata Eler significa algo pra você? A pergunta foi feita do modo mais despreocupado possível, entre uma garfada e outra na comida mas, pela reação dela a resposta era óbvia, Sheila engasgou na hora.

-Quem? - ela disse tossindo um pouco.

-Tabata Eler. Ela era o motivo da urgência pela qual o capitão me queria na ponte quando você chegou.

-Seu capitão é tão bom a ponto de não conseguir dar conta de uma advogadazinha que mal saiu da faculdade?

-Não era isso, o problema é que ela queria falar comigo.

-Sobre o que? -o descaso dela chegava a ser engraçado.

-Ela parece não gostar muito da idéia de você cumprir pena na mesma nave que eu sirvo... Mas você não respondeu a minha pergunta, a conhece?

-Sim, ela foi a advogada de ataque no meu julgamento. Na verdade, se houvesse pena de morte em Rigel II ela faria questão de apertar o botão da cadeira elétrica na hora da execução.

-Cadeira elétrica? - Riker não entendia o termo.

-Uma das formas de execução que existiram na Terra até mais ou menos o começo do século XXI. Nunca ouviu falar? - ele acenou em negativa - Bom, a ideia era pegar uma pessoa amarrá-la numa cadeira, ligar vários fios nela e depois descarregar um a grande quantidade de energia por esses fios em forma de eletricidade...Resumindo, eles tostavam alguém em poucos segundos com isso.

Riker fez uma cara de asserção.

-Nossa, essa Eler te detesta tanto assim...

-Se ela pudesse usar uma guilhotina acho que preferiria.

-Guilho-o-que? Ah, sim, essa era a que decepava a cabeça, não era? -Ela concordou - Nossa, e esse amor todo por você tem algum motivo especial?

-Talvez...

-Sim, claro, talvez, - ele não quis obrigá-la a dizer o que não queria de novo, mas para a sua surpresa ela acabou por responder.

-O problema, na verdade é que ela venera Jonh Dax.

-Jonh Dax?

-Um grande cientista de Rigel II. Eram dele as pesquisas que eu destruí... -E por que as destruiu?

Ele tentou, e conseguiu, não demonstrar o quanto a destruição de pesquisas causava repulsa a ele esperando que a irmã acabasse por explicar sua atitude, ele tinha certeza que, ao contrário do jure de Rigel II, ele a compreenderias, talvez não concordasse, mas compreenderia.

Mas ao invés de lhe explicar algo sua irmã pois a mão na cabeça como se ela doesse.

-Algum problema?

-Não. O que a Eler disse?

-Nada de mais, a não ser que ela pretende abrir uma petição contra a sua permanência aqui.

-O que? -Ela parecia nervosa - E quais as chances dela conseguir isso?

-Não sei, mas se ela conseguir apoio inicial a sua tese, talvez consiga que a Enterprise não saia da órbita de Rigel II, o que eu duvido que a Frota aceite.

-Então vocês teriam que me deixar aqui... - o olhar dela estava longe em algum ponto atrás do irmão.

-Bem, - ele disse tentando quebrar-lhe a tristeza - Mas isso só vai acontecer se ela conseguir abrir o processo em duas horas, o que eu duvido muito levando em consideração a velocidade dessas coisas aqui.

-Mas se ela conseguir o que quer, mesmo longe a Frota vai ser obrigada a me devolver...

-Se não tivermos como defendê-la, sim. Faz parte do tratado.

A tática de Riker pareceu não adiantar, o olhar de sua irmã continuava distante e triste.

Ele decidiu mudar totalmente de assunto.

-Ah! Mais uma coisa, você terá seções com a conselheira, todos os dias.

-Seções com a conselheira, sobre o que?

-Você vai descobrir.

-Peraí, vocês não podem me obrigar a fazer algo sem eu nem mesmo saber o que é.

Riker estreitou os olhos da forma que ele sempre fazia, com o direito estreitando menos do que o outro.

-Você está sujeita a qualquer ordem que a Frota lhe der, mocinha, e aqui na Enterprise a Frota somos nós do comando, por isso você vai ter aulas com a conselheira sim e espero que colabore com ela.

Ela não falou mais nada, o comandante, infelizmente, estava certo.