No fim da tarde do dia seguinte, Sherlock e Molly voltaram a casa dos Rogers, buscando mais informações sobre o caso que estavam investigando. Descobriram um detalhe que os ajudou muito a desvendar o motivo das testemunhas terem acobertado Rogers. À noite cada um voltou para sua casa e assim como John tinha prometido, ligou para Sherlock em vídeo, dessa vez sozinho.
-Sherlock – o médico chamou – boa noite, como vão as coisas?
-Tudo bem como ontem – seu amigo respondeu.
-E o seu jantar com a Molly, como foi? – John quis saber.
-Ora comemos e conversamos – Sherlock deu de ombros.
-Mas por que jantaram juntos? Estavam investigando até tarde? - John ainda tentava entender.
-É – o detetive revirou os olhos - até ela estava desconfiada, ela é minha amiga, qual o problema e o que tem de mais nisso?
-Ora você não me engana amigo – Watson disse – sabe muito bem o que isso significa. Pensa um pouco gênio.
-Ah... – Sherlock finalmente percebeu – acha que estou interessado nela romanticamente, não John, não estou!
-Oh negação imediata! – John sorriu – primeiro sintoma, pense bem Sherlock, você está se aproximando mais que o habitual, pelo que entendi, você não percebe o motivo pra isso?
-Eu tentando honrar a amizade que a Molly tem por mim – ele despejou.
-Sherlock... –John suspirou – você conhece os sintomas de como é estar apaixonado, pelo menos os identificou em Irene Adler, então procure esse sintomas em relação a Molly e me diga o que descobriu.
-Tenho certeza que vai ser só amizade – seu amigo rebateu mal humorado.
-Ei – John chamou sua atenção – sei que não gosta de falar disso, mas ainda tem o acidente de Sherrinford. Sei que o que você falou era verdade. Já chega de ignorar o que você sente.
-Eu sei – Sherlock acabou desistindo, ainda mal humorado – é que... ela merece mais, eu pedi pra que ela ignorasse por um tempo. Não acho que o que estou fazendo agora tem a ver com o que eu falei lá. São só provas de amizade.
-Só faça o que eu pedi – John o compreendeu e sorriu– vou esperar, até logo.
-Até – H0lmes encerrou a transmissão.
"Que ridículo" pensou Sherlock "O que ele quer dizer com isso? Talvez Molly ainda seja apaixonada por mim, mas acho que ela já superou isso. Bom se quero provar meu argumento, vamos pensar na hipótese de John".
Ele se sentou na poltrona, colocou as mãos unidas abaixo do queixo e fechou os olhos.
Em um campo com uma casa do interior ao fundo, corria um menininho alegre atrás de seu cachorro. Seus cabelos cacheados esvoaçando ao vento. De repente ele parou e Sherlock olhou pra ele. Sentiu pena do menino pois sabia o que ia acontecer. O menino olhou o detetive e sorriu. Isso pegou Sherlock de surpresa. Então viu que o sorriso não era pra ele. Olhou pra trás e viu Molly. Ela sorriu para o detetive e lhe ofereceu um abraço. Sherlock hesitou.
-Não há nada errado em ser humano – a voz dela ecoou e se formou um sorriso em seus lábios.
-Mas eu sou um insensível, rude, frio, calculista – Sherlock listou – por que ainda se interessa por mim? Por que ainda tem esperança em mim? Já a decepcionei muitas vezes.
Ele então reviveu momentos que se lembrou ter passado com ela, mas que não tinha dado a devida atenção quando os vivenciou. Molly sorrindo pra ele e lhe oferecendo café mesmo ele não querendo assunto. Percebeu o quanto ela era gentil. Viu seu rosto novamente na festa de Natal. Ela fez o que ele achava que era uma tolice. Demonstrar sentimentos. Mas isso fez com que ele mostrasse os seus. Seu arrependimento, e não foi tão ruim assim. Lembrou como se sentiu incomodado quando ela se tornou noiva e o alívio quando ela desmanchou o noivado. Viu ela o ajudando novamente em fingir sua morte. Ela foi compreensiva e prestativa. E até mesmo a correção e os tapas em seu rosto, de alguma forma, foram uma coisa boa. Quando ele disse "eu te amo" sob tanta pressão, sentiu no seu íntimo que dizia a verdade, por mais que não queria admitir. E quando começaram a investigar juntos... a própria presença dela o fazia se sentir bem...
-Mas é por minha causa Sherlock que você viu seus erros e os consertou –Molly respondeu depois das reflexões – deixe eu continuar a guia-lo até que possa andar sozinho.
-Não por favor – ele sentiu um repentino desespero – não me deixe sozinho, me ajude.
Molly respondeu com um abraço apertado que ele não rejeitou. Chorou como uma criança. O menininho tocou seu ombro. Sherlock se virou e eles trocaram um sorriso. O sorriso do menino foi como dissesse: "Fale, não há problema nisso, esse é o momento". Sherlock olhou nos olhos de Molly. Suas pupilas dilatadas refletiam os olhares de ambos.
-Eu amo você – Sherlock suspirou.
Os olhos do detetive se abriram e reviraram o 221B. Para sua raiva, descontentamento, confusão e inquietação, John estava certo.
