Shun viu o momento exato que Afrodite deixou a festa, queria ver se ele estava bem, ele parecia meio magoado, o que será que Aioria vez?

Mas ele foi tirado desses pensamentos por um grito agudo.

- Shun!.

Ele seguiu o som para descobrir quem era. E viu a moça correndo em sua direção.

- Senhorita Saori?

- Oi, eu estava te procurando. Você demorou, cheguei a pensar que você não vinha. – disse a moça sorrindo. – Que bom que você veio, eu estava morrendo de saudades.

- Estou feliz em ver você também. – disse ele em pânico.

- Não se preocupe, eu vim sozinha.

- Você não contou a eles que eu estou aqui?

- Não, mais eu acho que você já devia ter contado. – disse ela seria. – Todos estão preocupados com você. E por algo que eu não sei, Hyoga parece o mais preocupado, acho que ele se culpa. – ela fez uma pausa. – O que você pode me dizer sobre isso?

- Não sei por que ele esta assim. E também não me importo. – importava sim. Porque Hyoga estaria assim, será que ele estava arrependido. Mas arrependido de que, mesmo? – Eu já tive o suficiente deles.

- Você não era assim. Está me assustando.

- Eu ainda sou o mesmo, só não quero me machucar.

- Se você diz. Vamos dar uma volta pelo salão. Tenho que cumprimentar umas pessoas.

Saori segurou o braço deles e começaram a andar pela multidão. Ele olhava a todos enquanto Saori comentava sobre a viagem de ultima hora para a Grécia. Foi ai que ele viu Saga, mas não era possível e estava eh, hum, beijando, Kanon? E foi exatamente pra lá que Saori o conduziu.

- Saga? – chamou Saori.

Saga soltou o irmão e se virou para a moça surpreso.

- Athena. Não sabia que vinha. Que surpresa agradável. – ele cumprimentou a deusa. – Shun, estava para ver você desde quando você chegou, mas tive uns contratempos. – Saga piscou pro irmão.

Shun ficou vermelho e sentiu o rosto esquentar. Ótimo, então era uma festa de casais. Mas Saga estava com o irmão gêmeo? Isso era incesto, não? O que aconteceu nesse Santuário?

Enquanto Shun estava perdido em seus pensamentos, Saori terminou de conversar com Saga e já puxava o caçula pelo salão.

- Vamos. – disse ela.

Shun reparava em todos as pessoas na festa e não poderia estar mais surpreso. Parece que o lugar tinha mudado completamente. Todos estava com os seus pares. Saga e Kanon. Mu e Shaka. O cavaleiro de gelo estava com Milo. Até Shina que era caidinha por Seiya tinha arranjado um par e era outra amazona a tal de Jisty, que Shun não conhecia muito bem. Mas ele já devia ter percebido, afinal já fazia quase seis meses, ta bom, quatro meses e meio, mas mesmo assim, todos já estavam se agarrando e ele nem desconfiou. Desavergonhados.

Depois dos comprimentos eles foram sentar em uma mesa e Shun aproveitou pra verbalizar um pouco das suas frustrações. Todos aqueles casais. Imagina a cara do Ikki se ele visse aquilo.

- Saori?

- Sim?

- ...

Saori percebeu a duvida e resolveu pressionar o garoto.

- O que te incomoda?

- Não sei. E que quase todos estão namorando. – ele parou pra respirar.

- E?

- Você apóia isso? – perguntou ele tímido.

- Claro. Por que não? Tudo o que eu quero é que eles sejam felizes e um amor pode fazê-los esquecer um pouco as dores da guerra. – disse ela sorrindo. – Afinal, não quero fantoches como cavaleiros, quero pessoas de verdade e pra isso eles precisam ter uma vida. Foi pra isso que eu os trouxe de volta a vida.

- Concordo plenamente. – ele pensou se devia continuar, mas a duvida venceu. – Mas muitos desses casais são homossexuais. Não são?

- Sim?

- Isso é pecado é errado e anti-natural.

Saori ficou pasma.

- Shun, você não disse isso. Eu esperava esse tipo de hipocrisia de qualquer um menos de você. – Ela viu a cara de duvida dele e entendeu que ele não estava acusando e sim procurando uma resposta. Então parou a bronca.

- Saori, eu não fui criado assim.

- Shun olha pra mim, nos meu olhos. – ela esperou ele obedecer. – Pense bem e me responda com sinceridade. Você acha que há algo de mau nisso?

- Todos dizem...

- Não Shun, eu não quero saber dos outros, eu quero saber o que o seu coração acha. – interrompeu.

Shun pensou em todos os motivos que via para aquilo ser errado e percebeu que nenhum era seu.

- Eu não acho que seja mau.

- O que interessa é o que você acha.

- Mas existe o homem e a mulher.

- Shun antes de ser a Senhorita Kido eu sou Athena filha de Zeus rei de todos os deuses. E eu sei que não há mau nisso. Todos as pessoas são originalmente bissexuais e só depois que passam pela educação vigiada pela sociedade é que começam a ter uma opção sexual que deve ser heterossexual. Por que qualquer outra é vista de uma forma ruim. E isso acontece por outros motivos, não foram os deuses que disseram isso, foram os próprios homens. E pra provar isso muitos dos deuses que estão sob meu pai, já tiveram relacionamentos com pessoas do mesmo sexo.

Shun ficou pensando nisso pelo resto da noite. Até que Aioria se levantou de uma das mesas e acertou a própria taça com uma faca. Isso fez um barulho grande, considerando que ele repetiu o gesto até a taça quebrar.

Todos olharam para o anfitrião.

- Vejo que já estão todos presentes. – apontou Aioria. Shun procurou Afrodite com os olhos, mas não o encontrou. Aioria continuou. – Eu chamei vocês hoje para oficializar o meu noivado com a Amazona Marin. – ele virou-se para Marin e segurou a mão dela. A moça levantou da cadeira. – Marin, Amazona de Prata de Aguia, você aceitaria casar-se comigo. Aioria Cavaleiro de Ouro de Leão, mesmo eu não sendo nem de longe aquilo que você merece. – todos os convidados gargalharam diante do comentário.

Marin ficou escarlate.

- É claro que eu aceito me casar com você.

(-)

Aioros assistia a tudo de longe, apesar do irmão ter insistido que queria ele por perto nesse momento.

- Eles crescem, não? – disse uma voz amiga atrás de Aioros

- É, crescem e vão viver as próprias vidas. – Aioros não precisava se virar pra saber que era Kanon.

- Mas você já esperava por isso. Certo?

- Sim, mas é diferente quando você vê acontecendo.

- E por que você não impede?

- Não posso, não posso oferecer o mesmo tipo de amor que Marin da a ele.

- Mas você o ama.

- Não como homem, eu tenho algo especial por ele, muito especial, mas não é igual ao que ele sente por Marin. – Aioros sentiu uma lagrima solitária escorrer pelo rosto. – Já o amei como homem há muito tempo. Hoje, não mais.

- Então há outra pessoa em seu coração.

- Outro amor impossível.

- Nada é impossível.

Saori voltou do santuário com a certeza do que tinha que fazer. Ela ficou o resto da noite trancada na sala do grande mestre com Shaka e Mu. E o mestre disse que já era tempo para usar as informações que ela conseguiu no templo de Zeus.

O problema agora era fazer. Tudo já estava planejado, mas colocar em pratica era mais difícil e Ikki poderia não aceitar e sem ele não haveria plano.

Mas antes de tudo ainda tinha de pensar em tudo que descobriu com as sacerdotisas. Por isso que ela decidiu vir pra casa no horário onde todos estariam na escola.

Saori segui para a varanda de seu quarto e sentou na poltrona. Colocou os óculos escuros e ficou tomando sol enquanto relembrava dos acontecimentos.

#Flashback# *on*

Eles não esperavam ver aquilo. O templo ficava em um monte rochoso enorme e o único de chegar a entrada era escalando.

Shiryu foi na frente, e Saori o seguiu. Eles levaram cerca de meia hora pra chegar a entrada de uma caverna.

Mesmo com a luz do dia a entrada ainda mantinha duas tochas acesas, presas ao portal em arco.

As surpresas não pararam por ai. Quando atravessaram o portal não viram nada alem de uma caverna. Então começaram a seguir em linha reta, só que num determinado momento perceberam que estavam descendo, cada vês mais fundo e pelo tempo que seguiam nesse ritmo já deviam estar abaixo do nível do mar.

Eles param de andar quando encontraram uma enorme porta de aço de uns três metros de altura.

- Saori. – chamou Shiryu. – O que fazemos agora?

- Shaka me explicou essa parte.

- Exatamente qual parte?

- Essa porta e a porta da verdade. – disse ela. – Ela só abre para os convidados ou pessoas aflitas.

- Creio eu que você não se encaixe em nenhuma delas. – apontou ele.

- Sou uma exceção a regra.

- Por que?

- Sou uma deusa. E filha do senhor desse lugar.

- Isso tem lógica. – concordou ele. – Mas o que você faz agora.

- Observe.

Saori caminhou lentamente a te o meio da porta. Lembrando o que Shaka havia dito.

Ela encostou os dedos na porta e disse:

- Eu sou Athena filha de Zeus e peço que me dêem permissão para pisar nesse local sagrado. – nada,mas ela tinha feito exatamente com o mestre disse, mas iria ate o final. – Abram as portas e me dêem passagem neste momento. É a princesa dos deuses, Atena, quem vos ordena.

Como um passe de mágica a porta do lugar começou a abrir. Metade pra cada lado.

- Estou impressionado. Acho que vou trocar de nome. – brincou Shiryu.

- Nem brinca.

- Em frente?

- Sempre. – respondeu ela.

Eles passaram pela porta. E entraram no templo.

Era um lugar enorme. Uma sala gigantesca e era sustentada por colunas gregas. Eles podiam ver uma porta menor do lado esquerdo. E no fundo da sala havia um grande lago. No lado direito existia um trono. Na sala existia varias almofadas espalhadas pelo piso e tudo era branco, só a água do lago era verde, mas um verde tão transparente que podiam ver o fundo de areia branca.

- Ola jovem. – disse a mulher mais linda que Shiryu já tinha visto. Ela era loira tão loira que parecia que os cabelos eram brancos e a pele era tão leitosa que chegava a ser florescente. Ela fez uma reverencia e acrescentou. – Deusa Atena. – só quando ela se recolocou de pé foi que puderam ver as orelhas dela. Eram pontudas, mas eram encobertas pelos cabelos que passavam da cintura.

- Você é...

Antes que Shiryu pudesse completar a pergunta ela o interrompeu.

- Sim, sou uma elfa. – disse ela. – Atena se vossa divindade puder aguardar um minuto. Logo Jasmine vira atende-la. – a elfa começou a se mover e fez um sinal para que a seguissem.

Shiryu olhava admirado a figura branca em seu vestido mais branco ainda, se mover e lhes indicar duas almofadas de frente ao trono branco. Em segui da ela passou pela porta e os deixou sozinhos.

- E quanto ao outro problema? – disse o dragão.

- Em algum momento Shun terá que encontrar todos. E acontecera mais cedo do que ele espera.

Foram interrompidos pela chegada de uma mulher branca de cabelos vermelhos e cacheados que caiam em cascata para parte de trás do vestido vinho de cauda longa. Eles ficaram sem palavras quando viram as asas de ser.

- A jovem reencarnação de Athena. Estava a sua espera. Vejo que seus problemas estão interligados.

- Como? – foi a resposta de Athena.

- Você é um anjo? – foi tudo que o dragão conseguiu dizer.

- Primeiro você. Sim sou um anjo. Mais não posso dar mais explicações. Esse problema é entre Zeus e meu criador. – disse ela. – E você Athena. Nemesis voltou por causa de Shun. Mais especificamente por causa de Ikki.

- Como assim?

- Shun foi o corpo que Hades escolheu. Como você o derrotou Shun devia estar morto, mas Ikki não o matou como deveria. Então a ordem natural das coisas foi abalado.

- Você esta dizendo que devíamos matá-lo? – perguntou o dragão.

- Isso ou jogar contra as Irmãs Destino.

- Faço o que for preciso para manter Shun vivo. – disse Athena. – Ele é minha responsabilidade.

- Então você vai precisar assumir seu papel como Athena e reivindicar seus poderes. Caso contrario não terá nenhuma chance.

-Você terá que morrer novamente, só que dentro do lago da vida.

- Farei isso.

- Aviso que ao fazê-lo lembrara de todas as suas reencarnações. Mas terá as respostas de suas perguntas e poder para enfrentar Nemesis e as Irmãs Destino.

- Então está decidido.

- Saori.- protestou Shiryu.

- Não me impeça.

- Pegue. – disse Jasmine estendendo um frasco. – É beladona. Beba tudo de uma vez.

Saori bebeu o conteúdo e seguiu a anja até o lago onde caminhou até o centro. Jasmine tocou a água com as mãos quando o veneno começou a fazer efeito em saori. A água ficou vermelha como os cabelos da anja e Saori caiu morta no fundo do lago.

Saori parou de existir sem aviso prévio. Não sentia nada e não tinha nenhum dos sentidos. Todas as suas vidas passaram por sua cabeça como um filme e ela sentiu todas as emoções que teve durante aquelas vidas. Tudo parou e ela começou a ver a vida atual e em seguida viu tudo que Ikki fez, o acordo com Nemesis, até o dia atual.

Jasmine tirou as mãos da água e ela tornou-se lilás como os cabelos de Saori e a jovem flutuou de volta a superfície da água.

#Flashback# *off*

- Tatsume.

- Senhorita?

- Quando Ikki chegar mande ele vir aqui. E vá chamar Shiryu também.

- Sim.

- Vá esperá-los.

- Sim. – disse ele antes de sair apressado.

(-)

Ikki deixou Pandora em casa de moto. Tinha comprado uma três dias atrás, para os encontros com sua namorada. E também para sentir aquela sensação de liberdade.

Ele olhava os prédios passando por ele em alta velocidade. E sentia-se feliz. Pena que durou pouco, logo estava no portão da mansão.

- Tenho que comprar um apartamento.

- Senhor. – Tatsumi chamou Ikki assim que ele cruzou a porta principal. – A senhorita Kido quer vê-lo imediatamente.

Algo estava errado.

- Onde ela está.

- Está no quarto.

Sem mais uma palavra, Ikki se dirigiu para o quarto de Saori. Tinha um pressentimento ruim sobre isso. Então o melhor era fazer de uma vez e se fosse o que ele estava pensando, azar. Tinha feito e não se arrependia, melhor fazer do que passar o resto da vida na duvida.

Quando passava pelo corredor ate o quarto de Saori ele encontrou Shiryu para do lado de fora da porta. O chinês olhou-o de cima a baixo e disse seriamente.

- Pensei que não viria.

- Ela também quer falar com você? – perguntou Ikki.

- Não, não. Dessa vez ela quer falar somente com você. – disse ele. Só estou aqui pra acompanhar.

Então realmente a coisa era grave. Setenta porcento de chance dela ter descoberto o trato com Nemesis.

- Vamos entrar então? – questionou Ikki fingindo despreocupação.

Mais velho deu dois passos à frente e segurou a maçaneta, mas foi impedido de entrar quando Shiryu colocou a mão em seu ombro.

- Ikki – chamou ele,fazendo o outro soltar a maçaneta e virar-se para ele – Eu queria dizer que independente do que você faça ou tenha feito, você é muito importante pra mim.

-Por que você esta dizendo essas coisas?

-É que tenho algo a lhe pedir.

-Sou todo ouvidos.

-Eu queria que você escutasse tudo que a Saori tem a dizer antes de tomar qualquer atitude. – ele respirou fundo – Não quero que você vá embora.

- Shiryu, eu... – não pode terminar a fala, pois o Dragão o interrompeu.

- Vamos entrar, ela esta esperando. – e passou pela porta na frente do outro.

(-)

Esperar pacientemente quando o que se espera será decisivo não é uma tarefa fácil e ela sabia disso, já que estava a uma hora lendo o mesmo relatório de lucros e ainda não sabia se estava correto ou não, mas precisava dele assinado até o fim da tarde.

Ela pegou o celular e discou o numero de sua assistente.

- Oi, Suzan eu preciso que revise os relatórios de lucros do bimestre passado. – disse ela – E se tudo estiver correto assine e me envie uma copia. – sem esperar pela resposta ela desligou o celular.

"Ikki, você tem de aceitar isso, não tenho plano melhor".

E como se estivesse combinado, a porta do quarto se abre e por ela passa um preocupado Shiryu e um desconfiado Ikki.

Shiryu caminhou calado ate se posicionar ao lado da porta da varanda apoiado na parede azul.

- Queria falar comigo? – perguntou Ikki de frente para Saori, fingindo-se de desentendido.

- Sim, mas você pode parar o teatro. Eu já sei o que o seu preconceito e seu ciúme egoísta te levaram a fazer com seu irmão.

Ikki não sabia o que fazer, então seus temores eram verdadeiros. Ela sabia.

- Se sabe, por que me chamou aqui?

- Para lhe dar uma chance de compensar um pouco do que fez.

- Mas eu não me arrependo do que fiz.

Shiryu desencostou-se da parede e olhou feio para Ikki.

- Acho que devia ouvir a proposta. – e voltou a posição anterior.

- Ok. Qual é a proposta?

- ...

(-)

Meia hora depois Ikki deixava o quarto de Saori, com Shiryu e uma promessa a tira-colo.

- Shiryu por que você me impediu de sair do quarto, entrando na conversa? – se não fosse pelo Dragão a essa hora ele não moraria mais na mansão.

- Por que eu sei que você errou, mas todos erramos e um dia você vai perceber que erro e eu queria estar lá para ajudá-lo a corrigir esse erro. – ficou rubro quando percebeu o que disse. - Estou atrasado pra aula, é melhor eu ir.

- Você não tem aula a noite.

- Tenho um curso extra hoje. Tchau. – e saiu pela direção contraria a que Ikki seguia.

"Não entendo, será que foi um erro tentar levar meu irmão pro caminho certo? Shun. Sinto sua falta, mas você errou e só vou ter aceitar como irmão quando resolver obedecer minhas regras. E aquela atitude de Shiryu, era estranha essa preocupação do chinês".

Sem saber Shiryu tinha falado demais e posto uma pulga atrás da orelha de fênix.

Dormir agora era uma luta perdida antes mesmo de começar, mas tinha justificativa, ou melhor, justificativas: a festa terminara quatro horas da manhã; aquela conversa com Saori; e o mais importante, a porcaria do cisne de pelúcia que ele encontrou no fundo da mala.

Ele tinha que ter inventado de pegar seu pijama de bolinhas na mala, justo naquela hora? Malditas sejam as mudanças de temperatura. Maldito seja Afrodite, que não voltou a festa. Maldita seja Saori por ter conversas confusas e defeituosas. Maldita seja a sua mente por estar ligando fatos que não deveriam jamais se conectar. Quem foi que disse que ele estava nervoso por ter encontrado o cisne? Ele nem estava nervoso. O fato dele ter se lembrado que o cisne foi um presente de Hyoga, não tinha nada a ver com a conversa, ok?

"Se acalme, respire fundo e pense, com calma" – esse era o mantra que ecoava dentro de sua cabeça.

Analise dos fatos. Desde que chegou sentiu muita falta de todos os amigos, do irmão e também do loiro, muita falta do loiro, e remorso por ter ignorado ele friamente, parecia que ele tinha algo importante pra falar.

E o que ele tinha feito na sorveteria, com certeza era sobre isso que o loiro queria conversar. Mas por que ele tinha mesmo feito aquilo? Ah ,sim porque o loiro estava acompanhado daquela mulherzinha oferecida... O meu Deus.

Depois ele foi para o santuário, por que não podia mais ficar no Japão. Por que? Ele não sabia.

- Diga a verdade para você mesmo! – meu deus ele estava ficando louco, estava até ouvindo a voz da Saori. – Por que você fugiu?

Isso sim era uma pergunta difícil.

- Você sabe, diga. – ok, essa voz já assustou.

- Porque eu não conseguiria ficar e vê-lo com ela sem poder fazer nada... – Shun tapou a boca com as mãos e saiu correndo da casa para o jardim de Shaka.

Caiu em meio as flores no gramado e sentiu as lagrimas descerem pelo rosto num fluxo continuo e doloroso, nesse momento ele se deu conta do que estava realmente acontecendo.

- Não, não, não... Deus, não! – ele não podia. Isso não estava acontecendo. – Hyoga, não! – ele não podia estar apaixonado por um homem.

Ele estava apaixonado pelo loiro. E não era pouco. "Meu Deus, o que eu fiz na sorveteria, na reunião, tudo foi por ciúmes. Não, não, não. Alguém deve ter descoberto. O meu Deus. Hyoga não pode desconfiar. O que ele vai pensar de mim." E as lagrimas rolavam no compasso da respiração dele.

- Monstro! É isso que ele vai pensar. Que eu sou um monstro! Monstro! – "Não ele na pode descobrir. Eles não podem saber. Eles nunca vão saber". – Ikki, você está certo. Não mereço ser seu irmão. – "Eu não mereço nada de ninguém".

O despertador marcava três da manhã. Já deveria ser tarde o suficiente. Saori disse que deveria ser depois da meia-noite. Hora de colocar o plano em pratica. Que Deus ajude.

Desceu as escadas e foi para a fonte do lado de fora da mansão. Que comece o show.

- Nêmesis! – disse ele olhando para o céu.

- Olá, garotão.

Ele virou-se de costas e lá esta a ruiva em roupas de couro tão apertadas que deviam ser proibidas de circularem nas ruas.

- Já estava pensando que não viria. – disse ele sorrindo.

- Ainda impaciente, não? – disse ela. – Vejo que esta feliz! Por quê me chamou?

- Porque sou um homem de palavra. Quero cumprir minha parte no contrato.

- E você supõe que sabe como me ajudar?

- Sim, senão por que chamaria você?

- Bom. Já que é assim, conte-me o plano.

- Não é bem um plano, é mais como uma informação. Uma ótima informação. – ele parou para observar o rosto dela. – Mas acho que você poderia considerar o fim do nosso acordo. O que acha?

- Uma boa informação? Muito boa?

- Sim. – ele tinha que jogar as cartas na mesa. – Sei onde esta a única arma capaz de matar um deus.

- Jura? Encontrou a adaga?

- Exatamente, mas você tem que aceitar a localização como minha parte no contrato.

- Garotão você é um ótimo negociante. Feito, agora me conte.

- A adaga esta na sala de troféus da mansão, mas amanhã ela vai voltar pro santuário.

- O resto é comigo! Foi um prazer negociar. – ela desapareceu.

Ikki pegou o celular.

- Shiryu. Ela aceitou, agora é com vocês.

- Ok. – Shiryu desligou o celular e correu a te a porta de carvalho no fim do corredor. – Saori! Ela está vindo eu vou dar a volta.

Ele correu pra fora da mansão e deu a volta entrando pela porta da cozinha. Parou na porta traseira do salão de troféus. Pegou um spray de tinta da mochila e desenhou um símbolo na porta.

- Agora só falta uma porta e o resto é com a Saori. – Ele correu até a porta anterior e esperou até ouvir que tinham duas pessoas conversando lá dentro.

Ele desenhou o símbolo nessa porta também e saiu para encontrar o Ikki no chafariz.

- Você esta bem? – foi a primeira coisa que teve vontade de saber assim que viu Ikki sentado no chafariz.

- Preocupado, mas bem. E você?

- Bem.

- Elas estão presas?

- Sim, agora é só rezar para que tudo de certo. – cada vez que olhava para Ikki sentia o peso de seu preconceito, mas não havia muito a fazer sobre isso o mais importante agora era ajudar Shun. Ikki não tinha concerto e mesmo se tivesse existia Pandora. – Que vença a melhor!

- Espero que Saori seja a melhor.

- Que Zeus nos ajude.

Saori estava na sala dos troféus escondida atrás do trono nacarado na parede esquerda. Esperava pela deusa ruiva, mas estava impaciente sobre Ikki conseguir enganá-la.

- Saori! Ela está vindo eu vou dar a volta. – ela ouviu isso do lado de fora, sentiu o corpo todo relaxar, só faltava mandar aquela vaca pro inferno. O único problema era: para impedir a vadia de fugir teve que isolar a sala e com isso não tinha poderes, mas a ruiva também não teria; então seria a maneira humana. Ela observou a parede oposta, a coleção de armas de seu avô, talvez não fosse tão difícil.

Ela ouviu a porta bater e a ruiva passar procurando algo. A adaga. Ela aguardou mais um pouco e saiu do esconderijo.

- Procurando algo? – perguntou para a ruiva.

- A brega abandonou o vestido de lençol? – disse ela ironicamente. – Se tocou que ele saiu de moda a muitos séculos?

Saori usava calça jeans skinny,e blusa de alça.

- Pra alguém que só usa couro você fala demais. O que procura em minha casa?

- Creio eu que você não pode me ajudar. Mas, de qualquer maneira estou procurando a Adaga.

- Quer me matar? Por que não tentamos de uma maneira limpa.

- Ora, mas eu não pretendo fazer muita sujeira.

- Não seja idiota. Estou propondo um duelo, como das outras vezes.

- Mas que eu saiba das outras vezes o duelo era com um dos seus cavaleiros. Eu não vejo nenhum.

- Dessa vez será só entre mim e você. O que me diz?

- Não sei. – ela parou olhou para as armas. – Se eu vencer?

- Te dou a adaga.

- Então é um duelo de vida ou morte. Aceito.

- Escolha uma arma. – ela apontou pra coleção.

A ruiva escolheu uma lança. Athena pegou uma katana.

- Agora. – gritou Saori.

Elas correram uma de encontro à outra. A ruiva deu o primeiro golpe que Saori defendeu, mas não agüentou a força então pulou pra trás e investiu novamente. A outra segurou o golpe por pouco.

- Por que estamos sem poder?

- Na verdade estamos presas aqui para impedir que você fuja do ultimo golpe.

Athena correu pela sala se lançando sobre a ruiva que a jogou de volta a porta com a lança.

- Está jogando serio. Que bom, mas isso quer dizer que uma de nós vai morrer de verdade. Não há volta.

A ruiva correu ate a porta e prendeu Saori com a lança.

- Dá pra ficar melhor?

Athena quebrou a lança de Nêmesis e se soltou.

- Não poderia querer mais nada.

A ruiva correu e pegou uma espada a tempo de defender-se de um ataque.

Depois de destruírem todas as armas e dos insultos batidos as duas lutaram corpo-a-corpo.

Athena derrubou Nêmesis no chão e subiu na barriga dela.

- Isso é por você se meter com Ikki. – deu um soco nela. – Isso é pelo Shun. – outro soco. – Isso é por mim. – outro soco. – E isso, isso é, isso é, eu não sei pelo que é. – quebrou o nariz dela.

- Vadia, você quebrou o meu nariz.

- Não sua puta eu ganhei.

- Merda, que falta de classe. – disse a ruiva.

Athena tirou a adaga do cós da calça.

- Suas ultimas palavras?

- Vá pro inferno.

- Espere por mim lá, querida. – enfiou a arma no peito da outra.

Saori ficou olhando o corpo da outra sumir. Tirou o celular do bolso um pouco arranhado.

- Shiryu? Pode abrir a sala, ela já foi.

Afrodite acordou tarde, nenhuma surpresa já que teve companhia a noite toda, olhou ao lado da cama e lá estava Carlo. Beijou sua boca.

- Vou tomar um banho e ver como está Shun. – ele se levantou nu e caminhou até o banheiro, ligou a banheira.

- Virou baba do garoto? –perguntou o outro.

- Está me confundindo. – colocava os sais na banheira.

- Então porquê vai ir vê-lo agora.

- Porque ele era meu acompanhante ontem e eu o abandonei na festa. – Afundou na banheira.

- Você não é tão amigável. Por que esta tão próximo desse garoto?

- Eu me identifico com ele. E sinto que ele precisa de mim.

- Quem diria o sem coração preocupado com outra pessoa.

- Depois da noite que passamos juntos você não pode me chamar de sem coração.

- Aquilo era sexo, sempre foi. Estou me referindo ao fato de você não se apegar a ninguém.

- Como assim? Você esta sempre perto de mim, e devo dizer, muito perto.

- Mas você nunca disse amar alguém.

- Você ama alguém?

- ... – ele não respondeu.

- Se você não ama, não pode dizer que não tenho coração, senão você também não tem.

- ... – "Mas eu amo você! Seu imbecil". – Estou indo.

- Tranque o quarto quando sair.

Afrodite se arrumou e caminhou até a casa de virgem.

- Olá. Shunny?

Ele foi entrando e revirando a casa. Nada. Atravessou até o jardim, e lá ele viu algo no chão. O que aconteceu? Ele se aproximou do corpo e viu o rosto de Shun com marcas de lagrimas.

Merda, que porra acontecera ali? Afrodite carregou Shun para dentro da casa de virgem e o colocou num sofá. O corpo desfalecido não movera-se um milímetro sem sua ajuda. Chamou Shaka ampliando a intensidade de seu cosmo.

- Shun! Acorda, anda! – repetiu o mesmo procedimento de quando o encontrou, mas só obteve um resmungo incoerente como resposta.

Em pouco tempo Shaka estava passando pela porta da saleta onde os outros dois estavam.

- O que aconteceu Afrodite? – estava com um semblante realmente preocupado.

- Ainda não descobri. Encontrei ele de bruços no jardim, com o rosto marcado por lagrimas. – esperou a reação de Shaka, que não aconteceu. – E desde então ele só resmunga coisas que não entendo e por mais que eu o chame não acorda.

Shaka examinou Shun atentamente sob o olhar de um ansioso Afrodite.

- E então? – perguntou assim que o loiro se levantou.

- Ele parece estar dormindo. Apesar de não acordar o que significa que ele sofreu grande desgaste emocional. – Shaka tirou Shun do sofá com a ajuda do outro cavaleiro. – Vamos coloca-lo na cama,sim.

Afrodite não questionou. E os dois levaram Shun para o segundo andar, Afrodite a frente abrindo caminho e Shaka levando o corpo adormecido de Shun.

Shaka depositou o corpo na cama de casal ali presente e virou-se para Afrodite.

- Alguma ideia do que possa ter causado isso?

- Impossível, não o vejo desde a festa. Só ele pode nos esclarecer, quando acordar.

- Bom, então pode continuar o seu dia, porque isso aqui vai demorar.

Afrodite resolveu dar-se por vencido e sair sem companhia. Ele já estava saindo pela porta quando o loiro o chamou e disse:

- Poderia avisar Mu que os planos para hoje foram cancelados e dizer-lhe que estou aqui com Shun?

- Para o mestre posso fazer, mas não vá se acostumando, ainda não sou menino de recados e não pretendo ser um. – e saiu do quarto com uma risada sarcástica.

Shaka conhecia todos os cavaleiros do santuário, e a maioria deles ele conhecia mais profundamente. Afrodite era um desses. O loiro sabia que Afrodite tinha um gênio difícil, que era sínico, inescrupuloso, materialista, superficial e mais uma tonelada de predicados não tão convidativos, mas também sabia que a maioria dessas qualidades era uma barreira para deixar o resto do mundo do lado de fora da sua vida. Afrodite tinha medo de deixa as pessoas se aproximarem dele realmente e que assim pudessem vir a machuca-lo. Por isso Shaka, aguentava a maioria das intrigas que o outro aprontava nos arredores.

Mu entrou no quarto e encontrou Shaka perdido em pensamentos, um grave descuido para um cavaleiro, mas para o loiro algo realmente impossível de acontecer. "Uma ótima chance". Mu se esgueirou pela parede até estar peto da poltrona, e então enlaçou o pescoço de Shaka com um braço e virou seu rosto com a mão só para beijar-lhe os lábios.

- Será que posso ter sua atenção por um momento? – sorriu e beijou o loiro novamente.

- Sou todo seu. – disse Shaka retribuindo o beijo intensamente.

Mu interrompeu o beijo voltando a razão.

- Então, o que houve com ele? – apontou pra cama.

- Agora está dormindo, mas não acorda.

- Por quê?

- Não sei, tudo indica que ele passou por um mau momento.

Mu desenroscou-se de Shaka e foi a te a cama e observou a expressão dolorida no rosto de Shun.

- Ele ainda é só uma criança, como pode estar sofrendo tanto?

- Ele não é tão mais novo que você.

- Eu sei, mas como algo assim pode estar acontecendo?

- Queria ter essa resposta. – respondeu o loiro, olhando para a face piedosa de seu amado. – Assim, quem sabe poderia ajuda-lo.

- Sei que sim, esse é um dos motivos de amar tanto você. – Mu contornou a cama para dar um beijo na nuca de Shaka. – Vou descer e preparar algo para comermos.

Shaka pegou a mão de Mu e levou-a aos lábios.

- Obrigado, meu anjo.

Mu deu uma ultima olhada no garoto entre os lençóis e saiu fechando a porta.

(-)

Hoje era o grande dia para Hyoga, após o que ele imaginava ser quatro meses perdidos de aula no colegial ele iria finalmente fazer a prova para a universidade. Foi de metrô até o local da prova, que por ventura era a própria instituição de ensino a qual ele era candidato.

Ele chegou muito cedo, então resolveu fazer um tour pelo local e ver o que havia de tão bom ali que justificasse a insistência de Saori para que se graduasse no mesmo local que ela.

Como esperado já estava no terceiro piso e não encontrara nada de mais no local, era igual a toda universidade, havia bibliotecas, salas e banheiros, que era o que ele precisava agora, mas não encontrava nenhum.

Dobrou um corredor e deu de cara com a porta do banheiro, não parou nem para pensar e correu para a porta agarrando a maçaneta e abrindo a porta de uma vez, derrubando alguém lá dentro.

O loiro acabou esquecendo a sua urgência e foi tratar de ajudar a pessoa a levantar, ficou até preocupado, pois a pessoa estava de cabeça baixa e balançava-a lentamente com a mão no pescoço.

-Você está bem?

A pessoa levantou a cabeça e Hyoga percebeu que era um garoto ruivo, magricela e baixinho, não passava de um e sessenta, tinha cabelos cacheados como os de um querubim, o rosto fino e a pele clara e meio rosada, o que garantia a aparência de um anjo ao garoto.

O loiro estendeu a mão para ajuda-lo a levantar.

-Estou. – o garoto aceitou a mão do loiro. – Está perdido?

-Não, só queria usar o banheiro.

- Ah, mas você não viu o aviso? – o garoto apontou para a porta. – Esse banheiro é só para funcionários.

- Eu não fui o único.

- Como assim?

- Você deve ser um estudante, não?

O garoto ficou de cara feia e olhou o outro de cima a baixo.

- Não, na verdade sou Físico.

Hyoga olhou para a porta e dela novamente para o garoto só então reparando no jaleco branco dele.

- Desculpe-me sensei. – apressou-se em dizer.

O loiro saiu o mais rápido que pode daquele banheiro, encontraria outro, só o que faltava era criar inimizades com os funcionários da universidade antes mesmo de começa a estudar.

(-)

Seiya acordou com o celular vibrando embaixo do travesseiro pela centésima vez naquele dia.

- Espero que não seja a Mino outra vez! – pegou o aparelho e atendeu.

- Alô! – era a garota outra vez. – Mino, eu já estou indo, me de cinco minutos.

Ele desligou o aparelho e pulou da cama resmungando enquanto vestia qualquer coisa apressadamente.

- Espero que seja algo realmente importante. – disse fechando a porta do quarto.

(-)

Ikki estava muito ansioso enquanto andava de um lado para o outro no parque em que se encontraria com Pandora. Apertava a caixa em seu bolso insistentemente. Como será que ela reagiria ao seu pedido? Não havia motivos para que não aceitasse. Já estava namorando há meses.

Ele havia preparado a coisa toda, marcara no parque, que era o lugar mais visitado por eles, comprara um anel, com uma pedra de rubi discreta, mas bem presente, flores, um carro, que a propósito era algo que só ela apreciava.

Se estava tudo certo, por que demorar tanto?

- Hei, Ikki! Está aqui há muito tempo? – perguntou a morena aparecendo de lugar algum.

- Não, só alguns minutos! – mentira, ele estava esperando a mais de uma hora, mas jamais iria admitir isso. "Merda de cavaleiro, pareço uma adolescente apaixonada".


Então é isso.
Mil desculpas
Fim