7. Momento de desejo

Com toda a confusão do dia, chegar em casa e descansar foi um grande alivio. Sentia toda a tensão no meu corpo, que aumentava ao lembrar que não tinha conseguido falar com Hotch depois do que descobri com JJ... Ainda assim me sentia muito mais relaxada, não sabia se por não estar no trabalho sob o olhar de todos ou se por ter deixado finalmente para trás meu desastrado romance, ou ainda por ter descoberto o que se passava entre mim e Hotch. A vida parecia melhor.

Bateram na porta. Estava deitada no sofá e não tinha nenhuma vontade de abri-la, deixe passar um minuto, mas voltaram a bater. Levantei-me e abri. Era Hotch, sorria e trazia flores vermelhas numa das mãos.

- Nunca te trouxe flores, sabia? – Disse ao me ver.

- Não pensei nisto... – Respondi.

Foi um impulso, algo repentino e ao mesmo tempo planejado há muito tempo, mal Hotch cruzou a porta o beijei. Abracei e o beijei como se nada mais no mundo importasse. Era como se fosse minha ultima respiração e quisesse compartilhar com ele. Não havia mais dúvidas ou desculpas, distancias ou medos, só importava que estávamos juntos e eu precisava dele.

A principio ele ficou surpreso com meu gesto, mas em seguida me beijou com a mesma paixão, com o mesmo desejo torturante após ter esperado tanto tempo para unir nossos lábios. Separei-me um momento para tomar ar, mas continuei abraçada a ele.

- Uau... Isto foi incrível... – Ele sussurrou.

- Posso dizer o mesmo Aaron. – Sorri e me soltei dele.

- E a que devo tanta sorte? – Perguntou entre interessado e divertido, enquanto me entregava as flores.

- Hoje aconteceram muitas coisas e fiquei muito feliz por você estar por perto para me ajudar, significou muito para mim.

- Sempre estarei por perto para você.

- Tem outra coisa que quero lhe falar. Algo importante do qual me dei conta hoje. – Hesitei por um segundo.

- Que houve Emily? – Perguntou e ao mesmo tempo me abraçou.

Então não resisti a beijá-lo novamente, não pude evitar sentir que seus lábios eram o único lugar certo para mim no mundo. Beijamo-nos quase sem respirar, queria lhe dizer tantas coisas ao mesmo tempo, queria lhe confessar que tinha feito me sentir segura, que queria que não se fosse nunca, que se a vida fosse eterna ainda queria estar com ele. Não tinha nenhuma dúvida.

- Quero você, Aaron. – Sussurrei.

- E eu quero você.

Neste ponto as mãos de Hotch já deslizavam sob minha blusa fazendo caricias que me enlouqueciam. Senti que tínhamos chegado a um ponto do relacionamento de mudança, o mais intimo de nossa relação, deste algo que tínhamos que nem era de toda relação e nem não era.

- Vamos para a cama... – Convidei.

Primeiro houve um momento de hesitação entre nós, tínhamos julgado que não nos relacionaríamos, porém no ultimo mês isto aconteceu. Cruzar oficialmente esta fronteira era novidade. Tomei suas mãos e o levei até o quarto.

Lentamente entramos num outro mundo só nosso, pouco a pouco as caricias se estenderam a lugares mais íntimos. Lentamente fomos nos amando como se tivéssemos todo o tempo do mundo, como se a paixão não nos devorasse por dentro.

Assim, num silencio intimo, pessoal e secreto, os botões foram saltando e as roupas foram saindo de seu lugar sendo substituídas por beijos e caricias, por prazeres que não sabíamos que poderíamos encontrar juntos. Sem necessidade de palavras ou acordos nos movemos no ritmo exato do outro, encontramos o amor percebendo um no corpo do outro.

Entre os lençóis da cama nossos corpos se encontraram, frente a frente, olhar a olhar, beijo a beijo, sem saber de onde vínhamos, mas na realidade isto não nos importava. Nos beijávamos reconhecendo-nos, nos amávamos no meio do êxtase, sussurrávamos palavras de carinho que não acreditávamos que um dia chegaríamos a pronunciar, transpirávamos paixão por todos os poros. Nos unimos e separamos apenas para o desejo ressurgir com toda a força;

Esta foi a primeira noite que passei em seus braços.

Quase ao amanhecer seguíamos sem separar nossos olhares, unidos num abraço que somente pertencia a nossos braços.

- Aaron...?

- Fale, querida...

- Que faremos agora?

- Dormir é uma boa ideia, – ele riu olhando-me. -mas acho que sei a que se refere. Teremos que falar com Strauss. Até podemos manter em segredo, mas não sei por quanto tempo.

- Acha que teremos problemas? Ela não terá duvidas em nos demitir. – Estava um pouco preocupada, ainda que na realidade fosse impossível sentir preocupação nos braços daquele homem.

- Não se preocupe, cuidarei de tudo. – Sussurrou. – Durma, faltam poucas horas para o amanhecer e está cansada.

Não passaram nem dois minutos e cai rendida pelo sono, sem deixar de abraçar por um só momento a Hotch.

Continua.