Sabe quando você tem aquela prova anual de matemática que você tem que estudar todas as coisinhas que você aprendeu desde o primeiro dia de aula? Dai sua cabeça fica doendo de tanta informação?
Ok, multiplica essa dor por 5. Assim você tem uma leve ideia do que minha cabeça está passando.
Estou de olhos fechados, deitada em um sofá, acho. Ainda não quero enfrentar todos que estão na sala. Concentro na conversa.
– Ou é ela, ou somos nós, Damon. Eu escolho por nós.
– Você não pode matar ela, Katherine!
– Matar? O que está acontecendo aqui?
– Calma, Amanda. A gente explica tudo assim que a Julia acordar.
– Quando ela acordar e ver quem ela realmente é, a gente vai estar morto no segundo seguinte!
– Katherine, não me faça te matar aqui e agora.
– Você conseguiria isso, Stefan?
Abro os olhos, e imediatamente a conversa cessa. Sento, mas não tem ninguém no meu campo de visão. Tento assimilar tudo o que tenho em mente. Toda a vida. De todos.
Sinto alguém chegar perto de mim, do meu lado. Viro abruptamente, e encontro dois pares de olhos azuis preocupados. Ia me aproximar dele, quando minha mente sussurra para mim:
Vampiro.
Grito, me afastando (e quase caindo do sofá, eventualmente. Já tentaram fugir de alguém de costas num sofá? Resultado muito bom não). Fico em pé, e olho para todo mundo. Vou andando para trás, olhando nos olhos de cada um, vendo quantos mataram, quantos se tornaram vampiros, criaturas da noite por causa deles. Bato em uma ponta da sala. O Damon chega perto de mim, e eu começo a tremer.
Ele é um vampiro. Uma criatura da noite. Que mata para sobreviver. Mata ser humano. Bebe o sangue. Estremeço. Ele encosta a mão de leve no meu rosto, limpando uma lágrima que caia. Lágrima maldita.
Assim que ele me toca, tudo o que senti com o Stefan eu senti com ele. Dor, medo, gritos e sangue... muito sangue. Retraio o meu rosto, tirando o toque dele e sentindo mais lágrimas correrem pelo meu rosto.
– Ju... – ele suspira. Falando assim até parece que ele se preocupa comigo. – se você aceitar quem nós somos, quem eu sou, você consegue aceitar e superar.
Respiro fundo, e encaro aqueles olhos azuis. Será que dá para aceitar quem ele é? Não. Eu olho os olhos e vejo gritos, desesperos, e morte. E sangue. Mas.. e se eu aceitar? Se eu aceitar que existe vampiros, e que o Damon é um? Será que eu consigo.. perdoar todas as mortes?
De repente, uma imagem veio na minha cabeça. É o Damon, nos anos 80, acho. Ele está com uma garota, parece que ele está beijando ela no pescoço. Só que ele solta ela, e ela cai no chão com um baque surdo. Ele fecha os olhos, em aprovação. Ah, meu deus! Ele estava bebendo o sangue dela! Agora essa menina está morta, no chão, enquanto o Damon limpa seu queixo cheio de sangue em um pano. Ah, meu deus.
– Se afasta – falo, voltando a realidade, tremendo. Não consigo encarar ele.
– Ihh, visões? Isso não é nada bom. – Katerina fala.
Paro. Abro os olhos e encaro cada um.
Parece que minha mente era um computador. Sabe quando você faz uma pesquisa no Google e aparece todas as informações? Então. Essa sou eu. Me viro para Stefan:
– Stefan Salvatore. Vampiro. 165 anos de idade, com momentos escuros por ele – estremeço – "ripper". [n/A: RIPPAH *-*] Irmão mais novo dos Salvatore. O mais querido pelo pai. Não amava muito, mas tinha um relacionamento com Katerina. Transformado em 1864. Lexi... – olho para ele com um pouco de compaixão – ela vai ficar na memória.
– O QUÊ? – grita Amanda, atrás de mim.
– Não atrapalhe ela agora – repreende Stefan, ainda me encarando, com um toque de compaixão por causa de Lexi. – ou as coisas vão ficar piores.
– Bem piores – enfatiza Katerina.
Vou vendo cada uma das pessoas (pessoas?) presentes na sala.
– Elena Gilbert. Não é realmente uma Gilbert, e sim é parte da linhagem Petrova. Irmã de Jeremy Gilbert. Dopplegänger. Gosta do Stefan, mas – paro por ai. Como assim? Eu sei de coisas do que vão acontecer no futuro? – bem. Parece que tudo gira em torno de você, Elena. – ela dá de ombros como se dissesse "não sou eu que pedi essa vida". Vejo Jeremy – Jeremy Gilbert. Irmão de Elena Gilbert, melhor amigo de Matt. Vicki, Anna... – ele me olha com dor – eu.. Desculpe. Ah meu Deus, me desculpa. – transtornada com os finais de suas namoradas, me viro para Bonnie. – Bonnie Bennet. Bruxa, pertencente à natureza. Família Bennet, uma das mais fortes e poderosas. – sinto algo, e solto um suspiro – sinto muito pela sua avó. Ela era uma grande bruxa.
– Bonnie? Bruxa? Por que eu não estou entendendo nada? – ouço Amanda perguntar.
– A gente já não falou para você ficar quieta? – rosna Katerina, dando um passo para frente.
– Encosta nela que eu te mato – me ouço falar, enquanto encaro Tyler. Ah, coitado dele. – Amanda, para trás de mim.
– O quê? Mas por quê? – Amanda pergunta.
– Só vá – fala Damon, e minha amiga fica atrás de mim.
– Como você me mataria? – disse Katerina, com desprezo. Não sei o por que, mas eu estava querendo matar ela. Como se fosse... sei lá, algo que eu preciso fazer para melhorar o planeta.
– Ah, eu descubro na hora – minha voz sai mais desafiadora e sombria do que eu já tinha ouvido em toda minha vida. Ela recua. Me voltando para as informações: – Tyler Lockwood. Filho de Carol Lockwood, prefeita da cidade. Família Lockwood, gene de lobisomem. Já completou a transição, por causa dela – olho para Katerina – mas não se preocupe, Tyler. Garanto que você vai ficar melhor – me ouço falar, enquanto ouço o nome "híbrido" na cabeça. Ele me olha com dúvida, e eu praticamente rebato com o mesmo olhar. Me volto para a loira. – Caroline Forbes. Vampira. Filha da xerife Forbes. Transformada pela Katerina, embora fosse o sangue de Damon que estava no seu sangue. Namora com o lobisomem.. quero dizer, Tyler.
– Lobisomem? – sussurra Amanda, com medo. Tyler olha para ela como se pedisse desculpas. Mas todos me olham com dúvida quando eu falo o nome dela. – Katerina. Katerina Petrova. Vampira. Transformada em 1492, pela Rose. Vivia em um triangulo amoroso com os irmãos Salvatore. Fingiu que foi presa e queimada no incêndio da igreja em 1864. Foge dos – paro, ao olhar o olhar de fogo dela. – deixa. Nasceu em 1475, na Bulgária.
– Não uso mais 'Katerina' – rosna ela – é só Katherine. Katherine Pierce.
– Katerina. Gosto muito desse nome. – respondo, dando de ombros. Agora, por que raios eu falo Katerina em vez de Katherine?
– Vai, acho que você não tem a capacidade de entender: Ka-the-ri-ne. Nome americano.
– Deixa ela, Katherine – rosna Stefan.
Me viro para Damon.
– Damon... – ele me olha apreensivo e esperançoso. Desde quando o Damon é assim? Todas as informações dele volta para mim – Damon Salvatore. Irmão mais velho dos Salvatore. Transformado em 1864 também. A principio, não queria, mas o irmão mostrou como era bom ser um vampiro – estremeço e viro para o Stefan, sentindo algumas lágrimas no rosto. – como ser um vampiro pode ser bom? Força, velocidade, nada disso importa quando você tem que tirar a vida de alguém para conseguir isso! – Ele ia falar algo, mas eu me viro para Damon, que tinha o olhar cuidadoso. – Não teve um período ruim, mas é pior, age como cafajeste para conquistar as mulheres e depois matá-las. Você não tem coração?! – grito.
– Julia, eu só preciso de uma informação. – Bonnie fala, calmamente, como se estivesse lidando com um animal raivoso, enquanto Damon recuava uns passos. – Só um nome.
– Por que eu não sou que nem você? – pergunto. As lágrimas são sem explicação. Parece que eu sou que nem ela, mas ao mesmo tempo não sou. – O que é diferente?
– Eu já explico, Ju. Eu só preciso de um sobrenome. Você ainda não nos disse qual o seu. Por que?
– Porque... – essa é boa. Por que eu não falei o meu sobrenome para eles? Mas agora eu entendi uma coisa: quando eu falar, as coisas vão ficar feias. – não sei.
– Qual o seu sobrenome? – ela insiste.
– Bighetto.
E acertei na loteria. Quando Katerina ouviu o meu nome, Stefan teve que segurar ela para ela não me atacar. E realmente parece que ele também estava se segurando para não me atacar. Olhei para Damon. Ele parece com raiva, irritado, mas tem algo mais. Por que parece que eu conheço ele como se o conhecesse há décadas?
– Ora, ora, o que temos aqui?
Todo mundo se virou; eu nem precisei. A vários metros de distancia, a 45º graus, estava um vampiro que fez Katerina congelar no lugar, Stefan voltar a ficar do lado de Elena (que por sua vez prendeu a respiração), o Damon ficar tenso, a Bonnie, a Caroline, o Tyler e o Jeremy olharem para ele com raiva.
– Niklaus Mikleason.– falo.
– Comece a falar sobre minha história em voz alta, bruxa, que eu arranco a sua língua com minha própria mão.
– O que você está fazendo aqui? – pergunta Stefan, praticamente sendo uma barreira em torno de Elena. Hmpf, como se aquilo bastasse.
– Não é óbvio, Stefan? Vim dar meus cumprimentos à nova bruxa, vinda de uma família tão adorada durante os séculos. – Niklaus responde, casualmente, como se estivesse vindo para o chá.
Acho que vampiros modernos são irônicos. Que delícia.
– Vai embora – fala Damon.
– Isso é jeito de tratar seu convidado, Damon? Que hostil. E veja quem está aqui, minha querida amada Katerina. Como vai, amor?
Katerina (Katherine, Julia. Katherine.) estava paralisada, e não respondeu o vampiro.
– E você, sweetheart? Quem é você? – ele olha para minha amiga, que estava do meu lado.
– Amanda – ela responde com uma voz meio fraca.
– Amanda – ele repete – nome bonito. Representa alegria.
– Sai daqui – falo, tremendo. Por que estou tremendo?
– Você não sabe sobre a sua família, certo? Você não sabe a sua história, os seus poderes, nada sobre você?
– Ainda não – falo.
– Isso é uma pena – ele fala com um pequeno sorriso nos lábios e as mãos nos bolsos da calça.
Imediatamente consigo imaginar o que ele vai fazer. Amanda se afastara de mim e fora para o lado do Stefan, então estou praticamente sozinha, com a parede a alguns passos atrás de mim. Reparo que meu cabelo está todo para um lado; o lado esquerdo. O lado direito do meu pescoço estava completamente à mostra. Associo: Vampiros não gostam da minha família. Estou com o pescoço à mostra. Um vampiro quer me matar. Façam as contas.
Consigo imaginar o trajeto que ele vai fazer. Ele vai correr extremamente rápido ao meu lado, vai parar mais ou menos atrás de mim, vai me virar e morder o meu pescoço. Acho que ele nem quer o sangue, ele quer arrancar a minha jugular para que eu morra de uma vez. Com isso em minha mente, penso em uma faca grande de cozinha, daquelas bem afiadas, sendo segurada pela minha mão direita. Imediatamente sinto-me segurando um cabo frio. Olho para minha mão (todos olham) e uma faca grande de cozinha estava ali, e eu estava segurando ela firmemente, como se fosse uma coisa que eu fazia há anos. Seguro ela forte, e abaixo o braço.
– Julia...? – Damon começa. Meu olhar continua focado em Niklaus.
O momento seguinte ocorreu muito rápido. Eu vi que ele ia começar a se mexer, então dei um passo para frente, como se fosse me preparar para uma corrida, e no mesmo instante que Niklaus não estava mais onde a gente via ele, eu me apoiei no pé de trás e virei 180º (um pouquinho mais). Eu sabia exatamente onde ele ia parar; atrás de mim, um pouco para minha direita, para morder o meu pescoço, então me virei naquele exato lugar. E acertei. Onde segundos atrás tinha nada, a faca em minha mão acertou a barriga de Niklaus.
Com o impacto, Niklaus foi jogado na parede. Eu enfiei o máximo possível da faca em seu corpo. Ele, vendo o que estava acontecendo, começou a retirar lentamente a faca, mesmo eu tentando com todas as minhas forças deixar ela ali. Então pensei que eu teria mais força do que ele, e que eu ia conseguir fazer aquilo.
Como se uma fada madrinha estivesse ouvindo tudo o que eu tinha pensado, de repente eu estava mais forte do que Niklaus. Consegui perfurar o corpo dele, até só o cabo preto da faca estivesse para fora. Ele gemeu, e ainda tentava tirar, mas ele percebeu que seria impossível. Eu coloquei a lâmina da faca para cima, então comecei a subir lentamente a faca. Ele prende o ar e tenta abafar um gemido de dor.
Então veio na minha cabeça uma informação que eu não sabia antes. E que Niklaus, ou ninguém daquela sala sabia. Paro de subir a faca.
– Seguinte – falo, entre respirações alteradas e aceleradas. Ele me encara com o olhar pegando fogo, e eu retribuo o olhar na mesma intensidade.– Eu sei mais coisa sobre a sua família do que você mesmo sabe. Por isso que eu não posso te matar, aqui e agora, por mais que essa faca te dividindo em dois seja tentador. Então saia daqui agora, antes que eu troque de opinião sobre ter o seu corpo dividido no meio, aqui nessa sala.
Solto o cabo da faca, que ainda está no meio da barriga de Niklaus. Provavelmente, pegando seu esôfago, ou até um rim. Ele nem tenta tirar. Só olha para mim, como se estivesse dizendo "você ainda vai pagar por isso". Segundos depois, sinto um vento do meu lado, e ele se foi da mansão.
Só agora que reparo que minhas mãos estão sujas.
De sangue.
– AH MEU DEUS O QUE EU ACABEI DE FAZER? – olho desesperadas para minha mão. Eu esfaqueei um cara! Ok, ele pode não ser um cara, ele pode ser um vampiro, mas eu esfaqueei alguém!
– O que você acabou de fazer? Você acabou de deixar o nosso problema fugir! – Grita Katherine (há, acertei) – Se você tivesse matado ele agora, tudo estaria resolvido!
– Não estaria não – me viro para ela – não estaria mesmo. Eu sei mais coisas da própria família dele que nem ele sabe. E eu tenho certeza que mais cedo ou mais tarde vocês vão descobrir, eu não posso interferir nisso.
Todos me olharam como se eu estivesse insana. Não os julgo.
– Bom, isso fica para depois – Bonnie reassume a posição de tentar colocar tudo no seu devido lugar. – então Ju, descobrimos que você é uma bruxa. Com uns poderes.. bem...
– Intensos – fala Caroline
– Isso – Bonnie fala. – eu já volto, eu acho que em casa eu tenho um grimório que pode falar de algumas famílias bruxas poderosas.
– Pode ter certeza que o sobrenome dela vai estar escrito no grimório da Emily – fala Stefan – mas não sei se vai estar ressaltando o quão amigas elas eram.
– Emily? Amigas? Quem? – pergunta Amanda.
– Emily era a ancestral da Bonnie – respondo, olhando para bonnie. – elas se parecem muito. E eles estão falando de uma ancestral minha.
– Que é idêntica a você – fala Stefan – se você não fosse uma bruxa, eu diria que você é uma dopplegänger, assim como Elena e Katherine.
– Dopplegänger? – Amanda pergunta novamente.
– Cópias iguais – respondo automaticamente – elena e Katherine são iguais. Geração Petrova.
– É estranho saber que você sabe o tanto quanto eu sobre minha história... ou mais – Katherine fala.
– Bota estranho nisso – Tyler deixa escapar.
– Eu já volto – afirma Bonnie, e ela sai da mansão.
– Enquanto isso, vamos te testando – fala Katherine.
Nem deu tempo de perguntar, só sinto ela do meu lado, puxando meu pescoço para trás, para morde-lo. Em um ato de desespero, penso como seria um ótimo momento para ela ser jogada para trás e batesse na parede com força. No segundo que os caninos da vampira iam me atacar, ela é jogada contra a parede. Ela bate com tudo, e eu vejo o Damon do lado, em posição de ataque.
– Obrigada, Damon – falo, me ajeitando, olhando para o vampiro que alternava o olhar entre eu e ela.
– Eu não fiz nada – ele falou – eu ia tirar ela, mas ela foi jogada antes.
– Você por acaso consegue ficar um segundo sem tentar atacar ninguém? – ouço a voz de Caroline berrando com Katherine. Não me atrevo a olhar para a vampira.
– Eu acho que você tem que aprender aos poucos o que você consegue fazer – Jeremy fala.
– Aprovo essa ideia – concordo, balançando a cabeça.
– Então vamos fazer isso calmamente e civilizadamente, como boas pessoas. – fala Stefan
Rio um pouco com desprezo por causa do uso de "pessoas" usado por um vampiro, mas foco no aprendizado.
– Venham pra cá – Damon aponta para uma mesa grande, e todos foram. Caroline, Tyler e Jeremy se sentaram. Damon se apoiou na ponta da mesa, Stefan, Katherine, Elena e Amanda ficaram de pé.
– Amanda – Elena fala – deixe eu te explicar toda essa história, acho que você está meio confusa.
– Meio? – ela ri – meio é pouco.
Elas vão para outra sala, e todos se voltam para mim. Engulo em seco.
– Passo um – Damon fala – pelo que eu me lembre, a sua família era um tipo de bruxa que era praticamente indestrutível, porque a arma deles eram a mente – ele apontou para a própria mente.
– Como assim? – falo
– Você consegue fazer o que quiser, é só imaginar – explica Stefan.
– Quer ver? – Damon pega um copo na estante – pega esse copo, veja ele bem, e depois imagine ele nessa mesa.
– Isso é um absurdo – falo, meio rindo, mas pego o copo. Vejo cada detalhe, e eu praticamente vou vendo as linhas se desenharem no meu cérebro. Fecho os olhos.
O mais engraçado é que eu gosto muito de desenhar, então é praticamente se eu estivesse desenhando um copo na minha mente. Parece estranho assim falando, mas tente você: Pegue um lápis, e imagine ele apoiado em um outro lugar. Pronto, é isso.
Imagino o copo igual que eu estava segurando, todos os detalhes, e tudo mais. Só me desconcentro quando ouço exclamações de susto vindo das pessoas. Abro os olhos, e quase deixo o copo na minha mão cair.
Um copo. Igualzinho. Perfeito. Palpável, existente. Um copo como todos os outros.
– O quê..? Como..? Alguém pôs aí – falo, desorientada.
– Te garanto que ninguém pôs – Stefan fala, alternando o olhar entre eu e o copo.
Eu pego o copo. É igualzinho ao outro.
– Não, não pode ser. Alguém pôs. – replico.
– Faça de novo, esperta. Agora olhando – Katerina rebate.
Respiro fundo e, observando o copo, eu imagino outro copo do lado. Em um segundo não estava, mas quando eu pisquei... Um terceiro copo na mesa.
Damon assobia, espantado.
– Uau – a única palavra dita por Caroline.
– Um copo só? Você tá com preguiça ou medo? – Katerina fala. Olho pra ela, furiosa, e imagino a mesa inteira, cheia de copos, um do lado do outro. Em menos de um segundo, a mesa inteira está cheia de copos, igual ao que eu estou segurando. Alguns copos caem e quebram, pois Tyler e Katerina estavam com as mãos na mesa, o que resultou copos em cima das mãos deles.
– Quer mais? – perguntei, triunfante. A vampira me olha, com raiva e uma ponta de orgulho ferido.
– Acho que deu, obrigada – Caroline responde, meio atônita.
– Ok, já entendemos o que você consegue fazer – Tyler fala. – me mostre algo mais.
– Algo mais tipo o quê? – Pergunto, passando o olhar por todos na sala para captar alguma ideia.
Depois de alguns segundos de silencio, a voz de Katerina é ouvida novamente:
– Quebre o pescoço de algum vampiro.
Meu olhar se recai a ela, pasma.
– Você quer que eu faça o que?
– Faça assim.
Em uma fração de segundos, é ouvido o barulho de ossos se quebrando, e o corpo de Caroline cai no chão.
– Caroline! – Tyler exclama, indo de encontro ao corpo da namorada.
– Você perdeu a noção? – Stefan, irritado, exclama para a vampira.
Ela ia responder uma coisa, mas a fala pairou no ar enquanto ela me encarava. Pouco a pouco todos na sala começaram a me encarar também, e eu acho que sei por que. Eu estou com uma raiva tão grande de Katerina, que eu acho que toda a minha cor saiu da minha face. Também sinto as minhas unhas se fincando na minha palma da mão; será que está saindo sangue?
Eu acho que você deve estar se perguntando "mas por que você tá assim? Calma!" a minha resposta é: ninguém fica quebrando o pescoço de ninguém. Uma voz interior na minha cabeça completou: principalmente se for um vampiro que fez o ato.
A sala está quieta. Eu levanto a minha mão direita, sentindo umas gotas de sangue no meu braço. Todos os vampiros levaram o olhar para o sangue; até o Damon. Imagino que não aconteceu nada, que a palma da minha mão está curada, como uma mão normal. Em um segundo, eu não sinto mais o arder do corte superficial, ou as gotas de sangue correndo pelo meu braço. Só paro de encarar a vampira para ver se era verdade; minha mão está sem nada.
Volto para meu olhar para Katerina; minha mão está ainda levantada. Imagino que qualquer movimento que eu fizer com minha mão, a vampira vai ser afetada. Sabe? Que nem esses filmes com bruxas, que elas têm que fazer tudo com as mãos? Não me pergunte por que eu fiz isso, me parece meio teatral. Só sei que a minha indignação pela vampira era sobrenatural, e examinando de longe, nem era pra eu estar com tanta raiva assim. Mas agora, ninguém consegue me parar.
– Deixe-me ver se eu aprendi – falo, travando meu olhar no da vampira, que começou a entender o que eu ia fazer.
Eu virei minha mão. Os barulhos de ossos sendo quebrados foram escutados mais uma vez, e o corpo da vampira morena caiu nos pés de Damon.
– Acho que aprendi – sorri de lado. Stefan olhou pra mim sem entender.
Amanda e Elena voltaram para a sala, e a risada e conversa das duas cessou. Elena deu um gritinho e foi em direção a amiga, enquanto Amanda foi na minha direção.
– Eu entendi mais ou menos sobre essa historia, mas eu não precisava de exemplos – ela fala, atônita.
Não respondi nada. Eu estava me sentindo... melhor. Tipo, como se o que eu fiz foi certo. Uma voz na minha mente fala "termine o trabalho", mas a parte que raciocina do meu cérebro falou para eu não fazer nada.
– Quanto tempo elas demoram pra acordar de novo? – pergunto pro Damon.
– Não tenho ideia, para falar a verdade. Pode ser daqui a cinco minutos, daqui a uma hora... O tempo que o corpo delas se recuperarem.
Rolei os olhos, impaciente. Aposto que a exploração dos meus... "poderes" só continuariam quando as duas acordassem. Então pensei: "Por que não acordar elas agora?" Se eu tenho o poder de matar, será que eu posso ter o poder de reviver alguém?
Só para deixar claro que eu estava fazendo algo, relacionei o acordar de Caroline e Katerina com um estalo de dedos. Literalmente, pensei: "quando estalar os dedos, vou imaginar elas acordando."
Seria mais engraçado se eu tivesse falado alguma palavra.
Quando eu estalei meus dedos, imaginei as vampiras acordado, como se estivessem acordando de uma noite de sono. Respondendo aos meus pensamentos, ouço um gemido de protesto das duas, e os olhares de todos se voltaram em mim. Dei um meio sorriso.
– Você...? – Elena alternava o olhar em mim e na amiga que estava se levantando, arrumando o cabelo. A pergunta morreu, e eu fiz que sim na cabeça.
O silencio reinou na sala. Todo mundo estava assustado com o meu poder; até eu estava parcialmente assustada. Mas tinha um lado da minha cabeça que estava acostumada com isso, não sei por quê.
O silencio durou pouco, pois Bonnie entrou na mansão dos Salvatore, com um antigo livro. Ela ia colocar o livro na mesa, mas ela estava cheia de copos.
– Ah, opa – disse, imaginando os copos desaparecendo. Em um milissegundo, nada mais estava em cima da mesa. Meio atordoada, Bonnie colocou o livro na mesa. Lembrei do que eu ganhei da minha avó. – Eu ganhei um assim – falei, ganhando a atenção da bruxa.
– Como assim? – ela disse
– Ontem. Minha vó me deu. Bom, não literalmente, porque ela não estava em casa, mas o pacote estava em casa, mas minha mãe jogou fora, mas apareceu no meu quarto, e tinha um bilhete, e é da minha vó, e ela escreveu que...
– Só traz o grimório pra cá – resmunga Katerina.
– o que? – A voz da Amanda soa, nos meus ouvidos. Fecho os olhos.
– Grimório. Esse livro ai que nem o da Bonnie – falo. – eu não lembro como ele é, não consigo trazer ele pra cá.
– Eu vou buscar então – Amanda começa.
– Acho que isso não será preciso – uma voz aparece, atrás de todo mundo. Todos se voltam para encarar a dona da voz, e minha mente se dá um nó. A única coisa que falo é:
– Vó?
