Capítulo Sete
Histórias e Segredos de Família
(...)
Suppose I never ever met you
Suppose we never fell in love
Suppose I never ever let you
Kiss me so sweet
And so soft
Suppose I never ever saw you
Suppose you never ever called
Suppose I kept on singing love songs
Just to break
My own fall
(Fidelity)
Elizabeth estava olhando para si mesma, em frente ao espelho de seu quarto no castelo dos King. O pingente de agua-marinha, preso em uma delicada corrente prateada, ressaltava seus olhos. Era manhã de Natal, e ela tinha acabado de abrir a caixinha de veludo em que o objeto estava. Tinha sido enviado junto com um pedaço de pergaminho que se encontrava encima de sua cama, e que dizia:
Liza,
Encontrei o pingente em uma loja, e comprei para você. Acho que é a cor mais próxima dos seus olhos que eu já vi.
Espero que goste,
Feliz Natal,
Sirius.
Devia ter sido caro, o que ele estava pensando? Bem, talvez estivessem namorando... Mas, mesmo assim...
Depois do beijo em Hogsmeade, ela não tivera como fingir que não queria estar com Sirius. Então, eles estavam sempre juntos em Hogwarts, como um casal. Em nenhum momento eles haviam dito a palavra namorados, mas Elizabeth agora achava aquilo desnecessário. Nada precisava ser dito se eles ficavam tão grudados que James havia dito, brincando: "Ei, Liza, quero meu amigo de volta!"
Uma semana havia sido o tempo de ficarem juntos antes de irem passar as festas em casa... Tão pouco... E agora ele lhe dava algo tão lindo de Natal...
- Sirius Black, você não devia ter me dado isso!
- BLACK! Um Black te deu isso!
Elizabeth se virou para a dona da voz, Elizabeth Dianne King, uma mulher morena de exóticos olhos violetas. Ela sempre era um tanto desagradável, na sua opinião, e ela teria mandado a intrometida embora... Mas, o problema era que Dianne ( detestava que elas tivessem o mesmo nome) estava pintada em um quadro na parede de seu quarto. Um quadro de Feitiço Permanente, impossível de arrancar. Seu retrato guardava sua aparência jovem, apenas alguns anos mais velha que Elizabeth. Mas E. Dianne havia morrido há muito tempo atrás, no século XIX, a julgar por suas roupas. A filha dela, Amelie, era uma parenta solteira (e velhíssima), irmã do bisavô de Elizabeth.
- Sim, Sirius Black, qual o problema? - Elizabeth não gostava do jeito arrogante que ela tinha.
- Muitos problemas, tolinha... Você não sabe que sua família não gosta dos Black? Que esse colar pode estar amaldiçoado ou alguma coisa assim, a julgar pela família dele...
- Sirius não é assim! - interrompeu Liza, irritada – Ele é da Grifinória, corajoso, leal...
- Bem – interrompeu a mulher do retrato – Pior para você dois então, sabe... Veja o que aconteceu comigo!
Elizabeth sentou-se em sua cama, suspirando. Por que fantasmas e retratos tinham o costume desagradável de falar de suas vidas quando vivos? Tudo bem, vamos ouvir a história da familiar morta.
- Ok, o que aconteceu com você?
- Bem , primeiro quero te alertar que nada nunca foi fácil entre Blacks e King, porque eles descendem dos King.
- O quê?
- É isso mesmo, garotinha. Mas você não encontrará essa informação na árvore genealógica deles, em sua casa. Foi ainda muito antes do conhecido diretor de Hogwarts, Fineus Nigellus. Não me lembro da data exata agora, mas foi na Idade Média. Um dos filhos do patriarca King se revoltou com as idéias liberais do pai. O filho creditava em argumentos como de Slyterin e decidiu que não queria mais carregar o nome de uma família traidora do sangue. Então mudou seu nome para Black, e é o membro mais antigo daquela árvore
Elizabeth demorou um tempo para digerir a informação.
- Tudo bem, Dianne, mas isso faz muito tempo, sabe...
- Com certeza, e todos já esqueceram... Mas garanto que não esqueceram o que aconteceu comigo.
- Então, será que você pode falar logo? - irritou-se novamente Elizabeth. As pessoas no século XX gostam de informação rápida.
- Bem, meu nome inteiro é Elizabeth Dianne Black Gaunt King. - informou ela, arrastando bem as palavras.
- O quê? - surpreendeu-se Liza.
- É isso mesmo. Minha mãe, uma Black, casou com um Gaunt, sabe. Os Gaunt naquela época tinham prestígio e dinheiro. Descendiam de Slyterin e guardavam seu medalhão. Eles gostavam tanto de mim, linda, inteligente, austera...
- Tá, tá, já entendi. E então?
- Eles me deram o medalhão de Slyterin para usar, eu era a dona dele. Mas então, fui para Hogwarts...Encontrei Henry King, dois anos mais velhos que eu. Tentei lutar, mas acabei apaixonada como uma tola... igual a você.
Ignorando o olhar frio de Elizabeth, ela continuou.
- Depois de terminar Hogwarts, eu cedi. Abandonei minha família, tirei o medalhão do pescoço, e fugi, para casar com ele... E três anos depois, viemos morar nesse castelo. Achamos que na minha família ninguém mais teria uma reação agressiva. Mas minha mãe, acho que ela era louca. Ela convenceu meus primos a invadirem o lugar e me levarem de volta com as crianças. Mandou que matassem Henry e desaparecessem com o corpo. Morri com ele tentando nos defender, e outros parentes King chegaram antes que conseguissem levar Amelie e seu irmão. - completou ela, com uma cara triste agora.
Elizabeth ficou olhando para ela, um tanto admirada. Era uma bonita história, mas muito triste. E naquela noite demorou a dormim, quando finalmente conseguiu, sonhou com cenas da história que Dianne lhe contara. Mas então, as cenas difusas mudaram, e tudo se tornou muito nítido. Ela via agora uma confortável sala de estar, onde um homem desconhecido de meia-idade e cabelos escuros jazia caído de bruços no chão. Ao lado de fora, aguém batia na porta desesperadamente. E Elizabeth sabia que ele estava morto, ela podia sentir. Então abriu os olhos, assustadas. Agora voltaria a ficar sonhando? Talvez fosse melhor contar a Sirius sobre isso, já que ficavam tanto tempo juntos. Claro que seus pais não podiam nem sonhar que mais alguém soubesse o segredo, mas era preciso. E depois, Sirius merecia um voto de confiança.
Aquelas havia sido o melhor Natal da vida de Sirius. Divertir-se com James, receber a atenção do Sr. e Sra. Potter, e visitar rapidamente tio Alfardo.... Nada de ver as priminhas Bellatrix e Narcisa, ou ouvir falar das "maravilhosas" ações do seus antepassados, como a tradição de decapitar os elfos-domésticos quando ficassem velhos demais... Credo, só de pensar nisso, fico com o estomago embrulhado, pensou Sirius. A única coisa ruim havia sido a falta que Elizabeth lhe fazia. Era tão estranho, porque ele nunca havia se sentido assim. Quando estava com seus amigos, não lembrava de garota alguma, mas agora... Sirius não podia esquecer. Foi por isso que a estava abraçando forte e exageradamente no corredor do Expresso de Hogwarts, antes dele partir, dizendo:
- Você sentiu saudades?
- Hum... talvez – Elizabeth disse rindo, jogando a cabeça para trás.
- Você poderia dizer que sim, pelo menos sirvo para te aquecer do frio. – ele disse antes de beijá-la.
A alguns metros, James observava e dizia a Remus e Peter:
- Credo, não dá nem para ficar perto desses dois...
- Concordo totalmente com você, Pontas. Nunca imaginei esses dois juntos. – disse Peter.
- Bem, pelo menos o Sirius está de ótimo humor agora, não é?
- Vamos entrar então? Achar um lugar... Depois eles vem.
Elizabeth, agora que desgrudara seus lábios dos de Sirius, o olhava preocupada. Era difícil ainda acreditar... Parecia um sonho estar com ele, tão atencioso e parecendo apaixonado. Então ela estava sempre esperando ele dizer que se enganara, que não ia dar certo. Mas antes de tudo, precisava contar sobre suas visões.
- Sirius, vamos. Será que podemos achar uma cabine só para nós dois.
- É claro. - ele disse com uma mistura de felicidade e malícia no sorriso.
- Não é nada do que você está pensando, Sirius Black, precisamos conversar – ela disse, forjando um tom seco.
- Que pena...
Quando acharam a cabine, a porta mal fechara e Elizabeth se virou para ele, dizendo severa:
- Antes de mais nada, você não devia ter comprado aquele pingente, Sirius. É claro que eu adorei, mas deve ter sido caro, e isso realmente... - mas suas outras palavras foram engolidas quando Sirius a beijou. Elizabeth pensou vagamente que ele sempre a beijava para fazê-la calar. Era um absurdo, mas um ótimo absurdo. O beijo profundo era tão suave, ela sentia que poderia desmanchar.
Mas havia algo, ele estava fazendo com que esquecesse... Então colocou as mãos espalmadas no peito dele, tentando empurrá-lo.
- Sirius? – ele havia deixado sua boca, mas agora fazia um caminho até o pescoço dela. Sirius sentia o aroma que vinha dela, algo como uma flor, ele não saberia dizer qual.
-Hum... Sirius? – chamou ela de novo.
- Sim? – ele perguntou enquanto dava um beijinho no pescoço dela, o que lhe provocou tremor. Mas ela tinha que falar...
- É sério, preciso te contar algo. – Sirius agora havia parado, os olhos cinzentos fixos no dela, prestando total atenção. Ele é tão maravilhoso que eu acho que não mereço, Elizabeth pensou.
- Liza, fala, estou ficando preocupado. – Ela suspirou, e despejou em cima dele o segredo da sua família, dos videntes e de seus sonhos. Sirius parecia incapaz de falar qualquer coisa.
- Eu não deveria estar te falando isso, mas... eu confio em você. – ele a abraçou, beijando seus cabelos. Então se afastou, olhando-a com uma cara engraçada.
- Bem, agora tenho de ir. Preciso passar essa valiosa informação para minha família e nossos amigos comensais. Talvez isso sirva para algo. – Elizabeth franziu a testa para ele, cruzando os braços. Isso é hora para brincadeiras?
- Liza, você fica tão engraçada brava. Parece o Fera... Mas, indo ao que interessa, você fez bem em não ter contado, e eu te prometo, nunca vai se arrepender por confiar em mim... – ela que ia em direção aos lábios dele agora, adorando a maciez... Passou os braços ao redor do pescoço dele, o beijo se tornando mais urgente... E então a porta foi aberta, e eles se separaram. Sirius olhou em direção a porta, contrariado, para dar de cara com uma Lily muito sem graça. Ele não saberia dizer quem estava mas constrangida, a ruiva ou Elizabeth, com as faces coradas.
- Desculpem, nós não tínhamos a intenção de interromper, sabe... Já estamos sa....
- Ora, fale por si mesma.- interrompeu a voz calma de Alberto, que agora aparecia bem atrás de Lily – Eu tinha toda intenção de interromper, claro. Somos cinco, e eu não vou ficar do lado de fora, em pé, só porque os dois querem se agarrar.
Elizabeth ignorou o irmão, e abraçou Lily:
- Espero que você tenha passado bem as festas de fim de ano. Vou estar na cabine com Remus, Peter e Sirius, se você quiser ir...
- E James.... – disse Lily sombriamente. – Acho que não. Nos falamos depois, quando chegarmos em Hogwarts.
Então Elizabeth pegou na mão de Sirius e o puxou para saída, assim que cruzaram a porta ouviram a voz de Alberto gritando:
- Ei, voltem aqui! Eu não falei nada desde que vocês dois começaram a namorar, sabe!
Agora Sirius a ajudava com Transfiguração depois das aulas. Era uma noite de terça-feira e eles treinavam em uma sala vazia. Exausta, Elizabeth sentou-se em uma cadeira e sorriu para Sirius. Ele veio sentar-se ao seu lado, falando:
- Acho que você melhorou muito, Liza. Com certeza vai passar nas provas.
- Mas ainda não estou no nível em que aceitam alguém para o treinamento de auror. – ela disse, preocupada.
- Sabe, há outras profissões que não a de auror... Trabalhar com trouxas deve ser interessante, e você cursa Estudo dos Trouxas, que é a matéria exigida... – então ele se calou ao ver o olhar da garota.
- Bem, você não precisa duvidar da minha capacidade tanto assim.
- Eu não duvido da sua capacidade, Liza, é só que... ser auror é perigoso e...
Elizabeth se levantou, irritada:
- Ah, então o problema é que é perigoso, é com isso que supostamente eu não poderia lidar! Por que sou garota? Ou porque... – então Sirius estava de pé também, segurando seu ombro, parecendo também nervoso. Ele falava rápido e intenso:
- Você tem alguma mania de perseguição, Elizabeth? É óbvio que eu não acho nada disso de você. Te acho capaz de tudo, corajosa, inteligente... Mas eu tenho medo, medo de te machucarem... Você não vê? – e a abraçou.
- Eu te amo, Liza – ele disse com a voz pesarosa e parecendo cansada. – E nunca disse isso para ninguém antes.
Agora ela estava desarmada. O que poderia fazer agora se não dizer a verdade?
- Também te amo, e nunca senti isso antes. – e de repente eles estavam se beijando, e novamente naquele mês, alguém abriu a porta. Mas dessa vez foi muito pior, porque quem estava ali, pálida, a boca apertada, era Minerva McGonagall. Liza podia imaginar os pontos da Grifinória indo para o espaço, e as palavras duras da mulher, mas elas não vieram.
- O diretor quer vê-lo, Black. Acompanhe-me.
Quando chegou na sala de Dumbledore, deparou-se não só com sua velha figura, mas também com seu irmão, Regulus.
- Sentem-se, Srs. Blacks. Temo que tenha a lhes dar uma lamentável notícia.
Um mau pressentimento tomou conta de Sirus, mas antes que ele pudesse imaginar qualquer coisa, o diretor continuou a falar.
- Bem, parece que o tio de vocês, Alfardo, estava realizando feitiços experimentais em sua casa nessa manhã, e sinto muito, mas algo deu errado e ele veio a falecer, por acidente.
As notícias pareciam vagar na cabeça de Sirius... Seu tio, que ele vira no Natal, morto? O único parente Black que gostava dele não existia mais? O único homem decente naquela família odiosa... Mas Dumbledore continuava a dizer algo:
- É claro que vou liberar os dois para irem aos funerais...
Com licença, professor Dumbledore – interrompeu Regulus na sua melhor voz cerimoniosa - Mas, infelizmente, creio que não poderei ir. Meus pais me escreveram uma coruja contando a notícia, então eu já sabia... E eles avisaram que não poderíamos comparecer por motivos familiares.... - Sirius queria socá-lo. Por seu fingimento e falso pesar. Pelos pais que eles tinham, e que Regulus adorava. Que tipo de gente deixaria de ir ao enterro de seu irmão, ainda que não concordasse com suas ideias?
Os olhos azuis de Dumbledore ficaram frios ao escutar as palavras do garoto.
- Como queira, Sr. Black. Pode ir, então.
Mais que depressa, Regulus se levantou. Sirius ia fazendo o mesmo, mal podendo esperar para estar lá fora com ele, descontar no irmão toda sua indignação...
- Um momento, Sirius, ainda tenho que falar com você.
Ele se sentou novamente, controlando-se para não deixar aquele aperto na garganta levar a melhor.
- Imagino que você deva estar sentindo muito essa perda, Sirius.
- Sim – ele admitiu, a voz estranhamente grossa, a cabeça baixa olhando os próprios joelhos. - E com certeza eu vou ao funeral. - completou, soando indignado agora.
Tinha certeza que sim. Não esperaria menos de você, ainda que estivesse vivendo sob a ordem dos seus pais. Mas você faz alguma ideia do motivo para eles não irem se despedir do seu tio.
- Porque são loucos, todos eles! Suponho que o círculo de gente direita tenha se estreitado, e quem não despreza um renegado como eu, não merece nenhum respeito quando morre... - ele percebeu que estava quase gritando.
Fineus Nigellus, seu nobre antepassado fazia uma cara horrorizada. Onde já seu viu um Black se comportar daquela maneira?
- Creio, Sirius- disse calmamente o diretor – que em parte você tem razão. Mas, há outro problema. Encontraram o testamento de Alfardo, e nele, ele deixa toda sua fortuna para você. Acho que isso não agradou seus pais.
Sirius não disse nada... Estava pouco se importando com a quantidade de ouro que iria receber... Ele só queria ir embora dali, poder ficar sozinho.
- Professor, posso ir?
Claro Sirius. Pode escolher também dois amigos para acompanhá-lo.
Sirius assentiu, agradecido. E com o coração pesado, deixou a sala.
Se não fosse por Elizabeth e James estarem com ele, tudo seria muito pior para Sirius. Nenhum Black compareceu ao enterro, e havia somente uns poucos amigos e colegas de trabalho do tio. Liza foi, durante os dias que se seguiram, um apoio para todos os momentos. Ela entendia quando ele ficava em silêncio, e lhe fazia companhia. E era um ouvido atento, quando precisava desabafar. Ao mesmo tempo percebia que o episódio o aproximava ainda mais dela, e surgia a sensação de que precisava dela.
Aos poucos, as coisas foram voltando ao normal. Exceto por uma vez que ele tentara azarar Regulus, e Elizabeth o impedira, para ela mesmo poder fazer isso, tudo estava bem. Ele a olhara com os olhos arregalados de surpresa, ao que ela respondera:
- Ah, qual é? Ele disse que seu tio era um perdedor amigo de sangue-ruins... Que sua mãe o explodira da árvore genealógica com razão... Regulus merecia, mas eu não poderia deixar você enfeitiçar seu próprio irmão. - E, ela pensou, eu previ que seu tio ia morrer, mas não sabia que era ele. Foi somente quando viu o rosto do homem no caixão que percebeu que sonhara com o tio de Sirius. Mas não disse nada para não preocupar o namorado, já que ele agora ficava todo alarmado desde que soubera seu segredo. Era um milagre quando perguntava se ela não andava sonhando. Sirius andava desconfiado porque conforme o tempo passou e eles chegaram em março, sua cara de cansaço foi ficando cada vez pior.
Mas, pensou Elizabeth, isso é devido a minha preocupação com os estudos. Nunca mais voltei a sonhar depois do Alfardo Black, e bem, eu não sou a única aqui que parece meio doente. Ela olhou de esguelha para onde deveria estar Remulus Lupin, no lugar vazio entre Peter e James, na sala comunal. Havia reparado que todo mês ele ia ficando cada vez com um ar pior, até sumir por alguns dias com alguma desculpa. Elizabeth tinha sua teoria... mas era louca demais para que ela tivesse coragem de dividir até mesmo com Lily. Um dia tentar sondar Sirius, mas ele desconversara.
Naquela noite ela fazia sua lição na mesa com seus marotos amigos, mas eles pararam muito antes dela, os três parecendo um tanto agitados, enquanto falavam sobre quadribol. James principalmente ficava olhando para diferentes pontos da Sala, sem poder fixar os olhos em nada. Poderia ser alguma preocupação, mas Peter sorria alegre e praticamente quicava em sua poltrona. E Sirius, bem, era estranho... Havia horas em que ele olhava a tudo entediado, outras em que olhava para ela, Elizabeth, parecendo lamentar algo, em outras sorria como Peter, mas ainda com dignidade.
Era cedo ainda quando James e Peter levantaram dizendo que estavam com sono e iam dormir. Elizabeth os encarou com estranheza, mas ao invés de perguntar qual era o problema deles, resolveu pegar James de surpresa e perguntar sobre Remus. Ele era mais suscetível que Sirius, principalmente sem esperar, e ainda sendo inquirido por sua amiga de infância que o conhecia tão bem.
- E então, James, antes de você ir deitar... O que aconteceu com Remus, ele está bem?
- Ah, sim, quer dizer... Ele só foi visitar, porque parece que a mãe dele está doente... - ele comentou, a voz natural, e coçando a ponta do nariz. Peter tencionou-se ao seu lado.
- Ah... - disse Elizabeth com displicência – Que bom que não foi nada com ele, estava preocupada... E você sabe o que a mãe dele tem?
- Não, parece que ninguém sabe direito ainda... Remus prefere não falar disso, sabe... - ele disse, coçando o nariz novamente – Bom, vou indo... Noite.
Mentiroso, pensou Elizabeth ao vê-lo subir as escadas para o dormitório dos garotos. Desde criança James tinha a mania de coçar a ponta do nariz quando mentia, algo que ela percebera havia muito tempo. Era engraçado e ridículo, mas, é claro, ela nunca dissera nada a James sobre sua descoberta. Poderia ser muito útil, como agora.
A sala estava quase vazia quando Sirius se levantou também, dizendo que estava com sono, e implorando para que ela fosse dormir. Elizabeth jurou que iria dali a dez minutos, e como sempre mantinha sua palavra foi o que fez. Mas a certeza cresceu dentro dela, quando Sirius se lamentou por estar com tanto sono que não podia passar a madrugada inteira com ela, namorando. Sim, isso parecia sincero, os olhos brilhavam quando encarou seu rosto e depois a beijou com tanta vontade que a fez ficar sem ar. Mas com certeza não havia nenhum sono na sua face desperta, ou nos passos enérgicos que galgavam a escada.
Aquilo a incomodava. Ela tinha dito o segredo mais importante para Sirius, era totalmente sincera com ele. Por que ele não fez o mesmo por ela? O que andava fazendo?
Enquanto vestia seu pijama, Elizabeth pensou: Eu vou descobrir, Sirius Black, o que vocês e seu amigos andam escondendo. Pode não ser agora, mas eu vou...
Ela sabia ser cuidadosa e paciente.
Enquanto eles andavam cobertos pela Capa da Invisibilidade em direção ao Salgueiro Lutador, Sirius sentia-se confuso com a mistura de sentimentos dentro dele. Por um lado, estava eufórico por ir a mais uma aventura com seus amigos, sacudir a monotonia da escola. Por outro, não gostava de deixar Elizabeth nem por uma hora, quanto mais se despedir mais cedo dela, não ficar ali, olhando-a enquanto fazia seus deveres, responsável como era. E roubando alguns beijos de vez em quando. A lembrança do último beijo parecia arder nos seus lábios.... Mas era hora. Rabicho já apertava o nó da árvore, e ele se transformou, entrando no Salgueiro Lutador.
