Ao chegar a casa, Cuddy foi recepcionada pelo mais repleto silêncio. Rachel estava na casa de Saeed, brincando com Dale, como já era de costume, após a escola.

Depois de tomar um cálice de vinho, Cuddy seguiu para o quarto. Era preciso descansar. Era preciso fugir do mundo lá fora. Era impossível fechar os olhos e não se recordar da última noite que passara nos braços de House.

Flashback On

Era véspera da partida de Gregory House para o Afeganistão, e há dois dias ele não a procurava. Lisa Cuddy compreendia o quanto estava sendo difícil para o grande Gregory House enfrentar um dos seus maiores medos e tornar-se aquilo que sempre temeu: uma réplica do seu pai. Um herói de guerra.

Naquela noite ao retornar do trabalho, Cuddy jantou com Rachel, e pela última vez insistiu em tentar falar com House, para mais uma vez ouvir a mesma mensagem que só a machucava, reafirmando o que ela já previa: ele partiria sem se despedir.

De certo dormir era a melhor alternativa. Antes disto ela chorou por tudo o que podia ter sido. Por tudo o que podia ter vivido ao lado de House, mas chorou principalmente por tudo o que não chegaria a viver ao lado dele.

Pouco depois das 23h, o ronco de uma moto estacionando em frente à garagem da casa de Lisa Cuddy podia ser ouvido. Mancando como quem carrega o peso de todos os amores destinados ao fracasso, House entrou na casa com a chave reserva que havia roubado anos atrás. Deixando o casaco com uma embalagem no sofá da sala, ele seguiu silenciosamente até o quarto da sua amada. Era hora de dizer adeus.

Aproximando-se da cama, House deslizou lentamente suas vestimentas ficando apenas de boxers vermelha enquanto admirava a silhueta da Lisa de encontro à luz do luar. Deslizando para debaixo dos lençóis, ele sabia que essa podia ser a última chance. Ele precisava abraçá-la, precisava dizer que tudo ficaria bem, mesmo que no fundo, soubesse ser uma grande mentira.

Ainda sonolenta, Cuddy deixou escapar um suspiro profundo, ao sentir o familiar aroma que emanava de Gregory House, quando sua barba escovou-lhe os ombros. Com um dos braços, ele puxou-a contra si, pressionando o corpo dela por trás, não querendo nunca deixá-la.

Cuddy podia sentir a ereção de House pressionar a parte inferior das suas costas, enquanto ele deixava a mão viajar lentamente sobre curvas de seu corpo, chegando até o vale dos seus seios para massageá-los, levando-a a mais um suspiro.

Enquanto a acariciava, ele pensou o quão bela Lisa Cuddy parecia com os lábios entreabertos, recebendo de bom agrado os seus afagos, o seu pedido de desculpas por afastar-se dela nestes últimos dois dias.

Beijando-lhe a nuca, House pediu permissão silenciosamente para deixar seus dedos guiarem-se até o calor pulsante do seu sexo enquanto se perguntava se ela estaria receptiva as suas carícias. Como resposta, Cuddy flexionou seus quadris em direção à mão que a acariciava, causando-lhe uma sensação sedutora.

Ela mordeu o lábio inferior ao senti-lo penetrá-la com os dedos. Sobrepondo à mão de House enquanto ele continuava a agradá-la, Cuddy girou a cabeça para o encarar pela primeira vez naquela noite. Ao ver o olhar intenso e cheio de paixão exposto nos traços do rosto e House, ela pensou que poderia explodir em êxtase naquele instante. Ela sentiu medo de ser a última vez que o teria.

- Não me deixa. Diz que essa não será a nossa última vez, por favor. – disse ofegante.

- Você não está indo para se livrar de mim, Lisa. Prometo que você ainda será minha por muitas outras noites. – ele conseguiu dizer com um suspiro urgente, ao senti-la arqueando as costas para ele enquanto abria pernas mais largas, deixando-o saber que precisava possuí-la agora, antes que fosse tarde demais.

House removeu a mão do calor entre as coxas, enquanto levantava-lhe a perna direita apenas o suficiente para que pudesse penetrá-la por trás, respirando densamente enquanto seus sexos se uniam, soltando um gemido de intenso prazer, tendo os seus dedos entrelaçados.

- Olha pra mim, Lisa. Deixa-me saber que você me deseja tanto quanto eu te desejo.

- Eu te quero. Sempre te quero dentro de mim, Greg. – Disse Lisa entre pequenos gemidos de prazer, e medo de uma futura separação.

Uma vez que o ritmo entre eles acelerou, levaram apenas alguns densos e cadenciados movimentos para que ambos alcançassem o clímax em perfeita sincronia.
Enquanto recuperavam o fôlego, Lisa segurou-se as mãos de House como quem se agarra a única chance de permanecer vivo.

Após regularizar a respiração, House pressionou os lábios arduamente contra a curvatura do pescoço de Cuddy, sugado-a suavemente.

- Tenho medo de te perder. – Disse Cuddy, deixando uma lágrima solitária rolar, permitindo-se pela primeira vez chorar em frente a Gregory House.

- Shii, você não vai me perder. Preciso que você cuide muito bem das nossas meninas enquanto estiver em campo com um monte de homens feios.

- Nossas meninas?

- A ''thelma e louise'' – depois de fingir pensar profundamente- Ou a''Patty e Selma'', se preferir.

- Idiota.- disse sorrindo

- O SEU idiota. – assegurou-lhe House, enquanto a trazia mais perto de si.

House sabia que seriam tempos difíceis, mas estava disposto a cumprir a sua missão até o fim. Ele sabia que faltavam poucas horas para a sua partida, e justamente por isso, não desperdiçaria um único segundo dormindo.

Por toda a madrugada House e Cuddy trocaram pequenas carícias e beijos apaixonados. Quando os primeiros raios de sol teimaram em iluminar o horizonte, Lisa Cuddy perdeu a batalha contra o sono, repousando sobre o peito de House.

Afagando os cachos de Lisa, House pôde alcançar a superfície da consciência, levando-o até o mais profundo de si mesmo. Ele sabia que era muito provável não retornar vivo ou com total equilíbrio emocional, mas estava disposto a tentar. Por ela, ele tentaria.

Olhando o despertador na cabeceira da cama, House sabia que era o momento de partir. Ele não suportaria vê-la chorar pela sua partida.

Beijando-a suavemente, ele recolheu suas roupas seguindo a caminho do corredor. Alcançando o embrulho que deixara na sala, ele caminhou até o quarto de Rachel, surpreendendo-se ao notar grandes olhos amendoados fitando-o diretamente.

- Hey garota, estou contando contigo para cuidar da sua mãe, ein. Aqui... Pra você parar de ler aqueles contos idiotas de fadas peitudas.

Pouco tempo depois Lisa Cuddy acordou para encontrar-se sozinha. Ela já esperava por isto. Ela sabia que assim seria menos doloroso para ele.

Levantando-se para verificar Rachel, Lisa sentia-se reconfortante, por saber que ainda tinha a sua pequena.

- Hey querida, ainda é tão cedo e você já acordou?

- House, mama, House – disse Rachel Cuddy, mostrando um livrinho infantil a mãe.

- Ele te deu isso, querida?

- Conta estorinha?

Pegando o livrinho nas mãos de Rachel, Cuddy deu um último respiro profundo, antes de ler as primeiras palavras impressas.

- ''Vinte e cinco Soldadinhos de Chumbo viviam numa caixa de presentes... ''


FlashBack Off.

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Era 18h da noite quando Lisa Cuddy foi despertada pelo som da campainha. Abrindo a aporta, Lisa deparou-se com Saeed que segurava Rachel nos braços.

- Hey querida, como vai? - disse Saeed, inclinando-se para beijá-la.

Lisa limitou-se a sorrir, pegando Rachel enquanto Saeed caminhava até o sofá.

- Baby, que tal você assistir um desenho no seu quarto enquanto converso com o tio Saeed?

Rachel fez como lhe foi solicitado e seguiu para o quarto, enquanto Saeed observando o quanto Lisa encontrava-se tensa, afastou-se dando espaço para que ela se sentasse ao seu lado.

- Então... Aceita tomar um copo de vinho, uma água ou um café?

- Não se incomode, Lisa. Tenho que ser breve, já que a Dale ficou em casa com a babá. Agora que tal você me dizer o que está acontecendo?

Desconfortável, Lisa ajustou-se no sofá, pronta para encarar Saeed e contar-lhe sobre os acontecimentos do dia.

A notícia do retorno de House havia atingido-a como uma bomba. De fato ela estava alegre por ele ter sobrevivido, mas sua vida havia mudado. Estava em um relacionamento que apesar de não conter amor, trazia-lhe alguns bons momentos de paz em família, o que ela estimava muito.

Dando um último olhar para Saeed, Lisa preparou-se para falar. Ele merecia a sua sinceridade. Ele merecia que ela fosse direto ao ponto.

- O House retornou, Saeed. – prendendo a respiração, Lisa esperou por uma resposta que não veio. Ele apenas a encarava, sem nenhum traço de emoção sob a face, até que finalmente foi capaz de formular algumas palavras.

- Mortos não retornam, Lisa.

- A menos que eles nunca tenham morrido. – com olhos baixos, direcionados para as suas mãos, Lisa continuou – O encontrei hoje no hospital, após ter se envolvido em um acidente. Discutimos, trocamos ofensas... Acredita que ele retornou há dias, e só fiquei sabendo por causa de um maldito acidente?

- Se ele agiu assim é porque ele nunca te mereceu, Lis.

- Ou ele ainda está sob o impacto de todas as atrocidades sofridas na guerra. Realmente não sei o que pensar, não sei o que de fato aconteceu com ele... Eu ainda me preocupo.

- Olha, não me entenda mal, mas eu não me importo com ele.

- Saeed, como você pode dizer algo assim? Nós não sabemos as feridas que ele carrega dentro de si. Ele sabe sobre nós e está machucado.

- Só quero saber de você, só me interessa você. Diga-me, o que pensa em fazer?

-Sinceramente, não sei.

Fitando-a, ele segurou as mãos dela, como quem deseja dissipar qualquer sombra de dúvidas que possa haver.

- Lis, quando estamos juntos, o tempo segue alegre, somos felizes ao lado das meninas, nos compreendemos. Imagino que você teve bons momentos ao lado do House, mas isso é passado. Você seguiu em frente, e pelo que ouvi, ele também seguiu.

- E se tiver sido um erro?

- O único erro é você se questionar sobre esse homem. Você mesma disse que ele te tratou de forma inaceitável... Pare de pensar sobre o que poderia ter sido e se concentre no que temos.

- Desculpa, eu não...

-Tudo bem Lis, mas, por favor, seja sincera... Toda essa dúvida é porque você pensa em optar por ele?

- Não é isso! Na verdade sinto que desejo ficar com você, mas...

- Lis, afinal o que você sente pelo House?

- Neste momento?

Saeed apenas a observa, confirmando silenciosamente a sua pergunta.

- Qual é o contrário do amor, Saeed? No momento, é tudo o que consigo sentir.

- Enquanto você sentir isso por ele, eu posso lidar com a situação. Eu não vou desistir de você Lisa. Você é boa demais para um homem que não te considera.

Saeed abraçou-a e a beijou longamente. Foi um beijo emocionado, em que ele depositou todo o medo de perdê-la.

Lisa correspondeu, mas faltava-lhe a paixão do momento. Após o breve beijo que dera em House no PPTH, e agora beijando saeed, ela pôde notar que o sentimento que nutria por ele, jamais seria semelhante ao que compartilhava com House.
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