Capítulo 7 – Barganha

Como assim o Potter estava me beijando?

Precisava empurrá-lo para longe e esbofetear aquela cara dele até sangrar, mas não conseguia. Não sei se era pela estranha sensação de êxtase que sentia com aqueles braços fortes me apertando ou se tudo era resultado de anos sem um relacionamento amoroso.

Só posso dizer que o negócio estava bom e nenhum dos dois dava sinais de que ia parar tão cedo.

Até que o barulho de uma porta abrindo e fechando me despertou e assim tive forças para me afastar dos braços do Potter.

"O que foi?" – ele perguntou com a voz um pouco rouca, o que não ajudou na minha resolução de fugir para bem longe daquele... daquele... tarado!

"Um barulho... uma porta... você ouviu?" – perguntei ainda ofegante.

"Não ouvi nada." – falou, aproximando-se perigosamente com um olhar de predador que me deixou sem fôlego.

Pelo amor de Merlin! Alguém me mata!

"Potter, para!" – falei, correndo para longe – "Isso é assédio sexual!"

"Há alguns minutos você não estava reclamando..." – falou, ainda se aproximando.

"Olha..." – falei, procurando ser um pouco sensata – "Você é meu professor e deve existir alguma norma que impeça esse seu ataque sexual contra mim. Além do mais, você me pegou desprevenida antes, por isso não pude responder do jeito que você merece."

"E qual é o jeito?" – perguntei com um sorriso sarcástico que quase fez minhas pernas tremerem. QUASE!

"Esse." – dei-lhe um chute na canela e devo dizer que apesar de infantil, foi bem eficaz. Potter se contorceu de dor e então consegui me afastar – "Boa noite, Potter." – saí rapidamente, trancando a porta do quarto ao passar, afinal ele poderia se recuperar do golpe logo e isso poderia acabar muito mal.

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E a culpa é do Ministério!

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Acordei bem satisfeito na manhã seguinte, apesar de ainda sentir uma leve dor no local em que ela tinha golpeado através de um chute com aquele sapato monstruoso.

Mas logo afastei esses pensamentos e levantei indo alegremente para a cozinha onde todos, inclusive a Parkinson, estavam, já tomando café da manhã.

"Bom dia." – cumprimentei todos, mas meus olhos estavam fixos nela que nessa manhã estava particularmente interessante trajando um pijama de flanela.

"Então, Harry, o quê vamos fazer hoje?" – Mione perguntou.

"Nada. Hoje é domingo." – e eu estou muito feliz.

"Temos uma folga? Cara, nem acredito!" – Rony exclamou alegre.

"Sim, vocês têm o dia de folga." – e então olhei para Parkinson que já falava animada com Megan – "Menos você."

"Por quê?" – perguntou tão indignada que me deu vontade de rir.

"Ontem você saiu da Base, contrariando a ordem direta do seu superior e também do seu professor que, por sorte, ambos são a mesma pessoa: eu." – sorri maldosamente e pude ver as chamas nos olhos dela.

"Então, agora você me manterá prisioneira?"

Para mim a ideia não era ruim, mas não era decoroso falar isso em voz alta.

"Não. Você não está algemada, nem usa bolas de ferro nos pés, além disso, não coloquei grades na sua janela e pelo que vejo você está transitando normalmente por toda a área da casa..."

Ela grunhiu de ódio e saiu da mesa, soltando fogo pelas ventas. Megan foi falar com ela, enquanto eu sorria secretamente e Rony e Mione combinavam um passeio pelo parque.

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E a culpa é do Ministério!

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Peguei minha varinha e saí na direção da cozinha, pronta para exterminar o Potter da face da Terra quando Megan me alcançou e disse:

"Você não pode fazer isso. Lembre-se da sua missão."

Então eu lembrei.

Lembrei dos corpos dos meus pais e do meu irmão, encontrados em meio aos escombros do que um dia fora nossa Mansão. Conseguia lembrar perfeitamente da expressão de choque que os olhos abertos e sem vida tinham registrado pela última vez.

Não podia matar o Potter, porque ainda precisava descobrir o autor dos assassinatos, mas depois poderia pegar aquele testa - rachada e esmagar a cara dele no chão.

"Tem razão, Megan." – falei, abaixando a varinha.

"O melhor é que obedeça ao Harry, Pansy. Ele é nosso chefe afinal e devemos respeito. Depois, quando tudo isso acabar, então você pode atacá-lo do jeito que quiser, mas agora, concentre-se."

Aceitei o conselho dela e voltei para o quarto, não tinha terminado de comer, mas só de ver a cara do Potter minha fome tinha passado.

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E a culpa é do Ministério!

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"Tem certeza que não quer ir também?" – Megan perguntou, preocupada, olhando para mim.

"Absoluta." – sorri para ela – "Preciso ficar de olho na Parkinson."

"Tudo bem, mas, por favor, Harry, não implique muito, certo? Você sabe como sonserinos podem ser explosivos e Pansy já está no limite."

"Eu não tenho medo dela." – sorri para Megan e a empurrei levemente na direção de Rony e Mione – "Agora vão logo ou perderão o filme."

"Certo, mas lembre-se do que eu falei!" – Megan gritou, antes que Rony puxasse seu braço e os três pudessem ir logo ao cinema.

Sorri maleficamente com o fato de que eu e Pansy estávamos a sós, já que Edward também saíra mais cedo, sem dizer qual seria o seu paradeiro.

Não pense que sou tarado, porque não sou mesmo. Mas a verdade é que a última pessoa com quem namorei foi a Gina e isso aconteceu há muito tempo! Então entenda que a situação estava crítica.

Também não imagine que só queria me aproveitar dela. Primeiro, porque sei que Pansy não é uma santa virginal, a fama que ela tinha em Hogwarts era outra. E, segundo, eu realmente estou apaixonado. O que é uma droga, mas prefiro esquecer essa parte por enquanto, porque sei que mais tarde haverá conseqüências.

Não demorou muito para que ela aparecesse. Foi logo quando a porta se fechou e pelo visto pensara que eu também tinha ido ao cinema, já que sua expressão de desgosto era bem perceptível.

"Pensando em ir a algum lugar?" – falei sorridente.

"Pensei que você tinha ido com eles." – falou cruzando os braços de frente ao corpo – "Afinal, vocês são o trio maravilha."

"Precisei ficar aqui..." – falei andando lentamente na sua direção – "Afinal, você é minha prisioneira."

"Potter, você está querendo levar outro chute?" – falou, afastando-se a cada passo que eu avançava.

"Garanto que você não fará mais isso." – falei, colando o corpo dela no meu e juntando nossos lábios em um beijo.

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E a culpa é do Ministério!

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Caramba, ele estava fazendo isso de novo! Beijada duas vezes pelo Potter em menos de 24 horas. Ele estava me atacando sexualmente e o pior é que eu estava gostando, por mais que tentasse resistir.

Tentei chutá-lo em partes estratégicas, mas logo ele me imobilizou, prendendo meu corpo na parede e me deixando totalmente sem alternativa a não ser me render àquele momento.

E só vamos dizer que eu estava bem rendida quando a campainha soou e nós nos separamos rapidamente.

"Droga!" – o Potter praguejou bem alto, enquanto a campainha voltava a soar.

"Quem pode ser?" – falei um pouco ofegante tentando parecer um pouco apresentável para o visitante inoportuno.

Fui até a porta e quase morri de susto quando vi Draco, Blaise, Gina e Luna olhando para mim.

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E a culpa é do Ministério!

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Revirei as panelas com o máximo de barulho possível, somente para expressar meu desagrado com aquelas visitas.

Sinceramente gosto da Luna e da Gina, mas elas atrapalharam um momento que, certamente, não poderá acontecer tão cedo novamente.

"Está tudo bem aqui, Harry?" – Luna perguntou calmamente, enquanto eu açoitava uma pobre chaleira indefesa.

"Está, Luna." – sorri para ela – "Só estou tentando esquentar água para o café."

"Mas batendo na chaleira desse jeito, não resolverá." – ela tomou o objeto das minhas mãos – "Nós estamos atrapalhando vocês?" – perguntou do seu jeito sempre direto.

"Não..." – falei, um pouco sem jeito – "O quê vocês poderiam estar atrapalhando?"

"Tive a leve impressão que você e Pansy estavam fazendo algo muito importante antes de chegarmos." – ela olhou para mim e sorriu – "Deve ser só impressão."

"Com certeza." – devolvi o sorriso da melhor maneira possível.

"Nós viemos aqui porque temos uma novidade." – Luna falou sorridente.

"Nós quem? Você e Zabini?"

"Nós todos." – Gina disse da porta e sorriu para mim, o mesmo sorriso que durante muito tempo me deixou perturbado – "A verdade é que eu e Draco vamos casar, assim como Luna e Zabini."

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"Não acredito que vocês vão casar!" – falei entre espantada e alegre – "Elas estão grávidas?" – disse de brincadeira e soltei uma risada, mas quando percebi que nenhum dos dois tinha rido, parei – "Não acredito! Elas estão grávidas?"

"Estão." – Draco disse meio sem jeito – "Gina está com um mês de gestação."

"A Luna está com três meses." – Blaise falou sorridente.

"Por isso o casamento será daqui a um mês." – Draco falou – "Para que ninguém tenha tempo de fazer as contas quando os bebês nascerem."

"Merlin, vocês dois são idiotas." – revirei os olhos – "Como deixaram isso acontecer?"

"Não importa, Pansy. Já aconteceu e nós realmente estamos felizes. Não viemos aqui para escutar sermão." – Draco falou com seu jeito arrogante habitual.

"É verdade. Nós viemos aqui porque queremos que você seja a madrinha. Já que a cerimônia será dupla e nós só temos uma amiga mesmo..." – ele sorriu – "Então... aceita?"

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Olhei para Gina e senti um aperto no peito ao pensar que ela ia casar com outro e que, pior ainda, o outro era o Malfoy. E ela estava grávida dele.

"Nós viemos aqui para fazer um pedido, Harry." – ela falou sorridente, sem perceber que eu estava totalmente petrificado – "Você pode ser nosso padrinho? Meu e da Luna?"

Minha relação com a Gina acabou de comum acordo, mas isso não significava que eu tinha deixado de amá-la, por isso fiquei sem responder, até que Luna disse:

"Harry, você está bem?"

"Luna, é melhor chamar alguém. Ele parece um pouco verde..."

Pisquei rapidamente e logo me recompus.

"Não precisa. Eu estou bem."– sorri e completei – "E claro que ficarei muito feliz em ser padrinho de vocês duas."

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"Claro que aceito." – sorri para meus amigos e me senti feliz em vê-los tão alegres com a perspectiva de casamento e filhos – "Quem será meu par?"

"Bem..." – Zabini começou sem jeito.

"Nem tudo é perfeito, Pansy. E eu preferia que não fosse ele, mas Gina insistiu e bem... é o Potter."

Logo meu sorriso se desfez. É claro que o Cicatriz tinha que estar lá para me deixar com raiva.

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E a culpa é do Ministério!

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Sorrimos para os quatro, antes que eles dessem um último aceno e partissem nos carros. Fechei a porta e olhei para a Parkinson.

"Você ficou estranho." – ela disse enquanto observava meu rosto atentamente.

"Não é nada, só estou um pouco cansado." – falei indo para o quarto, deixando a Parkinson totalmente confusa.

E eu não posso culpá-la, afinal há uma hora estava bem interessado em ficar sozinho com ela. Mas não posso evitar. Esse casamento da Gina com o Malfoy mexeu comigo, porque, talvez, em alguma parte do meu cérebro, ainda tivesse esperanças de um futuro com ela. Agora acabou totalmente.

É melhor que pare de ficar com a Parkinson agora, quando sei que não trará tantas conseqüências do que depois quando o estrago já tiver acontecido.

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E a culpa é do Ministério!

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"Bom dia." – falei no dia seguinte quando encontrei Potter sentado na mesa da cozinha.

"Olha isso." – ele disse bruscamente, jogando um jornal para mim.

Ao olhar para o conteúdo da página quase desmaiei. Tinha uma foto. Uma foto da noite de sábado, em que eu estava beijando o Augustini.

Ai Merlinzinho!

Abaixei o jornal e olhei para o Potter que me fitava com uma expressão de fúria.

"Talvez ninguém tenha visto." – falei esperançosa.

"Isso é irrelevante." – falou com raiva – "Você colocou seu disfarce em risco."

"Você sabe que fui investigar e você nunca admitiria que tenho razão. Quer dizer, o Augustini pode ser um comensal disfarçado, mas você prefere se fazer de cego."

"E se não for? E se ele for só um idiota que quer se aproveitar de você?" – gritou.

"Talvez seja, talvez não, Potter, mas pelo menos é uma pista!" – gritei de volta – "Se outra pessoa tivesse sugerido isso? Quem sabe se a Gina tivesse sugerido!" – falei sarcástica, enquanto ele me olhava confuso – "Eu sei que você está assim, com raiva, porque ela vai casar com o Draco. Acorda, Potter, vocês já estão separados há séculos, vê se supera!"

"Parkinson, cala a boca!" – gritou.

"Olha, Potter, vou propor uma coisa." – falei mais calma – "Eu te ajudo a esquecer a Gina e você me deixa investigar o Augustini."

"E como você pretende me ajudar a esquecer?" – falou incrédulo.

Sorri maliciosamente e me aproximei, percebi que Potter recuou um pouco, então do mesmo jeito que ele fizera no dia anterior, anulei a distância entre nós e juntei nossos lábios em um beijo.

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E a culpa é do Ministério!

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Tenho que admitir que a proposta dela era bem interessante.

Realmente não deveria fazer mal deixá-la investigar o caso, certo?

Por isso, quando ela terminou de mostrar seu argumento, falei:

"Tudo bem... nós temos um acordo." – e selei o acordo com mais um beijo.

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E a culpa é do Ministério!

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Nota da Autora: Cheguei, polvo! Polvo? Aquele que adivinha os resultados da copa? HihiHihi...

Entonces, mais um capítulo e eu sei, ficou sem noção, mas eu sou sem noção, então no final tem sentido, certo?

Agradecimentos:

Perseus Fire: Muito obrigada pelo comentário. Espero que continue gostando da fic e que esse capítulo não tenha decepcionado, mas só garanto que você está no caminho certo a respeito das suposições.

Lya Nikolaevna: Meu nome já ta no seu caderno negro, né? Sorry pela demora, mas não deu para ser antes. Meu PC quebrou e agora dependo do laptop da minha Irma, que soh vem para casa a cada 15 dias. Espero que compreenda e continue lendo!

ChunLi Weasley Malfoy: Sinto falta dos seus comentários e espero que só os faça quando estiver com vontade e não por uma obrigação. Espero que continue gostando.

Lush P.: Obrigada pelo comentário, querida. Desculpe a demora. Espero que tenha gostado deste.

Gente, a fic será maior do que eu pensei. Sorry por essa notícia ruim...hhahahahahaha

Beijos,

Manu Black