Edward
Eu não conseguia pensar em qualquer momento que eu já tenha passado na minha vida que seria comparado a esse, ter Bella nos meus braços, mesmo sendo por um motivo ruim, era maravilhoso, seu pequeno corpo parecia fazer parte do meu abraço, eu não queria que esse momento acabasse, queria poder tirar toda a dor que tinha dentro de seu coração, mas continuar mantendo ela entre meus braços.
Seus soluços foram parando aos poucos, eu senti sua mão apertar um pouco mais forte minha camisa quando ela virou um pouco o rosto e encostou sua testa no meu peito suspirando
— Me desculpe por essa cena – disse com a voz meio abafada pelo meu peito e eu apertei ela um pouco mais nos meus braços dando um delicado beijo na sua cabeça
— Eu disse que eu estaria aqui e isso também se diz respeito a ter um ombro amigo a sua disposição – falei delicadamente e senti-a assentir com a cabeça ainda encostada em mim – Eu quero te ajudar Bella, não recuse isso, por favor.
— Você é meu anjo? – ela perguntou e eu ri
— Acho que não, tenho alguns pecados que me impossibilitariam de ter esse titulo.
— Para mim você é – falou desencostando seu rosto do meu peito e me olhando nos olhos, seus olhos estavam vermelhos pelas lagrimas recém secas.
Levantei uma das minhas mãos e segurei seu rosto secando com a ponta do meu dedo uma última lagrima que caia do seu olho e permaneci com a minha mão no seu rosto, sua pele esquentou sobre o meu toque e eu pude apreciar um doce tom vermelho colorindo suas bochechas enquanto ela abaixava a cabeça envergonhada.
— Você gostaria de entrar e conhecer uma parte de mim? – ela perguntou e eu arregalei levemente meus olhos, mas logo me recompus e assenti, ela saiu calmamente dos meus braços e abriu a porta, antes que ela pudesse sair do carro eu abri a minha porta e sai empurrando ela rapidamente com a mão e corri para o seu lado a tempo de te ajudar a sair do carro e vê-la revirar os olhos pelo meu gesto.
Fomos em silencio até a porta de sua casa e esperei que ela entrasse para segui-la
— Vamos sentar ali no sofá, por favor, eu vou te contar tudo – falou e eu assenti ao seu lado e ela olhou para o chão em silencio
— Se você não quiser me contar eu entendo, isso deve ser difícil para você, se abrir para alguém que conhece a poucos dias – falei, mesmo querendo demais saber de tudo o que ela já passou eu não queria pressiona-la a isso
— Está tudo bem, a historia é meio longa, que horas você precisa voltar para o seu trabalho hoje?
— Tenho mais duas horas e meia – falei olhando para o relógio e ela assentiu
— Bem, tudo começou a desmoronar há mais ou menos 6 anos, minha irmã tinha 1 ano e já teve para passar pelo baque de perder o pai, não foi por morte nem nada disso, ele simplesmente nos abandonou – falou suspirando – Mas tudo bem, me mãe se reergueu e eu a ajudei nisso, eu tinha apenas 14 anos e eu não podia trabalhar então eu cuidava da Lu enquanto minha mãe trabalhava, então quando eu fiz 18 anos e me formei no ensino médio minha mãe foi diagnosticada com câncer no colo do útero, foi uma barra para todos nós, minha mãe teve que parar de trabalhar e eu comecei a ir atrás, trabalhei em uma lanchonete como garçonete por 1 ano até que eu tive a ideia de vender rosas, eu e a minha irmã arrumamos todo o jardim no fundo de casa e plantamos cerca de 300 sementes de rosas lá, apenas da casa não muito grande temos um grande terreno na parte de trás e plantamos em todos os lugares enquanto isso eu continuava na lanchonete, quando as rosas finalmente desabrocharam eu fui demitida, era como se aquilo era para mim você entende, eu agradeci tanto a Deus por ter tido a ideia antes – falou e parou suspirando, eu estava em silencio apenas escutando, eu via em seus ombros, que agora estavam meio abaixados, como era difícil para ela admitir tudo que já passou na vida
— Bella, você quer parar um pouco? – perguntei passando a mão delicadamente nas suas costas
— Não, eu estou bem – falou olhando para mim e se encostou no sofá fechando os olhos e logo os abriram focando em mim e continuando sua historia – Bem, então a 2 anos eu fico naquele mesmo lugar vendendo as rosas, minha irmã e eu sempre plantamos mais sementes para nunca faltar rosas, nos primeiros meses eu fiquei desesperada por não estar vendendo tanto mas de um tempo para cá eu consigo vender todas as que eu levo comigo, com o dinheiro eu sempre guardo um pouco para pagar mais uma parte do tratamento de minha mãe e o resto eu compro comida para a casa os remédios da minha mãe
— Se você achar desconfortável não precisa responder ok? – questionei e ela assentiu – Vocês alguma vez já ficaram sem o que comer?
— Minha mãe e minha irmã não, mas eu sim, umas duas vezes, havia pouca comida então era eu ou elas e eu preferi dar o que comer a elas que precisavam mais do que eu – falou com a voz falhando para admitir isso, olhando para ela agora não parecia nem um pouco com a garota sorridente que eu observava, antes de conhecê-la eu pensava que ela era a pessoa mais feliz do parque, seus sorrisos diziam isso, mas é como dizem, os sorrisos escondem muito e os seus faziam isso, seus sorrisos falavam que estava tudo bem, mas seus olhos gritavam por ajuda.
Eu não me segurei mais e a puxei para os meus braços, de onde ela não deveria nem ter saído, a envolvendo como um bebê enquanto dava um delicado beijo na sua cabeça.
— Eu já te falei isso hoje, mas vou te falar mais uma vez, você tem a mim agora e você querendo ou não eu vou lhe ajudar nunca mais vou te fazer por momentos assim.
— Eu não tenho palavras para agradecer – falou me abraçando apertado
— Apenas me diga que aceita minha ajuda
— Eu achei que você teria percebido que eu aceito quando eu questionei se você era o meu anjo, aquilo foi um sim – ela falou e eu a apertei mais forte nos meus braços.
— Obrigado – sussurrei
— Obrigada você, eu que deveria estar agradecendo – sussurrou de volta e eu não respondi nada, apenas beijei sua cabeça mais uma vez.
Ela se mexeu e eu a soltei para que ela levantasse
— Vem – falou estendendo a mão e eu a segurei me levantando
— Onde?
— Vou te levar para conhecer minha mãe, acho que ela precisa conhecer quem vai estar a ajudando.
Eu apenas assenti e a ajudei a andar pelo pequeno corredor, nos dois lados haviam fotos de Bella e sua irmã crianças, eu não parei para ver nenhuma mas pude ver que em algumas aparecia uma mulher muito parecida com Bella e Lu que eu presumi ser sua mãe, a única diferença é que essa mulher tinha olhos azuis e Bella castanhos, como chocolate derretido, andamos mais um pouco e paramos em frente a uma porta branca simples que ela deu algumas batidinhas antes de abrir a porta e entrar
— Mãe, quero que conheça uma pessoa – ela disse e eu entrei no quarto, era um quarto muito pequeno e simples, mas era aconchegante, na pequena cama de casal a mulher das fotos estava sentada com um livro aberto em mãos e olhou para nós sorrindo, seus olhos azuis não estavam como nas fotos, ela tinha um olhar cansado e com grandes olheiras embaixo, sua pele também estava mais branca e ela estava mais magra
— Olá Senhora Swan, sou Edward Cullen – falei estendendo minha mão que ela aceitou prontamente e com um sorriso simpático.
— Olá Edward, é um prazer conhece-lo finalmente, Bella falou muito de você ontem e hoje cedo
— Mamãe – ela falou com um murmúrio e sua mãe riu
— É um prazer conhecer a senhora e também ouvi bastante ao seu respeito
— Oh por favor, me chame de Renne, senhora faz eu me sentir muito velha
— Me desculpe Renne – falei meio envergonhado
— Qual é garoto, não precisa se desculpar, gostei do seu cavalheirismo – falou sorrindo e eu sorri também.
Ficamos mais um tempo ali conversando, sua mãe era divertida e muito comunicativa mesmo com todos os seus problemas não deixava seu bom humor de lado, quando faltava menos de uma hora para o meu horário de almoço acabar nos despedimos de sua mãe e saímos do quarto, corri até meu carro e peguei sua cesta que ainda estava lá dentro e fui lhe ajudar a cortar algumas rosas, estava conversando com ela despreocupadamente enquanto cortava que não percebi o grande espinho em uma delas e acabei cortando meu dedo.
— Caralho – falei baixinho e tirei minhas mãos da rosa colocando o dedo na boca para tentar parar o sangue
— Oh meu Deus Edward – Bella falou preocupada vindo para perto de mim mancando e pegou minha mão a tirando da minha boca e olhando meu dedo – Vem, vamos lá dentro para que eu faça um curativo
— Bella não é necessário, continue pegando as rosas e eu vou apenas lavar.
— Claro que não, já temos rosas o suficiente, vamos – segurou minha outra mão e me puxou para dentro da casa novamente, ela andava devagar mancando, então eu estendi minha outra mão e a puxei pela cintura segurando boa parte do seu peso para irmos mais rápido, deixei meu dedo com sangue longe do seu corpo para não suja-la e assim fomos até o banheiro – Sente ali – falou apontando para o vaso e eu me sentei
— Isso não é necessário – resmunguei
— Cala a boca Edward – ela falou rindo e pegou uma pequena maleta de primeiros socorros e segurou meu dedo, passou um algodão com álcool delicadamente e depois um remédio que continha dentro da maletinha, depois colocou um bandaid verde claro com alguns cachorrinhos me fazendo rir – Desculpe, esse é o único que eu tenho aqui, sempre temos infantis pela Lu
— Tudo bem, eu adorei, combinou com os meus olhos olha – falei levantando meu dedo e colocando do lado do meu rosto fazendo um biquinho e ela riu me deixando hipnotizado pelo seu sorriso, começou a andar em direção à porta devagar ainda indo, mas eu continuei no meu lugar apenas a olhando se afastar
— Você vem? – ela perguntou sorrindo parada na porta e eu assenti me levantando e indo atrás dela.
Terceiro Capítulo do dia, tem mais um vindo por ai ;)
