Capítulo 7

*~*~*
É difícil voar quando você não pode nem correr
Uma vez eu tive o mundo, mas agora não tenho nenhum.

Se eu precisasse de alguém para me controlar
Se eu precisasse de alguém para me segurar
Eu mudaria a minha direção
E me salvar antes que eu afogue

Drown – Three Days Grace.

BPOV

A noite continuou a passar, com cada encontro parecendo se arrastar ainda mais do que o último. Eu tentei continuar focada, mas apesar dos meus melhores esforços, minha atenção começou a declinar e tudo – os alunos, seus pais, as perguntas – se manchou em um nevoeiro sem sentido. Assim que deram nove horas, eu já tinha errado o nome de dois alunos, pronunciado errado mais três e até mesmo chamado um rapaz robusto jogador de futebol do segundo ano de 'Katherine'. Era oficial; eu estava despedaçando-me.

Por isso eu fiquei severamente aliviada quando o sinal finalmente tocou às 21:30, significando o fim dos encontros. Eu disse um adeus ansioso para o meu último aluno e seus pais, que pareciam espantados com a minha animação repentina, e os conduzi para a saída. Uma vez que eles estavam seguramente na porta, eu retornei para a minha mesa e cai exaustivamente em minha cadeira. Que noite. Eu estive errada quando eu previ que a noite seria desagradável; foi muito, muito pior. A palavra "desastre" não era de perto forte o suficiente para descrevê-la. Meu comportamento em relação a Edward tinha sido intimidante e eu me sentia mal pelo jeito como eu menti para Esme. Minha única consolação era que ao menos eu não tinha realmente perdido alguma coisa; não era como se Edward tivesse tido muitos sentimentos calorosos em relação a mim em primeiro lugar, agora ele apenas teria consideravelmente menos. Não, meu problema mais urgente não era Edward; mas era o assunto sério dos meus colegas. Enquanto eu olhava ao redor, percebi que quase todos eles estavam ou olhando ou falando sobre mim. Tanto que tentei permanecer discreta acerca da minha discussão pública com Edward na sala de aula; em meros poucos momentos eu fiz toda a situação ficar dez vezes pior. As poucas pessoas que não estavam cientes de qualquer 'problema'que rodeavam a mim e ao atraente novo aluno, agora certamente estariam. Eu podia sentir o pânico crescer em minha garganta, e eu de repente me tornei muito consciente da maneira que os olhos de todo mundo estavam perfurando-me. Era como estar debaixo de um brilhante holofote extra. Eu tenho que ir embora, eu pensei comigo mesma. Rapidamente comecei a juntas meus papeis, ignorando os sussurros e cabeças agitando-se em minha direção quando eu fazia isso. Minhas bochechas estavam pegando fogo conforme eu pulava e empurrava minha cadeira para debaixo da minha mesa. Eu estava prestes a embarcar na minha caminhada para a porta – desde quando ela tinha estado tão distante? – olhando determinantemente para ela, quando uma sombra cruzou meu caminho. Eu olhei para cima e vi uma das Assistentes de Professor – uma mulher baixa e com curvas, de cabelos loiros crespos e grandes olhos azuis; seu nome era Leanne. Eu tinha trabalhado com ela nas minhas turmas do penúltimo ano no ano passado e ela certamente pensou que isto significava que nós estávamos em condições de falar. Ela estava no mesmo me olhando com uma expressão ousada e quando eu olhei para detrás dela, eu vi que os seus amigos estavam nos assistindo ofegantes de algumas mesas distantes. Senti como se minhas entranhas estivessem ensopadas de gelo. O que ela quer? Ela vai me perguntar algo sobre Edward? Ela faria isso na frente de todas essas pessoas? Minha mente entrou em esgotamento e eu me preparei para o pior cenário.

"Quem era aquele cara?" Leanne perguntou ofegante. Senti meu corpo enrijecar. O que eu poderia dizer? 'Oh, ele é meu ex-namorado vampiro de 112 anos, por que você pergunta?' Eu me encolhi; toda essa situação teria sido perfeitamente evitada se não fosse por minhas ações precipitadas.

"Ele é um aluno aqui…" Eu disse cautelosamente, tentando agir como se a sua pergunta significasse nada para mim.

Ela olhou confusa para mim por um segundo, antes de repentinamente soltar uma gargalhada estridente e irritante. "Oh meu Deuso, eu não quis dizer o garoto! Eu quis dizer o cara com ele!" A princípio eu fiquei distraída pelo fato de ela ter acabado de chamar Edward de garoto – algo que tanto me divertia quando eu imaginava sua reação, quanto me mortificava quando eu lembrava da diferença de idade entre nós. Depois de alguns momentos, no entanto, eu tentei processar o resto da frase.

"Você quer dizer Carlisle?" Eu perguntei, surpresa. Eu olhei com descrença enquanto ela praticamente tinha uma síncope bem na minha frente.

"Esse é o nome dele?" ela perguntou avidamente, "Eu deveria ter sabido que seria tão gato quanto ele. Ele é lindo, não é?".

Eu apenas olhei para ela de boca aberta. Carlisle? Gato? Claro, eu sempre soube que ele era extraordinariamente atraente – Eu não era cega, afinal de contas – mas eu nunca pensei nele como 'gato'. Era bizarro demais; ele era quase meu pai e, embora ele estivesse apenas nos seus 20 e poucos, ele sempre pareceu muito mais maduro. Parecia estranho ter essa conversa e de repente eu senti um pouco de náusea.

"Então, por que ele estava aqui na noite dos pais? Ele parece, tipo, ter vinte e seis?" Leanne perguntou, trazendo-me de volta à Terra.

"Hm, sim, mais ou menos essa idade," Eu disse rapidamente, olhando ansiosa para a porta, "Ele é o pai de Edward – pai adotivo, é isso. Ele e Esme adotaram Edward e seus irmãos a alguns anos atrás," Eu expliquei. "Nenhum deles é aparentado, bem, os loiros são, mas os outros não. Eles estão todos juntos, embora, mas tudo bem, porque eles não são realmente irmãos e irmãs". O que aconteceu comigo? Parecia que eu tive uma diarréia verbal. Fechei minha boca, notando a expressão confusa de Leanne.

Ela me fitou estranhamente por um momento, antes de perguntar, em tons de desapontamento, "Então Carlisle e a morena são casados?".

"Uh-huh," eu disse, não querendo me permitir a sair em outro tangente nervoso, "muito feliz no casamento, tem sido por anos; o casal perfeito. Você me dá licença?".

Sem esperar pela resposta, eu andei apressadamente na direção da saída, ignorando o grito de Leanne "Espera, ele, tipo, tem um irmão?" e saindo de vista, deixando as portas duplas pesadas fecharem-se atrás de mim. O corredor estava tranquilo e vazio – uma excelente melhoria no saguão barulhento. A maioria dos alunos e seus pais pareciam já ter deixado o prédio; sem dúvidas eles ainda tinham esperanças de salvar sua noite de Sexta-feira. Eu olhei para fora da janela e vi que no mínimo outra polegada de neve tinha se acumulado no chão do lado de fora nas três horas que eu estive no saguão. Eu xinguei o mal tempo. Eu iria dirigir minha moto até em casa esta noite, neve extra era a última coisa que eu precisava. Dificilmente eu usava a moto no inverno de qualquer maneira, mas eu fui forçada a usá-la esta noite por causa do errático e inútil horário dos ônibus de Rochester nas noites de Sexta-feira; minha escolha era montar na minha moto até em casa ou esperar por uma hora e meia na parada de ônibus fria. Eu estava começando a me perguntar se a parada de ônibus não tinha sido uma ideia melhor; apesar de que eu tinha correntes especiais nos pneus, elas eram limitadas em sua eficácia, especialmente na neve profunda. Uma coisa estava certa; não seria um passeio agradável.

Foi com um coração pesado que eu me desviei da janela e comecei a andar através do corredor até o meu escritório, que ficava no outro da escola. Enquanto eu virava a esquina, eu congelei. Havia alguém sentado em uma cadeira no final do corredor, mas estava escuro demais para eu identificar quem era. Sem vontade de falar com qualquer um dos meus colegas de novo, eu comecei a me virar, pretendendo fazer uma rápida saída, mas então a figura se levantou e deu um passo para a luz e eu percebi com choque quem era.

"Alice!" eu exclamei involuntariamente. No minuto em que eu disse isso, eu desejei não ter dito. Diferente de seu irmão, Alice não fez nenhuma tentativa de entrar em contato comigo desde a sua chegada em Forks; eu malmente tinha a visto, exceto pelas raras olhadas no almoço ou no meu caminho para a aula. No início eu fiquei muito chateada com o seu silêncio, mas eu tinha gradualmente aceitado isso. Eu não podia mentir e dizer que isso não magoou – magoou, terrivelmente, - mas eu decidi que era muito melhor em longo prazo se Alice não quisesse que fôssemos amigas. Deste jeito, quando os Cullens deixassem como eu sabia que eles inevitavelmente iriam, eu apenas teria que suportar a dor de perder Edward de novo e não de Alice também. Tudo isso me fez ter certeza de que Alice não apreciaria minha conversa com ela.

Mas eu fui surpreendida. Ao invés de meramente me reconhecer com um aceno de cabeça e fugir, Alice deu alguns passos em direção a mim, antes de parar incerta na metade do corredor. Ela abriu sua boca como se fosse falar e depois parou com dúvida de novo, como se estivesse receosa em como ela seria recebida. Finalmente ela falou, "Oi".

De repente me ocorreu que talvez a razão da incerteza de Alice fosse que ela estava preocupada sobre a minha reação em relação a ela. Era uma ideia ridícula, mas que parecia mais provável quando eu reparei em sua expressão ansiosa. Se isso era o que ela estava pensando, eu tinha que colocá-la na reta, independentemente do que isto faria para mim depois. Eu sorri para ela com toda a força que poderia reunir. "Hey Alice," eu disse suavemente, "como você tem estado?". Sem aviso, ela pulou graciosamente na minha direção, jogando seus braços firmemente ao redor do meu pescoço.

"Oh, Bella," ela sussurrou em meu ombro, seu doce perfume me envolvendo. "Eu tenho sentido tanto a sua falta!" Ela rompeu e deixou escapar um soluço sem lágrimas, abraçando-me bem apertado. Eu afaguei sua costa falhamente, incapaz de fazer outra coisa; agora estava tornando-se extremamente difícil para eu respirar; Eu tinha esquecido como apertado os abraços de um vampiro era. Ela pareceu notar o meu desconforto, porque de repente ela afrouxou o seu aperto em mim e inclinou-se um pouco, examinando meu rosto com olhos tristes. "Eu sinto muito Bella," ela disse melancolicamente, "por tudo, por ter partido, por não ter dito adeus," ela balançou sua cabeça tristemente "Eu nunca deveria ter concordo com isso, mas ele me fez". Eu tropecei na menção de Edward e imediatamente tentei guiar a conversa de volta para assuntos mais seguros. "Hm, tudo bem Alice," eu disse e, quando as palavras deixaram meus lábios, eu percebi que eu realmente quis dizê-las. Assim como eu estive com Carlisle e Esme, eu estava feliz de ter Alice de volta em minha vida. Ela ainda era a melhor amiga que eu já tive e eu não poderia honestamente dizer que eu estava tudo, menos satisfeita em vê-la de novo. Porém, parecia que Alice não seria detida e ela continuou a se perdoar.

"Eu queria vir e ver você, para explicar, mas Edward disse que eu não podia, ele estava muito ansioso para partir," eu estremeci fracamente com esta confirmação inadvertida da indiferença de Edward em relação a mim, mas Alice continuou abstraidamente, "e depois quando nós chegamos à Rochester, ele disse que ele queria conversar com você sozinho, então-".

Fiz uma careta. Mais conversa sobre Edward. "Tudo bem," eu repeti, "Eu te perdoo completamente; dificilmente há algo a perdoar".

Ela olhou para mim ansiosamente antes de continuar, "Tem certeza? Você não está mesmo com raiva? Porque se você estiver, eu posso totalmente me ajoelhar e implorar por perdão; eu tenho tudo planejado e tal, eu até mesmo vesti um jeans surrado esta noite!" Eu tinha que ir enquanto eu olhava para a roupa perfeita de Alice, os maravilhosos jeans rasgados que pareciam que tinham vindo direto de uma passarela Italiana. Somente Alice poderia chamar tal vestuário deslumbrante de 'surrado'.

"Não," eu assegurei para ela, "Eu não quero que você implore. Eu aceito completamente o seu perdão".

Uma expressão de grande alívio passou por suas feições. "Graças a Deus," ela exalou, "Eu estava tão preocupada que você não gostaria de falar comigo de novo. O que eu teria merecido totalmente; como eu agi foi horrível". Ela envolveu seus braços ao redor de mim novamente, "obrigada", ela disse, suas palavras abafadas pelo meu ombro.

"De nada," eu respondi, abraçando-a de volta por alguns momentos. Enquanto eu a soltava, no entanto, algo me golpeou. "Espere um segundo," eu pedi perplexa, "você não viu a minha aceitação chegando? Quero dizer, você não pode ver que eu estaria bem com isso?"

Uma expressão levemente estranha e envergonhada passou pelo rosto de Alice. "Bem... não, eu não pude," ela respondeu relutantemente, "Eu não tenho sido capaz de ver você por... bem por cerca de seis anos, na verdade". Eu olhei espantada para ela. Seis anos? Então basicamente desde-

"Desde que você partiu, então?" eu perguntei, na necessidade de esclarecimento. Nunca, no ano em que eu tinha conhecido os Cullens em Forks, nenhum deles tinha mencionado que as visãos de Alice, relativas a uma certa pessoa, poderiam parar completamente. Eu me perguntei severamente o que isso dizia sobre o meu futuro relacionado ao dela e ao de sua família.

"Não exatamente, eu pude ver você por alguns meses depois de partimos…" Alice deixou a frase se seguir e eu percebia que ela deveria estar pensando no meu estado de zumbi que tinha englobado grande parte do semestre do Outono do meu último ano. Eu senti meu rosto enrubescer com vergonha; nunca tinha ocorrido para mim que naquela época Alice poderia testemunhar minha dor. "Mas depois em algum tempo em Fevereiro, tudo que tinha a ver com você desapareceu," Alice continuou. "Eu não poderia ver você ao todo, nem mesmo pequenos vislumbres; isto era aterrorizante para mim – Eu nunca tinha me sentido tão cega em minha vida". Ela estremeceu levemente, sua expressão assombrada. "Eu comecei a entrar em pânico; eu não sabia o que tinha acontecido com você. Eu comecei a me perguntar se talvez você tivesse morrido. Então eu voltei para Forks".

Ao ouvir essas palavras, eu arfei e me movi para trás para olhar melhor para ela. "Você o que??" Eu perguntei em descrença. Ela voltou sem contar para mim?

"Eu voltei," ela repetiu envergonhada, "foi durante o dia, você estava na escola. Eu fiquei no estacionamento olhando você atráves da janela, apenas o suficiente para saber que você ainda estava viva...".

"... depois você foi embora de novo," Eu disse seca. Em pensar que ela tinha estado lá me observando, e eu nunca soube. O que eu teria feito se eu tivesse visto-a? Chorado? Rido? Gritado? Talvez fosse melhor eu não ter visto; em Fevereiro eu malmente tinha começado a me recuperar do abandono de Edward e eu ainda estava bastante emocionalmente frágil. Quem sabe como eu teria reagido ao vê-la, apenas para depois ter que ser abandonada por ela de novo?

"Eu não quis!" Alice assegurou para mim urgentemente, "Honestamente Bella, se as coisas fossem do meu jeito, nós nunca teríamos partido, mas Edward me fez prometer a não procurar pelo o seu futuro ou entrar em contato com você. Ele me convenceu que isto era o melhor, mas..." ela hesitou um pouco, antes de continuar mais cautelosamente, "bem, depois do que vi naqueles poucos primeiros meses... Eu não estou tão certa se eu concordo". Houve um longo silêncio depois disso, no qual nós duas ficamos em pensamentos sobre a minha catatonia prolongada. "Desculpe-me," ela disse finalmente em uma voz baixa, "Me desculpe por tudo que nós te fizemos passar; você teria ficado melhor se você nunca tivesse me conhecido". Este pedido de desculpas me tirou dos meus devaneios e eu olhei para Alice ferozmente.

"Não Alice, não se atreva a pedir desculpas por todas essas coisas. Eu nunca vou me arrepender de ser sua amiga, uma só vez. O tempo que passei com você e sua família no verão depois do meu último ano foi o melhor tempo da minha vida e nada pode mudar isso. Eu... Eu não posso te dizer o quanto eu estou feliz por você estar de volta e estou determinada a dar o máximo disso". Antes que você vá embora de novo. A última parte da frase não foi falada, mas eu sabia que ela poderia sentir isto suspendido no ar. Houve outro longo silêncio no qual eu sorri timidamente para Alice, enquanto interiormente eu me perguntava se eu tinha sido muito indiscreta. Eu fiquei tranquila, no entanto, quando ela finalmente quebrou o embaraço com um grande e radiante sorriso.

"Eu senti mesmo a sua falta," ela disse, mostrando seus dentes perfeitos para mim, "nós temos tanto a conversar. Eu quero saber tudo que aconteceu com você desde a nossa partida". Isto não vai durar muito, minha mente disse ironicamente, mas eu tentei colocar um sorriso convincente.

"Parece ótimo," eu disse tão entusiasmada o quanto eu podia. Na verdade, eu estava um pouco apreensiva de debater sobre qualquer assunto de conversa com Alice que pudesse transferir-se para Edward. Se Alice notou minha relutância, no entanto, ela não mostrou nenhum sinal aparente disto.

"Quais são os seus planos para esse fim de semana?" ela perguntou alegremente.

"Hm..." De certo modo, eu não sabia que, tanto quanto Alice estava preocupada, ler resmas de poesias depressivas e consumir metade dos conteúdos da minha geladeira não contaria como 'planos'.

"Excelente," ela falou, "você pode vir fazer comprar com Rosalie e eu" Woah, para aí.

"Rosalie?" eu perguntei incrédula para Alice, "Você está certa de que isto é uma boa ideia?" Eu sabia que Rosalie sempre teve a maior dificuldade em me aceitar em sua família, e eu nem sequer tinha uma relação próxima a ela, mesmo nos melhores épocas. Ela geralmente me tratava como um engarrafamento na hora do rush: irritante, mas inevitável. Eu secretamente pensava que isto era porque ela ressentia o fato que eu tinha sido incapaz de corresponder aos seus padrões de perfeição. Eu nunca tinha pronunciado essas opiniões, entretanto, eu sempre soube que Alice amava a sua querida irmã e não aceitaria de bom grado comentários depreciativos sobre ela.

"Oh qual é agora," Alice disse alegremente, "você e Rosalie eram amigas também!" Houve um silêncio enquanto eu examinava Alice com uma expressão de 'você ficou completamente insana?' "Bem, tudo bem," ela finalmnete admitiu a contragosto, "isto não é terminantemente verdade-".

"Não é terminantemente verdade?!" eu perguntei com espanto, "Alice, é de mim e de Rosalie de quem nós estamos falando!"

"-mas não há nenhuma razão para vocês não serem amigas agora!" ela finalizou, ignorando minha declaração. "Além disso, eu tenho quase certeza de que você sentiu a falta dela. Por uma coisa, a vida tem sido muito menos interessante sem você-" Eu bufei; era legal saber que ela achava que a minha pessoa ser perseguida por um vampiro psicótico do outro lado do país como 'interessante', "-e por outra, ela pensa que você tem uma boa influência em Edward". Eu senti meu estômago dar uma guinada; nós tínhamos voltado de alguma maneira ao assunto de Edward de novo. Havia alguma escapada disso? Tamanho era o meu desprazer que eu não notei o grande sorriso que passou pelo rosto de Alice ao falar suas palavras, como se ela estivesse recordando de uma memória divertida em particular. No entanto antes que eu pudesse perguntá-la sobre isso, ela me encarou com um olhar determinado novamente. "Então você vai conosco amanhã?" Seus olhos se arregalaram e ela olhou para mim, seu rosto cheio de esperança suplicante.

"Eu não sei..." eu disse sem compromisso. Eu queria sim recuperar os velhos tempos com Alice – Eu poderia até mesmo aguentar um dia de compras com Rosalie – mas eu ainda estava relutante em me submeter à desnecessária 'conversa sobre Edward'.

"Por favoooor," ela adulou descaradamente. Eu suspirei; em algum lugar havia um cachorrinho que gostaria de ter seus olhos de volta. Balancei minha cabeça em minha própria fraqueza.

"Tudo bem," eu desabei.

"Sim!" ela gritou alto, me abraçando rapidamente de novo antes de bater suas mãos em alegria. "Você não vai se arrepender, vai ser brilhante".

"Claro, claro," eu disse tolerantemente, "mas vai ser apenas fazer compras com você e Rosalie, certo? Não haverá nenhuma… nenhuma pessoa lá?" Eu sabia que eu estava sendo ridícula, mas eu ainda não podia me fazer dizer o seu nome quando eu poderia evitá-lo.

Alice imediatamente sabia de quem eu estava falando – ou melhor, de quem eu não estava falando. Seu sorriso enfraqueceu levemente, mas ela tentou encobri-lo. "Não, apenas seremos nós, garotas; nós faremos um dia cheio disso! Eu ainda não tive a chance de verificar os shoppings aqui, mas eu escutei que eles são bastante aceitáveis. Claro, nós poderíamos fazer um dia de viagem para Nova Iorque…" Eu suspirei com alívio e relaxamento, meio fora de mim, enquanto Alice entrava em um monólogo em que ela parecia analisar cada shopping center que ela tinha visitado e deu para cada um pontos de dez em mais de cinco categorias diferentes. Enquanto ela falava, nós andávamos em direção ao escritório, onde eu peguei uma mochila grande. Eu tinha trocado-a pela minha mochila de costume para esta noite, porque eu precisava de um espaço extra para colocar minha jaqueta de couro e capacete. Apenas recentemente que eu comecei a usar equipamentos seguros – principalmente por causa das intermináveis ameaças e apelos de Charlie, culminando em uma promessa de que ele me tiraria de seu testamento se eu não tivesse me persuadido – e até mesmo agora eu não me lembrava de usá-los tão frequentemente quanto eu deveria. Alice não me perguntou o porquê de minha mochila ser tão grande e eu não contei a ela; eu não precisava ser psíquica para adivinhar que ela ficaria menos impressionada com os meus novos meios de transporte preferidos. Assim que fizemos nosso caminho através do prédio para o estacionamento, nós nos encontramos com Rosalie.

"Aí está você," ela disse muito rápido para Alice, "onde você esteve? Carlisle me disse para vir e procurar você, os outros estão-" ela parou abruptamente quando me notou ao lado de Alice. "Oh," ela disse brevemente, um olhar de compreensão irritada passando pelo o seu rosto.

"Bella e eu estávamos tendo uma conversinha," Alice disse rapidamente para preencher o repentino silêncio inconfortável que se instalou sobre nós.

"Mesmo?" perguntou Rosalie e ela mandou a Alice um olhar penetrante antes de dizer algo para ela na velocidade vampira. Eu apenas peguei as frases 'te falou' e 'não permitiu', mas o seu significado estava claro o suficiente. Eu desviei o olhar, minhas bochechas queimando novamente. Era envergonhoso o suficiente que Edward sentisse a necessidade de estabelecer tais 'regras', muito menos que todo mundo continuasse se referiando a elas. Deprimida, eu nem ao menos me importei em tentar e decifrar a resposta curta de Alice, em vez disso preferi brincar desanimadamente com as alças da minha mochila. Um frustado "Tudo bem!" de Rosalie significou o fim de sua conversa e eu olhei para cima para vê-la nos lançar um olhar descontente, antes de virar em seu salto e andar vivamente através do corredor. Eu olhei impotente para Alice, que estava a assistindo com descontentamento. Eu revirei os olhos; claro, Rosalie e eu poderíamos ser amigas.

"Venha," Alice disse em uma voz baixa, "é melhor nós a seguirmos". Eu apenas assenti silenciosamente e comecei a andar, apenas vagamente escutando enquanto Alice entusiasmada resumia sua conversa sobre compras. Nós passamos através de uma porta e andamos para fora para uma parede de ar frio. Eu tremi e instantaneamente envolvi meus braços ao redor de mim; nas poucas horas desde que a escola tinha acabado, a temperatura deve ter caído no mínimo em dez graus. Eu me forcei a prestar mais atenção a Alice a fim de me distrair da temperatura. Por que diabos eu tinha que escolher trabalhar em um lugar tão frio? Alice estava fazendo algum comentário divertido sobre uma atendente de loja em um shopping em Connecticut, quando nós viramos a esquina para o pátio pavimentado central da escola. Eu ri espontaneamente; eu me sentia mais feliz do que eu já estive em meses. Geralmente eu sentia isto quando eu estava com Jacob. De repente eu notei que Alice tinha parado de andar. "Oh merda," ela praguejou rapidamente, seus olhos fixos em algo no outro final do pátio.

Eu segui confusa o seu olhar e arfei alto. Todos os Cullens estavam lá, de pé em um grupo bastante unido entre as mesas cobertas de neve. Meu rubor retornou por completo em meu rosto quando eu sentia sete pares de olhos dourados caírem sobre mim. Eu desviei o olhar envergonhada, mas do canto do meu olho eu pude ver a cabeça de Edward se agitar na direção de Esme. Isto é ruim, eu pensei, isto é muito, muito, muito-

"Bella?" Alice sussurrou rapidamente para mim, "Bella, você está bem?".

"Estou bem," eu disse, minha respiração chegando próxima a hiperventilação.

"Não entre em pânico," Alice disse em uma voz reconfortante, tão discretamente que só eu puder ouvi-la, "tudo ficará bem, apenas relaxe".

Algo sobre sua frase não fez muito sentido. O que iria ficar bem? Quando eu olhei de volta para onde os Cullens estiveram, notei com horror que todos eles tinham ido, deixando apenas... "Alice!" Eu sibilei freneticamente, girando para encará-la. Mas ela também havia desaparecido. O pátio estava agora completamente deserto exceto por Edward e eu.

VAMPIROS! Minha mente gritou com irritação. Eu estava agora completamente abandonada; fugir não era uma opção, sem dúvida meus amigos vampiros me buscariam imediatamente. Meu coração se encheu de medo, eu olhei através da neve que agora tinham começado a cair em chuviscos lentos enquanto Edward virava-se para me encarar. Eu estava esperando por uma calúnia renovada de ataques e me preparei para mais gritos, mas eles não vieram. Eu reparei a expressão de Edward com a boca aberta de surpresa; ela estava praticamente irreconhecível da criatura enfurecida que eu tinha visto mais cedo naquela noite. O que estava acontecendo? Eu me perguntei com confusão. Eu estava mais ainda chocada quando o vi sorrir – verdadeiramente sorri – e andar até mim. Eu estava tão chocada que eu não conseguia fazer nada, além de ficar de pé lá, incapaz de mexer, olhando Edward se aproximar de mim. Ele estava agora a meros pés distantes de mim e eu juro que eu pude sentir o ar crepitar-se entre nós como se fosse investido por eletricidade estática.

"Olá Bella," ele sussurrou, sua voz suave ecoando levemente no silêncio. Meus olhos examinaram cada centímetro de sua expressão. Era calma, arrependida e calorosa. O que diabos deu nele? Eu me perguntei, confusa. Era difícil ser hostil quando ele parecia tão acolhedor. Muito, muito incerta eu devolvi o seu sorriso.

"Olá Edward".

"Você andará comigo?" ele perguntou educadamente. Eu podia ver no seu rosto que isto era mesmo um pedido; ele parecia pensar que eu tinha todo o direito de recusá-lo se que quisesse. Eu ainda estava tão chocada pelo rumo dos acontecimentos que eu não pude pensar em qualquer coisa inteligente para falar, então eu apenas assenti silenciosamente. Mudei de posição a mochila nas minhas costas levemente; estava pesada e todo esse tempo de pé fez começar a ter um mau efeito. Edward notou o meu desconforto imediatamente e no instante seguinte estendeu sua mão. "Posso?" ele perguntou. Por um momento insano eu pensei que ele estava na verdade me pedindo para segurar sua mão, até que eu percebi que ele estava olhando nitidamente para a minha mochila.

"Hm, claro," eu disse hesitante, tentando me livrar da mochila. Em uma típica exibição da minha falta de jeito excessivo, eu consegui enrolar as alças e uma delas se prendeu na parte de trás do meu cinto. "Oh droga," eu disse frustrada enquanto eu esticava o pescoço para olhar por cima do meu ombro e me agitei impotente como uma tartaruga presa em sua costa, tentando em vão me desvencilhar. Minhas bochechas estavam agora vermelho tomate quando eu pensei em como eu deveria parecer para Edward. Então eu congelei, quando eu senti a mão fria de Edward tocar meu ombro.

"Permita-me," ele murmurou, sua voz macia como veludo. O ritmo do meu coração instantaneamente aumentou em cem batidas por minuto enquanto eu percebia o quão próximo ele estava; sua respiração lenta estava fazendo cócegas em minha nuca, causando arrepios que se expandiam na minha pele imediatamente. Segurei minha respiração, não me importando em me mover, enquanto eu sentia os traços de suas mãos sobre a minha escapula, demorando um pouco na base do meu pescoço. Oh meu Deus, Oh meu Deus, Oh meu Deus, meus pensamentos gritaram incoerentemente. Ele estava tentando me fazer desmaiar? Se for sim, ele estava indo muito bem; eu duvidei de que eu seria capaz de permanecer em pé por mais tempo do que um minuto se ele continuasse a me tocar assim. Lentamente, ele moveu suas mãos até as alças e começou a desenrolá-las vagarosamente, seu rosto ainda a meros centímetros atrás de mim. Deixei escapar um suspiro involuntário enquanto ele movia suas mãos de novo, desta vez para roçá-las para baixo ao longo da minha coluna, chegando a uma parada abaixo da minha cintura onde a alça da mochila estava presa em meu cinto.

"Edward," sufoquei com a voz rouca, minha respiração irregular. Ele tinha que parar com isso agora; se ele não parasse, eu pularia nele novamente. Se ele ao menos soubesse que tipo de efeito o seu toque estava fazendo em mim.

"Sim?" ele perguntou inocentemente, uma insinuação de uma risada laçando seus tons mel. Ele se inclinou ainda mais próximo e seu cheiro tomando conta de mim, me fazendo esquecer o que eu estava prestes a dizer. Eu não tinha certeza se eu seria capaz de responder se ele tivesse me perguntado o meu próprio nome, eu estava tão atordoada. Enquanto ele desembaraçava o emaranhado, seus dedos roçaram a barra da minha camisa e pelo mais breve segundo, suas mãos entraram em contato com a minha pele nua. Meu corpo inteiro entrou em convulsão quando eu senti a eletricidade surgindo através das minhas veias. As mãos de Edward congelaram com a minha reação e eu fechei meus olhos, mortificada, esperando que ele ficasse com raiva de novo com o flagra revelador do quão obcecada eu estava por ele. Depois de alguns segundos, no entanto, sem falar, ele acabou de remover a minha mochila. Deixei escapar minha respiração em um baixo ufa, perplexa ao extremo. Sério, o que ESTAVA acontecendo? Para o meu extremo alívio, ele finalmente me libertou da minha mochila e eu instantaneamente coloquei uma grande e segura distância entre eu e aquelas mãos perversas. Edward e eu apenas nos olhamos por alguns momentos, antes de ele quebrar o silêncio. "Eu levo isso até o estacionamento para você." Ele disse cortês gesticulando em direção a porta onde a sua família tinha desaparecido. Eu apenas assenti, ainda atordoada demais para dizer alguma coisa.

O seu comportamento cavalheiro e inexplicável continuou quando nós alcançamos à porta, com ele mantendo-a aberta para mim. Isso estava começando a me assustar; era como se eu tivesse passeado por um muito estranho, mas não necessariamente desagradável, sonho. Nós andamos através da escola e tudo enquanto eu estava esperando pelo momento em que Edward iria repentinamente perceber que ele estava andando comigo, Bella – a mesma Bella que ele tinha anteriormente achado tão repulsiva – e iria voltar para o seu eu frustrado. Então quando ele abruptamente fez uma parade nas grandes portas da frente no hall de entrada, mentalmente eu me preparei para o grito. Mas ele não veio. Em vez disso, Edward disse em uma voz calma, "Antes de nós sairmos para lá, eu gostaria de pedir desculpas".

Eu fiquei de boca aberta para ele. O que? "Pedir desculpa pelo o que?" eu perguntei perplexa.

"Pela maneira cruel que eu tenho tratado você nas últimas semanas," ele disse seriamente, "Eu tenho sido detestável e abrasivo e sinto muito se eu te magoei; Eu te asseguro que aquela não foi minha intenção". Eu não poderia acreditar no que eu estava ouvindo. Embora fosse verdade que ele fez a vida ficar difícil para mim, especialmente na sala de aula, não era como se tudo fosse inteiramente sua culpa. Até certo ponto eu era tão culpada quando ele foi por causa dos desastrosos eventos das últimas semanas e, tendo em conta o meu comportamento hoje à noite, muito mais. Notei que Edward ainda estava me olhando apreensivamente e eu percebi que ainda não tinha respondido suas palavras.

"Hm," eu comecei, antes de interiormente me encolher de medo. Ele ainda era tão eloquente e eu, que geralmente me julgava como bastante articulada, ficava completamente de língua presa sempre que ele me olhava. "Está, hm, tudo bem. Eu aceito as suas desculpas". O que mais eu poderia dizer? Como eu poderia dizer a ele que a coisa que mais me magoava era o fato de que ele não me amava? Eu poderia tolerar milhares de brigas mesquinhas se isso significasse que as coisas pudessem voltar para como elas eram há seis anos atrás, mas isto era impossível – Edward não se sentia da mesma forma, então até mencionar meu amor por ele era inútil. Era seguro apenas fingir, como eu tinha feito para Esme, que eu tinha meramente ficado ofendida com o seu rompimento e sua grosseria. Eu olhei de volta para Edward que parecia estar me examinado com uma certa dose de insatisfação em suas feições impecáveis, mas antes que eu pudesse começar a me perguntar o por que, ele me lançou um sorriso deslumbrante.

"Obrigado," ele disse genuinamente, seus olhos um líquido topázio hipnotizador, "você poderia me mostrar onde você está estacionada?" Ele segurava minha mochila, meu sorriso torto preferido atravessando seu rosto. Eu olhei para deslumbrada por alguns segundos antes de piscar rapidamente, tentando me forçar a focar.

"Sim, claro," eu disse, brevemente desorientada, "está, uh, por aqui," eu puxei a maçaneta da porta, minhas mãos tremendo fracamente. Nada aconteceu. Eu continuei a puxar com uma força renovada, colocando todo o meu esforço ali.

"Bella?"

"Sim, Edward?" Eu disse rangendo os dentes enquanto eu olhava para a insubordinada maçaneta.

"O letreiro diz 'Empurre'".

"Oh. Obrigada," Eu me encolhi, abrindo-a, minhas bochechas em chamas outra vez. De novo com a humilhação, eu pensei, o que com você esta noite?

Estava congelando lá fora. Eu instantaneamente curvei meus ombros e inclinei minha cabeça contra os flocos de neves que ainda caiam. Havia apenas um punhado de carros deixados no estacionamento, incluindo dois carros com aparência de serem muito velozes que eu instantaneamente teria adivinhado como pertencentes aos Cullens, mesmo se toda a família, menos Edward, não estivesse toda sentada dentro deles. Eu reconheci vagamente um do lado esquerdo como a Mercedes de Carlisle, mas eu tinha certeza de que o segundo era novo. "Você dirige aquilo para a escola agora?" eu perguntei a Edward, minha voz abafada pelo vento frio. Ele olhou rapidamente para o carro.

"Sim, Carlisle e Rosalie o escolheram".

"É legal", eu disse suavemente. Realmente, eu não fazia ideia se ele era ou não – eu não sabia o suficiente sobre carro, mas ele era certamente reluzente.

Edward olhou para mim com uma sobrancelha arqueada e depois riu; o som mandou arrepios agradáveis à minha coluna. "Você não precisa fingir, Bella, eu sei que você não se importa muito com carros".

"Eu gostava do Volvo," eu o corrigi, "pelo menos, eu gostava quando você não estava dirigindo-o a cem quilômetros por hora. Você ainda o tem?".

Edward ficou em silêncio. Eu olhei curiosamente para ele e fiquei surpresa em ver que ela estava me fitando com uma expressão dolorosa. Eu vasculhei meu cérebro para ver o que eu poderia ter dito para chateá-lo, mas eu não consegui pensar em nada. "Sim," ele finalmente disse, muito calmo, "Eu ainda o tenho".

"Mas você não o dirige?" eu comecei confusa, "Por que nã-".

"Então para onde levo sua mochila?" Edward me interrompeu em voz alta. Eu o observei confusa, perguntando-me porque ele tinha mudado de assunto, antes que despontou em mim que talvez ele estava apenas ficando cansado daquela conversa. Instantaneamente eu me senti envergonhada por explorar seu simples pedido de desculpas, envolvendo-o em uma conversa sem sentido. Eu não tive a intenção de fazer isso – era apenas fácil demais esquecer de tudo o que tinha acontecido quando eu estava por perto dele. Ele era como se fosse pomada para minhas feridas, o que era irônico, uma vez que ele tinha sido a sua causa em primeiro lugar.

"Estou estacionada bem ali," Eu disse, apontando para um local com alguns espaços de distância. Estacionado lá estava um Mondeo prata, um Ford de azul desgastado e uma grande van branca suja, atrás da qual, encondida de visão, estava minha moto. Edward deu uma olhada na coleção multicolorida de veículos antes de se dirigir direto para o Ford.

"Vejo que o seu gosto para carros ainda é muito pobre," ele comentou, correndo uma mão desdenhosa sob o capô amassado do carro e parando para espreitar depreciativamente através das janelas para o interior sujo "Há alguma razão particular para que você repetidamente escolher as formas mais lentas de transporte disponíveis para você?"

Eu revirei os olhos. Homens e carros; eles eram todos exatamente os mesmos. Mostre a eles algo com rodas e um motor e eles instantaneamente usam disto como uma oportunidade para aborrecer todo mundo com o seu conhecimento superior. Talvez Jacob e Edward não fossem se dar tão mal afinal de contas. Aliviei a minha mochila do aperto de Edward, ignorando os seus comentários contínuos sobre o carro, e passei espremida por ele através da abertura entre o Ford e a van, saindo do outro lado. Ali estava minha moto. Vermelha e reluzente, estava quase irreconhecível da pilha de peças enferrujadas que eu tinha guardado da sucata da família Markse. Ao longo dos anos Jacob tinha refinado e modificado-a por consideração, e agora estava um pedaço bastante respeitável de maquinaria. Seu motor e sua velocidade máxima poderia não ter impressionado os gostos de Edward, mas isto se adequava perfeitamente para mim. Eu coloquei minha mochila no chão próximo da moto e comecei a abrir o zíper. Do canto do meu olho eu vi que Edward tinha emergido do outro lado da van. Ele parou lá me olhando remexer minha mochila, uma expressão de desconfiança e de mistificação em seu rosto.

"O que você está fazendo Bella?" ele perguntou, enquanto eu puxava minha jaqueta de couro das profundezas da minha mochila e a passei pelo ombro.

"Indo para casa," eu respondi, puxando meu capacete e prendendo meu cabelo para longe do meu rosto antes de ajeitá-lo. Depois eu fechei a mochila e coloquei meus braços através das alças, com a chave na mão.

Os olhos de Edward se estreitaram. "Mas e o seu carro?"

"Este não é o meu carro," eu disse, passando minha perna pela sela.

"Mas você-"

"Não, eu não, você apenas supôs," eu respondi, colocando a chave na ignição. A moto imediatamente berrou para a vida. Eu sorri lentamente. Eu amo esse som. Isto trouxe de volta memória dos verões quentes e outonos chuvosos, das horas gastas na garagem de Jacob com nenhum outro som além do chiado de latas de refrigerantes sendo abertas e o tinir de ferramentas, o calor rolando por seu peito nu em ondas enquanto ele trabalhava incansavelmente distante no motor do seu velho Rabbit. Se eu tentasse bastante, eu poderia ainda ouvir a chuva caindo contra o telhado de ferro, a risada contagiante de Jacob e o bater de patas no caminho lá de fora, o que sempre anunciava a chegada de Quil ou Embry. Eu sentia tantas saudades disso. Eu pensei melancolicamente. Talvez era o tempo para uma mudança; talvez assim que os Cullens partissem, eu devesse começar a procurar por um emprego de volta no Oeste.

Olhei de volta para Edward para ver que ele tinha se movido inumanamente rápido para ficar na frente da moto, bloqueando o seu caminho. Seus olhos estavam flamejando como fogo e sua boca estava curvada em uma carranca raivosa; ele parecia quase tão ameaçador quanto tinha sido mais cedo naquela noite. Oh veja, eu pensei ironicamente para mim mesma, Edward raivoso está de volta.

"Você NÃO vai dirigir isso," ele rosnou em advertência.

"Eu penso que você vai achar que eu vou," eu disse, colocando o motor para funcionar alto para provar o meu objetivo.

"NÃO!" Edward gritou. Sua bela voz estava alegremente furiosa e eu percebi com um ligeiro calafrio que ele soava como se ele sempre tinha feito em minhas alucinações, quando eu comecei a montar na minha moto. Era difícil fingir que eu não achei a sua raiva mais do que um pouquinho atraente, mas ela era também um pouco irritante. Eu estava com frio, estava tarde e eu queria ir para casa. Eu não tinha tempo para isso.

"Edward, você está sendo ridículo". Eu suspirei.

"EU estou sendo ridículo? Bella, você pode dificilmente andar em uma superfície plana sem tropeçar e agora você está me dizendo que você tem até dirigido motos, MOTOS?! De todas as coisas estúpidas, imprudentes, insanas para fazer-".

Por que você se importa? Eu perguntei melancolicamente, O que é isso para você se eu me machucar nessa moto? Eu queria tanto fingir que ele estava preocupado comigo e que queria me manter segura, mas eu sabia que isso era ilusão. Era mais provável ele estar fazendo isso como uma questão de hábito; era apenas um vestígio irritante dos dias em que ele foi protetor em relação a mim.

"- você sabe quantas pessoas são MORTAS nessas armadilhas mortais por ano? É isso que você quer- se tornar uma estatística?" Ele ainda estava gritando comigo. Eu percebi pelo canto do meu olho que o resto dos Cullens tinha saído de seus carros e estavam caminhando em nossa direção, sem dúvida se perguntando sobre o que a conversa era. Eu gemi; havia tantas "cenas" que eu poderia receber hoje.

"Veja," eu disse apressadamente, "se eu devo ou não escolher dirigir uma moto, depende de mim. Eu sou uma adulta agora e eu sou completamente capaz de fazer minhas próprias decisões".

"Bem, certamente você NÃO É se escolheu fazer algo tão absurdo quanto dirigir uma moto!" Edward gritou para mim, "VOCÊ ESTÁ FORA DE SI?! Você ficou na verdade LOUCA?!" Era isso; Eu estava com raiva de novo. Tanto para desculpas e tréguas, agora eu apenas queria brigar de volta. Como ele ousa me tratar como uma idiota?

"Pare Edward, isto não tem nada a ver com você".

"Sim, isso tem!" Ele gritou, aplopético com raiva.

"Não, não tem!" Eu retruquei irritada, "Não é problema seu o que eu faço com a minha vida; você deixou muito claro quando você partiu. Agora sai do meu caminho, por favor!" Eu sabia que Edward iria rejeitar de novo, mas eu não esperei por uma resposta. Confiando que o elemento surpresa iria jogar a meu favor, eu coloquei o motor para funcionar novamente e torcei o guidão, fazendo a moto virar bruscamente, indo para a direção oposta a de Edward. Depois, ignorando os seus berros injuriados, eu bati meu pé no acelerador com toda a força que eu pude reunir, fazendo a moto disparar adiante como uma bala de uma arma. Dentro de segundos eu já estava a vinte metros distantes de um Edward estupefato. Eu estava tão indo tão rápido que eu apenas tive tempo de me dirigir aos Cullens, que estavam todos parados, olhando de bocas abertas para mim, no meio do estacionamento. "Te vejo amanhã Alice!" Eu gritei sobre o rugido do meu motor e dos palavrões berrados de Edward. "Você pode me pegar às 11:00!" E então eu acelerei em direção a estrada aberta, sem nem me preocupar em esconder meu grande sorriso.

Quem disse que Bella Swan não poderia ser legal?


Olá pessoal,

Tudo certinho com vocês?

Primeiro, gostaria de pedir mil desculpas pela demora em postar, é que eu fiquei uns 3 dias de "molho" com um mal estar, por isso muita coisa da tradução acabou se atrasando. Mas, graças a Deus, estou bem melhor agora.

Segundo, queria agradecer pelas reviews que algumas pessoas sempre deixam. Elas são ótimas e me deixam felizes, apesar de o meu trabalho aqui ser apenas traduzir.

Terceiro, vou postar uma outra fic (uma short-fic desta vez) e espero acompanha-las por lá também. São capítulos bastante curtos, então não irão prejudicar com as postagens de 'Seduzindo Srta. Swan'.

Quarto, tentarei agilizar a tradução do próximo capítulo o mais rápido possível, certo? Para isso, não deixem de deixar suas reviews!

Beijos,

Fran.