Assim como Harry imaginava, os dias que se seguiram ao incidente na escada foram extremamente desconfortáveis. Ele próprio achou, por um instante, que o ocorrido não fosse mudar nada entre os dois, ou deixá-lo pouco à vontade perto de Hermione, mas estava enganado. O horário das refeições era o pior, já que os dois eram obrigados a passar algum tempo juntos, e esse era o momento mais silencioso que o Largo Grimmauld presenciava.

Aquele café - da - manhã não estava sendo diferente. Hermione e Harry, sentados cada um numa ponta da mesa, saboreavam suas torradas com geléia e seu chá, em silêncio. Como desculpa para não se falarem, eles traziam um livro e um jornal, respectivamente. Enquanto isso Dobby, entre os dois, se mantinha concentrado em enfeitiçar duas colheres que serviam, sozinhas, mingau aos bebês.

_Harry Potter e a amiga estão tão calados. – Dobby quebrou o silêncio. - Aconteceu alguma coisa grave?

_Não. – Hermione respondeu, prontamente. – É impressão sua. – sorriu, fazendo sinal para o elfo de que Cath havia enfiado a mão no prato de mingau.

_Concordo que não aconteceu nada grave, Dobby. – Harry se pronunciou então. – Mas não é impressão sua estarmos mais calados ultimamente. – ele olhou para Hermione, que apenas baixou os olhos novamente para seu livro.

Harry suspirou, desapontado, e Dobby voltou sua atenção apenas aos bebês.

_Isso é o meu celular? – Hermione perguntou, de repente, sentindo-se contente por ter uma desculpa para sair da mesa.

Harry balançou a cabeça, incomodado, enquanto a acompanhava com os olhos para fora do cômodo. – Não sei o que deu na minha cabeça... – sussurrou, aéreo, antes de levar uma torrada à boca.

_O que foi, Harry Potter? – Dobby perguntou.

_Nada não, Dobby... – ele respondeu, apenas. – i "Por que eu tinha que beijá-la daquele jeito?" /i – ele começou a refletir. – i "Bom... Não teria sido nada de mais se ela tivesse me impedido. Eu poderia dar a desculpa de que estava um pouco bêbado, talvez ela não se sentisse tão mal." /i – suspirou, bagunçando os cabelos, inconformado. – i "Ela está me deixando louco!" /i – então olhou para os lados, assustado, achando que pudesse ter dito aquilo alto. – i "Não ela, exatamente. Mas é que ela é a mulher que está mais perto, não é? Qualquer outra poderia me deixar do mesmo jeito!" /i – ele balançou a cabeça para dar credibilidade a si mesmo.

_Bom dia, sr Potter! Bom dia, bebezinhos lindos! Bom dia Dobby! – Mary Jane chegou para trabalhar, com a animação de sempre.

_Bom dia, srta Carter. – Harry sorriu - embora há alguns dias a voz fina e meiga de Mary Jane viesse lhe irritando - imaginando se a chegada dela exatamente naquele instante não fora um "sinal".

_Bom dia, sr Potter, Dobby. – Angelina chegara junto com sua extravagante colega de trabalho, mas muito mais discreta.

_Bom dia, sra Stuart. – ele respondeu, educadamente.

_Quer que terminemos isso, Dobby? – a babá mais velha perguntou ao elfo.

_Dobby já terminou com o menino Jordan, mas a menina Catharine tem que comer mais. – Dobby respondeu, prontamente.

_Então vou levá-lo lá para cima, Dobby. Vai ser mais fácil se você puder se concentrar somente em um deles, não? – ela sorriu, simpática.

_Com certeza. Dobby agradece.

_Pode deixar que eu termino de alimentá-la, Dobby! – Mary Jane se prontificou assim que Angelina sumiu de vista. – Vá lá para a cozinha. – disse autoritária, já tomando uma cadeira ao lado de Harry.

_Dobby não se importa de fazer isso. – ele respondeu, incomodado com o atrevimento da moça.

_Pode ir, Dobby. – Harry concordou, analisando a babá com mais cuidado. – Mar... A srta Carter termina o mingau.

_Sim senhor. – Dobby fez uma reverência pouco satisfeita e foi para a cozinha com a cara feia.

Mary Jane, sorridente, tirou Cath da cadeirinha, já que para sentar perto de Harry, ela ficara longe da menina, e começou a alimentá-la. – Dormiu bem essa noite, sr Potter? – perguntou, com um sorrisinho meigo e interessado.

Harry a olhou antes de responder. Já havia admitido a si mesmo que Mary Jane, definitivamente, tinha um interesse por ele, mas nunca havia se disposto, realmente, a dar alguma esperança à moça.

Mas as coisas haviam mudado em sua cabeça. Por que não? Melhor do que ficar tendo fantasias com uma pessoa que não queria ser dele. Além do mais, era apenas uma necessidade física, não era? E, nesse caso, seria mesmo uma falta de respeito que acontecesse com Hermione.

_Mais ou menos. – ele respondeu, melancólico. – Demorei a pegar no sono e não tinha nada de bom com que me distrair até ele chegar. – sorriu, soando atrevido demais para seu próprio gosto.

A babá riu, marota, e desviou a atenção à Cath.

_Bom dia, srta Carter. – Hermione apareceu, séria, pela entrada da sala de jantar, e olhou da moça para Harry como se não reconhecesse quem estava sentado à cabeceira da mesa.

_Bom dia, sra Weasley. – a babá ficou séria imediatamente.

_Han, han. – ela limpou a garganta, tensa. – Avisei a sra Stuart que ela não precisa me esperar chegar hoje. Eu não vou jantar em casa, então você também não precisa me esperar para comer, Harry. – falou rapidamente.

_Por que você não vem jantar em casa? – ele perguntou, tentando parecer casual. – Vai sair com a Luna?

_Não. – ela respondeu, então. – Com o Oliver. Han, han. – limpou a garganta de novo, enquanto fuçava, freneticamente, dentro da bolsa que havia trazido consigo.

_Ah ta... – Harry desmontou na cadeira, mas com alguma dignidade.

_Você não se importa, não é, de ficar sozinho à noite cuidando das crianças? – observou sua reação, depois de repetir as palavras que ele mesmo usara um dia.

_Absolutamente! – ele retrucou. – Espero que se divirta. – sorriu.

_Aposto que sim. – ela sorriu também. – De qualquer maneira estarei no celular, se precisar. Não posso atender o espelho perto dele, não é? Pelo menos não por enquanto.

_Lógico. – Harry concordou, começando mesmo a se incomodar.

_Você quer que eu te espere para sair? – perguntou.

_Não. Ainda vou fazer uma horinha. – sorriu e brincou com a mãozinha da filha no colo da babá.

_Ok então. – Hermione olhou, antipática, para a babá. – Bom dia a todos. Cuidado para não se atrasar, Harry.

_Ainda tenho um tempinho.

_Ok. Tchau. – ela finalmente conseguiu ir embora e deixá-los sozinhos, a contragosto.

_ i "Por enquanto?!" /i – ele se perguntou, revoltado. – i "Definitivamente eu nunca vou entender as mulheres. Posso jurar que esse "por enquanto" foi uma provocação. Mas para que, então?!" /i

_Que bom que a sra Weasley está se recuperando da perda do marido, não é? – Mary Jane comentou, espertamente. – Ela é tão jovem ainda. E o senhor também. – completou.

_Bom... – Harry deixou sua confusão de lado. – Então não me chame mais de senhor. – sorriu. – Pelo menos não quando estivermos só nós dois, ok?

_Sim se... Ok. – ela riu, não contendo a satisfação. - Se quiser posso ficar até mais tarde para ajudá-lo com as crianças. – jogou também suas cartas.

_Tenho idéia melhor. – Harry falou, disposto a não ficar na pior. – Por que não saímos para jantar essa noite? Só nós dois? Dobby já provou que pode cuidar sozinho das crianças por algumas horas.

A colher que Mary Jane levava à boca de Cath despencou da sua mão, espirrando mingau por todos os lados e causando a risada gostosa da garotinha. Apesar de todos os sinais daquela manhã, ela não podia imaginar algo tão direto.

_Mesmo? – ela perguntou, espantada.

_Sim. – Harry riu da reação da moça.

_Cl-claro, sr... Harry! – ela sorriu, de orelha a orelha. – Eu adoraria!

_Ótimo! – Harry comemorou. – Só preciso avisar a Hermione. – sorriu, maquiavélico.

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Hermione estava um pouco nervosa. Fazia tanto tempo que não saía com ninguém. Nunca tivera, realmente, um namoro normal com Rony. Apesar do sentimento que nutriam um pelo outro, o relacionamento começara tão de repente que não houvera tempo para jantares românticos e todo aquele ritual que precede o início do namoro propriamente dito.

Por outro lado, uma série de dúvidas e uma pontinha de arrependimento começavam a abordá-la. Será que estava mesmo pronta para se relacionar de novo? Será que aquilo realmente significava o início de um novo relacionamento? O que será que os outros pensariam? Havia se passado tempo suficiente desde a morte de Rony? Por que ela aceitaria a idéia de namorar um desconhecido, mas não Harry?

Nesse ponto ela riu de si mesma, sentindo-se ridícula. Por que ela pensaria em namorar Harry? Nunca havia sentido nada especial por ele. Estava apenas carente.

_Espero que este sorriso tenha algo a ver comigo. – Oliver surgiu de repente, pelo menos para ela que estava tão distraída.

_Oliver! Nem te vi chegar. – ela sorriu, embora encabulada por, definitivamente, aquele sorriso não ter nada a ver com ele.

_Faz tempo que está aqui? – ele perguntou, puxando a cadeira para se sentar. – Nunca tenho imprevistos no escritório, mas hoje tive, acredita? – sorriu.

_Imagine. Cheguei há pouco tempo. Fiquei feliz em ver que não havia te feito esperar. – ela sorriu de volta. – Tomei a liberdade de pedir um vinho. Espero que não se importe.

_Está brincando? Adoro mulheres que me surpreendem, e já vi que você é uma dessas. – ele serviu-se. – Surpreendeu-me desde o primeiro dia, quando dei de cara com um carrinho com dois bebês! – ele riu com vontade.

Ela teve que rir também. Aquele não era exatamente o tipo de surpresa de que os homens costumam gostar. – Como eu te disse, apenas Jordan é meu filho. Foi apenas uma coincidência o fato dos dois terem nascido no mesmo dia. – ela ficou mais séria. – Uma infeliz coincidência...

_Hum... Eu sinto muito mesmo pelo que houve. – ele ficou sem graça por tê-la feito pensar no assunto. – Se não quiser falar sobre isso...

_Não tem mais problema. – ela sorriu, ligeiramente. – E aposto que você tem um monte de perguntas para me fazer, não? A começar pelo fato de dividir casa com meu cunhado.

_Bom. – ele coçou a cabeça, encabulado. – De certo modo sim. É um pouco estranho...

_Harry e eu somos praticamente irmãos. – ela sorriu, embora tenha sentido um leve mal estar ao se lembrar do beijo caloroso que ambos haviam trocado. – Nos conhecemos desde crianças e ele ficou realmente muito abalado com a morte da esposa. Ainda por cima ficara com uma filha pequena para criar. Eu apenas me senti na obrigação de ajudar.

_Entendo. E acho muito bonito da sua parte. – ele colocou a mão sobre a mão dela que estava descansando sobre a mesa. – Apesar de ter sua própria dor e de também ter ficado sozinha para cuidar de um bebê, você se prontificou a ajudá-lo. – e olhou diretamente em seus olhos, contemplativo. – Você é uma mulher muito generosa, Hermione. Seu marido com certeza foi um homem de muita sorte. – sorriu.

_Você está me deixando sem graça, Oliver. – ela retirou a mão, delicadamente, e interrompeu o contato visual com ele. Sentia-se lisonjeada com aquelas palavras, mas incomodada também. – Aposto como qualquer um faria isso por um amigo de verdade. – sorriu, modesta.

_Que maravilha se todos no mundo fossem como você, mas a maioria não é... – ele suspirou. – Mas vamos mudar de assunto, porque esse te deixa pouco confortável. – ele olhou para os lados em busca de um garçom. – Que tal se pedíssemos? Você está com fome?

_Para falar a verdade estou sim. – ela sorriu, agradecida.

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Harry estava se sentindo pouco confortável. Havia, há algumas horas, se arrependido de convidar Mary Jane para sair. Não por que não simpatizasse com ela, mas porque estava se sentindo como um homem casado que ilude sua secretária, mesmo não tendo a menor intenção de ter algum relacionamento sério com ela. Só que agora estava feito. Ele não podia simplesmente desmarcar.

Já se sabendo cheio de segundas intenções, Harry preferiu marcar com ela em um lugar trouxa, longe das vistas da maioria de seus amigos. Não queria ninguém comentando o assunto.

Estava, nesse momento, esperando, encostado ao carro, em frente à casa dela. Não quis entrar visto que, com certeza, seria tratado com mesura demais por seus familiares por ser "Harry Potter".

Mary Jane não o fez esperar muito, mas se o tivesse feito, Harry acharia que tinha valido a pena. A moça resolveu mesmo impressionar aquela noite. Ele ouviu a voz dela despedindo-se dos seus antes de abrir a porta e avistá-la num justo, mas não vulgar, vestido vermelho. Um cinto, uma bolsa de mão e sapatos de salto agulha, todos pretos, completavam o visual.

Conforme ia se aproximando, Harry pode se ater aos detalhes. Minúsculos brincos de rubi adornavam-lhe as orelhas, amostra graças ao coque despojado que ela adotara. Por não estar com os cabelos soltos, também seu decote ficava a vista e, para realçá-lo ainda mais, havia uma correntinha dourada de onde corria um filete de rubis que descia em direção ao vale dos seios.

Ao sentir o perfume doce que emanava de seu corpo, assim que ela chegou até ele, todo arrependimento que ele havia sentido desaparecera. Com um sorriso abobado, ele simplesmente descruzou os braços e afastou-se da porta do carro, abrindo-a para ela.

Mary Jane sorria internamente. Sabia que aquela falta de palavras, acompanhada daquele sorriso e da imobilidade dele quando a viu sair de casa, significavam que ela havia conseguido o efeito desejado.

_Para onde nós vamos, sen... Harry? – perguntou quando ele deu a partida no carro.

_Para onde você quiser! – ele respondeu, encantado. Ela apenas sorriu. – Quer dizer... Eu fiz reservas num restaurante do qual gosto muito. É para lá que vamos. – respondeu, atrapalhado.

_Claro. – ela sorriu mais ainda.

_Você está... Incrível! – ele elogiou.

_Obrigada. – ela agradeceu. – Me deu trabalho decidir que roupa usaria. Tive medo de ter exagerado. – fez charme.

_Absolutamente. Você está perfeita!

_Você também está muito bonito. Você fica bem sem os óculos. – observou.

_Você achou? – ele ficou sem graça. – Minha esp... Gina me convenceu a usar lentes, mas eu ainda prefiro os óculos. Só as uso para sair.

_Posso confessar uma coisa? – ela sorriu, constrangida. – Eu também uso lentes corretivas. Na minha opinião é uma das melhores invenções trouxas. Eu não fico bem de óculos.

_Duvido! – Harry falou, espontâneo.

_É sério! – ela rebateu. – Mas você fica bem com os dois, embora os óculos te dêem um ar mais... Intelectual!

_E qual você prefere? – ele arriscou.

_Hum... Você fica bem dos dois jeitos!

Harry sorriu, o ego inflado pelo elogio, embora nunca se sentisse muito à vontade com eles. De qualquer maneira, naquela noite, ele não era, realmente, o mesmo Harry de sempre. Estava sentindo-se inescrupulosamente diferente. E estava gostando da sensação.

_Chegamos. – ele avisou, então.

Mary Jane fez menção de abrir a porta, mas ele não permitiu. Com um gesto de mãos a fez parar. Desceu do carro e correu para abrir a porta para ela, dispensando o funcionário que o faria à porta do restaurante.

Depois estendeu o braço e entrou com ela no ambiente simples, mas sofisticado. Outro funcionário guiou-os até a mesa reservada para ele. Um terceiro trouxe champanhe, informando que voltaria a seguir para anotar os pedidos.

_Lindo lugar, Harry. – ela elogiou, admirando a decoração.

_Que bom que gostou. A comida aqui também é ótima. Já sabe o que vai pedir?

_Hum... – ela pegou o menu e começou a lê-lo. – Meu deus! Tudo aqui é escrito em italiano? – falou um pouco alto, perdendo a compostura e voltando a se parecer com a espevitada babá.

_Se quiser eu peço. – Harry falou, num tom mais baixo, na esperança de que ela não voltasse a falar alto.

_Acho melhor. – ela deixou o menu de lado. – Confio no seu bom gosto. – sorriu.

Harry sorriu de volta, lembrando-se de quando a senhora Weasley falava das moças que tinham muito por fora, mas nada por dentro. Com um gesto, chamou o garçom e fez o pedido.

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_Então você é médica? Em que hospital trabalha? – Oliver perguntou, interessado.

_Hum... – Hermione gaguejou. – No... No... Saint'Leopold! – respondeu de sopetão. Odiava mentir, mas sabia que teria que fazê-lo em algum momento.

_Hum... – Oliver fez, enquanto cortava um pedaço do suculento peixe em seu prato. – Perto de Surrey?

_Isso! – ela respondeu. – Esse mesmo. E você? O que faz?

_Eu sou escritor. – ele respondeu, sorridente. – Qual sua especialidade? Aposto como é pediatria!

_Hum... Isso... Pediatria. – concordou, sem graça. - Adoro crianças. Mas fale mais de você! – pediu, quase desesperada.

_Ah, eu adoro o que faço, sabe? Escrevo histórias para crianças. Temos isso em comum! – sorriu. – Também as adoro. Vou te dar exemplares dos meus livros publicados, assim você poderá ler para seu filho quando ele estiver maiorzinho.

_Eu vou adorar. – Hermione começou a sentir-se mais confortável. – Eu adoro livros! Harry tem uma biblioteca enorme em casa, mas ele não liga muito. Sempre fiquei impressionada com o desinteresse dele e do Rony com... – ela sentiu as bochechas esquentarem. – Me desculpe. Eu não pretendia...

_Não tem problema. – Oliver sorriu, cordial. – Onde mesmo você disse que estudou?

_Oh... Foi... Foi num internato... Muito, muito longe daqui! Provavelmente você nunca ouviu falar. – ela tentou cortar o assunto voltando-se ao seu prato. – Esse peixe está mesmo magnífico!

_Por que não me diz? Já fiz palestras em dezenas de colégios, inclusive internatos. De repente conheço o seu. – ele insistiu.

_Hum... Foi... – ela olhou para os lados, tentando disfarçar o nervosismo. – Foi no colégio para moças Elizabeth II. – falou de uma vez.

_Para moças? – Oliver perguntou, intrigado. – Mas você não disse que conheceu seu marido e seu cunhado no colégio?

_Ai... Foi, mas... Hum... Eles estudavam num colégio próximo, sabe? – ela começou a suar. – Às vezes os dois colégios faziam bailes e foi então que nos conhecemos... – sorriu, embora se sentindo péssima. – Será que você me dá licença? Eu preciso ir ao toilet.

_É claro. – Oliver sorriu, paciente. Já havia notado que havia algo estranho no ar.

Hermione se dirigiu ao toilet o mais rápido que pode, embora não quisesse passar a impressão de estar apressada. Quando entrou no cômodo, apoiou as mãos sobre as bonitas pias de mármore e se mirou no espelho. Quase não se reconheceu. A Hermione do outro lado olhava-a acusadora. Como podia pensar em começar um relacionamento em meio a tantas mentiras? Por que aceitara aquele convite? Apenas para fazer ciúme a Harry? Para fugir dele? Fugir de quê, afinal?

O fato é que nem ela mesma sabia. Há muito vinha sentindo-se diferente perto de Harry. Mesmo antes do beijo, mas nunca imaginara que pudesse fazer, novamente, o papel ridículo que fizera na época do colégio na tentativa de chamar a atenção de Rony. O pior é que o estava fazendo, e com um trouxa.

Desde que entrara no mundo da magia não havia mais tido tanto contato com eles e, quando tinha, quase não precisava falar de sua própria vida, portanto não precisava mentir. Sabia que teria que esconder algumas coisas, mas não imaginava que teria que inventar tantas outras assim, logo no primeiro encontro. Talvez aquilo fosse um sinal. Um sinal de que ela havia se precipitado.

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_Uh! Eu nunca fui muito boa no colégio, sabe? Não consegui vaga em Hogwarts, mas fui aceita num colégio menorzinho, no interior. Puxa! Eu odiava estudar transfiguração! Mas gostava de poções! Se bem que a única que eu conseguia, realmente, acertar era a poção do amor! – ela riu com vontade depois das muitas taças de vinho que havia tomado para molhar a boca, já que ela ficava constantemente seca de tanto que a moça falava.

_Hum... Poção do amor, é? – Harry perguntava, tentando mostrar algum interesse, embora estivesse aborrecido já há algum tempo.

_É... E você? De que assunto mais gostava no colégio? – Harry fez menção de responder, mas não teve tempo. – Nem precisa dizer! Tenho certeza de que era DCAT, não era?

_Hum... Também... Eu era muito bom nisso, mas acho que...

_Eu nunca conseguia derrotar o bicho-papão. Ficava tão frustrada... – ela suspirou, pensativa. – Mas vamos mudar de assunto, porque essa coisa de colégio é meio chata, não é? Eu acho, pelo menos...

_É... Pode ser... Por que você resolveu se tornar babá, por exemplo?

_Ah... Não foi uma coisa que eu decidi, sabe? Acontece que não arrumei nenhum outro emprego... – riu, sem graça. – Até fui contratada como assistente da mme Malkin, sabe? No Beco Diagonal. Mas no primeiro dia quase estrangulei uma moça com um feitiço mal feito que eu coloquei na fita métrica...

_Não me diga! – Harry se segurou para não rir.

_Mas com crianças eu levo jeito. Além disso, não é preciso usar feitiços com elas, não é mesmo?

_Espero que não. – falou, começando a concordar com Hermione quanto à idéia de contratá-la como babá. – Hum... E aquele problema com os sereianos, hein? Que coisa absurda, você não acha? – resolveu mudar de assunto de novo.

_Sereianos?! – ela desistiu de sorver seu vinho na última hora. – Sereianos existem? – perguntou, surpresa.

_Erh... Não só existem, como estão no Profeta Diário o tempo todo nas duas últimas semanas!

_É mesmo?! – ela limpou a boca com o lenço. – Não fazia idéia, mas também não leio muito o Profeta Diário, a não ser a coluna da Rita Skeeter! Aquela mulher é o máximo, você não acha?! Sempre contando os podres dos famosos. Adoro ficar por dentro do que acontece com eles!

_ i "Meu Deus!" /i – foi tudo que Harry teve tempo de pensar, visto que Mary Jane nem ao menos respirava enquanto falava da coluna de sua jornalista favorita e ele se sentia na obrigação de, pelo menos, tentar prestar atenção nela.

A essa altura do jantar Harry estava completamente convencido de que Mary Jane Carter não era mulher para ele. Ele não agüentaria conviver com ela, fora de uma relação profissional, por mais de dois dias. Não havia nada que os dois pudessem conversar, nada que interessasse aos dois, absolutamente nada em comum.

A única coisa nela que chamava a atenção de Harry era a beleza, mas mesmo isto, embora para maioria dos homens fosse um bom começo, não era suficiente para ele. E mesmo que ele resolvesse apenas curtir a noite, algo lhe dizia que se avançasse um pouco mais com ela, nunca mais conseguiria se livrar.

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Hermione não tivera ânimo nem para aparatar em casa. Aproveitando que não poderia mesmo fazê-lo na frente de Oliver, tomou um táxi e aproveitou o tempo que gastara para chegar em casa para pensar no encontro daquela noite. Quando finalmente chegou, mais cansada do que quando simplesmente vai para casa sem nada que a relaxe do dia de trabalho, viu que não era a única pensativa aquela noite.

Harry já havia chegado de seu encontro e havia se jogado no sofá. A cabeça apoiada no encosto, o corpo semideitado e as pernas esticadas em direção à mesa de centro. Seus olhos estavam fechados e ele apenas os abriu quando ouviu o barulho da porta sendo aberta.

_Ué! – Hermione exclamou ao vê-lo em casa. – Já chegou? – trancou a porta e foi parar em frente dele, com uma cara debochada. – Achei que você não fosse voltar para casa cedo hoje. – cruzou os braços aguardando a explicação.

_Também achei. – Harry suspirou e sentou-se direito no sofá. – Mas a verdade é que eu não via a hora de voltar para casa! – cruzou os braços e ficou olhando os próprios pés.

_Hum... – Hermione sentou-se ao lado dele. – Estranho. Você parecia tão empolgado quando espelhou para o meu consultório para avisar que não iria estar em casa quando eu chegasse.

_Pois é. – respondeu. – Também não achei que você fosse voltar cedo.

_Achou sim! – ela riu. – Você sabe que eu não passaria a noite, ou a madrugada, fora de casa!

_E por que eu passaria?! – ele perguntou, ofendido.

_Porque você é homem! – ela riu, achando que a conclusão seria óbvia. – Vocês ficam mais tranqüilos em suas noitadas, mesmo tendo que deixar os filhos em casa, do que nós, mulheres! Aliás, nós não temos a menor vocação para isso!

_Além de militante em favor dos elfos domésticos você virou feminista, Hermione? – Harry perguntou, achando graça.

_Mais ou menos. – ela riu também. – A verdade é que, às vezes, Rony me obrigava a isso com algumas das suas atitudes. – lembrou-se, divertida.

_Hum... – encostou-se novamente e cruzou os braços, ligeiramente emburrado. - Mas eu não sou o Rony!

_É... – Hermione respondeu, menos animada. – Não é...

_Bom... – Harry resolveu continuar, disposto a não deixar que a tristeza a invadisse de repente. – O fato é que eu não agüentava mais ouvi-la falar! – completou. – Sério mesmo, Hermione! Ela é uma matraca, e o pior é que não tem nada de interessante para dizer! Sinceramente? De boca fechada ela é perfeita!

_Ah! Mas que horror, Harry! E depois você não quer que eu dê uma de feminista?! – ela deu um tapa no braço dele.

_Mas é verdade, Mione! – ele riu, esfregando o braço. – Não estou acostumado com essas mulheres que não têm nada inteligente para dizer. Além do mais, ela é fã da Rita Skeeter!

_Oh não! Só por isso já é um bom motivo para ficar longe dela! – Hermione revirou os olhos, indignada.

_Mas e você? Por que chegou cedo? Seu amigo também não tinha nada interessante para dizer? Ou era machista?! – provocou.

_Nem uma coisa nem outra! – Hermione respondeu logo. – Ele é escritor. Dá para imaginar coincidência maior que essa? – ela perguntou, animada. – Além disso, é super educado e adora crianças. Tem assunto e, melhor de tudo, não gosta muito de esportes. Não que eu não goste, mas ele, pelo menos, não é fanático por nenhum!

_Hum... – Harry resmungou. – Parece perfeito, não? – perguntou de cara feia. – Qual o problema então?

_Ele é trouxa. – Hermione suspirou. Toda animação esvaindo-se de sua expressão.

Harry a olhou com estranheza.

_Não me olhe desse jeito! – ela se defendeu. – Digo isso porque tive que mentir para ele a noite toda, acredita?

_É. Acredito... Mas você não tem que mentir para sempre, não é? – ele sondou.

_Mas também não posso contar logo de cara o que somos. Eu arranjaria problemas até com o Ministério por isso!

_É. Olhando por esse lado...

_Seria bem mais fácil se ele fosse bruxo, isso sim... – jogou as costas em direção ao encosto do sofá.

_Seria... – Harry a encarou, enigmático. – Também seria mais fácil se ela fosse mais... Inteligente.

_É... – Hermione não pode conter a risada. – Seria. – e olhou para ele para dizer qualquer coisa, mas se atrapalhou com o modo como ele olhava para ela, sorrindo ligeiramente, como se quisesse dizer alguma coisa. – Hum... Bom... Eu vou dar uma olhada nas crianças, depois vou dormir. Boa noite.

_Boa noite. – Harry respondeu apenas, ainda sorrindo. Voltou a esparramar-se no sofá, pensativo. – i "Será que foi assim que Rony se sentiu quando percebeu que estava gostando da Hermione?" /i – olhou em direção a escada, mas a amiga já havia sumido de vista. – i "Por que será que os dois fugiram tanto tempo um do outro? /i – perguntou-se. –i "Porque eles demoraram a admitir. Quando o fizeram deu tudo certo! É isso que eu tenho que fazer se quiser mesmo ficar com a Hermione. Tenho que mostrar para ela o que sinto." /i

Ele sorriu sozinho. Era incrível como admitir para si mesmo que estava gostando de Hermione o fez sentir-se bem. Era como se tivesse chegado à solução de um problema muito complicado. Tudo que precisava agora era quebrar a barreira que Hermione havia criado entre eles, sabe-se lá por que.

_ i "Mas como?" /i – perguntou-se. – i "Talvez eu tenha que conquistá-la aos poucos." /i– imaginou, então pegou-se rindo ao se lembrar de Rony lendo com afinco o livro "Doze maneiras infalíveis de encantar bruxas". – i "Será que vai dar certo de novo?" /i – então ficou sério ao ver, como num flash, a cara desesperada do amigo ao enfrentar a imagem da horcruxe, na qual Hermione o beijava. – i "O que Rony pensaria disso? E Gina?" /i

Toda animação que o havia invadido minutos atrás se esvaíra. Achar que Hermione gostava mais de Harry do que dele sempre fora uma das inseguranças de Rony. Seria certo fazer isso com seu grande amigo, mesmo estando ele morto? Harry não tinha mais certeza, e sabia que não conseguiria descobrir a resposta naquele momento, então decidiu dormir. Era o melhor que poderia fazer naquele instante, afinal.

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i Aqueles que julgavam que a inconstância afetiva era uma característica adolescente de uma garota na flor da idade e com os hormônios em total confusão, tiveram essa semana uma prova irrefutável de que não é isso o que acontece com Hermione Weasley, antiga Hermione Granger e, quem sabe, futura Hermione Potter. Isso se Harry Potter ainda a quiser.

Viúva há quase um ano, Hermione Weasley nem mesmo esperou que o marido realmente desencarnasse para se mudar para a casa de seu "melhor amigo" Harry Potter. Quando todos achavam que "o-menino-que-sobreviveu-de-novo" era consolo suficiente para essa então distinta dama, a referida mulher é vista num jantar romântico com um trouxa!

Mais uma vez, senhoras e senhores, a fama e o carisma de Harry Potter não foram suficientes para essa caçadora de estrelas. Não satisfeita em se relacionar com homens famosos do mundo bruxo, Hermione foi atrás de um famoso escritor de histórias infantis no mundo trouxa!

Será que o coração "daquele-que-triunfou-sobre-vocês-sabem-quem" resistirá a mais essa tragédia amorosa? É o que vos pergunta Rita Skeeter, da redação do Profeta Diário. /i

_Eu-não-ACREDITO! – Hermione amassou, com raiva, a folha que acabara de ler.

Seus olhos estavam cheios de lágrimas de raiva, seu rosto estava vermelho e as juntas de suas mãos brancas, de tanto que apertavam a agora bolinha em que se transformara aquele exemplar do Profeta Diário.

_Eu-não-posso-acreditar! – ela repetiu, inconformada.

_Hermione, calma! – Harry pediu, sentindo também uma queimação no peito, mas não a deixando transparecer.

_Calma?! – ela olhou para o amigo, inconformada. – Você me pede calma?! – disse. – É a segunda vez que essa mulher me difama publicamente, Harry! E agora ainda insinuou que eu não liguei para a morte do Rony!

_Todos sabemos que isso é uma grande men...

_Vocês sabem! Mas as dezenas de ignorantes que lêem a coluna da Skeeter não! Lembra-se do que fizeram comigo na escola?! Até a senhora, sra Weasley, que me conhecia há tanto tempo acreditou no que ela dizia!

_Eu sei, querida, e eu não me orgulho disso! – a sogra a pegou pelos ombros e a levou até a cadeira mais próxima. Depois conjurou um copo de água com açúcar para ela. – Mas pode ter certeza de que não acreditei em uma só palavra do que essa... Essa mulher escreveu dessa vez!

Harry, Hermione e as crianças estavam na Toca naquele domingo, para um jantar em família. A sra Weasley, assim como todos os outros Weasley, com exceção, talvez, das crianças, já haviam tomado ciência da matéria escrita no exemplar dominical do jornal bruxo.

Foi na intenção de não causar muito constrangimento que a velha senhora, acompanhada do marido, chamaram o casal para conversar e mostrar a matéria difamadora.

_E por que ela só falou de mim?! – Hermione perguntou, indignada. – Harry saiu naquele mesmo dia com outra mulher! Por que ela só escreveu de mim?!

_Me colocar de vítima daria muito mais efeito, Hermione. Ela é uma sensacionalista. Você devia saber disso. – Harry sentou-se em frente à amiga, chateado.

_Isso não é justo. – as lágrimas de Hermione rolavam agora, incapazes de se conterem. – Eu nunca fiz nada para ela, fiz?

_É claro que não, querida... – a sra Weasley tentou consolar.

_Mas vou fazer! – Hermione levantou-se de um salto, assustando os demais. – Vou contar ao Ministério o que eu sei sobre ela! Ah se vou!

_Hermione vai com calma! Você não tem como provar! – Harry levantou-se também, na esperança de persuadi-la. – E depois de tantos anos você mesma pode acabar prejudicada!

_Do que é que vocês dois estão falando? – o sr Weasley pronunciou-se então, curioso.

_De animagia, sr Weasley! Rita Skeeter é um animago não registrado! – ela falava com raiva. – Eu descobri isso durante o Torneio Tribuxo. Lembra-se como, naquela época, segredos das pessoas começaram a pipocar no Profeta Diário, inclusive o fato do Hagrid ser um gigante?! Aquilo quase acabou com ele, coitado. – ela voltou a se sentar.

_Mas... Mas isso é muito sério, Hermione! – o homem se indignou. – Isso é... isso é um crime!

_Exato, sr Weasley! E ela vai me pagar por estar dizendo mentiras a meu respeito!

_Não acho que essa seja uma boa idéia, Hermione. – Harry falou então. – Nós sabemos desse segredo há mais de 10 anos e nunca dissemos nada. Podemos acabar sendo indiciados como cúmplices dela!

_Eu?! Cúmplice de Rita Skeeter?! – ela olhava para ele raivosa. – Nunca!

_Mas não é o que vão pensar! – ele continuou. – Skeeter é uma pessoa pública e adorada por muitos. E você, agora, é uma das mulheres mais odiadas da Inglaterra. Que chances você acha que tem? Vão dizer que você inventou isso para se vingar. Você não tem como provar o que está dizendo.

_Harry tem razão, querida. – a sra Weasley concordou. – O melhor que você pode fazer agora é esfriar a cabeça e se preparar para as represálias que virão. Saiba que nós estaremos a seu lado, querida. Todos nós sabemos que isso não passa de uma grande mentira.

_Ok... – Hermione suspirou mais calma. – Obrigada pelo apoio sra Weasley. – ela sorriu, ligeiramente. – É bom saber que vocês acreditam em mim. Eu nunca faria uma coisa dessas! E jamais me relacionaria com outra pessoa logo depois da morte do Rony!

_Nós sabemos disso, Hermione. – o sr Weasley deu batidinhas na mão dela, para enfatizar seu apoio.

_Pois é... – a sra Weasley falou então, num tom mais grave. – Por falar nisso... – então se sentou ao lado de Harry, de frente para Hermione. – Vocês sabem que eu fui a primeira a apoiar que você se mudasse para a casa do Harry, não sabem? Para que vocês se apoiassem naquela hora tão difícil.

Harry e Hermione se entreolharam, apreensivos.

_Mas eu realmente achei que você fosse ficar só seis meses lá, querida. – a senhora falou tentando parecer o mais delicada possível.

_Hum... Sra Weasley... – Hermione tentou, as bochechas ficando rosadas.

_Eu... – a sogra a interrompeu. – Sinceramente não vejo nada demais nisso. – ela sorriu. – Sei o quanto a amizade de vocês é forte. Sei por que estão fazendo isso, mas os outros não sabem e... Bem... Não é muito certo que um homem e uma mulher morem na mesma casa sem serem casados, não é? – ela despejou então.

_Ora, Molly! Harry e Hermione são praticamente como irmãos! Você sabe disso. – o sr Weasley falou, embora sua expressão não negasse a concordância com a esposa.

_Mas é o que estou dizendo! – ela olhou para o marido, visto que Harry e Hermione evitavam olhar para eles. – Mas os outros não sabem. É normal que todos achem que eles são um casal. E Harry é um homem muito conhecido. É normal, embora desagradável, que todos queiram saber como vai a vida dele!

_Achei que toda esse interesse ia passar depois do fim da guerra. – Harry falou, melancólico. – Estava quase achando que poderia levar uma vida normal, até a Skeeter aparecer e estragar tudo!

_Oh, querido... – a sra Weasley tentou.

_Se vocês me dão licença. – Hermione levantou-se, então. – Não há mais clima para confraternização hoje. Desculpem-me, sr e sra Weasley, mas eu vou para casa, ou melhor, para a casa do Harry. Mas não se preocupem, será só pelo tempo necessário para que eu arrume minhas coisas e volte para a minha casa.

_Oh, querida, por favor. Não foi isso que eu...

_Não se preocupe, sra Weasley. – ela disse antes de sair. – Eu entendo! E concordo com a senhora. Se me dão licença... – e saiu em direção ao quintal para pegar Jordan com um dos tios e ir-se embora.

_Hermione espera! – ela ainda o ouviu pedir. – Desculpem-me também, mas... – Harry não sabia o que dizer.

_Nós entendemos, Harry. – o sr Weasley levantou-se, aborrecido. – Vá resolver o que tiver que resolver, filho.

_Falo com vocês depois! – ele disse e saiu correndo atrás de Hermione.

_Viu o que você fez, Molly? – ele ainda ouviu o sr Weasley ralhar com a esposa.

_Oh! – a mulher fez cara de pena. – Alguém tinha que dizer, querido!

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_Você não estava falando sério, não é? – Harry perguntou, preocupado, segurando Cath em um dos braços enquanto, com a varinha, abria a porta da casa.

_É claro que estava, Harry. – Hermione respondeu, desanimada.

_Mas Hermione... – ele tentou.

_Não diga nada, Harry. Vai ser melhor assim. Você não percebeu o verdadeiro teor daquela conversa, percebeu? – ela colocou Jordan no chiqueirinho que estava montado na sala.

_Do que você... – mas ele não pode terminar.

Naquele instante uma coruja parda entrou pela porta que ainda estava aberta e foi parar perto de Hermione, deixando uma carta em suas mãos.

_De quem será? – ela perguntou, curiosa. Abriu a carta e preferiu não tê-lo feito. – Ah não!

Antes que Harry pudesse entender o que estava acontecendo Hermione ateou fogo à carta. Tudo que ele viu depois foram três bolinhas torradas rolarem pelo chão da sala: eram bombas de bosta queimadas, portanto sem efeito.

_Viu só? – Hermione olhou, novamente com os olhos molhados. – Imagine se eu abro isso com Jordan nos braços? Imagine se fosse pus de bubotúbera?

_Hermione... – mas outra coruja deu um rasante pela janela e parou perto de Hermione novamente.

_Não vai ter jeito, Harry. – ignorando a carta, Hermione pegou Jordan nos braços e subiu para seu quarto.

Harry a seguiu. - Você não pode se deixar pressionar desse jeito, Mione!

Ela colocou Jordan na cama e foi direto para o guarda-roupas, de onde começou a tirar tudo e, com o auxílio da varinha, separar em malas.

_Não se trata apenas do que disse a Skeeter, Harry... – uma coruja bicava o vidro da janela agora. – Você não percebeu o modo como a sra Weasley colocou as coisas?

_Do que é que você está falando? – Harry colocou Cath ao lado de Jordan e foi abrir a janela, pelo menos para livrar a coruja de sua carga. Não abriu a carta, lógico.

_Harry... – Hermione decidiu se acalmar e conversar com ele direito. Sentou-se na cama e, visto que Jordan e Cath engatinharam em sua direção, colocou cada um sentado em uma perna sua. – A sra Weasley ainda não acredita no que a Skeeter fala sobre nós dois, mas também não duvida completamente da possibilidade.

Cath resolveu ficar em pé para brincar com os cabelos de Hermione. Harry sentou ao lado deles e tentou tirar a menina do colo dela. Cath começou a chorar para não sair, e Jordan começou a chorar pela atenção do padrinho. No fim das contas, Harry segurava Jordan e Hermione ficara com Cath.

_Será que dava para você ser mais clara? – Harry pediu, embora estivesse entendendo exatamente onde ela queria chegar.

_Ah Harry! Você entendeu o que eu quis dizer! – ela falou, impaciente. – A sra Weasley não duvida, como o sr Weasley, que possamos ter alguma coisa um com o outro, e ela não gosta nada da idéia! – falou de uma vez só, evitando olhá-lo e já com o rosto vermelho.

Harry ficou ainda alguns segundos sem saber o que falar, mas por fim resolveu arriscar: - E o que você acha?

_Como assim?! – Hermione se assustou.

_Qual é, Hermione! – ele se impacientou, chamando a atenção até dos dois bebês. – Vamos parar de fingir que não nos beijamos aquele dia na escada, e que não teríamos ido mais adiante se a Cath não tivesse acordado bem na hora!

_Harry! – ela levantou-se, nervosa, colocou Cath na cama – que começou logo a chorar – e se pôs a recomeçar a arrumação de suas coisas.

_Hermione! – Harry se exaltou novamente.

_Foi apenas um impulso Harry! E hoje você viu que seria um erro se fosse adiante!

_Erro?! Por quê?! – Harry também colocou Jordan na cama e começou a seguir Hermione, na tentativa de fazê-la parar e olhar para ele enquanto conversavam.

_Porque ninguém entenderia, Harry. Porque não seria o correto. Você era o melhor amigo do Rony, Harry, e eu muito amiga da Gina. Nós sempre fomos como irmãos, todo mundo sabe disso. É... Sei lá... Esquisito!

_Então você já pensou sobre isso, não é? Então você admite que está acontecendo...

_Não está acontecendo nada, Harry. – ela se acalmou, mas foi enfática. – E nem vai acontecer. – explicou. – Como você acha que os Weasley vão se sentir se, de repente, nós dois ficássemos juntos? Seria terrível para eles. Afinal eles perderam dois filhos ao mesmo tempo, mas nós estamos aqui. Você tem alguma dúvida que, mesmo gostando muito de nós, e eu não duvido disso, eles não prefeririam que Rony e Gina tivessem sobrevivido?

_Não. – Harry suspirou e baixou a cabeça, derrotado. – Não duvido não.

_Pois é. Vai ser melhor assim. Além do mais, nós dois sabíamos que não poderíamos morar juntos a vida toda. Já tínhamos conversado a respeito.

_Mas isso foi antes do que aconteceu, Mione... As coisas mudaram...

_E vão mudar de novo. Nós vamos mudá-las de novo, e arrumar toda essa confusão. – com um aceno de varinha ela fez as três malas se fecharem. – Você fica com as crianças enquanto eu arrumo as coisas do Jordan? – perguntou.

_Deixa para ir amanhã. Não precisa sair daqui correndo, Mione.

_Não Harry. Vamos fazer isso de uma vez, antes que aquela desgraçada da Skeeter arrume mais alguma coisa para falar sobre nós! – os olhos dela voltaram a exalar a raiva que demonstraram mais cedo.

Embora ainda pouco convencido, Harry teve que admitir que, pelo menos por um tempo, aquela seria a melhor atitude a ser tomada. Inconformado, ele passou o dia distraindo as crianças enquanto Hermione, recusando qualquer ajuda, arrumava suas coisas e as do filho para voltarem para a aconchegante, mas solitária, casa que ela havia montado com tanto carinho ao lado de Rony.

Já era fim de tarde quando as malas ficaram prontas e foram amontoadas na sala a espera da chave de portal que levaria Hermione e o filho para longe de Harry e Cath. A despedida só não fora pior porque, àquela altura, as duas crianças estavam num cochilo gostoso e não notaram a estranha movimentação na casa.

Foi difícil para Harry vê-la partindo de novo. Dobby também assistira a partida, balançando-se chateado enquanto a luz azulada começava a exalar da chupeta velha de Jordan. Hermione ainda acenou para os dois, que acenaram de volta, tristemente. Quando a luz, a chupeta, Hermione, o bebê e as malas desapareceram por completo, Harry não tinha mais o que fazer além de jogar-se no sofá e contemplar o silêncio que se fizera no Largo Grimmauld de repente.

N/A: Aí está, mais um cap. Demorou, para variar, mas saiu. Espero que agrade a vcs.

Como vcs devem ter percebido, há algum spoiler do livro 7, embora a fic seja até o sexto livro, mas é q o episódio da horcrux e do livro do Rony se encaixavam tão bem naquele momento q eu não resisti. Mas se alguém achar q isso não é legal, q fica confuso ou coisa assim, por favor, me avisem. Será q há algum leitor de fic q ainda não tenha lido o livro 7? Duvido q eu tenha estragado a surpresa de alguém, mas vou entender se tiver feito algo errado.

Como sempre, fico aguardando os coments. Comentem, por favor!!!!