N/A/ Lisa entra de mansinho / Oi gente/ silêncio absoluto / Er, eu demorei um pouco, não/ mais silêncio / Er... desculpem. Mas, como eu disse em outra fic que eu postei hoje, houve uma combinação de coisas que não são muito boas, principalmente para mim. ( Estudos, faculdade, problemas familiares e perfeccionismo). Desculpem, mais uma vez, pela demora.
Bom, Deathly Hallows na área e uma fic pós-HP6 ainda em curso. Lisa terminou de ler, ou melhor, engolir o livro ontem. / olhos mais que brilhantes e contendo a vontade de reler... / O que fazer? Atitude drástica: apagar tudo e recomeçar outra/ risos /
Brinks, brinks. Eu não faria isso. Bom, mas se alguém que lê a fic e ainda não leu HP7 está preocupado em se deparar com um enorme spoiler no decorrer dos capítulos, pode ficar tranquilo. Nem se Hogwarts se mudar para a Sibéria, for invadida por geléias gigantes e Snape for pego lavando os cabelos com pedaços de gelo eu vou mencionar aqui na fic. Podemos dizer que essa fic virou uma espécie de Realidade Alternativa. XD. Sem muitas menções profundas sobre a guerra. XD.
Hum... chega de falatórios, não? XD. Acho que eu falo demais...rs. Vamos aos comentários, então. XD.
Gabriela.Black (Sim, foi direta. Huahahahahaha. Ah, obrigada pelo toque. / corada / É que eu não cheguei a REVISAR o capítulo. Só dei uma lida por alto, sem mais análises. XD. Huahahahahaha. Poxa, tadinho do Harry. Ele pode ser estúpido às vezes, mas não é sempre..T.T. rsrsrsrs.); Remaria ( XD. Que bom que gostou do capítulo! Quanto ao que aconteceu com Harry e Ginny, vai ser tratado aos poucos por flashbacks. A história é longa...risos. A Lisa é um encanto de menina? Que bom! XD); Livinha ( XD. Fico feliz que tenha gostado do capítulo! Hum, eu realmente fiquei com receio de não passar muito bem a leve tensão inicial entre eles, mas fico aliviada que eu tenha conseguido. Hehehehehe. Gostou do monólogo da Gi? Hehehehe. Eu achei tão Harry fazer isso... Huahahahahaha. Mas, não se preocupe, dá próxima vez ele não vai fugir não. "Pra cama, Tigrinho!" Adorei! Huahahahahahahaha. Ah, não. Mas eu sempre me lembro dessa parte. / e sempre rio ao me lembrar do "problema cabeludo". / Eu estava relendo HP, cheguei a terminar o primeiro, mas aí eu estacionei e pulei logo para o sétimo. rs. Sim, eu tenho que dar uma passada na sua fic ainda... Eu acho que cheguei a ler até o segundo, não lembro... / corada / ); Sil17 ( Er, eu demorei mais um pouco... de novo. Seu capítulo favorito? O meu também! XD. Amei escrevê-lo. Huahahahaha. Sim, o Harry está meio Harry. Bom, eu imagino o Rony e a Mione assim como casados. Hehehehehe. A conversa do trio ficou perfeita? Que bom! Eu fiquei com medo de acharem ruim... n.n. Huahahahahaha. Sim, sim, foi mais ou menos isso o que aconteceu com o Harry. Quanto a Harry e Ginny... os fatos vão ser contados aos poucos, através de flashbacks. Acho que vão ter raiva dele quando souberem...risos. A Lisa é adorável? Que bom! XD. Sim, ela caçoou mesmo. Rs. Não, não é lerda não. A semelhança não é muito evidente... a princípio, mas teremos uma conversa esclarecedora futuramente. XD.); Miss Moony ( Nossa, que review enorme/ olhos brilhantes / Amou a resposta do seu comentário? Espero que goste dessa também. Huahahahahaha. Hum, isso é, realmente, difícil de se definir. Podemos dizer que os dois ocupam lugares especiais em meu coração. Huahahahaha. Concordo plenamente contigo. / Marotos como brinde... XD, mas numa H/G vem de brinde também toda a família Weasley. Os gêmeos! n.n. / Sim, para conseguir a Lily foi preciso muita coragem. Não é à toa que o Prongs é Grifinório! É, eu tenho que concordar com você: é divertido demais fazer o James sofrer para conseguir a Lils. Poxa, mas você falando a respeito do Harry, faz com que eu me sinta uma megera. / risos / Mas, bem, fazer o quê/ sorriso inocente / Er, ele não vai conseguir tão facilmente ficar novamente com a Ginny mesmo. Ah, não fala isso, eu ficaria dividida entre o Harry e o Henri. / lado coruja falando mais alto / Sim, eles estão super confusos. XD. Quanto ao que Harry fez... bem, sem comentários. Os flashbacks da fic irão explicar isso melhor do que eu...Huahahahaha. Hum, agora você se afastou da resposta. Huahahahahahaha. É bem óbvio o fato, mas você tem que procurar além da fic. Bom, eu vou dar uma cena, um flashback. Só estou em dúvida de qual ainda. Sim, vai ser a Liz quem eles vão tentar adotar. Não se preocupe, teremos cenas a respeito disso. XD. Sim, para falar a verdade, eu sempre imaginei o Harry se dando bem com crianças. Huahahahahahahahaha. Até imagino como você ficaria. Acho que eu reagiria da mesma forma. Certamente explodiria de tão vermelha que ficaria por conta disso / Hum, ele vai conversar - e corar - mais vezes com a Liz. A Ruth? Dando em cima do Harry Er... não sei. Talvez. Huahahahahahaha. Mas, como você disse, quem não daria/ Lisa com cara de: eu não daria em cima dele, eu me jogaria em cima dele, isso sim/ Ah, o lugar da curandeira para mim/ sorri largamente / Ah, que é isso... pode ficar. / Lisa fazendo planos para sequestrar a Ginny enquanto termina de preparar a poção polissuco / Gostou do reencontro do trio? Que bom! Fiquei meio insegura se iam gostar ou não dela. XD. Também AMO escrever Rony X Mione. Huahahahahaha. Colocar uma roupa mais decente em Harry? Bom, poderia ser pior. Ele poderia ter a abertura atrás e ele ter que sair se esgueirando pelos cantos. / imaginando a cena e rindo / Er, ele só vai poder usar o velho jeans e camiseta depois que sair do St. Mungus mesmo...rs.); Lulu Star ( Huahahahaha. Sim, acho que é o jeito Harry de ser. Estúpido e fofo. Rs. Gostou do capítulo e da Lisa? Fico feliz que tenha gostado! Adora o meu Rony/ corada / Aliás, vendo seu Ron agora, lembrei - novamente - que eu meio que cometi uma gafe na fic, mas vou procurar mudar depois. É Ron, em inglês, e não Rony. Mas, bem, paciência...Huahahahahahaha. XD. Sim, Harry muy burro, mas eu entendo o lado dele. Antes ele ficar calado do que falar besteira e piorar a situação. Huahahahaha. Sim! Aparece sempre que você lê a fic. A semelhança está lá, gritando desesperadamente, mas você talvez, não perceba. Ela é vista sempre que você lê a fic, mas para se procurar a resposta correta não a fic não é necessariamente o melhor meio para isso. Huahahahahaha. Adorei o seu Hipogrifos Galopantes! Não desista! XD. Mas, bem, como você está mais perto... Se ninguém chegar até a resposta certeira ao capítulo onde isso será revelado... você ganha um prêmio de consolação. XD. ); Assuero Racsama ( Huahahahaha. Sim, o que uma excursão pela ala pediátrica é capaz de fazer. Mas, bem, a Lisa já é "dona da área". Ela ama patrulhar pelos corredores. Sim, ela é bem sapeca mesmo. XD. / Nada a ver com a criadora, obviamente. Talvez um pouco. Huahahahaha. / Sim, é mesmo quem você está pensando! E talvez ela ganhe os dois de presente. Huahahaha. A Clara na fic? Bem, aqui está! Quanto a toda a família Weasley reunida... Só n'A Toca mesmo. Por enquanto.Rs. / isso, se der todo mundo lá... risos /); Gagau ( Huahahaha. Sim, deve ser loucura para o Harry toda a situação mesmo. Mas, bem, foi ele que quis assim, agora chegou a hora de arcar com as consequências... Achou comédia ele e a Lisa fugindo da Ginny? Huahahahaha. Eu me diverti muito escrevendo essa parte. XD. Minhas fics são perfeitas/ corada / Que bom que gosta tanto assim delas! Hum... / se esconde / Lá se foi mais uma eternidade...Desculpe.) e marina ( Que bom que gostou do capítulo! Huahahahaha. Todo mundo está achando isso, só muda as qualificações carinhosas ao Harry. / Estúpido, idiota, imbecil... mas fofo. / Mas, bem, acredite. Seria pior se ele falasse, ou melhor, tentasse falar alguma coisa. Huahahahahaha. Gostou da Lisa? Que bom!!!! Hum... / corada / Para falar a verdade, elas fluiram de uma maneira fácil, principalmente a conversa do trio, que eu até me surpreendi. Cheguei a acreditar que poderia ter ficado ruim. Acho que foi porque eu já a tinha de uma maneira tão sólida em minha mente, que não foi tão complicado assim colocá-la no papel. Ah, eu adorei seu comentário! XD. E desculpe a demora...y.y.).
Bom, beijos a todos aqueles que acompanham e/ou comentam a fic. E vamos a mais um capítulo de Escolhas.
Ah, e a cena em itálico é um flashback. XD. Sim, ele voltou/ a que adora ler/escrever flashbacks...risos /
Cap. 6 – O Seu Lugar
"Logo pela manhã, ao acordar e deparar-se o teto inclinado parcamente iluminado d'A Toca, Harry permitiu-se pensar que não se lembrava de estar tendo um verão tão silencioso naquela acolhedora residência quanto estava sendo aquele verão de 1997.
O rapaz havia saído da casa dos Dursley há alguns dias, sendo presenteado por uma singela festa de aniversário organizada pela Sra. Weasley quando colocara os pés no local, acompanhado por uma escolta de membros da Ordem da Fênix.
Harry não havia como negar que apreciara aqueles breves momentos de calmaria e que, por breves instantes, esquecera que havia uma guerra lá fora e ele era uma peça essencial dela. Também não tinha como negar que muitas vezes, ainda na casa dos tios, se pegara pensando em como seria bom reencontrar Ginny Weasley, ao mesmo tempo em que sentia o estômago dar um estranho solavanco ao imaginar como iria reagir quando a visse novamente. E, logo depois, repreendia-se mentalmente por se ver pensando nela e fazia de tudo para se lembrar de que fora ele mesmo que havia tomado a decisão de terminarem; e que ele tinha que fazer isso, para protegê-la.
Harry, inclusive, não seria tolo o bastante para negar a si mesmo que a primeira coisa que pensou quando estava n'A Toca era ser abraçado por Ginny e ouvi-la sussurrar em seu ouvido um "Feliz Aniversário", coroado com um agradável beijo em seus lábios como o presente perfeito. Só que o que acabou por acontecer não foi bem o que ele pensava realmente.
Lembrou-se de ter sentido o corpo ferver quando se afastara do abraço de Hermione e notara a aproximação de uma corada Ginny e, quando ela finalmente pareceu chegar próximo a ele – Harry julgou que se passaram horas até que o trajeto dela fosse concluído –, um silêncio constrangedor se estabeleceu entre eles. Harry reparou também que Hermione, subitamente, havia desaparecido, contribuindo para deixar aquela situação ainda mais desconfortável.
-Hum, oi. – ele arriscou numa voz rouca, tentando parecer menos idiota do que achava que estaria sendo.
-Er... Oi, Harry. – ela respondeu e silenciou. Harry desejou intrinsecamente que ela dissesse qualquer coisa, porque a imagem de si mesmo dizendo coisas como "Férias boas?" ou "Você está bem?" o faziam se sentir mais estúpido ainda. Afinal, se ela estivesse se sentindo como ele, as coisas poderiam estar tudo, menos boas.
E, então, o silêncio tornou a se instalar e se prolongar entre eles. Harry começou a sentir incomodado com o fato, mas procurou não demonstrar. Queria dizer uma coisa, qualquer coisa, mas, aparentemente, seu cérebro havia sido estuporado ou resolveu entrar em greve sem aviso prévio.
-Eu... – ela murmurou, baixinho, e Harry se sentiu imensamente aliviado por ela ter dito algo, poupando-o de tentar fazer o mesmo. – Espero que seus tios não tenham te perturbado muito durante esse tempo em que você esteve lá. – ela falou num ar meio envergonhado e, sorrindo um pouco, Harry deu de ombros.
-Nada do que eu não esteja acostumado. – ele confessou num suspiro. – Quando eu disse que não mais voltaria àquela casa, julguei pela feição de tio Vernon que ele seria capaz de organizar uma festa com direito a serpentinas e balões, se ele ao menos tivesse humor o bastante para fazer uma. – falou num ar de desânimo. – Mas eu creio que tia Petúnia comemore o fato com uma bela faxina na casa, disposta a não deixar nenhum vestígio Potter nela.
Harry reparou que Ginny não riu, mas sorrira de leve. Involuntariamente, pôs as mãos no bolso para manter o controle sobre si mesmo, pois parecia que havia algo de estranho com suas mãos e corpo, que queriam criar vida própria e se aproximar mais da ruiva, a fim de ter seu corpo aninhado ao seu mais uma vez.
Só que, para a imensa surpresa de Harry, a ruiva atendeu ao chamado do seu corpo e venceu a distância entre eles, enlaçando-o pelo pescoço e acolhendo-o num forte abraço. Harry sentiu o corpo esquentar mais uma vez e algo dentro de si ronronar, satisfeito, antes que ele pudesse ser capaz de efetivar uma reação, retribuindo o abraço que ela lhe dava.
-Feliz aniversário, Harry. – ela falou rente ao seu pescoço, fazendo uma sensação agradável subir pelo seu corpo. De súbito, Harry desejou fazer aniversário todos os dias para que pudesse ouvi-la dizer isso sempre. Principalmente se fosse daquela forma.
-Obrigado, Ginny. – murmurou num fio de voz.
Foi com certa relutância que ele deixou Ginny se afastar novamente. Ela o mirou por um breve instante e depois abaixou o olhar. Logo depois, Harry sentiu uma delicada mão buscar a sua e colocar algo ali.
Harry desceu o olhar para saber do que se tratava, mas, antes mesmo que concluísse o que pretendia fazer, Ginny depositou um demorado beijo no canto dos seus lábios e fechou a sua mão sobre o pequeno objeto que colocara ali. Após isso, deu alguns passos para trás e sorriu de leve.
-Eu vou ver se a mamãe precisa de alguma coisa; espero que se divirta, Harry. – e, dizendo isso, tratou de se afastar dele e sumir por entre os presentes.
Harry, a priori, pensou que Ginny estava em qualquer lugar, longe das vistas dele, mas, com o passar do tempo, percebeu que a garota o estava evitando. Por fim, a festa se deu por encerrada e todos tiveram que se retirar. Não que Harry não tenha gostado da mesma, mas algo murmurava dentro de si que ela seria muito melhor se tivesse a ruiva ao seu lado...
O rapaz revirou-se na cama, ocioso demais para permitir-se levantar dela e procurar algo para fazer, optou por apenas colocar os óculos para ver algo além do que grandes borrões. O vampiro preso no sótão lamuriou ao bater em um cano e, como resposta, obteve um resmungo de um Rony ainda sonolento.
Harry mirou o amigo por alguns instantes, sua cabeleira ruiva entrando em um contraste esquisito com a velha colcha alaranjada dos Cannons, na qual ele estava enrolado. Respirando fundo, desejou por breves instantes estar no lugar dele e esquecer-se de quem era e do que deveria fazer. Involuntariamente, levou uma das mãos para debaixo do travesseiro que apoiava a cabeça e a tirou de lá ao encontrar o anel que dera a Ginny quando ainda estavam namorando, e que ela lhe devolvera no dia do seu aniversário junto com uma barra de chocolate da Dedosdemel.
Observou o objeto por longos minutos, lembrando-se que desde aquele dia que raramente via a ruiva, com exceção das horas das refeições. Harry não saberia dizer se era ela quem procurava se sentar o mais afastado o possível dele, ou o contrário. Talvez fossem as duas coisas. Algo dentro de si dizia que manter-se afastado de Ginny era a melhor forma de não mandar sua decisão às favas e toma-la em seus braços novamente. E era a muito custo que ele mantinha aquela muda promessa que fizera a si mesmo.
Suspirando, Harry pensou que estava mais do que na hora de se levantar, mesmo que fosse particularmente cedo. Espreguiçando-se, abandonou a velha cama de armar e deitou um olhar indeciso a Rony, que revirara durante o sono e resmungara algo. Optando por não acordar o amigo, nem tão pouco contribuir para isso revirando seu malão a procura de alguma roupa para se trocar, Harry vestiu um roupão por cima do pijama e saiu do quarto a passos silenciosos.
Chegou ao térreo da casa sem muitos problemas – a não ser ter parado para observar, por breves instantes, a porta do quarto de Ginny no primeiro patamar –; e, longe do refúgio do último quarto da casa, Harry reparou que mesmo que estivesse um pouco cedo, o alvoroço que se instalara na casa devido à proximidade do casamento de Fleur e Bill já havia iniciado.
A Sra. Weasley estava atravessando a sala segurando uma pilha de roupas – o velho relógio, que sempre a acompanhava nos últimos tempos, equilibrando-se majestosamente no topo –, parecendo um pouco impaciente com o que Fleur praticamente monologava com ela. Harry permitiu-se sorrir por breves instantes ao lembrar-se da forma com que o rosto de Ginny se contorcia enquanto soltava um divertido e resmungão 'Phlegm', no verão passado, todas as vezes em que a francesinha aparecia para falar alguma coisa com ela ou a Sra. Weasley.
Harry notou que Fleur sorrira para ele e voltou a falar algo com a futura sogra, que apenas assentiu de leve e se aproximou dele, que ainda estava parado ao pé da escada.
-Bom dia, Sra. Weasley; Fleur. – Harry falou tentando soar sério. O rosto bondoso da mulher apareceu diante da pilha de roupas que o ocultava e o rapaz notou que a feição apressada dela se transformou num largo sorriso.
-Bom dia, Harry. Acordou cedo hoje, querido. Dormiu bem? – ela falou naquele ar maternal que o rapaz tanto conhecia. Fleur, um pouco atrás dela, se calou por um breve instante antes de também cumprimentar Harry de uma forma mais formal do que outrora fizera.
-Bom dia, Arry. – ele assentiu de leve em resposta e sorriu, voltando-se para a Sra. Weasley.
-Eu dormi muito bem, Sra. Weasley, só que acabei por acordar cedo demais. – a feição da Sra. Weasley pareceu ficar séria por alguns instantes antes de ela tornar a se suavizar.
-Remus e Tonks estão na cozinha, querido, se você quiser comer qualquer coisa, sinta-se à vontade.
-Eu fiz geléias de amorras, Arry, parra Bill, son as preferrides dele. – Harry notou que um pouco da impaciência da Sra. Weasley foi o fato da sua futura nora ter posto suas mãos e varinha na sua intocável cozinha, visto a feição ligeiramente desgostosa que ela esboçou ante ao comentário. – Se quiserr se serrvir um pouque, nam tem prrobleme.
-Hã... obrigado. – ele falou, incerto do que dizer. Lembrara-se muito bem que, verão passado, a francesa falara algo como não gostar de cozinha e galinhas, e o rapaz não estava muito confiante de que, em menos de um ano, os dotes culinários de Fleur se equiparasse aos da Sra. Weasley. Mesmo que a receita fosse de uma preparação aparentemente simples.
-Fale com Remus ou Tonks, querido. – insistiu a Sra. Weasley, e Harry soube que ela ficaria intrinsecamente irritada se ele se atrevesse a sequer pensar em provar a tal geléia da Fleur. – Eles saberão o que fazer, mas, se preferir, pode me esperar que daqui a pouco eu preparo algo para você.
-Non prrecise se prreocuparr, Molly, eu prreparro algo parra o Arry. – Fleur se pronunciou, um tanto prestativa demais e Harry evitou sorrir amarelo. O olhar da Sra. Weasley o perfurava em busca de uma resposta. E o de Fleur também.
-Hum, obrigado, Fleur, mas eu não estou com fome agora. – ele achou a melhor coisa a dizer. – E, Sra. Weasley, eu sei que a senhora anda muito ocupada ultimamente, então, não se preocupe comigo. – a matriarca tornou a sorrir, ajeitando a pilha de roupas nos braços. O relógio balançou furiosamente no topo.
-Oh, Harry, eu nunca estou ocupada o bastante para cuidar de você, querido. – aquele comentário fez o rapaz corar furiosamente e ele apenas sorriu timidamente em resposta. A Sra. Weasley retribuiu o sorriso e começou a subir as escadas, com uma Fleur mais do que agitada em seu encalce.
Vendo-se novamente sozinho, Harry seguiu caminho até a cozinha. Remus e Tonks estavam sentados à mesa, lado a lado, conversando algo aos sussurros. O rapaz parou na entrada do recinto, incerto de prosseguir no caminho ou ir para outro lugar, a fim de deixar o casal a sós; mas antes mesmo que fizesse alguma coisa, Tonks ergueu o olhar e, ao avistá-lo, sorriu levemente para ele.
-Ora, vamos, Harry, não se acanhe. – a auror falou, animada. Seus cabelos estavam numa cor azul e espetava para todos os lados. Isso contrastava particularmente com seus olhos cor de topázio. – Junte-se a nós.
-Eu achei que... – ele começou, meio envergonhado. – Ah, tudo bem. – completou, ocupando mais um lugar na mesa. – Como estão?
-Na medida do possível, vamos bem. – Remus falou num sorriso cordial. – Espero que esteja o mesmo com você. – completou o homem, ao que Harry apenas se limitou a assentir.
O curto silêncio se estabeleceu entre os três fora logo quebrado pela auror, que arrastara a cadeira que estava sentada com agitação antes de se pronunciar.
-Bom, eu já fiquei muito tempo aqui e já passou da minha hora. – Tonks falou num ar meio animado, se levantando rapidamente e dando um beijo na bochecha do namorado ( Harry agradeceu mentalmente a ela, pois se sentiria incomodado vendo seu ex-professor beijando alguém ). – Até mais, Harry.
-Até. – o rapaz respondeu, observando Tonks sair da cozinha e deixando os dois a sós. Harry se voltou para Remus e respirou fundo. – Soube que Voldemort estabilizou os ataques desde a morte de... – o moreno comentou, sério, suspirando quando não conseguiu completar a frase. – Acham que ele pode estar preparando algo? – Remus assentiu calmamente.
-Só nos resta saber o quê. – o homem falou num ar cansado. – Agora que Snape debandou, está um pouco mais complicado para conseguir informações sobre os próximos passos de Voldemort.
Harry tornou a suspirar, inconformado.
-Eu não devia estar aqui. – avaliou, sisudo, passando a mão pelos cabelos nervosamente. – Eu devia estar lá fora, procurando uma maneira de acabar, definitivamente, com isso. – confessou num murmúrio. – Sabe, eu me sinto descolado estando aqui. É difícil pensar em um momento de festejos quando há uma guerra ocorrendo lá fora.
-Você só precisa esperar mais alguns dias, Harry. – Remus falou de modo compreensivo, inclinando um pouco o tronco para frente, a fim de se aproximar mais do rapaz, que estava ocupando uma cadeira do outro lado da mesa, estando assim à sua frente. – Escute; eu sei que você e o Dumbledore descobriram uma maneira de derrotar Voldemort no ano passado. Eu não sei ao certo qual é, e também não creio que seja viável eu saber. – prosseguiu com desvelo. – O caso é que você não deve pensar que sua estadia aqui é uma perda de tempo. Sei que você tem uma longa jornada pela frente, então sugiro que você tire esses dias para planejar quais serão os seus passos quando ela começar; e que aproveite o tempo de paz que lhe resta. – o moreno assentiu calmamente, mesmo não entendendo muito bem o que ele quis dizer com a última parte. – E também quero que saiba que você pode contar comigo no que precisar, Harry.
-Sei que posso. – Harry respondeu num meio sorriso, adquirindo um ar meio pensativo. – Professor, você pode me levar até o túmulo dos meus pais?- questionou, depois de alguns minutos em silêncio.
O homem, a princípio, piscou de forma atordoada, o seu rosto ficando ligeiramente lívido. Harry, por breves instantes, se mostrou meio arrependido de ter sido tão direto.
-Digo, se você não se sentir à vontade... – procurou emendar, envergonhado. – Você pode me dizer o local, que eu vou sozinho, ou... – ele parou de falar quando Remus negou com um meneio de cabeça.
-Não, Harry, não se preocupe. Não será incômodo nenhum te levar até eles. – falou numa voz meio rouca. – Acho que James e Lily iriam querer isso.
-Acho que sim. – Harry murmurou, na falta melhor do que dizer; logo depois, um silêncio se instalara entre eles.
Harry, então, se limitou a observar a mesa, que havia sido posta para um singelo café da manhã. Sem saber o que fazer no momento, Harry apanhou um pote transparente cheio de um conteúdo meio avermelhado, analisando-o minuciosamente.
-Eu não provaria isso se fosse você. – uma nova voz se pronunciou, fazendo Harry se sobressaltar e largar o pote, entre surpresa e euforia. – Olá, Remus.
-Oi, Ginny, como vai? – Remus respondeu no seu ar sereno de sempre.
-Muito bem. – ela falou num largo sorriso e Harry sentiu o ar faltar quando ela voltou o olhar para ele. – Pulou da cama, Harry? – ela gracejou, fazendo Harry se perguntar mentalmente como ela conseguia aparentar que estava tão bem assim, mesmo que seus olhos a traíssem de vez em quando.
-Pelo visto, você também. – ele falou, arriscando um sorriso.
-Ah, não. – ela fez um gesto de displicência com uma das mãos. – Foi a mamãe quem me acordou; ela pediu que eu a ajudasse em algumas coisas hoje. A Fleur disse que ela poderia muito bem ajuda-la, mas mamãe procurou fingir que não havia escutado. – ela ocupou o lugar em que antes Tonks estava e Harry não soube dizer se estava feliz ou triste com o fato. – Muito trabalho, professor? – ela falou com um novo sorriso. – E a Tonks?
-Estava aqui ainda há pouco, mas teve que se retirar. – ele respondeu e Harry percebeu que o homem lançara um breve olhar para ele antes de se levantar. – Bom, me desculpem, mas eu preciso resolver algumas coisas agora. Até mais.
-Até. – os dois responderam ao mesmo tempo. Harry observou Ginny seguir Lupin com o olhar e respirou fundo, imaginando que, ultimamente, as pessoas tinham a excêntrica mania de deixá-los a sós. E que o silêncio sempre preponderava entre eles quando essas situações aconteciam. O pote de conteúdo avermelhado pareceu novamente atraente ao rapaz, que começou a examiná-lo como se sua vida dependesse daquilo.
-Eu não experimentaria isso se fosse você. – Ginny repetiu, depois de um tempo, fazendo Harry erguer o olhar e encará-la.
-E o que isso tem demais?
-O Bill experimentou ontem uma dessas e não gostou. – ela explicou. – Foi a Fleur que vez. Meu irmão me disse que tem um gosto horrível, mas, para não magoar a futura esposa, ele disse que estava ótimo. – Ginny esboçou um ar desolado. – Aparentemente, isso serviu de estímulo para ela fazer mais hoje.
Harry não conseguiu conter um fraco riso e devolveu o pote à mesa. Ele achou que o silêncio novamente perduraria entre eles, e admirou-se intimamente quando a ruiva voltou a falar.
-Eu não tive oportunidade para te perguntar antes... – ela falou, olhando para a mesa, corando um pouco. – O que você achou do presente?
-Ah, eu... – ele pensou um pouco, mas não lhe veio nenhuma resposta ideal. – Bem, eu não sei bem o que pensar dele.
-Não pense. – ela falou, séria, ainda sem encará-lo.. – Digo... eu pensei em te dar algo que o fizesse lembrar de mim. Dos momentos que, bem, dos momentos que tivemos. – Harry viu Ginny fechar os olhos e respirar fundo antes de sustentar o olhar que ele lhe lançava. – Se isso foi importante para você, é claro.
-Claro que foi. – ele prontamente respondeu num murmúrio rouco, buscando a mão dela, que jazia em cima da mesa. Ela recuou prontamente. Harry piscou, meio atordoado e ela sorriu timidamente.
-Sei que foi.
-Mas você... – ele começou, confuso.
-Eu sei, desculpe-me. – ela o interrompeu numa voz meio falha. – Eu estou nervosa; eu... – ela se levantou da cadeira num gesto rápido. – acho melhor ir embora. – completou, começando a caminhar para fora da cozinha.
-Ginny, espera... – Harry também se ergueu, derrubando a cadeira na qual estava sentado com o movimento brusco, e a seguiu.
Harry suspirou aliviado quando Ginny parou e voltou-se para ele num olhar sério. Ele tentou ignorar o fato daqueles olhos amendoados estarem meio enevoados e a contração involuntária do seu peito diante do fato.
-Harry, você tomou uma decisão, e eu estou disposta a aceitá-la. – ela respirou fundo antes de continuar. – Estou sendo sincera quando digo que, apesar de tudo, eu não concordo com isso; também sei que tudo o que eu disser não vai te fazer voltar atrás nesse seu empenho em me manter protegida, mesmo sabendo que não estou por completo imune a essa guerra. Tão pouco quero que você me faça prometer que irei ficar escondida, esperando que pessoas inocentes morram na minha frente sem eu fazer nada, porque eu não vou fazer isso. Então, Harry, eu acho que não temos mais nada a dizer um ao outro, não é? – concluiu, séria.
Harry esboçou um ar cansado, como se já previsse o fato. Percebeu que os olhos de Ginny o miravam de modo determinado, a espera de um comentário da sua parte. Passou a mão pelos cabelos e tornou a suspirar.
-Espero que tome cuidado. – ele falou num fio de voz. Ginny arriscou um meio sorriso.
-E você mais ainda. – ela disse e fez menção de sair, mas Harry segurou o seu braço delicadamente, como se disposto a impedi-la. – Por favor, Harry, eu quero ir embora... – pediu num ar fatigado, voltando o rosto para encará-lo.
-Ginny, você sabe que... – começou num tom rouco, mas parou quando ela assentiu calmamente.
-Eu já disse que entendo perfeitamente os seus motivos estúpidos ou idiotas, não é? – ela tentou soar engraçada, mas sua voz saiu meio trêmula. – Então, eu... preciso ir. – ela fez menção de ir embora, mas ele a impediu mais uma vez. – Harry...
-É só uma despedida... – ele disse num sussurro rouco, aproximando-se dos lábios dela.
Harry capturou os lábios dela com carinho ao que ela retribuiu com ardor. O moreno não a trouxe para perto de si e Ginny, tão pouco, enlaçou-o pelo pescoço e recostou o corpo dele ao seu. Foi apenas aquele simples, porém sublime contato que cessou quando Harry retirou a mão do braço da ruiva com um demorado e aprofundado beijo.
Afastaram-se ligeiramente ofegantes. Ginny trocou um último olhar com Harry, ligeiramente corada, e saiu da cozinha a passos apressados sem dizer nenhuma palavra. Harry apenas se limitou a observá-la se afastar, passando a mão de leve sobre os lábios como quem deseja se recordar da sensação e do gosto para sempre."
Aquele era o seu sexto dia no qual ele tinha exata consciência de estar acordando no St. Mungus, Harry permitiu-se pensar ao acordar e deparar-se, mais uma vez, com o teto imaculadamente branco do hospital. Comparava seu estado ao de um prisioneiro em sua cela, contando miseravelmente os dias de cárcere. Respirou profundamente e passou a mão pelos cabelos, já não sentindo tanta dificuldade em realizar gestos mais rápidos.
Sua recuperação morosa já estava começando a aborrecê-lo e, por vezes, a vontade que tinha era fugir dali de uma vez por todas. Para falar a verdade, Harry acreditava que estava perfeitamente bem e sua estadia naquele quarto era mais do que desnecessária. Mas, independentemente disso, se um dia ainda lhe restava alguma dúvida, agora era um fato: ele, Harry Potter, odiava hospitais.
Sem muita emoção, olhou para o livro grosso que Hermione sugerira como uma distração e o emprestara na manhã anterior, quando o visitou novamente com Rony. Com um meio sorriso, lembrou-se dos protestos do amigo quando chegou à conclusão que Hermione trouxera mesmo o livro para ele ler e não porque iria ao trabalho depois, e quase riu novamente quando passou em sua mente a pequena discussão que se seguiu ante o fato, que foi estendida quando Hermione descobriu que Rony tentou contrabandear para o quarto de Harry o que ele dizia ser comida de gente; Hermione ainda acrescentou algo que tinha a ver com chocolate e intoxicação, o que fez com que Rony ficasse com as orelhas subitamente vermelhas, mas Harry não entendeu muito bem o que ela realmente quis dizer com isso. Harry chegou à conclusão que, definitivamente, o casamento dos dois não foi suficiente para aprenderem a conviver mais pacificamente com o gênio do outro.
-Harry? – a voz de Ruth o despertou dos seus pensamentos e ele olhou para porta, observando a morena encará-lo com um sorriso, tendo metade do seu corpo ocultado pelo móvel. – Você tem visita.
Harry apenas assentiu e, alguns instantes depois, Ruth abrira a porta para dar passagem a um Remus com uma expressão serena em seu rosto. Um sorriu para o outro num mudo cumprimento e quando o licantropo puxara a poltrona para se sentar ao lado do leito do rapaz, os dois ouviram a porta do quarto se fechar discretamente.
-Entediado? – Remus perguntou num tom que Harry soube perfeitamente identificar como um quase risonho. Arqueou a sobrancelha para o homem e o mirou num falso ar de desafio.
-Está se divertindo? – insinuou, arrancando um breve riso de Remus.
-Nem imagina o quanto. Realmente, Harry, sua feição não é das melhores. – ele falou sinceramente. – São nessas horas que você não nega ser filho de James Potter; ele também não suportava ficar muito tempo hospitais. – em resposta, Harry sorriu, um tanto quanto orgulhoso.
-A Tonks não quis vir com você?
-Ela quis, mas está trabalhando.
-E você também não deveria estar trabalhando, Sr. Moony? – perguntou, franzindo um pouco o cenho, intrigado.
-Há pequenas vantagens em ser editor de um jornal, Harry. – Remus respondeu num tom falsamente sério e Harry meneou a cabeça, risonho. – Já sabe quando vai receber alta?
-Acredito que saio em menos de uma semana. – ele encarou o homem firmemente antes de prosseguir. – Não sei se isso é algo certo, mas me apegar a isso ajuda a espantar o tédio um pouco.
-Há outras maneiras de se espantar o tédio. – Remus falou, observando significativamente o livro largado em cima do criado-mudo do rapaz. – Mas não creio que ela seja muito atrativa para você. – completou rapidamente.
-Bom, mas você não veio aqui para me dizer quais são as melhores maneiras de se espantar o tédio de alguém que está se reabilitando num leito de um hospital. – ele fitou o homem com um ar mais sisudo. – Estou certo?
-Está; eu vim aqui para falarmos sobre você, Harry. – o moreno reparou que Remus adquiriu uma postura mais professoral. Respirou fundo em resposta.
-Olha, Remus, eu agradeço por você e a Tonks terem dito que não teria problema algum em morar com vocês se eu decidisse permanecer em Londres, mas minha decisão não mudou. Eu não vou ficar.
-Essa é sua decisão, muito bem; mas eu lhe faço uma outra pergunta: isso é o que você realmente deseja, Harry? – o moreno piscou demoradamente, encarando Remus de modo firme, porém não conseguiu se mostrar tão determinado quanto gostaria. – Rever todas aquelas pessoas que ama e ainda são importantes para você o fez pensar se todos esses anos de afastamento foi mesmo a coisa mais certa a se fazer; não estou certo?
-Isso não muda nada, Remus. – Harry desviou o olhar do dele e respirou fundo, passando a mão lentamente pelos cabelos. – Ainda acho que é o mais certo a ser feito e, para falar a verdade, eu não me importo em continuar a me manter afastado de todos.
-Harry, será que você não percebe o que está fazendo consigo mesmo? – Remus questionou calmamente e, de súbito, o rapaz se lembrou que alguém já havia lhe dito algo parecido anos atrás. "Será que não percebe o que você vem fazendo consigo mesmo?".
-Eu estou perfeitamente bem assim, Remus. – murmurou, rouco. – Você não devia ficar se preocupando com essas bobagens. – "Viver pelos outros e esquecer de si mesmo. Você devia ao menos se lembrar que existem pessoas que também se importam com você.".
-Não são bobagens, e você sabe disso. – Remus retorquiu, muito sério. – Você nunca foi alguém que gostava de ser solitário, Harry, e é exatamente isso que você está se tornando. Voldemort se foi, e, apesar de ter restado seus seguidores, você não pode simplesmente dizer que a ameaça que paira sobre aqueles mais próximos a você é tão intensa quanto era antes. Também acredito que manter-se afastado novamente não vai diminuir os riscos que ainda restam. Durante a Segunda Guerra não adiantou muita coisa.
Remus se calou e um silêncio meio tenso se estabeleceu entre eles. O lobisomem ainda mirava o rapaz com um ar sereno, esperando pacientemente que ele se manifestasse, ou talvez absorvesse melhor as palavras que havia acabado de dizer. Harry, contudo, permaneceu encarando as próprias cobertas. Ele sabia que Remus estava certo, mas não queria admitir isso.
-Todo esse isolamento a que vive se submetendo vai acabar com você um dia, Harry. E, talvez, quando se der realmente conta disso, pode ser tarde demais para voltar atrás nas escolhas que você fez para si mesmo. – ele continuou depois de um tempo, revelando um tom mais gentil. Harry inspirou profundamente, erguendo de leve o olhar a fim de novamente encará-lo. Remus sorriu um pouco antes de prosseguir. – Até mesmo um herói tem o direito de ser egoísta, de vez em quando. – ele se levantou lentamente da poltrona na qual estava sentado e tornou a esboçar um ar sereno. – Espero que reflita um pouco sobre isso tudo o que te falei agora.
-Pensarei. – Harry afirmou calmamente. – Prometo.
Os lábios de Remus se curvaram num sorriso ligeiramente satisfeito e, logo após se despedir de Harry, retirou-se, deixando o moreno imerso em seus próprios pensamentos.
Rony cruzou os braços e recostou-se de forma desanimada na parede do corredor do hospital, observando Hermione ajeitar o vestido rodado da filha ao que lhe parecia ser a terceira vez desde que haviam saído de casa. O rosto pequeno de Clara também indicava que a ruivinha não parecia estar muito satisfeita com o desvelo da mãe, pois esboçava uma feição impaciente ao passo que deixava a mãe checar se seus cabelos estavam devidamente arrumados. Hermione enrolou os dedos no rabo de cavalo da filha, deixando-o um pouco mais encaracolados, antes de se afastar um pouco a fim de contemplá-la de forma melhor. Ao que pareceu ser séculos a Rony, uma sombra de insatisfação povoou o rosto da esposa, fazendo-o reprimir um bufo de raiva.
-Tem certeza de que você não vai querer apresentá-la ao Ministro da Magia depois? – alfinetou Rony com as orelhas vermelhas, recebendo um olhar de censura da esposa como resposta. – Por Deus, Hermione, é só o Harry! Acho que a Clara já está mais do que arrumada para uma simples visita a alguém que está apenas se recuperando em um quarto de hospital.
-É, mamãe! – ressaltou Clara, disposta a expressar a sua opinião, encorajada pelo comentário do pai. – A gente 'tá demorando, e eu quero ver o tio Harry! – confessou num gesto ansioso.
Hermione ponderou, passando o olhar do rosto receoso de Clara para o nitidamente impaciente de Rony. Por fim, suspirou longamente e se ergueu do chão, ocasionando um sorriso mais do que satisfeito a povoar os lábios do marido e da filha.
-A gente já pode entrar? – perguntou a pequena, sem conseguir conter o nervosismo. – Eu já posso conhecer o tio Harry? – ela completou, lançando um olhar furtivo para a porta fechada.
-Pode, mas... – Hermione começou num ar sério, mas parou de falar ao notar que a filha soltara uma exclamação entusiasmada e correra até a porta do quarto de Harry, abrindo-a de forma meio desajeitada. – comporte-se. – ela completou, inutilmente. Automaticamente, Mione encarou o marido, que tentava a muito custo esconder um sorriso em seu rosto. – Fred e George estão fazendo um estrago terrível na educação dela, Ronald. – avaliou, fazendo Rony notar em seus olhos o pedido implícito e intimador para que ele desse um jeito naquela situação.
-Ginny também tem sua parcela de contribuição nisso; e não é que eu já não os tenha repreendido, Hermione, mas você sabe como eles são impossíveis. – Rony falou num dar de ombros, repreendendo-se mentalmente por não ter usado um tom mais convincente. Hermione abriu a boca para retrucar, certamente para dizer que ele parecia estar satisfeito com isso, mas Rony foi mais rápido, calando-a com um beijo nos lábios antes de abraçá-la pela cintura. – Vamos entrar?
O ruivo observou a esposa assentir num ar contrariado e sorriu antes de seguirem o mesmo caminho que a filha havia tomado.
-Então, você se chama Clara Esther. – eles ouviram a voz serena de Harry comentar pausadamente já um pouco próximos da porta do quarto, que estava entreaberta. – É um nome forte, a meu ver. E você gosta dele? – houve um silêncio, seguido dos risos de ambos. – É; o meu também me lembra isso, às vezes.
-Você já recebeu muito sermão, tio Harry? – a pequena questionou, curiosa, segundos antes de Rony e Hermione entrarem no recinto.
-Sim. – respondeu num ar sério. – Principalmente da sua mãe e da sua tia. – a pequena riu ante a feição indignada que o rapaz exibiu. – E por falar em sua mãe... – ele esboçou um sorriso para a pequena antes de voltar-se para os dois amigos.
Clara, que estava sentada na maca junto a Harry, voltou-se para a porta e Rony notou o largo sorriso que a filha esboçou ao vê-los. Por um momento, seus olhos pararam na poltrona perto do leito e nos pés da filha, que balançavam a alguns centímetros do seu assento. Contemplou a esposa com certo receio, esperando uma repreensão, que não veio. Suspirou aliviado.
-Papai! Mamãe! Vocês demoraram! – a pequena exclamou, animada.
-Mas ficamos fora tempo suficiente para você aprontar alguma, não, mocinha? – Hermione a repreendeu séria. Rony se conteve para não murmurar algo como "Era bom demais para ser verdade...". – Clara Esther, o que foi que eu falei com você antes de virmos para cá?
Não foi somente a voz da filha quem respondeu àquele questionamento, procurando alguma forma de se defender. Duas vozes um pouco mais graves a acompanharam rapidamente, e Rony teve a impressão de que nem mesmo ele conseguia ouvir ao certo o que ele estava dizendo, mas pescou algumas frases como "Não tem problema...", "Tio Harry me ajudou..." em meio ao "Hermione, pare de tratar a nossa filha como se ela fosse feita de vidro" que tentava falar. Hermione não ficou muito satisfeita com isso.
-Eu não trato a nossa filha como se ela fosse feita de vidro, Ronald. – ela sibilou, mirando-o de forma contrariada. Rony gemeu de leve, repreendendo-se mentalmente por ter dito aquilo um pouco alto, esquecendo que Hermione estava ao seu lado e poderia ouvir nitidamente. O ruivo percebeu que Clara e Harry silenciaram automaticamente ao notar que a sua mulher havia falado algo. – Apenas procuro evitar acidentes, coisa que você nunca faz. – obviamente, sempre sobrava para ele. As orelhas do ruivo se avermelharam.
-Evitar acidentes? – questionou, incrédulo. – Pelo amor de Deus, Hermione, se continuar assim a Clara vai desmaiar só porque viu uma pontinha de sangue sair da sua pele porque espetou o dedo num alfinete por não saber o que é se machucar. Precisamos ser cautelosos, sim, mas não devemos sufocar tanto os atos da Clara como você faz.
-Eu não sufoco a Clara! – ela rebateu num tom arrastado. – Eu só me preocupo com...
-Gente... – Harry começou num tom meio alteado. Rony, assim como Hermione, se voltaram para ele. O ruivo reparou que Clara prendia um riso, afinal, ela sempre se divertia assistindo às discussões dos dois quando percebia que não era nada sério; Rony às vezes se admirava com a capacidade de percepção que a filha, mesmo que ainda pequena, tinha de notar quando tudo estava bem ou não entre ele e Hermione. – Fui eu quem a deixei subir com a poltrona, então, a culpa foi minha. E se quiser reclamar com alguém, Mione, eu acho que essa pessoa deva ser eu.
-E eu queria conhecer o Tio Harry de perto, mamãe. Ele 'tava muito longe! – a ruivinha emendou, um pouco séria. – E eu 'tô bem, mamãe! Olha só... – Clara murmurou apressadamente e Rony achou que não havia gostado muito do tom que a filha usara, mas não teve muito tempo para refletir sobre isso. A ruivinha, como quem deseja comprovar para os pais que estava bem, se ergueu da maca e ficou de pé em cima dela.
-Clara! – ele ouviu um murmúrio rouco ao seu lado e, como num reflexo, Rony voltou o olhar para Hermione, percebendo que ela havia empalidecido consideravelmente. O ruivo ficou sem saber se ria da situação, já que não havia perigo algum da filha cair, pois as mãos de Harry estavam seguras sobre a cintura da afilhada desde o momento em que ela se levantava; ou se tentava fingir o ligeiro pânico que a esposa sentia por conta disso, para não ser avaliado como irresponsável por ela novamente.
-Certo; agora Mione já comprovou que você estava mesmo bem... – Harry se pronunciou e foi perceptível para Rony o tom risonho que o amigo estava tentando esconder na fala. – Acho melhor você ficar num local mais seguro novamente. – completou, levando-a até o seu colo num gesto meio desajeitado. – Melhor, Mione? – acrescentou, e Rony concluiu que ele realmente estava se divertindo com a situação.
Hermione deixou escapar um suspiro meio aliviado e se aproximou da maca de Harry. Por trás da esposa, Rony lançou um olhar falsamente repreensivo para Harry enquanto se sentava na ponta da maca, ao que ele soltou um fraco riso.
-Tenho que concordar com o Rony, você é mesmo super-protetora. – ele avaliou enquanto ela se sentava na poltrona calmamente.
-Eu é que o diga. – acrescentou o ruivo, sem pensar. Rony sentiu o olhar de censura da esposa sobre si e ergueu as mãos, como quem se rende, e encolheu os ombros. Harry foi vítima do mesmo olhar de Hermione e começou a rir, baixinho. Por fim, ela meneou a cabeça e respirou fundo.
-Tenho a ligeira impressão de que o Ronald acaba de ganhar um novo aliado. – ela comentou, meio carrancuda. Rony e Harry trocaram um breve olhar e soltaram um breve riso. Clara apenas olhava dos pais para Harry sem entender muita coisa, mas não disse nada. – Então, como você está? – questionou, observando Clari, que ainda estava sentada no colo de Harry, com certo receio.
-Hum, eu estou bem. Acho que recebo alta daqui a alguns dias. – ele falou num dar de ombros e depois inspirou profundamente. – Não se preocupe, eu não estou sentindo tanta dor assim. – completou e Rony soube que ele havia notado que Hermione estava um pouco nervosa, por pensar que o peso da filha sobre a perna ferida podia estar começando a incomodar.
-Dor? – a pequena inquiriu, lançando um olhar significativo para Harry. – 'Tá dodói, Tio Harry?
-Sim, Clari. – ele respondeu, voltando-se para ela lentamente. – Eu estou meio... hã... dodói. – o rosto de Harry se tingiu de vermelho enquanto ele praticamente sussurrava a última palavra. Rony sufocou um riso numa tosse estranha enquanto Hermione tinha uma expressão risonha em sua face. – Mas eu vou melhorar – completou num sorriso meio incerto. A ruivinha ainda o encarava numa expressão avaliadora.
-Você 'tá vermelho, Tio Harry. – Clari comentou com os olhos estreitados. – Você 'tá bem...?
-Estou. – a sobrancelha da ruivinha arqueou enquanto Rony tentava, a muito custo, manter a face séria. Hermione dava indícios de estar indecisa entre interferir ou continuar a assistir ao fato.
-Mas você 'tá vermelho. – ela avaliou num ar sisudo. – E a Tia Ginny 'tá aqui hoje, ela pode ver se você 'tá bem. – Rony reparou que o rosto do amigo ficou ainda mais corado.
-Eu estou bem, Clara. – ele falou num tom rouco. – Mesmo. – ressaltou ao notar que ela ainda o encarava, desconfiada. – É que... – prosseguiu, sorrindo meio de lado enquanto aproximava seu rosto do dela. – Eu vou te contar um segredo. – a pequena pareceu ligeiramente ansiosa. – O Tio Harry costuma ficar muito vermelho, algumas vezes.
-Como o papai? – ela perguntou num ar de entendimento. Harry assentiu lentamente enquanto se afastava.
-Isso mesmo. – ele falou num sorriso. – O Tio Harry ficou surpreso por você ter se preocupado.
-Ficou? – ela repetiu, meio surpresa.
-Sim.
-Por quê? – insistiu com um tom de curiosidade em sua voz.
-Clari, não fique enchendo o Harry de perguntas. – Hermione a repreendeu rapidamente. Rony avistou o olhar meio indeciso que Harry lhe lançou e ele apenas deu de ombros. O ruivo nunca sabia muito bem o que fazer nessas situações também, com receio de pensar que qualquer tipo de interferência pode acabar por fazer com que Hermione acabe perdendo autoridade ante a filha, e reclamar com ele, obviamente.
-Mas...
-O Tio Harry ainda está doente, filha, ele não pode ficar se esforçando tanto. – explicou calmamente.
-Mas... – ela tentou argumentar novamente, mas parou ante o olhar de advertência da mãe. – Ah, mamãe! – exclamou, emburrada, e voltou-se para Harry com um ar ansioso. – Tio Harry, você me... – ela tornou a observar a mãe com certo receio. – Depois pode, mamãe? – Harry e Rony esboçaram um ar divertido.
-Sim, depois pode. – ela falou num tom mais brando. A pequena sorriu largamente, mas antes que dissesse qualquer coisa, a porta do quarto se abriu, atraindo a atenção de todos.
-Sinto muito. – Ruth começou num ar gentil. – Mas o horário de visitas já encerrou. – Hermione e Rony assentiram em resposta enquanto se levantavam e a curandeira se retirou com um sorriso. Clara, por sua vez, voltou-se para Harry num ar confuso.
-O que é isso que a tia disse, Tio Harry?
-Horário de visita? – repetiu ao que ela assentiu lentamente. – Bom... – ele silenciou por alguns instantes antes de prosseguir. – O Tio Harry tem que ficar no hospital para ficar melhor, mas, como sua mãe disse, ele não pode ficar se esforçando muito. O horário de visita é quando o Tio Harry pode ver você e seus pais, ou os outros Weasley, mas depois de um tempo eles tem que ir embora para o Tio Harry poder descansar. – Rony reparou que ele a encarou de forma apreensiva, esperando que ela tivesse entendido a explicação. A expressão sorridente da afilhada respondeu ao seu mudo questionamento, porém ela logo esboçou um ar emburrado.
-Você vai ficar sozinho?
-Vou. – ele sorriu para ela. – É necessário.
-Ah, eu não queria ir... – Harry riu em resposta.
-Também não queria que fosse, mas você precisa ir. – Harry expôs, observando Hermione e Rony com um ar calmamente. – E seus pais já estão te esperando.
-Vamos, Clari? – Rony a chamou carinhosamente, estendendo um pouco os braços para ajudá-la a descer da maca. Ela observou o pai e a mãe, que a encarava num ar paciente, antes de voltar-se para Harry.
-Você me conta depois, Tio Harry?
-Claro que sim. – ele falou num ar divertido, piscando o olho para ela. – Hum, você gosta de quadribol, Clari? – perguntou, de repente. Quase que automaticamente, Hermione lhe lançou um olhar desconfiado.
-Sim! – a pequena exclamou num largo sorriso. – Por que, Tio Harry?
-Ah, eu não posso dizer. – comentou, rindo baixinho, olhando meio de esguelha para Hermione.
-Espero que a senhorita se lembre de dizer ao Tio Harry que vassouras oficiais de quadribol estão proibidas até os oito anos. – ela insinuou num ar sério.
-Eu sei, mamãe. – a pequena murmurou, desanimada.
-Mione, não existe só vassoura em quadribol. – Harry rebateu e Rony quase riu ante a feição contrariada da esposa.
-Ah, certo. – retorquiu num ar derrotado. – Tchau, Harry. – falou, dando um beijo no rosto do amigo e lhe lançando um último olhar de aviso.
-Fique tranqüila, Hermione, eu não estou pensando em nada muito grave. – explicou num ar inocente. A mulher apenas revirou os olhos e se voltou para a filha.
-Vamos?
-Tchau, Tio Harry. – Clara disse num sorriso antes de beijar o rosto dele e ir para os braços do pai.
-Tchau, Clari. – falou num meio sorriso. – Eu espero o meu presente.
-Ah... – o rosto da pequena ficou ligeiramente corado. – Eu esqueci.
-Tudo bem, na próxima vez você me entrega. – disse enquanto Rony a ajeitava nos braços com certa dificuldade.
-Tchau, cara. – o ruivo falou num sorriso e, depois de buscar Hermione com o olhar e notar que ela já começava a caminhar em direção a porta, se aproximou do amigo num ar de conspiração. – A Hermione está andando muito com a Sra. Molly Weasley ultimamente. Aposto que a mamãe vive botando caraminholas na cabeça dela por causa de quadribol. Harry, a Hermione ainda está pior do que você conhece...
-Não pense que eu não ouvi isso, Ronald! – a mesma exclamou num ar falsamente emburrado.
-Não disse? – ressaltou, se afastando um pouco.
-Hum, concordo.
-Harry! – ela o repreendeu, quase rindo, enquanto os dois e Clara começavam a gargalhar. – Ah, vamos logo! – completou, alteando um pouco a voz para que pudesse ser ouvida.
-Já vou, mamãe! – pai e filha exclamaram, e Rony pôde jurar que a esposa havia revirado os olhos.
-Adoro isso. – confessou, meio risonho, lançando um último olhar a Harry antes de ir embora. – A gente se vê amanhã, cara.
Harry fechou os olhos, respirou fundo e esperou. Não demorou muito a sentir um formigar em um ponto acima do seu umbigo e aquele breve estímulo irradiar por todo o seu corpo antes de cessar por completo. Foi acometido pela mesma leveza de quem acaba de acordar de um sonho muito tranqüilo e agradável e, só então, decidiu abrir os olhos lentamente para mirar o homem que estava a sua frente.
-Ainda sente alguma dor, Sr. Potter? – ele perguntou seriamente. Harry encarou-o por alguns instantes, como se analisasse a questão, aproveitando a deixa para observá-lo de modo mais meticuloso.
Era bem verdade que, mesmo não tendo ficado em pé ao lado dele para comprovar o fato, Harry acreditava que Henri Uchoa poderia ser maior do que ele alguns centímetros. Não que ele fosse um exemplo de estatura, visto que sempre fora um pouco mais baixo do que os garotos de sua idade (talvez por ter passado boa parte da sua fase de crescimento trancado num armário), mas ele sempre via sua altura como considerável (aliás, ele ficara muito satisfeito ao notar que, mesmo com uma sandália com salto, Ginny não passava muito da altura do seu ombro quando eram apenas adolescentes; apesar de as coisas estarem um pouco diferentes nos tempos atuais, visto que ela deve ter crescido mais alguns centímetros desde aquela época), pelo menos até aquele instante O caso é que a imagem de vê-lo aninhando Ginny em seus braços da mesma forma com a qual ele fazia quando ainda se podia considerar agradavelmente maior do que ela o fez desejar ser um pouco mais alto.
Henri também era um pouco mais forte do que ele (está certo que ele não é um belo exemplar de músculos torneados e peitoral bem definido; mas, bem, ele não era tão magro assim. Pelo menos era o que ele achava, até aquele momento). Harry também reparou nos cabelos castanhos do rapaz e arqueou uma sobrancelha com certo ceticismo ao ver que ele se organizava de forma uniformemente encaracolada, como se todos os cachos e ondas tivessem sido fabricados, e não concebidos naturalmente E aqueles olhos escuros davam ao homem uma aparência tão normal, mesmo que intimamente Harry teimasse em não afirmar que vira neles o mesmo brilho que sabia que os seus possuíam quando estava namorando Ginny Weasley. Aliás, a presença dela era suficiente para trazer aquela vivacidade nos seus olhos verdes.
-Aparentemente não. – ele respondeu, num ar meio arrastado, quando a sua mente lhe avisou que ainda devia uma resposta ao curandeiro e que certamente ele deveria achar estranho alguém ficar a estudá-lo como se fosse o cruzamento de um explosivin com um diabrete (se é que isso pode mesmo existir).
-Aparentemente não. – Henri repetiu a resposta dele no mesmo ar sério e Harry notou que ele não parecia incomodado pelo olhar que ele lhe deitara, ou talvez ele julgasse que a feição de Harry se devia ao fato de estar cansado de ser examinado obstinadamente todos os dias. – Essa não foi uma resposta muito esclarecedora, Sr. Potter.
-Não creio que consiga ser mais esclarecedor do que isso. – Harry falou num ar impassível. – Mas acho que os feitiços que lançou em mim devem ser muito mais eficientes do que minhas palavras. – Henri sorriu de leve e guardou a varinha no bolso das vestes esverdeadas.
-Ter cautela nunca é demais, Sr. Potter, então, suas palavras me servem como base para uma confirmação. – ele respondeu calmamente. – De qualquer forma, se continuarmos assim, é bem provável que daqui a uns três dias o senhor já receba alta.
Harry se limitou a apenas estreitar os olhos e assentir com um meneio de cabeça em resposta. Silencioso, observou o curandeiro dar as costas para ele e se dirigir a uma mesa portátil que ele trouxera consigo. Algo queimou nas entranhas de Harry e, de repente, toda a cordialidade que Henri Uchoa demonstrava para com ele não mais lhe parecia supostamente forçada. Ao ver de Harry, o rapaz, definitivamente, se esforçava para tratá-lo com gentileza. Talvez por raiva de alguma coisa que achava que ele tinha feito, ou, simplesmente, por vê-lo como uma ameaça. A última hipótese fez Harry abrir um tênue sorriso.
Logo, o som do tilintar de frascos de poções preencheu o recinto, retirando-o dos seus devaneios; e, quando ele perdurou pelo que lhe pareceu ser longos minutos, Harry arqueou uma sobrancelha, dando indícios de que aquele ruído estava começando a incomodá-lo.
-Hum... – iniciou, ajeitando os óculos com certa pressa. – Ainda vai fazer mais alguma coisa? – o barulho parou e Harry ficou intimamente satisfeito por isso. Segundos depois, Henri se voltou para ele com a feição inexpressiva.
-Como?
-Bom... – ele parou de falar por alguns instantes, como se analisasse o que iria dizer a seguir, visto que a primeira explicação soou um tanto quanto grosseira em sua mente. Harry sentiu uma sensação esquisita em seu estômago, que lhe pareceu se intensificar ante a possibilidade de afrontar Henri um pouco com aquela impolidez. – Eu estava me referindo ao fato de ter que tomar mais alguma poção ou ser alvo de mais uma leva de feitiços. O último caso, particularmente, não é uma sensação muito agradável. – ele explanou, sentindo algo dentro de si reagir de modo contrariado quando ele engoliu a última frase, pronunciando-a irritadamente em sua mente. Principalmente se eles forem executados por você.
-O senhor terá que tomar algumas poções ainda, Potter, até que finalmente se veja livre da minha incômoda presença. – ele riu um pouco. – Acredite, eu conheço os dois lados dessa história, e também não me sinto muito confortável quando me vejo sendo um paciente; consultas podem ser extremamente aborrecedoras, cansativas e monótonas, às vezes. – Harry não viu outra reação a não ser concordar com o que ele havia dito antes que o rapaz voltasse a examinar as poções. Antes que as costas de Henri lhe tomassem novamente a visão que tinha da mesa, ele divisou uma série de frascos cujo conteúdo possuía as mais variadas tonalidades e, inconscientemente, esboçou uma careta.
-Só espero não ser eu a tomar todas elas. – comentou, de forma sincera. Henri tornou a voltar a atenção para ele e sorriu meio de lado.
-Fique certo que não, Potter. – e voltou a examinar os frascos, resmungando algo como alguém tê-los arrumado fora da ordem especificada.
O.k., talvez ele estivesse exagerando um pouco, afinal, ele nem tinha certeza se Ginny estava mesmo com o Uchoa. Mas, independente disso ser uma suposição ou não, ele simplesmente não conseguia controlar aquela estranha sensação que só lembrava de ter sentido quando sem querer flagrou, há muito tempo, Dean e Ginny namorando em um dos corredores de Hogwarts. E que não podia conviver com aquela dúvida a corroê-lo por muito mais tempo.
Henri estendeu uma poção avermelhada para Harry e ele segurou o frasco sem muita cerimônia.
-Beba devagar. – ele recomendou. – Não é um Whisky de Fogo, mas desce queimando de forma idêntica.
Harry, meio a contragosto, ouviu o aviso e bebeu-a lentamente (o monstrinho em seu estômago não estava muito satisfeito em obedecer ao curandeiro, ele supôs). Henri não estava errado em dizer que o líquido desceu praticamente rasgando a sua garganta e, além de tudo, tinha um gosto particularmente horrível. A careta foi inevitável, mas, ao notar que era observado por Henri, procurou se recompor enquanto devolvia o frasco a ele.
Henri tornou a dar as costas para ele, a fim de buscar uma nova poção. Quando o curandeiro voltou a se aproximar dele, Harry sentiu um súbito assomo de perguntar o que lhe vinha em mente desde que recebera a visita de Ginny, dois dias atrás.
-Uchoa, eu gostaria de lhe perguntar uma coisa. – ele começou num ar sério, apoiando as mãos espalmadas no colchão e balançando um pouco as pernas, que pendiam num dos lados do leito, no qual ainda se encontrava confortavelmente sentado desde que Henri começou a examiná-lo.
-Pode perguntar, Potter. – ele respondeu no mesmo tom, depositando o frasco que tinha em mãos na mesinha ao lado da cama de Harry. – Se eu souber a resposta, fique certo de que a direi.
-É uma pergunta meio pessoal. – ele explicou, num ar mais sisudo do que antes. Henri apenas o encarou firmemente e assentiu, incentivando-o a prosseguir. – É sobre você e Ginny Weasley. – Harry notou que ele não parecia nem um pouco surpreso com isso e até mesmo parecia esperar por algo, como se já tivesse uma vaga idéia do que ele queria saber. – Eu queria saber se vocês...
-Sim, nós estamos juntos. – ele completou naturalmente, virando-se para pegar a poção que largara em cima da mesinha. – Você é um bom observador, Potter.
Algo insinuou em sua mente que essa era uma resposta óbvia e que ele não devia se mostrar surpreso por isso, se levasse em conta todo o seu histórico de ações estúpidas, principalmente aquelas que acarretaram conseqüências à Ginny, mas Harry simplesmente não soube o que dizer ante a confirmação das suas suspeitas. E, muito menos, saberia ao certo dizer o que estava sentindo naquele exato momento. Ainda sentia o corpo extremamente aquecido, devido à poção que ingerira há pouco, mas, se não fosse por isso, talvez se sentisse anormalmente frio; e o rosto corado, a essa altura, estaria extremamente lívido. Apesar disso, suas entranhas se reviraram e um nó muito espesso se alojara em sua garganta, fazendo-o ter dificuldade de engolir sua própria saliva, mesmo que, naquela hora, sua boca tivesse ficado anormalmente seca.
-Você me fez uma pergunta e acho que tenho total liberdade de fazer outra igualmente pessoal por conta disso. – o curandeiro se pronunciou e Harry, de súbito, se voltou para ele com os olhos estreitados em desconfiança. Henri estendia a poção para ele, encarando-o de forma impassível. – Você ainda ama Ginny Weasley, Potter?
Harry foi assolado pelo que lhe lembrava muito um calafrio interno, mas continuou a mirar Henri de forma indiferente. O outro, entretanto, o encarava como quem espera uma resposta, com o frasco da poção ainda estendido para ele.
-Acredito que não seja obrigado a lhe responder essa pergunta, Uchoa. – Harry se pronunciou, não escondendo um leve tom arrastado em sua voz, enquanto pegava a poção das mãos do curandeiro e a ingeria sem muita cerimônia.
-Sei que não, Potter. – Henri ressaltou, dando as costas para ele e tornando a remexer nos frascos postos em cima da mesa. – Eu compreendo que não é muito difícil um homem se apaixonar por Ginny; e você, que certamente a conhece a mais tempo do que eu, deve saber perfeitamente o que a torna uma mulher tão maravilhosa.
-Fique certo que sim. – ele murmurou num tom mais irritado do que gostaria, mas não se importou muito com isso. – Talvez mais até do que você.
Henri não disse nada a um primeiro momento e Harry julgou que ele preferiu ignorar seu comentário. Irritado, o moreno observou o curandeiro fazer a mesa portátil sumir com um aceno de varinha e virar-se para ele com uma expressão branda. A calma dele foi motivo suficiente para deixá-lo ainda mais aborrecido.
-Não estamos aqui para discutir quem conhece mais a Ginny ou quem é o melhor para ela, Harry Potter. – ele falou pausadamente e Harry umedeceu os lábios, estreitando de leve os olhos. A raiva corria em suas veias, enfurecidamente. – Também não quero dizer para que fique longe da minha namorada, ou algo do tipo. Apenas espero que você saiba reconhecer o seu lugar agora, Potter. – ele tornou a guardar a varinha no bolso. Harry sentiu a feição se contrair um pouco, mas tentou manter o ar indiferente que gostaria de expressar no momento. Henri respirou fundo e o fitou firmemente durante breves segundos, como se estivesse analisando sua reação. – Só espero isso de você. – ressaltou num ar sisudo e suspirou. – Bem, de qualquer forma, nos vemos amanhã. – completou num tom mais formal e gentil.
Harry permaneceu em silêncio e soube que Henri já esperava por isso. Inspirando profundamente, espreitou o curandeiro se retirar do recinto lentamente. No exato momento em que a porta se fecha, o som de vidro se estilhaçando preencheu o quarto. Automaticamente, Harry sente uma dor aguda atingir a mão que segurava o frasco, agora em pedaços, mas isso não o impediu de crispá-la mais um pouco. Quando o sangue escorreu quente em sua palma e pingou no chão, Harry piscou meio atordoado e abriu a mão, estudando-a sem muito interesse.
-Droga. – grunhiu irritado, levantando-se agilmente da cama e, desviando-se dos cacos de vidros e sangue amontoado no chão, foi em direção à mesa de cabeceira, em busca da sua varinha.
Não demorou muito a encontrá-la numa das gavetas e, murmurando um feitiço qualquer, retirou os pedaços de vidro que entraram em sua carne, entre um praguejar e outro. Com novos acenos com a varinha fez os cortes se fecharem, o frasco se reconstituir e voar até a mesa de cabeceira, e o sangue sumir do chão.
Olhou por um instante a varinha em sua mão e pegou-se lembrando a vez que Hermione incitara um bando de pássaros amarelos a atacar Rony. A visão dele fazendo isso com Henri o fez abrir um tênue sorriso e se sentir anormalmente calmo. Suspirando, tornou a guardar a varinha na gaveta e aconchegou-se em seu leito lentamente.
-Eu sei bem o meu lugar, Uchoa, mas não sei se você ficará muito satisfeito em saber disso.
N/A: O Harry ainda está no St. Mungus? Sim/ risos / Bom, acho que a estadia do Sr. Potter no hospital ainda vai se prolongar por um ou dos capítulos. / Lisa ligeiramente corada enquanto um vulto deitado numa maca lança um olhar fuzilante para ela / Vocês estão cansados disso? Espero que não. XD.
Adorei escrever esse capítulo! Principalmente a cena da Clari. / apesar de ela ter me dado um pouco de dor de cabeça, porque eu meio que fiquei como Harry: sem saber como agir com a Clari, ou no caso, cena. Huahahahahahahahahahaha. É que, inicialmente, eu tinha pensado fazer a cena no ponto de vista do Harry, mas, quando eu ia começar a escrevê-la, o Rony resolveu tomar espaço em minha mente e vir com a frase "Tem certeza de que você não vai querer apresentá-la ao Ministro da Magia depois?" e eu não resisti à vontade de usá-la. Só que ela acabou mudando tudo. Huahahahahaha.
Quanto à última cena... / sorriso inocente / Bem, veremos o que o Harry vai fazer por conta disso. / sorri abertamente /
Bem, beijos e até a próxima!
