CAPÍTULO 7. EU SEI QUE VOU TE AMAR...
O
verão veio e passou, e, com ele, terminaram as férias.
Dia primeiro de setembro, como nos outros anos, todos tomaram o
expresso para Hogwarts, rumo ao novo ano letivo. Severo achou que as
férias de verão tinham passado mais rápido
naquele ano, e por isso ele não tivera tempo de esquecer.
De
qualquer maneira, com a volta às aulas, ele tomou a iniciativa
de fazer várias mudanças na vida. Passou a andar com um
grupo de colegas conhecido como a "gangue da Sonserina": os
irmãos Lestrange, Belatriz, Avery, Evan Rosier, Wilkes, e o
irmão caçula de Sirius, Régulo Black. Eram
tempos de mudança no mundo bruxo, havia guerra, e o lado das
Trevas estava tomando o poder. O grupo que ele agora fazia parte era
composto de simpatizantes das Trevas. Alguns, como Avery e Rosier,
eram filhos de Comensais da Morte. Mas o que ele queria era ser
poderoso, não era? Estava no grupo certo. Com eles, Severo
começou a compartilhar o muito que já tinha aprendido,
com sua mãe, ou por conta própria, de Arte das Trevas.
Tudo o que representasse a busca do poder, do controle, o
interessava. Com o passar do tempo, ele percebeu que não era
mais subestimado pelos colegas. Agora, ele era respeitado, muitas
vezes temido.
Desde
aquela tarde de primavera, ele nunca mais tinha procurado Lílian.
Agora, embora a classe de N.I.E.M. de Poções fosse
menor, ele sentava longe dela. No começo, ele sentiu vergonha
e remorsos. Depois, raiva: de Thiago, de Sirius, de Lílian,
dele mesmo. Até que, depois de algum tempo, achou que não
sentia mais nada. Mas não esquecia.
A
aversão ao grupo da Grifinória – Thiago, Sirius, Remo
e Pedro - só aumentava. Ele tinha passado boa parte do seu
tempo livre decidido a descobrir alguma coisa contra eles. Seguia-os,
espionava, escutava conversas. Tinha certeza de que eles
compartilhavam algum segredo. Uma noite, observando da janela do seu
dormitório, ele viu: Remo estava sendo levado pela Madame
Ponfrey para fora do castelo, por alguma passagem secreta que
começava debaixo do Salgueiro Lutador. O que podia ser aquilo?
Tentou segui-los, mas não conseguia passar. Passou a rondar a
árvore, observando, pensando em alternativas. Uma tarde,
Sirius se aproximou dele, e, como quem não quer nada, lhe
disse que havia uma maneira de paralisar o Salgueiro: com uma vara,
apertar um lugar determinado do tronco fazia com que ele ficasse
parado. Passou noite após noite espionando pelos janelões,
esperando uma oportunidade, até ver, de novo, Remo seguindo
com a Madame Ponfrey através do gramado à luz da lua.
Não teve dúvidas, foi atrás e fez como Sirius
lhe dissera. Era uma armadilha! Ele seguiu pela passagem, percebendo
que ia dar na Casa dos Gritos. Só tivera tempo de avistar um
lobisomem, ao longe, tempo suficiente para perceber que era uma
armadilha, quando Thiago Potter, provavelmente desistindo do crime no
último momento, aparecera para resgatá-lo.
Como
ele pudera ser tão idiota? Como pudera confiar na palavra de
uma pessoa como Sirius? Sem dúvida, não havia pior
castigo do que ter sua vida salva por Thiago Potter. Dever a vida
justo a quem ele mais detestava. Tinha descoberto o segredo: Remo era
um lobisomem. Mas a que preço? E, o que é pior: não
podia contar a ninguém. Dumbledore em pessoa o fizera prometer
nunca revelar o segredo do colega. O que só aumentou o seu
ódio e desprezo pelos quatro.
Outro
verão chegou e foi embora, outro expresso para Hogwarts, outro
ano letivo começou: o sétimo e último na escola.
Um dia, ficou sabendo pelos colegas que Lílian Evans e Thiago
Potter estavam saindo, namorando firme. Racionalizou: era de se
esperar. Eles combinam. Nem doeu.
Numa
tarde ensolarada de outono, Severo vinha caminhando, solitário
e distraído, depois de uma das últimas provas de
N.I.E.M., quando, de repente, num esbarrão, deu de cara com
Lílian, e os dois derrubaram os livros, mochilas e pergaminhos
que carregavam. Ele sentiu que sumia o ar. Fazia tanto tempo desde a
última vez que estivera tão perto dela...
-
Perdão.
-
Ora... Não foi nada, Severo! E ela sorriu, encarando-o com
aqueles mesmos olhos de esmeralda que ele achou que tivesse
esquecido.
-
Eu ajudo.- Ele respondeu, meio desajeitado.
Quando
acabaram de recolher o material derrubado, ele achou que devia falar
alguma coisa antes que ela fosse embora de novo.
-
Soube que você e o Potter estão namorando firme...
comentou, antes que pudesse se conter.
Ela
pareceu surpresa, mas voltou a sorrir, os olhos brilhando ainda
mais.
-
É verdade! Quem diria, não é? O que eu posso
dizer? Aquele crianção... finalmente cresceu. Estamos
até pensando em casar logo depois da formatura...
-
Não posso dizer que aprecio a sua escolha... Mas eu lhe desejo
felicidades. De verdade.
-
Obrigada!
Ela
encarou-o com uma expressão indefinida e disse:
-
Engraçado, teve uma época no quinto ano em que eu achei
que você me odiasse... fiquei meio chateada até.
-
Eu? Odiar você? Severo agora estava perplexo.
-
Sei lá... Fiquei realmente brava quando você me chamou
de Sangue-Ruim.
Ela
franziu o rosto numa expressão engraçada quando
percebeu o quanto ele estava embaraçado e completou,
sorrindo:
-
Mas passou, nem esquenta. A gente fala tanta besteira quando tem 15
anos, não é? Veja só o meu caso: se eu e o
Thiago fossemos levar a sério tudo o que dissemos um pro outro
aos 15 anos, nunca estaríamos juntos, por exemplo...
Ele
não conseguia encontrar nada para responder, então ela
continuou, depois de alguns minutos de silêncio:
-
Minha opinião a seu respeito nunca mudou, Severo.
-
A de que eu sou um pobre coitado digno de pena... – ele deixou
escapar sem pensar, com um sorriso amargo.
Mas
Lílian ficou realmente surpresa com o comentário. Com
ar muito sério, ela continuou:
-
Pena? Nunca, Severo! Sempre achei você um bruxo brilhante. Hoje
em dia, embora de uma maneira que eu não imaginava, muita
gente também vê isso. O Severo que eu guardo na
lembrança é aquele que discutia as tarefas comigo, que
usava com orgulho os livros da mãe...
Depois
de uma pausa muito rápida, ela segurou a mão dele,
encarou-o e disse:
-
Não desperdice seu talento com essa gente com quem você
anda, Severo. Você é muito melhor do que eles. Eu sei.
E,
de uma maneira completamente inesperada, bem típica dela,
sapecou um beijo em sua bochecha e disse, afobada:
-
Bem, preciso correr, o Thiago está me esperando... Boa sorte,
Severo! Seja feliz...
E,
nesse mesmo instante, vendo-a se afastar correndo, sem olhar para
trás, a verdade o atingiu feito um raio, obrigando-o a dizer
baixinho o que não tinha coragem de declarar:
-
Eu te amo, Lílian Evans.
Severo
percebeu que odiava Thiago agora mais do que nunca. Porque, mais do
que qualquer outra qualidade que ele pudesse invejar, Thiago tinha o
que Severo mais desejava na vida, e que sabia que jamais teria: o
amor de Lílian Evans. E, tinha certeza disso, ele nunca amaria
outra pessoa na vida.
"Eu
sei que vou te amar
Por
toda a minha vida eu vou te amar
Em
cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente,
eu sei que vou te amar
E
cada verso meu será
Prá
te dizer que eu sei que vou te amar
Por
toda minha vida
Eu
sei que vou chorar
A
cada ausência tua eu vou chorar
Mas
cada volta tua há de apagar
O
que esta ausência tua me causou
Eu
sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A
espera de viver ao lado teu
Por
toda minha vida..."
