"Hey Bones, você decidiu que tipo de parto quer ter?" Booth cutucou a parceira enquanto esperavam serem chamados pelo médico. Eles estavam esperando há quase trinta minutos e Booth estava lendo uma revista sobre gravidez. "Eu não tinha idéia de que existiam tantas maneiras de trazer uma criança ao mundo: parto caseiro, parto na água, parto natural no hospital, cesariano..."
Brennan tirou seus olhos da ultima edição da Science Daily.
"Vou ter o bebê no hospital. Eu não entendo por que alguém teria um bebê em casa nos dias de hoje. É negligencia, mesmo que o bebê pareça perfeito durante o pré-natal, ainda há chances de ter problemas no nascimento ou logo depois. Também não tenho idéia do por que uma mulher passaria por toda aquela dor desnecessária quando nós temos anestesia inofensiva."
Uma pergunta percorria a mente dele desde que pegou a revista, mas estava inseguro de perguntá-la. Mais que tudo, ele temia a resposta.
"Você vai me deixar ficar com você na sala de parto?" Saiu antes que ele pudesse pensar. Seu coração congelou.
Brennan franziu o cenho.
"Normalmente o homem quer evitar os gritos e eu tenho certeza que você já ouviu falar que o parto não é uma coisa muito agradável de se ver... Quero dizer, se eu tiver parto normal, o que eu quero porque aumenta a probabilidade de um pós-natal saudável e uma recuperação fácil, além de ser melhor pro bebê por causa da redução de drogas, eu vou definitivamente estar gritando e suando, com as pernas abertas e um bebê saindo da minha vagina todo coberto de sangue e fluidos amnióticos..."
"Booones!" Booth fez careta. Eles não estavam sozinhos na sala e não era como se ela estivesse falando em voz baixa.
"Eu sei Booth. A verdadeira imagem pode te deixar nauseado." Brennan disse o apoiando.
"Eu não quis dizer isso! Você acha que uma coisa linda como o nascimento de uma criança me deixaria enjoado? Eu tenho estado em campo com você a cinco anos Bones e acredite, depois de todos esses casos e corpos nojentos, quase nada mais nesse mundo me deixa enjoado." Ele abaixou o tom. "O que eu quero dizer é que você fica falando... você sabe, das suas partes femininas e tem um monte de gente nessa sala."
"Ah." Ela sorriu. "Me desculpe Booth, eu esqueci que você fica constrangido sempre que eu falo em qualquer coisa remotamente relacionado a sexo."
"Eu não fico constrangido." Ele discordou.
"Fica sim, você fica todo nervoso e sempre muda de assunto."
"Não fico."
"Você fica. Olha, ta ficando vermelho agora." Ela apontou para as bochechas dele.
"Eu não... que seja Bones." Ele revirou os olhos. "Você vai me deixar ficar lá com você ou não?"
Havia suplica nos olhos dele, ela pode ver isso.
"Você ficou na sala de parto com a Rebecca quando o Parker nasceu?" Ela perguntou.
O rosto dele ficou pálido e ala pode ver a dor nos olhos dele. Direto na ferida.
"Eu estava em Kosovo." Ele ergueu os olhos para o teto. "Era para o Parker chegar três semanas depois, mas a bolsa da Rebecca estourou, então não tinha nada mais a fazer além do parto. Eu peguei o primeiro vôo de volta a America, mas quando eu cheguei ele já tinha sete horas de nascido."
"Sinto muito." Brennan disse sinceramente.
"Tudo bem." Ele abriu um sorriso triste. "Isso foi há muito tempo atrás, o que realmente importa é que Parker está bem, certo?"
"Você pode ir comigo." Ela disse e voltou a ler. Ela o queria lá. Ela o queria ao seu lado, lhe dando apoio e segurando sua mão. Ela o queria lá quando vissem pela primeira vez o rostinho do bebê deles.
"Eu posso?" Ele olhou para ela, seus olhos brilhando.
Ela levantou a cabeça para olhar para ele e confirmou.
"Sim." Ela disse e desceu os olhos para a revista de novo.
"Obrigado." Booth sorriu.
"De nada." Os olhos dela ainda estavam focados no artigo, mesmo os pensamentos dela estando distantes, longe de algo relacionado a ciência.
"Você quer menino ou menina?" Ele questionou de repente.
"Eu não tenho nenhuma preferência. Só quero que o bebê seja saudável." Brennan respondeu.
"Nah, isso é mentira. Todo mundo diz isso, mas todos têm uma preferência." Ele a provocou.
"Eu realmente não tenho." Ela o assegurou. E então algo passou pela sua cabeça. "Você tem?"
"Claro!" Ele disse como se fosse óbvio.
"Qual dos dois você quer?" Ela perguntou curiosa.
"Uma menina." Ele sorriu amplamente.
"Uma menina? Machos-alfa geralmente querem o máximo de meninos que puderem." Brennan disse, surpresa pela resposta dele.
"Eu já tenho o Parker, e eu o amo com todo o coração, mas eu sempre quis ter uma menininha. Eu fui criado pelo meu avô e com meu único irmão. Eu sempre senti falta de uma figura feminina na minha vida." Ele disse. "E todo mundo sabe que as garotinhas adoram a figura paterna."
"Bem, os meninos também."
"Sim, mas tem essa... coisa mágica entre pais e filhas. Eu vejo isso quando saio com Parker. Meninos são companheiros dos pais, eles jogam, falam sobre coisas bobas. Garotinhas também, mas é diferente. Elas são mais delicadas, elas vêem os papais delas como heróis, como porto seguro, entende?"
"Na verdade não. Mas já estou acostumada a não entender você, especialmente quando você começa com a sua conversa de mágica." Ela disse confusa. Um medo correu por sua espinha. "Você ficará desapontado se for um menino?"
"O que? Não! É claro que não! Eu sempre sonhei em ter uma menininha, mas outro menino será ótimo também." Ele sorriu para ela. Booth podia ver a expressão preocupada dela e não resistiu em tocar docemente em seu rosto. "Eu vou amá-lo do mesmo jeito. E o Parker vai ficar super animado se for um menino."
"E falando no Parker... quando você pretende contar a ele sobre o bebê?" Brennan perguntou. Eles decidiram esperar até as coisas estarem mais calmas antes de darem a notícia ao garoto. Agora que ela entrou em seu quarto mês e tudo parecia perfeito com o bebê, ela achou que não tinha mais razão de manter o garoto às escuras. Além do mais, estava ficando meio óbvio que algo estava acontecendo em sua barriga.
"Ele é meu esse final de semana." Booth disse. "Eu conto a ele. Tenho certeza que ele vai ficar super animado. Ele está sempre pedindo por um irmão. Sempre pensei que a Rebecca seria a primeira a dar um a ele, mas estou feliz por ter sido mais rápido."
"Na verdade você não esperava que eu ficasse grávida." Ela o lembrou. "Estou começando a acreditar que você só me mandou usar seu esperma por culpa das drogas afetando seu cérebro. Ou talvez fosse o tumor falando."
"O que? Não Bones! Eu realmente falei sério. Eu sempre quis que você tivesse meu filho." Ele foi tomado de surpresa pela suas próprias palavras. Não esperava dizer aquilo em voz alta. Não era nenhum segredo que ele sempre quis ter um filho com ela. Desde a primeira vez que a viu, lecionando sobre técnicas de remoção de carne na Universidade de Washington, ele soube que seria ela. Ele sabia que acabariam juntos algum dia. Algum dia. Esse dia parecia mais distante a cada dia, mas ele não perdeu suas esperanças. Obviamente ele queria que o bebê nascesse em um ambiente diferente, com eles sendo um casal de verdade. Na verdade, ele desejava que a criança fosse concebida da forma convencional, mas ele não iria reclamar. Tudo acontece por um motivo. E o que realmente importava era que ele e a Bones iriam ter um bebê.
"Sério?" Ela enrugou a testa.
"Senhorita Temperance Brennan?" Uma enfermeira chamou. Era a hora da sonografia.
"Salvo pelo gongo."
