Catherine sentiu falta de Grissom, para aconselhá-la. Ninguém sabia do seu paradeiro. Até para um sujeito como ele, uma semana é muito tempo! Ele às vezes, desaparecia por 2 dias: mas uma semana!

Não que Catherine, não apreciasse o cargo de supervisora, mas preferia ganhá-lo por seus próprios méritos. A descarga de raiva de Ecklie tinha sido nessa mesma sala há uma semana já. Em vez de ficar com raiva, como Ecklie, ela estava preocupada, com o amigo que sumira, sem deixar vestígio.

Catherine suspirou profundamente e olhou outra vez, para a ficha em suas mãos. Só contava naquele momento com Sara e Warrick. Os demais já haviam saído. Sabia o que Sara havia passado, há quase dois anos e não poderia obrigá-la a ir, mas não tinha mais ninguém.

Ela chamou os dois e falou que um interno do manicômio municipal, aparentemente se enforcou, Brass achava que podia ser homicídio, por isso foram chamados: para tentar descobrir! Entregou a ficha para Warrick e, assim que eles saíram, acomodou-se na cadeira de Grissom e atacou o trabalho.

Antes da policia chegar, Smart convenceu Stevens a ajudá-lo a levar Grissom, para um quarto diferente cuja porta mais grossa tinha uma janelinha, que se abria pelo lado de fora e a porta ficava permanentemente trancada.

- É uma medida de precaução, o quarto de Brian é contíguo ao dele, e sabe como são os policiais: aqui vai virar um pandemônio, Stevens. Temos de preservar o nosso paciente, não Stevens?- Justificou-se Smart dando uma piscadela cúmplice para o atendente.

O ISMN (Instituto de Saúde Mental de Nevada) era um casarão enorme, antigo e cor-de-rosa. Ficava numa parte isolada da cidade, justamente para os sãos não terem o desprazer de ver os doentes. Para o Instituto convergiam só casos irrecuperáveis: esquizofrênicos, catatônicos, psicopatas... Tinha doentes para todos os gostos.

Sara sentiu um arrepio, ao cruzarem as grades e, serem levados, por um atendente a uma saleta, onde esperaram pelo encarregado, que não tardou em chegar.

"Warrick Brown e Sara Sidle do Laboratório de Criminalística de Las Vegas.

" Sou Gabriel Smart".

Sara, não ficou bem impressionada: o sujeito tinha uma cara de fuinha e, apesar do nome (smart quer dizer esperto, em inglês), para ela, ele só se diferenciava dos internos, por não estar usando uniforme. Gabriel Smart, não pensava que a morte de Brian Silver fosse causar tanta repercussão.

"A polícia está lá" disse ele.

"Sabemos: foi ela quem nos chamou! Viemos constatar, se foi mesmo suicídio..."

"... ou homicídio." Completou Sara, que começava a se impacientar com o homenzinho.

Gabriel Smart pôs à mostra seu sorriso de fuinha e, enquanto chamava um assistente para levá-los à cena do crime, dizia:

"Ora, quem se incomodaria em matar um pobre louco?"

"Talvez outro louco, Sr. Smart" retrucou Warrick, muito sério.

Enquanto eram levados pelo atendente ao andar de baixo, onde ficavam os quartos , Gabriel Smart se punha numa atitude pensativa.

Ao chegarem ao quarto do morto, deram com Brass, discutindo com outro policial. Quando os viu chegando, abriu-se num sorriso. Cumprimentou-os e disse:

"Agora que chegaram, talvez possam me ajudar".

"Qual é o problema?" Perguntou Warrick.

"Estava discutindo aqui um assunto com o policial Davies. Enquanto afirmo que a esquizofrenia não tem cura, ele é categórico em dizer que com os avanços da medicina, ela é curável!"

Warrick reconheceu, que não entendia quase nada do assunto, então Sara assumiu:

"Você acertou, Jim, ela ainda é incurável. Com tratamento e medicação alguns pacientes podem melhorar, mas se curar não!"

Brass sorri para o policial como quem diz "eu sou mais esperto, olha!" Depois sério, para Warrick e Sara:

"Homem branco, 40 anos, esquizofrênico, aparente suicídio é o enforcado. Ali".

"Esse homem tem nome?"

"Tem sim, Sara. Desculpe... é Brian Silver!"

"E porque você suspeita que não é suicídio?" Perguntou Warrick.

"Um pouco por esse faro, de velho policial; um pouco porque não precisa ser legista pra ver que esse pescoço foi quebrado por outra coisa, que não a corda".

Os CSIs observaram o pescoço do morto, e Sara aproveitou para tirar várias fotos de tudo. Enquanto ela tirava fotos dos remédios que estavam sobre o criado mudo de Brian, Warrick achou alguma coisa enganchada na camisa do morto. Era um pedaço de madrepérola, ou algo semelhante. Sorridente, guardou a lasca num saquinho.

"Temos alguém descuidado, também!"

Sara só achou medicamentos de pouca importância no criado mudo, como aspirinas e Tylenol, por exemplo. O atendente, veio em sua ajuda:

" Os remédios para as doenças, são receitadas por dois médicos e dados pela enfermeira Jansen. Mas eles só se encontram aqui, após oito da manhã!"

" Está bem! Estarei aqui para interrogá-los. Obrigada!"

Com a chegada de David, que se atrasou ao errar o caminho, souberam a hora da morte da vítima: 22 h.

" Ahah! " fez Brass "mais um motivo para achar que foi homicídio. A polícia só foi notificada do fato à meia noite!"

Sara tinha uma ruga na testa.

"Não sei! Em um lugar assim é mais comum acharem o corpo, pela manhã! É estranho à meia-noite! Quem achou o corpo?"

"O encarregado Smart" respondeu Brass.

Sara não pode conter uma onda de aversão que lhe surgiu. Não gostava daquele sujeito. Virou-se para o atendente e pediu:

" Pode trazê-lo aqui, por favor!"

Warrick conhecendo bem Sara, prontificou-se a interrogar o Sr. Smart, deixando-a aliviada. Não sabia porquê, mas achava aquele homenzinho insuportável!

Assim que Gabriel Smart chegou,Warrick conduziu a investigação.

"Foi o senhor que achou o corpo?"

"Exatamente!"

"A que horas foi isso?"

"Meia-noite!"

"Horário incomum, não?"

"Nem tanto! À partir de meia-noite, a cada duas horas é feita uma ronda, pra ver se os internos estão dormindo, ou precisam de algo".

"Entendo.. então é normal, o senhor fazer a ronda àquela hora?"

"Não. Geralmente, ela é feita pelo atendente Stevens, o que desceu aqui com vocês. Calhou que ontem eu não estivesse dormindo..."

"Isso acontece, às vezes, ou foi a primeira vez?"

"Foi a primeira" Respondeu o atendente, tirando a oportunidade de Smart responder.

Sara, continuava fotografando o lugar, e olhava de rabo de olho, aquele homenzinho, entre uma foto e outra. Analisava o porquê de tanta repulsa. Pra começar ele tinha mesmo cara de fuinha: olhos apertados e uma cara bicuda. Tudo nele era bicudo: orelhas, nariz, queixo... Era pequeno (1,65 m, se tanto!) e, tinha um aperto de mão mole e pegajoso. A voz também não era agradável aos ouvidos: era anasalada, monocórdia , que em pouco tempo, acabava cansando o ouvinte.

Sara sorriu, ao pensar nele dando uma palestra e, comparou-o a Grissom... Grissom, agora que tinham se acertado, ele sumira assim, sem mais nem menos...Ela estava muito preocupada, embora não pudesse dividir seus temores, com ninguém.

O interrogatório a Smart continuava.

"O senhor estava vestido assim?"

"Sim".

"Tocou no morto, de alguma forma?"

"Não. Não teria motivo pra isso".

Warrick observou, que ela usava abotoaduras de madrepérola; e a do pulso esquerdo, estava lascada. Viu um cabelo, diferente do de Smart em seu colete de malha, e pelo sim, pelo não, pinço-o para um saquinho.

"Vou precisar da sua roupa. "falou o csi. Smart olhou para ele estranhando, e resolveu cooperar. O atendente lhe trouxe uma muda de roupa, e ele se trocou ali mesmo, sara estava no banheiro nessa hora... a ultima coisa que queria era vê-lo seminu.

Warrick agradece e dispensa-o. No mesmo instante, Brass pergunta se eles já terminaram ali e se podem descer o cadáver. O CSI faz que sim com a cabeça.

"Acho que a gente não tem mais nada a fazer aqui" falou Sara "Vamos voltar pela manhã e então conversaremos com os médicos e a enfermeira Jansen, até lá processaremos o que achamos e, esperamos a autópsia do Dr Robbins".

"Eu venho também e aproveito para investigar se alguém, viu alguma coisa."

"Brass, aqui é um manicômio, cara!" Falou Warrick espantado.

"Justamente. Ouvi tanta coisa insana de pessoas sãs, quem sabe se não tenho mais sorte com os loucos?"

Warrick não pensava assim, mas nada disse ao policial. Para ele, não havia meios tons, e um doido era apenas um doido.

Sara aboletou-se na viatura, no banco do passageiro, com Warrick dirigindo. Livre de suas obrigações rotineiras, a memória voava àquela noite de quinta, a última noite com Grissom...

TBC