Título:Chances
Capítulos: 6/?
Completa: [ ] Sim [X] Não
N/a: Eu sei que a grande maioria dos partos de gêmeos são cesária. Mas quis deixar as coisas um pouco mais intensas.
Nada mais a declarar no momento.
Aline, Patiiie, Mikaelly, Ms. Pad's, Fraan Marques: obrigada! Desculpa cortar em uma parte tensa o anterior, mas em algum lugar eu tinha que dividir o capítulo... ;)
CHANCES
Capítulo 6
Quem estava na sala de espera do hospital e observou a cena, a achou realmente engraçada. Uma mulher de meia-idade cutucou o marido, rindo.
-Olhe lá, pais de primeira viagem.
Booth estava uma bagunça. Foi até o posto no corredor principal, e com muito esforço a enfermeira entendeu o que ele falava. Derrubou a bolsa, a juntou, e voltava várias vezes a perguntar se Brennan estava bem. No carro, ela havia repetido para ele coisas como " 55% dos partos de gêmeos acontecem antes das 36 semanas..." e "As contrações ainda estão bem espaçadas, temos tempo." , mas ele mal parecia ouvir, quanto mais se acalmar.
E agora que estavam na recepção do hospital, ela nem mesmo podia falar com a atendente da recepção, já que uma nova contração havia vindo com força total. A primeira pontada de medo surgiu. Talvez ele a estivesse deixando nervosa afinal.
A atendente discou um número, e logo um enfermeiro surgiu indicando para onde eles deveriam ir. A contração passou, e Brennan aproveitou que podia se concentrar em algo além da dor.
-Achei que você já tivesse passado por isso, você tem um filho de três anos!
-Eu não estava presente no dia do nascimento do Parker, só vi ele depois. – disse Booth, levemente mais tranquilo agora que haviam chego ao hospital.
-Então é bom você aproveitar a oportunidade pra não me deixar mais nervosa. Por que a sua atitude não está ajudando em nada!
Booth olhou para ela, assustado com a agressão na voz. Mas haviam chegado ao quarto.
-É assim mesmo, cara. – disse o enfermeiro a Booth da porta, enquanto outros funcionários preparavam o quarto. – E pelo estilo da sua mulher, diria que só vai piorar. Mas vale a pena no final.
Booth não sabia bem se agradecia o homem, mas preferiu ficar quieto. A obstreta de Brennan chegou e checou a dilatação. Ela preferiu não retardar o nascimento, estavam perto da data prevista, uma das meninas já estava encaixada, e o intervalo entre as contrações era cada vez menor.
-Papai, preciso que você tente acalmá-la e vai correr tudo bem. – disse a médica com um sorriso, antes de sair do quarto.
Booth achou que aquela seria uma missão impossível. Ele mal conseguia se acalmar. E acalmar Brennan? Isso sim seria uma tarefa árdua. Ele observou a bagunça no quarto, a imensa quantidade de pessoas e aparelhos. Não parecia uma sala de parto, parecia um centro cirúrgico.
Depois de ganhar seu pijama cirúrgico, ele se postou ao lado de Brennan, que no momento, só queria socá-lo. Mas ele fez o impossível nas horas seguintes. Suportou as agressões dela, que havia resolvido culpá-lo por aquilo. Ele já estava cansado mesmo dos olhares de simpatia das enfermeiras.
Mas no momento em que sua primeira filha veio ao mundo, ele estava lá. E compartilhou um olhar maravilhado com Brennan, ao ouvir o choro, antes que toda a história de respiração e empurrar recomeçasse. A médica havia avisado que, se a segunda criança não estivesse encaixada, ou se tivessem alguma complicação, partiriam para a cesária. Mas a medida não foi necessária.
As duas meninas nasceram saudáveis, com pouco mais de oito minutos de diferença. De acordo com o combinado, Brennan daria o nome à primeira. Sophia. E Booth escolheu para sua caçula o nome de Alexis. Nos momentos que se seguiram, em que os médicos examinaram, pesaram e observaram as meninas, Booth permaneceu ao lado de Brennan, as mãos ainda unidas. Beijou a testa dela, com os olhos lacrimejantes, e agradeceu. Mas ela estava exausta, e pediu para dar uma olhada nas crianças antes que pudesse dormir.
E segurar as garotinhas contra o peito, e ver suas carinhas... As duas meninas eram muito pequenas, e estavam vermelhas e enrugadas. Eram perfeitas. Booth permaneceu ao seu lado, um sorriso impresso na face, a voz baixa e grave repetindo, maravilhado, quão aquilo era incrível.
No exato momento em que aconteceu, ela se sentiu feliz. Se sentiu completa. Mas pouco antes que adormecesse, um novo sentimento se espreitou. Aquele medo arraigado – o medo surgido de experiências anteriores. E ela dormiu e acordou com esse sentimento e, antes que visse Booth novamente, chegou à conclusão que não estava pronta para aquilo ainda. Não sabia se algum dia estaria.
Assim que ela acordou, viu o quarto vazio. As gêmeas haviam sido levadas para a UTI neonatal, por terem nascido prematuras, mas a enfermeira garantiu que estava tudo bem com as duas. E Brennan se colocou a pensar naquilo tudo. Pela primeira vez, ela acordava e era uma mãe.
Ela se perguntou como aquele tipo de sentimento poderia existir. Quando a enfermeira lhe trouxe as duas bebês para serem amamentadas, e ela observou o movimento dos bracinhos e perninhas, e o instinto de sugar que elas já tinham, lágrimas encheram seus olhos. Era algo imenso, indescritível e inarrável. Aquelas meninas seriam muito amadas, disso ela tinha certeza. E ele faria o possível e o impossível para mantê-las seguras.
Apenas alguns minutos depois que ela foi deixada sozinha novamente, Booth apareceu à porta do quarto.
-Hey. – disse ele com um sorriso. Trazia uma sacola em uma das mãos. – Eu precisei passar em casa, aproveite e trouxe isso, eu tinha esquecido de entregar...
Brennan pediu para ele colocar a sacola sobre a mesa. Precisava ter uma conversa com ele, delimitar linhas.
-Booth, obrigada pela ajuda. Você já as viu, e acredito ter coisas para fazer. Pode ir, se quiser.
Ele parou, o sorriso congelando em seu rosto e então sumindo.
-Do que você está falando?
-Você veio até aqui para ver suas filhas, não foi? Agora você já pode ir.
Ele não acreditou totalmente. Não quis. O momento que os dois dividiram durante o nascimento havia sido tão intenso, tão íntimo...
-Eu achei que tínhamos um trato. Eu achei que eu iria participar da vida delas.
-Sim. Da vida delas.– e então ele entendeu.
-Mas você... você vai ficar sozinha? Não quer que eu chame alguém para...
-Pedi a uma das enfermeiras para ligar para um número para mim. Logo Angela e meus colegas do laboratório vão estar aí.
Ele concordou com um meneio. Talvez aquelas pessoas fossem sua família, e não ele. Teria Brennan pais? Ele nunca a ouvira falar nisso, talvez irmãos...
-Eu passo aqui de novo amanhã de manhã. Está bem para você?
Ela concordou, apenas com um meneio, e o viu se afastar depois de algum tempo de resistência. Aquilo era o melhor a acontecer. Ela estava se protegendo, protegendo as filhas. O que aconteceria no dia que Booth cansasse de toda aquela brincadeira? Ele parecia estar se esforçando muito em se fazer presente, mas quanto tempo duraria aquela empolgação inicial? Brennan não poderia arriscar que as meninas se magoassem, não poderia arriscar que ela se magoasse. Não novamente.
Antes de ir embora, Booth deu uma última olhada nas bebês adormecidas na UTI neonatal, e sorriu. Elas estavam saudáveis, respiravam sem ajuda e conseguiam sugar o leite sozinhas. Ele se lembrava muito bem da primeira vez que segurara Parker, e como, ao comparar, o garoto era bem maior que as duas menininhas, que pareciam tão frágeis. Muito quieto, fez uma oração rápida para agradecer por tudo ter corrido bem.
Ele passaria por tudo de novo só para poder vislumbrar aquela cena.
