O Futuro A Nós Pertence


Disclaimer: Aquela coisa de "isso não te pertence maaaaaaais", tá ligado?


Bryndís tirou seu casaco felpudo, mostrando braços muito brancos e ombros sardentos. Seus cabelos negros eram curtos, mal chegando às suas orelhas. Seus olhos azuis e puxados a deixavam com um rostinho muito simpático, e suas bochechas eram levemente gordinhas. Seus dedos eram pequenos, assim como seus pés. Sua boca parecia um morango, de tão vermelha, e seu sorriso era estonteante, mesmo para uma "esquimó".

- Pessoal! – Ikki começou, quando todos se juntaram para ver a recém-chegada. – Essa é Bryndís Edmondsdóttir. A conheci num pub, em uma de minhas "peregrinações". Desde então, ela é minha melhor amiga. Sejam muito bonzinhos com ela, ou então enfrentarão minha ira...

- Calma, Amamiya. – Bryndís sorriu. – Não precisam me tratar como um bebê, Ikki é muito extravagante – assim como todos os leoninos. Só preciso falar com minha irmã...

- E quem seria sua irmã? – Saori perguntou, de longe. Sua resposta foi um grito de outro lugar.

- Systiiiiiiiiiiiiiiir! – Uma moça loira, de longos cabelos em trança, apareceu da porta dos fundos.

- Dawn! – Bryndís arregalou seus olhos pequenos. No momento em que ela corria para os braços abertos da irmã, Shiryu entrava na sala. O papo já rolava solto entre os cavaleiros, e o cavaleiro de dragão ficou um pouco longe de todos. As coisas estavam ficando extremamente claras em sua mente. Parecia que ele já sabia o que ia acontecer no futuro, só de observar os novos cavaleiros. Seus pensamentos sempre foram os mais lógicos de todo o grupo, e isso estava se mostrando mais real naquele momento. Ele olhou para os lados e viu os novos cavaleiros cochichando escondidos num canto. Foi até lá e deu um puxãozinho em Yuri, que o seguiu até o pátio vazio da Mansão.

- Fale seu nome. – Shiryu mandou, sério.

- Mas... Você sabe meu nome, senhor. – O rapaz falou, levemente assustado. Seu sotaque ficou mais acentuado pelo medo.

- O nome todo...! –O dragão não parecia com raiva, apenas ansioso.

- Yuri Alexei Yukida. – O rapaz disse, tremendo um pouco.

- Esse é o seu verdadeiro nome? Como sua mãe o chama?

Yuri ficou pálido.

- Yuri... Yuri... Hyogasson. – Nesse ponto parecia que o cisne estava a ponto de correr, de tão assustado que estava. – Por favor, senhor! Por favor! Pare de fazer perguntas!

- Você pode mentir, se quiser. – Shiryu falou, com um olhar sarcástico.

- Não posso. Fizemos uma promessa. Não mentiremos para nossos grandes mestres. – Yuri respondeu, olhando para o chão.

- Qual o sobrenome da sua irmã? – Foi a última pergunta do cavaleiro de dragão. Yuri ficou da cor do mais puro gelo. Não branco: transparente.

- Puta que pariu. – Ele praguejou, sabendo que não tinha para onde ir.

- Bryndísdóttir, não é? – Shiryu já sabia de tudo. Já sabia de todo o seu destino, e dos outros. – Nossa... Eu vou me casar mesmo com a Shunrei? – Não foi uma pergunta com desconforto, e sim esboçada por um pequeno sorriso. O loiro só acenou que sim com a cabeça.

- Por favor, senhor... Não... Não conte nada. Minha mãe vai arrancar minha cabeça fora... – Yuri parecia que ia chorar, tão vermelhos estavam seus olhos.

- Não se preocupe, Yuri. E pare de me chamar de senhor. Sou só dois anos mais velho que você.

Yuri assentiu, quando sua irmã apareceu do nada.

- Irmão? Que desespero é esse? Por que estava gritando? – Natty perguntou, olhando levemente para Shiryu. Yuri apenas a olhou nos olhos. – Ah, não... – Natássia olhou para seu mestre, fazendo uma caretinha. – Mas... Sabíamos que ele iria ser o primeiro a descobrir, não é? Se estivéssemos treinando... Mas atrasamos muito, você sabe...

Shiryu pareceu muito confuso. Olhou para os dois irmãos como se estivesse escutando uma conversa ao telefone: você só escuta o que uma pessoa fala, então a conversa fica totalmente desconexa.

- Não... – Natássia apontou para Shiryu. – Você. – Os olhos dela eram calmos, mas firmes. – Cavaleiro de Dragão, se teme pela sua vida, boca fechada! Vamos nos meter numa linda encrenca! Ah, nossa mãe do céu! A mamãe pingüim vai nos matar, Yuri!

- Mas não foi culpa de vocês... Foi a Mira que disse... – Shiryu tentou consertar, e acabou piorando a situação.

- A Mira? Ahh, lemurianazinha de merda! Já tenho um jeito de resolver isso...! – Natty sorriu, esfregando uma mão na outra. Depois parou, e respirou, girando os olhos. – Yuri, você deveria me controlar. Quase raspei a cabeça de Mira. – Então a loira saiu, fazendo com que seu irmão saísse correndo o mais rápido possível de lá atrás dela.

Shiryu ficou para trás, pensando no que tinha visto. Apesar do choque de saber o destino de si e de seus companheiros, foi um pouco mais estarrecedor ver os dois irmãos conversando. Natássia chegou dizendo que Yuri gritava, mas o rapaz falava tão baixo que se não fossem os ouvidos treinados de Shiryu, ninguém escutaria anda. E a conversa entre os dois parecia sem nexo algum, e apesar disso os dois se compreenderam.

A cada minuto que se passava, Shiryu ficava mais intrigado. Precisava de respostas, e respostas rápidas.

Começou a procurar a amazona de escorpião, e avistou a moça sentada atrás da mansão, com seu aparelho no colo e cochilando por cima dos joelhos. Sua manta balançava com o vento, e seus cabelos pareciam mais revoltos que o normal.

- Mira...? – A moça levantou a cabeça devagar, com olhos sonolentos.

- Namaste. – Ela o cumprimentou, com um aceno de cabeça e um sorriso quase morto.

- Ohayo. – Shiryu a cumprimentou de volta, sentando-se ao lado dela.

- Acabei pegando no sono... – Mira observou seu aparelho, procurando alterações.

- Afinal... O que é isso? – Shiryu perguntou, apontando para o aparelho. Mira sorriu.

- Isso é um Ipad. É como um mini-computador. – Ela tentou simplificar.

- Não tem botões. – Shiryu falou, achando estranho.

- Você não precisa de botões: basta tocar na tela... – Então Mira começou a falar todas as funções do seu aparelho, deixando o rapaz mais confuso que tudo.

- Ah... Certo. Quando eu tiver um desse, eu aprendo. Mas não é sobre isso que vim falar com você. – Ele falou,olhando nos olhos cinza da outra.

- Diga. – Mira pareceu ligeiramente interessada. Seu olhar seria sexy, se não fosse tão altivo.

- O que têm aqueles gêmeos. Por que eles parecem escutar um a cabeça do outro? Por que ela chegou perguntando o motivo pelo qual ele gritava, se ele nem ao menos conseguia falar? – Shiryu começou a fazer as perguntas desesperadamente. Alguma coisa no olhar de Mira o desconcentrara, e ele ficara muito nervoso.

- Calma! Onde está o "Senhor Equilíbrio" que eu sempre conheci? – Mira sorriu. – Conte-me a história, daí eu respondo.

O cavaleiro começou a contar o que aconteceu, desta vez mais calmo. Mira escutou tudo sem fazer um comentário, e quando ele terminou, ela soltou uma gargalhada.

- Essa confusão sempre acontece. O incrível é que você é sempre o primeiro a comentar isso. Os outros sempre notam coisas muito claras...

- Como assim?

- Ah... O Senhor Certinho veio me perguntar se a Mabel e o Yuri eram namorados...

- Calma! Senhor Certinho? Mabel? – Shiryu parecia mais confuso que no começo da conversa.

- Ah, Senhor Certinho é o Shun, oras! Quem mais seria? – Mira soltou um risinho. – Chamamos a Novvy de Mabel, porque era esse o nome que o Simba queria dar para ela, se ela não fosse quem ela é.

- Simba? – Shiryu arregalou os olhos e colocou as mãos na cabeça. – Mira, eu tenho 18 anos, sabe? Eu ainda nem tive filhos nem nada, eu não sei nada desses apelidos novos! Dá pra falar com nomes que eu conheça?

Mira gargalhou.

- A Srta. Bryndís que batizou o Ikki assim. Já assistiu ao filme "O Rei Leão", da Disney? – Shiryu negou com a cabeça. – Ah... esqueci. O filme só vai ser lançado daqui a seis anos. Que seja. Na história tem o Rei Leão da floresta, que se chama Mufasa. Mufasa tem um filho chamado Simba, e Simba tem uma filha chamada Kiara. Daí...

- Aioria é Mufasa, Simba é Ikki... Kiara seria...Lilly?-Shiryu captou a idéia dos apelidos.

- Mais ou menos. Só que ao invés de Kiara ser Lilly, é a Mabel. Vocês podem não notar, vendo que Lilly é uma cópia fiel do pai, mas não há quem negue que o novo Leão Rei renasceu em Nova Era. Os dois são idênticos, até nas manias. Mas voltando a falar dos gêmeos...

- Sim. Esse era o ponto. – O problema de conversar com Mira era esse: ela vagava demais.

- Eles são irmãos. Você pode ver, olhando para Seiya e Ikki, ou Shun, que a conexão entre irmãos é extremamente forte. Considerando isso, dá pra ter uma idéia. Além da conexão entre irmãos, Yuri e Natássia são gêmeos. Sua conexão é muito adiante de apenas uma conexão entre irmãos. Eles foram gerados ao mesmo tempo, no mesmo período, compartilhando das mesmas experiências. Eles são a completude perfeita entre dois seres, além de serem filhos de uma deusa. Isso fez com que eles conseguissem se conectar entre si, como um telefone. Um escuta a cabeça do outro sempre, um vê o que o outro vê, um sente o que o outro sente. Temos medo de que se Yuri ou Natty morrerem, o outro também sucumbir.

Shiryu ficou em silêncio por um tempo, absorvendo as informações.

- Onde eles vão treinar? – O cavaleiro perguntou, se referindo a todos os cavaleiros mais novos.

- Estrela nos informou que estamos indo todos para a Grécia semana que vem. Vamos esperar um pouco, descansar, treinar apenas rotineiramente, e pegar no pesado quando chegarmos lá. Nós, as amazonas de ouro, também precisamos dos nossos mestres, que não estão aqui... Então achamos melhor ir para lá. – Mira levantou-se, desamassando sua túnica.

- Hm... Para mim, estamos demorando demais. – Shiryu falou, levantando-se atrás de Mira.

- Calma, senhor Dragão. Meu pai me falou o quanto você era obstinado. Tenha paciência. Estávamos treinando com todo o nosso suor antes de vir para cá. Chiara ainda não aprendeu a controlar suas correntes totalmente, e está bastante machucada. – Eles caminharam em direção à porta da Mansão Kido, com os pés mal fazendo barulho.

- Você é parecida com Mu, de alguma forma. – Shiryu falou, sorrindo. – Gosto de você.

- Também gostará dos outros, se conversar com eles e parar de fazer tantas perguntas a mim. – Ambos sorriram, e Shiryu notou que ela quase fechava os olhos quando ria.

Quando chegaram à frente da mansão, encontraram Novvy e Yuri, muito perto um do outro, num abraço quase pagão, parcialmente escondidos na penumbra.

- Quer dizer então que eles realmente namoram? – Shiryu perguntou, quase com medo que os dois escutassem.

- Hum-rum. Faz uns três anos. Não entendo como Yuri consegue namorar com ela... – Mira comentou, rindo ainda.

- Por quê? – O outro perguntou, tentando desviar o olhar dos dois enquanto entravam na Mansão.

- Ela é muito independente... Solitária. Não aceita ordens ou pedidos. Faz o que quer na hora que quer. Não é chegada em romantismos, ou até mesmo em amor. Acho que nunca vi um casal tão estranho e tão perfeito desde que os pais dela apareceram na minha frente.

- Ikki e a mulher? – Shiryu perguntou.

- Sim. Era o casal mais estranho e mais apaixonado que eu já vi. Acho que naqueles dois havia o significado do amor que todos procuram, e não acham. – Ela juntou as mãos na frente do corpo. – Não consigo entender como tudo mudou de rumo quando Nova Era nasceu. É como se tudo o que fosse belo e maravilhoso ruísse... Pelo menos na casa de Leão.

Seguiram em silêncio para dentro da casa, onde havia uma comoção geral. Ouviam-se muitas risadas lá de dentro, e música. Era um tipo de música que Shiryu nunca tinha ouvido na vida, do tipo extremamente dançante e animada, com palavras estranhas e ritmo agitado. As vozes de Bryndís e Ikki eram as que mais se ouviam, mas outras pessoas também cantavam.

- Que...? – O rapaz tentou perguntar, mas Mira já havia corrido para dentro da sala, com um sorriso.

Bryndís, devido a sua pequena estatura, estava em cima do sofá para que todos a vissem. Ela e Ikki entoavam uma canção ritmada, que os faziam pensar em festas. Mira falou para ele que era o tipo de música que sempre escutou a moça cantar: música cigana. O fato de Ikki saber a letra só salientava que ele já fora dado a muitas festas, e, por incrível que pareça, no meio da sala,balançando seu vestido branco, estava Estrela, cantando a música na maior animação.

- Dance com ela, criança! – Bryndís gritou, batendo nas costas de Ikki. Todos riram, e a melodia parou por um segundo, antes de recomeçar. Juçara tocava uma espécie de flauta, que Natássia acompanhava com um violino, dando pequenas instruções à índia. Seiya estava tocando seu violão de um jeito que nunca haviam visto, sendo ajudado de leve por Chichi, que batucava numa espécie de tambor improvisado com um banquinho.

Ikki ficou vermelho e disse "não" com a cabeça, fazendo Estrela abrir um sorriso.

- Vamos, dançarino! Vai me envergonhar na frente deles? – Bryndís insistiu. – Comigo você não tem vergonha de dançar...!

- Quando eu dançava com você, não tinha gente conhecida olhando! – O cavaleiro de Fênix rebateu, com uma cara emburrada, que se dissipou quando Estrela se aproximou e segurou as mãos dele.

- Vamos! Eu não vou te morder. Prometo! – Estrela fez um "x" em seu ombro, puxando o moreno. Ikki rolou os olhos e sorriu de leve, passando a mão pela cintura da loira. Assobios foram ouvidos do lado de onde estava Hyoga, Shun e Seiya. Saori havia sumido da sala. Kala estava em cima de um centrinho, fazendo um sapateado engraçado que ia totalmente de encontro com a batida da música, e Miúsa estava ao lado dela, gritando a música e ficando com o rosto vermelho, falando de vez em quando coisas em espanhol que só alguns entendiam.

- Nossa... Eles realmente são bons! – Shiryu falou, quando chegou perto dos amigos. Encostou-se nas costas do sofá onde os outros estavam sentados, e Hyoga falou:

- Você deveria ter chegado antes. Bryndís ME fez dançar com ela, e QUASE me tarou. – O Cisne ficou levemente vermelho. – Só não conseguiu porque Ikki a tirou de cima de mim.

- Ao que ela respondeu com: "Aah, ele é tão fofinho!". – Shun imitou a moça, tirando gargalhadas dos amigos. – Parece que Hyoga não deixa uma de fora!

- Ah, até parece que você não queria dar umas pegadas na sua "amiguinha" Estrela...! – Dessa vez foi Seiya que comentou, enquanto continuava com suas notas rápidas.

- Ela é apenas minha amiga! Será possível que não se pode ter uma amiga mulher por aqui...? – Shun pareceu levemente com raiva, que se dissipou com um comentário vindo do outro sofá ao lado.

- Duvido muito, gracinha! Com um rostinho assim, até eu pegaria! – A autora do comentário fora Juçara, com seu japonês estranho. Shun ficou da cor de um tomate e arregalou os olhos, enquanto a morena ria.

- Ah, Juçara! Não adianta... Sempre parece que ele não gosta muito dessas coisas... – Hyoga falou, rindo mais alto.

- De queê? – Juçara balançou os cabelos compridos, sorrindo como um gato.

- DE MULHER! – Hyoga, Seiya e Shiryu gritaram ao mesmo tempo, fazendo todos se voltarem para eles. Os três, mais Juçara, caíram na gargalhada. Shiryu chegou a se agarrar nas costas do sofá de tanto que ria. Shun olhava a todos com um olhar que quase chegava a ódio, mas seu rosto só mostrava uma criança emburrada.

- Eu gosto de mulher, sim! – Shun protestou. Nesse momento, quase todos prestavam atenção ao rapaz.

- Então prove. – Seiya abaixou o violão e apontou o indicador no rosto de Shun. – A Juçara acabou de dizer que te achava uma gracinha: pois vá lá e dê um beijinho nela como agradecimento.

Nesse momento, Chichi caiu para trás, rindo. Segurou no braço do sofá e comentou, com os olhos marejados.

- Vamos lá! Agora você vai ter que provar do que é capaz, cavaleiro!

Bryndís parecia extremamente interessada, enquanto Ikki parecia envergonhado pelo irmão. Hyoga começou a empurrar Shun em direção à Juçara.

- Se você não for, vamos ter certeza de que você é um franguinho! – O cisne comentou, tirando o outro do sofá de uma vez.

- Franguinho é a sua... – Shun respirou. Hyoga fez uma careta brutal para ele. – Deixa pra lá.

- Vamos, coisa linda! – Juçara se levantara, continuando com a brincadeira. Na verdade, ela não esperava que ele fosse fazer alguma coisa. – Não vai querer ficar mal falado, não é?

Por essas horas todos já prestavam atenção no rapaz pequeno, que parecia levemente assustado. Yuri e Novvy apareceram na sala, e depois de tudo esclarecido, a moça soltou uma gargalhada muito engraçada, mostrando os dentes, espalhafatosa.

Isso pareceu com um choque entrando no corpo de Shun. O garoto ficou com uma expressão séria, quase emburrada, e caminhou com passos seguros até Juçara, que arregalou os olhos. Ao chegar a uns dez centímetros da moça, ele segurou o rosto dela com as duas mãos, e deu um beijo na boca dela, meio desajeitado. Ela permaneceu paralisada, com as mãos levantadas em susto, enquanto todo mundo gritava e uivava na sala.

Shun se separou da moça, completamente vermelho, enquanto ela permanecia chocada.

- Ôw. – Foi o que saiu da boca de Juçara. – E eu achando que você era muito bebê. – E a índia sorriu, abrindo os olhos verdes.

- Aew, Shun! – Ouviu-se um grito, de não se sabe quem. – Mostra pra ela quem é o bebê!

Juçara sorriu, e sem querer olhou para Ikki. O rapaz mais velho estava com um olhar sério, mas com um risinho no rosto. Parecia quase orgulhoso do irmão. Juçara abriu mais o sorriso, e Ikki fez o mesmo. A moça pegou Shun pela mão e o carregou para fora da casa, dando pulinhos, enquanto o carregado olhava para trás com cara de "tacho".

A conversa ainda continuou por um tempo, até começar a ficar tarde. Todos começaram a se dispersar. Juçara ainda não havia aparecido com Shun, apesar da hora. Todos foram se retirando aos seus devidos lugares, e apenas alguns gatos pingados faziam barulho (ouviam-se risadas vindas do quarto onde Ikki iria dormir.). As amazonas de ouro estavam num papo animado no quarto, enquanto Mira dormia a sono alto, usando seu Ipad como ursinho de pelúcia. Somente Miúsa ficou na sala, empurrando os sofás para seus devidos lugares e depois se jogando neles, cansada de tanto dançar e sem voz alguma. Passados dez minutos, Miúsa se sobressaltou. Um barulho quase imperceptível podia ser ouvido do lado de fora da casa. Era quase como um gato rastejando do lado de fora da janela. Mas ela não se deixou enganar. Um gato não teria 100 quilos de massa.

Ela saiu silenciosamente da casa, abrindo e fechando a porta bem devagar. Andou em direção ao barulho e viu um homem muito alto a olhando na penumbra. Tocou no corpo e notou que estava sem armadura, e com um vestido grande e espalhafatoso, totalmente inconveniente. Ela rasgou maior parte do vestido, fazendo a grande saia vermelha não passar de nada mais que uma minissaia rodada. Quando o homem finalmente andou até ela, o cosmo da moça já estava praticamente no auge, esperando somente uma precipitação para explodir.

- Quem é você e o que você quer? – Miúsa foi direta, mas delicada. Não demonstrava hostilidade ou raiva, apenas o encarava.

- E quem é você? Uma putinha? – O homem perguntou, rindo. – Bem que Medéia falou que vocês estariam aqui, protegendo esses moleques infames. Saia da minha frente se não quiser morrer, garota.

- Você não respondeu minha pergunta. – Miúsa não se moveu. Seu corpo ansiava para uma investida, e quase voou em cima dele.

- Tudo bem. Meu nome é Lucius, Cavaleiro de Quimera. Posso vê-la em todos os ângulos, de todas as formas, em todos os lugares. Não há onde você possa se esconder. – O cavaleiro sorriu. Sua armadura era amarelada, com tons marrons e verdes. Seu elmo era uma cabeça de Leão, um dos seus braços era uma cabeça de cabra e o outro era uma serpente.

- Quimera... O meu pai já me falou desse monstro. – Miúsa sorriu. – Hoje, vou ser seu Belerofonte.

O homem pareceu irritado. Cerrando as sobrancelhas, ele gritou, indo para cima de Miúsa com uma força incrível, e a morena simplesmente saiu do lugar.

- Você é muito lento. Até mesmo o pior torero desviaria de você. –Ela observou as costas dele, quieta. – Quem o enviou? O Satanás?

- Sim... O Satanás em pessoa! O mais poderoso dessa Terra... A minha deusa! – O homem parecia fora de si. Seus olhos estavam vermelhos, e Miúsa não quis esperar muito mais. Abriu suas pernas e as flexionou, gritando em alto e bom som:

- Grande Chifre! – O cavaleiro inimigo foi lançado ao longe, batendo a cabeça contra uma árvore. Seu nariz quebrou na hora, e o sangue começou a jorrar.

- Não adianta...! – O Cavaleiro levantou e olhou para Miúsa com o rosto ensangüentado. – Eu vim aqui com o propósito de matar ao menos um de vocês... E você vai ser ao menos a primeira.

Miúsa cruzou os braços, ficando séria. Sua postura impenetrável e firme quase assustou o outro. Mas ele se recuperou e lançou-se novamente em cima dela, que soltou um grito:

- Esquiva Ilusória! – Uma luz pareceu rodear Miúsa, e de repente, ela não estava mais no mesmo local, apesar de ter parecido que ela estava.

- Minha mestra e grande deusa falou que você usaria os golpes de seu mestre. Nesses eu não caio mais...! – Então, rapidamente, ele virou e conseguiu acertar Miúsa na coxa, que paralisou por um instante. – Meu veneno é como o de uma serpente...! Vai se espalhando aos poucos por seu corpo, até que você inteira esteja paralisada!

- É?- Miúsa riu. – E que tal esse? – Miúsa correu a distância que faltava entre ela e o adversário, desferindo um chute certeiro numa das pernas do homem. – Excalibur!

O homem caiu, gritando. Sua perna sangrava, e ele a segurava, morrendo de dor.

- Filha da Puta! – O homem praguejou. – Você vai ter uma lição...!

- Não. – Miúsa sorriu. – Esqueceu que Belerofonte matou a Quimera com um golpe só? Você está com sorte: esse será o terceiro...!

E com um golpe certeiro, Miúsa enfiou a mão no peito do homem, matando-o instantaneamente.

A moça caiu no chão, tremendo, e começou a gritar. Quem apareceu foi Hyoga do lado de fora.

- Miúsa...? O que diab-

O loiro parou ao ver o homem estirado no chão. Miúsa tremia, olhando para o homem atônita e soluçando.

- Ele apareceu do nada... Queria matar a mim e as garotas... Eu... Eu não poderia deixá-lo entrar... – A morena apertava suas mãos tão forte que chegava a machucar. Hyoga a levantou do chão e a segurou pelos ombros.

- Calma. Vamos dar um jeito nele. – Hyoga e Miúsa fizeram de tudo para dar um fim ao corpo do cavaleiro. Quando finalmente o fizeram, Hyoga levou a garota para dentro, visto que ela não estava em condições de ir por si só.

- Eu nunca, nunca matei ninguém na vida. – Miúsa quase chorava. – Ele não merecia morrer... Ele...

- Você é uma amazona. É matar ou morrer, aprenda isso. – Hyoga levantou-se. Vá tomar um banho e peça a outra para ficar no seu lugar... Você precisa descançar.

Miúsa assentiu com a cabeça, e foi subindo as escadas, até Hyoga a chamar novamente.

- Ele falou de onde ele vinha?

- Não lembro... Mas falou algo sobre uma grande deusa... Uma mestra, ou algo assim. – Miúsa falou, quase desmaiando.

Quando ela sumiu de vista, Hyoga ficou pensativo. Aquelas amazonas não estavam preparadas... Realmente, todo treinamento era pouco.

Continua...

N/A.: Esse cap até que foi grandinho...! Estou tentando dar um ar mais real a essa fic, então... Desculpem por certos palavrões e insinuações (na briga, quem liga pra ser educado?)

Krika! As coisas estão tomando um rumo agora! Eles estão prestes a se encontrar! Finalmente uma batalha pra você sentir ao menos um gostinho... Foi meio ruim, mas vai ficar mais interessante depois!

Tenshi! Eu tbm achei o Kiki mó pedação de mal caminho hasuah Ah, a Juçara vai se mostrar muito mais poderosa daqui por diante...!

Obrigada pelos comentários! Obrigada pelos faves! Obrigada a quem está lendo!

Beijos da Polly!