Por Leona-EBM

Por Leona-EBM

O Diário

VII

Eu fui roubado pelo meu melhor amigo!

OoO

"O homem que sofre antes de ser necessário, sofre mais que o necessário".
(Sêneca)

OoO

Camus apreciava o pedaço de bolo de chocolate que estava se desmanchando na sua boca. Seus olhos brilhavam de uma maneira especial e seus dedinhos corriam para cortar outro pedaço de bolo, jogando-o rapidamente na sua boca.

Shion estava sentado de frente para Camus, comendo um pouco de bolo com o francês, mas ele desistiu de comer ao ver que era mais interessante ficar a observar o francês. Ele apoiou seus cotovelos na mesa e colocou sua cabeça apoiada nas suas mãos.

- Eu não sabia que você gostava tanto de doces – Shion comentou.

Camus ergueu seu olhar para o ariano, tentando entender o motivo daquele comentário. O maxilar de Camus movia-se para cima e para baixo, mastigando o último pedaço de bolo, quando ele terminou, tratou de passar a língua por seus dentes a fim de não deixar nenhum pedaço vergonhoso de chocolate entre seus dentes. Quando terminou sua limpeza, seus olhos voltaram para Shion, que ainda o admirava em silêncio.

- Pode comer mais – Shion disse.

- Eu estou satisfeito, obrigado – disse, olhando para o grande bolo que estava quase na metade. Ele havia comido demais – Está ouvindo uma música alta? – Camus indagou em seguida.

- Ah, sim. Hoje está tendo uma reunião na casa de câncer – comentou – eles são barulhentos.

- Hum... definitivamente – concordou – "E eu nem fui convidado. E pensando bem, eu não quero ficar ouvindo as piadinhas ao meu respeito novamente" – pensou.

- Camus, eu gostaria de lhe dar uma coisa – Shion avisou, erguendo-se.

- Dar? – indagou com certa curiosidade.

Shion saiu da sala e voltou depois de alguns minutos com um pequeno embrulho vermelho nas mãos, ele se aproximou de Camus por trás, abraçando seu pescoço, afundando sua cabeça na curva do pescoço do francês para aspirar seu cheiro tão característico.

- Um presente – Shion disse.

As bochechas de Camus ruborizaram-se por um instante. Ele não estava acostumado com aquele tipo de gentileza. Suas mãos pegaram o pequeno embrulho.

- Vamos! Abra – Shion pediu, enquanto beijava o pescoço do francês.

Aos poucos o embrulho começou a se desfazer revelando uma caixinha de madeira. Camus sentiu seu coração bater mais forte, ele abriu a caixinha revelando uma corrente fina de prata com um pingente no formato de um carneirinho, símbolo de Áries.

- Ah... obrigado – agradeceu após analisar o objeto – eu adorei – disse em seguida, abrindo um lindo sorriso.

- Meu querido aquário – sussurrou, erguendo-se em seguida. Shion puxou a corrente das mãos de Camus e a colocou em volta do pescoço do francês.

- Obrigado Shion, foi muito gentil – disse, tocando na corrente que já estava no seu pescoço.

- Camus, eu gostaria de levá-lo a um lugar amanhã. Você aceitaria ir comigo? – indagou no seu tom polido e autoritário de sempre, nem parecia que Shion estava conversando com a pessoa que estava em seus sonhos todas as noites.

- Mas e o santuário? Eu não posso...

- Lembra que eu lhe dei três dias de folga por causa do trabalho que realizou? Pois bem, eu quero levá-lo a um lugar – disse.

- Ah, você sempre pensa em tudo – comentou, permitindo-se sorrir novamente. Camus estava sentindo-se um adolescente ultimamente, qualquer coisa que Shion fazia ele sorria feito bobo. E como Shion o fazia sorrir o tempo todo... Camus definitivamente parecia um pombinho apaixonado – e onde seria? – indagou.

- Segredo – disse, passando sua mão pelo cabelo do francês.

Camus ergueu-se lentamente, ele aproximou-se de Shion e o abraçou no pescoço, afundando sua boca nos lábios do ariano, buscando sua língua dentro da boca de Shion, começando a acariciá-la, estimulá-la a mover-se juntamente com a sua língua, iniciando um beijo lento e apaixonado. As mãos do francês deslizaram para cintura fina de Shion, indo até suas nádegas, passando seus dedos pela região em movimento circulares.

- "Será que Shion me deixaria?" – Camus pensou – Shion... – o chamou após separar de seus lábios.

- Hum?

Camus caminhou para trás, empurrando Shion até encostá-lo na parede. O ariano estava estarrecido com as sensações que povoavam seu corpo. Camus sabia como seduzir mesmo que fosse sem querer.

- Eu quero seu corpo – disse, afundando sua cabeça na curva do pescoço de Shion.

- Ah... como assim? – indagou, sentindo um frio correr por sua espinha. Será mesmo que Camus de aquário estava sendo tão direto?

- Como você me tem. Eu quero tê-lo – revelou, erguendo sua cabeça, olhando para os olhos de Shion que se arregalaram ligeiramente.

- Não – disse.

- Você tem algum problema quanto a isso? – indagou.

- Não, eu não tenho, mas... eu não quero isso, Camus. Por favor, não vamos falar nisso – pediu.

- Por que apenas você tem o que quer? – indagou. Afinal, Camus era um homem também. Ele queria experimentar novas sensações. Seu signo era aquário, ele era curioso, ansioso e tinha uma sede insaciável por conhecimento.

- Você está infeliz comigo? – indagou.

- Não. Mas eu quero fazer com você também – disse – ou você é muito homem para isso e eu não sou. É isso que quer dizer?

Shion ficou em silêncio, ele observou as reações de Camus, notando que ele estava com uma certa irritabilidade no olhar. Talvez fosse melhor ponderar as palavras, pois Camus não era burro e muito menos ingênuo. Numa discussão aberta e direta, o aquariano tinha uma habilidade que muitos outros cavaleiros não tinham. Camus era curioso e saciava sua sede por conhecimento através de livros, filmes, músicas e conversas com pessoas mais experientes, sendo assim, ele era uma pessoa difícil de se lidar. Ou como Milo havia lhe apelidado anteriormente: "enciclopédia ambulante".

- Você não é menos homem por isso – disse – eu apenas não me sinto à vontade com essa situação.

- E você por acaso me perguntou se eu me sinto à vontade? – indagou, dando alguns passos para trás, encostando-se a mesa da sala de jantar, cruzando os braços e ficando a olhar para Shion.

- Desculpe, Camus. Eu não sabia que se sentia assim, eu pensei que gostava de ficar comigo. Vamos conversar sobre isso, como você deseja – disse, cruzando os braços também. Agora o casal estava introspectivo.

Os dois ficaram se olhando por um longo tempo em silêncio. Shion não sabia o que falar, ele não queria porque não queria e ponto final. E Camus queria, porque queria e ponto final. Como criar uma conversa construtiva sem criar atritos? Um grande mistério. Teriam que descobrir sozinhos.

- E então? – Camus indagou.

- Eu não quero... – disse, abaixando a sua cabeça e soltando sua respiração. Ele estava começando a ficar impaciente.

- Por que?

- Porque eu não me sinto bem – revelou – existem coisas que não queremos fazer, Camus.

- Tudo bem – disse baixinho.

Shion ergueu sua cabeça a fim de encarar a face de Camus, tentando decifrar o olhar gélido do francês. Um friozinho arrepiante correu pela espinha do ariano. Ele não queria chatear Camus, não queria dizer "não" para ele, mas existiam coisas que não gostaria realmente de fazer.

- Tudo bem? – Shion indagou.

- Sim – disse – afinal, precisamos confiar na pessoa com que estamos e eu acho que você ainda não confia o suficiente em mim.

- Não é isso! – disse quase num grito.

- Não?

- Camus, de onde você tirou essa idéia maluca? Por quê está querendo mudar as coisas agora? – indagou – você nunca aparentou gostar de falar sobre isso. E você se mostrou bastante receptivo quando ficamos juntos. Eu não estou lhe satisfazendo ou tem outro problema?

Shion conseguia deixar qualquer pessoa sem falas. O aquariano abriu a boca para falar, mas Shion havia jogado uma chuva de perguntas complexas. Não era fácil responder e nesse instante Camus estava pensando no real motivo de estar propondo esse novo quadro no relacionamento para Shion.

- Camus? – Shion o chamou.

- Hum?

- Não vai me responder?

- Eu... – começou a falar, para logo parar e suspirar, tentando organizar seus pensamentos – eu estava falando com o Milo e...

- Ahhhh!! Está explicado – Shion exclamou, interrompendo-o – O que aquele cavaleiro lhe disse? – indagou.

- Bom... eu acho que...

- Você acha ou o Milo acha? – indagou.

Shion caminhou até Camus, puxando suas mãos e as colocando em volta de sua cintura, forçando Camus abraçá-lo. O ariano tocou no rosto de Camus com as duas mãos e ficou a olhar para seus olhos a uma distância mínima, onde seus lábios quase se encostavam.

- Eu acho que...

- Você ou Milo acha? – tornou a indagar.

- Shion, eu...

Camus não terminou sua frase, pois a boca de Shion tratou de calá-lo desta vez, atacando seus lábios, deixando sua língua envolver toda a boca do francês que começou a inclinar seu corpo para trás, deitando-se na mesa de madeira com Shion em cima de seu corpo.

Quando o beijo cessou, Camus abriu a boca para aspirar o máximo de ar que conseguisse. Ele começou a se erguer aos poucos com a ajuda de Shion que também estava ofegante, além de estar bastante irritado com toda aquela situação.

- Camus... depois vá até sua casa, faça uma mala com algumas roupas, pois iremos sair amanhã cedo – Shion sussurrou ao pé de seu ouvido.

- Depois? – indagou.

- Sim, porque agora você é meu – disse, fechando seus braços na cintura de Camus. A boca de Shion voltou a atacar os lábios do francês.

OoO

Algumas casas abaixo, mais precisamente na casa zodiacal de câncer. Os cavaleiros estavam aproveitando a bebida, os petiscos e a música alta. Num canto estava Milo, Shura, Aioria e Saga jogando baralho, enquanto bebiam.

- Milo? – Saga o chamou, jogando uma carta no centro da mesa.

- O que foi? – Milo ergueu seu olhar, encarando o geminiano que era sua dupla naquele jogo.

- O que era aquele caderno na sua mão? – indagou.

- Ah... nada – disse rapidamente, se atrapalhando um pouco e deixando uma de suas cartas cair com a cara para cima na mesa, chamando a atenção de Shura e Aioria. Afinal, desde quando Milo cometia um erro desses num jogo? O escorpiano jamais se desconcentrava quando estava jogando baralho.

Os três cavaleiros olharam-se com certa curiosidade e depois encararam o escorpiano que arrumava suas cartas. Milo pegou a garrafa de cerveja que estava ao seu lado e deu alguns goles.

- Milo... é sua vez – Shura avisou.

- Ah... é verdade – disse, jogando uma carta qualquer.

- Milo... você não me respondeu. O que era aquele caderno? – Saga tornou a indagar.

- Nada. Um caderno meu de anotações... – disse.

- Anotações do quê? – Aioria indagou.

- De... músicas – respondeu a primeira coisa que veio a sua cabeça.

- Músicas? – os três indagaram em uníssono.

- Milo, diga a verdade. O que era aquilo? Você estava tão nervoso, parecia que estava escondendo um tesouro – gêmeos comentou.

- "Maldito Saga..." – Milo pensou, sentindo seu coração acelerar – "está certo que eu conto tudo para Saga... mas por eu contar tudo, ele sabe quando eu estou mentindo e também quando eu não quero falar algo. Maldito...".

- Milo?

- Era algo que não posso falar – disse, erguendo-se da mesa e jogando suas cartas – eu não quero mais jogar – avisou, pegando sua garrafa e se afastando da mesa.

O trio ficou a olhá-lo se distanciar sem entender muita coisa. Saga estava preparando-se para ir atrás dele, mas parou de repente ao sentir o toque de Aioria em seu pulso.

- Eu sei o que é aquilo – revelou o leonino.

- Sabe? – Saga indagou com curiosidade.

- Um diário... – disse baixinho.

- Um diário? – Shura e Saga indagaram em uníssono.

- Milo tem um diário? – Saga indagou.

- Impossível – Shura comentou.

A língua de Aioria passou por seus lábios, molhando-os lentamente. Ele abriu um largo sorriso e se aproximou de seus companheiros, preparando-se para contar o pequeno segredinho que descobriu.

- Eu estava indo buscar o Milo, pois o máscara da morte esqueceu de avisá-lo sobre nossa festinha. E quando eu entrei na sua casa, Milo nem sequer me notou, pois ele estava muito entretido com o diário que ele pegou do... Camus – revelou.

Saga e Shura arregalaram os olhos. Um sorriso desenhou-se em seus semblantes antes curiosos. O trio olhou para Milo que estava conversando com os outros cavaleiros e depois voltaram a se olhar.

- E como você sabe que é um diário? – Saga indagou.

- Pois ele leu uma parte e comentou algo assim: "Camus, esse diário ainda me mata de rir" – disse.

- Será que Milo está com esse diário ainda? – Shura indagou – eu gostaria de lê-lo. Imagina só, todos os pensamentos de Camus!

- Ele demorou a descer... eu acho que deve ter devolvido – Saga concluiu – e é óbvio que Camus não deu o diário para ele ler. Ele deve pegar e devolver escondido.

- Lógico que o Camus não ia deixar Milo ler, mesmo que sejam amigos – Shura comentou.

- Se a gente... o pegasse no flagra... a gente poderia ler também – Aioria disse - céus, parecemos umas crianças. Mas isso é tão excitante! Um diário... e do Camus!

- Então vamos fazer o seguinte... – Saga começou a falar baixinho, olhando a cada segundo para Milo que os observava ao longe em silêncio. Quando terminaram de conversar, eles ergueram-se rindo alto.

OoO

Horas mais tarde. Na casa do grande mestre. Camus e Shion estavam jogados na imensa casa de casal, seus corpos estavam desnudos e abraçados.

Camus ergueu sua cabeça com certa dificuldade e olhou para o relógio. Ele tinha que voltar para sua casa e fazer sua pequena bagagem. Aos poucos começou a se remexer na cama, a fim de sair dos braços quentes e aconchegantes de Shion.

- Fica quieto, Camus – Shion resmungou, fechando mais o abraço.

- Eu... vou arrumar minhas coisas – disse.

- Fica mais um pouco – pediu com uma voz manhosa. Uma coisa rara até mesmo para Camus que resolveu aceitar aquele pedido.

- "E no final... Shion me teve de novo. Mas... eu estou feliz assim. Quem sabe no futuro a gente resolve isso, eu acho que agora está muito cedo" – pensou, permitindo-se fechar os olhos e ficar mais alguns minutos naquele abraço – "eu não queria sair daqui... eu poderia ficar três dias deitados aqui com ele...".

O tempo passou e com muita dificuldade Camus deixou os braços de Shion que resmungou alguma coisa. Camus começou a vestir suas roupas que estavam espalhadas pelo chão do quarto. Sua camisa estava no meio do corredor. Quando se vestiu, ele saiu do quarto rapidamente antes que se jogasse novamente na cama.

Ao chegar na casa de aquário, Camus foi diretamente para seu quarto, pegando algumas roupas e as jogando na sua pequena mala preta. Quando terminou de arrumar seus pertences, Camus olhou para seu quarto.

- "Hum... sinto vontade de escrever" – pensou.

Camus pegou seu diário e sentou-se na escrivaninha, pegou sua caneta e começou a escrever.

Grécia 24/12

Caro diário, são duas horas da manhã. Logo subirei até a casa de meu namorado. Namorado? Que hilário escrever isso. Hoje, ou melhor, ontem Shion me deu um colar com o símbolo de Áries, eu adorei. Eu preciso comprar algo para ele também.

Hoje, Shion irá me levar para um lugar especial. Eu não faço a mínima idéia de onde seja e também não sei como ele irá deixar o santuário sendo que ele é o grande mestre e não pode ficar saindo a todo tempo. Ao menos que Athena tenha permitido e convenhamos que eu não acredito que Shion pediu algo assim a ela.

Amanhã é dia 25 de dezembro. Um dia de muita festa e apesar de não comemorar o natal, eu irei presentear Shion com alguma coisa. Eu preciso saber do que ele gosta. Acho que teve uma festinha de véspera de natal na casa de câncer... e eu não fui convidado. Acho que sem a aposta por meu corpo, ninguém mais tem interesse em mim. Isso é tão... revoltante. Eu me sinto triste.

Mas apesar de tudo eu... estou tão feliz ultimamente. Eu tive uma conversa com Shion a respeito de eu tê-lo na hora do sexo como Milo sugeriu, mas eu percebi que foi uma grande burrice. Quase brigamos! Eu acho que fui muito desagradável... quem sabe no futuro Shion ceda para mim. Eu vou ter que esperar. Eu estou criando expectativas. Eu confesso que até sonhei que possuía Shion... que vergonhoso.

P.S: eu me sinto um gordo ultimamente. Eu comi praticamente metade do bolo de Shion sozinho. Pareço uma criança. Preciso maneirar.

Camus releu o que escreveu, acentuando algumas palavras que acabou esquecendo. Depois fechou seu diário vendo que havia algumas marcas na sua capa. O colchão o estava amassando contra as ripas de madeira da cama.

- Eu preciso de outro lugar para você – Camus falou com o diário, olhando para o quarto.

Após um momento de reflexão, Camus colocou seu diário na gaveta de sua escrivaninha.

- "Preciso comprar uma fechadura. Eu vou fazer isso hoje mesmo, isso é, se tiver tempo" – pensou, pegando sua bagagem e saindo do quarto, correndo até a casa do grande mestre.

Ao chegar no quarto de Shion, Camus descalçou suas sandálias e colocou sua bagagem no chão. Camus sentou-se na cama e antes que pudesse se arrumar para deitar-se, Shion o agarrou e o cobriu com um lençol.

- Demorou – murmurou.

- "Shion meloso? Isso é surpreendente" – pensou – eu estava escrevendo.

- Escrevendo no seu diário?

- Sim – revelou.

- Posso lê-lo algum dia? – indagou.

- Nunca – disse, rindo baixinho.

- Hum... tudo bem – murmurou, beijando a bochecha de Camus – fez a mala?

- Sim. Está tudo pronto – disse.

- Ótimo. Agora podemos dormir – disse, dando um beijo rápido nos lábios de Camus para depois se acomodar na cama com o aquariano em seus braços.

As horas passaram-se rapidamente até os primeiros raios solares começarem a iluminar o quarto do casal. Shion se remexeu na cama abrindo suas pálpebras lentamente, visualizando o homem que estava dormindo nos seus braços.

A mão de Shion deslizou pela face adormecida de Camus, retirando alguns fios azulados de seu rosto. O olhar de Shion era apaixonado e seu corpo até relaxava diante de tanta beleza. Ele suspirava, desejando permanecer naquela posição para todo o sempre.

Aos poucos as pálpebras de Camus foram abrindo-se, revelando um par de olhos azuis escuros que agora observavam Shion. Os dois beijaram-se lentamente.

- Vamos tomar café e sair para aproveitarmos o dia – Shion disse.

Camus sorriu e deu outro beijo nos lábios de Shion. O casal começou a se arrumar e foram tomar café da manhã. Quando terminaram, o casal saiu da casa do grande mestre, descendo as casas zodiacais em silêncio, sentindo o vento matinal bater contra seus corpos.

- "Eu nunca fui visto com Shion... tomara que ninguém apareça" – Camus pensou, olhando para os lados.

Shion andava ao seu lado, com um olhar despreocupado. Não parecia ser o grande mestre, o famoso Shion de Áries, o Terrorista de Mentes. Shion usava uma calça jeans preta e uma camiseta branca, uma roupa que Camus pensou que nunca o veria usando. Quando o casal passou pela casa de câncer, puderam ter uma idéia do motivo do santuário estar tão silencioso.

O olhar de Camus e Shion correu pelo salão com perplexidade. Os famosos e poderosos cavaleiros de ouro estavam esparramados pelo chão, escorados nas paredes, jogados em cima das mesas e o cheiro de bebida e cigarro era intenso.

- Até mesmo o Mu está aqui – Shion comentou, olhando para o ariano que estava com a cabeça deitada no colo de Shaka que também dormia num sofá.

- Parece que passou um furacão por aqui – Camus comentou.

A voz de Camus foi o suficiente para fazer alguns cavaleiros abrirem os olhos. Aldebaran foi o primeiro a se levantar, esbarrando numa cadeira, fazendo-a cair no chão. Aos poucos os cavaleiros começaram a erguer-se, encarando Shion e Camus com surpresa.

- Shion? – Mu indagou, olhando para o grande mestre – Acho que estou bêbado... – murmurou em seguida.

- Não, não está – Shaka disse, passando a mão pelos fios roxos do ariano, que começou a sentar-se no sofá, olhando para Shion que lhe encarava.

Camus ficou olhando para os dois arianos sentindo uma pontada de ciúmes o que lhe surpreendeu. Ele nunca havia sentido isso antes por outra pessoa. Quando era uma criança, às vezes sentia ciúme por Milo lhe deixar sozinho e ir brincar com outros garotos, mas atualmente não sentia mais isso.

- "Eles se olham... tão... tão... ah..." – Camus pensava, olhando discretamente para as feições de Shion.

- Está com uma cara péssima, Mu – Shion comentou, deixando um leve sorriso desenhar-se em seu rosto.

- "Shion sorrindo desse jeito?" – Camus indagou em pensamento, sentindo seu coração acelerar um pouco.

- Ah... Shion... realmente – Mu concordou. O ariano passou as mãos por seus olhos, começando a massageá-los.

Os demais cavaleiros ficaram estáticos, eles estavam tensos com a presença de Shion. Talvez tivessem exagerado na festinha, entretanto estavam mais curiosos com a presença de Camus. Eles nunca haviam visto o casal junto antes.

Quando Camus percebeu os olhares para cima de si, ele começou a ficar um pouco nervoso. Ele estava tímido pela presença de Shion, estava com um pouco de ciúme e com pressa. Queria sair correndo e Shion cismou de querer conversar com Mu.

A figura de Milo se revelou num canto do salão, Camus resolveu olhá-lo para desviar-se dos pensamentos possessivos que estava tendo com relação a Shion. O escorpiano sorriu ao ver que Camus lhe olhava com atenção, Milo ergueu-se e começou a caminhar na direção de Camus, com passos lentos e vacilantes. Ele ainda estava bêbado e com sono.

- "Oh! Por Athena... Milo não faça nada estúpido" – Camus pensou.

- Camus... Camus... o que te trás aqui? – Milo indagou.

Shion parou de falar de repente ao ver que Milo se aproximava, ele desviou sua atenção de Mu e olhou diretamente para Milo, que agora o encarava também.

- Estou de passagem – Camus respondeu.

- Fique comigo hoje... é dia de festa. Venha até minha casa – Milo pediu com uma voz bêbada.

- Agradeço. Mas vou recusar – Camus disse – "Shion vai incinerar Milo daqui a pouco" – pensou, vendo o olhar do ariano.

- Não seja chato Camus... – Milo resmungou – O que você fará hoje?

- Vou sair – respondeu secamente.

O clima começou a ficar tenso, Camus suspirou e começou a caminhar para fora da casa de câncer. Ele não agüentava mais ser o centro das atenções e não ia assistir uma discussão entre Milo e Shion.

Ao ver que seu querido amante saiu, Shion despediu-se de Mu com um aceno da cabeça e saiu da casa de câncer com passos lentos e firmes. Quando o grande mestre saiu, todos soltaram sua respiração, voltando a relaxar.

- Milo... eu pensei que você fosse atacá-lo – Aioria comentou, passando a mão por seu rosto.

- Eu também – Milo disse.

- Eu pensei que o Shion fosse matá-lo – Mu comentou – nunca o vi tão irritado.

- Você o conhece bem, não é, Mu? – Milo indagou.

- O suficiente – respondeu, soltando um longo bocejo em seguida.

Quando o cosmos de Shion e Camus se afastou, Milo abriu um largo sorriso. Ele começou a caminhar para fora da casa de câncer, sendo acompanhado pelos olhares de Saga, Shura e Aioria.

Milo cantarolava alguma coisa enquanto subia a escadaria. Ele chegou até a casa de escorpião, mas não se deteve caminhando até a décima primeira casa, chegando até a casa de aquário. O escorpiano adentrou no quarto de Camus e caminhou até o colchão, puxando-o.

- "Eita... será que eu estou muito bêbado? Eu me lembro que o deixei aqui" – pensou – "Camus deve... ter escondido em outro lugar".

O quarto de Camus começou a ser revirado. Milo estava bêbado e nem sequer prestava atenção no que estava fazendo, ele estava tirando tudo do lugar de qualquer jeito. Ele começou a mexer na escrivaninha, e finalmente encontrou o diário dentro da gaveta.

- "Mais fácil de encontrar aqui... do que embaixo da cama. Camus está vacilando" – pensou.

Milo saiu lentamente da casa de aquário, não havia pressa, pois o aquariano estava distante. Quando saiu da casa de aquário, encontrou Saga, Aioria e Shura lhe olhando com curiosidade.

- O que querem? – Milo indagou com descaso.

- Ler – Saga disse, apontando para o diário.

- Co... como? – Milo indagou, acordando de repente, vendo o olhar maroto que estava estampado nas suas faces.

- Queremos ler suas anotações – Shura disse.

- Não querem nada. Não me perturbem – disse com uma voz contrariada.

O trio caminhou na direção de Milo, fazendo uma roda, deixando Milo no meio. O escorpiano estava apreensivo e antes que ele pudesse pensar em sair dali, os seus braços foram agarrados por Aioria e Shura, enquanto Saga tentava retirar o diário de sua mão.

A cena a seguir foi confusa e escandalosa. Milo gritava e xingava os cavaleiros, tentando golpeá-los, enquanto os demais riam divertidamente ao mesmo tempo em que seguravam Milo com força. Afinal Milo era bastante perigoso quando estava bravo.

Saga pegou o diário finalmente, abrindo a capa com velocidade, indo ler as primeiras linhas. Gêmeos ficou em silêncio com um semblante sério, deixando os demais curiosos.

- "Medo de engordar"? – Saga indagou em pensamento. Gêmeos não agüentou e começou a rir descontroladamente, deixando os demais ainda mais ansiosos, mas eles não poderiam soltar Milo.

O corpo de Saga inclinou-se para frente, ele não agüentou e sentou-se num degrau, tentando se recuperar daquela piada. Ele nunca ia imagina que Camus pudesse pensar desse jeito.

- Saga, eu vou te matar – Milo vociferou.

- Milo... Milo... se você se comportar. Eu prometo que não conto ao Camus que você leu o diário dele e depois nos deu – Saga disse.

- Você não teria coragem – Milo murmurou, contendo-se.

- Eu quero lê-lo também – Saga comentou, voltando a ler as primeiras linhas com mais atenção – Camus está bem magoado... com todos nós.

E nesse instante os demais cavaleiros deram suas atenções para Saga. Do que ele estava falando afinal? Talvez fosse por causa da aposta. Shura e Aioria soltaram Milo ao ver que ele parou de se remexer.

- O que diz nesse diário? – Aioria indagou.

- Os pensamentos mais profundos de Camus – Saga respondeu – ele fala muita coisa séria e muita coisa engraçada.

- Fala de algum de nós? – Shura indagou.

- Fala do geral, mas o Milo é o mais comentado – disse – e sobre alguns desejos de Camus. Isso é realmente engraçado.

Shura e Aioria puxaram o diário da mão de Saga e começaram a ler a primeira página, não achando nada demais no que estava escrito. Depois foram para a segunda página achando mais interessante e quando finalmente chegaram no ponto crítico. Shura e Aioria começaram a rir descontroladamente.

- Medo de engordar? Era disso que você ria Saga? – Shura indagou, entre seu riso.

Milo sentiu uma pontada forte contra seu peito. Eles estavam rindo de seu querido Camus e como sempre a culpa era sua. No final, Milo estava repetindo o mesmo erro do passado. Ele estava magoando Camus novamente.

O escorpiano fechou os olhos, lembrando-se do dia que viu Camus chorar pela primeira vez, nem que tenha sido de relance. Esse foi o dia que Camus deixou de confiar tanto nele. Eram apenas crianças...

(Flash Back)

Milo adentrou no quarto que dividia com Camus. Ele tinha doze anos e sonhava em ser um cavaleiro de ouro de Athena juntamente com seu colega de quarto.

- Camus? – Milo o chamou, procurando-o com o olhar.

Milo abriu a porta do banheiro encontrando o aquariano sentado no chão frio do lugar. O escorpiano ascendeu à luz e encontrou uma cena inédita que lhe deixou em estado de choque.

- Mi... Milo? – Camus ficou surpreso com sua presença.

O corpo de Camus estava desnudo, ele estava sentado no chão do banheiro enquanto olhava para uma revista pornográfica. A mão de Camus estava fechada no seu membro que estava ereto.

- Eu... eu... Camus... você... – Milo ficou sem falas pela primeira vez na sua vida. Ele não agüentou e começou a rir sem parar, ignorando o olhar constrangido de Camus que se encolheu no chão.

Milo saiu do quarto rindo alto, começando a gritar pelos sete ventos o que o aquariano estava fazendo. Camus ergueu-se, vestiu sua calça e saiu apressadamente do banheiro, correndo até Milo antes que ele fosse pegar um megafone para avisar a todos que o aquariano tinha hormônios também.

A mão de Camus fechou-se no braço de Milo que ria descontroladamente. Milo esquivou-se do toque de Camus e voltou a correr, rindo alto.

- Milo! Cala a boca – Camus gritou.

- Nunca ouvi você gritando antes... – Milo comentou – e não imaginei que você gostava de ficar se masturbando no banheiro. Por isso você fica sozinho o tempo todo.

- Milo! Cala a boca! Você não disse que era meu amigo?

- Eu sou seu amigo, mas eu não posso deixar essa passar, Camus! – exclamou.

Os dois correram pelo santuário. Camus tentava pegar Milo a todo custo antes que ele encontrasse alguém e para a infelicidade de Camus, o escorpiano encontrou um cavaleiro de ouro. Saga de gêmeos.

- O que estão fazendo aqui? – Saga indagou, num tom autoritário.

- Na... nada – Camus respondeu.

- Está tarde. Voltem para seus quartos – Saga ordenou.

Camus começou a puxar Milo, mas ele não andava e não parava de rir. Saga ergueu uma sobrancelha e cruzou os braços, encarando os dois adolescentes com impaciência.

- O que houve? – Saga indagou.

- Nada! – Camus respondeu num grito, surpreendendo o geminiano. Afinal, o pequeno francês sempre foi bastante controlado e reservado.

- Estão brigando? – Saga indagou.

- Eu já disse que não foi nada – Camus respondeu.

Milo continuou a ser puxado por Camus, mas o escorpiano ainda continuava a rir, comentando que Camus era uma caixinha de surpresas.

- O Camus estava... estava...

- Cala boca! Cala a boca! – Camus gritou.

Alguns guerreiros que estavam próximos começaram a se aproximar do local para ver o que estava acontecendo. Saga começou a ficar cada vez mais curioso e Camus cada vez mais aflito.

- Milo, eu nunca mais falo com você – Camus ameaçou, cerrando dos dentes.

- Ah... Camus, desculpe... mas eu preciso contar essa – disse entre suas risadas histéricas.

- Você disse que era meu amigo – Camus falou num tom mais baixo.

- O que está acontecendo entre vocês dois? – Saga tornou a indagar.

- Eu peguei o nosso santinho... se...

Camus fechou a mão a fim de golpear a boca de Milo antes que ele revelasse o pequeno deslize de Camus, mas o escorpiano desviou-se do golpe e deu alguns passos para trás, conseguindo desvencilhar-se da mão de Camus.

- Se... divertindo no banheiro... com uma... revista pornográfica! – gritou em seguida.

O silêncio que surgiu diante da revelação deixou Camus tenso, o aquariano abaixou a cabeça e olhou para o chão e no segundo seguinte um estouro de risadas invadiu os ouvidos do francês. Até mesmo Saga não se agüentou, rindo timidamente. Não era o fim do mundo, os adolescentes faziam esse tipo de coisa. Mas para Camus...

O corpo de Camus moveu-se lentamente para fora daquela roda de garotos que riam de sua frustração. Ele nunca havia passado tanta vergonha em toda sua vida. Quando se afastou de todas as risadas, Camus foi até o dormitório e trancou-se no seu quarto.

O francês sentou-se no chão e dobrou seus joelhos abraçando-os em seguida, afundando sua cabeça no meio de seus braços. Ele não tinha amigos, não se dava bem com os outros garotos e pensava que Milo gostava dele. No final, sentiu-se sozinho. E agora, além de sozinho seria ridicularizado. Ao menos os outros garotos o respeitavam. Mas e agora?

A porta do quarto abriu e Milo adentrou rindo baixinho, encontrando Camus na penumbra do quarto. Ele se aproximou do francês que estava em silêncio.

- Hei... Camus! – Milo o chamou.

O francês levantou-se e caminhou até o banheiro, sendo observado por Milo.

- "Ele está chorando?" – Milo indagou em pensamento.

Os olhos de Camus estavam brilhantes e antes que perguntasse alguma coisa, a voz fria e cortante do francês invadiu seus ouvidos.

- Perdão por incomodar-te. Não farei mais isso no nosso banheiro – disse – com licença, vou banhar-me – avisou em seguida num tom polido adentrando no banheiro e fechando a porta.

- "Que tom... diferente. Você estava tão raivoso até agora... e agora... está tão frio" – pensou – "Acho que exagerei".

(Fim do flash back)

- "No final eu contei para todo mundo que ele estava se divertindo com a revista pornográfica, mas não estava se masturbando. Não sei se acreditaram em mim, mas tentei amenizar a situação. Eu era um besta... era? Eu acho que continuo sendo. Agora estou revelando outro segredo de Camus como se fosse divertido mostrar que o cubo de gelo tem atos humanos como: escrever num diário, aproveitar sua sexualidade na adolescência, ou mesmo tentando fazer uma aposta estúpida onde veríamos se ele tem interesse pelo sexo" – Milo pensou – "Eu não posso deixar Camus magoado novamente...".

O cosmos de Milo começou a elevar-se numa velocidade e intensidade que assustou os demais cavaleiros. Saga fechou o diário e olhou para o cavaleiro de escorpião que estava com um semblante de poucos amigos.

- Devolva – Milo estendeu sua mão e olhou diretamente para Saga.

- E se eu me recusar? – Saga indagou.

- Eu vou fazer seus pedaços rolarem escadaria abaixo – vociferou – eu juro pela sagrada vida de Athena que farei isso.

- Hei! Hei! Calma Milo – Aioria pediu tentando contornar a situação. Aquela promessa havia sido bastante séria. Nenhum cavaleiro colocava o nome de Athena em vão.

Saga fechou os olhos e ficou um pouco pensativo e com desgosto estendeu o diário até Milo que o pegou rapidamente. Os demais cavaleiros soltaram suas respirações, todos estavam tensos.

E nesse instante para a surpresa de todos, alguns degraus abaixo estava o cavaleiro de aquário, observando a situação com perplexidade. Ele havia esquecido de pegar sua carteira e voltou para buscá-la.

- Camus! – todos exclamaram em uníssono.

O olhar de Camus parou no diário que estava sendo segurado por Milo. Ele não sabia o que estava acontecendo, mas sabia que havia sido furtado por seu melhor amigo. E que amigo!

Se o cosmos de Milo enfurecido era amedrontador. O que dizer a respeito do cosmos do cavaleiro de aquário? O aquariano estava magoado, enfurecido e sentindo-se traído.

- Ca... Camus, eu posso explicar – Milo disse num tom desesperado.

- Pode? – Camus indagou.

- Posso!

- O que faz com meu diário? – Camus indagou.

- Eu... eu... bom... eu... queria... eu ia ler – confessou.

- E como você descobriu meu diário? – indagou em seguida.

- Bom... er... eu fui ao seu quarto um dia e o vi... em cima da escrivaninha... – revelou.

- E você o leu? – indagou.

- Si... sim – respondeu.

- E você o pegou novamente para ler? – tornou a indagar.

- Eu... estava inseguro quanto ao que você pensava de mim e...

- E então começou a agir de acordo com meus pensamentos para me agradar? – indagou num tom mais alto – "Era muito bom para ser verdade" – pensou em seguida.

- Bem... é que ... eu não sabia que você...

- Já chega! – Camus pediu, interrompendo-o.

O trio ficou amuado num canto, eles estavam prontos para segurar Camus caso ele cismasse em bater no cavaleiro de escorpião. Os demais cavaleiros de outro sentiram a agressividade do cosmos de Camus e começaram a se aproximar do local. Agora todos estavam reunidos sem entender a situação.

O ar ao redor dos demais estava ficando cada vez mais gélido. O concreto da escadaria estava sendo substituído por uma grossa camada de gelo. O cosmos de Camus estava tão forte que não havia dúvida de sua intenção: matar Milo, Shura, Aioria e Saga.

- E vocês também leram? – Camus indagou, olhando para o trio.

O trio ficou em silêncio, confirmando o que Camus estava pensando. Então todos estavam correndo atrás de seu diário.

- Camus, eu acho melhor você se acalmar – Aldebaran sugeriu – eu não sei o que houve aqui mas...

- CALA A BOCA – Camus gritou, fazendo touro se calar. Os demais ficaram perplexos. Eles não sabiam o que estava acontecendo, mas Camus estava furioso e fora de controle. O aquariano não erguia seu tom de voz para nada.

Os braços de Camus ergueram-se lentamente, chamando a atenção dos demais. Ou eles parariam Camus ou todos ali seriam congelados, principalmente Milo que estava na frente de Camus.

- Eu... não vou desviar. Se quiser... pode me atingir – Milo disse, abrindo seus braços, mostrando-se totalmente entregue ao castigo de Camus.

- Eu não vou permitir isso – Saga disse, colocando-se na frente de Milo – Camus, acalme-se. Eu vim pegar o seu diário, Milo não estava nos dando.

Aioria e Shura saíram do estado de choque e colocaram-se na frente de Saga também. Camus abaixou seus braços, deixando o clima menos tenso. O aquariano estendeu o braço e olhou diretamente para Milo.

- Meu diário – pediu.

Saga pegou o diário, passou para Aioria que passou para Shura, chegando na mão de Camus. O aquariano respirou fundo tentando se acalmar, mas não estava conseguindo, ele estava furioso.

- Mu – Camus o chamou.

- Ah... oi! – o ariano olhou para o francês com mais atenção.

- Poderia segurar isso para mim e não ler, por favor? – pediu.

- Ah... tudo bem – disse, aproximando-se de Camus, pegando o precioso diário na sua mão.

Camus voltou sua atenção e disse num tom irritado:

- E agora eu irei partir para uma alternativa ignorante, proibida e apelativa que não trará nada inteligível e satisfatório para nenhum lado, mas eu irei me satisfazer mesmo assim.

E antes que alguém perguntasse o que seria aquela alternativa, o cavaleiro de aquário sumiu da vista dos demais cavaleiros e antes que pudessem perceber o cavaleiro de escorpiano voou escadaria acima com parte de sua perna congelada. Os demais cavaleiros correram até Camus a fim de impedi-lo.

Aldebaran e Kanon seguraram os braços de Camus enquanto os outros cavaleiros foram socorrer Milo que estava grudado na parede da casa de aquário, com parte do corpo congelada. E Camus ainda se remexia, tentando se soltar, acabando por congelar parte dos braços de Aldebaran e Kanon que resolveram lhe soltar.

Camus continuou avançando, mas foi segurado novamente e jogado no chão.

- Chega Camus! – Mu gritou.

- Eu só quero matar o Milo – Camus disse.

- E é isso que não vamos deixar você fazer – Shaka disse – você mesmo disse que não seria inteligível.

- Não vai ser, mas eu irei ficar feliz – disse.

- Ele é seu amigo Camus! Pare com isso. Eu não estou lhe reconhecendo – Aldebaran pediu.

- "Ninguém me conhece. Ninguém! Maldição... Milo você me roubou, me traiu e ainda ficou rindo de mim. Sem contar... que quis me jogar contra Shion... agora que eu percebi isso. Você leu meu diário... você leu!" – pensou transtornado.

- O que está acontecendo aqui?

A voz de Shion invadiu o ouvido de todos. Os cavaleiros olharam para baixo encontrando o olhar furioso do grande mestre. Shion não estava entendendo a situação, mas podia imaginar.

Camus estava caído no chão e sendo segurado por três cavaleiros de ouro, enquanto Milo estava jogado escadaria a cima sendo socorrido pelos demais cavaleiros. Eles estavam brigando, não havia dúvida. Mas não sabia o motivo.

- O que houve aqui? – Shion tornou a indagar.

- Camus quer matar o Milo por alguma coisa que eu ainda não sei – Mu respondeu.

- Por que quer matar Milo, Camus? – Shion indagou.

- Não apenas o Milo. O Shura, Aioria e Saga também – completou – porque eles invadiram minha casa e roubaram algo meu.

- Acho que é isso! – Mu disse, estendendo o diário para Shion que arregalou os olhos com surpresa. E agora ele estava entendendo o motivo da raiva do aquariano.

Shion aproximou-se de Camus, fazendo os demais lhe soltarem. A mão de Shion ajudou o aquariano a levantar-se e antes que Camus voltasse a atacar Milo, Shion o começou a puxar escadaria abaixo, pegando o diário na mão do ariano.

Os demais cavaleiros voltaram suas atenções para Milo que parecia estar gravemente ferido.

- "Eu errei de novo..." – milo pensou, antes de perder a consciência.

OoO

"Não corrigir nossas faltas é o mesmo que cometer novos erros".
(Confúcio)

OoO

Continua...

Hum... eu acho que essa fanfiction deveria se chamar: "As burradas de Milo". Eu mesmo estou pensando no que vou fazer. Eu espero que estejam gostando da história. E para quem odeia 'Lime', eu aviso que não teria espaço para um 'Lemon' nesse capítulo.

Desculpe a demora deste capítulo, mas já comecei a faculdade, e ela está pegando no meu pé.

Hum... será que o diário de Camus será tão rodado quanto catraca de metrô? Hahahah... vamos ver no que vai dar. E eu fico surpresa que meus leitores ainda assim desejam ver Milo e Camus. Será que não gostaram do Shion com o aquariano?

Quanto ao Camus na infância com Milo. Milo não fez algo tão grave (ou fez?), mas para um adolescente foi terrível. E novamente: E que amigo o Milo é!

Muito obrigada pelos comentários, foram muito importantes para meu incentivo e meu ego também. Continuem mandando...

21/8/2008

Por Leona-EBM