A noite era mais fria do que havia esperado, mas nada que as meninas não pudessem suportar. Assim, continuaram fora da barraca por mais algumas horas depois que os pais de Rachel se recolherem. Depois do que havia acontecido no lago as meninas ficaram mais distantes. Não se tocavam como de costume. Nem mesmo ficavam muito perto uma da outra. Como se guardassem uma distância segura entre elas. Distância para evitar, para não agir antes das palavras. Talvez já fosse insuportável demais essa situação. Mas a insegurança continuava lá. Embora cada uma tivesse motivos o suficiente para não duvidar, toda certeza caia por terra quando pensavam que isso poderia ser só a vontade falando mais alto. Fazendo desentender todo tipo de ação, conduzindo para a única interpretação desejada.
Essa noite não estava sendo fácil para ambas. Dormir tão junto, depois desse tempo todo reprimindo todos esses sentimentos. Quinn estava com a cabeça cheia, com o corpo queimando, Rachel não estava diferente. Tentaram ficar longe, um acordo mútuo, mas sem palavras. O que estava acontecendo? Rachel foi a primeira a desistir. Empurrou o corpo para perto da outra menina. Não era em busca de carinho, ou segurança. Buscava acalmar unicamente o desejo. Se ela não sabia o que era luxúria, estava a ponto de descobrir. Havia um pedido que ela queria fazer. Ela sabia que haveria um dia que faria. Mas hoje não. Apenas encostou suas costas no seios de Quinn e seus quadris se encaixaram na virilha da outa menina. E um arrepio correu seu corpo como rastrilho de pólvora. Ela agora queimava por inteiro. O corpo de Quinn era um tormento, não oferecia agora o mesma paz dos outros abraços. Contraditoriamente só ela poderia conduzir Rachel a paz novamente. Mas para isso ela teria que tocar e ser tocada até exorcizar todo esse querer.
Quinn conhecia bem a luxuria como pecado capital. Mas Rachel estava longe de ser um pecado. O que poderia vir de Rachel que não fosse justo e terno? A menina não era um pecado. Ela também era fruta. Fruta na bíblia é pecado, a mulher na bíblia é pecado. De frente a Rachel isso tudo não passava de um logro milenar. Luxúria, fruta e mulher para ela agora era uma dádiva. Pois se o mundo é tão insano, talvez a solução seja esquecer esses ensinamentos de ódio e desprezo. E apenas amar esse garota. Senti-la contra o corpo. O tecido fino dos pijamas pouco ajudava, as pernas e o braços nus eram apenas a promessa de uma delícia ainda maior. Se estivessem nuas agora? Esse pensamento não se distanciava. Ela sabia que essa é uma força que só diminui se gasta. Ela queria exaurir essa força até o fim.
Para Rachel o corpo de Quinn era um convite. A respiração da outra menina era como o canto de sereia, que como no folclore de civilizações ancestrais, atraiam os navegadores. Nessas horas, quando estava a salvo, sozinha em seu quarto, ela pensava na outra como uma deusa nórdica. Isso era puramente por Quinn ser loira. Nada mais. Mas ela era de fato uma deusa para Rachel. Se deusa da caça ou da sabedoria, se deusa da guerra ou da paz, ela já não sabia. Muitas vezes Quinn era deusa da beleza, do amor e da luxúria. Quinn, a deusa do sexo. Sozinha na cama ela se entregava: "Quinn, me toma. Sou tua.", "Tão gostoso, Quinn", "Meu amor", "Gostoso. Tão bom.", "Mais!". Um dia para o sua própria surpresa se viu dizer: "Me come.", "To gozando pra você." e outras frases que ela sabe, que embora sinta pudor, sairá de sua boca pois não há controle nessas horas. Não com a deusa nórdica do sexo a tocando.
Havia uma etiqueta de sexo para Quinn. Essa não a ensinaram numa conversa, mas a repressão deixara bem programada em sua cabecinha para pensar assim. Mulheres não sentiam prazer. Não se entregavam à essas coisas, pois só aos homens é dado o direito a cometer esse tipo de deslizes. Rachel havia dito que garotas querem tanto sexo quanto garotos. A primeira e única vez de Quinn não foi tão boa. Não era sexo o que ela precisava naquele momento. Ela sabia dizer agora. Sexo faria ela se sentir melhor, se ela fosse consciente do próprio corpo naquele momento e tivesse procurado prazer, mas não era isso que ela procurava. Agora Quinn precisa sentir. Precisa sentir prazer com Rachel. Ela sempre fantasiou a menina, a pele morena, a traços latinos e judeus, a silhueta, a tamanho petite, os cabelos ondulados e macios, e aquela boca. Que boca! A boca de Rachel quando fala, articulando cada palavra, cada pronúncia de th e gh, mesmo sendo ela tão inocente é um convite ao sexo. Rachel não poderia falar outro idioma que não fosse inglês em benefício da sexualidade do mundo. Toda vez que ela pensa isso ri de si.
A respiração de Quinn no pescoço de Rachel. "Isso é a minha perdição e o meu céu", ela pensou. Mas sem pensar ela agiu. Com um movimento preguiçoso mexeu os quadris como se rebolasse, uma vergonha! Mas não foi só isso: jogou o braço para trás e puxou Quinn pela cintura. Grudando ainda mais nela. Por um segundo Rachel teve medo, teria abusado demais, a amiga reagiu lhe beijando a nuca e se aconchegando mais em seu corpo. Sua mão se uniu a que Rachel posou em sua cintura, mas foi descansar confortável nos seios da morena. As vezes estendia os dedos, agraciando os seios da outra. Não estavam se desrespeitando, estavam apenas deixando o desejo fluir um pouco. Pois ele era muito e se deixado sufocado mais um pouco as levaria a algo que elas não estavam prontas ainda.
A noite passou como se tivesse sido um constante estado entre a vigília e o sono. Quando foi sonho, quando foi real não sabiam dizer. Na verdade não haviam dormindo, apenas cochilado algumas vezes durante a noite. Rachel acordou com uma sensação gostosa no corpo e com uma linda deusa sorrindo para ela. Recebeu um beijo na testa depois um na ponta do nariz. Suspirou. Queira beijar-lhe a boca. Tomá-la e ser tomada por ela. Essa noite havia acalmado o desejo, mas o desejo só seria saciado quando Quinn fosse dela e ela de Quinn por inteiro.
- Rach, meu amor, vem tomar café. Só falta nós duas. Seus pais estão esperando nos aprontarmos para irmos fazer a trilha.
- OK, minha Quinn, estou indo.
Quinn sorriu para Rachel, o mundo estava se tornando mais bonito para as duas.
