Capitulo 7 - Descobertas
Estou refletindo no banho o motivo de meu recente ataque, troco de roupa e sigo para a sala. Mas algo chama minha atenção no quarto de Katniss um barulho. Buttercup está brincando com um papel rabiscado próximo a porta, perde o interesse e sai. Pego o papel e leio:
Por que estou furiosa?
Por que Peeta não me confidenciou seus planos e por Delly parecer saber sobre ele mais do que eu.
Por que isso me deixaria furiosa dessa forma?
Por que eu conhecia Peeta melhor que qualquer outro antes do tele sequestro e agora outra pessoa o conhece melhor e participa de sua vida: Delly. É por isso que eu estou furiosa!
Estou tentando entender o que significa. quando escuto sons na sala, fico escutando na escada a conversa de Haymitch e Katniss. Sei que não devia, mas eu ainda tenho um pé atrás em confiar plenamente neles.
-Olha, olha ate que pra quem estava parecendo uma lunática desde a ultima vez que vi, aquela Ângela faz milagre. –Ele fala de proposito para deixa-la zangada
-Nossa olha quem deu o ar da graça! Que foi os gansos acabaram com seu estoque de bebida e lembrou que tem uma tutelada? –Devolve Katniss na mesma moeda.
Entendo esse dialogo é só eles se alfinetando como muitas vezes nas minhas lembranças. Estou descendo as escada quando Haymitch solta:
-Ainda com ciúmes dela com Peeta queridinha? –Meu coração dá um pulo, será que realmente escutei direito? Ciúmes?
-E ai Haymitch, tudo bem? –Digo anunciando minha presença
-Tudo Peeta, quando sai o pão?
Vou em direção a cozinha preparar café do jeito que ele precisa, estamos terminando o lanche quando ele solta
-Então vocês estão morando juntos? Saindo? –Pergunta ele como se estivesse falando do tempo. Eu olho para Katniss que está me encarando também incrédula. Suas bochechas estão corando quando ela fala
-Se vai começar a falar besteira melhor sair Haymitch é serio! –Em seguida segue para o quarto deixando eu e Haymitch sozinhos.
-Isso não teve a menor graça. –Aviso a ele
-É, eu sei. Mas é isso que as pessoas podem pensar eventualmente... É melhor está preparado. –Ele avisa
-Como se isso fosse possível, eu e Katniss juntos. –Digo sem humor na voz
-Isso já aconteceu. –Afirma ele
-Certo e cavalos voam! –Digo ironicamente –Haymitch, isso nunca aconteceu foi tudo fingimento!
-Que inferno garoto! Essa garota esta quebrada e destroçada por tudo que aconteceu, todos estamos nem mesmo ela sabe, mas você já teve e acho que ainda tem seu coração. Mas você "traiu" a confiança dela e aquela garota é teimosa como uma mula para ver o que está bem a sua frente.
Atordoado, eu estou ali sentado sem pensar, O desanimo, a raiva e claro um choque dessa declaração me invade e por mais absurda que ela pareça não consigo refuta-la. Claro que isso é só especulação de sua parte, ela jamais falaria isso a alguém e mesmo que Gale também tenha me falado que ela me amava. Ela nunca me disse isso e acho que nunca dirá a mais ninguém.
Não sei quanto tempo passei perdido nos meus pensamentos quando percebo que Haymitch não está mais aqui. Vou para a varanda. Repasso todos os momentos que sei que são 100% reais: Minha chegada ao acampamento, a ameaça dela em contraste com sua paciência no jogo verdadeiro ou falso, finalmente a necessidade pungente em me matar e sua relutância. Se não fosse aqueles momentos, aquelas conversas, as declarações que éramos aliados, cuidamos um do outro e o beijo que me trouxe de volta a sanidade... Provavelmente teria me entregado a loucura. Mergulhado nesses pensamentos não percebo quando ela começou a regar as prímulas, agradeço por seu apoio em minhas crises, ela me agradece por ter cuidado dela, mas é isso que fazemos.
Assim como quando a impedi de se matar, eu a entendi naquele momento. Mas ela parece não me compreender, prefiro morrer na loucura a esquecer de qualquer Memória por mais dolorosa e insignificante que possa parecer.
Depois de termos ido a cidade pegar o pacote de Katniss e visitado Delly. Volto para minha própria casa vazia e para minha própria rotina. Passasse mais um mês, agora meus ataques tem um tipo de padrão, conhecendo mais Katniss me ajuda a controla-lo com os comprimidos e me agarrando a alguma cadeira ou mesa. Resmungar também tem me ajudado bastante e reduzido os colapsos. Meus encontros com Katniss agora é no período da noite, dando tempo a ela para caçar e para mim assar e fazer entregas.
-Boa noite. –Digo uma noite entrando em sua casa. Mas ela está de bruços na mesa muito concentrada em um livro, quando me aproximo ela leva um susto e vejo que está fazendo um livro. –Sobre o que é esse livro?
-Sobre os mortos na batalha, faz parte de minha terapia. –Ela fala voltando sua atenção para o livro.
-Posso ver? –Pergunto estendendo a mão. Percebo papel pergaminho de boa qualidade, foto de Rue está em uma das primeiras paginas seguida por uma descrição detalhada de suas características ainda inacabado.
-Você começou hoje? –Pergunto curioso
-Na verdade comecei faz alguns dias. –Ela fala desviando o olhar, aprendi que ela costuma fazer isso quando quer esconder algo ou não fala toda a verdade. Começo a notar os círculos roxos ao redor de seus olhos e sua pele um pouco mais pálida.
-Se quiser eu posso ajudar, caso você não consiga achar uma foto melhor do que essa. –Digo apontando a foto que usaram na capital para mostrar os tributos
Ela olha para foto em seguida para mim, algo lutando em seu rosto e suspira.
-Seria incrível poder contar com sua pintura, eles merecem muito mais que as fotos que a capital deu a eles como tributo. –Sinto a emoção que transpassa em sua voz, pois é a mesma que também sinto. Graças a eles que podemos estar aqui no doze, mesmo quebrados, mesmo irreparáveis, mas ainda assim vivos e muitos tributos não tiveram essa chance ao longo desses 75 anos.
-Onde Sae pôs o jantar? –pergunto me direcionando a cozinha
-No forno. Os pratos estão no armário.
Servimos da sopa de Sae com pedacinhos de pães que sobraram da manhã. A refeição é tranquila, após o jantar começo a trabalhar na imagem de Rue lembro-me de seus "voos" entre as arvores conforme me foi mostrado na recuperação e quando finalizo a imagem mostro a Katniss que chora ao olhar o desenho. Levanta-se e segue para o banheiro mancando.
-Onde você se machucou? –Pergunto assim que ela volta a sala.
-Não foi nada, só acabei torcendo o pé na caçada. –Responde ela de forma ríspida tentando me afastar –Tenho dormido pouco, mas já estou me tratando.
-Você tem tomados os remédios que o dr Aurélio te receitou? –Pergunto sendo tomado por um calafrio, sei que alguns deles fazem os pesadelos terríveis.
-Eles nunca me ajudaram em nada! Outra coisa ajudava, mas está inacessível agora. –Penso em Gale e me agarro na cadeira sendo levado por falsas Memórias, mas dura pouco tempo um minuto. –Você pode me ajudar a chegar ao quarto?
-Claro. –Ela se apoia em mim acomodo ela em sua cama e me viro para sair quando ela prende minha camisa. Percebo que seus olhos estão suplicantes e lembro-me de outra lembrança.
-Você quer que eu fique, real ou não? –Pergunto
-Real. –Ela sussurra. Eu me viro tiro meu sapato ponho ao pé da porta, em seguida tiro minha camisa e minha calça ficando só de camiseta e samba canção. Subo na cama e tento ocupar o mínimo de espaço possível. Deito, sinto o aroma que está por todo quarto cheiro dela e com esse aroma eu consigo me acalmar caindo nas profundezas do sono. Acordo sonolento com gritos e pontapés de Katniss.
-Não! Prim! –Grita ela com terror na voz.
-Sshhh, Katniss! –Tento acorda-la sem sucesso –Katniss! –Chamo mais alto
-Peeta, corre! –Ainda em seu pesadelo
-Katniss! Katniss! –Sacudo ela com força demora uns 2 minutos para ela finalmente despertar ofegante com os olhos que só pode ser descrito com o puro terror –Shh, você está segura agora, seja o que for que estava no seu sono não é real. –Apoio a mão dela no meu peito –Eu sou real, vê.
Ela me olha com pura confusão em seguida me abraça forte.
-Eles estavam aqui, executaram Prim na minha frente e atearam fogo. –Diz ela em meio aos soluços –Rue disse que a culpa era minha que eu falhei com elas duas e te torturaram na minha frente! Ah Peeta, eu sinto tanto! –Ela fala em meio ao choro usando minha camiseta de lenço.
-Shhhh, está tudo bem. –Tento acalma-la, passando a mão em suas costas como tantas vezes já fiz em minhas memórias e funciona. Ela se acalma, mas ao se acalmar vem também a outra parte da memória o beijo desesperado e avassalador. Eu tento afasta-la, é errado parece que eu estou me aproveitando de sua fragilidade momentânea. Mas ela insiste em continuar o beijo e eu me deixo levar. Em um determinado momento ela para e me olha nos olhos.
-Já fizemos isso outras vezes, no trem, no quarto do centro de treinamento, na caverna e na praia. Verdadeiro ou falso?
-Verdadeiro. –Diz ela como se lembrasse de algo e deita novamente na cama.
-Melhor tentarmos dormir. –Me viro para o lado oposto tentando esconder minha frustração e ereção sem sucesso.
-Você não me quer realmente, foi obrigada a isso com os jogos e agora só temos um ao outro. –Digo com a paciência e ternura que nem eu sabia que tinha.
-Mentiroso. –Ela me acusa –Você tem a Delly e Ângela. Não precisa ficar preso a mim.
-Você que não quer ver então, eu sempre estive preso a você desde criança. –Após um tempo em silencio eu continuo –Sim eu recuperei muitas de minhas memórias.
Tento dormir por mais meia hora, mas sem sucesso. Katniss por outro lado se enroscou em mim e conseguiu dormir. Viro de peito para cima aconchego-a junto a mim e a observo a luz do luar. Suas olheiras ainda estão muito profunda, seu rosto mais fino, o que posso fazer? Obrigo-me a ficar na cama ate as 5 horas quando me levanto cuidadosamente para não acorda-la. Sigo para a mesinha onde estão os papeis para o livro, recordo-me então da musica arvore da forca quando escutei o pai de Katniss cantando e sorrindo. Quando olho para o papel percebo que já desenhei o Sr Everdeen na folha de papel, ou pelo menos como me recordo dele. Lembro-me do meu próprio pai sua gentileza em me dar escondido alguns biscoitos escondido de minha mãe. Uma saudade e um vazio se instala no meu peito, ele não teve nenhuma chance e sem me controlar choro inconsolavelmente.
E por um momento de distração estou de volta à sala de tortura! Fazendo meu pesar ser substituído pelo puro terror.
