Pó de Chifre de Unicórnio
Título original: "Polvo de Cuerno de Unicornio"
Autora: JulietaPotter
Tradução (autorizada): Inna Puchkin Ievitich
Capítulo 7
A Poção "Purificadora de Sentimentos"
Harry e Rony subiram rapidamente para o quarto, onde seu amigo tratou de pô-lo a par dos detalhes da maldição que, supostamente, o acometia mas, na realidade, não teve muito o que dizer porque Hermione não havia sido muito explícita com ele em sua carta.
- Ela disse apenas que perdoa o seu comportamento, já que, segundo ela, você tem essa maldição desde o dia que procuraram o Unicórnio, e que realmente não era você, portanto nada do que você disse foi a sério.
Harry não respondeu, apenas suspirou ruidosamente, lutando contra a tentação de irritar Rony em dizer-lhe que aquilo que dissera sobre ele ter um cérebro de trasgo tinha sido a sério.
- Ela disse que estranhava muito a forma como você agia, que acredita que algo se passava com você e pôs-se a investigar. Logo se vê, típico dela, não? Tem uma dúvida e corre à biblioteca. Então, encontrou uma maldição que coincidia com seus sintomas e que tem a ver com Unicórnios. Parece que faz você ficar obcecado por uma garota que... bom, a que o acompanhou à caçada. Além do que, o deixa com um gênio dos diabos. - disse Rony sorrindo, que parecia incômodo com algo.
Harry olhou-o nos olhos, sabia que algo o incomodava... e acreditava pressentir o que era.
- Harry... isso entre você e ela... bom, aquela noite... na realidade, é só você que está "doente", não? Quero dizer, ela não gosta de você realmente, não é?
Olhou ansioso para Harry, o qual levou um tempo para responder. De fato, nem ele mesmo o sabia. No presente momento, estava louco por ela. Como poderia saber se não o estaria depois de "curar-se" da maldição? Como saber se não o havia estado todo o tempo?
- Sinceramente Rony, creio que ainda não me sinto tão a vontade para falar disso... se incomoda se deixamos isso para depois? - disse cansadamente.
- Ah! Sim, claro companheiro. Não há problema.
Nesse instante, muitas coisas diferentes invadiram sua mente, e quase teve que morder-se a língua para não dize-las. Lutar contra essa maldição estava resultando ser extenuante... Era como lutar todo o tempo uma batalha contra si mesmo. Esperava que a poção verdadeiramente o ajudasse, para seu próprio bem e pelo das pessoas de quem gostava.
- Rony! – exclamou Harry, recordando algo de repente. - O que, exatamente, a sua mãe e os demais sabem da... daquela noite, precisamente? O que você contou?... Por que McGonagall mencionou algo de que não deveria me envergonhar, que era normal que eu perdesse a cabeça e outras coisas ?...
Rony parecia incômodo, parecia que lembrar aquela situação o desagradasse enormemente. Harry viu-o suspirar cansado.
- Não contei a ninguém, Harry. - disse tristemente. - Apenas comentei com minha mãe que você estava um pouco instigante com Hermione, e suponho que isso foi o que ela disse à Professora... decerto, ela assustou-se ao saber o que você tinha, mencionou que ouvira falar disso mas que fazia muito tempo que não se apresentava um caso assim. E que a surpreendia que você não tivesse atacado Hermione ou outra pessoa.
Harry ergueu as sobrancelhas e coçou a cabeça nervoso... esperava que Hermione não contasse a ninguém que tivera que dar-lhe uma vassourada para tirá-lo de cima dela.
Depois da ceia natalina, já deitado na cama extra que colocaram no quarto de Rony, se perguntou o que teria acontecido se sua amiga não tivesse estranhado sua maneira de comportar-se... se não tivesse investigado e encontrado a causa e a cura... aonde teria chegado tudo isso? Quanto tempo duraria a maldição? Uma vida?
E se nunca ninguém houvesse percebido que Harry não era o mesmo e simplesmente acreditassem que era malvado e cruel? Quem sabe teria ficado sozinho e pudesse ter chegado a converter-se em Comensal da Morte. A idéia deixou seus cabelos em pé. Mas, acima de tudo, o que mais lhe torturava a alma era pensar que poderia ter chegado o dia em que, desesperado para possuir Hermione, a tivesse machucado e produzido um dano irreparável.
Doeu-lhe o estômago só de pensar. Deus, sou uma ameaça para ela, se disse. Se Hermione não tivesse aquela vassoura à mão, não queria nem pensar... Do que teria sido capaz?
E, sobretudo, ferir a ela, que foi a única que se preocupou com ele... talvez consultou centenas de livros até encontrar a resposta. Mas não seria a primeira vez que fazia algo assim por Harry. De fato, ajudava-o todo o tempo. Pensou que, seguramente, ele já estivesse morto há muito, se não fosse pela abnegada presença de Hermione em sua vida.
Suspirou, perguntando-se como estaria ela... se estaria magoada com ele. Depois de tudo, quando por fim averiguou o que se passava com Harry, contou a todos, menos a ele. E mandou uma carta para Rony, apesar de estar chateada com este por estar com Lilá.
Rony, preocupado em saber se ela lhe gostava... Hermione chateada porque Rony estava com Lilá... então, ele sobrava?
Mas ela havia lhe dito algo no armário... O que sinto por você está acima da paixão e do desejo!... E fora do seu alcance de compreensão, pelo visto. Naquele momento, estivera certo de que ela estava confessando que o amava... porém, talvez, agora tudo estivesse perdido. Se Hermione alguma vez sentiu algo por ele, seguramente ele pusera tudo a perder.
Harry estava tão ocupado desfrutando de sua depressão, que não percebeu que nenhuma emoção negativa tinha interferido com o que sentia nesse instante por Hermione. Não se deu conta de que não houve luxúria, nem cólera, nem obsessão... apenas um cálido sentimento que o fazia sentir-se vivo e invencível; e que, ao mesmo tempo, torturava-lhe a alma com uma dor que não poderia expressar com palavras, que lhe fazia sentir um vazio ao saber que ela estava tão longe e, talvez, perdida para sempre... Harry não tinha idéia de que isso que começava a sentir é aquilo que os demais costumam chamar de amor .
Aquela semana que passou na Toca realmente foi um período difícil para Harry. Em muitas ocasiões, arrependeu-se de ter ido e desejava ter permanecido na segurança de Hogwarts, onde não teria tido que suportar tantas provações para controlar seu recém adquirido temperamento. É que na casa dos Weasley, convivendo entre tantos que eram da família, Harry passava mais da metade do tempo respirando fundo e tentando escutar seus verdadeiros sentimentos, para não dizer algo do qual pudesse arrepender-se depois.
Os Weasley achavam a situação de Harry muito divertida, especialmente Fred e Jorge. Para Harry parecia que o emboscavam por toda a casa, esperando-o com alguma brincadeira ou comentário engraçado, com a intenção de fazê-lo enraivecer-se e vê-lo 'descer o pau' em todos.
A Sra. Weasley tentava ser mais amorosa que nunca com Harry (como se isso fosse possível) e repreendia Fred e Jorge a todo tempo; por outro lado, para o Sr. Weasley parecia que estes exercícios de auto-controle beneficiariam seu caráter.
Gina também se mostrava muito amável, até de certa forma muito carinhosa, segundo avaliava Harry. Mas isso não o ajudava muito mais que as brincadeiras dos gêmeos, já que em mais de uma ocasião teve que engolir a vontade de gritar com ela para que fosse embora, com suas palavras melosas, e o deixasse sossegado. Porém, conformava-se em suspirar e guiar sua mente para outro lugar, afim de deixar de ouvir a conversa fiada de Gina, que constantemente se queixava de seu namoro com Dino, a quem considerava muito imaturo para ela.
Era uma dádiva que Gina e ninguém pudessem ler os pensamentos de Harry, quando este se desconectava para deixar de ouvi-los... com regularidade, estes estavam cheios de recordações de uma já distante cena numa clara floresta e de um beijo inesquecível numa sala vazia.
Ditosamente, as férias acabaram e Harry pode ter a esperança de que, finalmente, a tortura de morder-se a língua chegaria ao fim. Viajaram novamente pela rede de flu até a sala da Professora McGonagall, que, sem cumprimenta-los, disse a Harry que tinha que ir imediatamente à enfermaria.
Ante a expressão de espanto do garoto, a professora o tranquilizou.
- É melhor assim, Potter. Hermione Granger já está aqui e o conveniente é que não a veja até que esteja são de novo. - suspirou e prosseguiu. - Parece que o Professor Slughorn já tem preparada a poção e a enviará para Madame Pomfrey, para administrá-la. De modo que, o que está esperando?
- Sorte, companheiro. - disse Rony, enquanto dava-lhe um golpe com o punho em seu braço.
- Adeus, Harry... o verei quando já estiver curado. - disse Gina, dedicando-lhe um grande sorriso.
Sim, claro, pensou Harry, agradecendo poder afastar-se dela e sentindo pesar por não poder ir à Sala Comum ver Hermione. Mas sabia que era melhor assim. Embora já se sentisse mais calmo, não podia saber qual seria sua reação ao vê-la outra vez.
Enquanto caminhava para a enfermaria, perguntava-se o que sentiria ao vê-la quando já estivesse desenfeitiçado... e se Hermione falaria com ele novamente sem medo.
Ao chegar, Madame Pomfrey mandou-o vestir um pijama e deitar-se numa das tantas camas.
- Mas... eu vou ficar aqui muito tempo? - perguntou incômodo. - Não vou apenas tomar uma poção e já poder ir?
- Claro que não pode ir! - respondeu-lhe, com seu habitual mau humor. - Ao bebe-la você se sentirá enfermo por várias horas... é preciso que fique. Talvez, de noite já tenha produzido efeito e você possa se retirar, mas isso dependerá de que, ainda, não esteja muito tarde. Porém, asseguro-lhe que amanhã já poderá assistir suas aulas.
Como se fosse isso o que lhe preocupava... Harry não teve outro remédio senão resignar-se e fazer o que lhe indicaram. Como se não fosse pouco tudo o que lhe passava, tinha que suportar, ainda, os olhares divertidos da enfermeira, que comentou que nunca tivera que usar essa poção, já que essa maldição não era muito comum.
- Poção "Purificadora de Sentimentos". – disse, ao mostrar-lhe uma garrafinha com um líquido incolor. - É uma sorte ter o Professor Slughorn outra vez entre nós, não é qualquer um que sabe elaborá-la.
Sim, muita sorte, se disse Harry, lembrando que tudo isso não teria acontecido se Slughorn não lhes voluntariasse a sair em busca do Unicórnio. Além disso, sequer tinha o crédito de nada... sentiu um renovado orgulho de sua amiga, que fora quem averiguou tudo, dizendo ser perfeitamente capaz de fazer a poção ela mesma, se houvessem deixado.
Sorriu ao pensar nela e compreender sua mágoa ao ver-se superada por Harry na disciplina de Poções... ela realmente era quem merecia todos os elogios que o professor dirigia a ele.
Bebeu o conteúdo da garrafinha de um só gole. Tinha um sabor doce e picante. Que curioso. Apesar de estar na temperatura ambiente, sentiu-o quente ao passar pela garganta, e quase acreditou que lhe queimava ao chegar em seu estômago.
E tal como Madame Pomfrey lhe prognosticara, sentiu-se muito descomposto quase de imediato. Se não estivesse na cama, certamente teria desabado no chão. Percebeu seu corpo gelado, como se fosse imerso no lago, e imediatamente depois sentia-se arder, como se estivesse febril. Sentiu-se congelar outra vez e de novo, calor.
Fechou os olhos e teve que se deixar perder numa névoa escura, que envolveu-lhe a mente, por onde desfilaram recordações, como se estivesse assistindo um filme... não conseguia percebe-las bem, mas estava seguro de que Hermione aparecia em todas.
Buscou desconectar-se das terríveis oscilações de frio-calor que seu corpo sofria e tentou concentrar sua atenção no que estava passando pelo seu cérebro.
Hermione caída no Departamento de Mistérios... Harry voltou a sentir o horror de acredita-la morta. Ela e ele no lago, tentando invocar seus patronus para repelir centenas de Dementadores, que os rodeavam... Um abraço de uma Hermione de doze anos, enquanto dizia-lhe: "Você é um grande bruxo, Harry..." ... Ela tremendo de pavor nos braços de Harry ao ser quase pega por Grope... Hermione e ele voando em Bicuço para salvar Sirius... e ela não gosta de voar... Hermione ensinando-lhe o feitiço Accio...
Quantas horas se passaram assim, Harry nunca soube. Talvez, caiu adormecido sem dar-se conta, quando acordou já era de noite e aparentemente muito tarde, pois não se ouvia o barulho que faziam os habitantes do castelo. Harry notou que Madame Pomfrey já havia se retirado para sua sala, razão pela qual resignou-se em ficar para dormir na enfermaria.
Porém, como acabava de despertar e o que menos lhe apetecia era voltar a conciliar o sono, tentou manter-se acordado um pouco para tratar de averiguar se a poção fizera efeito ou não. Decidiu analisar seus sentimentos sobre Hermione e Rony, para tentar detectar alguma mudança. Ao pensar em Rony, sentiu renascer o carinho fraternal de sempre, sem indícios do rancor que havia experimentado antes.
Bem, então, sim, fez efeito, pensou com alegria. Vejamos, agora, com Hermione... O primeiro que sentiu ao pensar nela foi uma enorme tristeza por saber que tinha-a ferido... bem como uma enorme ansiedade de averiguar se o perdoaria ou não.
Estava se perguntando se isso significaria que estava curado, quando sobressaltou-se ao ouvir que a porta da enfermaria se fechava, sem, no entanto, ver ninguém entrar nem sair.
- Dobby? – perguntou arriscando, ao recordar seu amigo elfo, que sempre se preocupava com ele.
Ninguém respondeu. Harry forçava a vista, tentando ver algo na penumbra. Nada. Mas sentia passos céleres. Sentia que se acercava. E então o soube.
- Hermione? – perguntou divertido.
Para sua agradável surpresa, diante de sua cama, Hermione retirou a sua Capa de Inviabilidade e, radiante, retribuiu a Harry o sorriso.
Até o próximo capítulo de Pó de Chifre de Unicórnio: "Almas no Céu".
Hasta!
Inna
