Capítulo VII

Seis meses depois...

Após sair do coma, Shiryu precisou de mais algumas semanas na Grécia até se recuperar completamente e poder voltar para casa. Ele procurou encarar com serenidade o período de férias forçadas, mas foi um alívio quando finalmente pôde voltar para Rozan com a família. A casa que Saori tinha em Atenas era bem maior e mais confortável, tinha empregados, e a cidade grande tinhas suas facilidades, mas não havia nada como a casinha nas montanhas que Dohko deixou para ele e Shunrei.

Pouco depois de retornarem à China, Shunrei engravidou e os dois resolveram que era hora de algumas mudanças. Oficializaram o casamento e deram entrada no processo de adoção de Shoryu, que foi concluído rapidamente. E quando souberam que a gravidez era de gêmeos, Shiryu decidiu reformar a casa, que ganhou mais um quarto e um alpendre, além de ter recebido nova pintura.

Enquanto ainda estavam em Atenas, Shiryu e os amigos falaram várias vezes sobre organizar uma visita a Rozan, porém os meses foram passando, cada um foi para seu canto, e a visita prometida não aconteceu. Quando o primeiro aniversário de Shoryu se aproximou, o casal achou que era a oportunidade certa para receberem os amigos e enviou os convites para uma pequena comemoração.

Na manhã da véspera da festinha, Seiya ligou avisando que todos iriam juntos e chegariam no final da tarde, por isso o casal desceu ao povoado a fim de comprar algumas coisas que ainda faltavam. Estavam voltando para casa com as compras quando Shiryu se deu conta de que vivia uma cena da visão que teve do futuro. Ele, Shunrei e Shoryu voltando para casa, os pessegueiros ao lado da casinha abarrotados de flores cor-de-rosa cujas pétalas planavam ao sabor do vento. O cavaleiro sorriu ao lembrar-se que esse pequeno detalhe poético também ocorreu no seu sonho egoísta de felicidade. Lembrou-se também que na visão Shoryu estava mais velho e tinha acabado de aprender a escrever o próprio nome, e no presente ele ia completar seu primeiro ano de vida. Shunrei também estava diferente agora, carregando sua bela barriga de cinco meses de gestação dos gêmeos.

– O que foi? – ela perguntou ao vê-lo sorrindo.

– Nada – ele respondeu. Tinha decidido não contar a ela sobre a visão. Não queria que ela criasse expectativas. – Eu só estou feliz por estarmos juntos, casados, com a família crescendo. Achei que isso não ia acontecer...

– Eu sempre tive fé que aconteceria – ela disse. – Eu tive medo em alguns momentos, claro. Mas a fé sempre foi maior.

– Essa sua fé tem me sustentado ao longo desses anos – ele disse e passou um braço ao redor dela. Carregava Shoryu e uma sacola de compras no outro. – Foi essa sua fé que me trouxe de volta.

– Foi a sua força de vontade – ela tentou corrigir, mas ele negou.

– Não... Eu sei que foi você.

Ao invés de entrarem em casa, os dois sentaram-se debaixo do alpendre para contemplar os pessegueiros. Shiryu colocou Shoryu no chão e ele começou a brincar com as pétalas das flores. Ele achou a cena tão linda que entrou em casa para pegar a câmera. Passou a se interessar por fotografia quando voltou do coma enxergando normalmente. Desde então vinha registrando o crescimento de Shoryu e a gravidez de Shunrei. Colocou um rolo de filme na câmera e começou a fotografar o menino.

– Shoryu, vai para perto da mamãe! – ele disse ao filho e o menino correu até Shunrei com um punhado de flores nas mãos. – Isso! Fica aí, filho.

Inesperadamente, Shoryu jogou as pétalas para Shunrei. Shiryu não perdeu tempo e fotografou os dois em meio às flores. Depois deu um beijo em cada um e sentou-se novamente ao lado da esposa e abraçou-a.

– Semana que vem vou comprar a madeira e começarei a fazer os berços – ele disse, pensando nos gêmeos. Começou a se interessar por marcenaria nos últimos meses, e já tinha feito uma mesinha para a sala, uma estante e um cavalinho de balanço para Shoryu. – Espero que eu consiga fazer!

– Ah, tenho certeza que conseguirá – Shunrei disse, acariciando a barriga. – Estou tão ansiosa para eles chegarem!

– Não fique assim, meu amor. Eles precisam ficar o tempo certo aí dentro de você. Se tem uma coisa que o Mestre me ensinou foi que paciência é uma das maiores dádivas.

– Acho que só consigo ficar um pouco menos ansiosa por causa do Shoryu. Se não tivesse ele, acho que ia enlouquecer.

– Eu não ia deixar!

– Papá! Mamã! – Shoryu gritou, apontando para o grupo que se aproximava.

– Eles chegaram! – exclamou Shiryu, levantando-se e pegando o filho no colo. Shunrei também se levantou.

Seiya vinha à frente do grupo, de mãos dadas com Saori. Finalmente tinham assumido o que todo mundo já sabia: amavam-se e estavam juntos. Hyoga vinha logo atrás deles, acompanhado por uma moça, que o casal reconheceu: era Eiri, uma das monitoras do orfanato onde Mino trabalhava. Shun também veio com companhia feminina. Ao ver a moça mascarada, Shiryu deduziu que ela era June, a antiga companheira de treinos do cavaleiro de Andômeda. Ikki vinha um pouco mais afastado do grupo, sozinho, mas ao invés da cara fechada de sempre, ele parecia feliz.

– Parece que eles finalmente estão tendo vidas normais como nós... – Shiryu disse a Shunrei, com um sorriso de contentamento estampado na face. Depois de tanta guerra e tanto sangue derramado, ele desejava muito que seus companheiros também pudessem viver em paz, trabalhar, amar, construir uma família como a dele, se assim quisessem.

– Tomara que estejam felizes como nós – Shunrei falou e abraçou o marido. Sorriu ao ver que Seiya e Saori apontavam para ela. A expressão de surpresa deles foi passando para os outros. – Acho que devíamos ter contado a eles sobre a gravidez.

Shiryu concordou e deu-se conta de que nos últimos meses, com a reforma e o trabalho na lavoura, tinha mantido menos contato com os irmãos do que gostaria. Prometeu a si mesmo que não deixaria acontecer de novo. Queria saber o que eles tinham feito nos últimos meses, queria mostrar-lhes as plantações, falar do crescimento de Shoryu, do casamento, da espera dos gêmeos, mas não estava ansioso. O que sentia era uma ternura, uma felicidade serena por estar prestes a compartilhar essas coisas com eles e com Saori. Aproveitou que estava com a câmera e tirou uma foto do grupo enquanto se aproximavam e capturou a reação deles à gravidez de Shunrei. Ainda tinha mais dois rolos de filme para usar durante a visita e com certeza ia usá-los até o fim.

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Povo bonito do meu coração, finalmente terminei "Vivo"! *_* Era para ter saído semana passada mas não consegui... Mas agora foi! Esperam que curtam o final feliz!

Agora estou com uma vontade imensa de fazer a versão Seiya x Saori da vida pós ND... Até andei rabiscando umas coisas... vamos ver se rola... Não estou prometendo nada!

É isso!

Obrigada a todos que acompanharam e se desesperaram com Shiryu preso na própria mente. Agora podem ficar aliviados.

Beijo grande e até a próxima!

Chii