Capitulo 6: Encontros e desencontros

O grupo dispersou. Mú prontificou a levar Ank para o quarto o que não causou espanto aos dourados, pois sabiam do jeito prestativo do amigo. Tite seguia na frente calada. O silêncio dela incomodava a todos inclusive Kamus.

- "A bela chegou." - disse Dite traduzindo o nome dela tocando seu ombro. - essas coisas sempre acontecem. Você vai ver, Ishitar vai voltar e tudo irá resolver.

- Será? - seu olhar era triste. Kamus sentiu vontade de abraçá-la.

- Tenho certeza além do mais estou aqui. - disse sorrindo.

- Ah Dite. - ela o abraçou sorrindo.

- Sorriso combina muito mais com você.

Kamus concordava.

- Akhenaton falou para irem para seus quartos, mas está um dia tão bonito porque não vão dar uma volta. - disse empolgada.

- Vai nos acompanhar? - Deba sorriu diante da alegria dela.

- Não posso. Tenho que ajudar as meninas a reconstruir a cidade.

- Como assim? - indagou Kanon.

- Seth gosta da destruição e sempre quando os sitis invadem deixam esse rastro na cidade. Com o djed, Osíris conseguia impedi-los, mas agora... Como portadoras uma das nossas missões é ajudar quando ocorrem essas invasões.

- Vamos ajudá-la. - disse Miro. - ficar trancados nesse quarto não dá.

- Obrigada.

Do outro lado do palácio Ank era amparada por Mú.

- Estou bem Mú.

- Não está. Percebi que está andando devagar por causa da perna.

- Não foi nada.

- Teimosa.

Sem que ela esperasse Mú a carregou.

- O que está fazendo?

- Te levando para o quarto.

O ariano abriu uma porta e de forma delicada a deitou na cama.

- Vou cuidar dos seus ferimentos.

- Estou bem.

- Ankhesenamon. - disse sério.

- Falou meu nome sem errar. - disse surpresa.

- Dê-me sua mão.

Ela estendeu. Mú começou a liberar seu cosmo, Ank sentia uma energia cálida vinda dele.

- Pronto.

- Obrigada, não sinto mais nada.

- Agora descanse. Eu fico aqui com você até pegar no sono.

- Ta.

Mú ajeitou o travesseiro.

- Está bom assim?

- Sim.

Ank o fitava sorrindo.

- O que foi? - indagou corando um pouco.

- Pode parecer egoísmo meu, mas essa aparição de Seth foi ótima.

Mú a olhou intrigado.

- Você não foi embora.

Ele sorriu, aproximando mais deu um beijo na testa dela.

- Agora durma, vou estar sempre do seu lado.

Ank fechou os olhos e segundos depois dormia profundamente.

- " Também estou feliz por não ter ido."

Para que o serviço rendesse mais dividiram em duplas, as portadoras passavam o que tinha que ser feito. O trabalho era intenso, apesar de contar com alguns avanços tecnológicos a vida deles ainda eram muito simples. As portadoras ajudavam as mulheres e os dourados os homens a reconstruírem suas casas. Nefertite voltara a falante de sempre conversando com todos de menos Kamus. Ela o ignorava totalmente. Estava ajoelhada em meio a terra tirando algumas pedras que bloqueavam a entrada de uma casa.

- Eu ajudo.

Nem precisou virar, conhecia muito bem o dono da voz.

- Não precisa. - continuou o serviço.

- Estou querendo ajudar. - disse contrariado pela falta de atenção.

- Dispenso tudo que é vindo de você. - disse curta e grossa.

Isi e os demais a olharam pasmos. Nunca viram Nefertite falar com esse tom de voz, parecia mais Ishitar que ela.

- Nem precisava ter ficado em Uaset - nem o olhou. - de uma pessoa como você ninguém precisa.

Kamus arqueou a sobrancelha. Os demais aguardavam o desfecho.

- Nem me conhece como pode me julgar?

Tite o olhou.

- Ao contrário de você que julga, pela aparência eu julgo pela atitude e o que vi vindo de você prova que é um egoísta, frio, orgulhoso que se preocupa apenas com si próprio. A opinião dos outros não te interessa. Acha-se superior.

Kamus ficou calado. Miro concordava com tudo.

- Sabe aonde isso vai te levar? A solidão. Vai morrer sozinho.

Silencio mortal, nem o vento soprava. Kamus a olhava atordoado. Nefertite não esperou que ele respondesse saiu de perto dele. Discretamente Afrodite aproximou de Aioria.

- Leão. - disse baixinho.

- O que?

- Me faz um favor?

- Não me mandando ir até ele, faço.

- Claro que não, é capaz dele congelar o deserto se alguém falar algo. O que quero é que mais a noite use seu poder de persuasão e descubra se ele sente algo pela Tite.

- Por quê? Está desconfiando?

- Estou. Descubra e me fale.

Akya escutava a conversa, tudo que Nefertite havia dito servia para ela. Solidão. Era assim que era seu modo de vida. Gostava de ficar sozinha por isso tratava todos com indiferença, desse modo ninguém aproximaria dela. Julgavam-na superior por isso, mas no fundo não era bem assim. Depois da morte dos pais se tornou reclusa por medo. Medo de ter pessoas ao seu redor e depois perde-las. Por isso preferiu ficar sozinha assim não perderia ninguém e nem sofreria por isso. Shura a via trabalhar e aproximou.

- Posso ajudá-la? - sua voz era doce.

- Não. - respondeu ríspida.

- Tem certeza?

- Sim. Vá ajudar outro.

Shura não disse nada apenas saiu calado.

- "É melhor ficar afastado de mim... não tenho condições de fazer alguma coisa por você, alem do mais vai embora."

MM reclamava mentalmente, mandando para o inferno os Sith, já tinha cortado a mão várias vezes e descobrira que era alérgico a um tipo de pó que eles usavam para reconstruir as casas.

- "Inferno!"

Parou de reclamar quando sentiu o cosmo de Nefertari. Ela estava rodeada de pessoas que a pediam para curá-las. Pacientemente atendia uma por uma sempre com um sorriso nos lábios. Involuntariamente MM também sorriu. Já não a achava tão arrogante e sim uma pessoa digna de ser uma deusa. Uma pessoa completamente oposta a ele. De repente caiu em si, o que jamais pensou que aconteceria com ele estava acontecendo.

- " Eu não...posso... estar apaixonado por ela." - sorriu com sarcasmo mas logo esse sorriso desapareceu. - " apaixonar por uma pessoa como ela... anjos e demônios não combinam."

Isi fazia seu serviço como sempre: falando de mais e besteiras, mas ajudava como ninguém. Shaka notou isso, ela não era só perversão e mostrava ser uma excelente portadora.

Miro trabalhava, mas ao lado de Kanon não deixava escapar nenhuma, olhava para duas meninas que passavam atrás dele quando viu que Hatshe olhava-o. Sentiu-se mal por isso e dessa hora em diante não enxergou nenhum rabo de saia.

O sol estava quase se pondo quando voltaram para o palácio, Nefertite seguia na frente conversando com todos os dourados com exceção de Kamus que vinha bem atrás. Akya vinha mais atrás ainda não querendo ver Shura.

- Estou com fome. - Aioria passou a mão na barriga.

- Eu também. - concordou Tite. - que tal todos irmos comer alguma coisa?

- Só se for agora. - disse Isi.

Seguiram. Akya preferiu ir para seu templo e Kamus alegando cansaço, mas que na verdade vendo que não era bem vindo, voltou para seu quarto. Afrodite fez um sinal para Aioria que aproveitando a distração do grupo foi atrás do aquariano.

Aioria esperou que Kamus entrasse em seu quarto para ir atrás dele.

- Oi Kamus! - disse entrando sem cerimônia.

- O que quer? Não estava com fome?

- Não.

Kamus o olhou atravessado.

- Milagre esse quarto com temperatura ambiente. - sentou numa poltrona.

- O que você quer?

- Não podemos nem conversar?

- Não. Sai estou cansado.

- É trabalhamos duro hoje. Fora a lição que Tite deu em você, mas também merecido, chama-la de fácil?

O aquariano ficou calado.

- Por que disse isso a ela?

- Por que sim.

- Não desperdiça palavras. Sempre foi objetivo.

- Quer ir embora.

- O assunto te incomoda, ou de quem estamos falando te incomoda. - Aioria sorriu.

- Nenhum dos dois. - respondeu rápido.

- Kamus, Kamus... vai morrer sozinho.

- Vai embora ou vai virar um esquife de gelo!

- Já estou indo picolé. - estava saindo. - que ela é gata isso é.

Kamus lançou nele uma rajada de gelo que bateu de forma brusca na porta. Do lado de fora Aioria ria.

- Do que está rindo? - indagou Dite.

- O pingüim enfezou.

- Ele disse alguma coisa?

- Ele é não é idiota, não diria nada que pudesse comprometê-lo, mas...

- Mas...

- Acho que o pingüim esta descobrindo o amor.

Afrodite sorriu satisfeito, viveria para ver Kamus apaixonado. Os dois voltaram para a sala de jantar. Akya ficou em seu quarto até a noite, Atena estava com Akhenaton e Ishitar não tinha aparecido deixando Saga preocupado.

Um vento suave refrescava a noite quente de Uaset, Mú sentado numa poltrona observava as estrelas apontarem no céu.

Ank abriu os olhos e a primeira imagem que teve foi do ariano com olhar vago. Contemplou-o por algum tempo. Percebendo os pensamentos dela Mú a olhou.

- Boa noite Ank.

- Boa noite.

- Como está se sentindo? - perguntou sentado ao lado dela.

- Muito bem. Ficou aqui esse tempo todo?

- Sim. Deve estar com fome.

- Um pouco.

- Te trouxe isso. - ele levantou e pegou uma bandeja. - na verdade Nefertite mandou.

- Obrigada. - ela sentou na cama. - também deve estar com fome.

Ele balançou a cabeça. Os dois comeram em silêncio.

- Estava ótimo.

- O que quer fazer agora?

- Quero te levar num lugar.

Kamus sentindo se encalorado resolveu dar uma volta, contudo esse não era o real motivo, estava incomodado, o que falara para Tite, a forma que ela o tratou, a conversa com Aioria, tudo, o fazia sentir-se confuso. Não tinha porque ligar sobre o que a portadora de Hórus pensava sobre ele. A opinião dela não importava ou pelo menos achava que não. Andava apressado quando sentiu de leve o cosmo dela, já que eles não conseguiam sentir os cosmos delas a não ser que estivessem elevados, andou mais devagar, vinha de uma varanda. Parou na porta de maneira que ela não o percebesse, Nefertite estava encostada na mureta de proteção. Seu cabelo tremulava de forma delicada. Kamus não sabia se aproximava ou não.

- Está uma noite agradável.

Nefertite assustou-se, mas não deixou transparecer continuando na mesma posição fitando a cidade.

- Sim.

Seguiu alguns minutos de silêncio. Kamus a olhava de rabo de olho, queria pedir desculpas, mas era orgulhoso demais para admitir que errara. Elevando um pouco seu cosmo começou a fazer uma rosa de gelo. Nefertite sentindo um ar frio o olhou, o aquariano acabava de fazer uma rosa protegida por uma caixa de gelo.

- É feito de gelo eterno, jamais irá derreter. - sua voz saiu mais fria que o habitual.

- Nem com a temperatura daqui? - indagou curiosa.

- Não. Fique com ela.

Nefertite pegou a caixinha, sentiu sua mão esfriar, mas nada que pudesse ser insuportável.

- Obrigada. - disse olhando-o.

Ele limitou a olhar.

- Tchau.

Ela estava saindo o que o desesperou.

- Espere. - disse segurando o braço dela.

Tite sentiu um arrepio, a mão dele estava gelada.

- Nefertite... - murmurou.

- Sim.

Houve um silêncio, Kamus queria pedir desculpas, mas não conseguia, nunca pedia desculpas a alguém ou assumia um erro, não seria agora que faria isso, mas...

Nefertite o fitava com intensidade aguardando o pedido de perdão que certamente o concederia, contudo ao ver aqueles olhos azuis carregados de orgulho desistiu. Kamus jamais faria isso.

- Se um pedido de desculpas o incomoda tanto não precisa pedir. - ela se soltou.- mas saiba que eu não o perdoei.

Nefertite saiu deixando o aquariano estático. Correu o mais que pode e ao chegar em seu quarto foi a conta de fechar a porta e constatar que não havia ninguém, para começar a chorar.

Shaka voltava de sua meditação noturna, andava despreocupado e até calmo, pois depois do lanche não tinha mais visto Isi. Num ponto ela tinha razão: a presença dela o perturbava de uma maneira jamais vista. A portadora de Hathor voltava de uma reunião com Osíris, sorriu ao vê-lo.

- Boa noite Shaka de Virgem. - disse olhando-o de cima em baixo, ele usava uma túnicabranca bem rente ao corpo.

- Boa noite senhorita Hathor. - tentou permanecer indiferente, mas a maneira que ela o olhava...

- Estava meditando?

- Sim, e a senhorita?

- Estava numa reunião, agora devo dar um passeio.

- Com Miro com certeza. - nem entendeu porque dissera isso.

- É. - sorriu. - não quer ir? Pode ser interessante.

- Não. Bom divertimento. - passava por ela porem parou. - desistiu de ficar me tentando?

- Digamos que é superior demais para mim. - falou com desdém. - E gosto de pessoas normais, que não escondam seu verdadeiro ser. Você não me interessa mais.

Shaka puxou o braço de Isi e encostou-a na parede. Ela o olhava perplexa.

- Não brinque comigo. - disse sério. - não sou um brinquedo seu. - estava indignado.

- Não estou brincando. - tentou dizer o mais calmo possível, mas a reação dele a deixou assustada.

- Então sou superior? É o que você me dirá. - disse no ouvido dela. - Antes de ir se deliciar com os beijos de Miro ou de outro qualquer por que não experimenta um dos meus? Talvez descubra que posso agradá-la mais do que eles.

Isi não teve tempo de dizer coisa alguma, Shaka a prensara contra a parede e assim como ela tinha feito roçou seus lábios nos dela. Beijou-lhe com desejo e volúpia, como se há muito tempo quisesse isso e queria. Não admitia, mas Isi o atraia, tentava se manter sereno, mas ela mexia com todo seu ser, quando estava com ela sentia que era apenas um homem normal, cheio de desejos e vontades. Isi deixou-se levar pelos lábios do virginiano. Nunca tinha experimentado sensações como essas. Envolvera com muitos homens, mas nada que fosse comparado a ele. Sem duvida Shaka era superior e a prova disso era seus lábios: quentes e decididos, Isi passou sua mão pela nuca dele trazendo-o mais para si com a outra acariciava o dorso dele bem trabalhado. O beijo se tornou mais envolvente e os toques mais ousados. Perderiam a cabeça ali mesmo, sem se importar se seriam vistos ou não mas...

Shaka a soltou, olhando-a por alguns instantes, que estava tão assustada quanto ele.

- Shaka...

- Desculpe. - murmurou desconcertado e ainda envolvido. - isso não voltara a acontecer Hathor... pode ter certeza.

O virginiano sumiu no corredor. Isi olhava para o nada incrédula. Pela primeira vez a deusa do amor perdera uma batalha.

De braços cruzados Ishitar entrava no palácio, dificilmente levava em consideração as palavras dos outros, principalmente de um estranho, mas Saga tinha razão. O fato de ser Sith não influenciava em nada a sua vontade de proteger Uaset. Passou pelas entradas principais decidida a pegar seu ankh de volta que nem notou a presença de alguém: era Saga que desde a tarde esperava que ela voltasse.

Ishitar entrou no salão de reunião de Akhenaton encontrando o próprio, Atena e Nefertari. Ele assim que a viu levantou.

- Ishitar.

Osíris correu até ela e a abraçou. A portadora de Toth ficou surpresa com a atitude dele.

- O que foi Akhenaton? Nunca me abraçou.

- Mas agora eu posso, minha irmã.

Ela não disse nada, Tari e Atena sorriam e a deusa mais ainda por ver que um de seus cavaleiros estava feliz com a volta dela. Saga voltava para o quarto sorridente, encontrou com Aiolos, Aioria, Kanon e Aldebaran.

- Que sorriso é esse irmão?

- Nada. Vou para o quarto.

Saga passou por eles deixando os intrigados.

- O que deu nele?

- Não é de sorrir.

- Ultimamente está todo mundo estranho, acho que é esse lugar.

- Tem razão. Shura anda muito calado, Miro depois que voltamos da cidade não disse nada sobre mulher, Kamus..

- Ele já é estranho.

- Ainda mais agora. - disse Aioria percebendo a mancada que dera.

- Ainda mais o que?

- Nada, força de expressão. - gelou, se Kamus em seu estado normal já era um perigo alterado do jeito que estava poderia congelá-lo.

- Você sabe de alguma coisa, eu vi você cochichando com o Afrodite.

- Eu não sei de nada.

- Sabe sim, irmão. Fala logo.

- Eu e o Dite desconfiamos que ele está apaixonado pela Tite. - soltou de uma vez

- O que?! - exclamaram os três.

- Falem baixo. É só suposição.

- Eu vou viver para ver isso. - disse Kanon.

- Silencio. - Aioria olhou para ver se alguém tinha aparecido. - Por Zeus não vão falar nada.

- Minha boca é um túmulo.

Shaka que em vinha passou por eles sem cumprimentá-los.

- Shaka?

- O que deu nele?

- Parece que nem nos viu.

- Esse lugar é estranho.

Ank tinha levado Mú para um dos jardins do templo dedicado a Tefnut, ele ficava um pouco afastado da cidade.

- É um dos melhores lugares para ver o céu, aqui não sofre interferência das luzes da cidade.

- Realmente.

Ank calou-se e abaixou a cabeça, Mú sabia que ela pensava sobre a sua jóia.

- Não teve culpa. - disse.

- Poderia ter lutado mais. Já estamos enfraquecidos e eu ainda perco o espelho. "Além disso, meu cosmo está.. eu não posso estar..."

- Vamos recuperá-lo. - Mú pegou na mão dela. - Estou aqui. - ele sorriu.

- Obrigada. - ela olhou para o céu. - ao sul daqui, tem uma torre gigantesca, que serve de sinalizador para quem estar no deserto, é como se fosse um farol. Dizem que do alto dela alem da vista espetacular pode se ver melhor as estrelas. Muitos sacerdotes costumam ir até lá para interpretá-las. Fui lá uma única vez, mas não pude subir até em cima.

Mú a olhou.

- Me mostre onde ela fica.

- Sim.

Foram para trás do templo, o ariano avistou a torre.

- Feche os olhos Ank.

- Por quê?

- Confie em mim.

Ank fechou, quando voltou a abri-los deparou com a escuridão do deserto.

- Onde...

- Olhe para trás.

Ela virou.

- Mú... é muito mais lindo que imaginei.

- Sem dúvida, a vista é magnífica.

Estavam no alto da torre, a cidade brilhava a frente e a luz da lua fazia as águas do rio ficarem prata.

- Como chegamos aqui? - o fitou curiosa.

- Telecinese. Eu mentalizo onde quero ir e me teleporto.

- Akhenaton consegue fazer isso também. Depois me ensina?

- Claro.

Ank deitou no chão.

- Por que deitou?

- Para ver melhor o céu.

Mú achou graça, mas também deitou. Ficaram por um tempo em silêncio admirando o céu estrelado.

- Vocês têm como guardiãs as estrelas.

- Sim. Veja. - ele apontou. - aquela é a constelação de carneiro, são as minhas estrelas guardiãs.

- São lindas.

- Pensava que aqui elas não poderiam ser vistas.

- Mesmo sendo outro mundo o céu é o mesmo.

Houve um silencio.

- Ank.

- Sim?

- Queria pedir desculpas.

- Por quê?

- Aquele dia que te beijei, acho que me precipitei.

- Arrependeu-se? - ela olhava para o céu.

- Não. - ele a olhou apoiando no braço. - é que...

- Confesso que fiquei surpresa, - ele a olhou. - foi uma sensação diferente e muito boa.

O ariano sorriu, aos poucos foi aproximando fitando de maneira intensa os olhos roxos de Ank. Ele a beijou, um beijo calmo, mas que foi ganhando ardência. Mú passou seu braço pela cintura dela, trazendo-a mais para si aprofundando o beijo.

Isitnefert ficou parada por muito tempo no corredor antes de decidir ir para o templo de Hathor. Estava confusa, jamais pensou que Shaka faria aquilo e daquele modo. Sempre era ela a dona da situação, mas dessa vez foi o virginiano que tomara as rédeas. Shaka foi para o quarto, suspirou aliviado ao ver que não tinha ninguém. Passou a mão várias vezes pelo cabelo querendo entender porque agira daquele jeito e porque falara aquilo: "Talvez descubra que posso agradá-la mais do que eles.", por Buda da onde tirei isso? É o que se perguntava. Isi mexia com ele, mas a esse ponto? Ao ponto de perder a cabeça e dizer uma insanidade daquela? Ao ponto de quase fazer amor com ela no corredor?

No templo dedicado a Seth...

O deus sorria sarcástico, fora muito fácil pegar o espelho de Tefnut, segurando-o caminhava para uma sala que ficava atrás do trono, a sala estava toda iluminada por tochas, na parede do fundo tinha esculpido o olho de Hórus. Os olhos estava no meio, com o djed logo abaixo e circundando-o sete espaços reservados as jóias. Para se chegar até lá tinha que passar por um estreito que tinha um lago em cada um dos lados. Seth passou pelo caminho e parando em frente a parede colocou o espelho no seu respectivo lugar.

- Djed de Osíris e espelho de Tefnut. Os próximos itens serão o cetro de Hórus e a balança de Maet.

- Senhor Seth.

- Sim Akin.

- Trago noticias de Uaset.

- Fale.

- Atena e seus cavaleiros resolveram ficar.

- Eles não serão problema.

- Parece que houve uma briga entre as portadoras.

- Quais?

- Ishitar e Isitnefert.

Os olhos de Seth brilharam por uns instantes.

- Isso perfeito. Ishitar é muito importante para mim e quanto mais ela se afastar deles melhor. Avise os outros, amanha iremos fazer uma visitnha a Akhenaton.

Continua...

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O feitiço virou contra o feiticeiro... Isi agora terá problemas... no próximo capitulo os guerreiros de Seth serão conhecidos. Quanto a Ishitar ainda tem grandes surpresas...

Até