Notas de Autora: Ora bem, aqui está o tão esperado (ou não) final! Tenham em conta que mudei alguns diálogos originais da cena da morte do Dumbledore da Torre de Astronomia! Tirando isso, espero que gostem! Por favor, comentem ;)


FLORESTA DE SONHOS

Capítulo 7: O Sabor de uma Eterna Ressaca

«You take my self, you take my self control,

You take my self, you take my self control»

(Tu roubas-me o auto controlo,

tu roubas-me o auto controlo)

Hermione suspirou pela milionésima vez enquanto olhava para o lago. Sentia-se terrivelmente abatida. E gelada. Estava um frio de rachar mas ela não queria ir para o salão. Era hora de jantar. Ele estaria por lá. Mais uma hora e voltaria.

Aqueceu as mãos em volta do frasco onde mantinha o fogo mágico e bocejou. Estava definitivamente cansada. E estar ali a olhar para o lago contribuía, certamente, para aumentar a dosagem de preguiça que a estava a atacar.

Olhou de esguelha para o livro que tinha trazido debaixo do braço, mas espantosamente não tinha vontade nenhuma de o ler. Sentia-se... sentia-se... ora bolas, nem ela sabia ao certo dizer como se sentia.

Sentia-se magoada, frustrada, aborrecida e saudosa... sim, infelizmente já sentia saudades de Draco. Não! Não do Malfoy, sentia saudades dos seus toques, carícias, suspiros, arrepios...

Abanou a cabeça com força. 'Hermione Granger, tira esses pensamentos idiotas da cabeça, não o vais ver mais dessa maneira. Pára de te lamentar.' Racionalizou interiormente.

Suspirou. Talvez tivesse sido melhor se se tivesse mantido na ignorância. Ao menos não teria de enfrentar estas dúvidas e dilemas. Sinceramente não imaginava como Draco aguentava um dia inteiro assim...

'Talvez ele simplesmente não se sinta da mesma maneira...' Roncou, divertida com o seu próprio pensamento e, no milésimo de segundo a seguir abanou a cabeça vigorosamente. Ela não se sentia de maneira nenhuma especial! Por isso não importava se ele não se sentisse da mesma maneira!

"Agh!" Verbalizou a sua frustração e levantou-se de rompante enquanto enfiava de novo o livro debaixo do braço. Estava cansada de pensar e não chegar a nenhuma conclusão. E bastava desta criancice de se esconder.

Era uma mulher adulta com ideias formadas e uma óptima personalidade. Não seria nenhum rapaz que a faria mudar, muito menos adiar a sua refeição quando sentia o seu estômago roncar ferozmente.

Anuiu decidida e marchou para o salão.


"Espera, Ron, estás a fazer isso mal." Hermione sorriu, mesmo enquanto franzia as sobrancelhas em modo de reprovação. Depois suspirou e pegou no pergaminho onde Ron tinha estado a rabiscar.

Ron cruzou os braços atrás da cabeça e encostou-se no sofá. "Onde é que está o Harry? Já está a ficar tarde..."

Harry tinha desaparecido depois de jantar pois Dumbledore tinha-o chamado ao seu escritório. Já tinha passado algum tempo e ele ainda não tinha voltado. Hermione sentia-se aliviada. E triste. E tinha uma sensação no estômago que não conseguia explicar. Não tinha visto o Malfoy ao jantar e, até este preciso momento, não tinha pensado nele pois estava a ter um serão divertidíssimo a corrigir os erros dos trabalhos do Ron.

"Oh ele não deve demorar." Hermione não estava nem um pouco preocupada. Se ele estava com Dumbledore, então estava seguro.

De repente ouviram a porta da sala comum a abrir e um Harry desgrenhado e agitado entrou a correr.

"Oh, aí está ele! Harry?"

Mas ele não respondeu e desceu as escadas do dormitório saltando dois degraus de cada vez. Quando regressou trazia o Mapa dos Salteadores numa mão e umas meias enroladas numa bola noutra.

Hermione e Ron bombardearam-no com questões mas ele calou-os com alguma autoridade e contou-lhes que ele e Dumbledore iam à procura de uma Horcrux e que esta era a oportunidade perfeita para o Malfoy avançar com o que quer que andava a planear.

Hermione revirou os olhos e preparou-se para falar, mas na verdade nem sabia bem o que dizer. Estaria ela prestes a defender o Malfoy?

Depois enfiou-lhes a poção Felix Felicis nas mãos e obrigou-os a tomá-la e a proteger o castelo.

E desapareceu pela porta enrolado no manto do seu falecido pai. Hermione olhou para Ron e Ron olhou para ela. Quase que podia jurar que a expressão de um era o espelho do outro. Estavam boquiabertos com o que se tinha passado e algo preocupados com a segurança do seu amigo.

Mas tinham uma missão a cumprir. Hermione recuperou mais depressa que Ron e foi ao seu dormitório procurar a moeda que tinha enfeitiçado no ano anterior para ser usada de novo como meio de contacto entre os membros do Exército de Dumbledore.

Engoliu um soluço que tentou escapar-lhe dos lábios e agarrou na moeda com toda a força. O seu olhar raspou na raíz de Valeriana que tinha na mesinha de cabeceira e ela abanou a cabeça. Não era o momento de pensar nisso agora.

Tinham uma missão.


Draco sentia suores frios a escorrerem-lhe pelas costas. Estava só com a camisa do uniforme. Deixara o casaco na sala comum. Já não iria precisar dele. Tinha a testa encharcada em suor e o seu cabelo colava-se à sua nuca. Tremia como varas verdes e podia jurar que se tivesse de falar neste momento, não conseguiria articular nem uma palavra.

Respirou fundo e tentou acalmar-se. Lembrou-se de Hermione. Não soube porquê, mas lembrou-se dela.

Estava na mesma sala onde tinha estado na noite anterior, mas tudo era diferente. A sala estava cheia de objectos abandonados e atulhados em montes e pilhas ao invés de estar bem guarnecida de almofadas e cobertores suaves. Cheirava a mofo e bolor e madeira podre ao invés de cheirar ao perfume e suor de Hermione Granger.

E o pior.

Estava a abarrotar de Devoradores da Morte.

Draco mexeu-se desconfortavelmente enquanto mais um Devorador acabava de sair do pequeno armário.

De repente esqueceu-se do medo e da ansiedade e abriu a boca com espanto. "O que é que ele está aqui a fazer?" Gritou enquanto apontava o dedo para o Devorador que tinha acabado de chegar à sala.

Ouviu-se um riso em tom baixo que conseguiu arrepiar Draco até à medula. "Estás com medo de mim, pequenote?" O arfar de Fenrir Greyback enojou Draco que, ao invés de responder à sua provocação, se virou para Amycus Carrow que se encontrava do seu lado direito.

"O que é que ele está aqui a fazer?" Repetiu veementemente. Já estava a sentir-se pessimamente por trazer tal horda de Devoradores para o meio do castelo, onde os seus colegas moravam.

Onde ela morava.

Não precisava de mais peso na consciência se este animal mordesse alguém com quem ele se importava. Amycus sorriu e Draco conseguiu contar todos os dentes podres e amarelos que ele tinha na boca.

"Veio divertir-se. Tens problemas?"

Draco engoliu em seco pronto para responder, mas a Alecto agarrou-o pelo pescoço puxando-o contra o seu peito. "Ora, Amycus, não tens mais com que te entreter? Deixa o pequenote em paz. Não vês que ele já está para lá de nervoso?"

Draco sacudiu-se para longe do abraço de Alecto Carrow. Sentia-se enjoado. Apetecia-lhe gritar e chorar de raiva e correr para as saias da sua mãe. Ele não queria fazer isto. Não queria ser ele a matar Dumbledore. Não queria destruir Hogwarts, não queria ser o mau da fita.

Mas acima de tudo não queria fugir.

Tentou desapertar a gravata pois sentia-se a sufocar, mas assim que a sua mão tocou o pescoço lembrou-se que nem sequer estava de gravata. Será que ainda podia abortar a missão?

Claro que não.

Mesmo que pudesse, mesmo que quisesse, não podia. A vida dos seus pais estava em risco. A sua vida estava em risco. Se bem que de momento se sentisse tentado em dar a sua vida para não ter que se tornar na pior espécie de traidor, mas a vida dos seus pais nunca.

"O Greyback é o último. Vamos começar esta festa!" Alecto falou enquanto soltava uma gargalhada que parecia um cacarejo e Draco engoliu em seco.

Não podia voltar atrás. O seu único caminho era em frente. Tinha de ser altruísta. Não podia considerar apenas os seus sentimentos. A vida dos seus pais estava em jogo.

Fechou os olhos e tentou concentrar-se mas a única imagem que pairava na sua mente era a de Hermione e os seus olhos olhavam-no repletos de fúria e reprovação.

Abriu os olhos e preparou-se para enfrentar o fim da sua vida em Hogwarts. Apertou aquela asquerosa e repelente Mão da Glória contra o seu peito e, na outra mão segurou o pó negro como carvão que prometia escuridão instantânea.

Respirou fundo e preparou-se para abrir a porta.

"Vamos."


As imagens passavam frame a frame pelos seus olhos abertos. Não havia som mas podia jurar que o barulho era imenso. Havia gente por todo o lado, tanto devoradores da morte como alunos como professores.

E todos cuspiam maldições e feitiços.

Draco sentiu o seu coração apertar no seu peito. Os seus olhos picaram e ele fechou-os com força para afastar o pó, com certeza o causador. Sentia-se tonto e mal disposto e queria sair dali.

Por Merlin, como queria sair dali.

Num momento estavam na Sala das Necessidades e no outro estavam no centro da batalha. Tinham conseguido despistar o Weasley e a sua irmã e o palhaço do Longbottom, mas não tinham contado em encontrar mais resistência.

Por isso agora apertava a sua varinha com força na sua mão fria e suada e pedia a todos e quaisquer Deuses existentes que o pudessem ajudar a cumprir a sua missão.

E para a manterem viva.

Disparou maldições para a frente e para trás e desviou-se de corpos caídos e jactos de luz. Não soube como, mas conseguiu chegar ao topo da Torre de Astronomia incólume.

Encarou a porta fechada por meros segundos, respirou fundo e entrou empunhando a sua varinha.

"Boa noite, Draco."

A voz cansada de Dumbledore ressoou-lhe nos ouvidos e, naquele instante o tempo parou. Draco sentia-se pegajoso com suor e tremia como varas verdes. Apetecia-lhe chorar e os olhos picavam-lhe constantemente, apetecia-lhe voltar-se e descer os degraus a correr e fugir dali, fugir de tudo e todos.

Mas não o fez. Engoliu todos os seus receios e arrependimentos e apertou a varinha com mais força. Já que ia ser um assassino, ou menos não seria um assassino cobarde.


Hermione soluçava enquanto atravessava corredores e subia escadas a correr o mais que podia. Ouvia os passos leves de Luna e a sua respiração ofegante mesmo atrás de si.

Tinham, finalmente, dado conta do que se tinha passado dentro do escritório do Snape. Há alguns minutos o professor Flitwick tinha chegado ofegante e vermelho chamando Snape para o centro da batalha para ajuda-los a derrotarem os devoradores da morte.

Quando o Snape saiu sozinho e lhes disse que o professor Flitwick tinha desmaiado, nenhuma das duas achou estranho.

Só passado alguns minutos é que Hermione sentiu um aperto no estômago e um salto no coração. Tinham sido enganadas, o professor Snape tinha atordoado o professor Flitwick e elas não tinham percebido.

Depois de reanimarem o professor de Encantamentos, correram o mais que podiam para o centro da batalha. Onde todos os seus amigos se encontravam. Em grave perigo.

Hermione sentiu algo molhado a escorrer-lhe pela face mas nem se deu ao trabalho de pensar nisso. A única coisa que passava pela sua mente era Ron, Ginny, Neville...

Draco...

Abanou a cabeça e redobrou os esforços para subir os últimos degraus. Já conseguia ouvir gritos. Apertou a varinha, fez sinal a Luna e atirou-se de cabeça para o meio da confusão.


"Posso ajudar-te, Draco..."

Draco ainda mantinha a varinha apontada ao Director de Hogwarts, embora sentisse a sua mão tremer cada vez mais com cada segundo que passava. Estava ali especado há meros minutos, mas parecia-lhe que estava ali há horas.

Dumbledore afirmara que Draco não o iria matar porque não era um assassino. Draco riu, mas por dentro sentiu o leve beijo da esperança.

"Não... não pode. Ninguém pode! Não tenho escolha!" A sua mão tremeu violentamente e os seus olhos voltaram a picar. Sentiu o desespero a empurrar a esperança ao pontapé e mordeu o lábio inferior.

Mas Dumbledore continuava a falar. Sempre com a sua voz fraca e cansada, mas sempre com um tom tranquilizador e confiante. Promessas de ajuda, promessas de confiança e protecção. Promessas de manter os seus pais a salvo...

E Draco conseguiu sentir de novo o leve carinho da esperança. O calor da salvação mesmo à sua frente.

Talvez até pudesse passar algum tempo com a Granger, quando estivesse a salvo...

Uma sombra de um sorriso teimou passar-lhe pelos lábios, baixou a varinha uns milímetros, e a porta da torre abriu-se de rompante batendo com força contra a parede num estrondo ensurdecedor.

"Ohhh, o Dumbledore encurralado!"

Amycus... isso queria dizer que os seus reforços haviam chegado. Agora não havia volta a dar. Não havia escolha. Era um assassino. Era um fraco.

Sentiu o seu estômago rodopiar e suprimiu a enorme vontade de vomitar. Tudo o que se passava à sua volta estava em modo acelerado e Draco assistia como se estivesse de fora da cena.

Ele estava a falar, ele estava a participar, mas a sua mente não estava lá. Não estava lá porque ele queria estar noutro lado e não ali. Pensou em Hermione e no seu sorriso reconfortante.

Greyback entrou na torre e Draco presenciou o desapontamento de Dumbledore.

Pensou de novo em Hermione e na sua gargalhada contagiante.

Sentiu a pressão dos devoradores sobre si a incitarem-no para terminar o que tinha começado. Devia matar Dumbledore. Eram as suas ordens.

Pensou nos longos cabelos ondulantes de Hermione e nos seus olhos cor de chocolate. Lembrou-se do seu cheiro e do seu sabor. Dos seus beijos e do seu calor.

E depois chegou o professor Snape que terminou o trabalho por si e tudo congelou definitivamente.

Dumbledore estava morto.

E a culpa era dele.

Não mais voltaria a pôr os pés em Hogwarts, não mais voltaria a ver Hermione. Nunca mais.

Não era um assassino. Mas era o culpado.


Hermione tremia enquanto continuava a lutar arduamente contra a horda de Devoradores. Sabia que tinha muito que agradecer a Harry e à sua poção Felix Felicis pois a maioria das maldições estavam a passar-lhes ao lado.

Procurava avidamente por entre os mantos negros e capuzes por uma cara familiar. Esperava encontrar uma face branca como a neve, esperava encontrar uns olhos cinzentos como um céu nublado e esperava encontrar algo nesses olhos.

Não sabia como é que ele tinha sido capaz. Não conseguia suportar a dor que se apoderava de si.

Sempre soubera que Draco sempre tivera uma queda para o lado das trevas, disso ninguém podia dizer o contrário, mas nunca esperara que ele trouxesse Devoradores da Morte para dentro de Hogwarts, principalmente depois daquilo que tinham passado juntos estas últimas noites...

De repente viu-o.

Seguia Snape a passos apressados e disparando maldições. Tinham vindo da Torre de Astronomia. Estava branco e o seu cabelo estava encharcado em suor. Snape passou por ela a correr e Draco apontou-lhe a varinha.

"Stu-... Hermione!"

Hermione mantinha a varinha apontada ao louro, mas nenhum dos dois se mexia. Hermione olhava-o incrédula e cheia de perguntas que não tinha tempo para fazer. E Draco retribuía-lhe o olhar cheio de remorsos e e certezas que não podia explicar.

Ouviu Snape chamar por Draco e ouviu Harry gritar para pararem o Snape.

Olhou Draco por mais um segundo e depois ele desapareceu. Hermione ainda lançou uma maldição na direcção dos dois, mas não foi rápida o suficiente.

Os Devoradores da Morte estavam a bater em retirada e ela sentia-se a sufocar.


O Dumbledore estava morto e tudo estava diferente. Tinham acabado de vir do funeral e Hermione estava exausta. Tanto física como mentalmente.

A dor da morte de Dumbledore era um fardo pesado que ela não queria carregar. Mas a ela juntava-se uma outra dor. A dor de ter sido traída e enganada da pior maneira possível.

Pelo Draco Malfoy...

Guardou a raiz de Valeriana dentro da sua mala junto com o resto das suas coisas e sentou-se na cama suspirando pesadamente. Talvez tivesse sido melhor esquecer...

Talvez fosse melhor esquecer...

Olhou a sua varinha e ponderou. Não podia utilizar um feitiço de memória nela mesma, mas podia pedir a Ginny para a ajudar.

Sim... talvez fosse melhor esquecer...


Epílogo

Já tinham passado dois anos desde o fim da guerra. As cicatrizes estavam bem frescas e ainda doíam. E muito. Mas era altura de olhar para o futuro com os olhos bem abertos e de cabeça erguida.

Tinham ganho. Deviam estar felizes.

Hermione passeava na Diagon-Al. Pensava em visitar a loja Floreios e Borrões para ver se havia algum novo livro que lhe despertasse o interesse. Ron tinha saído com Harry para treinar Quidditch e ela estava sozinha, mas feliz.

Tudo lhe estava a correr bem. Ela e Ron iam casar e planeavam ter filhos assim que surgisse a oportunidade.

A vida era boa para feiticeiros em paz.

Saiu da loja com um livro na mão e fechou os olhos quando o sol lhe bateu na face. Estava um lindo dia de Primavera e o sol estava a aquecer.

Abriu os olhos e congelou.

Do outro lado da rua havia outro par de olhos que a observava. E eram de um cinzento gelado.

Ambos seguraram o olhar, fitando-se mutuamente. Draco ponderava se a morena o tinha esquecido. O louro lembrava-se de tudo. Todos os beijos, todos os suspiros, tudo até ao mais ínfimo pormenor. Fizera questão de se relembrar desses momentos todas as noites durante estes dois anos.

Pensava também se a morena se lembrava desses momentos como ele se lembrava deles. Ponderara na possibilidade de ela preferir livrar-se dessas memórias já que ele tinha sido o causador de tanta dor e miséria.

Mas lá bem no fundo tinha esperança que ela ainda se lembrasse dos momentos passados na escuridão da Sala das Necessidades.

Nos bons momentos passados na escuridão da Sala das Necessidades.

Tentou sorrir mas a boca não se mexeu. Tentou acenar, mas não conseguiu. Tentou fazer alguma coisa, mas estava congelado no mesmo lugar.

A morena desviou o olhar e continuou o seu caminho pela rua fora. Draco fechou os olhos e suspirou.

Isto provava que a sua teoria estava, realmente correcta. Hermione livrara-se de todas as memórias que ambos tinham construído naquelas noites em que ele se sentia à beira do desespero e ela era o seu anjo da salvação.

Virou-se, ainda com os olhos fechados e seguiu o seu caminho pela rua abaixo. Quando abriu os olhos viu que Hermione seguia na sua direcção, mas não o olhava. O seu olhar pendia no livro que trazia aberto nas suas mãos.

O louro parou e esperou que ela passasse por si sem lhe falar, mas ela deu-lhe um encontrão, olhou-o nos olhos e murmurou, enquanto sorria: "Desculpa, não te vi."

Depois pousou-lhe a mão no braço e deixou-a deslizar até à sua mão gelada onde ficou pousada durante uns segundos enquanto o leve cinzento dos olhos do louro se transformava num azul brilhante e a morena sorria enquanto sentia a mão gelada do louro a aquecer.

Depois foi embora e Draco sorriu o maior sorriso desde há dois anos.

Ela não se esquecera.

FIM