Leo no Nina – Bem a Clarice e o Deba ainda vão demorar a se acertarem

Leo no Nina – Bem a Clarice e o Deba ainda vão demorar a se acertarem. Mu e Rosa são o casal a parte. A historia do Dite é bem triste e ele vai voltar a ver a avó porem as circunstancias serão outras. Quanto à campanha eu concordo plenamente.

Tenshi – Pode mandar os casacos, pois o Miro vai precisar e mandar uns esparadrapos também porque o Deba vai querer quebrar outro cavaleiro.

Flor – Miro é terrível e ainda junta com a Rosa, vai dá confusão.

Capitulo 7: Acertos?

Cansados da musica, Kanon e Shura foram se sentar.

- Precisamos caçar. - disse o capricorniano olhando para os lados.

- Aldebaran quase matou vocês. - sorriu Aiolos.

- Rosa. - disseram juntos.

- Ele é muito ciumento. - brincou o geminiano. - qualquer hora enfarta.

- Principalmente se ver aquilo. - Aioria apontou para a pista de dança.

Rosa e Miro dançavam no ritmo da musica, os dois sorriam e trocavam palavras.

Mu tentava permanecer calmo, mas o seu interior estava agitado. Não sentia a não ser amizade por Rosa, contudo vê-la ao lado do escorpião, mexia com seus nervos. A musica ficou mais sensual e os dois não pareciam se importar com isso. Dançavam bem colados e trocavam olhares nada angelicais.

Para piorar a crise que se instalava no ariano, Miro a segurou pela cintura, girando-a. A brasileira apoiou no ombro dele erguendo um pouco o corpo. Deu um sorriso cochichando algo no ouvido dele. Miro sorriu mais ainda, deixando todos apreensivos.

- Cadê o Aldebaran? - Saga o procurava para tentar evitar o pior.

- Sei lá, mas se ele ver isso... - murmurou Dohko. - é melhor ficarmos em alerta.

- Não acredito que ele vai beijá-la. - disse Aiolos tão preocupado quanto os outros.

Mu olhou para o sagitariano.

- Beijá-la...?

- Para não dizer outras coisas. - MM sorriu malicioso.

O ariano olhou para os dois, já estava a ponto de fazer alguma coisa quando o escorpião a deixou na pista juntando-se a eles.

- Essa noite promete. - sorria de orelha a orelha.

- Tem consciência que vai morrer? - indagou Shura.

- Por quê?

- Não se faça de bobo. - disse Mu com a voz um pouco alterada.

Ele o olhou incrédulo para depois fitar os outros.

- Que mente poluída a de vocês. Aposto que pensaram que eu faria algo a Rosa.

- E não faria? - Mu tentava permanecer calmo.

- Quantas vezes eu tenho que repetir. - disse sério. - eu e a Rosa somos apenas amigos.

- Não acredito. - o ariano voltou a sentar. - pelo jeito que dançavam...

- Não acha que está meio irritado por pouca coisa? - sorriu provocando-o. - está com ciúmes?

Mu ficou vermelho.

- Não. - disse seco. - só não acho certo o que faz.

- Não é o que seu rosto diz.

Os demais dourados ouviam calados.

- Cuidado com o que fala Miro de Escorpião. - estreitou o olhar.

- Você está ficando igual ao taurino.

- Aqui está. - Rosa aproximou passando o braço pelo pescoço dele. - é o celular.

- Você conseguiu! - seus olhos brilharam.

- Ela quer te conhecer.

- Sério? - levantou afobado.

- Vamos lá.

Eles saíram deixando a todos petrificados.

- O que se passa aqui? - Kanon olhava atônico para a pista.

- Ela? Ela quem?

O ariano estava tão estático quanto os outros. Só saiu do seu estado quando Rosa chegou.

- Miro não tem jeito. - disse sentando na cadeira.

- Onde ele foi?

- Ver se não vai levar uma bofetada no rosto. - sorriu.

- Mas vocês, vocês na pista, não... - murmurou MM.

- Aposto que pensou besteira. - fechou a cara. - Miro e eu só somos amigos.

- Ele a segurou pela cintura.

- Quando fomos para a pista ele viu uma ruiva dançando perto da gente, quando ele me girou era para mostrar quem era ela. Implorou que eu fosse pegar o telefone.

- Então... - murmurou o ariano envergonhado.

- Miro é um pervertido. Não pode ver mulher. Não dou nem cinco segundos para ele apanhar. - sorriu.

- Arrumou mulher para ele.

- Repito. Somos só amigos. E como tal dou uma ajudinha.

- Também quero. - pediu Kanon.

- Eu também quero. - disseram Shura e MM.

Mu nem conseguia olha-a, tamanha vergonha que sentia. Pensara que os dois tivessem algo...

- Procurem um "alvo" se precisar...

- Só se for agora.

Shura, MM, Kanon e Aioria desapareceram.

- Cambada de sem vergonha. - disse Dohko.

- Deixei-os. - a brasileira pegou um copo. - vão apanhar mesmo.

- Desculpe por acharmos... - iniciou Aiolos.

- Sei que às vezes ficamos próximos demais. É o mal do signo. Somos imunes ao veneno um do outro. - sorriu. - e vocês não vão arrumar ninguém?

Olharam entre si.

- Vão se divertir! Eu fico aqui esperando o meu irmão, que por sinal desapareceu... - olhava ao redor. - podem ir.

- Vamos dá uma volta. - Dohko arrastou Saga e Aiolos.

- E você Mu?

- Vou ficar aqui.

- Tudo bem.

X.x.X.x.X.x.X

Os dois estavam num profundo silencio. Silencio esse que incomodava.

- Você se lembra? – indagou o taurino. – lembra daquele dia?

- Como se fosse hoje. – respondeu. Como poderia esquecer, tudo começou naquele dia...

--FB--

Era uma tarde de sexta, na porta de casa Rosa, Clarice e Aldebaran brincavam no passeio. Eram crianças, com Deba contando com sete anos e as duas com cinco. Ele ainda não tinha sido descoberto por seu mestre.

- Eu gosto muito de você Kaká.

- Eu também gosto muito de você Ran.

- Que legal! – sorriu. – então quando eu for grande, quero ser a "noiva" da Kaká.

- "Noiva"? – indagaram as duas.

- Sim. Eu vi na TV ontem. Parece que quem é "noiva" e se casa com quem ama é muito feliz.

- Verdade. – disse Rosa. – eu também vi na TV. Eu quero ser a moça que usa o chapéu.

- Jorge!

- O que foi? – o garoto apareceu trazendo um carrinho nas mãos.

- Eu posso ser a "noiva" da Kaká?

- Eu vi na TV. – sorriu o garoto. – se for o Ran eu deixo.

- Oba! – comemorou os três.

- Eu vou usar o chapéu. – Rosa dava pulinhos.

- Mas tem uma coisa.

- O que irmão? – Clarice o olhou.

- Ran, se fizer a Clarice chorar eu bato em você.

- Eu prometo.

Jorge mostrou o mindinho.

- Eu prometo. – Deba selaram o "acordo"

--FFB--

- Isso tudo porque vimos aquele filme na TV – comentou a brasileira.

- Isso mostra o quanto os programas afetam a mente. – sorriu.

- É...

- Dias depois vocês foram ao aeroporto, se despedir de mim.

- Me lembro.

- Achava que ir para outro país seria uma aventura e quando cheguei aqui... me senti muito sozinho, chorava todas as noites pedindo para voltar... e o Mu sempre estava ao meu lado. É uma pessoa a qual eu arriscaria a minha vida para proteger. Se suportei todos esses anos foi por causa da amizade dele. É um grande amigo. Mas nunca o contei sobre a promessa que tinha feito. Hoje vejo como os tempos mudaram. Na época eram só palavras, sem significado algum. Quando eu voltei, todos tinham esquecido, até eu. Foi quando aconteceu aquela festa e Jorge me fez relembrar.

- Isso não tem importância Ran. Que diferença tem se lembramos nesse momento?

- Toda a diferença. – disse.

Clarice o olhou.

- Quando voltei, realmente tinha esquecido, mas quando pisei na nossa rua, foi a primeira coisa que veio na minha mente.

- Então naquele dia...

- Fingi que não me lembrava, pois tinha medo.

- Medo?

- De parecer ridículo. Nunca mais tocamos no assunto e se eu fizesse qualquer comentário poderia parecer infantil ao olhar de todos. Voltei para a Grécia e isso se tornou mais evidente. Não era um garoto e sim um cavaleiro de Atena, tinha outras obrigações e precisava assumir um lado mais adulto. Quando você disse que era idiotices, achei bom. Poderia tentar esquecer aquela promessa, pois a mais interessada julgava tudo uma bobagem. Era coisa de crianças. – Deba a olhou. – sempre te considerei minha amiga e me apoiava nisso quando tais lembranças me assombravam. Pensava que talvez eu estivesse confundido as coisas e acho que acabei acreditando nisso. Durante todos esses anos sempre acreditei que "Clarice e eu éramos apenas bons amigos."

- Pensei que naquele dia... você foi embora e nem nos falamos mais... – os olhos marejaram. – mas eu sempre... eu sempre... – abaixou o rosto.

- Prometi ao Jorge que não a faria chorar. – limpou as lagrimas que escorriam. – pelo menos isso eu preciso cumprir.

- Ran...

Aldebaran passou o braço pela cintura fina, trazendo-a mais para si. Os lábios tocaram-se timidamente para depois se entregarem num intenso beijo. O taurino estava confuso, jamais imaginou que se sentiria tão bem, ao tê-la em seus braços. Sempre tentou vê-la como amiga, mas percebeu que no fundo, queria que ela fosse muito mais que isso. Tinha tantas coisas a serem ditas, tantas coisas a serem ouvidas, mas não queria estragar aquele momento. Seus pensamentos, naqueles preciosos minutos seriam apenas dela. Seu amor de infância...

A mente Clarice estava tumultuada, jamais pensou que um dia estaria nos braços dele e que ele a beijaria de forma tão intensa. Sonho. Só podia ser um sonho e tinha medo de acordar. Medo de quando abrir os olhos, tudo não passar de um mal entendido. Com aquele contato tinha a plena certeza que desde dos cinco anos de idade era apaixonada por aquele homem e que passaria o resto da sua vida com ele.

Deba intensificou o contato, o bom senso dizia que tinha que parar, mas seu coração queria ir adiante, pelo menos num dia seria um homem normal.

Enquanto isso, minutos atrás...

Rosa fitava a pista, estava com o olhar vago.

- Algum problema Rosa? – indagou o ariano.

- Não. – lhe olhou sorrindo. – nenhum. Você vai ficar aqui?

- Estou atrapalhando? Se quiser sair não se preocupe comigo.

- Não é nada disso. Perguntei se não vai sair para procurar alguém interessante.

- Não sou dado a isso, - tratou de consertar. - quero dizer fico mais na minha.

- Por quê?

- Não sou como os outros. – deu um meio sorriso. – ate queria ser, mas... não me encaixo ao modo de vida deles. Nesses tempos de paz, eles conseguem levar uma vida normal, mas eu não. Não há divisão entre Mu e Mu de Áries, acho que nunca existiu.

- Nunca se apaixonou?

- Não... – abaixou o olhos. – deve me achar estranho.

- Claro que não. – segurou na mão dele. – cada pessoa tem um jeito.

- Você combina mais com o jeito do Miro.

- Nós damos muito bem sim, mas não significa que eu e você não possamos ser amigos. Cada pessoa é um de um jeito, isso nos torna especiais.

- Sim.

- Estou com sede.

- Vou buscar algo, não demoro.

Foi até o bar e pediu dois sucos, pensando que não mais se exaltaria, quando voltou o olhar por pouco não quebrou os copos que segurava. Um homem estava de papo com Rosa. Sentiu uma terrível de transformar o homem em pó de estrela. A passos duros Mu aproximou, depositou os copos sobre a mesa e sem cerimônia passou os braços pela cintura dela, abraçando.

Rosa ao sentir o toque assustou.

- Mu...?

- Já peguei o suco. - disse sem tirar os olhos do rapaz. - deseja mais alguma coisa meu amor?

- Não... - murmurou estática. - "meu amor?" - estava perplexa. Jamais pensou que ele falaria aquilo. Olhou para o braço dele envolvido em sua cintura. Ele a segurava de forma possessiva e o toque a fazia estremecer.

- Já não está mais sozinha. - disse o rapaz sem graça e com medo do olhar do suposto "namorado.". - adeus.

Rosa o viu desaparecer, ainda incrédula pelo gesto do ariano.

- Esses homens estão cada vez mais abusados. - disse ainda segurando a cintura dela.

- É...

- Abusado.

- Sim. – Rosa deixou se levar apoiando o corpo no ariano. O perfume suave dele invadia suas narinas provocando sensações. A maneira que ele a segurava transmitia-lhe segurança.

- Desculpe por dizer aquilo, mas era preciso.

- Tudo bem. Eu não ligo.

- Queria pedir desculpa também por ter pensado que você e o Miro... alias, eu não tinha nem o direito de pensar algo, afinal a única pessoa que deveria se preocupar era Aldebaran. Não é da minha conta com quem se relaciona. Eu sinto muito.

- Não se preocupe. As vezes eu dou motivos, é o meu jeito.

- Mesmo assim.

- Suas opiniões são importantes sim. É o meu braço direito na luta em unir Clarice e o Ran. E por falar neles...

- Saíram a algum tempo.

- O que?! E o que estamos fazendo aqui? – ela tentou levantar, mas o braço de Mu a retinha. – Mu.

- Sim? - a olhou.

- Pode me soltar.

O ariano corou até a alma, nem percebeu que ainda segurava a cintura dela.

- Des-culpe... - pediu afastando. - é que... é que...

- Tudo bem. - estava gostando do toque. - sem pro-blema. É melhor ir atrás deles.

- Mas...

- Vem. - pegou no braço dele arrastando-o.

Procuraram em todos os lugares só restando o tal segundo andar da casa. Rosa seguia a frente, num dado momento parou.

- O que foi?

- Olhe... – com os olhos brilhando apontou.

Mu seguiu com os olhos a direção que ela mostrava, ficou surpreso ao ver o amigo e Clarice se beijando.

- Eu consegui. Eu consegui. – queria soltar fogos de artifício. – levou anos, mas consegui!

- É o que parece. – Mu olhava-os, sentiu vontade de fazer o mesmo.

- Mu nós somos demais. – a garota o abraçou. – nós conseguimos.

- Não teríamos conseguido se eles não se gostassem.

- Tem razão. Tem razão. Mas até que enfim! Vem, vamos sair antes que eles nos vejam.

Rosa arrastou Mu para fora.

- Os dois se acertaram. – sorria de orelha a orelha.

- Fico feliz por eles.

Estavam parados num corredor de acesso e devido a quantidade de pessoas, estavam bem juntos.

- Agora posso direcionar "minhas flechas" para outras pessoas.

- Rosa... não brinque com o destino dos outros.

- E você vai me ajudar. – disse ignorando as palavras dele.

- Eu?!

- Depois desse sucesso que culminou naquele beijo romântico, você é o meu fiel parceiro.

- Rosa!

Devido ao fluxo de pessoas, alguém esbarrou neles e na tentativa de protegê-la Mu a abraçou.

- Esse lugar está cheio.

- Concordo.

Ficaram próximos. Olhavam-se de maneira intensa. Mu a trouxe mais para si, no "intuito de protegê-la". As respirações ficaram mais próximas e eram sentidas um pelo outro. O ariano fitava aqueles olhos vermelhos e a lembrança do gesto do amigo veio lhe na mente, como seria a sensação de beijar, como seria a sensação de beijá-la? A sensibilidade de Rosa estava a flor da pele. Miro sempre a tocava, mas nada era como o toque do ariano, parecia que iria derreter. Ficaram mais próximos, contudo...

... alguém esbarrou neles, fazendo com que se separassem.

- Desculpe. - pediu um rapaz.

- Tudo bem. – disse Mu, afastando dela.

- Vamos sair daqui antes que Ran nos veja.

- Sim.

O clima foi quebrado.

X.x.X.x.X.x.X

A casa estava num profundo silencio. Tinha terminado de meditar e fitava o nada atrás de algo que pudesse fazer. Ler um livro? Não estava disposto. Ver TV ou um filme? Não era do seu feitio. Procurar Kamus na casa dele? Certamente estaria ocupado e não queria incomodar. Atena, Shion? Ela deveria está dormindo e o mestre ocupado em alguma coisa.

Estava sozinho. Caminhou até a entrada da casa, sentando nos primeiros degraus. Olhou para o céu passando a contemplar as infinitas estrelas que cravavam-no.

Era um habito desde que era um garoto contemplar o céu noturno, principalmente quando se sentia sozinho.

Quando era assolado por tais sentimentos tratava de esquecê-los, meditando ou tentando solucionar o problema de alguém ou da humanidade, rapidamente esquecia-se de si e com isso ia vivendo. Contudo a chegada da irmã de Aldebaran, o fez questionar tais atos. Sempre pensara em si como um todo. Era o ser iluminado, o primeiro a chegar ao Arayashiki, o homem mais próximo deus, um dos cavaleiros mais fieis, mas e ele? Quem era o homem por trás da armadura de virgem? Quem era ele? De onde vinha? Achava essa pergunta estúpida, mas não sabia a resposta, não sabia a resposta de uma pergunta tão simples! Tudo que conhecia de si era que passou os primeiros sete anos de sua vida enclausurado num monastério, numa cidadezinha do interior da Índia.

Um vento mais fresco o fez encolher. Andava assolado com tantas duvidas que nem parecia o senhor das respostas...

O santuário estava silencioso, não havia ninguém que pudesse lhe ouvir, que pudesse conversar com ele a cerca de suas duvidas, ninguém. Sempre se sentiu sozinho, mas naquela noite a solidão o incomodou.

X.x.X.x.X.x.X

Aldebaran a soltou e estático olhava para ela. Onde estava com a cabeça em beijá-la?

- O que foi Ran? – fez menção de tocá-lo, mas este segurou a mão dela.

- Estamos misturando as coisas.

- Co-mo?

- Isso não deveria ter acontecido. – disse frio.

Clarice recolheu a mão assustada.

- Aldebaran...

- Aquela promessa foram palavras ditas ao vento Clarice. Os tempos são outros, não tem como haver algo entre nós.

- Mas você...

- Me enganei. Nossa relação não passa apenas de amizade.

Clarice levantou perplexa.

- Então...

- Não quero que se iluda comigo, não sinto outra coisa por você a não ser amizade, pude constatar agora.

- Entendo... – seguraria as lagrimas. – desculpe se o importunei. Adeus.

A brasileira saiu correndo. Deba afundou no sofá.

- "Espero que me perdoe."

Clarice desceu as escadas correndo, já não conseguia segurar as lagrimas e tudo que queria era sair dali. Estava tão desnorteada que trombava nas pessoas ate que alguém a segurou.

- Onde vai com tanta pressa?

Ela ergueu o rosto, deparando com um par de olhos azuis que a olhava divertido.

- Mi-ro... Miro... – derramou mais lagrimas abraçando-o.

- O que foi? – indagou preocupado. – o que foi?

- Chama a Rosa eu quero ir embora.

- Por quê?

- Chama a Rosa, por favor.

- Eu chamo. Me espere aqui.

- Sim.

O escorpião saiu apressado, a julgar pelas lagrimas dela, tinha acontecido algo grave, mas o que?

Na mesa, Rosa e Mu mantinham-se lado a lado porem num profundo silencio, para aliviar o constrangimento dos dois, os demais dourados haviam voltado.

- Esse lugar é uma maravilha. – disse Shura. – temos que voltar aqui.

- Deve ser bom mesmo, Miro ainda não voltou. – comentou Dohko.

- A ele ali. – apontou Aioria.

Ele vinha com uma expressão séria e sem dizer nada parou ao lado de Rosa.

- Vem comigo.

- O que...

- Vem. – pegou no braço dela. Mu não tinha gostado da maneira dele e já ia intervir.

- Está bem. – a garota concordou, saindo com ele.

- É melhor eu ir... – Dohko levantou.

- Fique aí mestre ancião. Não demoro.

Saíram.

- O que ele está aprontando? – indagou Kanon, não gostando do olhar dele.

- Não sei, mas é melhor ficar de olho no Aldebaran.

Mu continuou calado, Miro não estava com a cara muito boa e estando ao lado de Rosa boa coisa não seria.

- Rosa...

Clarice ao ver a amiga jogou nos seus braços chorando.

- Kaká o que foi?

- Eu quero ir embora, me leva embora.

- Ta, nós vamos, mas precisa se acalmar.

- Eu quero sair daqui.

- Tudo bem. Miro, avise os outros que já fomos.

- Eu vou levar vocês.

- Ainda é cedo, aproveite mais.

- Vou levar vocês. Só vou avisar ao Saga e já volto.

- Está bem.

Voltou para a mesa com o rosto preocupado. Deba tinha sumido e Clarice aos prantos?

- Saga, as meninas querem ir embora e vou levá-las.

- Embora?

- Mas por quê?

- Por que sim. Avise ao touro. – saiu.

- Espere, Miro. – já tinha sumido no meio da multidão. – por que elas vão embora?

- O problema não é esse, Miro que ia levá-las quando o Deba souber.

Passou apenas alguns minutos da saída de Miro, Aldebaran chegou com a cara carrancuda.

- Cadê a minha irmã? – disse seco.

- Foi embora junto com a Clarice. – disse Saga.

- Deixaram-nas irem sozinhas?

- Miro foi levá-las. – falou MM.

Tudo que escutaram foi o barulho de um punho indo de encontro com a mesa de ferro, afundando-a.

- Sempre ele...

- O que aconteceu Aldebaran? – Aiolos olhava para o buraco formado.

- Nada. Eu vou embora.

- Nós vamos com você. – manifestou Dohko.

- Vou sozinho. – disse seco. – não quero ninguém atrás de mim.

Ficaram em silencio, Aldebaran estava alterado e contrariá-lo poderia significar risco de morte.

- Eu vou com você. – Mu levantou. – também já estou querendo ir.

Deba olhou para o ariano. Já tinha uma resposta na ponta da língua, mas ao fitar a expressão serena do amigo desistiu. Ele era a ultima pessoa que despejaria sua raiva e frustração.

- Então vamos... – murmurou saindo.

- Vamos dá um tempo. – disse Shura segurando o braço de Mu. – depois seguiremos.

- Sim.

Clarice um pouco mais calma, contava aos dois o que tinha acontecido e tudo que Aldebaran havia lhe dito. Miro ouvia surpreso ao mesmo tempo com raiva. Como o taurino poderia ser tão burro e tratá-la daquele jeito? Logo Aldebaran sempre tão gentil? Rosa a cada palavra sentia-se mal, afinal fora idéia dela querer juntar os dois, achava que o irmão sentia algo pela amiga, mas ao que tudo indicava não era bem assim.

Aldebaran seguia calado, com as mãos no bolso fitava o chão. Estava com ódio por Miro está com elas, justamente ao lado dela. Era certo que não deveria se sentir assim, pois ele foi o causador de tudo, mas a simples hipótese do escorpião está consolando-a o deixava nervoso. Mu acompanhava-o silencio. Imaginava que o motivo de tanta raiva envolvesse Clarice, mas ficaria calado. Se ele quisesse lhe contar esperaria.

- Eu sou um idiota Mu. – disse por fim.

O ariano ficou em silencio esperando que continuasse.

- Ferir a pessoa que mais gosto nesse mundo.

- O que aconteceu?

- Vou te contar primeiro sobre a estúpida promessa.

Aldebaran narrou todos os fatos ocorridos desde os sete anos ate aquele momento, Mu ouvia atentamente, cruzando com os fatos já ditos por Rosa. A cada palavra dita a entonação de voz dele alterava em raiva, magoa e alegria.

- E por fim... – deu um longo suspiro parando de andar.

- Sim?

- Nós tivemos uma conversa e eu a beijei. Foi como se fosse um sonho, jamais pensei que sentisse algo por ela e que fosse tão forte. – deu um leve sorriso. – gosto demais daquela garota Mu.

- E por que está assim?

- Realidade. Vivemos tempos diferentes, temos vidas diferentes. Quando disse que queria ser "a noiva" dela, era uma criança sem visão alguma de futuro. Mesmo da ultima vez que a vi, ainda tinha esperança que talvez pudéssemos ter algo, mas hoje... a vida de um cavaleiro não é fácil. Enfrentamos titãs, a guerra nas doze casas, Hades, morremos... não é uma vida que se dê a uma mulher. Estamos em momentos de paz, mas até quando vai durar? Não quero nem imaginar Clarice no meio de uma batalha.

- Por isso disse...

- Sim. Era melhor que terminasse daquele jeito.

- Ela magoada com você?

- Sim. Antes ela magoada agora do que no futuro, poderia ser pior. Estaríamos mais envolvidos. Clarice tem uma vida inteira pela frente e ao meu lado...

Mu abriu a boca para falar, mas calou-se. Não tinha o que dizer, nem ele entendia esse universo, jamais se apaixonara por alguém e não tinha experiência para dizer algo ao amigo, alem do mais em parte Aldebaran estava certo. A vida que eles levavam era incerta. A qualquer momento poderiam está mortos. Imaginou as duas no meio de uma batalha e estremeceu. Se acontecesse algo a Rosa...

- Parece que só o tempo poderá nos dizer se está certo. – disse para si mesmo.

- Obrigado por me escutar.

- Amigos são para isso. – sorriu.

X.x.X.x.X.x.X

Miro acompanhou as duas até a segunda casa, prontificou em ficar com elas, mas Rosa o convenceu que não era necessário. Uma boa noite de sono ajudaria. Fazendo-a ligar caso precisasse Miro subiu para sua casa.

Clarice tinha tomado um banho para relaxar e sentada na cama fitava o céu. Rosa havia preparado um chá e a servia.

- Tome vai te fazer bem.

- Obrigada.

- Me desculpe. – a escorpião sentou ao lado dela.

- Por quê?

- É meu irmão e de maneira indireta achava que vocês...

- Não tem porque se desculpar Rosa. – Clarice pegou na mão dela. – tinha consciência que isso iria acontecer.

- Como assim?

- Tudo conspirava para isso. – deitou na cama. – depois que o Miro nos contou sobre as batalhas comecei a pensar melhor no assunto. Aldebaran e eu vivemos em mundos diferentes. Ele é um cavaleiro e como tal deve se comportar como. É uma vida de riscos, mesmo em momentos de paz.

Rosa a olhava surpresa.

- Não há espaço para um relacionamento. Se pelo menos eu fosse uma amazona, teríamos uma vida semelhante, mas sou uma mulher normal. Serei um estorvo para ele e não quero isso.

- Clarice...

- Aquilo era um sonho, Rosa. Sonho.

- E agora?

- Cada um segue seu caminho.

X.x.X.x.X.x.X

Aldebaran parou no primeiro degrau das escadarias que levava ate a sua casa.

- Desculpe por estragar sua noite.

- Não estragou Aldebaran. Descanse, amanha será um novo dia.

- Tem razão.

- Amanha tenho certeza que terá uma solução.

- Não há solução Mu. É cada um seguindo seu caminho.

No outro dia...

Rosa acordara cedo, nem tinha conseguido dormir devido a preocupação com a amiga. Preparou o café e tratou de sair. Precisava conversar com Mu.

Entrou na casa lentamente, era cedo e certamente ele ainda estaria dormindo.

- Melhor voltar outra hora. – disse não ouvindo barulho algum.

- Por quê?

- Mu! – levou a mão ate o coração. – que susto.

- Desculpe.

- Tudo bem. Te acordei?

- Estava tomando café, me acompanha?

- Sim.

Sentaram na cozinha.

- Esse chá que você prepara... é divino. – sorriu.

- Obrigado, mas não acordou cedo?

- Não consegui dormir. – suspirou.

- Clarice.

- É. Me sinto culpada. Torci tanto...

- Aldebaran me contou o que aconteceu.

- Meu irmão é um trouxa! Como ele fala aquilo para ela? Mesmo que ele não gostasse dela, não tinha o direito.

- Não o julgue Rosa.

- Como não? A beija e depois finge que nada aconteceu?

- Aldebaran teve seus motivos.

- Motivos... não sei quais... – cruzou os braços. – magoou a Clarice.

- Ele também está magoado.

- Não sei por quê. – disse irônica.

- Acredite não é só ela que saiu ferida nesta história.

- Você fala de um jeito como soubesse de algo.

- Viemos conversando e ele me contou o que aconteceu.

- Então me conta.

- Mesmo sendo irmã dele, eu não tenho esse direito. Sinto muito Rosa. Teremos que deixar o tempo agir.

- Tempo... – bufou. – se depender dele, esses dois só vão se separar ainda mais.

- Não está pensando em fazer algo, está?

- Por enquanto não, mas não vou deixar as Moiras decidirem dessa vez.

Mu a fitou. Às vezes Rosa falava de um jeito que o fazia estremecer. Ela não deveria desafiá-las tanto.

X.x.X.x.X.x.X

A brasileira levantara. Não tinha conseguido dormir e fitando-se no espelho, viu as orelhas e os olhos vermelhos.

- Estou horrível.

Rumou para a cozinha a procura da amiga, era um milagre Rosa está de pé aquele horário e só podia está lá.

Viu a mesa preparada e sentou. Estranhou o fato de não vê-la, mas não se importou. Saboreava um pão com geléia quando sentiu a presença de alguém. Ergueu o olhar, deparando com os de Aldebaran. Desviou o olhar para cesta de pães.

- Bom dia. – disse o taurino.

- Bom dia. – respondeu.

Puxou uma cadeira sentando-se. Um silencio incomodo se instalou. Tinha esquecido que ele também morava na casa e em certas ocasiões encontraria com ele. Precisava evitar isso.

- Já estava de saída. – disse pegando alguns biscoitos.

Ele não disse nada. Clarice foi para o quarto.

Instantes depois a irmã apareceu.

- Bom dia Rosa.

- Bom dia. – o olhou torto.

- Por que está me olhando assim?

- Ainda pergunta.

- O que eu fiz?

- Já sabe a resposta. – sentou a mesa.

- Não vai tomar café?

- Já tomei.

- Quer me responder direito?

- O que sente pela Clarice?

Deba foi pego de surpreso, mas não demonstrou.

- Amizade.

- Só isso?

- Sim.

- E a promessa?

- Coisa que duas crianças fizeram.

- Não acredito.

- Se não acredita problema seu. Alias, que historia é essa de vir embora com o Miro.

- Não mude de assunto.

- Responda Rosa. – disse sério.

- Alguém precisava nos trazer.

- E justamente ele.

- Poderia ser qualquer um.

- Pare de ficar andando com ele. Miro não é digno de confiança. Quando menos esperar ele vai aprontar.

- Como você aprontou? – indagou saindo do recinto sem dá-lo chance de resposta.

Rosa entrou no quarto contrariada.

- Não entendo! – gritou.

- Bom dia Rosa.

- Oi, bom dia. Passou bem a noite?

- Sim. – sorriu.

- Que bom. Vamos sair?

- Para onde?

- Passear. Vem.

As duas saíram sem dizer a Aldebaran. Passara por fora das casas alcançando a oitava.

- Miro! Miro!

- Não grita Rosa, ele deve está dormindo.

- É mesmo... – sorriu nada inocente. – vem.

Arrastou a amiga pela casa do escorpião a procura do quarto dele.

- Rosa isso não está certo.

- Vamos apenas dá bom dia a ele.

- Rosa...

Abriram a ultima porta, o quarto estava a meia luz. Na cama o escorpião estava esparramado. Travesseiro de um lado, colcha do outro.

As duas aproximaram lentamente, pegando o travesseiro e a colcha.

- No três... – disse Rosa.

Contaram: um...dois... no três jogaram os objetos no escorpião.

- INVASAO! É UM DEUS MALUCO!! – gritou.

Rosa e Clarice rolavam de rir.

- Eu mato vocês duas.

Miro pegou o travesseiro e começou a correr atrás das duas.

- Para Miro. Para!

- Nos rendemos!

- Merecem ser punidas.

Conseguiu pegar Clarice começando a fazer cócegas nela.

- Para Miro. – ria. – para, para. Rosa.

Atendendo ao pedido, Rosa atacou Miro também lhe fazendo cócegas.

- Não é justo. Dois contra um. Eu me rendo. – sentou na cama parando de rir.

- Desculpe a brincadeira. – disse Kaká.

- Tudo bem. Vem cá. – a colocou no colo. – como está se sentindo?

- Melhor. Desculpe por estragar sua noite.

- Imagine Kaká. – brincou com os cabelos dela. – um pedido seu é uma ordem.

- Também quero cafuné.

- Essa sua amiga é muito ciumenta. – olhou para Rosa. - Eu sei que sou gostoso. – sorriu. – tem lugar para todas.

- Seu convencido.

- O que devo a honra de ser acordado por vocês?

- Poderia nos ensinar a lutar.

- O que?! – exclamaram ele e Clarice.

- Mas Rosa...

- Por favor Miro, só umas aulinhas. Defesa pessoal.

- Por que não pede para seu irmão?

- Ele nunca vai concordar. Por favor. – sorriu. – prometo que arranjo vários telefones para você.

- Agora a proposta está ficando interessante. – deu um largo sorriso. - Quantos?

- Os que você quiser.

- E o seu está incluso no pacote?

- Hum... – sorriu de maneira enigmática. – talvez... se for um bom professor.

- E se eu for vou ganhar só o telefone? – a olhou malicioso.

- Não sei... – devolveu o olhar.

Clarice os olhava atônica. Estava se flertando, ou era brincadeira?

- Está certo. Darei aulas a vocês duas.

- Isso!

- Você também quer? – Miro olhou para a dona das melanes rosa. – que cara é essa?

- Vocês dois... as vezes parecem que rola algo.

- Só parece. – disse Rosa. – vê se eu vou querer um pervertido desse.

- E eu uma pervertida dessa.

Clarice os olhava sem entender o que provocou risos nos dois.

- Entenda uma coisa Kaká. – Miro colocou a mão no ombro dela. – se estivesse esse "interesse" nela já tinha catado.

- Que termo horroroso. – Rosa deu um pedala nele. – ao respeito.

- Ai! Estou brincando. Mas vamos treinar ou não?

- Agora.

Prepararam um rápido café para o escorpião e seguiram para o Coliseu.

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Mu tirava a mesa do café, com os pensamentos em Rosa. Sabia que ela tinha boas intenções, mas não poderia deixá-la intervir nessa historia. Clarice e Aldebaran deveriam resolver sozinhos. Lembrou da noite anterior e da maneira que a enlaçou nos braços, sentiu o rosto aquecer.

- Mu pare de pensar nisso. – disse a si mesmo. Acabou se lembrando da forma que ela e Miro dançaram. – aquele escorpião... é um abusado.

X.x.X.x.X.x.X

Afrodite olhou pela ultima vez a cidade. Não voltaria ali, não nessa vida. Guardaria Estocolmo no coração, mas não voltaria mais a cidade. Ela estaria enterrada nos confins de sua mente juntamente com seu passado.

- Estou voltando para o meu verdadeiro lar.

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Shaka acordou não se sentindo muito bem. Passara a noite em parte em claro e quando não dormia o suficiente ficava de mau humor. A sorte que era domingo e não precisaria encontrar com ninguém. Tomou um rápido café seguindo para a sala das arvores gêmeas. Sabia que ali ninguém o incomodaria.

X.x.X.x.X.x.X

Atena terminava sua caminhada matinal no pátio da estatua. Alongou o corpo, sentindo se bem melhor.

- Que dia lindo.

- Bom dia Atena.

- Bom dia Shion. Tudo bem?

- Sim e com a senhorita?

- Tudo calmo. Esses dois anos tem sido gratificantes.

- Às vezes tenho medo dessa paz.

- Por quê?

- Medo dela acabar de uma hora para outra. Estamos em paz, mas e os outros? Pode ter alguém a espreita.

- Eu sei disso. – fitou a estatua. – todo cuidado é pouco, contudo não precisamos ficar tão apreensivos.

- Sim. E Afrodite?

- Deve voltar hoje, ou amanha, não sei.

- Acha prudente deixar um cavaleiro sair sem ser em missão?

- Isso faz parte da "apreensão". Não a risco de uma guerra iminente, então não vejo o porquê de não liberá-los.

- Compreendo. Perdoe-me por aborrecê-la com esses assuntos.

- Só está sendo prudente Shion, mas não há nada com que se preocupar. Estamos em paz, prova disso é a vinda de Rosa e Clarice. Se sentisse que algo poderia acontecer, não tinha permitido a estada delas.

- Sim.

- Fique tranqüilo.

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O mau humor era visível pela cara dele. Aldebaran subia as escadas, mal dando bom dia aos seus moradores. Estava assim pela irritação de ontem e pelo fato de Rosa e Clarice terem saído sem dizer nada. Foi direto a escorpião, pois se tinha um lugar que elas poderiam está era ao lado dele.

- Atena vai ficar sem um cavaleiro. Miro!! – gritou. – Miro!

Silencio, o que o deixou ainda mais nervoso. Se ele não estava ali tinha levado-as para algum lugar.

- Eu mato ele!

- Mata quem Deba? – indagou Aiolos que saia da oitava casa.

- Miro.

- Por quê?

- Não está em casa.

- E?

- Deve ter seqüestrado a minha irmã.

- Ah isso. – brincou. – relaxa. Vem vamos tomar café em leão, depois te ajudo a procurá-la.

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- As posições são essas. – disse Miro.

- Assim?

- Não Kaká levante mais o cotovelo.

- Ta.

- E eu?

- O contrario Rosa, abaixe um pouco. Agora me ataquem.

- Hã?

- Como assim?

- Tentem me bater.

- Vamos te machucar. – disse Clarice.

- Nem vão encostar em mim.

Primeiro, Clarice avançou em seguida Rosa, nem chegaram perto do escorpião.

- Nem encostamos em você.

- São lentas.

- Imaginei. As amazonas passam por esse treinamento?

- Sim. Mas elas treinam desde garotas e treinos rigorosos.

- Então se quiséssemos ser, sem chance.

- Não é totalmente sem chance, mas estão um pouco crescidinhas para isso.

- Velhas você quer dizer. – disse Rosa.

- Não usaria esses ternos. Vão conseguir fazer alguma coisa, pelo menos bater num tarado vão.

- Miro.

- Serio. Vem, vamos continuar.

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Aldebaran engoliu a comida e arrastava Aiolos para ajudá-lo a procurá-la.

- Deba calma. – pediu Aioria. – também te ajudo, mas me deixe terminar.

- Anda logo. – cruzou os braços sobre o peito.

- Por que foi embora mais cedo ontem?

Deba estreitou o olhar.

- Por nada.

- Como por nada? – disse Aiolos. – está certo que o Miro não é digno de confiança, mas não precisava sair atrás.

- Tive meus motivos.

- Aposto que levou fora de uma mulher. – alfinetou o leonino. – ou de duas.

- Calado.

- Então levou fora da Clarice. Eu vi vocês dois saindo juntos. – sorriu malicioso.

- Quer calar a boca?

- É isso! O touro foi dispensando!

- Aioria...

- Deba, foras são normais, não precisa ficar assim.

- Aioria...

- Tente mais uma vez, antes que o Miro o faça.

Tudo que os irmãos viram foi a cesta de pão voar longe e espatifar na parede.

- O que está insinuando? – pegou o leão pelo colarinho.

- Na-da, nada. Não estou insinuando nada.

- Solta ele Deba. – pediu Aiolos.

Aldebaran o soltou.

- Idiota.

- O Miro talvez nada, mas o Shura...

Aldebaran partiu para cima dele e se não fosse o sagitariano, Atena ficaria sem um cavaleiro.

- Calma Aldebaran. Aioria só está brincando.

- Cla-ro... – murmurou o leonino mais branco que um papel.

- É bom mesmo. – o soltou.

- Vem, vamos te ajudar a procurar a Rosa.

Logo todos os cavaleiros dispostos ao não sofrem nas mãos de Deba engajaram na procura, só faltava Shaka.

Deba entrou na casa dele, talvez o virginiano conseguisse localizá-los já que o cosmo do escorpião estava oculto. Gritou pelo virginiano não obtendo resposta.

- Ele não está aqui Aldebaran. – disse Dohko. – é melhor irmos.

- Quando mais se precisa dele, ele não está.

- Espero que seja grave por ter interrompido minha meditação. – apareceu com o rosto contrariado.

- Parece que todo mundo acordou de mau humor. – Kanon cochichou ao irmão.

- É grave sim. Cadê o Miro?

Shaka abriu os olhos, deixando todos temerosos.

- Entrou gritando, atrapalhando a minha meditação, - a voz saia fria. – para saber onde está o Miro? – estreitou o olhar.

- Sim. – disse sem temê-lo.

- Pergunta para sua irmã! – respondeu. - os dois não são amigos? – deu as costas. – passar bem.

Deba estreitou o olhar.

- Só estou querendo uma informação. Dá para responder?

Shaka parou, agitando seu rosário.

- Ele estava brincando Shaka. – Kanon entrou na frente. – é melhor irmos. Vamos procurá-los em outro lugar. Aioria..

Rapidamente o leonino sumiu de cena, não queria ser morto.

- Alguém, por favor... "me ajudem com ele." – pediu por cosmo.

Shaka virou fitando-o.

- Não tem medo da morte?

- Pode me matar depois que eu matar o escorpião.

- Não sei onde ele está. Não sinto o cosmo dele.

- Obrigado. Passar bem.

Saiu, sendo seguido pelos outros que temeram pela vida de Miro.

- Vai perder o espetáculo? – indagou MM ao virginiano.

- Que espetáculo?

- A aranha ser massacrada pelo touro. Hoje o Miro se ferra.

- Fico admirado com esse seu companheirismo.

- Deixa de ser falso Buda, também adora ver o circo pegar fogo.

Shaka estreitou o olhar.

- Vem, - MM o arrastava. – se tem alguém que pode parar aqueles dois é você, já que os outros vão adorar a briga.

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- Não levo jeito. – Clarice foi se sentar na arquibancada. – desisto.

- Clarice.

- Não Miro. Concentre-se na Rosa.

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Aldebaran descia pisando duro, os demais dourados seguiam atrás calados. Na primeira casa encontraram com Mu.

- O que foi? – indagou ao ver aquele exercito entrando.

- Viu minha irmã?

- Não... por que?

- Viu o Miro?

- Também não.

- Eu mato ele!

- Deba está procurando por eles. – disse Saga.

- Já olhou no Coliseu? – disse sem perceber a confusão que ele armava.

Deba desceu que nem uma bala para lá, os outros acompanharam.

No Coliseu, Rosa fazia alguns progressos, tentava acertá-lo, mas o escorpião era mais rápido. Ela preparou um soco mais forte, mas perdeu o equilíbrio.

Rosa no impulso segurou Miro pela camisa puxando-o. Os dois foram ao chão sendo ele que caiu por cima.

- Ai. – disse a morena.

- Desculpe Rosa.

- Tudo bem, a culpa foi minha em ter te puxado.

- Desculpe...

Miro fitou aqueles olhos que pareciam duas rubis. Ainda se perguntava como era apenas amigo dela. Rosa era lindíssima e não seria difícil se apaixonar por ela, no entanto era só amizade. A brasileira fitou os olhos azuis dele. Miro era lindo e qualquer mulher se renderia aos encantos dele.

- O QUE ESTA FAZENDO COM A MINHA IRMA??

Miro levantou rapidamente, ainda meio desconcertado pelo o que ocorrera.

- Nada... – disse num sussurro.

- Miro não fez nada Ran. – Rosa levantou limpando a roupa.

- COMO NADA?! ELE ESTAVA EM CIMA DE VOCE!!

- Pedi para ele me ensinar a lutar, me desequilibrei e segurei nele. Infelizmente caímos.

- EU VOU MATAR VOCE!! – Aldebaran foi segurado por Shura, Saga e Dohko.

- Calma Aldebaran. – pedia o geminiano.

Mu olhava para os dois, sabia que não tinham nada, mas vê-los juntos... os dois sempre juntos e aquela maldita dança. Não tinha o porquê sentir raiva deles, mas sentia. Não era bem raiva, era um outro sentimento, estava com ciúmes dos dois serem tão amigos. Encarava Miro com raiva.

- O Mu viu o que aconteceu, - virou para o ariano. - quer explicar a ele, por favor.

- Se eu mesmo não acredito, como quer que eu explique? – disse seco.

Silencio, todos olhando atônicos para o ariano.

- Mu...

Miro olhava perplexo. Nunca vira o ariano falar daquele jeito e pela expressão dele...

- "Ontem, quando eu dancei com ela... será que...o Mu? – ficou surpreso. - Ele esta apaixonado pela Rosa? Preciso tirar a prova."

- "Não precisa Miro. – disse Shaka a ele por cosmo adivinhando as intenções dele. – já tem certeza."

Ignorando as palavras do virginiano Miro deu um leve sorriso.

- Não acha que está se preocupando demais?

- Como?

- Quem tem que acreditar na Rosa é o irmão dela não você.

- O que está querendo dizer?

- Nada. – sorriu cinicamente. – só acho que está se preocupando demais com quem ela anda. – colocou as mãos no ombro da amiga.

Mu estreitou o olhar. Aquele escorpião andava muito abusado. Na arena ninguém dizia nada.

- "Miro para de provocá-lo. – insistiu Shaka. – você já sabe dos sentimentos dele."

- "Quero ver o tamanho desses sentimentos." Não fizemos nada demais Aldebaran. Já disse Rosa é minha amiga.

- Não adianta explicar. – disse a brasileira. – vamos embora.

- Eles não entendem, não entenderam ontem não vai entender agora. – disse.

- O que aconteceu ontem? – indagou Deba.

Rosa gelou. Mu estreitou o olhar ao se lembrar. Aioria, Aiolos preparavam para o pior.

- Chamei a Rosa para dançar.

- Miro cala a boca. – disse a própria baixinho.

- Dançou com ela?!

- Sim. Foi numa hora que você estava com a Clarice.

- Eu te mato.

- Para Ran, nada haver. Vai criar caso por pouco coisa?

- E chama aquilo de pouca coisa? – soltou o ariano, estava com ódio. – não foi uma dança de quem prega apenas amizade.

- Como foi isso? Você não me contou? Rosa Maria Ferreira!

Ela soltou um longo suspiro...

- "Que preguiça e Mu ainda fica pondo lenha na fogueira."

- Aposto que vocês sabiam!

- Todo mundo viu. – disse o guardião da primeira casa. – e se aquilo é dança de amigos imagine se fosse de outra coisa. Não concordam? – olhou para os amigos.

Ficaram calados.

- Falem. – disse Deba.

- Foi uma dança normal. – Saga entrou no meio. – vamos treinar.

- Tanto foi normal que certa pessoa ficou bastante exaltada. – o escorpião alfinetou. – exaltada ate demais.

- Chega Miro. – disse Shaka.

- Eu mato! – gritou Deba sendo segurado pelos outros mais Aioria e Aiolos.

- Quer parar todos vocês! – gritou a brasileira. – Ran fique calmo, Miro calado e Mu nem uma palavra. Está certo eu dancei com o Miro e dai? Podia ter dançado com qualquer um. São meus amigos.

- Dançaria comigo daquela forma? – indagou Shura recebendo olhares mortais. – brincadeira.

- Eu ainda o mato! – Aldebaran avançou, mas foi impedido por Rosa.

- Não confia mesmo em mim. – disse. – prefere acreditar nos outros.

Deba recuou.

- Vou fazer as malas. – disse saindo.

Todos ficaram surpresos. Clarice saiu do estado de perplexidade indo atrás dela.

- Viu o que fizeram? – Miro fez o mesmo.

Mu apreensivo a olhava se afastar, não queria que ela fosse embora, ela não podia ir embora.

Na entrada do Coliseu...

- Rosa espera.

- Não estou a fim de falar. – disse a Miro e a Kaká.

- Não estava falando sério de ir embora, estava?

- Não sei Kaká. – parou de andar. – vamos dar uma volta? – virou para os dois.

- Rosa. – Kamus aproximava. – se importa de eu levar essa aranha comigo?

- Aranha? – Miro arqueou a sobrancelha.

- Cuidado com ela. – disse divertida.

- Ela? Me chamou de ela?

- Sem dramas. Vem. – Kamus o puxou.

Numa distancia razoável...

- Tem noção do que fez?

- O que eu fiz? – indagou com a cara mais lavada do mundo.

- Provocar uma guerra de mil dias.

- Deba é muito antiquado. Já disse, se tivesse alguma intenção com a Rosa já tinha o feito.

- E não tem?

- NAO! – gritou indignado. - Será que não percebeu?

- O que?

- O Mu é apaixonado por ela.

Kamus o olhou surpreso.

- Acho que é só eu que noto essas coisas... fiz aquilo porque queria sanar minhas duvidas. – sorriu de orelha a orelha. – o carneirinho se mordeu de ciúmes.

- Fez isso só para provocar?

- Claro.

- Seu idiota. – Kamus deu um pelada nele.

- Ai.

- Não tem responsabilidade? Agora a Rosa vai embora, Deba está mal e Mu pior.

- Ela não vai embora. – sorriu. – eu a conheço muito bem. Deba agora para de implicar com ela e volte suas atenções para Clarice e Mu talvez tome alguma atitude, ele ficou bem nervosinho.

- Não se esqueça que carneirinhos são meigos e doces, mas ainda possuem chifres, mesmo que sejam curvados. Uma hora você se ferra.

- Sei onde piso.

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Continua...

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É Miro uma hora você dança.

Miro: é uma ameaça?

Krika: pergunta pro Mu. :D