Donzela selvagem

Cerca de cem homens escolhidos por Harry Potter seguiram para a Ala dos Granger enquanto o restante do Exercício Alvo, com Mason Roland à frente, manteve a marcha rumo à Ala dos Potter. Fênix, o escudeiro de Harry que na verdade era a garota Weasley, seguiu com o pequeno grupo de seu senhor. Por uma lua os homens tomaram o caminho para nordeste. A estrada era difícil, cheia de subidas e, em alguns pontos, com tantas pedras que animais foram sacrificados depois de machucar as patas e rodas de carroças quebraram. No oitavo dia, avançaram para leste alcançando novamente a estrada plana e, com ela, a terra dos Granger. Estavam na borda da ala; precisavam checar ao castelo, a mais um dia de viagem.

Os primeiros moradores locais que encontraram foram aqueles que viviam em pequenos vilarejos. Muitos tinham construções destruídas, e nem todos estavam habitados. Nos que tinha gente podia-se perceber que as pessoas tentavam levar a vida, apesar da guerra: trabalhavam na terra com esperança de fazer algo crescer antes do inverno, na reconstrução de casas ou modestos estabelecimentos comerciais, mulheres lavavam roupas ou davam banho nos filhos em um riacho, crianças brincavam... Todos cumprimentavam Harry Potter e seus homens, e alguns poucos até chegaram a parar o líder do grupo para trocar algumas palavras.

Ao anoitecer não tinham passado por mais do que meia dúzia de vilarejos habitados, onde qualquer um ficaria feliz em receber o Exército Alvo. Havia boa vontade, porém eles eram numerosos e ficariam melhor em uma estalagem. Depois de tantos dias dormindo sob o céu, seria bom ter um teto.

Gina parou na estalagem cheia de frustração. Queria continuar a viagem noite adentro e chegar logo ao castelo para ver seu irmão. Havia imaginado o reencontro de tantas formas diferentes, mas, pelos deuses!, não sabia como reagiria ou o que aconteceria. Rony a reconheceria ou não? Se não, deveria abraçá-lo e contar a verdade a ele assim que chegasse? Fingir que não o conhecia até ter a chance de revelar quem era quando estivessem a sós? E se ele a reconhecesse? Concordaria que mantivesse sua história ou revelaria a verdade a todos? A faria abandonar os brancos? Seria insuportável ficar trancada em um castelo com outras mulheres quando todos os homens capazes lutavam... Deixar Harry, abandonar seu cargo de escudeiro. Quanto mais pensava, mais dúvidas surgiam. Não via o irmão fazia tanto tempo! O Rony Weasley que saiu de Marossert era um menino e aquele que ia encontrar era um homem feito. Tinha se transformado em um cavaleiro e um nobre. No que mais haveria se transformado?

O temor e a ansiedade tomavam conta dela, que tentava ignorar os sentimentos e parar de pensar no reencontro. Precisava jogar essas ideias para fora e esquecê-las, porém quando isso acontecia seus pensamentos acabavam nas palavras de Carice.

A conversa que tinha ouvido dias atrás entre a bruxa e Harry a havia deixado cismada. Se perguntava o que dizia exatamente a tal profecia. Sabia que ela dizia que Harry era O Escolhido para matar Voldemort, O Negro, porém o que mais? O que era tudo aquilo sobre achar uma razão, a fênix e ver o que ela traria? Nunca havia acreditado na tal profecia, mas não duvidava que Carice tinha alguma magia. E se uma bruxa poderosa acreditava, a profecia devia ser verdadeira. Certo?

Contudo, mais do que acreditar na profecia, ela acreditava em Harry Potter. Não duvidava que ele pudesse derrotar O Negro em um duelo de espadas. Harry nunca perdia para ninguém. Havia sido derrotado por ela uma vez, mas Gina tinha de admitir, mesmo que na época não pudesse enfrentar a ideia, que havia dado sorte. O cansaço dele e a tempestade que caía na ocasião contribuíram para sua vitória, apesar dela ter lutado realmente muito bem. Com treinos, talvez um dia fosse melhor do que Harry, mas esse dia não havia chegado. Ela nunca diria isso em voz alta, mas depois de observá-lo por dois ciclos de lua, sabia que Potter era muito melhor do que ela. Na verdade, era o melhor guerreiro que havia visto.

Naqueles últimos dias em que estiveram cercados por cem e não pelas centenas de homens que formavam o Exército Alvo, observar e conversar com Harry tinha sido mais fácil. Geralmente ele tinha decisões a tomar e tarefas para fazer sem seu escudeiro, mas Potter parecia mais alegre no caminho para a Ala dos Granger. Talvez porque logo iria reencontrar amigos, porque estivesse mais perto de casa ou porque dormia melhor e bebia menos vinho. Provavelmente a bruxa havia lhe dado a poção contra sonhos da qual tinha falado.

Às vezes, quando acordava a noite para se aliviar ou porque algum barulho ou sonho a havia despertado, a garota observava o nobre a quem servia. O rosto dele parecia tranquilo, sem a perturbação anterior. Se sonhava, certamente eram sonhos bons, porque às vezes sorria de olhos fechados, fazendo Gina sorrir também. Ele tinha um rosto que sua mãe chamaria de "admirável" ou "bonito". Se Molly Weasley tivesse conhecido Harry Potter, ela iria rir e corar, como costumava fazer quando saía com a filha e lhe apontava um homem que considerava belo. Gina revirava os olhos e apressava o passo nessas ocasiões, mas com Harry ela teria de fazer diferente. Seria obrigada a concordar, porque ele era bonito. Tinha estatura mediana, era forte sem ser corpulento, com um rosto ligeiramente quadrado, que ele tentava manter sem barba. Porém, o que ela mais gostava nele eram os olhos: verdes, profundos, perturbadores.

A garota sabia que Harry, fosse por ser um nobre ou por ser bonito, mas provavelmente por ambos, era bastante cobiçado. A puta de Black, Gemma, estava sempre o olhando, sem falar das outras prostitutas do acampamento. Harry não queria que mulheres seguissem para a Ala dos Granger, mas Black insistiu em levar Gemma com ele, apesar de mal ter encarado-a por toda a viagem. Em compensação, outros homens a encaravam e faziam muito mais, Gina bem que sabia. Mais de uma vez havia visto, quando saía ao entardecer para caçar, ela enroscada a um nobre ou cavaleiro. À noite, Gemma sempre dava um jeito de parar ao redor da fogueira de Harry, cheia de sorrisos e com uma coleção de piadas sujas que parecia divertir a todos. Uma vez, quando Gina tentava dormir, a ouviu sussurrar para Potter:

- Seria por prazer, não por ouro, que me deitaria com você.

Aquilo irritou a garota profundamente, mas quando Harry respondeu que não estava interessado, ela riu sozinha. Depois ficou se perguntando por que ele havia recusado Gemma. Na manhã seguinte, com muito cuidado com as palavras, perguntou ao homem que servia o porquê dele não gostar da prostituta.

- Gosto dela – Harry rebateu. - Gemma é divertida, mas também vulgar, o que, diferente de meu padrinho, não acho atraente em uma mulher.

Certamente, Gina pensou, você não acha Carice vulgar.

O que havia acontecido entre Harry e a bruxa era outra coisa que havia incomodado seus pensamentos. Logo, porém, ela chegou à conclusão que eles tinham sido amantes. Que outra razão haveria para Harry falar sobre "beijos e promessas"? A ideia não a agradava, mas era menos desagradável do que pensar que Harry poderia escolher Gemma. Carice, ao menos, fazia parte do passado, já que estava com Roland.

Não ter a bruxa na jornada rumo aos Granger era bom para Gina. Não se sentia sempre vigiada, mesmo que Black estivesse em seu encalço. Ele a importunava. Fazia a mesma pergunta várias vezes, como se quisesse pegá-la em uma mentira; atirava coisas; tentava assustar seu cavalo para derrubá-la; a chamava para treinar luta de espadas apenas para ter a oportunidade de derrubá-la ou machucá-la. A garota tentava ser paciente, porém às vezes realmente se irritava. Na oitava noite de viagem, quando já na terra dos Granger pararam na estalagem, Black ordenou assim que saltou da sela:

- Fênix, leve meu cavalo para o estábulo e cuide dele.

- Peça a Kalton, ele é seu escudeiro, senhor.

- Kalton vai comer comigo e meus homens. Vá, faça o que mandei!

- FAÇA VOCÊ! - ela gritou, furiosa com as provocações que havia aguentado o dia todo. Agarrou o arreio do seu cavalo e do de Harry, que também já havia desmontado, e seguiu para o estábulo. Uma flecha passou voando ao lado dela e atingiu uma árvore à esquerda.

- Tome isso como um aviso, seu...

- Padrinho, chega! – Harry parou de frente a Black, que mantinha o arco pronto para ser usado novamente - Se você quiser que alguém cuide de seu animal, peça a seu escudeiro ou a seus criados. Fênix, vá para o estábulo. Sem discussão!

Ela chutou a parede mais próxima assim que entrou. Um chute atrás do outro, fortes o suficiente para fazerem os cavalos relincharem.

- Ei, garoto! O que é isso? – Michael Corner estava no fundo do estábulo, alisando seu cavalo negro. Ele e mais meia dúzia de homens haviam ido na frente do resto do grupo; eram batedores. – Se você quebrar alguma coisa, seu senhor vai ter que pagar. Acredite quando digo que os brancos não precisam de mais dívidas.

- Se esse estábulo rachar com uns chutes é bem merecido por ser tão vagabundo!

- O que aconteceu, rapaz?

- Black. Sempre ele!

Gina tirou os arreios e selas dos cavalos e lhes deu água antes de começar a tirar pedras de suas ferraduras. O cavalo de Harry era um garanhão preto e branco chamado K, enquanto o da garota se chamava Sem Nome. Quando o animal lhe foi dado, ninguém parecia saber como ele se chamava e, por isso, terminou sendo Sem Nome. Com o tempo a garota percebeu que o cavalo era calmo e silencioso, por isso Gina tentou chamá-lo de Sombra, mas a essa altura ele só respondia por Sem Nome.

- Sem Nome! - ao seu chamado, o animal marrom relinchou e passou pela meia porta, entrando no espaço coberto de palha onde já estava K.

Depois de algum tempo, Harry apareceu no estábulo com os cabelos molhados e a cara lavada. Certamente havia usado a casa de banhos da estalagem.

- Tudo bem por aqui? – ele acariciou K, que disputava espaço com outros cavalos.

Havia mais gente e animais ali naquele momento do que quando Gina chegou. Os homens se dividiam: corriam para encher a barriga, para a fila da casa de banhos, para buscar as melhores prostitutas que o vilarejo tinha a oferecer... Contudo, antes que fizessem qualquer coisa, era preciso cuidar dos cavalos. Os que tinham escudeiros ou criados deixavam os animais a cargo deles, mas alguns dos que acompanhavam Harry, como Corner, faziam tudo por si só. O estábulo da estalagem não dava conta de todos os cavalos, e Gina estava certa que os animais que puxavam as carroças teriam de dormir ao relento. Nada que eles não estivessem acostumados.

- Tudo certo, senhor – ela respondeu.

Harry continuava a acariciar K; ele não olhou para ela quando disse:

- Sabe, Fênix, você não deve dar ouvidos ao que meu padrinho diz. Quando mais irritado ficar, mais divertido será para ele. Da próxima vez, apenas o ignore. Eu lidarei com Sirius.

- Sim, senhor.

O nobre a encarou com as sobrancelhas franzidas.

- Tem certeza que está tudo bem? Você não costuma falar tão pouco ou concordar com tanta facilidade.

Gina desejou por um instante dizer a verdade, que ela estava cansada do padrinho idiota dele, de não saber como Rony a trataria ou se ele se lembraria dela, que estava incomodada por causa de Gemma, Carice e toda aquela coisa de profecia, mas preferiu a resposta mais fácil.

- Sim, senhor. Não há nada errado.

- Você não parece bem. Parece menor e mais magrelo do que o normal. Quando terminar com K e Sem Nome, vá comer. Os outros cuidam os animais das carroças - ele colocou oito moedas de cobre na mão dela. - Temos o suficiente para uma refeição quente e um banho para todos.

Harry deu as costas à garota e correu para alcançar o cavaleiro Corner, que o havia cumprimentado quando saía do estábulo. Eles foram conversando rumo à estalagem, e Gina voltou a prestar atenção aos cavalos depois de guardar as moedas no bolso. Os animais estavam limpos e não cheiravam mal, diferente dela.

Potter tinha lhe dito, dias atrás, que dos escudeiros que havia tido, Fênix era o que menos gostava de água. Mesmo que estivesse fedendo, ela não se atreveria a entrar na fila daqueles que se dirigiam para as tinas ou se ariscaria no riacho de uma aldeia cheia de gente. Esperava ter oportunidade de se lavar quando chegasse ao castelo dos Granger. Havia tanto tempo desde que tinha se banhado que nem se lembrava mais de quando havia sido. Os carrapatos e pulgas que grudavam em seu corpo e vestes eram quase seus amigos.

Ao abrir a porta da estalagem pouco depois, Gina caiu sobre o traseiro ao desviar de um par de corujas que voaram em sua direção. As aves alcançaram o céu antes que ela pudesse se levantar.

Ela limpou as vestes e passou as mãos nos cabelos ruivos. Eles continuavam curtos, mas cresciam rápido.

- Boa noite, senhor – sentou ao lado de Harry em um banco quase vazio. Ele era ocupado também por duas mulheres com cabelos loiros e olhos escuros, muito parecidas, sentadas do outro lado de Potter. Ele não lhes dava atenção, mas elas lançavam olhares e davam risadas que provavelmente pensavam ser discretas.

- Más notícias? – Michael Corner questionou do outro lado da mesa, sentado no banco à frente do deles.

- Pelos deuses, sim! – Harry enrolou o pergaminho que havia acabado de ler e o guardou nas vestes – Foi confirmado que a gripe de inverno atacou o exército liderado por Dumbledore. Quando a carta foi enviada, 18 homens haviam morrido e 37 estavam doentes – Harry se levantou – Preciso responder essa mensagem!

Potter saiu antes que ela pudesse perguntar se ele precisava de ajuda com as corujas... As corujas! Ela não havia alimentado os bichos naquele dia. Faria isso quando acabasse de comer.

A mesa em que estava encheu rápido. Homens do Exército Alvo e desconhecidos, certamente viajantes ou moradores do vilarejo, sentavam para comer, beber, conversar ou fazer graça com as mulheres que se espalhavam pelo lugar. Todas putas, certamente, porque sorriam e corriam para o colo dos homens assim que viam uma moeda, mesmo que fosse de cobre.

Enquanto engolia o pão de aveia e a sopa aguada servidos na estalagem com uma caneca de cerveja barata, Fênix observou Harry Potter voltar ao salão. Ele sentou ao lado de Sirius Black, com quem trocou algumas palavras, e lá ficou.

Com as moedas que deveria usar para o banho, Gina comprou mais cerveja. Enquanto bebia, observou que a sala comum da estalagem estava lotada. Um grupo começou a cantar "Donzela Selvagem", sobre uma bela donzela que havia sido obrigada a se casar com um homem que não amava. Na noite de núpcias, os deuses ouviram seu choro de tristeza e a transformaram em uma loba para que a moça pudesse correr para longe, mas, em vez disso, ela rasgou a garganta de seu marido. Como castigo, a mulher nunca mais voltou à forma humana.

Quando a canção terminou, praticamente todos faziam coro ao grupo inicial de cantores. Um deles se levantou, bêbado, começando outra música, e a puta semivestida que estava em seu colo caiu no chão com os peitos para fora.

Do outro lado do salão, Harry também se levantou para pegar mais bebida. Gina notou que ele voltou à mesa com uma expressão que misturava preocupação e angústia. Sirius não estava lá, havia subido às escadas que levavam aos quartos com uma prostituta jovem, mas Gemma continuava à mesa, com os olhos pregados em Harry.

A garota resolveu ir embora dali antes que aquele olhar sonso no rosto de Gemma a fizesse vomitar. Por todo lado homens e mulheres se agarravam, cantavam e bebiam, mas ela conseguiu abrir caminho até a porta em pouco tempo.

Depois de alimentar as corujas e limpar as gaiolas, ela pegou uma manta pesada em uma das carroças. Havia poucos homens ali, apenas aqueles que deveriam tomar conta da carga e fazer o primeiro turno da vigília. Nenhum se importou com sua presença ou seus movimentos; já estavam acostumados a Fênix, o escudeiro de Harry Potter.

Ela sabia que tinha uma vaga em um quarto. Um quarto com uma grande cama, onde dormiriam um punhado de homens e talvez até algumas mulheres. Mesmo que "Estalagem Pé-de-Coelho" estivesse escrito em tinta lascada sobre a porta de entrada, ela sabia que o local onde estavam não era uma estalagem, mas um bordel. Se tivesse um quarto só para ela, como Harry ou Black, não se importaria em dormir lá, porém não ia perder uma noite de sono por causa de gente fodendo em volta dela.

Gina entrou na baia onde havia deixado K e Sem Nome, tirou as botas e a capa e deitou apoiada sobre seu cavalo. As noites estavam cada vez mais frias, mas a manta a deixaria aquecida. Na noite seguinte, provavelmente estaria dormindo sob o teto do castelo dos Granger, onde seu irmão vivia.

Havia seis anos que não o via. Ela tinha nove primaveras quando ele partiu para a guerra; Rony tinha, então, 15. Quando ele se foi, sua mãe chorou por dias. A família já havia mandado Gui, Carlinhos, Percy, Fred e Jorge para lutar, e ver o último filho homem ir embora devastou Molly. Gina se lembrava de como a mãe havia ficado triste e adoecido. Só depois que Rony mandou a primeira coruja que ela melhorou. Molly vivia com medo de que algo acontecesse aos filhos e nunca se recuperou da morte dos cinco mais velhos. Quando as mensagens de Rony pararam, ela se preparou para receber outra carta dizendo que seu sexto filho estava morto. Morreu esperando a coruja, que nunca havia chegado.

Por que ele tinha parado de escrever? Havia se tornado um homem nobre e abandonado sua família? Se esqueceu do menino pobre que foi? A verdade era que ela não conhecia o Rony Weasley que veria no dia seguinte. E se ele a desprezasse?

As dúvidas sempre voltavam e, daquela vez, elas levaram lágrimas aos olhos de Gina. Ela apertou os olhos com força para afastá-las.

Estava quase dormindo quando ouviu alguém assobiar. Era um som alegre e jovial; por um momento, desejou que fosse Harry quem estivesse ali. Às vezes se sentia culpada por não lhe contar a verdade sobre quem era, mas sabia que isso significaria perder seu cargo de escudeiro e tudo que tinha conquistado como Fênix.

- Quem está aí?

O assobio parou, e Michael Corner apareceu sobre a meia porta da baia.

- O que você está fazendo aí, menino? Vai dormir com os cavalos?

- Melhor dormir com os cavalos do que com os animais no cio que estão lá dentro.

O cavaleiro riu e bebeu um gole da bebida que levava em uma garrafa.

- Você fala isso porque ainda é um menino verde. Todos, nos quatro cantos, sabem como é bom uma boa foda. Espere até se meter entre as pernas de alguém para ver – o cavaleiro se afastou, levando o assobio com ele.

Gina cobriu a cabeça com a manta e fechou os olhos mais uma vez. A imagem de Harry apareceu sob suas pálpebras, mas ela a afastou. Não deixaria ninguém se meter entre suas pernas. Ela era uma guerreira e guerreiros lutavam, não fodiam.

Tentou ignorar todas as ideias que a perturbavam e dormir. Demorou para que o Deus do Sono a abraçasse e, mesmo então, teve uma noite intranquila. Sonhou que era a mulher transformada em loba da canção, mas em vez de correr para longe de homem que havia acabado de desposar, correu para junto dele. O homem tinha o rosto de Harry.

Esse sonho se misturou a outros sobre sua família assassinada e sobre um Rony maligno que tinha o tamanho de um gigante. O resultado da noite mal dormida foi que, no dia seguinte, sentiu vontade de dormir sobre seu cavalo, o que não a impediu de atingir seu destino. O Castelo Granger não era tão longínquo nem tão comprido como seus companheiros de viagem fizeram Gina acreditar. Eles levaram metade da tarde, não metade do dia, subindo a montanha para chegar até lá e, quando atravessaram os portões, ela viu torres muito altas. Nenhuma, porém, parecia alcançar o céu.

O lugar era uma beleza; devia caber metade Marossert ali dentro. Havia tudo quanto era tipo de gente: crianças, homens e mulheres de diferentes idades, aparências e tamanhos. Sons surgiam de todos os lados: aço estalando na forja, choro de bebês, o lamento dos animais que virariam jantar, espadas batendo uma contra a outra, comerciantes anunciando bugigangas...

O Exército Alvo não tinha chegado sozinho. Pessoas seguiam o grupo por curiosidade, para mostrar apoio, falar com os homens ou porque queriam vender amuletos, ervas, cestas, comida, mulheres que prometiam diversão, mapas, cantis, mantas... Todo tipo de coisa útil e inútil. O pátio do castelo devia estar tão movimentado por causa da chegada deles; Gina não achava que o local ficasse cheio assim sempre.

Apesar das distrações, ela mantinha os olhos na porta principal do castelo. Uma sensação estranha, que a garota não sabia o que significava, mas que parecia revirar suas entranhas, crescia dentro de Gina, que tentava se manter sobre um Sem Nome agitado. Havia gente demais e o animal estava inquieto, assim como ela.

O que vai acontecer? Rony vai me reconhecer?, perguntou-se mais uma vez.

Mal a dúvida brotou dentro dela, um homem ruivo alto e forte, com olhos de um azul profundo, saiu andando a passos rápidos para fora do castelo. Harry correu em seu encontro e lhe deu um abraço fraternal.

- Rony! - ele disse, dando tapinhas em suas costas.

Se ela não tivesse ouvido o nome, não saberia que aquele era seu irmão Rony Weasley.


Nota da autora

Oie! =)
Estou feliz por estar de voltar e pela fic estar encontrando um ritmo. Fiquei satisfeita com esse capítulo e o próximo, eu sei, será difícil, mas importante, porque vai abrir caminho para coisas que acontecerão no futuro. Estou animada!
Agradeço a todos que estão lendo e, principalmente, comentando. Sei que tem gente que lê e não "fala" nada, mas o feedback de vocês é realmente importante. Afinal, é a única forma que saber que realmente estão aí, não? Não faria sentido escrever a fic se ninguém lesse e, se ninguém comenta, é essa a impressão que tenho: que estou escrevendo à toa. Por isso, muito obrigada a quem deixou review. A quem não deixou, fico feliz que esteja por aí, mas ficarei mais feliz ainda se deixar um oi.
Espero voltar logo, logo. Beijos!


Respostas as reviews

ooo kiss Potter: Também fiquei feliz em voltar a atualizar a fic. Era coisa que eu queria há tempos, mas estava difícil de encaixar à minha rotina. Sobre a história, por hora, outras coisas que não a fênix e a profecia tomarão a cabeça de Gina, mas voltaremos nesses assuntos. Há muito "pano pra manga", rs!
Realmente pretendo voltar com PnR assim que acabar essa fic. Gostaria que fosse esse ano, mas acho difícil... Quem sabe, né? Beijos!

ooo Ninha Souma: Oba, que bom! Fico realmente contente por saber que está acompanhando a história e gostando dela, mas tenho que dizer que vai precisar esperar um pouco para ver a Gina ser "desmascarada", rsrs... Tem umas coisinhas que planejo antes, tanto para ela quanto para o Harry. De fato, o que vem por aí vai chacoalhá-lo! Hahaha! Beijos!