Jack e Lizzie não são meus!

Os frades e as freiras sim! hohoho

Fahnny 4ever!


Cap. 7


As pessoas na rua os olhavam desconfiados, não era todo dia que presenciavam um estranho homem moreno com o andar mais esquisito que já viram arrastando pela mão uma moça loira descabelada e vestida de verde, que mais parecia uma mendiga.


Finalmente chegando numa pequena planície um pouco afastada das outras casas do lugar, um prédio de pedra cinza se erguia e dentro dele, estava a torre da igreja.


- Isso é um convento?! – Elizabeth não acreditava que Jack a tinha trazido a um convento.

- Sim, é um convento! – ele sorriu olhando demoradamente a arquitetura colonial do casarão. – O convento de São Francisco é este aqui, o outro lá de cima, depois te mostro, é das irmãs Clarissas!

- Meu Deus! – ela estava abismada. – Um convento Jack?

- O que é que tem?! – ele pôs as mãos na cintura.

- Eu não acredito! – ela suspirou. – Um convento! Convento! – resmungou para si mesma em voz baixa.

- Vamos entrar logo! – ele disse ansioso e se pôs a bater na pesada porta diante deles.


Alguns minutos de batidas na porta e maldições proferidas por Jack, eis que um velho frade grisalho, branco e barrigudo abre a porta e pára boquiaberto ao ver quem era.

- Bendito seja Deus! Johnnie, você ainda está vivo! – ele disse com um forte sotaque. Tamanha era sua alegria que acabou puxando Jack para um longo e apertado abraço.

Jack suspirou e com dificuldade deu-lhe tapinhas nas costas.

- Bom te ver vivo também amigo John!

Ambos riram depois que o frade largou Jack.

Elizabeth estava imóvel observando a cena.

- Johnnie?! – ela repetiu com o sotaque carregado no "nie" como fizera o frade e olhou Jack e sorriu com estranhamento.

- Meu nome de batismo é John, lembra amor? – ele piscou um olho para ela que continuou a sorrir.

- Quem é essa moça, Johnnie? – perguntou o velho curioso olhando uma Elizabeth toda descabelada.

- É minha... minha querida Lizzie! Elizabeth Swann! – Jack segurou a mão dela e depositou um doce beijo em seus dedos finos.

- Swann? A filha do finado governador de Port Royal?! Aquela que dizem que agora é pirata também? Minha Nossa Senhora! – surpreendeu-se o frade que agora não tirava mesmo os olhos de Elizabeth, que se encolheu encabulada e subitamente triste pela lembrança de seu pai assassinado.

- Vamos homem, não vamos falar disso agora e muito menos aqui fora, savvy?! – resmungou Jack vendo o efeito que as lembranças tinham causado na sua querida Lizzie.

- Tem razão! Vamos, entrem! Seja bem vinda senhorita! – disse o velho sorrindo amavelmente para Elizabeth.

- Obrigada senhor! – respondeu ela que se agarrou ao braço de Jack.


Andaram por um longo pátio cheio de árvores frutíferas e bancos de mármore. Parecia um jardim grego. Os pássaros cantavam alegremente e se banhavam nas fontes feitas especialmente para eles. O sol estava forte e muito quente, mas nuvens escuras manchavam o céu de cinza.

Era uma paisagem feliz e pura, pensou Elizabeth com um sorriso nos lábios.


Quando chegaram à frente do prédio onde ficavam os cômodos, era tudo muito lindo e cheio de rosas brancas ao redor, Elizabeth suspirou e cochichou para Jack:

- Aqui é realmente seguro Jack? Esse frade não vai nos entregar?!

- Claro que não! Me conhece desde os sete anos de idade!

- O quê?! Você cresceu aqui?! – ela arregalou os olhos e falou alto.

- Aye amor. – ele respondeu sorrindo.

- Co... co... como assim? – ela gaguejou e o frade a olhava, divertido, devia ser realmente estranho a ela e a qualquer um saber que Jack, um destemido Capitão Pirata, crescera num lugar como aquele. – Oh meu Deus! Você, criado num convento?!

- Vai tirar sarro de mim, Elizabeth? – ele perguntou com as mãos na cintura.

- Não! Eu não, longe de mim, fazer uma coisa dessas! – ela não pôde conter o riso de ironia. – Mas me conte como você cresceu aqui e...

- Depois amor, depois. – ele a interrompeu. – Irmão John, onde essa distinta dama e eu podemos descansar?! – virou-se para o frade num rebolado de fazer rir até a mais triste das criaturas.

- Vão ficar muito tempo? – disparou o velho, que agora estava intrigado sobre a relação entre Jack e Elizabeth. Em se tratando de Jack Sparrow, tudo era muito suspeito.

- Não muito, eu acho, só alguns dias. – disse Jack sorrindo. – Não é amor?

- Eu não sei de nada! – ela disse distraída com a arquitetura da varanda onde estavam agora.

- Ahw! Venham, vamos entrar! – disse John que os levou para a cozinha do convento, que estava cheia de frades e seminaristas que ficaram assustados quando viram Jack Sparrow. – Calma irmãos, ele veio em paz!

Os outros ficaram de olhos arregalados e cochicharam entre si.

- Vem Lizzie. – disse Jack puxando Elizabeth, instintivamente a protegendo dos olhares.

- Fiquem tranqüilos, eles não vão denunciar vocês. – sorriu John quando finalmente abriu uma porta que dava para outro pátio. – Podem ficar sossegados, pois todos eles conhecem a história desse lugar e sabem quem e o que você era antes de sumir no mundo e virar um pirata, Jack Sparrow!

- É mesmo?! – disse Jack feliz pelo frade finalmente chamá-lo pelo nome que ele adora.

- Sim, sim! E durante todos esses anos, somente uma pessoa veio aqui te procurar. – o frade disse distraído com o caminho e Jack ficou ansioso, pensando que Teague viera procurá-lo, mas se decepcionou quando o velho voltou a falar. – Uma vez, uma mulher pequena e negra, com um cabelo esquisito, com dentes esquisitos bateu em nossa porta procurando você e ninguém disse uma palavra! – afirmou o frade olhando-os orgulhoso da discrição de seus irmãos de fé.

- Tia Dalma! – exclamaram Elizabeth e Jack ao mesmo tempo.

- Ela não disse o nome, só disse que precisava falar com John Sparrow, filho de Teague Sparrow, mas eu disse que ele não se encontrava mais e que tinha partido para o mar há anos.

- Quando ela apareceu por aqui? Faz muito tempo John?! – Jack estava boquiaberto.

Elizabeth estava calada, tentando juntar as peças do novo quebra-cabeça, ela queria descobrir mais sobre Jack sem ter que perguntar a ele – ele nunca diria nada, de qualquer jeito.

- Pouco depois que você nos abandonou. Ela parecia aflita, mas não dissemos nada, você sabe, por causa do seu pai pirata e... tínhamos medo de que ela fosse te fazer algum mal.

- Oh bugger! Se ela tivesse me encontrado teria me poupado de tantos sofrimentos! – disse Jack profundamente triste. Suspirou e sentou num banco que estava perto, sentia-se tonto.

- Jack você está bem?! – Elizabeth ficou preocupada.

- Sim Lizzie, foi só uma tontura, pensei que iria desmaiar.

Ela gargalhou. "– Como você é fresco Jack!" – pensou ela.

O frade os olhava atônito.

- Se você desmaiasse, eu iria achar que você está grávido também! – ela o olhou, divertida.

- Vai sonhando benzinho, não te darei o prazer desse espetáculo! – ele sorriu sem graça, estava nervoso e suava frio. "– Se Tia tivesse me conhecido quando eu era jovenzinho, tantas dores e tragédias teriam sido evitadas." – pensou ele com amargura. "– Será?!"

Elizabeth chegou perto dele e pôs a mão na testa dele e ele a olhou como um cachorrinho abandonado implorando carinho.

Ficaram se olhando intensamente até que...

- Esperem um pouco! – interrompeu o frade, sacudindo as mãos de nervosismo e ofegando. – Como assim "eu iria achar que você está grávido também"?! Você está grávida moça?! – ele a olhou de cima a baixo procurando indícios.

Jack e Elizabeth o olharam de olhos mais que arregalados, depois olharam um para o outro e sorriram sem graça.

- Oh Bugger! – Jack suspirou e levantou-se. – John, precisamos conversar, mas antes a deixe comer e descansar! Por favor! – uniu as mãos, suplicando.

- Oh sim, é claro! – sorriu o frade encabulado. – Johanna! – gritou ele quando chegou ao meio do pátio e olhou para o pavimento superior. Não vendo ninguém, ele subiu as escadas.


- Será que todo mundo por aqui se chama "John alguma coisa"?! – Elizabeth resmungou e sorriu para Jack, mas este agora estava perdido em pensamentos. – Jack! Jack Sparrow?! – ela o chamou, mas ele nem respondeu. Ela sacudiu o ombro dele. – Jack!

- Oi. – ele disse aéreo.

- Você está passando mal?!

- Não, só estava pensando. – ele falava fracamente, parecia cansado como um cão sarnento e faminto.

Ela se ajoelhou de frente para ele, que estava novamente sentado no banquinho.

- O que houve Capitão?! – ela disse ternamente e pousando suas mãos nas coxas dele. A esse toque ele acordou subitamente. Jack sempre tinha que fazer piada.

- Elizabeth Swann, estamos num convento, controle-se amor! - ele ergueu as sobrancelhas, malicioso enquanto a olhava de cima a baixo.

- Seu pervertido! – ela bateu nas pernas dele e levantou meio desajeitada quando o frade voltou.

- Você pode seguir por essa varanda direto que vai encontrar algumas freiras Senhorita Swann! – disse John. – Johanna foi para a capela, arrumar as coisas para a missa.

- Me chame de Elizabeth, por favor! – ela sorriu amistosamente para ele.

- Está bem, Elizabeth! Peça às freiras que lhe levem a um quarto para que possa se refrescar e descansar da viagem!

- Aye! Obrigada! – ela disse e olhou intensamente para Jack, ele sorriu e ela saiu andando na direção que o frade a mandou, levando a trouxa.


- Agora somos só nós dois John Sparrow! – disse o frade e o puxou para dentro de uma sala.

- Porquê diz isso? – Jack estava de olhos arregalados.

Estavam numa biblioteca que cheirava a mofo. Jack coçou o nariz e se jogou numa poltrona. O ambiente escureceu de repente, pois nuvens pesadas se juntavam no céu daquela tarde.

- O que faz com essa moça aqui? – disse o frade mortalmente sério, sentando-se numa poltrona que puxou para ficar de frente para Jack.

- Vim pedir abrigo, por nossa longa amizade! – disse Jack suplicante com as mãos unidas.

- O que aprontou dessa vez? Eu ouvi umas histórias sobre vocês e a batalha contra a Companhia das Índias Orientais!

- É uma longa e fantástica história, creio que sua religião não aceitará isso como real ou possível, então John, nem vou contar! – Jack levantou e lhe deu as costas.

- Johnnie, o que houve? – o frade levantou também e segurou o braço de Jack para olhá-lo.

- Só preciso que você nos ajude enquanto estivermos aqui savvy?! Tenho que protegê-la a qualquer custo!

- Protegê-la do quê?

- Do marido dela!

- O quê?!

- Ele quer nos matar!

- Minha Virgem Santíssima! O que há entre você e ela? Vocês têm um caso?!

- É mais ou menos isso... quer dizer... é isso e mais um monte de coisas absurdamente loucas! - Jack sentou na poltrona e sentiu novamente toda a angústia que falar sobre Will lhe proporcionava. – E amor também.

- O quê? Você, o bravo Capitão Jack Sparrow das histórias que ouvi, admitindo que ama! Isso é um milagre! Aleluia senhor! – o frade levantou as mãos para o céu.

- Pare de gracinhas! – disse Jack o repreendendo. – Estou numa enrascada!

- É claro, mantendo um caso com uma mulher casada! Isso é pecado meu filho, adultério é pecado mortal!

- Mortal é o problema que enfrentarei nessa vida! Oh Bugger!

- Deus vai castigar você! – ameaçou o frade, mas sorria. Sabia que Jack nunca tomaria vergonha na cara. – Não teme a ira divina filho?!

- Ele me perdoa! Sempre perdoa todo mundo! – ambos sorriram. – Mas o problema não é esse, John... é que eu... – Jack gaguejava nervoso. –... eu... eu tirei a virgindade dela e a engravidei!

- O QUÊ?! – John quase caiu duro no chão.