"Dizem que do amor para o ódio é um pulo, só não imaginei que essa afirmação poderia ser tão verdadeira".
Sasuke Uchiha –Capítulo 7.
Sasuke se sentia feliz, estava de fato amando e sendo correspondido. Quando entrou em casa, Mikoto logo apareceu preocupada:
– Filho onde passou a noite? Deixou-me aflita aqui a noite toda.
– Não havia razão para tamanha preocupação maman. –respondeu indiferente ao nervosismo dela.
– Não havia? Sasuke desde quando some assim sem dar satisfações e olhe para mim enquanto falo contigo. –ela ainda fazia ele se sentir um garotinho de cinco anos de idade.
Virou-se ainda sem dizer nada, Mikoto apenas mudou suas expressões como se adivinhasse seus pensamentos:
– Por acaso estava com uma garota?
– Sim, eu estava.
– Com aquela vassala de cabelos róseos, a Sakura?
– Sim, com ela mesma. –confirmou ainda tranquilo.
– Maldita hora que eu trouxe essa oportunista para casa! Será que não percebe que ela só está te usando para pôr as mãos em nosso dinheiro? –acusou ainda mais irritada.
– Sakura não é assim, nem tudo gira em torno do dinheiro ou da posição ocupada na sociedade mãe, não generalize as coisas ou a acuse sem nem ao menos conhecê-la. –defendeu sua amada.
– Não sabia que era tão ingênuo Sasuke, não o criei para ser feito de trouxa por uma criada qualquer. –cuspiu as palavras com desprezo.
– Se não quiser aceitar, não aceite. Porém ao menos respeite á ela e a mim mesmo. –em seguida, subiu para seu quarto deixando uma Mikoto enfurecida para trás.
Essa garota ia se arrepender de ter cegado seu filho e de repente uma ideia se acendeu em sua mente fazendo com que abrisse um sorriso satisfeito.
Foi fácil encontrar um servo no feudo que obedecesse a suas ordens e por uma mísera quantidade de dinheiro, ele aceitou fazer o trabalho sujo que lhe era designado.
...
Sakura havia se banhado e repousava com um sorriso estampado nos lábios só de lembrar-se do Uchiha, estar nos braços dele daquela forma tão íntima foi como provar que ela tinha de ser dele e vice-e-versa.
Teve suas lembranças interrompidas quando alguém bateu na porta, estranhou por já ser tarde da noite, mas foi até lá e abriu um pouco apenas para que pudesse ver de quem se tratava, temeu que fosse Mikoto mais uma vez:
– Sakura.
– Kiba? O que houve? –perguntou estranhando a presença do rapaz ali, Kiba Inuzuka era um dos servos responsável pelo trabalho nas minas da propriedade.
– Me feri durante o trabalho, está doendo muito. –disse gemendo. – Será que pode me ajudar?
– Claro, entre. –preocupada abriu a porta e ele adentrou com a mão sobre o abdômen, mais especificamente abaixo das costelas. – Deixe-me ver o ferimento. –contestou sem se dar conta de que o Inuzuka fechava a porta lentamente.
No momento seguinte, parecia que o rapaz havia se recuperado totalmente e antes que Sakura reagisse, o mesmo colocou um lenço com alguma substância em seu nariz. Ela lutou, tentou se desvencilhar, mas a única coisa que conseguiu foi perder os sentidos ainda mais rapidamente.
Com a garota já desacordada em seus braços, Kiba logo tratou de cumprir as ordens que tinha e a despiu deixando-a apenas coma a roupa de baixo que mais parecia uma camisola fina. Então a deitou sobre a cama da mesma, retirou a própria camisa e se acamou ao seu lado, bem próximo ao seu corpo. Agora era só esperar ele aparecer, a substância não teria um longo efeito.
...
Estava se preparando para deitar quando uma criada bateu á porta de seu quarto aflita:
– Sim? –perguntou despreocupado.
– Sakura pediu que o passasse um recado: ela quer vê-lo em seu quarto o quanto antes. –mentiu sem alternativas, á mando da patroa.
– No quartinho dos fundos? –a miúda mulher confirmou com a cabeça.
Mesmo estranhando, Sasuke decidiu ir até lá. Talvez fosse algo urgente. Desceu discretamente as escadas até o exterior do casarão e quando parou diante a porta, notou que estava mal encostada e abriu-a lentamente:
Um pouco antes disso, Sakura já havia acordado bem perdida e ao ver a situação em que se encontrava com Kiba, pôs-se logo a afastá-lo mesmo enquanto ele a puxava para si e esse foi o momento exato em que Sasuke adentrou o quarto e não acreditou no que via: um homem sem camisa estava encurvado sobre a mulher que amava, esta também não estava muito vestida.
– SAKURA! –exclamou quase sem folego enquanto sentia seu sangue esquentar.
– Sasuke... –levantou-se na mesma hora, o outro finalmente havia desistido de lhe segurar agora que o show já estava armado. – Não é nada disso que está pensando! –aproximou-se segurando o rosto dele entre as mãos.
– Pensando? Eu não estou pensando nada Sakura, estou vendo! –afastou as mãos dela com desprezo. – Hoje mesmo estávamos nos declarando e agora á noite você me trai dessa forma?! Como pode ser tão baixa garota?!
– Não Sasuke, por favor, não fale assim comigo, eu não fiz nada. –choramingava em tom de súplica.
– E esse seu amigo aí? É uma invenção da minha mente traída?
– Sakura outro dia continuamos de onde paramos, vejo que está encrencada com esse fracassado que não admite que te perdeu para mim. –ele foi sando depois de recolher discretamente o lenço que usara mais cedo e sua própria camisa.
– Como ousa dizer algo assim na minha frente? –cercou-o pronto para lhe meter um murro.
– Parem já com isso! –a garota entrou no meio.
– Tem razão a causadora maior disso tudo é você, com ele me acerto depois. –liberou-o e Kiba não perdeu tempo para sumir dali.
– Ele me enganou, disse que estava ferido então me fez desmaiar com um lenço e acordei pouco antes. –justificou-se ainda chorando.
– Não queira inventar essas desculpas agora Sakura. Eu amei você, confiei e enfrentei até a minha mãe por ti, mas pelo visto ela é quem estava certa á seu respeito. –apertava seus braços com força, provavelmente ficariam marcas ali.
– Está me machucando... –não se referia apenas á dor física.
– Você não merece que eu suje minhas mãos contigo. Mas quero que suma desse feudo, de preferência saia da cidade e se puder do país. Não quero ter que olhar em sua face nunca mais. –cada palavra dele foi como uma facada direta em seu peito.
– Mas Sasuke, eu...
– Cale a boca e desapareça da minha frente antes que não responda por meus atos. AGORA! –gritou alterado e deixou o quarto em passos duros.
A garota não quis ficar naquele lugar, não queria se magoar mais nem deixar Sasuke ainda mais nervoso consigo. Não pegou nada dali, exceto um xale para cobrir sua roupa e a única coisa que fez questão de fazer foi colocar o vestido que havia ganhado de presente sobre a cama com todo o cuidado. Sem nem se despedir de ninguém, saiu do feudo sem olhar para trás, lhe doía à ideia de abrir mão de seu amor, mas vê-lo sofrer por sua causa era uma tortura ainda mais pesada.
Caminhou até a capital, a chuva logo começou a cair e as gotas de água misturaram-se com suas lágrimas, mas ela não se importava. Deixou-se cair numa rua deserta, suas forças estavam no fim.
Foi quando viu uma mão enrugada oferecida á si, olhou para a cima vendo um senhor com um olhar acolhedor, ele vestia uma túnica comprida com um capuz em sua cabeça para que não se molhasse.
– Meu nome é Hiruzen Sarutobi e quero ajudá-la pequena flor. - apresentou-se lhe transmitindo confiança.
...
Ao entrar em casa, Sasuke logo viu sua mãe:
– Não estava conseguindo dormir... Filho aconteceu alguma coisa com você? –perguntou-lhe se aproximando e o Uchiha aceitou o consolo de seus braços.
– Você estava certa mãe. Flagrei Sakura deitada com outro na cama. –contou com a respiração dificultada devido ao choro. – A coloquei para fora daqui.
– Ela queria apenas prejudicá-lo meu querido, mas não se preocupe. Você se casará com Lyn e terá a felicidade que tanto merece. –aconselhou-o ainda abraçada á ele, por sorte o Uchiha não via seu sorriso.
...
A Haruno vinha conhecendo outro mundo. Desde aquela fatídica noite já haviam se passado sete meses, Hiruzen Sarutobi não era um velho com segundas intenções, ele acolheu a garota de forma carinhosa e até certo ponto, paternal. O porquê ela não entendia, mas quanto mais conhecia aquele senhor mais o admirava e criava por ele um laço forte, afinal foi o único que havia literalmente lhe estendido à mão quando não lhe restava mais nada.
Haviam sido levada á uma pequena aldeia um tanto distante da capital, lá os poucos camponeses levavam uma pacata vida campestre e podiam produzir o que consumiam sem ter que prestar contas á nenhum senhor feudal ou autoridade máxima.
Na verdade, quando saiu do feudo ela tinha algo e não era frustração ou arrependimentos. Algumas semanas na casa de Sarutobi começou á se sentir extremamente mal e notou que conforme o tempo corria seu corpo estava passando por mudanças aparentes. Ela estava grávida, carregando um pedaço do homem que ainda amava consigo e diferente do que imaginava, ninguém ali lhe criticou ao menos não na sua frente.
Entretanto, no sétimo mês de gestação as dores fortes começaram, uma parteira da região foi chamada com urgência. Sakura fez força e aguentou firme até o fim mesmo com a dor intensa e quando finalmente pensou que teria seu bebê nos braços foi desiludida mais uma vez: a criança havia nascido sem vida.
Sofreu muito como quem perde um ente que conheceu a vida toda, mas a dor dela seria ainda maior se soubesse que naquele mesmo dia, seu amado estava se casando com sua prometida.
...
