Recomeço – capítulo 7
Fandon: Supernatural
Personagens principais: Jensen / Jared
Sinopse: Jensen tinha um dilema: Como poderia ajudar seu paciente a encontrar um motivo para seguir em frente, quando ele próprio não conseguia encontrar seu caminho?
Nota: Esta fic é pura ficção, o foco dela é o relacionamento entre o psicólogo e o paciente, eu não entendo nada a respeito de psicologia, psiquiatria, ou qualquer outro tipo de tratamento.
A noite de Jensen havia sido como esperava... Saíram para jantar, beber e dançar um pouco, e a noite terminou no apartamento de Daneel...
- Jen, eu estou achando você tão... diferente!
- Diferente como? Para melhor, ou pior? – Jensen perguntou com um sorriso.
- Melhor! Sem dúvida, muito melhor!
- Ufa! Fiquei com medo, agora...
- Parece que você... sei lá... me olha de um jeito diferente... Está mais sedutor, eu não sei explicar direito, mas tem algo em você que eu não via antes – Daneel dizia abraçada ao seu pescoço...
- Eu sou louco por você, Dan! – Jensen disse enquanto deslizava as mãos pelo seu corpo, ainda por cima do vestido. Então fez um caminho de volta pelas suas coxas e ao chegar ao quadril, a ergueu, fazendo-a entrelaçar as pernas em sua cintura.
Continuaram nesta posição, se beijando, e Jensen seguiu uma caminho até o quarto, a deitando na cama com delicadeza. Parou alguns segundos apenas para olhá-la, para só então partir para o ataque... Foi tirando suas peças de roupa uma a uma, tocando e beijando cada pedacinho de pele exposta... sentindo suas curvas, seu cheiro, sua textura...
Jensen não sabia por que, mas neste instante lembrou-se de Jared, da forma apaixonada como ele descrevia o ato em si, do que ele falou sobre conhecer o corpo do outro melhor do que o seu próprio, sobre a forma de amar e se sentir amado, e Jensen de repente se tocou que esta não era a melhor hora de pensar em um paciente, então voltou a se concentrar no que estava fazendo, e realmente procurou conhecer cada centímetro daquele corpo que tanto desejava... Prestou atenção em cada gemido, cada expressão de seu rosto, cada movimento... E desta forma a amou como nunca tinha feito antes... de uma forma carinhosa e selvagem ao mesmo tempo... se deliciando com os gritos e gemidos de prazer de sua amada...
Depois de exaustos, permaneceram na cama, e Daneel deitou a cabeça em seu peito...
- Amor, isso foi... perfeito! – Daneel disse e o puxou para mais um beijo.
Jensen apenas sorriu satisfeito, e acabaram adormecendo assim.
Ao acordar, Jensen percebeu que Daneel estava no chuveiro, então foi sorrateiro até lá, onde fizeram amor mais uma vez antes dele sair para o trabalho.
Jensen atendeu alguns pacientes pela manhã, fez uma pausa para o almoço e para rever com Katie alguns assuntos do seu consultório, e a tarde foi novamente até a clínica.
Chegando lá, como de costume, conversou primeiramente com a enfermeira, e com mais um atendente, para saber se Jared tinha tido algum progresso. Depois disso se dirigiu para o jardim, e cumprimentou o moreno que o ficou observando de uma forma um tanto incômoda, até que esboçou um sorriso, que Jensen se lembrava de ter visto apenas uma ou duas vezes desde que o conheceu.
- Uau! Pelo visto alguém se deu bem ontem a noite!
- Está tão óbvio assim? – Jensen perguntou com um sorriso sem graça.
- Se está? Cara, você está parecendo um adolescente depois de transar pela primeira vez! - Jared gargalhou, tirando uma com a cara de Jensen.
- Ok, hoje você pode me zoar o quanto quiser, eu não vou me importar desta vez.
- Me desculpa Jen, mas é que... eu não pude resistir! - Jared sem se dar conta estava segurando no seu ombro, mas retirou a mão assim que percebeu.
- Tudo bem! Sabe... é a primeira vez que eu vejo você rindo pra valer desde que eu te conheci.
- É, mas você já acabou com a minha alegria, bem rapidinho... Agora vai começar a seção de perguntas do dia?
- Tudo bem, eu vou te dar uma chance desta vez... Vamos falar só de coisas boas hoje...
- Então me conta...
- Contar o que?
- Como foi? Vocês se reconciliaram pra valer?
- Eu estava me referindo a você. Mas eu acho que sim, nós ainda estamos em casas separadas, mas é só uma questão de tempo até tudo se ajeitar.
- E você está feliz?
Jensen ficou quieto por algum tempo, pensativo...
- Demorou muito pra responder!
- Eu estou sim.
- Isso é ótimo, eu fico feliz por você! - Jared disse animado.
- Agora nós já podemos voltar ao assunto central?
- Qual deles?
- Você.
- Hmm... Eu não tenho nada de bom pra te falar - Jared disse triste.
- Me conta sobre algum momento feliz da sua vida, algum momento marcante...
- Eu estou meio cansado de ficar falando nele o tempo todo.
- Você ainda não me contou como vocês se conheceram...
Jared ficou pensativo por algum tempo, com um meio sorriso no rosto...
- Foi na praia, eu corria todos os dias cedinho no calçadão, estava morando a duas quadras dali na época. Eu já tinha cruzado com ele algumas vezes, mas nunca tínhamos nos falado... Aí um dia ele me acompanhou e pediu se podia correr comigo. Nós conversamos e, em poucos dias nos tornamos amigos...
- Amigos?
- É, amigos. Grandes amigos. Nós saíamos bastante juntos e eu nem sequer desconfiava que ele era gay... Até o dia em que...
- O que? Ele te agarrou? - Jensen perguntou brincando.
- Mais ou menos. Nós tínhamos acabado de correr, e tinha um quiosque ali perto, onde a gente parava pra descansar e beber água, então naquele dia fazia calor e eu entrei no mar, pra nadar um pouco. Ele ficou por ali fazendo hora, e quando eu saí da água ele veio até mim, e...
- E?
- Me beijou.
- Assim, do nada?
- Sim, ele era meio maluco as vezes, ele fazia o que dava na telha, sabe? Não ligava muito para o que os outros iriam falar. Mas por sorte era bem cedo, e não tinha quase ninguém na praia.
- E você? Qual foi a sua reação? – Jensen estava muito curioso agora.
- Eu... eu fui pego de surpresa e, quando eu me dei conta, estava beijando ele também. Aí eu literalmente fugi dali, e evitei falar com ele nos dias seguintes. Nem fui correr por uma semana. Eu não sabia como olhar pra cara dele depois disso, era muito esquisito...
- E o beijo, foi ruim?
- Se você me perguntasse naquele dia eu diria que sim. Mas foi bom, muito bom... Tanto que eu ficava pensando nisso o tempo todo. E isso me assustava pra caramba na época. Se alguém me dissesse uns dias antes que algum dia eu iria beijar um homem, eu chamaria no mínimo de louco. Mas depois, essa idéia já não era mais tão ruim...
- E depois? O que aconteceu?
- Como eu não apareci mais na praia e não atendi as suas ligações, na outra semana ele apareceu na minha porta... Pediu desculpas, disse que tinha se precipitado, mas que não estava arrependido. Aí ele confessou que era gay, e que desde que me conheceu ele sonhava com aquilo, e quando ele me viu sair do mar... todo molhado, ele não resistiu.
- E você?
- Eu fiquei de boca aberta, sem saber o que falar, imagina a situação! – Jared riu com vontade – Depois eu disse que não tinha nada contra, mas que eu não curtia essas coisas, então nós continuamos a ser amigos. Mas eu não resisti por muito tempo, sei lá, talvez eu não fosse tão hétero quanto eu pensava, então eu acabei cedendo aos encantos dele... E foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida.
- Eu estive na sua casa, espero que você não se importe.
- Esteve?
- Foi o único horário que a Meg tinha pra me receber, e ela estava indo lá pegar algumas coisas...
- Hmm... Tudo bem. Eu sinto falta de lá... cara, eu quero muito sair daqui!
- Para fazer o que lá fora?
- Eu não vou pular do prédio, pode ficar frio!
- São dez andares...
- Do jeito que eu sou azarado, é capaz de eu me estatelar no chão e ainda ficar tetraplégico...
Jensen deu risada...
- Jared, você me contou tudo o que aconteceu depois do acidente... agora eu gostaria de saber o que você sentiu - Jensen rodeou, mas chegou onde queria.
- Como?
- O que você sentiu depois que acordou no hospital, ou enquanto estava na casa da sua mãe... Você chorou? Sentiu dor? Desespero? Tristeza? Você consegue me descrever o que você sentiu?
- Eu não sei, eu... eu não chorei, eu só sentia um vazio... e raiva, muita raiva.
- Raiva?
- Sim.
- Você sabe me dizer do que? Ou por que?
- De tudo... Eu tive raiva de mim mesmo, por ainda estar vivo, tive raiva do Jason por ter me deixado, tive raiva dos meus pais... porque eles... eles simplesmente ignoraram o que eu estava sentindo... era como se o Jason nunca tivesse existido... E eu senti raiva de todo mundo, porque a droga do mundo continuava sem ele...
- Eu soube que você tem muitos amigos, amigos verdadeiros... Eu só não entendo por que você se isolou na casa dos seus pais? Por que não quis receber ninguém? Nem mesmo a sua cunhada? Ela me pareceu bem chateada com isso...
- Jensen, você não entende, não é? Eu tinha tomado uma decisão, assim que eu saí do hospital. E eu não queria que nada nem ninguém me fizesse mudar de idéia. Que nada interferisse, entendeu?
- Então você acha que se você falasse com os seus amigos, eles teriam feito você mudar de opinião?
- Eu não sei, mas... talvez eu perdesse a coragem de fazer o que tinha que ser feito.
- Você deve ter um bom anjo da guarda! Você estava mesmo decidido a acabar com a própria vida, não é?
- O que você acha? – Jared perguntou irônico.
- E agora?
- E agora o que?
- O que você sente a respeito? Você ainda sente raiva?
- Só algumas vezes.
- Quando, por exemplo?
- São só umas crises, uma ou duas vezes por semana, sei lá...
- E o que você sente nestas crises?
- Vontade de... não sei... de morrer, de ficar sozinho, de que o mundo acabe! Parece... eu não sei explicar... dá um vazio aqui dentro, um aperto no peito, parece que eu não vou poder mais respirar... é uma agonia muito grande...
- Jared, se isso acontecer com maior freqüência, eu preciso saber... Talvez eu precise ajustar a sua medicação.
- Não! Não... eu não quero mais remédios. Os que eu tomo já me deixam meio zonzo... por favor!
- Eu vou manter como está por enquanto, mas eu quero que você me chame... Quando tiver uma nova crise, eu quero que você peça pra me chamarem, não importa a hora, está bem?
- Aham...
Os dois permaneceram em silêncio por algum tempo...
- Você acha que isso... que isso tudo vai passar algum dia?
- Eu tenho certeza que sim. E eu estou aqui pra te ajudar com isso. Sabe Jared, eu acredito que o fato de você ter atropelado algumas etapas, tenha te prejudicado mais do que ajudado.
- Como assim?
- Talvez não tenha sido culpa sua, afinal quando você recobrou a consciência no hospital já tinham se passado cinco dias, inclusive o Jason já havia sido enterrado, mas você não se permitiu sentir dor, você focou todas as suas energias em acabar com seu sofrimento, e da forma mais difícil.
- Me pareceu a mais fácil na época...
- E agora?
- Agora eu já não sei mais... eu não sei se eu teria coragem...
- Então eu acho que já avançamos um passo... E eu fico muito feliz por isso...
- Grande coisa! – Jared disse irônico.
- Quando eu voltar da próxima vez, eu vou trazer a Meg. O nosso segundo passo vai ser fazer você parar de se isolar.
Continua...
Meus amores, meu muitíssimo obrigada a quem está acompanhando.
Reviews são sempre bem vindas, mesmo que seja para criticar! Eu simplesmente adoro saber a sua opinião!
Desejo a todos um Feliz Natal, e um excelente 2010!
Até janeiro!!
Beijos, Mary.
