Disclaimer: Paradise Kiss não me pertence, contudo, esta fic e as suas ideias sim, apesar de não lucrar nada com isso.
É tudo, continuação de boa leitura. :D
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Quente e Frio
Sexta-Feira
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Acordou com um nó na garganta. O céu lá fora demonstrava a luta entre as nuvens e o Sol, ora brilhando, ora encoberto. A respiração pesada e dores no corpo, assim como uma ligeira dor de capeça e irracional desconfiança. Os sentidos demasiado apurados sem necessidade, sempre alerta... Então aquilo é que era a tão conhecida culpa de quem errou, sabe que errou e não quer que se saiba... para poder voltar a errar. Levantou-se sem preças e deixou o frio roupão de seda correr sobre seus braços, arrepiando ligeiramente a sua pele. Um inconsciente sorriso bailou por segundos nos seus lábios, morrendo assim que abriu a porta.
Seu marido já tinha começado a comer, mas não demonstrava sinais de pressa. Sentou-se e serviu-se de uma tosta com marmelada para em seguida encher o copo com leite morno. O pequeno-almoço foi silencioso. Ambos tinham uma expressão grave no rosto, perdidos cada um nos seus pensamentos.
Hiroyuki não tinha a leve expressão habitual e isso de certa forma alertou-a. Mastigava de olhos fechados e agia como se estivesse sozinho. Em cinco anos de namoro, ele nunca a havia ignorado. Em tantos anos de convivência, ela nunca vira todo o calor do homem se dissipar, tal como acontecera naquela manhã.
A culpa cresceu mais forte e o medo de ainda ter o cheiro de George entranhado nos seus cabelos dominou-a. Quando Hiro a encarou pela primeira vez naquela manhã, Yukari percebeu que nada voltaria a ser como dantes. Os vidrados olhos não possuíam luz, os belos traços estavam rígidos.
Ele sabia.
- Hiro eu…
- Não... – ergueu-se e pegou no jornal. - ... digas nada.
Deu a volta à pequena mesa ricamente preparada pelos criados para que ambos tivessem um pequeno-almoço romântico, típico de jovens apaixonados que não estavam casados há mais de quinze dias. Jovens inocentes que não sabem nada da vida, que sonham com um mar de rosas, que desfrutam despreocupadamente do seu brilhante e promissor futuro.
Que doce ilusão.
Assim que chegou perto de sua esposa, atirou o jornal para cima do seu prato, sem se preocupar em sujá-lo com comida. Apoiou-se nas costas da cadeira onde a mulher se sentava e murmurou de forma seca e automática.
- Foste usada.
Yukari não teve reacção. Observou-o a voltar ao seu lugar para em seguida encará-la com curiosidade. O medo em seus olhos fazia-o sentir-se bem, de certa forma, vingado. Mal podia esperar pelo que viria a seguir.
O prazer com que aguardava a sua desgraça assustava-a e era algo que não entendia. Se ele era o traído, por que esperava? Porque não a confrontara, deixando que a dor e desilusão dominassem? Foi então que reparou no jornal sob o seu prato de comida e começou a ver a fotografia da página principal.
Assim que o fez, o seu coração parou.
George olhava para a fotografia com o seu ar calmo e sedutor, enquanto segurava-a a porta do prédio do seu apartamento. A seu lado, ela seguia de forma hipnotizada. O horrendo cabeçalho dizia "KOIZUMI ARRANJA NOVO 'BRINQUEDO'".
Por baixo, encontrava-se uma fotografia da jovem da esplanada e à frente, uma singela declaração: "O George e eu somos duas pessoas livres que não impõe restrições. Ele pode divertir-se com quantas quiser, eu sei que, no fim, ele acabará por vir ter comigo e faremos amor. Tem sido assim durante todos estes anos".
Aos poucos, o seu coração contraía. Sentia-o quebrar lenta e dolorosamente a cada linha que lia. Prepara-se psicologicamente para o que diria a Hiro, como diria... mas agora, agora que via os dois lados, que estava exactamente sob a linha de amor e ódio, os seus lábios apenas se mantiveram abertos.
E Hiroyuki perdeu, com satisfação, a conta às lágrimas que caíam pelo belo rosto de Caroline.
Não haveria uma "próxima vez".
Continua…
- Neffer-Tari
