Título: A Razão na Emoção
Autora: Lab Girl
Beta: Thais
Categoria: Bones, B&B, 6ª temporada, angst, hurt/comfort, drama, romance
Capítulo: 6/?
N/A capítulo 6: As coisas estão andando num ritmo lento... mas lembrem-se: devagar e sempre ;)
Mais uma vez, ficam registrados meus agradecimentos pela rapidez e eficiência da minha Beta que, mesmo em pleno carnaval, arrumou um tempinho pra revisar o capítulo.
CAPÍTULO 6
Brennan deixa o olhar se perder no interior de seu caro e bem decorado apartamento. Vazio. Sozinha, ela leva aos lábios o copo de vinho. Um abajur próximo ao sofá está aceso.
Ela se sente só. Terrivelmente só. Como nunca antes. Mesmo depois de ser abandonada pela família.
A campainha soa, arrancando-lhe do torpor. Brennan se assusta – seu coração se sobressalta. Ela pensa que talvez possa ser ele...
E o fato de não terem anunciado da portaria a visita de alguém a seu apartamento, significa que se trata de uma pessoa conhecida, a quem ela autorizou a passagem sem prévio anúncio.
Ela chegou a ver diversas chamadas em seu celular ao longo do dia. Acusavam o número dele. Mas ela não quis atender. Nenhuma delas. Desligou o telefone durante toda a manhã e a tarde.
Mesmo com receio de que seja justamente ele, Brennan levanta-se, deixando o copo sobre a mesa de mármore no caminho até a porta, o coração sem desacelerar um segundo. Quando abre, é surpreendida.
"Pai?" ela pergunta, espantada por vê-lo ali – até um pouco decepcionada, embora se repreenda por isso. "O que faz aqui? Você disse que estava fora da cidade."
"E eu estava. Até ontem de manhã" Max anuncia, entrando no apartamento.
O mesmo dia da morte de Heather Taffet. Brennan se assusta com a possibilidade de o pai ter realmente cometido o crime, ter atirado contra a mulher.
"Onde realmente estava entre ontem e hoje?" ela pergunta, desconfiada.
"Estava ocupado com algumas coisas, mas vim me explicar. Eu li a matéria no jornal."
"Pai... não me diga que foi você..." a voz dela falha.
"Não. Não, Temperance!" Max alteia a voz, segurando-a pelos ombros e olhando nos olhos dela de modo suplicante. "Não me diga que você acreditou naquela matéria sensacionalista?"
Brennan sente um pouco da insegurança diminuir. Pelos olhos do pai, pela preocupação e a reação dele, ela sente que ele não pode ser o culpado. Mesmo sem prova alguma disso. Mesmo com a explicação dele sendo vaga demais, frágil demais.
Max então a solta e ela relaxa os ombros, suspirando e passando a mão pelo rosto. "Eu não quero cogitar essa hipótese. Mas você mentiu para mim sobre a viagem. Esteve o tempo todo na cidade quando me disse que estaria fora."
"Não. Eu não estive o tempo todo aqui" ele atalha. "Eu realmente viajei. Por um dia. Voltei ontem. Só não anunciei a minha chegada porque..." Max engole em seco, mas decide que é melhor despejar a verdade do que encarar o desprezo da filha deixando-a acreditar que ele matou alguém quando disse ter se redimido e se tornado um homem que vive dentro da lei. "Eu estou vendo alguém, Temperance" ele suspira.
"Alguém?" ela estranha.
"Sim" ele meneia a cabeça, rendendo-se. "Uma mulher que eu conheci há uns meses aqui na capital. Ela é mais nova que eu, e, bem... eu não queria que você nem ninguém soubesse."
"Mas por quê?"
"Sua mãe" Max confessa. "Eu amei muito a sua mãe, Tempe. Ainda amo. Vou amar sempre" ele olha nos olhos da filha, os mesmos olhos de sua esposa. Azuis, vivos e brilhantes. "Mas eu me sinto sozinho... e, você sabe..."
"Não precisa se explicar" Brennan diz, bem séria. "Eu entendo que sua necessidade de manter relações sexuais com alguém é um imperativo biológico."
Max deixa passar o comentário da filha sobre sua vida sexual e volta ao ponto. "Eu só quero que saiba que sua mãe sempre vai ser o amor da minha vida. Seja daqui a cinco, dez, vinte anos mais."
Brennan sente a garganta arder quando as palavras de seu pai trazem à tona em sua memória outras palavras, de outro homem... Fale com casais mais velhos que, sabe, estiveram apaixonados por 30, 40, 50 anos... é sempre o cara quem diz 'eu sabia'... Eu sou esse cara!
Piscando para espantar as lágrimas, ela torna a concentrar-se no pai. "Eu sinto muito pela matéria do jornal."
"Não foi culpa sua, querida."
"Não. Mas, de alguma forma, eu estou relacionada a isso."
"Como?" Max fica repentinamente curioso.
Ela desvia o olhar e, virando-se, corre a mão sobre a mesa de mármore da sala, contendo um suspiro. "Booth. Ele tem uma nova namorada."
"Como é?" Max estranha ainda mais essa informação. "Eu pensei que você e ele..."
"Nós nunca nos envolvemos romanticamente. Mas ele tentou."
Max fica surpreso. Positivamente surpreso. "E você?"
"Eu não aceitei" ela abaixa os olhos, as mãos... "Eu não podia."
"Mas por que não?" Max investiga. "Você não o ama?"
Brennan ergue o olhar para o pai, mas não sabe como – e nem quer – responder tal pergunta. Por isso, tenta evitá-la. "O fato é que ele voltou do Afeganistão envolvido com outra mulher. Hannah Burley."
Max franze o cenho. Como ele não soube desse rolo entre sua filha e Booth? E como assim Booth voltou ao país com outra mulher?
"Esse não parece um nome comum do Oriente Médio" ele observa. "E, pensando bem, não me parece estranho..."
"Ela não é oriental. Hannah é norte-americana e é jornalista" Brennan vê os olhos do pai adquirirem um brilho de reconhecimento. "Ela escreveu o artigo do jornal que apresentou você como o principal suspeito de matar Heather Taffet."
As palavras afundam nos ouvidos de Max, fazem uma viagem em sua mente, atingindo a compreensão. Ele se contém. "Então foi isso."
"Eu sinto muito, pai" Brennan diz com sinceridade.
Como se ela fosse culpada por alguma coisa! Não. Max sabe quem é o responsável por essa situação.
"Tudo bem, querida. Como você mesma disse antes, você não foi responsável por isso."
"Diretamente não. Mas, ainda assim, eu me sinto de alguma forma..."
"Nem cogite a hipótese, Tempe!" Max ergue a mão para impedi-la de terminar a frase.
Ele sente... e presta atenção, então – antes estava tão preocupado em se explicar para a filha que não notou o hálito de álcool.
"Esteve bebendo, Tempe?" os olhos dele recaem sobre a mesa onde uma taça repousa, vazia.
"Estava bebendo vinho."
"Sozinha? Normalmente você não bebe se não estiver acompanhada."
"Eu sei. Mas senti vontade hoje."
Max sabe o porquê. Mas cala-se quanto a isso. E limita-se a olha para os olhos da filha, resoluto. "Tempe, querida... eu não matei aquela mulher. E vou provar isto a você."
Brennan não diz nada. No fundo, ela não quer acreditar que o pai possa realmente ser culpado por atirar em Heather Taffet. No entanto, não pode deixar de sentir uma certa dose de ansiedade a respeito. Se ele puder, de algum modo, provar que é inocente, isso o tirará da lista de suspeitos. O FBI não vai ter mais motivos para considerá-lo o suspeito número um.
"Pai, por favor, não se envolva em nenhuma confusão."
"Eu não vou fazer isso, meu bem" ele sorri, carinhoso. "Não se preocupe."
Brennan deixa escapar o ar que nem se deu conta de estar segurando. "Obrigada" sua voz sai clara, porém quase sussurrada.
"Cuide-se, querida" Max fala, olhando para ela com seriedade. Em seguida, ele dá dois passos à frente e deposita um suave beijo na testa da filha.
O calor do contato é bem vindo. Ela sente, por um breve instante, uma espécie de conforto, de porto seguro que a faz respirar fundo, como ainda não fez durante todo o dia.
Quando Max se afasta, ela sente frio. E medo.
Medo da solidão.
Mas ela não diz uma palavra. Apenas observa o pai dirigir-se à porta do apartamento, virando-se para oferecer um último sorriso.
Brennan ergue a mão devagar, num pequeno aceno. Quando a porta se fecha e ela volta a ficar sozinha, o silêncio a envolve. Como uma mão pesada, cobrindo tudo.
Ela caminha até a cozinha, pegando a garrafa de vinho sobre a pia. Gira o recipiente nas mãos, contemplando a possibilidade de tomar outro copo. Porém, afugenta o pensamento num instante.
Balançando a cabeça, Brennan devolve a bebida ao seu lugar, na pequena adega da parede. Ela volta à sala e apaga as luzes, com exceção das que iluminam sua estante cheia de livros e artefatos. O quarto é a melhor opção da noite. Depois do dia que passou, uma noite de sono é a melhor solução. E não a bebida. Muito menos pensar. O que aconteceu, já aconteceu. Já é passado. Não há nada que ela nem ninguém possam fazer.
Tentando ignorar o aperto no peito, Brennan fecha a porta do quarto, assim como a de seus sentimentos com relação ao dia que termina. É o melhor e o mais sensato. Deixar tudo bem fechado.
~.~
Sabem uma das melhores partes de escrever esta fanfic? É receber as reviews de vocês a respeito de cada capítulo *.*
Obrigada, obrigada, obrigada por seus comentários, minhas leitoras fiéis do coração.
Beijo da Lab!
