Disclaimer: Saint Seiya não pertence, mas sim à Masami Kurumada, Toei e Cia.
Poucas reviews pra esse capítulo... Aliás... só duas!
Neko-sama: Siiim, a garota é a Nyx. Ah, Milo é intuitivo assim como todo bom escorpiano. Essas mulheres misteriosas ainda serão mais tenebrosas! E bom, eu acho que Camus esconderia comida do Milo... xD
Thanx, neko-sama! As aulas já começaram e eu já estou com umas preocupações na cabeça!
Kaito: Obrigada pela review.
Os Pilares da Terra: O Despertar da Senhora da Lua
Capítulo 6
It's Up To you
A partir do dia seguinte em que a garota Nyx acordou, Shion e Athena se encarregaram de tomar alguns devidos cuidados com ela. Iriam explicar a ela exatamente onde estava, o que era o Santuário, o que eram os Cavaleiros, além de mostrar a rotina do local. Também cuidaram de verificar sua saúde e tentaram, em vão, ajudá-la a se lembrar de qualquer coisa anterior a sua chegada aquele lugar.
Apresentaram-na devidamente a Milo de Escorpião, a quem sua tutela seria entregue após a primeira semana de adaptação. Explicaram também a ela que não haviam somente Cavaleiros "formados", mas que também muitos aprendizes viviam por ali, mostrando a ela as áreas reservadas para os mesmos, para os treinos, as áreas reservadas as Amazonas e a Vila de Rodório.
Alguns dias depois, Athena a chamou para ir passear consigo pelas vizinhanças das Doze Casas.
- Nyx... há algo que preciso conversar com você.
- E sobre o que seria, senhorita Athena? – disse as últimas palavras só por polidez. Ainda não conseguia acreditar que a Deusa Athena possuía uma forma terrena. Mesmo que não se lembrasse de sua vida anterior, se lembrava de já ter ouvido falar sobre ela, sobre muitas coisas de história, da Grécia, etc. É como se suas lembranças da vida anterior fossem inteiramente apagadas, sem deixar nenhum rastro, quase como se ela nunca tivesse existido antes disso. Mas todas suas memórias referentes a aprendizados e conhecimento estavam todas intactas.
- Bem, quero primeiro lhe dizer que gosto muito de sua companhia e que valorizo muito a vida... comum, digamos assim, das pessoas lá fora do Santuário. Dou muito valor ao poder de decisão e ao livre-arbítrio dos humanos.
- Sim...?
- Mas... infelizmente, eu não posso prover a alguns, e isso inclui aos meus Cavaleiros, o poder de decisão. Algumas vezes, tenho de impor somente duas opções a essas pessoas. Aquelas que acabam por descobrir o Santuário. Veja... nós temos uma barreira poderosa impedindo que qualquer ser humano comum entre ou veja este lugar. É como um ponto cego no mapa e nos radares. Nenhum avião sobrevoa esta parte da Grécia. Nenhum navio se aproxima da nossa costa. Ficamos isolados do resto do mundo inteiro por meio desta barreira. – Saori fez uma pausa, a fim de ajudar a outra a digerir as informações. - Quando alguém por acaso descobre a existência deste Santuário, invariavelmente temos de dar duas opções a essa pessoa: ou ela permanece aqui, trabalhando como serva das Doze Casas e do Templo de Athena, e vive na Vila de Rodório, ou, essa pessoa deve ter sua memória apagada ao cruzar os limites da nossa barreira, a fim de nunca mais se lembrar do que viu, por aqui...
- Mas... Porquê?
- Veja, Nyx, não gosto e jamais quero ser injusta com alguém... Pois afinal, sou a Deusa da Justiça. Mas, já tivemos episódios em que pessoas que descobriram a nossa existência não souberam guardar sigilo, e tivemos muitos problemas. Imagine uma centena de pessoas pressionando para que a minha antiga encarnação falasse sobre tudo o que há por aqui. Sobre pessoas que detêm poder de acabar ou iniciar uma guerra. Pessoas invadindo o Santuário e tentando tomar posse deste poder... que se cair em mãos erradas, pode devastar o mundo tal qual os humanos conhecem. Tudo aqui é muito controlado. Toda a energia, o poder emanados. É tudo contido. Você não faz idéia do poder que estes homens que moram ali possuem. – Saori indicou as Doze Casas.
Nyx olhou o monte indicado, pensativa.
– Há inúmeras razões para que as pessoas comuns não saibam que isto tudo existe. E que está muito mais perto delas do que imaginam. Por essas razões todas, é que só podemos deixar duas opções a você. Sinto muito, querida... mas... eu preciso que pense: você estaria disposta a se juntar a este Santuário, como pupila de Milo de Escorpião e aspirante a Amazona de Escorpião? Ou... quer deixar este lugar, embora todas suas lembranças serão apagadas, novamente? Não há muitas memórias que você guarda da sua vida antiga... pense... tudo o que você viveu até o momento, novamente iria se apagar da sua mente... – ela tocou o rosto da jovem. Precisava convencê-la a permanecer no Santuário. – Nós acreditamos que você tem muito potencial para se tornar a Amazona de Escorpião. Pois, dentre tantos outros motivos, você possui uma marca nas costas... uma marca que somente alguém que seja um Escolhido a se tornar Cavaleiro ou Amazona, teria. E por isto, nós... precisamos... que você permaneça e treine com Milo.
A jovem olhou confusa para a outra. Era informação demais. Saori pareceu notar isto.
- Bem... eu gostaria que você pensasse a respeito. Ninguém, nem eu nem nenhum dos Cavaleiros, irá obrigá-la a ficar.
Dito isso, as duas voltaram para o Décimo Terceiro Templo. Milo esperava por Athena ali. Quando viu a garota que a acompanhava, seu semblante fechou. Não queria ter uma pupila. Isso iria estragar toda a vida boa que estava levando. E quer quisesse, quer não, a jovem iria atrapalhá-lo e muito. Mas também parecia provocar nele uma sensação estranha. Era um misto daquela intuição de que algo não estava certo com uma certa... admiração. É fato que a menina era bonita. Seus olhos e cabelos negros contrastavam fortemente com sua pele clara.
Ela tinha um rosto delicado, gentil. Tinha o olhar jovial, que parecia sorrir. E ela o olhava de um modo que o fazia sentir-se incomodado. Era um jeito estranho. Como se o fizesse sentir acuado, despido, atingido.
Ele adentrou o Templo de Athena. Rapidamente, a menina saiu de sua vista, parecia que se incomodava com sua presença tanto quanto ele com a dela. Então, foi falar com a Deusa.
- Por que você se sente tão incomodado por ela?
- Como?
- Eu já percebi que você não se sente bem quando ela está por perto, Milo. E sei que você não quer treiná-la. Por quê?
- Bem, Athena... eu não quero parecer desrespeitoso, mas... não é mesmo meu desejo treiná-la. Eu quero aproveitar esta nova vida. Quero desfrutar dessa liberdade que tenho. Poder ter um pouco mais do que seria uma vida normal para alguém lá fora. E bem... eu sou homem, Athena. Por mais leal que eu seja a você, por mais que eu me dedique, de corpo e alma, eu sou homem e tenho certas... necessidades. Mesmo que nós tenhamos de nos manter castos, tal como é a regra, nós todos somos homens. Não podemos ignorar nossos instintos. Não somos completamente santos. – Milo tomou cuidado ao dizer aquela palavra, já que denotava também o posto que cada um deles ocupava. – Bem... talvez, só Shaka e Mú.
Saori se ruborizou com aquela sinceridade toda despejada por seu Cavaleiro. Não esperava que quaisquer um deles fosse dizer algo a respeito disso. Ou, talvez, só Máscara da Morte. Pois, por mais que o escorpiano fosse como fosse, ele ainda era reservado quanto a certas coisas. Já o canceriano... nunca teve muitas papas na língua.
- Entendo. – murmurou ela. – Bem... vou tomar providências quanto a isso. Com licença, Milo.
Ele a havia deixado tão sem graça que ela acabou indo embora, sem mal tocarem no assunto que deveriam tratar. E assim, ele desceu novamente as escadarias.
Em seu quarto, Nyx estava pensativa. O que seria a melhor decisão? Permanecer e treinar com aquele homem estranho, que parecia sempre estar a ponto de voar em seu pescoço, ou disparar impropérios para ela?
Perder a memória novamente?
Ela já não se lembrava de nada da vida anterior. E isso não era nem um pouco bom. Como ela queria se recordar de alguma coisa que fosse. Ao menos o seu lugar de nascimento. Sua idade.
Pensando nisso, ela olhou para si. Já tinha um corpo de mulher bem definido. Seios consistentes, que enchiam sua mão e até sobravam. Uma cintura fina. Quadril curvilíneo. Coxas roliças e macias. Não era muito alta. Chegava a ser quase dois palmos mais baixa do que aquele tal de Milo.
Pensar nele a deixou confusa. Ele era bonito. Chamava sua atenção. Sua pele morena parecia reluzir com a armadura de Ouro. Os olhos azuis eram brilhantes e intensos. Os cabelos que caíam em ondas azuladas pelos ombros e costas. Mas ele também parecia repeli-la. Tinha o gênio forte. Era difícil de não notar.
Será que daria certo, treinar com ele? Ou seria um erro?
Refletiu sobre isso. Ele a atraía e a repelia. Era uma oposição complicada e tentadora. Algo nela lhe dizia para aceitar ser sua pupila. Seria interessante desafiá-lo deste modo. Porque, de fato, seria um desafio e tanto.
Achou melhor deixar de pensar nisso por instantes e resolveu sair para caminhar um pouco. Talvez isso a ajudasse a se decidir. Calçou as sandálias emprestadas por Saori novamente. Embora gostasse de ficar descalça, sair pelo Santuário sem calçá-las seria tortura, com aquele monte de pedregulhos.
Saindo do Templo, pegou as escadarias e deixou que seus pés a levassem por onde bem entendessem. Apreciou a brisa suave do começo da noite, o cheiro de comida sendo preparada nas Doze Casas pelas servas. A luz do sol poente que começava a desvanecer, tingindo o mármore branco das construções de um tom inigualável. Nenhum artista conseguiria reproduzir aquela cor com palheta alguma.
As luzes de Rodório começavam a se acender não muito longe dali. Andou tranquilamente, sem se importar para onde ir. Mas seu caminho a traiu. Desceu por Peixes, Aquário, Capricórnio e Sagitário, chegando a Escorpião.
Olhou para o pórtico com o símbolo do Oitavo Signo Zodiacal. Imediatamente sentiu algo a repelir. Era aquele incomodo de quando via o guardião desta Casa. Mas a curiosidade a atraía muito mais. E adentrou.
O local estava escuro. O sol a essa altura já tinha baixado. Não havia mais luz que entrasse pelas pilastras. E no Santuário, devido a barreira de Athena, não havia eletricidade. Nenhum archote estava aceso. Ela andou às cegas, usando as mãos como guias por entre as colunas. Quase caiu em alguns momentos, sem saber por onde ia.
Então, quando alcançava o fundo daquele salão que mais parecia um túnel escuro, viu uma luminosidade. Se aproximou dela e percebeu que vinha de uma sala iluminada por um archote preso a uma parede ao fundo. Abaixo dele, como se guardasse sozinha a Casa, a armadura de Escorpião estava repousando, no formato do seu animal-símbolo.
A própria armadura parecia emitir um brilho dourado mais forte do que a luz das chamas que ardiam. Era uma visão fascinante. Aquele brilho inundava toda a sala ao redor. E parecia emitir uma vibração que a garota sentia no peito.
Ela olhava maravilhada a veste metálica que Milo estava usando quando o encontrou mais cedo. O deslumbre era tanto, que estendeu a mão para tocar o metal.
- Ei! O que está fazendo!?
Ela se virou para mirar o dono da voz. Mas o fez tão bruscamente, que esbarrou no próprio, parado logo atrás dela, com as mãos na cintura. Cintura esta que estava ornada por uma felpuda toalha branca. Os cabelos azulados dele pingavam molhando o chão. Ele inteiro estava encharcado. A garota arregalou os olhos e não conseguiu se mover.
Alguma coisa a prendia ao solo tão fortemente que não podia se afastar. Algo incrivelmente intenso a mantinha próxima dele, tão próxima que sua própria roupa se molhava. Mais do que se molhara quando trombou com Milo. Uma espécie de corrente elétrica passava do corpo dele para o seu.
E o escorpiano sentia a mesma coisa. A respiração ficou pesada, mas ele disfarçava bem. Manteve total controle da situação. E ela podia jurar que havia um certo brilho dourado ao redor do corpo masculino. O rapaz sentia os músculos de seu corpo retesados, sem responder aos seus comandos.
Finalmente, limpou a garganta.
- Eu perguntei o que está fazendo. – o tom usado foi um pouco ríspido, no entanto.
- Er... eu... bem... eu... – não conseguia articular uma única frase com aquele olhar duro sobre si. A mesma repulsa que ele sentia por ela toda vez que se encontravam. Suspirou fundo e fechou os olhos. – Eu estava olhando... a armadura.
Quando ela abriu os olhos novamente, ele se espantou com a vivacidade dos mesmos. Um negro profundo, que parecia uma cortina escondendo seus sentimentos. Ele pareceu relaxar um centímetro.
- Você não deveria estar no Templo de Athena? – ele perguntou, se virando.
- Você tem uma tatuagem de escorpião...
- Tenho. E você não respondeu minha pergunta. Anda logo, menina! Vá para o Templo de Athena!
- Eu não tenho a obrigação de ficar lá o tempo todo. – ela respondeu a altura. Apesar de tudo, ele apreciou isto. Não era alguém que ficava de cabeça baixa. Uma típica escorpiana, pensou ele. – Você... é um Escolhido também?
- Isso não é da sua conta. Agora vá!
- O que eu fiz para você? Hein? Me responde... porque desde que você apareceu, só tem me tratado mal...
- Apareci? Quem apareceu aqui foi você! Minha vida estava indo muito bem sem ninguém pra atrapalhar! Sem uma fedelha para eu ter de cuidar!
- Fedelha?! Por acaso eu tenho cara de fedelha!?
Milo sorriu sarcásticamente. Ela levantou uma sobrancelha. E sorriu do mesmo modo.
- O que é que você quer? Que eu te receba de braços abertos aqui e ache que está tudo as mil maravilhas? Você não tem idéia do que nós já passamos e o quanto nós merecemos um descanso afinal! O que nós mais queremos agora, é poder aproveitar a nossa vida! Não ter de bancar a babá!
Ela abriu a boca para retrucar. Mas o que ela diria? Não sabia nada daquilo.
- Se você me treinasse... eu poderia descobrir... – disse calma e polidamente, pegando o escorpiano desprevenido.
- Não... muito obrigado.
- Ora, vamos! Se você me treinar, eu vou conseguir entender! Eu sei que vocês tem uma forte ligação com as armaduras, Athena me contou. E eu vi o quanto a sua armadura é fascinante!
- Garota, você não tem noção do que você está falando!
- Eu acho que eu tenho... um pouco... sim...
- Fascinante? Você quer ver o que é fascinante?
O rapaz se virou para ela. Olhou bem em seus olhos, faiscando. Deu um sorrisinho petulante e então elevou seu cosmo o suficiente para chamar sua armadura. Que se desmontou e o vestiu. Peça por peça. Envolvidos em uma luz dourada. Ao final, a toalha havia caído a seus pés.
- Então, isto é ou não é fascinante? – Milo adorava demonstrações de seu poder.
E nesse momento, a garota não só tinha a resposta para o rapaz, como também para Athena.
XxxxX
Não sei o que comentar a respeito do capítulo.
Então, fico por aqui mesmo. Nos vemos no próximo!
Beijos!
