Meu cap preferido *_*
6. Cinza
Washington D.C., 20 de Setembro de 2009
-Edward, você pode apagar o cigarro? – Bella pediu, encarando o painel do carro. Edward não respondeu de imediato.
-Não. – falou após um longo silencio.
-Você sabe que eu não gosto.
-E casou comigo do mesmo jeito.
A boca de Bella entreabriu surpresa e sem resposta ela olhou pra fora, pela janela. Era um pesadelo. Só podia ser um pesadelo.
No banco de trás. Renesmee abriu o bolso da jaqueta, pegou um maço de cigarros amassado, tirou um cigarro e acendeu.
-Filha, apaga o cigarro, vai. – a garota apenas olhou para a mãe, soltando a fumaça devagar e puxando outro trago. – Apaga o cigarro, Ness.
Ela abaixou o vidro e jogou as cinzas do lado de fora.
-CARAMBA NESSIE, APAGA ESSE CIGARRO!
-NÃO VOU! NÃO APAGO PORCARIA NENHUMA! Conforme-se.
Nervosa, Bella se virou no banco e tentou pegar o cigarro de Renesmee, que desviou, se encolhendo mais próximo da porta.
-EDWARD! Mande-a apagar esse cigarro. – sem resposta.
-Deixe-a fumar. – ele respondeu depois de um tempo e Bella o encarou desacreditada.
-TA VENDO? É POR ISSO QUE ELEA ESTÁ ASSIM. PORQUE VOCÊ É ASSIM E A TORNA DO MESMO JEITO, DESTRUINDO OS MEUS LIMITES!
-E O QUE VOCÊ FAZ PRA MUDAR ISSO, ISABELLA? Você só sabe tirar o seu da reta.
Nessie bufou olhando pela janela. Aquilo era muito insuportável.
-AGORA QUER DIZER QUE A CULPA É MIM?
-POR ACASO VOCÊ SABE DE QUEM É A CULPA? SE É QUE EXISTE UM CULPADO!
-Idiotas. – Nessie bufou e Bella e Edward olharam pra ela.
-O que você disse? – Bella perguntou.
-Idiotas. É o que vocês são. I-DI-O-TAS. PORQUE EU SEMPRE FIZ TUDO NA FRENTE DE VOCÊS! Vocês que não quiseram ver.
O silencio tomou conta do carro. Edward se concentrava no caminho, olhando de relance para Nessie. Bella, por sua vez, ficou encarando a filha, incrédula. Num ato impensado, começou a estapeá-la.
-SUA INGRATA! É O QUE VOCÊ É, RENESMEE!
-AI! PAI, MANDA ESSA LOUCA PARAR!
-Bella, faça isso outra hora.
-VOCÊ TA VENDO, NÉ EDWARD? VOCÊS DOIS SÃO IGUAIS!
-Se acalme, você ta histérica.
Renesmee soltou um risinho.
-Pai, para no Wal Mart. Se eu tenho que ficar naquela espelunca, eu vou precisar de cigarros.
Edward olhou-a pelo retrovisor.
-Aproveite a sua ultima compra com seu cartão.
Ela respirou fundo e revirou os olhos, jogando a bituca do cigarro pela janela. Não demorou nem cinco minutos pra chegar no Wal Mart e ela teria que se livrar dessa internação de alguma forma. Qualquer forma.
Desceu do carro sozinha e entrou no mercado, colocando seu óculos Gucci. Foi para a área de alimentação, pegando uma cestinha, e abriu um Pringels de creme de cebola, enchendo a cesta com mais sete pacotes do grande. Foi até a padaria e pegou vários doces. Depois foi pra área de cigarros e pediu – de boca cheia – pra que o vendedor pegasse dez maços de Black menta.
Silenciosamente, ela observava por onde poderia sair. Tinha uma saída pelo restaurante do mercado que era oposta a onde Edward tinha deixado o carro, mas também era longe dos caixas. Não tinha problema. Ela pagaria, sairia pelo restaurante, pegaria um táxi e iria pra qualquer lugar. A casa de Jacob, talvez. Ou Nova York.
Ela passou a compra e saiu na direção do restaurante. Tinha visto algumas pessoas da escola por lá, poderia pedir uma carona.
-NESSIE!
Droga, era Edward. O que ela ia fazer?
-RENESMEE! – Ele chamou novamente.
Não, ela não iria pra clinica. Ela não podia ir pra uma clinica. Olhou para trás e seu pai a estava alcançando. Desatou a correr, ela era boa nisso. E já podia ver a saída. Ignorou os chamados e seguiu em frente. Era sair e chamar um táxi, só isso.
Quando já estava entrando no restaurante, dois braços a rodearam, fazendo-a parar e derrubar as coisas. Ela reconheceu imediatamente o cheiro de tabaco de seu pai e tentou usar seu peso pra se desvencilhar.
-Pare com isso, Renesmee. – ele falou baixo, só pra ela, o que só a fez lutar mais contra os braços do pai. Ela se jogou e conseguiu cair no chão, seus olhos cheios de lagrimas embaçando os óculos. Tirou-os, já levantando e tentando voltar a correr, mas Edward a pegou de novo. – RENESMEE! – ralhou mais alto.
-ME SOLTA! ME SOLTA PAI! Me deixa... – as lagrimas escaparam.
-NÃO. VOCÊ VEM COMIGO.
Eles estavam começando a ter publico, pessoas parando e olhando pra saber o que estava acontecendo.
-NÃO VOU! EU NÃO QUERO IR! Pai, isso é loucura, eu to bem, não faz isso comigo...
-Você está doente, Renesmee. Vai ser internada SIM.
-NÃO! PAI, NÃO! NÃO ME INTERNA, PELO AMOR DE DEUS, PAI NÃO FAZ ISSO COMIGO...
Edward a soltara e Renesmee estava no chão. Ele dava passos para trás enquanto ela falava, engatinhando até ele, seu cabelo grudando em seu rosto molhando de lagrimas.
-Vamos Renesmee.
-Pai, você não ta fazendo isso...
-ANDA RENESMEE!
-EU TE ODEIO! VOCÊ ESTÁ DESTRUINDO A MINHA VIDA! EU NUNCA VOU ENTRAR EM DARTMOUTH SE UM DIA FOR INTERNADA NA REABILITAÇÃO! VOCÊ ESTÁ CARIMBANDO MEU PASSAPORTE PRA UMA UNIVERSIDADE QUALQUER! ESTÁ DESTRUINDO A MINHA CHANCE DE JOGAR BASQUETE! DE ME TORNAR UMA BIÓLOGA!...
-COMO VOCÊ IA FAZER ISSO, HEIM? COM UM CIGARRO DE MACONHA? COM UMA GARRAFA DE WISKY? Acorda Renesmee. Levanta daí e vamos.
Edward virou as costas pra sair e Renesmee baixou os olhos.
-Eu tinha tudo... Achei que se orgulhasse de mim. – ele voltou pra ela.
-Eu quero me orgulhar. Mas faça por merecer. Vamos.
Virou-se novamente. Renesmee baixou a cabeça. Misteriosamente as lagrimas cessaram. Ela arrumou o cabelo, juntou as coisas que estavam espalhadas pelo chão em silencio, colocou seus óculos e levantou. Ergueu o rosto e viu que todos a olhavam. Tinha bastante gente da escola lá. Bastante gente que ela tinha esnobado na noite anterior mesmo.
Ela respirou fundo, baixou a cabeça e seguiu o pai.
xxxx
-TIO EMMETT!
Tudo tinha adquirido um tom cinza bem melancólico desde que Nessie consentira em voltar pro carro, mas alguma cor, talvez amarelo, renasceu quando ela abriu a porta da clinica e deparou com seu tio na sala de espera. Ele abriu um sorriso enorme – o sorriso que Henry herdara – quando viu a sobrinha correndo na sua direção e a aninhou em seus braços quando ela o abraçou, dando-lhe um beijo no topo da cabeça.
-Minha piolha. Achei que fosse visitar a gente esse fim de semana.
-Eu ia hoje, tio. Problemas de percurso. Tio, você vai me tirar daqui, né?
Emmett não respondeu. Renesmee afastou do abraço esperando que ele falasse algo. Tio Emmett e tia Alice encobriam Renesmee sempre que ela precisava. Se ele estava lá, era porque tinha uma carta na manga. Ele a apertou num outro abraço, olhando para Edward preocupado, puxou a garota pra sentar com ele no sofá.
-Você saiu do controle, Ness. – ela o encarou surpresa.
-Não saí não. Estava tudo certo. Eles que chegaram na hora errada.
-Ness, não. Eles chegaram na hora certa. Nessie, você não estava no controle. Quando se usa drogas, nunca é o viciado quem está no controle.
-Mas tio! Eu não preciso ficar numa clinica. Convenhamos que a medida é drástica demais! Imagina, quando eu mandar a minha ficha pra Dartmouth e tiver algo como "viciada em drogas, internada em clinica de reabilitação por tempo indeterminado"!
-Não é tempo indeterminado, piolha. São vinte e oito dias. Você vai tirar de letra.
-Tio, eu não quero tirar de letra. Eu quero não ficar aqui. Me ajuda...
-Eu já tentei baixinha. Falei pro seu pai deixar você morar comigo e com a Rose por um tempo, voltar pra Nova York, estudar com a Marcela, ajudar a cuidar do Henry. Faria bem pra você. Mas ele não quer, nem a Bella. Você vai ter que ficar aqui.
Nessie fez um bico e cruzou os braços, arrancando um riso do tio, que bagunçou-lhe um pouco os cabelos e lhe deu um beijo na testa.
-Baixinha, pode ser bom. Pense positivo. Menos de um mês. Em menos de um mês você vai sair e vai poder seguir sua vida. Vai poder continuar sendo a melhor aluna da escola e continuar tendo vaga garantida na Ivy League. Fala sério, você é uma Cullen. Nenhum Cullen fica fora da Ivy League. A não ser que morra antes de entrar. – ele piscou pra Lea, conseguindo fazer brotar um sorriso no rosto perfeito da sobrinha. – Pense nisso, eu já volto.
Emmett levantou e deixou Renesmee no sofá. Ela abriu a sacola do supermercado e tirou um mini-sonho, precisava de glicose. Comeu uns três e viu uma maquina de café expresso próximo de onde seus pais e Emmett conversavam. Café era uma boa idéia.
Levantou e foi até a maquina, escutando por tabela parte da conversa.
-...Tem certeza que não é melhor deixa-la morar comigo por um tempo? Ela pode ajudar com o Henry...
-Emm, você protegeu a Renesmee desde sempre, como vai conseguir controla-la? Não. Ela vai ficar aqui e ser tratada...
mas Nessie não escutou mais muita coisa, porque de repente todas as cores voltaram. A porta foi aberta e quem entrava era Jacob. Jacob! Sem pensar em mais nada, Renesmee deixou seu café pra trás e correu até ele.
-JAKE! – Ele ergueu a cabeça ao som do seu nome e sorriu ao ver a garota. Pra ele, as cores também voltaram. – JAKE!
Dois braços fortes, diferentes dos de seu pai a seguraram antes de alcança-lo. Era Emmett.
-O que você está fazendo aqui? – Edward perguntou bem mal humorado para Jacob.
-Não, TIO ME SOLTA! JAKE!
-Vim vê-la.
-Saia daqui seu drogado. – Jacob não reagiu.
-PAI!
-Você nunca mais vai se aproximar dela. – Edward falou nervoso, apontando um dedo para Jacob. As lagrimas de Nessie voltaram a tona, lavando seu rosto, enquanto ela tentava se soltar do tio. – Você piorou tudo. Minha filha não precisa de um drogado que vai afunda-la ainda mais. Nunca mais se aproxime dela.
-Pai... – Nessie implorou chorosa. Jacob não se mexeu.
-SAIA DAQUI!
Ele pareceu despertar e olhou para Renesmee. Ela esticava os braços na intenção de alcança-lo. Precisava dele. Precisava.
-Jacob...
Jacob baixou os olhos e deu um passo pra trás, abrindo a porta e saiu sem olha-la novamente e sem dizer uma palavra. Emmett parou de aperta-la, mas não a soltou. Ela não tinha mais forças. As cores sumiram, todas elas. Nem o amarelo que Emmett emanava. Nada.
O corpo de Renesmee amoleceu. Era tudo escuro. Tudo cinza. Tudo torpor.
N/A: Eu juro que ia postar antes. Mas o site saiu do ar D;
Bom, aí está, capítulo 6, o meu preferido *_*
Obrigada HMSanches, Cix e Daaf-chan que comentaram no cap anterior.
Continuem comentando, oks?
Até o próximo;*
BL
