Parte 7



Nem lembrara mais quando que retirara a camisa do amigo... Já havia se alimentado uma, duas, três, varias vezes esta noite, suprindo completamente a fome que sentia. Sempre se alimentava ao máximo, até arrancar um ultimo suspiro desejoso antes de Yami desmaiar sem forças e energias em seus braços, portando sempre um misterioso sorriso nos lábios.

Estava adorando vê-lo assim, tão entregue a suas mordidas, seus pequenos carinhos, já até escutara quase sempre este pedir por mais. Mais fundo. Mais forte. Mais toques... Toda vez que escutara um desses suspiros desejosos, fazia prontamente o que lhe era pedido, sentindo-se estranho pelos ofegos que saiam da boca do amigo.

Aquela noite não teria folga, Yami não o deixaria dormir, até que estivesse tão fraco que não pudesse mais tomar o corpo de Cain. Porem Veck sabia que o demônio que possuía seu amigo era inesgotável, provavelmente só descansaria ao amanhecer, quando Cain começasse a acordar de seu doce sonho.

Não reclamaria. A energia que drenava com todo prazer era muito mais deleitosa do que se estivesse com alguma elfa daquela vila. Sabia que estava viciado naquilo, muito mais do que um vampiro completo teria seu vicio por sangue.

Estava viciado em Yami e Cain.

Yami com aquele jeito resmungão, com olhar malvado, mas extremamente tentador, levando-o a não pensar em nada, deixando-se levar às vezes, dando completamente o controle para o outro. Fazendo suas vontades.

Já Cain, tinha um jeito mais brando, doce, que o fazia querer proteger aquele garoto, tão mais novo que si. Tinha sempre que ter consciência do que falava perto deste, pois apesar de ser um garoto forte, sabia muito bem que este vivia com o medo.

O medo de se transformar em um monstro. Medo de Yami, mesmo sem conhecer a existência deste. Medo de este tomar completamente seu corpo. Medo de perder a sanidade e matar entes queridos, amigos, amores...

Veck deitado ao lado de Cain em sua cama, apenas via o amigo dormir, como se quisesse assegurá-lo de sua presença. Olhava-o ternamente, notando que este parecia um anjo repousando em uma cama larga daquele quarto que dividiam no qual ainda possuía a sua cama ao lado desta.

Observava aquele corpo descansar, em um jeito calmo e sereno de Cain. Mas sabia que Yami ainda podia tomar novamente o controle do amigo, já que este dormia sem as protetoras algemas que selavam o demônio em quanto Cain poderia dormir, relaxar.

Já fazia algum tempo dês que se alimentara de Yami novamente, horas talvez. Estava deitado ao lado, velando o sono do amigo, aguardando o inesgotável demônio que o possuía reunir forças para despertar.

Esperava, mesmo que não necessitasse de mais energia, apenas esperava as marcas voltarem a aparecer lentamente, uma a uma pelo corpo esbelto do amigo, indicando que logo Yami despertaria e teria que acalmá-lo da forma que sabia. Mordendo-o até drenar todas as suas forças. Para vê-lo desfalecer sem seus braços, soltar suspiros de entrega, e alguns gemidos meio roucos pelo prazer que sentia ao ser mordido.

Veck se maravilhava sabendo que o demônio que possuía Cain parecia tão recíproco a ser mordido nesta noite, apesar de estar estranhando isto também. Yami parecia tão fogoso quando acordava, que logo lhe lançava um olhar com um brilho que às vezes lhe dava um tremor. Parecia um daqueles olhares que recebia de seu Mestre.

Assim que este despertava, domava-o. Não dando chances para este fazer nada. Apenas apertava-o em seus braços, usando o peso de seu corpo para mantê-lo imóvel, submisso. Vez ou outra, notava este tentar se soltar, mas logo conseguia acalmar a fera. Estava simplesmente adorando fazer isso...

Atrevia-se a brincar um pouco com os cabelos tão negros do amigo, notando a maciez destes, e como tinham um cheiro meio suave, dando-o vontade de chegar mais perto e inalar por bastante tempo. Mas conteu-se.

Sua mão desviou do cabelo para o rosto, tão sereno, acariciando levemente a bochecha na qual tinha mordido há alguns dias atrás. Fora tão lindo o som que escutou de Cain que até se espantou-se quando fora ouvido. Aquela voz melodiosa ainda ecoava em sua mente...

Deslizou seus dedos do rosto para o pescoço, acompanhando todo o trajeto com seu olhar esverdeado, concentrados no que fazia. Aplicando uma força ínfima em seus dedos para não acordar o amigo, fazendo apenas ser um toque suave tal qual de uma pluma.

Passava seus dedos pelo pescoço branco, sentindo a maceis e a quentura da pele indo de encontro a seus dedos. Sorriu, lambendo seus lábios, pensando em macular aquele pescoço novamente. Como já fizera tantas vezes essa noite.

Só de pensar que ainda teria no mínimo mais duas semanas Yami dessa forma, fazia seu corpo tremer, antecipando tudo que aconteceria. Sabia que o demônio era sempre tão bonzinho a ponto de se deixar morder toda a noite. Tinha tido lutas, brigas, xingamentos. Tudo que gostava, em um desejo meio mórbido, não negava.

Suspirou, descendo seus dedos pelo peito do amigo, em uma caricia meio ousada, admitia, mas já via as marcas começando a surgir. Curiosamente passava seus dedos por cima destas, vendo lentamente estas ficarem mais fortes, deixando o corpo do amigo em uma beleza exótica de tão rara.

Via o rosto tão outrora sereno, mudar de expressão para uma mais misteriosamente erótica.

Veck retirou rapidamente suas mãos do amigo, sentado-se ao lado deste. Estranhando a si mesmo, seus atos e principalmente seus pensamentos em relação ao amigo e ao demônio que o possuía.

Talvez estivesse ficando louco. Talvez aquela energia o estivesse fazendo mal. Ou poderia ser outra coisa que não conseguia identificar no momento. A única coisa que vinha em mente era a palavra "fascínio". O fato é que ultimamente se pegava pensando tais coisa sobre os dois, e até agora não havia achado a resposta para isso.

Esperou, até que viu o olhar ametista lhe observar. Yami acordara, reposto da perda de energia da ultima mordida. Este espreguiçava-se na cama, tal qual um felino, de uma forma bem manhosa, como se ainda buscasse forças para fazer algo.

Veck apenas ficou mudo, esperando ver qual seria a reação do demônio. Talvez fosse bom deixá-lo ficar mais um pouco de tempo, em vez de pular logo em cima deste, e morde-lo. Após algum tempo, pode ver um sorriso malvado em seus lábios, e aquele olhar que lhe lembrava muito o de seu Mestre. Não pode evitar tremer.

"— Frio? " – perguntou Yami sarcasticamente, olhando fixamente para Veck.

Yami sorriu, vendo a reação do meio-vampiro. Olhou discretamente para a janela do lugar, vendo por ela que a noite lá fora acabaria em poucas horas. Essa seria a ultima vez que teria forças para despertar. Então brincaria um pouco.

"— ... "

"— Eu que estou sem camisa, e és tu quem tens frio? " – indaga maliciosamente, sentando-se na cama também.

Veck suspirou. Aquele olhar... Aquele olhar fazia tantas coisas passarem por sua mente, que quase não conseguia colocar os pensamentos em ordem. Nunca entendeu como aquele olhar malvado, pairando malicia podia-o sempre deixar assim...

Talvez agora notasse o que o atraia tanto em Yami, alem de sua beleza. Seu olhar, aqueles olhos que apesar de serem os mesmos de Cain, exibiam tanta luxuria que brilhavam sempre em um brilho próprio. Muito diferente do reluzir inocente que o amigo possuía.

Cain era tão diferente, mais doce... Mais fofo. Via-o como uma criança, pois mesmo este tendo seus dezoito anos, em compararão a si, que já tinha quase trezentos e cinqüenta anos, ele é apenas um garoto. Realmente a diferença de idade era enorme.

Mas por outro lado, aquele jeito maduro do Yami, de quem já viveu varias reencarnações, o fascinavam. Não sabia ao certo quantos anos aquele demônio estava preso a maldição. Todavia não queria indagar tal fato.

Notou o olhar ametista em sua direção, encarando-o com aquele brilho, que para si, já era muito familiar. Lembrava até o seu mestre... Como se o olhasse por inteiro, como se desejassem seu corpo, sua alma.

Tremeu novamente, tendo como resposta um risinho safado de Yami, só de lembrar seu Mestre fazia-o tremer de medo. Todavia, agora que se lembrou deste, tinha se recordado de uma descoberta recente, que talvez fosse melhor ser dita agora, para evitar futuros aborrecimentos.

"— Yami, tenho algo para lhe contar, antes que acabe sabendo por outra pessoa... " – começa a falar Veck, tomando completamente a atenção do outro "— Acho que o vampiro que te matou da ultima vez era meu Mestre. " – avisa.

"— Aquele maldito... " – sussurrou Yami praguejando algo, contendo-se "— E o que isto tem haver com o atual momento? " – reclama, enfurecido.

"— Nada... "

"— ... "

"— Só achei que era melhor avisar. "

"— ...Minha vontade é de sair matando tudo que vejo pelo caminho... " – avisa, dando um suspiro aborrecido "— Mas a maldita bondade de Cain está me influenciando muito... "

"— É Cain é extremamente bonzinho... Dá vontade de ficar cuidando dele... "

"— Hunf! "

"— O que foi dessa vez? " – perguntou, vendo a cara de raiva do outro.

"— Você está comigo agora, não está!? " – reclamou, parecendo realmente zangado.

"— Estou. Mas não entendi a sua súbita mudança de humor. "

Yami olha com raiva para Veck, antes de pular em cima deste, prensando-o na cama, segurando com força as mãos deste ao lado da cabeça. Praguejando mais alguma coisa, bem baixinho.

Não entendia em como aquele vampiro poria ser tão burro. Ou então esse se fazia de sonso, só podia ser. Era impossível não notar o óbvio... Ou era?

Odiava sentimentos humanos, principalmente quando estes começavam a interferir em sua personalidade. Queria tanto estraçalhar o vampiro em baixo de si, dilacerá-lo vivo, arrancar seus membros, e fazer tudo isso bem lentamente. Queria tanto ver a cara de dor que este faria, seria linda em absoluto.

Porem não conseguia fazer nada disso... Muito pelo contrario até...

Odiava Cain por tal sentimento que acabou impregnando sua alma também. Riu alto, tendo o olhar esverdeado em sua direção, atômico pelo que estava acontecendo. Adorava vê-lo assim, apesar de ser poucas vezes.

Queria lutar, duelar, matar, estripar, e quando fizesse isso tudo, recomeçaria novamente. Era um demônio, desejava isso, sua alma clamava por isso... Porem seu corpo reagia estranhamente com aquele maldito vampiro perto de si.

Queria tanto...

Seria tão mais fácil se este parasse de joguinhos, e mudasse sua decisão. Ultimamente até estava tentando isso, fazê-lo mudar de escolha... Tentou até o ajudar quando este ficou preso naquele sonho na floresta.

Porem não conseguiu. Quem o ajudara fora Cain.

"— Por que por mais que eu tente me comportar, sua decisão não muda!? " – reclama Yami, prendendo-o com mais força.

"— Que decisão? "

"— ... "

"— Diga-me, o que eu decidi? " – pergunta Veck, com tranqüilidade, tentando arrancar o que estava deixando o demônio naquele estado.

Não entendia por que aquele demônio voltava a falar isso. Não sabia o que tinha escolhido, nem sabia o que escolher. Em todo, tentava entender, o que sempre fazia aquele demônio perder o controle.

"— Não finja que não sabe de nada... "

"— Mas eu realmente não sei do que estais a falar. "

"— Hunf! " – bufou enraivecido "— Tu és um tolo... Assim como eu sou. "

Yami direcionou seus lábios para o pescoço de Veck, beijando levemente aquele local, passando em seguidas seus dentes por este, sentindo um remexer no corpo em baixo de si. Sorriu, para logo depois morder de forma tão forte que até cortou a pele.

"— Aahh! " – gemeu de dor, tentando se esquivar da mordida "— O vampiro aqui sou eu! " – exclama.

"— Quieto! "

Ainda sobre o controle de Veck, Yami deitou-se mais em cima deste, não ligando para a cara séria e raivosa que este fazia agora. Apenas lambeu o pescoço mordido, primeiro levemente com a ponta da língua, apenas brincando com o sangue que manchava aquele lugar, mas depois suas lambidas começaram a ser sôfregas.

Gostava daquilo. Adorava sangue, a cor deste, o cheiro, mesmo não sendo um vampiro, apenas gostava por gostar, em um fascínio mórbido. Alem disso, aquela pele em contato com sua língua, que serpenteava por todo o lugar, fazia-o ter uma satisfação enorme.

Queria tanto...

"— Pare... " – pediu Veck, virando o rosto, por estar meio vermelho.

"— Então me faça parar... " – falou, mordendo novamente com força o lugar, pois por causa da regeneração já estava quase todo cicatrizado "— Me dome. "

O corpo de Veck tremeu fraco, mas perceptível. Só em ouvir a ultima frase dita de forma rouca pelo demônio que dividia o corpo com seu amigo. Tentou se remexer, querendo reverter àquela situação, mas tudo o que conseguia com isso era se esfregar mais no corpo em cima de si.

"— Ahm. "

Veck parou, ficou atômico, aquilo que teria escutado não poderia ser um gemido... Ou poderia? Talvez estivesse só escutando coisas demais, já que estava com um pouco de sono, por ficar a noite toda se alimentando exclusivamente de Yami. Realmente escutara coisas demais.

Sentia as lambidas em seu pescoço mais afoitamente, se remexeu um pouco mais tentando esquivar novamente. Não conseguiu. Aquele demônio conseguia ser realmente muito forte quando queria.

Tentou soltar suas mãos, não tendo sucesso. A única coisa que conseguiu fora que Yami segurasse os seus pulsos com apenas uma de suas mãos, prendendo-as em cima de sua cabeça.

Aquilo estava ficando estranho...

Tentou raciocinar o que estava se passando pela mente do demônio, mas perdeu completamente a razão, quando sentiu unhas bem afiadas fincar-lhe no peito, por cima de sua roupa. A mão livre de Yami puxou com força suas garras, fazendo a roupa rasgar, acompanhando também de um filete de sangue que escorria pelos ferimentos.

Veck gemeu, não pode suportar calado, não que aquilo tenha lhe doido horrores, mas simplesmente não conseguiu evitar em deixar que um gemido meio alto escapasse de seus lábios. Olhou atômico para Yami, querendo alguma resposta do por que fizera isso.

Tudo o que conseguiu fora ver este sacudir a cabeça, retirando alguns fios de cabelo que lhe cobriam a visão, alem de testemunhar este lamber os lábios, de forma lenta, como um predador adorando brincar com a caça do dia.

Aquilo realmente estava ficando estranho!

Olhou então para si, para o local no qual o outro tinha lhe rasgado a roupa. Notou que não tinha mais machucado no local, sua regeneração já tinha cuidado disso. Porem ficou raivoso ao ver que uma roupa das quais gostava estava rasgada e suja de sangue. Tinha que fazer o outro parar logo, ou sabe se lá o que este faria.

Mudou de tática então, tentando convencer o demônio em cima a solta-lo, respirou fundo, tentando falar com uma voz calma e controlada.

"— Yami... Me solte. "

"— Já disse para ficar quieto. " – avisou, voltando a morder o pescoço do outro, porem de uma forma mais suave.

"— Você não é um vampiro, não adianta ficar me mordendo. "

"— Mas você mordeu Cain. "

"— Eu não o mordo toda a noite? "

"— NÃO! " – avisa irritado, parando o que fazia e fitando raivoso os olhos de Veck "— Você morde a MIM! "

O meio-vampiro apenas olhava, tentando achar o motivo de tanta raiva. Afinal, o corpo era de Cain, e Yami apenas habitava como um parasita este, drenando suas forças até que estivesse forte o suficiente para matar o hospedeiro e tomar o corpo só para ele.

Perguntou-se por um instante, o que aconteceria se conseguisse livrar o amigo dessa maldição. Não queria perder Yami, ele era uma fonte de alimento tão boa... Tão maravilhosamente dominadora.

"— Tudo bem... Eu mordo você. " – comenta "— Mas quando que eu mordi o Cain, então? "

"— Lá naquele hotel... " – resmungou em um muxoxo.

"— Aquilo não foi uma mordida. Foi só para animar mais o Cain. "

"— Sei muito bem como aquilo o animou... " – resmungou mais.

"— Você sabe, ele ter recebido aquela noticia abalou-o muito por dentro... "

"— Hunf! "

"— Agora... Yami, por favor, me solte. " – pediu, severo.

"— Mas terá que fazer um favor então. "

"— Favor? Você pedindo favores? "

"— Quer que eu saia fazendo churrasquinho de elfas!!? " – avisou.

"— Calma, elas não fizeram nada... " – comenta.

"— Então quer que eu fique te mordendo!? " – avisou mais.

"— Pode dizer o que queres... " – falou Veck "— Talvez eu faça. "

" 'Talvez'? " – pensou com raiva "— Tire aquela coisa loira de perto de mim. "

"— 'Coisa loira?' "

"— Aquilo que vive grudado a ele... "

"— Hahahah, tens medo que o Guille faça algo com Cain? " – pergunta, achando graça.

"— Você não tem? " – Yami fala, de modo serio.

"— ... " – Veck fica mudo.

Realmente, Guille não era flor que se cheire. Apesar de que seus sentidos de vampiro não alertassem nada contra este, ainda assim tinha um certo receio em confiar neste. Aquele garoto possuía algo de estranho, isso tinha certeza, era como se tentasse ocultar algo.

Porem, aparentemente, este parecia um livro aberto. Sempre que Cain, por curiosidade, perguntava algo do passado deste, este respondia sem deixar duvidas. Já sabia de quase toda a vida daquele loiro, de tanto que este falava de si. Um passado meio sujo, mas isto não era culpa deste.

"— Não confio naquele garoto... " – comenta Yami.

"— Tudo bem, vou tentar, mas duvido muito que Cain queira deixar o 'novo amigo' para trás na jornada. "

"— Não ligo. Mate-o, se for necessário. "

"— ... " – Veck tentou se libertar sozinho novamente, não conseguindo "— Agora... Poderia fazer a gentileza de sair de cima de mim...? " – pediu novamente, tentando ao máximo não gritar com o outro.

Já estava sem paciência, não queria mais brincar daquele joguinho, queria logo morder fincar com força suas presas, subjugando-o. Lentamente notou o aperto que prendia seu breco soltar-se.

Sorriu, sentindo o outro afastar-se um pouco de si, sentando-se um pouco abaixo de seu abdômen. Porem estranhou este abaixar a cabeça como se não querendo encará-lo. Conseguiu sentar-se, estranhando, mas não reclamado, quando Yami enlaçou as pernas em volta de sua cintura, em quanto estava sentado em seu colo.

"— Não queria que esta noite acabaçasse... " – sussurrou Yami, abraçando o pescoço de Veck

"— Você está bem...? " – perguntou meio preocupado.

Aquilo poderia ser uma reação por ter sido mordido tantas vezes em uma só noite, sentia o corpo do amigo estranhamente quente, em quanto este se aconchegava mais para perto de si.

Não queria admitir, mas aquela sensação era muito boa...

"— Me abraça... " – pediu o moreno, extremamente baixo, de modo rouco.

"— Como...? " – realmente não tinha escutado direito a frase.

"— Me morde. " – falou mais alto.

"— Você tem certeza que está bem...? " – indagou novamente.

Os dois estavam realmente próximos, Yami com o rosto abaixado, não querendo revelar nada. No entanto Veck levou suas mãos as costas desnudas deste, notando um estranho estremecer.

"— Se me morder agora... Não vou mais despertar... Cain acordará logo mais tarde... " – comentou, com uma voz meia triste.

"— Yami... "

Veck realmente não sabia o que fazer, aquele demônio a sua frente parecia tão frágil porem tentadoramente dominador ainda. Suspirou fundo, levando uma mão ao queixo deste, levantando, obrigando-o a encará-lo.

Surpreendeu-se com o olhar faminto que vinha do outro. Parecia o de um predador enjaulado, ansiando sua liberdade. Sorriu, aproximando-se daquele rosto.

"— Veck... " – Yami falou, tentando abaixar o rosto novamente, porem não conseguiu.

"— Calma, vou te dar um presentinho antes... " – comentou.

Aproximou-se lentamente do rosto do outro, chegando bem perto, mordeu-lhe a bochecha, tal qual fez com Cain há uns dias atrás. Porem mordeu mais forte, fazendo cortar a pele com seus caninos que estavam grandes.

Não conseguiu evitar em sorver um pouco do sangue dali, era tão tentado. Sentiu um audível gemido de dor, escapar pelos lábios do demônio, porem parecia na verdade um alto gemido.

"— Ve-Veck... " – gemeu baixo, afastando o outro de si "— Me morde logo... Antes que eu faça uma besteira... " – pediu.

"— Como assim? " – indagou, lambendo os lábios.

"— APENAS ME MORDA! " – exclamou com todo o ar dos pulmões.

"— Tu-tudo bem... "

Veck olhou estranho para o demônio, que permanecia com os olhos fechados firmes, em quanto mordia o lábio inferior. Era até uma bela cena, mas logo voltou seus olhos para o pescoço a frente.

Não esperou um segundo pedido, ou ordem, simplesmente cravou fundo suas presas no pescoço com algumas inscrições. Não demorou a escutar um gemido alto de Yami, e este lhe abraçar mais forte.

Sentia que o demônio não possuía mais muita força, realmente parecia que o tempo que este conseguiria ficar 'desperto' estava se acabando. Fora só tirar um pouco de energia, que sentiu este mais mole em seus braços.

Parou de morder, vendo que as marcas já estavam desaparecendo.

"— Obrigado... " – murmurou Yami próximo ao ouvido de Veck, extremamente sonolento.

Ainda teve forças para dar um beijo na bochecha deste, antes de desmaiar em seus braços.

Veck olhou com adoração, a criatura a sua frente dormindo tão profundamente... Tirou-o de seu colo, colocando-o na cama e ajeitando as cobertas em cima do amigo. Não queria que este pagasse algum resfriado por ficar sem camisa quase a noite toda.

Pensando bem, talvez não tenha sido uma boa ideia tê-la tirado... Nem se lembrara o porquê ter feito tal coisa...

"— Você hoje deu bastante trabalho... " – murmurou Veck, de maneira doce, retirando alguns fios de cabelo do rosto do amigo "— 'Vocês dois' sempre dão trabalho... Mas eu gosto. "

Deu um suspiro, levantando-se da cama do outro, e rumando para a sua. Queria muito dormir, ficara a noite toda acordado. Quando pensava que podia tirar um cochilo, Yami despertava.

No entanto, fora uma ótima e deleitosa noite. Olhou para sua roupa, vendo o estrago que o demônio lhe causara. Talvez nas próximas noites, fosse melhor que ficasse sem camisa, assim não teria o risco do demônio acabar rasgando esta...

Na conta, já tinham quatro camisas rasgadas. Talvez fosse a melhor opção mesmo...

Jogou-se na cama ao lado, dando um bocejo ante, de aconchegar-se no leito e dormir profundamente. Completamente saciado de energias... E até atreveu-se a tomar um pouco da sangue...

---X---

Lentamente Cain se espreguiçava na cama, acordando de seu doce sonho. Ultimamente dês que começara a ficar na vila estava tendo sonhos ótimos, e acordava de um excelente humor e disposição.

Olhou para o lado, Veck dormir pesadamente na cama, levantou-se rumando o armário, pegando uma muda de roupa e indo para o banheiro, tomando um belo banho, saindo de lá vestido e secando os cabelos com uma toalha.

Após isto, olhou melhor para a cama do amigo, dirigido-se para esta, sentando-se na borda, sacudindo lentamente o ser que estava repousando.

"— Bom dia Veck. " – falou animado.

"— Ahhw Cain... Me deixa dormir só mais um pouco... " – falou ainda sonolento, aconchegando sua cabeça na coxa do amigo.

"— Vamos, não é educado dormir de dia na casa dos outros. " – argumenta.

Porem Veck nada fez, apenas aninhou-se mais no amigo, dormindo mais profundamente ainda, se sentindo de alguma forma protegido. Já Cain, não teve escolha, ficou lá, acariciando os cabelos muito longos e prateados do outro, velando-o um pouco no sono.

Estranhava que diferente dele, de manhã Veck estava meio cansado, como se ficasse a noite inteira acordado. Já até tinha perguntado para este o motivo de tanta preguiça ao acordar. Porem tudo o que escutou fora desculpas esfarrapadas...

A única coisa que lhe via em mente era que o amigo estava indo se encontrar com as elfas da vila, afinal estas eram realmente muito belas.

Apenas ficou lá, com o outro com a cabeça em seu colo, dormindo sossegadamente. Olhava fixamente para os lábios deste, por algum motivo sentia tanta saudade de prová-los novamente... Notou que alguém entrara em seu quarto, e levantou o olhar para ver quem era.

"— Que cena... " – falou Guille, olhando o jeito no qual os dois estavam.

"— Na-não é o que você está pensando... " – falou, extremamente vermelho.

"— Mas eu não pensei nada Cainzinho. " – fala o outro, de modo meloso "— Eu fiz um ótimo café para nos. " – avisa sorridente.

"— Mas, o Veck está com sono... Eu já tentei acordá-lo. "

"— Deixe-o dormir... Ele ficou a noite toda fora. " – comentou, sorrindo doce.

"— Ficou...? "

"— Sim, mas, por favor, não conte a ele que eu disse isso. " – pediu, juntando as mãos e fazendo uma carinha angelical.

"— Certo então... Talvez ele precise realmente descansar então. " – fala, retirando a cabeça de seu colo, de modo gentil "— Quando ele acordar, pode tomar o café então... "

"— Venha, fiz um café da manhã delicioso... Eu não agüento mais a companhia daquelas elfas... " – comentou, vendo o moreno se levantar da cama de Veck para chegar mais perto "— Elas ficam andando... E 'aquelas coisas' grandes ficam saltando... " – reclamou de modo divertido.

"— 'Aquelas coisas'? " – indagou Cain.

"— Sim, sim. " – responde alegre, guiando o outro para a cozinha "— Aquelas coisas grandes e redondas... Por que não tem homens nessa vila? "

"— Ahh... " – Cain percebe do que o loirinho estava a falar, e fica vermelho "— Disseram que o Elfos, ficam em outra vila... "

"— Deve ser o paraíso lá... " – comenta, sonhador.

Chegaram a cozinha, um local amplo e muito belo, enfeitado com as mais diversas flores. Guille fazia a questão de colhe-las todo dia, para encher a casa com vários aromas diferentes. Dizia que era relaxante.

"— Sente-se Cainzinho, já trago algo para você comer. " – fala sorridente, apontando para uma cadeira próxima a mesa.

"— Não precisa de ajuda? " – indaga, de modo educado.

"— Não, não. Cainzinho é um príncipe. Então fique quietinho e deixe que eu cuido de você. "

Cain sorriu, era divertido estar em companhia ao loirinho, sentia-se mimado novamente. Coisa que dês que tivera que empunhar a espada amaldiçoada tinha acabado. Pois de uma certa forma, fora até expulso de seu reino...

Olhava lentamente ao redor. Era uma bela casa na qual os três estavam vivendo temporariamente. Já estavam a mais de uma semana vivendo ali, e os dias tinham passado rápido, quase sem se sentir. Porem eram repletos de tranqüilidade.

As elfas da vila o recebiam sempre alegres, tanto que até o deixava envergonhado. E o lugar era muito belo, sempre rodeado por natureza e paz. Sentia-se tranqüilo naquela região.

"— Está aqui. " – melodiou Guille, saindo da cozinha, com um avental rosa e com duas bandejas "— Nosso café, Cainzinho. " – falou, piscando um olho para este.

"— Obrigado. " – falou educado.

"— De nada. " – sorriu, pondo as bandejas na mesa.

"— Nossa, quanta coisa. " – fala alegre, vendo vários tipos de pães e doces.

"— Eu já trabalhei de cozinheiro, nas horas vagas, para um de meus Patrões. " – fala meio exibido, pois sabia que sua comida e realmente ótima "— Ele adorava tanto que até me dava um presente. Este fora um dos poucos que era gentil... " – falou animado.

"— O que ele dava? " – indagou curioso.

"— Hum... Cainzinho, melhor você não saber... " – comenta de modo levado, sentado-se na mesa.

"— De-desculpe, não quis ser atrevido. "

"— Não é nem por esse o motivo... " – fala, pegando alguns doces da mesa e colocando em um pires perto de si "— Mas acho que o morcego me mataria se eu contasse coisas demais... " – fala sorridente.

"— Tudo bem, deixamos isso de lado então, vamos aproveitar o café. " – fala Cain, imitando o gesto do loiro, e escolhendo alguns pães.

"— Cainzinho, depois vamos colher algumas ervas, seria bom fazer um chá para a tarde. " – pediu meloso.

"— Claro, acho que o Veck, pelo jeito demorará a acordar... " – falou meio desanimado.

"— Oba! Obrigado Cainzinho! " – fala radiante.

Ambos tomaram seu desjejum, conversando alegremente sobre coisas banais, aproveitando a companhia um do outro.

---X---

"— Bom dia Cain!!!" – falou um trio de elfas, saltitando para perto deste.

Como Cain havia prometido, estava acompanhado o loirinho a colher algumas ervas pela vila, a por onde passava sempre aparecia uma ou outra elfa que lhe cumprimentava, muito eufórica.

Já estava até se costumando com isso, mas pelo jeito do Guille, que teimava em se esconder em suas costas, quando uma das elfas chegava mais perto, parecia que este não se acostumara com aquilo. Afinal, ele era tímido com elas...

"— Muito bom dia para as senhoritas. " – falou cortes, sorrindo doce para estas.

"— Ohhh! " – estas quase desmaiaram, mas se afastaram depois, murmurando alegremente entre si.

"— Era por isso que não queria vir sozinho... " – comenta o loiro, saindo de trás do moreno "— Essas coisas que balançam quando elas saltitam... "

Cain fica vermelho, realmente as elfas daquela vila eram bem 'dotadas', e ainda saltitavam muito... Não tinha como não olhar para tal lugar... Por mais culto e educado que fosse...

"— Elas são gentis, só querem fazer com que nós nos enturmemos. " – comenta Cain, voltando a andar.

"— Conheço muito bem esse tipo de mulher... " – comenta, andando atrás.

"— Como assim? "

"— Uma vila só de elfas, sendo que os machos da espécie estão em outra... Elas devem estar desesperadas... "

"— Desesperadas para o que? " – indaga mais curioso.

Guille da um sorriso lindo. Achava extremamente fofo e por demais tentador a ingenuidade de Cain. E queria muito conservá-lo assim por bastante tempo, por isso não era bom deixá-lo sozinho perto daquelas elfas. Afinal, elas poderiam acabar 'estragando-o'...

"— Nada Cainzinho. " – fala sorridente, dando um beijinho estalado na bochecha deste "— Vamos por ali " – aponta "— Acho que de manhã quando eu colhi as flores, eu vi ervas por perto... "

"— Certo. " – Cain nem se importou pelo beijo, já estava acostumado ao modo do loiro mostrar amizade.

---X---

"— Hum... Cain...? " – chamou Veck, finalmente acordando de seu sono "— Bom dia... " – murmurou, esfregando os olhos.

Estranhou ao não receber a reação alegre do amigo. Abriu os olhos sentando-se na cama, vendo que estava sozinho no quarto. Aquilo era estranho, pois o amigo sempre tentava acordá-lo para tomarem café os três juntos.

" Será que ele já está tomando...? " – pensou, levantando-se da cama.

Olhou para si, primeiro teria que trocar de camisa... Foi ao armário escolheu uma roupa bem atraente e rumou em seguida para o banheiro. Banhou-se e se arruou.

Saindo de lá vestindo uma calça preta bem justa que parecia ser similar a couro, só que era mais maleável. E por cima estava a usar uma bela camisa longa toda verde, com detalhes em prata, dando um ar elegante e belo a si.

"— Perfeito. " – murmurou atrevido, dando uma voltinha par ver como estava "— As elfas vão ficar loucas. " – comentou, começando a pentear o cabelo.

Levou algum tempo, mas deixou-o extremamente belo, a única coisa que o estava incomodando era que as pontas de seu cabelo estavam levemente vermelhas, mas era quase imperceptível. Devido ao pouco sangue que absorvera de Cain.

Suspirou, o que tinha feito não poderia ser concertado, mesmo por que não era algo tão grave assim. Seus olhos nem mudaram de cor, continuavam com um brilho extremamente esverdeado.

Guardou a escova e foi em direção a cozinha, para acompanhar os outros dois no café. Porem assim que chegou não os avistou. Olhou a louca suja, era óbvio que eles já tinham feito seu desjejum.

Era curioso, Cain pelo máximo que dizia que queria dormir, sempre o esperava um pouquinho mais para acordá-lo, por que queria sua companhia à mesa. Porem dessa vez parece que o amigo o tinha deixado para trás, e saído com aquela coisa loira pela vila.

"— Isso deve ser obra do loiro... " – comentou, lembrando do pedido de Yami "— O que será que aquela coisa está tramando? "

Suspirou, passando a mão pelo cabelo, retirando alguns fios prateados de sua vista. Olhou para a mesa, ainda possuindo o café da manhã nesta. Apenas deu de ombros, afinal, estava mais que cheio de tanta energia.

Agora tinha outra coisa para resolver, tinha que saber aonde que Guille havia levado o ingênuo Cain... Não que não confiasse no amigo, mas era capaz de Yami acabar atacando-o novamente à noite, se não fizesse o pedido dele. Parecia que pelo menos uma parte de Cain, tinha juízo.

" Para aonde eles foram...? " – pensou, saindo da casa e dando uma boa olhada ao redor.

Assim que pôs os pés para fora, pode ver a reação das elfas daquela vila. Adorava provocá-las. Tanto que quando esteve morando uns tempos na vila, junto com Luna, esta quase não desgrudava de si.

Ela sabia muito bem o que suas companheiras de espécies podiam fazer. Todavia agora, podia aproveitar bastante, ver qual seria a reação destas. Seria muito divertido.

Andou lentamente, de modo elegante pelas ruas da vila, olhando tudo a volta, tentando achar o loiro desmiolado e o moreno acriançado. Sorriu sedutor quando viu três elfas saltitando para sua direção.

"— Olá meninas. " – cumprimentou, sorrindo para as três.

"— Vectorius... " – chamou uma, toda alegre "— Como estais lindo hoje. "

"— Fico lisonjeado, minha dama. "

"— Vocês dois sempre estão lindos... " – fala outra elfa "— O Cain também estava de tirar o fôlego. "

"— Serio? " – falou, rindo alegre em seguida pelo sucesso que o amigo estava fazendo na vila "— Mas eu sou mais bonito, não é, meninas? " – provocou, jogando o cabelo para trás, de modo sedutor.

"— Sim! " – exclamaram as três elfas juntas.

"— Fico contente então. " – avisa, sorrindo "— Mas por acaso, alguma das três viram Cain? " – indaga em seguida.

"— Vimos sim. " – avisa uma.

"— Ele estava com aquele outro garoto loiro. " – comentou outra.

"— Achamos ate estranho que eles foram em direção às muralhas... " – fala a terceira.

"— As muralhas? " – estranha Veck "— Tudo bem, obrigado minhas damas, mas agora tenho que ir atrás daqueles dois. " – avisa, despedindo-se, dando uma piscada para elas.

"— Ohhh! "

As elfas tiveram que se segurar uma nas outras, para não cair, ente ao gesto de Veck. Este por outro lado, adorava saber que ainda tinha o poder de fascinação nas pessoas. Poder este, que infelizmente levou a tragédia toda a sua vida.

Suspirou, afastando qualquer pensamento ruim de sua mente. Já lhe bastavam os pesadelos seguintes que havia tendo com seu Mestre. Achava até estranho tal fato, nunca tinha sonhado tanto com este...

Andou apressado, tinha certeza que havia dito aqueles dois para não se aproximarem das muralhas. Lá o poder do lugar era mais fraco, dando brecas a invasores... Por isso sempre tinham elfas de vigias.

Tudo principalmente por que seu Mestre sabia a localização da vila. Da ultima vez teve que sair as pressas com Luna, pois este quase conseguiu cercá-lo. Se lembrava claramente do fogo que invadiu a vila... E mesmo sendo tudo por sua culpa, as elfas ainda eram extremamente amorosas

Olhava tudo em volta, tentando achá-los em meio a um campo alto de flores. Procurando um pouco mais, conseguiu achar entre as flores uma cabeleira loira, soube na hora que se tratava de Guille.

"— Hei! " – chamou alto, tentando ter a atenção dos dois.

Não conseguiu, acabou por correndo em direção aos dois. Quase teve um infarto quando viu a cena.

"— O QUE!? " – exclamou.

O loiro estava literalmente em cima de Cain, apoiando-se nos braços. Aquela sim, era uma cena que nunca pensou em ver na sua vida...

"— Você está bem? " – indagou Cain, botando a mão na cabeça.

"— ... Estou sim Cainzinho... " – fala, abraçando-se ao outro.

"— Hei coisa loira! Desgruda. O que diabos está acontecendo aqui? " – pergunta Veck, alarmado pela cena.

"— Ai... " – geme de dor Cain, tentando afastar o loiro de si "— Guille acabou de cair... " – avisa.

"— E por que ele 'caiu' em cima de você... E ainda ficando nessa pose...? " – indaga raivoso, olhando para o loirinho, que se afastava.

"— Não pense besteiras, morcego... Cainzinho me salvou, eu poderia ter me machucado. "

"— ... " – Veck dá um suspiro profundo, se recuperando do choque, que nem sabia o por que ter sido tão grande "— Tudo bem, apenas afaste-se dele. " – comentou estendendo a mão para ajudar o moreno a se levantar.

"— Obrigado. " – agradeceu, tento ajuda para se levantar.

Passou a mão por toda a roupa, tirando poeira desta. Vendo que o loirinho fazia o mesmo com a sua. Pelo menos este não haviam se machucado.

"— Agora, posso saber o porquê estarem tão longe da vila, e tão próximos às muralhas? " – indaga Veck.

"— Guille disse que queria fazer alguns chás para de tarde, e me pediu para que o acompanhasse. " – explica Cain.

"— Se queriam isso, poderiam ter pedido a qualquer elfa da vila. " – avisa "— Tenho certeza que elas adorariam ajudar. "

"— Eu não gosto daquelas elfas, morcego. " – argumenta Guille.

"— Pare de me chamar assim... " – resmunga Veck "— Mas isso agora não vem ao caso... Cain não pode se afastar da vila, existem muitos perigos a espreita. "

"— Eu sei me defender Veck. " – avisa o moreno, mostrando em sua cintura a espada amaldiçoada "— Não precisa ser tão protetor. "

"— Isso mesmo, parece que você quer apenas que o Cainzinho fique perto de você. "

"— Apenas me obedeçam. " – avisa de modo autoritário "— Não quero nenhum dos dois andando aqui. "

"— Por que? " – retruca Guille "— Aqui tem lindas flores... "

"— Se você quiser vir, venha. " – resmunga "— Mas não traga o Cain consigo, principalmente sozinhos. "

"— Calma Veck... " – fala Cain, não entendendo o mau humor do amigo "— Não está exagerando, o Guille fez isso com a melhor das intenções. " – argumenta.

"— Cain... " – falou, aproximando-se do amigo, levando sua mão a cabeça deste "— Acredite, eu sei o que estou fazendo... "

"— Tudo bem... " – o moreno abaixa a cabeça "— Então vamos voltar? "

Andaram os dois juntos na frente, em quanto Guille ia atrás segurando uma cesta com algumas flores e ervas. Sorriu travesso, olhando para trás, estavam realmente perto do limite de proteção da vila. Faltava pouco, mas sabia que iria conseguir...

Votou a olhar para frente, com seu típico sorriso alegre no rosto, ocultando qualquer pensamento que se passava em sua mente.

" Falta pouco, eu sei. " – pensou, seguindo os dois.

CONTINUA...

04/06/09


Nota da autora:

Nossa, demorou dessa vez. Desculpem-me. Mas como eu sempre digo, pode demorar um pouquinho, mas eu nunca deixo nada inacabado.

Quais serão os planos do loirinho? Por que parece que aos poucos está tentando afastar Cain de Veck?

Mistériooooo.

Bem, mais um Cap (acreditam que em dois dias eu fiz três atualizações? É quando se está inspirada se escreve muito XD)

Agradecimentos:

Agradeço muito mesmo, aqueles que perguntam sobre o andamento do Prison. Sabe, me enche de alegria, saber que estão gostando.

Por isso, se eu demorar a postar um novo capitulo, podem me cobrar! Encham minha paciência até que eu atualize XD

Obrigada a todos

By: Toynako