Relaxem, a fanfic não está tão perto assim do fim.


Tsumetai

"A Sakura. Você tem que salvá-la de qualquer jeito. Eu sei que você pode. Assim que pegá-la, carregue-a e fuja, fuja o mais longe e rápido que você puder." – (Uchiha Sasuke).

#7

Era um sentimento confuso.

Mesmo que tenham dormido juntos antes, notaram que esta era a primeira vez em que acordavam de tal maneira, um após o outro. Ao contrário de ontem, também, o dia não começou com Sakura fazendo estardalhaço logo em seguida; na verdade, ela parecia muito quietinha e acolhida dentro do edredom, com grandes olhos verdes encarando o Uchiha, que esfregava as pálpebras fechadas e dava um jeito no cabelo.

O shinobi olhou para ela. Por um segundo não fez mais nada do que apenas isso, reconhecendo nela suas lembranças. Sakura lhe mostrou um sorriso gentil, um daqueles pequenos. Ela gostaria de dizer algo impressionante, mas ninguém nunca lhe contou sobre como proceder nessa parte e isso deixou-a, de certa forma, tensa.

O Uchiha tinha o braço esticado entre o pescoço feminino e o travesseiro, estranhamente confortável. Involuntariamente, a kunoichi fez uma cara de quem estava se esforçando para parecer estupenda e nada além disso. Mas talvez fosse melhor não exigir demais de si mesma.

— Bom dia...

O Uchiha apenas sussurrou de volta um "oi" arrastado, as cordas vocais inchadas produzindo um som mais grave que o normal. O rapaz sentia-se finalmente descansado por tido uma boa noite de sono depois de tanto tempo, aproveitando o discorrer tranquilo da manhã.

Presumidamente desperto, enfim, Sasuke segurou o cobertor e tombou o corpo, voltando-se para sua esposa, percebendo-a se comportar com alguma expectativa, como se ele nem fosse real – ou quem sabe fosse real demais.

Notou o quarto iluminado com uma luz natural fosca e o ar parecia um pouco mais frio. Desta vez, provavelmente, era bem mais cedo do que ontem. Certamente, não pontuava mais que seis e meia da manhã. Não se tratava de um horário extraordinário em um dia com missões, mas como esta hipótese pode ser descartada, Sakura, em especial, tinha que admitir que era uma boa dorminhoca quando podia sê-lo – ainda que, nestes casos, sempre tivesse que lidar com alguma dificuldade para manter o sono em locais estranhos e, por isso, uma vez acordada já não conseguia adormecer novamente.

Trinta minutos antes, com toda sua insônia, a médica precisou de alguma força de vontade para desgrudar do futon confortável e sair de perto de Sasuke, que dormia de cenhos ligeiramente franzidos, mas a respiração soava tranquila. Ela deduziu que ele sonhava com algo, o que indicava que talvez não fosse demorar a despertar, também.

Com o edredom junto ao corpo, a primeira coisa que Sakura tentou fazer fora encontrar sua camisola, mas só depois de dar a volta com o olhar pelo quarto – e apenas encontrar os vestígios indumentários da noite anterior por toda parte – viu que a peça estava meio escondida e presa entre o travesseiro do marido e ele próprio. Se a kunoichi a puxasse, o Uchiha acordaria. Mordeu o lábio.

"Melhor deixá-lo dormir".

Por isso, pegou a camisa dele, embolada perto dos seus pés, que acabou servindo melhor aos seus propósitos, sabendo que não ia demorar. Vestiu-a e meteu-se no banheiro, onde despiu-se e tomou banho. Além do cabelo desalinhado – que decidiu prender para não molhá-lo – e uma marquinha sem vergonha nas costelas, Sakura não sentiu nada de diferente. Ao menos, nada físico.

A mudança imediata ocorreu por… dentro. Como ela poderia dizer? Estava radiante e positivamente assombrada. Por duas vezes a kunoichi se pegou olhando para o nada com um sorriso patético no rosto enrubescido. Lembrava-se de escutar que uma mulher nunca esquece sua primeira vez, mas Sakura ficou imaginado se era normal lembrar-se disso a toda hora. Sentiu-se um pouco aérea, mordendo o indicador dobrado para não rir debilmente.

Estava ansiosa para saber como as coisas seriam dali em diante. Mas Sakura estava ainda mais impaciente para descobrir como Sasuke seria dali em diante: se ele ficaria com vergonha, mais caloroso ou, simplesmente, igual. O caso é que nem a própria garota saberia prever uma ação para si mesma.

Com um suspiro, Sakura saiu com a mesma camisa. A diferença de temperatura a fizera sentir frio ao andar pé ante pé pelo cômodo, de modo que refugiar-se encolhida no edredom pareceu a melhor escolha, embolotando-se no tecido para se aquecer de novo. Sasuke já não tinha o cenho franzido e sua posição estava ligeiramente alterada, também, com um braço esticado e o outro sobre o abdômen meio coberto.

Agora acordado, no entanto, o Uchiha estava gradativamente interessado nos sinais sintomáticos que explicassem aquele ninho que a médica formou em si mesma. Não parecia se esconder ali por timidez, ainda que o rosto da kunoichi tivesse as bochechas com alguma semelhança com acerolas se ele a olhava. "Não lembre de nada pervertido, por favor..."

— Qual o problema? — Sasuke perguntou-a, por fim, indicando o edredom que só deixava à mostra o rosto dela e uma das mãos.

— Ah... nenhum Tomei banho há alguns minutos e estava sentindo muito frio, veja — a ninja esclareceu, esticando um dos pés gelados e tocando o do Uchiha com ele. Sasuke comprimiu os olhos. — Viu?

— Senti.

Sakura sorriu amarelo, livrando-se parcialmente do cobertor.

— Desculpe.

O Uchiha percebeu que ela trajava sua roupa e que esta, por sua vez, ficava muito melhor nela do que nele próprio, folgada, mas o suficiente para que ele percebesse a falta de um sutiã e se lembrasse de que seria melhor se sua blusa não estivesse ali.

A médica se aproximou e, calmamente, Sasuke mexeu um braço e com ele circulou a cintura feminina, tragando-a para perto, sem pressioná-la. Apesar de se movimentar enquanto sentia-se abraçada, a kunoichi se aconchegou, tendo uma mecha do cabelo enrolada metodicamente pelo Uchiha.

— Eu devia ter feito isso antes, — Sakura comentou, bem baixo — mas eu não queria te acordar.

Sasuke mirou-a.

—Estaria tudo bem.

— Vejo que seu humor melhorou comprado a ontem.

— Tch. Não sei do que está falando.

Esperava que ela não tivesse feito uma insinuação, talvez não deliberada. Que tolice, de bom humor só porque ele e ela… ooh, isso já era algo que o Uchiha, orgulhosamente, jamais admitiria. Em especial por que aquela poderia ser contabilizada, provavelmente, como a primeira vez em que ele não queria uma cobaia para descontar sua frustração desde que pisou no Heisui.

Sasuke era, afinal, um homem que dormiu com sua mulher. Não seria ele que ficaria emburrado. Principalmente porque – entre os tantos benefícios de tocá-la e o desejo gradativo de que se repita, ah, sim, por favor – descobriu que não fazer nada também poderia ser recompensador. Não se lembrava de já ter ficado assim antes.

Felizmente, ela não insistiu no assunto e apenas afundou o rosto em seu pescoço, onde ali permaneceu. E constataram que, o contrário de todas as outras vezes, desta não havia o conhecido constrangimento desconfortável a preenchê-los.

Era só silêncio – puramente natural, como devia ser.

Sakura parecia inquieta – e realmente o estava. O que poderia fazer ou dizer agora? Deveria apenas aguardar...? Falar sobre ontem, talvez? Isso seria difícil, mas não dava para ignorar que, decerto, algo mudou entre eles.

Os lábios de Sasuke estavam fechados, e talvez Sakura fosse a única que reparara nisso, mas o superior era ligeiramente menor que o inferior, e quando ele sorria e era possível ver seus dentes brancos – algo que acontecera apenas poucas vezes –, eles formavam o desenho perfeito na boca. Ah, nada bom. A mesma boca que esteve em tantos lugares do seu corpo — e que ela gostou, gostou muito.

"Nada bom, nada bom".

Sem querer, seus braços o apertaram. O usuário do último sharingan estava com brilhantes planos de ir ao banheiro e voltar para a cama, mas desistiu. De tempos em tempos, podia sentir a respiração da kunoichi no pescoço, e não era uma do tipo tranquila.

— Sasuke-kun... — Ele pegou em seu cabelo novamente quando ela sussurrou — posso te perguntar uma coisa?

— Vá em frente.

— É que... só quero saber se eu sou normal por não saber como proceder da maneira correta, porque tenho a leve impressão de que meu talento para agir idiotamente aumentou.

— Não acho que exista uma maneira correta.

Ao contrário de relaxar, contudo, a kunoichi e franziu as sobrancelhas.

— Mas... você não tem nenhuma expectativa?

— De que?

— De mim. De nós. Daqui para frente. Você sabe, tudo.

O rapaz tombou a cabeça levemente, como se ela houvesse dito algo muito irracional.

— Não tenho expectativa alguma. Se eu fosse me preocupar com isso, seria antes.

— Nenhuma? Quando se trata de você... eu ainda travo, nem sempre, claro, mas é um pouco frustrante que isso ocorra mesmo agora.

Ele sabia que mesmo que decorasse todas as manias e hábitos dela, a garota, ainda assim, continuaria a ser um labirinto insolúvel. Com o tempo, é claro, novos detalhes seriam descobertos e eles ainda estavam se conhecendo – agora tão profundamente. Mas o Uchiha não tinha nenhum motivo para pressa.

— Nós podemos ir com calma.

Sakura se tranquilizou e ficou nos braços de Sasuke por algum tempo, mas como esperado não adormeceu. O que foi suficiente para que sua inconveniente consciência começasse a trabalhar sozinha de novo. Oh, não.

— Sasuke-kun, — Sakura chamou-o, depois de combater contra uma questão um pouco inoportuna (obviamente para o rapaz) — posso te perguntar outra coisa? É algo um pouco indiscreto.

O Uchiha juntou as sobrancelhas, receoso.

— Faça.

A médica mordeu o lábio e soltou-o devagar. Não podia negar que, internamente, estava curiosa, mas também era um pouco necessário saber.

— Você... você, quer dizer, eu me preveni, — ela engoliu em seco — mas, por um acaso, assim, você lembrou de trazer algum preservativo?

Sasuke prendeu a respiração e o silêncio maravilhoso que era só natural passou a ser pesado. Essa garota! O adjetivo que ela empregara fora justo, porque: que inferno de pergunta indiscreta era essa? Nem deu para segurar a indignação na garganta.

— Sakura, que droga de pergunta é essa?

— Ah... você disse que eu podia.

— Hmph.

— Você trouxe, não é? — A essa altura, a garota estava segurando o riso.

Muito baixo, Sasuke retrucou, azedo:

— Não sou... irresponsável. — Apesar de ele ter se esquecido completamente de tal detalhe ontem, mas valeria à pena tocar nesse ponto? Só se sentiria mais agoniado. Melhor fugir dali. — Vou ao banheiro.

Sakura se ergueu com um brilho malvado nos olhos.

— Não! Espera. Eu preciso assimilar essa imagem, Sasuke-kun, é tão estranho! Quer dizer que entrou num mercado para isso, certo?

Sasuke ficou roxo. Puxando a franja do próprio cabelo em direção aos olhos.

— Mais… ou menos. Sakura, saia.

A garota não se mexeu do, divertindo-se às suas custas.

— Oh, eu adoraria ver essa cena. Faço bolo de tomate se me contar.

O Uchiha quis dormir e esquecer que acordou.

Ela queria rir dele – não, ela já estava rindo! Ótimo. Nada como uma dose de desrespeito num casamento que mal começou e devia ser saudável. Entretanto, não nada no mundo que vá persuadi-lo a recitar a desgraça daquele dia, que, obviamente – e por um fator intrínseco de seu próprio azar –, tem ligação com o velho amigo de ambos, como sempre: o maior e verdadeiro destruidor da tranquilidade do antigo vingador.

Três dias antes, Naruto bateu à sua porta, dizendo: "vamos, teme" e o colocou diante de uma farmácia após o rapaz muito relutar em sair de casa. Quando o irritado Sasuke perguntou o que estavam fazendo ali, o Uzumaki sorriu maliciosamente e fez um sinal positivo: "sou sua figura paterna, por isso nós vamos comprar camisinha". O Uchiha deu vários passos para trás, negando com a cabeça. Ele não ia ficar ali. Naruto chiou. "Teme! Você não planeja deixar para a Sakura-chan, uma mocinha, fazer isso, não é? Eu te ajudo."

Sasuke quis quebrar o pescoço de seu amigo, mas se contentou com um chute na canela. "Não vou comprar isso ao lado de um cara, burro". Oh, seria suspeito. De qualquer forma, é claro que ele jamais permitiria que Sakura fizesse aquilo em seu lugar, era seu dever (e sina) ser um Uchiha o tempo todo... e foi apenas por isso que o rapaz entrou na farmácia meia hora depois ordenando a Naruto para ficar exatamente onde estava, sem dar um passo.

Então, o shinobi estava em frente à banquinha colorida de preservativos e não sabia o que fazer. Era tudo igual, certo? Aquele monte de pacotinho que parecia sachê de miojo... Na dúvida, virou o rosto para o outro lado e pegou um punhado numa caixinha por rumo. Também adquiriu um shampoo, sabonete, creme dental, uma escova nova, aspirinas e creme de barbear sem precisar.

Quando saiu, o jinchuuriki fez uma cara assombrada: "Puxa, pelo menos fez as compras do mês! Somos mesmo irmãos de outra vida, já que adivinhei suas necessidades, dattebayo". Sasuke precisou de força de vontade para não mandar o loiro para cem metros depois da puta que pariu.

E precisou de um pouco mais do que isso para não dizer à Sakura para ela deixá-lo em paz. Adeus, manhã tranquila. Adeus, qualquer possibilidade de começar o dia de um jeito mais normal. Sasuke mudou as posições, girando e submetendo-a com a metade superior do corpo. Sakura arregalou os olhos, escarlate. Era disso que ela estava falando sobre aprender a controlar a própria boca.

O shinobi comprimiu os olhos.

— Você é muito chata.

Mas, no fim, ela acabou sorrindo de leve, erguendo a cabeça e beijando-lhe tão rapidamente que nem se deu ao trabalho de fechar os olhos.

— Eu sou curiosa — corrigiu-o.

— Curiosa — ele desdenhou, mas não parecia zangado.— Eu vou me lembrar.

—É que uma vez que estamos casados, acho que devemos compartilhar informações. Só isso.

Sasuke não a respondeu, limitando-se a torcer a boca. No entanto, a atmosfera divertida não durou muito e lentamente o casal pareceu notar sua proximidade e que o Uchiha, por sinal, ainda estava nu. Nenhum dos dois demonstrou que o fato de terem percebido havia deixado-os embaraçados.

Em momentos como este, era estranho como a ficha de que eles haviam feito amor ia e vinha o tempo todo – ou como isso trazia consigo uma sensação diferente, mas agradável. Estava sempre lá: o sentimento crescente de poder ser petulante, atrevido, informal e cúmplice, sem sentir, no fim, arrependimentos pela própria ousadia.

Depois disso, contudo, o rapaz balançou a cabeça e se afastou. Sentou-se e calmamente procurou qualquer coisa para vestir. O Uchiha apanhou a cueca próxima de sua calça e sob os cobertores trajou-a. Sakura não se importou e entendeu-o imediatamente.

A nudez, mesmo agora, ainda causava vergonha em ambos. Há detalhes de caráter que não se podem mudar de um dia para o outro, com uma elevação de intimidade ou com a falta dela. Ele ainda era Sasuke. Ela ainda era Sakura. E eles ainda se queriam.

Ainda mais.

Mas não poderiam exigir de si mesmos uma experiência que não existe ou uma intimidade que sempre esteve ali, mas que está ficando mais forte. Sasuke ainda lembrava-se de como foi difícil chegar a beijá-la pela primeira vez... e por uma segunda, uma terceira. No fim, é uma questão de costume. Se acostumar a desejar algo e alcançar.

Enquanto o rapaz se erguia, a kunoichi – neste instante olhando para as costas dele – se surpreendeu, se dando conta de a pele do Uchiha virou uma tela em que ela desenhou com as unhas. Foram feitas curvas, diagonais, listras vermelhas e marcas de pressão dos dedos. Um arranhão perto da nuca estava bem ruim. Ela sabia porque este era o pior de todos.

Sakura abriu a boca para avisá-lo da situação calamitosa ali atrás, mas Sasuke retirou o edredom e se levantou. Pronto para desfrutar de uma ducha rápida e apagar certos pontos do começo do dia. Talvez conseguisse.

#

Sasuke fora rápido, não demorou nem dez minutos. Sakura havia trocado sua camisa pela própria roupa de dormir e também usava as presilhas novamente. Neste momento, estava sentada nas almofadas da pequena sala com o menu do desjejum. Assim como ela, o Uchiha de fato sentiu um pouco de frio quando saiu, então vestiu um roupão branco que encontrou num armário do banheiro e agachou-se ao lado da médica.

Antes de qualquer coisa, ela lhe falou que quem sabe eles pudessem pedir o café da manhã, mas logo se lembrou que este só era servido depois das sete e ainda faltava algum tempo para isso. Sasuke murmurou que, de todo modo, não sentiria fome tão cedo.

Sakura, então, com uma expressão culpada, tocou em seu ombro e chamou sua atenção.

— Sasuke-kun, suas costas...

Ele ergueu ambas as sobrancelhas levemente.

— Ah — Sakura devia, pelo menos, ter avisado sobre tal coisa antes, porque ele se esqueceu completamente. Pego de surpresa, a junção de água e sabonete fez os pequeninos cortes arderem como o inferno. — Você é um gato ou o que?

Inconscientemente, Sakura escondeu as unhas.

— Não fiz por querer, é que ontem… ontem — ela perdeu o pensamento, não tinha como ser coerente mencionando ontem ao olhar para a boca entreaberta dele a esperar sua conclusão. A kunoichi forçou uma tosse e pintou as mãos com o chakra verde. — Pelo menos você vai perceber as vantagens de ter uma médica em casa. Vamos ser positivos.

— Isso não é nada, Sakura — disse, referindo-se aos cortes. Que significava uns arranhões ardidos para quem já foi quase explodido, foi atravessado por uma lâmina e teve metade de um dos braços destroçado?

— Não me importa.

Sasuke começou uma queixa contrária a ela, no entanto, a kunoichi não quis ouvir um retruco, posicionando-se calmamente em suas costas – sabendo que para um ninja isto poderia causar algum desconforto perceptivo. Mesmo assim, mais uma vez o Uchiha não fez nada para impedi-la.

Por ser a única visível, a primeira lesão que Sakura curou foi a da nuca. Três linhas vermelhas bem plantadas na pele clara do shinobi, que agora se cicatrizavam e não deixavam marcas.

O chakra dela entrava em um contato superficial com o do rapaz e por um momento se interagiam com uma leve rejeição – o que talvez explicasse uma das necessidades de um ninjutsu médico ser tão preciso. Chegava a causar um comichão suave, mas era só por um tempo pequeno, enquanto Sakura abria caminho entre os pontos invisíveis aos olhos nus e instigava as células dele a trabalharem em ritmo acelerado até o ferimento ser fechado.

Sasuke cerrou os olhos, massageando a pequena área entre os olhos. Gostaria que sua esposa estivesse tagarelando agora.

Ela estava com aquela camisola novamente e ele quis estar com ela de novo. Uma vontade que crescia se ele pensava nela ou se sentia os dedos dela. A sensação aumentava caso rememorasse sobre ontem ou de como o corpo dela era magnífico em todas as formas, tão perto dele que doía não fazer nada. Vamos com calma. Claro. A técnica de cura era tão suave que Sasuke não percebeu quando a médica terminou naquele ponto.

— Sasuke-kun, eu preciso que você abaixe a parte de cima da sua roupa.

O Uchiha balançou a cabeça e expirou. Bem, ele já foi até aqui, não? Uma manga desceu, depois outra. Cruzou os braços e sentiu Sakura curando as unhadas próximas dos ombros, descendo a mão pelo meio, logo um pouco mais acima, depois na cintura, ao lado, em um de seus braços.

Era quase inacreditável que uma kunai envenenada, vinda de suas próprias mãos, esteve apontada para aquelas costas no passado. Odiava lembrar-se disso e estava feliz de não ter tido coragem para ir até o fim. Céus, que bom, que bom. Mecanicamente, depositou nele um beijo triste. Uma lembrança tão ruim quanto o selo da maldição. Sasuke se mexeu e mirou-a sobre os ombros. Uma sobrancelha de censura erguida.

— É assim que cura seus pacientes?

Sakura negou e sorriu sem se afastar.

— Só o meu favorito.

— Eu vejo. — Sasuke crispou os lábios, burlando um repuxado no canto da boca.

Ter estado com ela não matava sua atração, mas a tornava quase insuportável. Insuportável demais para fazer absolutamente... nada. Sua esposa. Sua mulher. Experimentando e descobrindo algo que só poderia compartilhar com ela e ninguém mais. Desenredar por tudo que era novo.

O Uchiha virou-se para a médica, interrompendo o contato com seu ninjutsu.

— Sasuke-kun, ainda falta.

Ele balançou a cabeça.

— Deixa.

— Resta um, sabe? — Sakura percebeu que sua voz tremulou ligeiramente.

— Não vai fazer diferença — sua resposta foi baixa. Por um instante, a ninja ficou confusa e, em outro, o Uchiha foi mais rápido. Em vez de trazê-la para mais perto, Sasuke levou-a de encontro ao chão de tatame. Mas não fez mais que isso, só apoiou-se nos antebraços em seguida e fitou o rosto aturdido a retribuí-lo. Sakura sentia o corpo dele e tentou não se agitar muito. — Se, eventualmente, vou ser arranhado de novo.

Piscando, Sakura precisou de um segundo para confirmar que tinha ouvido bem, para logo rir pelo nariz e disfarçar o enrubescimento.

— Nem consigo pensar em algo para dizer.

E ela ainda estava com um sorriso no rosto quando Sasuke se inclinou um pouco para frente para tocá-la com a boca: encaixando a dela na sua, pressionando-as, arrastando-as e fundindo-as, desmanchando um sorriso da melhor forma do mundo. O único caso em que isso é totalmente perdoável.

Sakura dobrou uma das pernas e um ombro ficou livre da alça da camisola. O Uchiha entreabriu os olhos por um momento e mirou a boca entreaberta dela, esperando-o de pálpebras fechadas. Aproximando-se, mordiscou o lábio superior e deslizou minimamente para baixo até capturar o outro, prendendo-o. A kunoichi se arrepiou, sentindo Sasuke puxando e soltando ao mesmo tempo, começando um beijo novo. Autoritário, se pudesse caracterizar.

Embora ele já tenha lhe dado alguns beijos excitantes assim, este parecia mais como algo que estava sendo tirado dela.

O rapaz sondou sua boca e subjugou sua língua, seu ar, suas mãos – ao segurá-las acima da cabeça. Muitos pensamentos embaraçosos vieram até ele, soprando de longe e ampliando sua febre. Vamos fazer isso. Desejo você. Quero você. Preciso de você. Não dava para dizer isso sem se sentir um magnífico idiota a seduzi-la, mas era tudo tão verdade que Sasuke nada mais podia fazer mais do que segurá-los na garganta.

Sakura abriu os olhos. Buscando ofegante o ar que ele roubou, deixando os lábios separados, agora mais volumosos e vermelhos pela pressão e urgência com que o shinobi os procurara. Libertando as mãos, afagou os fios negros e timidamente tomou-o de beijos pescoço acima.

Assim sendo, não foi de um modo muito diferente da primeira vez que a segunda se desenvolveu. Eles começaram novamente, ainda um pouco desajeitados, envergonhados, mas mais seguros e se buscando, afogando-se naquela sensação ainda tão nova – mas mais familiar – e sendo guiados por ela. Ele descobriu o corpo dela mais uma vez e ela o dele, naquele mesmo chão.

Sasuke encostou o nariz entre seus seios, percebendo que, por causa de sua camisa, agora a garota cheirava a Uchiha. E como isso excitou-o... Os dois corações bombearam freneticamente e a tez transpirou. As roupas, novamente, se foram; o shinobi sentiu cada parte dela com as mãos, com a boca e com a própria pele.

Assim, algum tempo depois e ainda calmamente, Sakura se fez sua mais uma vez, a sensação continuou tão maravilhosa e mais intensa do que antes. A kunoichi, contudo, não o arranhou, apesar de o primeiro minuto ter provocado um maleável incômodo. Mesmo assim, gradativamente, cada vez que o Uchiha ia e vinha, quente, mais se desconstruía com ele.

A respiração de ambos tornou-se uma só quando Sakura, de alguma forma querendo mais, enlaçou a cintura de Sasuke com as pernas e ele enterrou-se profundamente nela por causa disso, tirando-lhes a noção de espaço-tempo. Como efeito, a médica murmurou seu nome, enquanto o rapaz soprou um palavrão miúdo. Continuaram assim até que a vontade de aumentar o ritmo tornou-se paulatinamente intolerável. Uniram-se natural e ansiosamente em meio a uma mordida suave e um murmúrio abafado de uma boca de encontro a outra, absorvendo o tempo, o calor e o desejo, temendo nunca estarem satisfeitos.

E caso não ficassem, não havia realmente nada de mau nisso.

Pois Sasuke descobriu que não há desafio maior – mais exigente, mais impossivelmente insano e desgastante – do que retardar um maldito orgasmo. Não pôde superar tal provação por tempo suficiente, ele não sabia exatamente como fazê-lo, embora quisesse, mais de uma vez, lutar contra isso.

"Não pare", ela sussurrou quando parecia ficar bom e, no entanto, aquilo só serviu para excitar ainda mais ao rapaz. Não pode ser atendida. Ele empurrou-a contra as almofadas, usou as mãos para apertá-la em toda parte macia e uma maldição subiu por sua garganta quando o prazer final veio e determinou exatamente isso: o fim.

Evidentemente, foi naqueles segundos em que as duas respirações ofegantes se misturavam uma sobre a outra que Sasuke sentiu-se um pouco frustrado e... constrangido. Na verdade, no primeiro instante ele não entendeu bem o que aconteceu, o que só tornou tudo ligeiramente pior.

Mas, quando a conclusão veio, descobriu que ele havia cometido o pior erro listado nas "conversas de homem" em que fora ouvinte. Agora, tudo estava longe do ideal de suas esparsas fantasias de rapaz, onde isso – sob nenhuma circunstância – ocorria. Lá tudo fluía tão perfeitamente bem que talvez ele fosse ingênuo. Quando se trata desse tipo de intimidade, Sasuke não poderia dizer que conhecia bem o próprio corpo ainda, que dirá o dela. Ele demorou tempo demais para se interessar por essas coisas.

Nada justificaria, contudo. Descobriu uma manchinha em seu orgulho, tudo bem, e ficou sem saber como ingerir isso. Então não deu para evitar a sensação desagradável de um bolo de pedra formando-se na garganta. Era irritante. À parte disso, Sasuke nunca foi homem de autodepreciação e não começaria agora. Ele podia dar um jeito nisso sem remoer a situação como um estúpido. Afinal Sakura, provavelmente, era a que se sentia pior ali.

O último Uchiha, porém, descobriu que só estava pensando demais.

— Você precisa ver essa sua cara estranha... Está tudo bem, Sasuke-kun — ela disse com naturalidade e um sorriso fechado um pouco depois, como se o ângulo retorcido da boca do rapaz fosse um texto inteiro que podia ser lido facilmente, sem que ele precisasse de um milhão de maneirismos. — Não precisa se chatear, é normal. E eu... eu gostei.

— Não estou chateado.

Mas esperava que a kunoichi não tivesse um surto verborrágico exatamente agora por causa disso.

— Hmm... — Sakura afundou o rosto em seu pescoço, o nariz tocando os cabelos negros, que tinham um cheiro tão bom: — Cismado, então.

E o rapaz deixou uma tosse arrefecer ainda dentro dos pulmões.

— Também não.

Uma almofada foi o travesseiro de Sasuke e ele próprio foi o de Sakura. O antigo roupão branco serviu como um tipo de lençol improvisado. Depois disso, ninguém se pronunciou. Sasuke, de cenho franzido, tracejou um padrão nas costas nuas da médica, seguindo de uma pinta a outra automaticamente. Sakura, intrigada com o gesto repetitivo, decidiu quebrar a atmosfera.

— O que você está desenhando?

Sasuke não respondeu imediatamente.

— Com o que você tem, não mais que um losango.

— Oh, por favor — Ela sorriu. — Como pode ser tão bom em tirar o romantismo das coisas?

A kunoichi tentou se controlar, mas acabou rindo pelo nariz e evoluiu para uma gargalhada baixinha, o corpo tremendo levemente. Sakura ergueu a cabeça e apoiou-se em seus cotovelos, o riso dela morrendo ao passo que o Uchiha tentava entender o que ela achou de tão engraçado nisso. Bem, o senso de humor dela era bem mais sensível e menos exigente, para não dizer fácil. Ou ele era introspectivo demais.

O esforço físico anterior lhe dera um corado nas maçãs do rosto e alguns fios da franja rosa grudavam na testa. Sasuke sabia que talvez seu próprio aspecto era parecido com o dela. Uma presilha estava quase caindo, mas o Uchiha não retirou-a dessa vez. Não quando Sakura foi ficando séria e olhou-o de maneira diferente.

— Eu queria que o tempo parasse.

Então, foi inevitável não pensar em sua futura missão.

#Continua...


Olá! Demorei porque reescrevi do zero. Tinha inserido o Idate, mas tirei. No próximo ele vem, antes eu queria dedicar uma manhã para os dois e colocar como o Sasuke encara o que ele sente pela Sakura. Gostar dela é ótimo, mas também é "doloroso" para ele. O Uchiha comparou Naruto a Itachi, mas a Sakura ele comparou à família toda. Então, para ele, às vezes isso pode ser assustador, grande demais e difícil demais para se lidar. Por quê? Ora, os Uchihas amam demais. ~ Aliás, vamos construir a intimidade/atrevimento sexual aos poucos. Nem todo sexo será explícito, como ocorreu neste capítulo – talvez alguém considere explícito, mas eu não acho. (Em off: Sasuke comprou camisinha do tamanho errado, tadinho). Inclusive, recomendo a vocês a sempre usarem preservativo, isso é coisa séria. Até breve.

#

Comentários (beijo especial de hoje: para as lindíssimas Geropetes, que, apesar de tudo, se recusam a usar roupas brilhantes. E para Tia Cellinha (double kill) por ter ido no Nyah recomendar a história, que lindo!):

Vivian: Oi! Você leu bem rápido mesmo. xD Samara é pontual (ao contrário de mim :'( ), queria ser como ela... Mas não se preocupe, eu só fiquei chateada naquela ocasião porque pareceu que eu estava atrasando deliberadamente, quando eu só estava ocupada em casa. Bom saber que gosta tanto da história, eu vou tentar não atrasar. Beijo!

Guest: Olá, viajante do Nyah. Capítulo novo está aí e também te mandei uma PM por lá. Aproveite. Nhacs!

Cami: Oi! Nossa! Você leu todas as minhas histórias, até a NaruSaku! Muito obrigada mesmo! Eu estou tentando escrever diversos tipos de hentai (e você gostou de todos, há uma lágrima na minha lágrima), mas o meu favorito mesmo para escrever é o mais romântico, preciso confessar. Naruhina... não é ruim, ein? Mas eu acho que eu teria dificuldade com eles, porque não sinto uma tensão sexual ali e sim amor inocente, muito amor inocente. Juro que vou matutar sobre isso! Muito obrigada! Beijo!

Suh: Olá! Você perde o fôlego daí, eu daqui e eles de lá, heuheueh. Pode deixar que não vou parar, ainda falta algumas coisas que planejei para a história para serem escritas, então, enquanto eu não escrever todas, eu não sossego! Muitíssimo obrigada. Nhacs!

U. Sawako: Oi! Sei exatamente como é, Sawako, acontece direto aqui. xD Entrar na cabeça desses dois é uma coisa complicada e tô jubilando aqui por saber que o resultado está aprovado. Confesso que algumas palavras eu fico pensando se devo usar, mas geralmente quem lê fanfics lê muito lá fora, então já deve ter tido contato com elas alguma vez, aí não modifico. XD Seu comentário acabou por me deixar mais tranquila quanto a isso. Eu até pretendia ser mais quieta no hentai, mas a paixão me pegou, tentei escapar e não consegui. Ah, nem fale assim que eu gamo. Também não gosto de Sasuke pegador, não é do feitio dele. Ou Sasuke que, mesmo virgem, sabe de tudo e arregaça. Concordo muito com você. Inclusive, seja bem-vinda na história! Beijo!

Sayuri Strauss: Olá! Por que você estava chateada, Sayuri? Fiz algo? Mas se mesmo assim ele te conquistou, vou dar pulinhos por aqui, muitíssimo obrigada pelo elogio, co-ra-ção. heuhueh Nhacs!

Mel Itaik: Oi! Oooh, foi bom para você, é? Pois pode apostar que para mim também, parceira. Sério, fico grata em saber que gostou da combinação dessas duas coisas, muito obrigada! Beijo!

Wanda Suiyama: Olá! Poxa, problema no PC é ruim mesmo, só estressa. heuheuheue, sim, eles se comeram! Eu adoro ler primeiras vezes, mas é aquele tipo de leitura que eu quase não acho, na maioria os personagens sempre sabem o que estão fazendo, é bom saber que você curtiu nossa experiência e saiu satisfeita dela. ;) Já comecei a rir só de lembrar da vinheta, heuehuehue. A interrupção foi super maldosa mesmo, desculpa-me para sempre. Também prefiro um hentai que mescla os dois lados, o que se passa na mente e no corpo. Ino está reluzindo nessa história, a mulher brilha. Quando você lembrar o que é, me diz e não se preocupe, eu também faria o mesmo, hueheue. Beijo!

Notsweet: Oi! Sou eu quem te ama, na cama tu me chama, lá você não se acanha. Tutis, tutis, tutis, quero ver. Aliás, feliz por sua internet ter voltado! Nhacs!